agosto 07, 2007

A sensualidade do olhar, a entrega expressa no momento do coito. Aquele olhar. O brilho translúcido. Traço a traço esculpido. Demarcado, visualizar a sua antecipação, absorver tudo o que ele diz. A marca daquele momento, impressa em chapas fulminantes no céu da sua retina. Os olhos rodopiam em ondas prismáticas, em nós incompletos. O sentimento de posse desvanece lentamente. A diluição do eu. O ser no estado puro, absorvido por ele mesmo, dentro dele mesmo, para ele mesmo, com ele mesmo.

Publicado por sc em 09:01 PM | Comentários (1) | TrackBack

Nascem nuvens sobre o asfalto. No vértice do amanhã. O desvanecer da memoria do teu olhar. Tudo se transforma. Em que são transformadas as nossas memórias? Desapareceram? Serão consumidas junto com a nossa carne. Cessam a sua existência como carne que são? Afinal obtemos as memórias através de um processo físico, nós vemos os objectos físicos perante nós, tendo igualmente dados sensoriais como cheiro, tacto, paladar, visão. Mas essas memórias são armazenadas consoante um processo de selecção, processo esse o qual obedece a um processo de gradação das coisas no conjunto, e a ordem de importância das mesmas é distribuída por um conjunto de factores psico-emocionais. Onde está a alma no meio disto. O que determina a escolha e selecção das memorias?

Publicado por sc em 08:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

Em si. Única e exclusivamente em si. O nosso interior projectado num único momento. A incoerência da matemática da vida. Voar de um lado para o outro, sem estar em lado algum. Frases feitas sobressaem, correm, rodopiam, espreguiçam-se, atiçando, manobrando. Os eventos que surgem nos sonhos por vir. O zennith de uma alma perdida. O homem azul, o homem nu. Chama por mim, olha-me nos olhos, e diz-me o futuro por vir. Consome toda a essência da interrogação. Como uma onda projectada no espaço, no vértice do amanhã.

Publicado por sc em 08:56 PM | Comentários (0) | TrackBack