agosto 11, 2005

Mudei-me para:


www.partilha.net/varandadalua

Espero-vos por lá. Obrigado.

Publicado por dono da lua às 01:42 PM | Comentários (0)

julho 19, 2005

Antigamente

Estou num lugar de que gosto. Antigamente, dizem-me aqui, era difícil cá chegar. Em três horas e meia cheguei cá. Atravessei o mar acima das nuvens. Atravessei a ilha pelos túneis. Quando cá cheguei ainda se via o sol ao longe, como que a fugir. Mesmo mesmo a desaparecer. Jantei, andei um pouco e descobri a lua. A minha lua, mesmo por trás do monte. Do monte vi a silhueta preta, pintalgada com as luzes das estradas e das casas. Tirei uma data de fotos. E lembrei-me do meu namoro mais recente. A bem dizer, já passou da fase do namoro. Já é mais uma paixão que outra coisa. Ás tantas nem foi namoro. Foi paixão à primeira vista! Uma 350D, que ainda não sei com vou adquirir!
E foi aí que me lembrei da minha varanda, e vim ver como é que estava. Nenhum comentário. Fiquei cabisbaixo. Estou no átrio do hotel. Ou melhor, de um dos hotéis cá do sítio. Aqui têm um posto de 'acesso à internet'. De borla, ou por simpatia da menina da recepção. Fiquei sem perceber. Está tudo tranquilo. O bar já fechou. A senhora foi simpática, porque ainda me serviu um pedaço de álcool irlandês. A música é de 'elevador de hotel', mas práticamente não se consegue ouvir. Acabou de me desejar boa noite a senhora do bar. Amanhã é dia de "pica boi", como dizia a minha Avó. No tempo dela não se trabalhava tão longe de casa. Os tempos eram outros. Não andava de avião, nem sequer de carro. Mas ia a Coimbra, a pé (cerca de 30 Kms para ir e outros tantos para regressar) para vender os ovos. Ou melhor, para vender os ovos e gastar o valor da venda logo ali, no mercado, em algo que precisasse. Para o filho, imagino eu. Para ela também. Para os que 'trabalhavam para a casa', talvez. Devia ser duro. O marido nos states. Montes de anos, e ela sempre a cuidar da casa, das terras, das vinhas, do quintal, dos pinhais. Tudo para um dia o filho vir a ser o Sr. Professor. Demorava ela mais a ir e a vir para/de Coimbra que eu gasto agora para atravessar o mar, por cima das nuvens. E lamento eu estar longe da minha pequenina! Amanhã é dia de 'pica boi'. Lá terá de ser. A vida é assim. Felizmente gosto do que faço. Quando se está longe tem-se tempo para se pensar. No tempo, na varanda, nas nuvens, no mar (aqui quase lhe toco), naqueles de quem gosto, na minha pequenina. Está na hora de me deitar. Não vai ser fácil adormecer. Vou falar com a minha pequenina.Pode ser que me embale. Vou oferecer-lhe um mimo, vou dizer-lhe que a amo.

Publicado por dono da lua às 11:43 PM | Comentários (0)

julho 17, 2005

A minha Tabuinha

Agora... estou confortavelmente sentada numa cadeira, cujas rodinhas na pata espalmada, facilitam a deslocação ao longo da mesa onde se acomoda tudo o que preciso para entreter o tempo que sobra entre o preparar das refeições, do passar a ferro, do arruma a cozinha, do lava a louça, do coser a roupa... enfim das tarefas que bem cedo aprendi, de que tanto aproveitei e de que ainda me não aposentei.
Estou na Sala dos Mimos!
continua ... >

Escrito por Maria Ezequiel, para os filhos e para os netos

Publicado por dono da lua às 04:26 PM | Comentários (0)

julho 15, 2005

Sobre a amizade

De novo a amizade, agora segundo a Menina Marota.

Publicado por dono da lua às 11:51 PM | Comentários (2)

julho 11, 2005

Mar, sempre mar !



Não quero insistir muito com o mar, mas a verdade é que comentaram que pintei mar nas telas que viram. Não sei bem como me sairei da próxima, pois vai ser duro pintar uma de 80x60. Mas tudo bem. Obrigado pelo desafio. Já devem ter reparado que não sou muito de fugir a desafios. Espero divulgar o resultado daqui a um ano, quando dos 50.

