março 24, 2006

Meu lema

Sim!
Eu assumo!
E às pessoas que dizem que sou "do contra", eu respondo:
"É... sim... talvez!... PRONTO! Está bem! Eu sou!"

É assim que hoje sugiro este poema que para mim... é um lema! É lindo!...


Cântico Negro

"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí.

José Régio

Publicado por Romeiro às 11:48 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

março 19, 2006

Porcos

Porcos! Suínos!...
De gravatas fedorentas
Que servem para aparar
O ranho das vossas ventas,
Servindo também p´ra limpar
A baba da imbecilidade
Que cai desse horrendo esgar
De tão pouca dignidade....
Porcos! Sebentos!...
De alma oca de ilusão
Que conseguem seus intentos
Comprando destruição.
"Gente" sem sonhos, sem trilho
E que até ao próprio Sol
Consegue tirar o brilho!
Porcos! Miseráveis!...
Mais porcos que os próprios porcos
Que são muito mais amáveis...
Não debocham da inocência
Não riem da sua sorte
Não dão largas à demência
Gerada no vosso cerco que em breve só será morte!...

Romeiro

Publicado por Romeiro às 01:05 AM | Comentários (0) | TrackBack (0)

março 16, 2006

Desabafos II

Pois é! A vida é curta demais para ser desperdiçada com coisas estúpidas e sem sentido. É certo que a estupidez faz parte da vida como muitas outras coisas mas tudo deve ser utilizado com a conta e medida proporcional à sua utilidade. Em vez disso o mundo pertence à estupidez e à arrogância. Assim, os poucos que restam limitam-se a defender-se como podem para conseguir sobreviver no ambiente hostil que os rodeia.

Enquanto o nosso processo de envelhecimento amadurece, passamos por uma metamorfose de tal maneira surpreendente que quando fazemos uma retrospectiva de tudo, ficamos abismados com coisas que fizemos e que agora nunca faríamos.

E os sonhos? Meu Deus... tantos sonhos por concretizar!
Naquele tempo, tudo era possível. Eu ia ser rei e senhor do mundo.

"Você há-de ser sempre um eterno adolescente" - alguém me disse um dia num tom sarcástico e irónico.

"Não podia ter-me dado melhor elogio" - respondi.
Realmente chamar-me adolescente era como dizer que ainda vive em mim uma inocente e exuberante alegria de viver que só é possível encontrar nessa idade e que com o decorrer dos anos se vai escondendo atrás do papel que somos obrigados a representar perante um público muito exigente e que é capaz de nos vaiar ao mínimo deslize.

Deslize, o que será um deslize ? Será um erro que se comete por ignorância ou distracção, ou será apenas o desviar de um trilho que foi traçado, sabe-se lá por quem, e que todos insistem, resignados, em seguir, sabe-se lá porquê? Será, talvez o não partilhar de um sistema erguido orgulhosamente por toda uma máquina construída por uma multidão de gerações que viveram apenas para dar largas à sua imbecilidade?

Como seria bom seguir aquela velha e utópica máxima que diz que a nossa liberdade acaba quando começa a dos outros. Um mundo diferente onde se respeitasse o próximo como a nós mesmos. Um mundo onde não houvesse lugar para a ganância, para a ambição desmedida, para o egoísmo, para a sede de poder...

Deixem-me sonhar! Afinal sempre fui um sonhador e hei-de morrer a sonhar. Por isso ainda resiste em mim uma ténue esperança nos nossos filhos. Talvez eles consigam mudar tudo isto. Talvez tenham aptidão para gerir melhor a herança que lhes vamos deixar.

E que herança!
Vamos deixar-lhes uma sociedade bolorenta e um planeta empobrecido. Vai ser preciso uma capacidade sobrenatural não só para impedir que a podridão alastre mas também para que diminua. Vão ter de actuar de maneira rápida e eficiente. Se tiverem determinação e imaginação talvez consigam... Ou talvez não!

Com o rumo que as coisas estão a levar às vezes sinto-me pessimista em relação ao futuro, sinto-me pouco crente quanto à qualidade de vida das gerações que se seguirão, não só no que diz respeito ao meio ambiente mas também à própria sociedade e ao tal maldito sistema que teve, durante séculos, oportunidade de provar que não funciona.

Se funcionasse não haveria ódio, não haveria guerra, não haveria dor nem sofrimento, não haveria raças nem racismo, não haveria fome, haveria mais vida e menos morte. Não haveria países nem dinheiro, não haveria reis nem presidentes, teria sido descoberta a cura para todas as doenças, etc., etc. ... e os homens seriam realmente todos iguais, como diz nessa dita declaração dos direitos do homem inventada por alguém com muito boas intenções mas que não passa de uma farsa desprezada por todos e lembrada por ninguém.

