outubro 10, 2004

Uma Visão para Marinha de Guerra Portuguesa 2005-2010 (1ª Parte)

A reforma das Forças Armadas passa por uma mudança de mentalidade e por um acréscimo de financiamento para o re-equipamento e não só para a manutenção de pessoal.

O seguinte texto será uma reflexão crítica da actual e futura situação das Forças Navais Portuguesas.

Infelizmente, Portugal tem uma marinha numerosa, com somente três unidades navais de monta: as fragatas multiusos, Classe Vasco da Gama (modelo Meko 200PN).

Em número de Unidades Navais temos além das já referidas 3 Fragatas João belo, 7 Corvetas de diferentes Classes e uma dúzia de outras unidades navais menores.

Ou seja, em termos de Marinha Oceânica temos um potencial de 13 Unidades Navais. Mas como já referi apenas as três Vasco da Gama, são unidades de primeira Linha, sendo as restantes Navios sem grande valor militar.

Isto sem contar com os três Submarinos Classe Daphné, a caminhar para a casa dos 40 anos. (agora já apenas dois e apenas um deles se manterá até à chegada dos Novos U214)

Mas, o quadro não é tão negro, se pensarmos no programa de Construção naval em curso que inclui a construção de 12 NPO/NCP (navio de Combate à Poluição) para substituir as 7 corvetas e 7 outros navios de patrulha e ou dedicados a tarefas especificas.

Trocar doze por catorze parece mau negócio, mas não é.

Navios com menos tripulação, mas capazes de suportar as difíceis condições do atlântico, Capazes de patrulhar por longos períodos as águas da Zona Económica Exclusiva ( no fundo a missão das actuais corvetas), com a capacidade de permitir a aterragem de Helicópteros (capacidades inexistentes até hoje) e com menores custos de funcionamento, tornam o projecto do Navio de Patrulha Oceânico uma mais valia.

Mas... o projecto pode e deve ser melhorado, com a capacidade de poder suportar um helicóptero orgânico, ou seja pertencente ao navio, não apenas um visitante.

Com mais algumas modificações ao casco e ao acrescentar algum armamento (o NPO dispõe de uma peça de 40 mm, mais do que suficiente para patrulha, mas insuficiente e m quase tudo o resto)mísseis, sonares, etc. Podem torná-lo num NPO/Corveta/Fragata Ligeira preparado para entrar em conflitos de baixa ou média intensidade.

A modernização das Fragatas Vasco da Gama pode disponibilizar algum desse armamento.

A Marinha vai ainda receber até ao final de 2005 duas Fragatas Oliver Hazard Perry, navios até bastante capazes e que irão aumentar substancialmente a nossa capacidade naval. Mas são navios velhos com problemas na sua construção e defeitos base (como um canhão de 76 mm colocado exactamente a meio do Navio e misseis de design antigo).
Mesmo assim são uma melhoria que irá ser descomissionada exactamente no final de vida útil das fragatas Vasco da Gama ou seja daqui a quinze no máximo 20 anos.

I.e. é urgente começar um programa de substituição de grandes unidades navais, ou seja pensar em adquirir novos navios de guerra e começar a criar ciclos de renovação com cerca de 15 anos.

Mas tal não se avizinha possível. Não por questões económicas, mas por falta de politica e de um outro problema mais grave.

A incapacidade de analisar as actuais necessidades e agir de acordo come elas, i.e a Incapacidade dos políticos em conseguir justificar a necessidade de forças armadas capazes e dos ganhos que daí podem advir para Sociedade Civil.

A Continuar...

Links:
Marinha Portuguesa
Área Militar-Marinha Portuguesa
Naval Technology
Forum de Defesa

Publicado por emigas em outubro 10, 2004 05:15 PM
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