Foram simpáticos, brincalhões e provocadores quanto baste. Mas no fundo, bem lá no fundo, foram amorosos.

Por isso ofereço-vos uma recomendação. E não se esqueçam de a seguir, porque eu sei do que falo. Podem crer que sei. Leiam-na com a música que aqui vos deixo. E ouçam o que ela vos diz.

Férias muito felizes para todos, tanto para os que vão para longe, como para os que por cá vão ficar.

Milhões de mimos, beijitos e abraços.
Até um dia destes.

____________________________________


Não se esqueçam que

com o passar dos anos
aprendi com a vida.
Ou se vive intensamente
ou o nosso sonho termina.

Por isso, onde quer que vão,
numa noite em que a lua não vos sorria,
procurem um pedaço de lugar gingão
e peçam música com alegria.

Dêem a mão e sorriam.
Um para o outro, é claro,
mas sorriam.

De frente e sorrindo sempre,
como que se mirassem ao espelho,
mão esquerda no enfiamento dos ombros.
E olhos nos olhos, sempre, sempre.

Podem começar com a base de samba.
Nada de abanar os ombros.
Mas as ancas sim, essas sim.
Pé direito quase fixo.
O esquerdo para a frente e para trás.

Depois, para a esquerda, mas de frente.
E para a direita, mas sempre de frente.

Com o passar dos anos
o carinho é mais forte,
a gente vive o presente
não se brinca com a sorte.

De anca com anca,
abrindo para fora, em jeito de rumba.
Com um dos braços não a deixando fugir
e o outro abrindo esticado.
Rodopiando e agora
o mesmo para o lado oposto.

Transpirando? Não é grave,
porque esse gosto é de mar.

Água doce, água do mar,
por água vem e por água vai.
Água doce, água de mar.

Água que cai do céu
e que as ondas vão levar,
eu te quero beber doce,
mas teu gosto é de mar.

Com o passar dos anos,
nós medimos nossos passos.
Seguimos um bom caminho
p’ra esquecer os fracassos.

Sorrisos de quem observa, por
tantos estilos misturados ?

Não se preocupem, porque

com o passar dos anos
tanta coisa se aprende,
o coração se faz duro,
o sentimento se acende

e a ideia é fazer com que
a vida e a lua vos sorriam.

Se não conseguirem atinar,
não se apoquentem.
Fica a intenção,
da dança e da lição.

Mas sigam o que vos digo,
porque eu sei do que falo.

E não é preciso saber dançar.
Basta sorrir e querer,
muito muito,
continuar a amar.

E quando regressarem,
não precisam de contar.
Guardem só para vós,
se o gosto foi a doce ... ou a mar.

Também eu espero
descansar, dançar e

... amar.

Publicado por dono da lua às 12:36 AM | Comentários (4)

julho 06, 2005

amanhã vou deixar que me fotografem

O que vemos de alguém
em determinado momento,

é uma foto instantânea da sua vida,
na riqueza ou na pobreza,
na alegria ou no desespero.

As fotos instantâneas
não revelam o milhão
de decisões (e de indecisões)
que conduziram até àquele momento.


(uma aventura no espírito - Richard Bach )

Publicado por dono da lua às 12:23 AM | Comentários (3)

julho 02, 2005

As gaivotas

gaivota.jpg


Nem sempre lá andam,
mas por vezes aparecem por lá.

Quando lá andam, são muitas. Muitas.

Voam alto, como canta o Júlio.

Voa amigo, voa alto
Não voe perto do mar

Mas também voam baixo,
coisa que o Júlio não recomenda.

Não sejas gaivota no mar
É fácil se atrapalhar
Quando se voa tão baixo

Questão de sobrevivência,
coisa que o Júlio parece saber.

Aqui tens que fazer tudo
Sem perder jamais o passo

Quando lá andam, são muitas. Muitas.

Aparentam desconhecer o perigo.

Aqui nada é de graça
Tudo tem um alto preço

Sujeitam-se a ser apanhadas.

Pedaço que vais subindo
Pedaço que vais pagar
Adoram soltar tua mão
Se vêem que para baixo vais

Deviam ser aconselhadas.

