fevereiro 17, 2004

Dias de Tempestade

Todos nós havemos de morrer...um dia...
Até lá...
Conta a forma como vivemos a nossa vida, a forma como amámos e odiámos!
Como ignoramos, ou ajudamos quem nos pede ajuda...
Tudo conta...
E nada conta mais...

Durante alguns dias vi-me correr na direcção oposta à existência...
Travei a batalha, não pela vida, mas pela minha própria forma de vida e pelos princípios em que acredito...

Estive a correr para o local onde ninguém quer estar... vi-me só no meio da multidão.
Senti a minha mente morrer. Todos os dias.
Senti-a desaparecer, desfazer-se em fumo, alimentar uma raiva imensa, sem razão aparente.

Muitas vezes ouvi dizer que a "violência gera violência".
Ao que parece a raiva também.
Se calhar entrei num ciclo auto gerador, em que quanto tempo passava, mais ela crescia.
Não o conseguia evitar... estava cego.

E apesar de não ter um bengala branca, provavelmente via melhor do que os cegos que me rodeiam...

É que ninguém parecia importar-se com isso!
Mas também porque é que alguém se iria importar... a amizade hoje em dia resulta de conveniências e alianças profissionais e já não de lealdade.
Não digo que todos praticam a “amizade de negócios”, ainda existem os leais, os honrados.
Mas já não são tantos como antes!

E porquê?
Se não confiamos em nós próprios, porque é que alguém quereria fazê-lo.
Talvez fosse uma questão de fé...algo que não abunda nesta paragens, neste mundo...

E no entanto dou por mim a acreditar em impossíveis, a acreditar em:
E se...? (What If...?)

De repente percebi que estava a perder tudo...
O que já havia perdido e o que iria perder... revivia o mesmo momento no tempo, vezes sem conta, revivia o pecado cometido e o arrependido.
Revivia a vida dia após dia, no mesmo dia...
Vi a minha vida passar como se de um filme se tratasse...

E achei-me novamente...
Sem ter achado que me perdera!
Reencontrei na decisão... no desejo adiado, na vontade de fazer melhor, aperfeiçoar-me no dia de amanhã!
Reencontrei-me no desejo...
de me sentir vivo...

Aprendi a não esperar mais...a não contar com...
A apostar em mim...

Senti-me mais vivo e mais espírito do que nunca... um autêntico “Geist”...

E no entanto preciso de sentir a terra entre os dedos, o frio do vento que nos trespassa e calor do abraço...o vapor da respiração...o olhar de quem nos quer...

Tanto o quero e desejo...que já não o procuro!

Estou apático...

Publicado por emigas em fevereiro 17, 2004 12:14 AM
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