junho 14, 2005

A Morte do Artista

Nada propício, numa altura em que famosos nos deixam, falar de morte!
Alguns foram baptizados de expoentes da liberdade, sendo que se pudessem impunham-nos uma ditadura...
Outros, pelas palavras tornavam o mundo mais belo...

O artista que aqui morre, nada de glorioso tem, nem de famoso, nem obra publicada tem...
É mais um pobre diabo, miserável, mas feliz, por amor à sua arte.
Para a qual nem muito jeito teve!

É um artista desconhecido das massas, e sem massa, critica diga-se, para ser conhecido!

É um anónimo, feliz na sua obscuridade!
Mas ao mesmo tempo infeliz...
Nunca ouviu palmas á sua arte, nem uma lágrima sequer no drama da sua vida...
Sonha no entanto com um palco digno da sua imensurável vontade.
É actor, cantor, dançarino, escrito, pintor!
Amante enganado, general sem medo, arraia-miúda!

Ele é tudo o que quiser, sem nada ser no seu pleno!
Imita a vida, imita-se a si mesmo!

Um dia decidiu imitar a morte!
A sua morte!
A morte de um artista no palco da vida!

Desfaleceu então!
Faltavam-lhe as forças para viver o momento...
Encarnou a personagem até suspiro último!
Fechou os olhos! No último sopro disse:

Morro agora!
Vivo depois!

Quando acabou a actuação, o coro bateu palmas...
Ergueu-se, agradeceu ao público anjo...
E deixando seus ossos para trás,
Estendeu suas asas,
e voou para o infinito céu!

Tudo o que tem um princípio, tem um fim!
Mas mesmo o fim, é principio em sim mesmo!

Publicado por emigas em junho 14, 2005 01:53 PM
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