Cuidado com o que fazes
Nunca olhes para trás
Senão o que conseguistes
Outros voltam a tirar.

Porque isto não está fácil.

Aqui, quem fica em terra,
Leva a parte pior
Vão-se-lhe fechando portas
Vai-se-lhe negando o melhor.

Apetece gritar-lhes.

Amigas, aproveitem o vento
Quando sopra a vosso favor
Que ele vos leve longe
Quanto mais longe melhor

Voem alto, amigas, voem alto.

Publicado por dono da lua às 12:24 AM | Comentários (2)

junho 19, 2005

em fanicos

bicic.jpg
foto de autor desconhecido

Encostado à parede.
Velho, acabado e desbotado.
Enferrujado e feito em fanicos.

Esquecido por agora,
para um dia deitar fora.

Publicado por dono da lua às 03:13 AM | Comentários (3)

junho 12, 2005

Coisas que leio

A vida pode ser demasiado cheia. Nem sempre temos tempo, ou disposição, para escrever.

Não temos tempo para escrever, mas sempre arranjamos algum para ler.

No entanto, há tanto para ler que, naturalmente, podemos ser tentados a procurar - quase sempre - as mesmas bibliotecas.

É como se nos refugiássemos na certeza de encontrar o que queremos, em locais de qualidade garantida ... de segurança garantida.

É como se não houvesse paciência para procurar o que queremos, pelo simples facto de sabermos onde podemos encontrar os que escrevem ao nosso jeito.

Talvez seja por isso que tenho alguma dificuldade em descobrir coisas novas.
Que me perdoem os que ainda não descobri. Um dia vou descobri-los!

E é por tudo isto que partilho hoje convosco,

que um dia disse ao João que gostaria de ser capaz de escrever como ele,

que já disse o mesmo à Lique, de forma indirecta,

e que descobri um Duarte, ou melhor, o seu Porto de Abrigo.

Mas também já disse à Clitie, ainda que implicitamente, que não deixo de a visitar.

Como é fácil escrever o que acabo de escrever!

Um mimo grande para os que escrevem ... e para os que por aqui continuam a passar.

Publicado por dono da lua às 08:39 PM | Comentários (7)

maio 30, 2005

o ROTEIRO, segu(i)ndo Lique e Yardbird

No intervalo de Lique, parou para ver aquela paisagem. E não parou de a olhar. Dylan, o Bob, mesmo ali ao lado, lembrou-lhe outros tempos. Picou e ficou a ouvir, enquanto aproveitou para ficar a conhecer a relação de Yardbird com L.

E voltou a Lique. E voltou a ver. E a ler.
E viu. E leu. E ouviu. E tornou a ouvir ... e a ler.

O mar não era o vermelho. Nem era o mar morto. Lembrou-se de outro mar, o da ilha do museu. O mais completo do mundo, assim diziam.

E prometeu a si próprio que um dia contaria, à Lique e ao Yardbird, em jeito de agradecimento. Aqui, neste mesmo lugar.

E continuou a ouvir. A história não era a da música. Mas foi naquele tempo. Foi por ali, mais ano menos ano.

Recostou-se no sofá e continuou a ouvir o Bob. Mas sempre a mesma música. Sempre a mesma música.

Até que deixou de a ouvir, porque o sono lhe havia apagado os sentidos ... até ao dia seguinte.


Publicado por dono da lua às 10:50 PM | Comentários (4)

maio 27, 2005

murmúrios de lua cheia

vvv1.jpg

É linda, muito linda, mas porque será ... so sad ?

... i changed and unchanged my mind ...


I really must be going (joan armatrading)

Publicado por dono da lua às 09:55 PM | Comentários (6)

maio 22, 2005

a travessia

paserele.jpg

Publicado por dono da lua às 01:20 AM | Comentários (0)

maio 18, 2005

Mudei-me para aqui

Tive azar quando me sentei na lua.

Já havia quem lá estivesse sentado, ainda que em outros bairros.
A verdade é que o Sol ficou cheio de ciúme, e queixou-se às Estrelas.
Estas pressionaram os Planetas, e a Terra entrou em conflito com a Lua.

Mudei-me, de armas e bagagens, para aqui,
de onde continuarei a ouvir música, a ler histórias, a observar o mundo ...

e a contar com a vossa presença ...
e com os vossos comentários, obviamente.