Demagogia, lugares comuns, frases feitas, é o alimento constante dos nossos ouvidos e das bocas de muita gente. A Natureza é diariamente agredida pelos "tubarões" (sem querer ofender os próprios) que estão inseridos numa corrida desenfreada ao poder e sabe-se lá mais a quê. Entretanto alguma da nossa juventude farta de tudo isto, refugia-se na droga, um flagelo dos nossos tempos e que mais uma vez favorece os ditos cujos. E como se não bastasse faz-se mais uma experiência nuclear, numa ilha que era suposto ser paradisíaca.

É, ou não é, de loucos? Vivemos, ou não vivemos, num mundo louco? Não que eu tenha algo contra a loucura, desde que seja uma loucura saudável e que não prejudique ninguém, mas não é o caso.

Por outro lado podemos pensar de uma maneira mais optimista.
Pode ser que as coisas mudem para melhor e talvez não sejam precisas medidas tão radicais como as que referi atrás. Bastava que houvesse um pouco mais de compreensão e amor pelo próximo.

Afinal não estou a dizer nada de novo. Já há dois mil anos atrás um tal de Jesus Cristo disse o mesmo. Só que ninguém Lhe ligou e até O mataram.

De maneira nenhuma me estou a querer comparar a Ele. Eu limito-me a admirá-Lo e a concordar com tudo que Ele disse e fez. Vírgula por vírgula, suspiro por suspiro e tento de vez enquando seguir-lhe as pisadas... Difícil! Muito difícil!

Bem. Não estou aqui para falar de religião, pois não estou habilitado para isso. Talvez houvesse algumas críticas a referir mas, quem sou eu para o fazer. Além disso iria entrar por caminhos perigosos que de uma forma ou de outra poderia ferir susceptibilidades. Isso não é a minha intenção.

O mundo mudou muito nestes últimos anos (para pior, claro), o ritmo da mudança é de tal maneira alucinante que as pessoas acompanham-no com alguma dificuldade. Num ano os acontecimentos evoluem como evoluíam em décadas há alguns séculos atrás (para pior, claro).

Sinto-me revoltado, triste, com vontade de dizer palavrões e de insultar seres da minha espécie. Que espécie é esta, que não permite que outras compartilhem o mundo com ela? Que espécie é esta que não vive nem deixa viver ? Que espécie é esta que se diz superior e afinal é tão inferior que vai acabar por se destruir e às outras? Que espécie é esta que eu pertenço?


Romeiro

Publicado por Romeiro às 06:24 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

Desabafos I


Duas e um quarto da manhã e eu aqui, sentado em frente ao computador, pensando e vasculhando o cérebro na esperança de conseguir algo de útil para transmitir, algo que não agrida a inteligência de quem tiver a paciência de "escutar" estas minhas ideias e ao mesmo tempo consiga fazer meditar nas coisas de uma maneira diferente.
Afinal já devia estar a dormir há horas, pois ás sete terei de acordar para enfrentar a rotina diária da ida para um emprego que não escolhi mas no qual me acomodei.
Vivo no Porto. O Porto é uma cidade fácil de amar para quem lá nasceu, algo enigmática para quem é de fora mas com um fascínio que sobra para dar e vender. No entanto não passa de uma cidade como muitas outras:
Depois de uma noite aparentemente calma a cidade acorda lentamente. Primeiro com a abertura das padarias e outros estabelecimentos que ajudam os madrugadores a matar o bicho matinal, depois, aos poucos, o acumular de gente nas paragens de autocarro, o barulho dos passos das pessoas no passeio e o primeiro engarrafamento do dia.
Na baixa, já há mais movimento. Automóveis, camionetas, taxis, motorizadas irritantes que ultrapassam todos os limites normais do razoável a nível de decibeis... e tudo isto culmina com a chegada do primeiro comboio que despeja na estação de S. Bento uma quantidade de gente mal disposta e com um humor pouco recomendável, fruto de algumas horas, apesar de ainda cedo, de aborrecimentos e contrariedades.
Este é o espectáculo degradante que se repete dia após dia, semana após semana, ano após ano... que nos impede de pensar e nos obriga a ser automáticos. No dia seguinte basta carregar num botão e tudo se repete.

Boa noite

Romeiro

Publicado por Romeiro às 12:19 AM | Comentários (0) | TrackBack (0)

março 14, 2006

Primeira vez!

Para que não seja só o vento a guardar as palavras, eis a pena que as regista para que outros as possam ter.

É realmente a primeira vez que me vejo nestas "andanças" e é talvez a oportunidade de partilhar pensamentos e ideias que me assolam o espírito nos seus diversos estados.

Assim, e como é a primeira vez, apresento-me:


Palavras

Simples palavras lançadas ao vento...
Meras ideias que pairam no ar,
Revelam todo um pensamento
A quem as souber decifrar.
Lançadas ao vento leste,
Despidas de qualquer veste,
Bastando apenas um momento
P´ra se dissolverem no mar...
... e vindas de mim... que sou só um vagabundo
Vindo do nada...
Indo p´ra lado nenhum...
Como eu, tantos existem...
Eu sou apenas mais um!

Romeiro

Publicado por Romeiro às 09:36 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)