Publicado por dono da lua às 11:16 PM | Comentários (4)

maio 15, 2005

Kanimambo

Todo vestido de preto. Sapatos, calças, camisa e gravata. Todo de preto. O cabelo, ou melhor, uma massa compacta de gel em forma de crista de galo, tornava-o ainda mais alto do que já era. A sua postura era a de quem tem o tecto a roçar-lhe a crista, curvado sobre si mesmo, como que a tentar disfarçar a altura.

A cor era-lhe dada pelo colete vermelho ferrari que vestia. Mas o melhor eram os óculos. Esses sim, arrasavam com qualquer uma. Eram de massa preta e tinham lentes cor de rosa. Assim mesmo, tal e qual, cor de rosa.

Era uma figura indescritível !

Podia ser empregado de mesa, animador de praça, croupier, sei lá. Podia ser imensas coisas. Mas não. Era apenas o vocalista da banda de serviço. Tinha por conta dele os boleros, as românticas e os slows.

A colega dele, também de preto e de saia com racha lateral de alto a baixo, dedicava-se à agitação. xá-xá-xá, samba, salsa e outra latinas.

E foi assim que a noite foi dançando, entre ele e ela, entre boleros e samba, cantados à vez, e tocados à moda antiga, com sax, trompete, piano e tudo o mais que as regras mandam.

A salsa e o samba cansam. Por isso, eles só dançavam quando cantava o cavalheiro de óculos pretos, com lentes cor de rosa. Não tinham combinado isso mas, tacitamente, era isso que queriam.

Quando vinham os boleros, dançavam eles ... e os outros comentavam ... o que não devia valer, pois não era coisa que se fizesse.

Durante o samba, descansavam eles, e comentavam os outros ... o que também não era coisa que se fizesse. Mas conversavam ... e olhavam-se. Conversavam sobre coisas do dia a dia. De pé, junto à pista, falava ele e ouvia ela. Depois era a vez dela. E assim por diante, até regressarem os boleros ...

Agora era a vez de ela falar. Olhavam-se, e ele ouvia-a. E foi aí que percebeu a melodia, acompanhada pela voz do nosso conhecido vocalista.

... obrigado, muchas gracias, merci bien, tudo é kanimambo ...

Sempre tinha gostado daquela canção. E aí estava ela, com o ritmo certo, sem pressas, mesmo a pedir que a dançassem. E ele não resistiu. Pegou-lhe na mão e levantou-a para a pista.

Como nas outras músicas, esta foi eterna. Quatro, cinco minutos ... bastante mais. Tal como diz outra música, deu para lhe ficar a conhecer o cheiro do champô. E do chanel. Só não sabia o número, mas também não importava. O que era preciso é que o cantor não parasse.

'Estão a fechar o pano', sussurrou-lhe ela. Era verdade. A música continuava, mas estava tudo a acabar.

'Estão a tirar-me este morninho, tão morninho' sussurrou-lhe ele.

Sentiu-lhe o sorriso, meio recriminador, meio complacente, mas cheio de ternura.

A noite estava a acabar. Antes de se despedirem, ele sussurrou-lhe o refrão

... obrigado, muchas gracias, merci bien, tudo é kanimambo ...

Publicado por dono da lua às 11:59 PM | Comentários (2)

Tanta qualidade junta

Extremamente bem feita,
bem concebida ... e bem mantida.

De acordo com os requisitos,
nada a comentar.

Brilhante, como nenhuma !

Que

toquem as guitarras da alta,
cantem os pombos da baixa,
dancem as águas do rio e,

por favor,

deixem que a torre abrace o penedo
... de tanta saudade.

Publicado por dono da lua às 11:46 PM | Comentários (0)

O que o silêncio consegue

Aparentemente, os extremos não se tocam,
mas são relevantes.

Seguramente que a simpatia gera empatia,
mas só o sorriso gera cumplicidade

e o silêncio proximidade.

Publicado por dono da lua às 11:45 PM | Comentários (0)

O bispo ... de sorriso irritante

Ele estava tremendamente indeciso. Se não o fizesse, podia comprometer a fase seguinte. A defesa estava boa. As diagonais estavam cobertas. Tinha peões bem colocados.

Mas o bispo preto, do outro lado, parecia que se ria dele. Já há um bom bocado que o incomodava. E a torre estava quieta, mas não era de fiar. Precisava de ganhar tempo, para preparar melhor o ataque.

De facto, tinha de ser. Tudo apontava para que seria uma boa jogada. Movimento do cavalo. E assim foi. Pegou no cavalo e mudou-o.

Estava deitado de bruços, sobre a cama. O tabuleiro no chão. Para levantar os olhos, tinha de levantar a cabeça. Os braços do lado de fora da cama. Não estava lá muito confortável. Mas estava concentrado nas brancas ... e naquele bispo, de sorriso irritante.

Ela tinha-lhe pedido para que a ensinasse a jogar xadrez. E porque não, se ela era simpática ? E não era todos os dias que aparecia alguém com vontade de aprender. E, como se não bastasse, diga-se em abono da verdade, que também não era nada de deitar fora. Como era inteligente, seguramente que aprenderia depressa.

Aqui entre nós, ele não contava que desse luta. Mas deu. Porque ela aprendeu depressa.

A pensar na jogada seguinte, nem se deu conta do que estava a acontecer. Mas, instantaneamente, apercebeu-se que já estavam assim há um bom bocado. Os seus dedos estavam a ser tocados, mas continuou concentrado.

O silêncio era total. Ouvia-se o respirar. Ninguém dizia nada. Só os dedos falavam ... porque se tocavam. Primeiro dois. Depois quatro, seis ... e os dedos continuavam a tocar-se. De mansinho. Ao de leve. Dedo com dedo. Par com par.

E ela não reagia ao movimento do cavalo. Estava deitada de bruços, mas no tapete do chão. Para o ver, tinha de levantar a cabeça.

Ninguém dava o passo seguinte. Nem podia dar. Pelo menos no que a ele dizia respeito, porque naquele momento já não sabia se o bispo lá andava ... nem se o cavalo estava protegido pelo peão. Nem se a rainha era defendida pela torre, ou se estava sem defesas. Verdadeiramente, ele já nem sabia se jogava com as brancas ... ou com as pretas.

Havia chegado a sua vez de aprender !

Publicado por dono da lua às 11:42 PM | Comentários (0)

O centésimo cigarro

Cansado de estar sentado, um amigo meu
foi até ao outro lado da lua
acender o centésimo cigarro.

Gritou de lá que estava escuro que nem breu.
Mas que se viam as estrelas.Todas.
Brilhantes como só elas.

Só que o silêncio e a escuridão,
eram tremendos. Por isso voltou
ao lado de cá. E voltou a sentar-se.

Agora, passa a vida a dizer-me
que não se esquece.
Nem da solidão, nem do silêncio
da escuridão.

Mas também não se cansa de me dizer
que não se esquece das estrelas.
Encantado com elas, havia-se
esquecido do cigarro.

Publicado por dono da lua às 11:31 PM | Comentários (0)

Deus

Disse à amendoeira:
"Irmã, fala-me de Deus!"
E a amendoeira cobriu-se de flores.

Niko Kazantzakis

Publicado por dono da lua às 11:29 PM | Comentários (0)

Sei que foram outros

'Algum dia sereis suficientemente velhos
para começar a ler outra vez contos de fadas ...'
C. S. Lewis

Eu sei que foram outros que lá chegaram primeiro.
Também sei que, durante milhões de anos,
milhões de homens e mulheres a olharam, admiraram, apreciaram e endeusaram.

Mas ela é minha, e só minha,
porque sou eu que lá estou.
Sentado. Do lado de cá da lua.

Publicado por dono da lua às 11:28 PM | Comentários (0)

A gente não faz amigos ...

'Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não lhes posso dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem-estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca venham a saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.'

(Vinicius de Moraes)

Publicado por dono da lua às 11:27 PM | Comentários (1)

Sentado na lua

Sentado na lua, o indivíduo percebeu como é difícil pescar estrelas em noite de quarto minguante. Bebeu o último trago de whisky, calou a soul que ouvia, suspirou fundo ... e foi ver se conseguia adormecer.

Publicado por dono da lua às 07:44 PM | Comentários (0)