novembro 25, 2006

O tempo chora por mim,
Lágrimas infinitas
Caiem por entre nuvens espartanas
Cortam os fios que me fazem boneca
Marioneta do meu desejo,
Do meu amor,
Do meu anseio,
Da minha vontade
Rompem-me a pele, a alma como uma espada
Desfaço-me em fragmentos
Cacos de delírios
Jamais poderão ser unidos.
O tempo uiva comigo
Nuvens espartanas
Invadem-me a paixão
Delineando-me em fragmentos
Pintalgados de jumentos passados
O tempo passa
Como eu na tua memoria
Apaga, rasga, amassa
A mentira que nunca foi verdade
O meu túmulo jaz em ti
No tumulto do teu vazio
Estratifica-te e apaga-te
Pois o tempo para sempre será meu aliado.

Publicado por sc em 01:15 PM | Comentários (1)

novembro 21, 2006

"There There"

RADIOHEAD LYRICS

"There There"

In pitch dark I go walking in your landscape
Broken branches trip me as I speak
Just cos you feel it doesn't mean it's there
Just cos you feel it doesn't mean it's there
There's always a siren singing you to shipwreck (don't reach out, don't reach out [x2])
Stay away from these rocks we'd be a walking disaster (don't reach out, don't reach out [x2])
Just cos you feel it doesn't mean it's there (there's someone on your shoulder [x2])
Just coz you feel it doesn't mean it's there (there's someone on your shoulder [x2])
There there...
Why so green
And lonely [x3]
Heaven sent you
To me [x3]
We are accidents waiting
Waiting to happen
We are accidents waiting
Waiting to happen

Publicado por sc em 11:29 PM | Comentários (3)

novembro 11, 2006

"(...)Pergunto: acreditam com toda a sinceridade que a nossa salvação depende do saber? Presumindo por momentos que o cérebro humano é capaz de armazenar nas suas misteriosas fibras a totalidade dos processos secretos que governam o Universo, de que vale isso? Sim, De que vale isso? Que faríamos nós, nós humanos, com esse inconcebível saber? Que poderíamos fazer? Alguma vez fizeram essa pergunta a vocês próprios? Parece que todos nós partimos do princípio de que a acumulação de conhecimento é uma coisa boa. Nunca ninguém pergunta: e que farei desses conhecimentos quando os tiver. Já ninguém ousa acreditar que , na curta duração de uma vida, seja possível adquirir nem que seja uma pequeníssima fracção da totalidade de todo o saber humano existente...
Mais uma pausa para tomar fôlego. Desta vez estávamos todos com a garrafa a postos. Caccicacci descarrila, perdera-se. Não era com os conhecimentos, ou com a falta deles, que estava tão desesperadamente preocupado. Por mim, tive consciência do esforço silencioso que ele fazia para voltar ao bom caminho. Sentia-o aforgar-se, enterrar-se no pântano ao debater-se tão esforçadamente para reatar o assunto principal.
- Fé! Há momentos estava a falar de fé. Perdemo-la. Perdemo-la por completo. Fé em qualquer coisa, quero eu dizer. E contudo a fé é a única coisa que permite ao homem viver. É a fé e não o conhecimento, que tem de se admitir ser inexaurível e, no fim de contas, inútil ou destrutivo. É a fé. a fé também é inexaurível. Sempre foi e sempre será. É a fé que inspira proezas, que vence obstáculos... que move literalmente montanhas, como a Bíblia diz.
Fé em quê? Fé apenas. Fé em tudo, se quiserem. Talvez "aceitação" fosse uma palavra mais adequada. Mas a aceitação é ainda mais dificil de compreender do que a fé. Mal pronunciamos a palavra, aparece logo alguém que pergunta: Também no mal? E se respondemos que sim, o caminho fica barrado. Riem-se-nos na cara, evitam-nos como leprosos. O bem pode ser posto em dúvida, mas o mal - e isto é um paradoxo-, o mal, apesar de lutarmos contantemente para o eliminar, é sempre tomado como certo. ninguém duvida da existência do mal, embora se trate apenas de um termo abstracto para significar aquilo que está sempre a mudar de carácter e que, bem analisadas as coisas, se descobre muitas vezes bom. Ninguém aceita o mal pelo o seu valor facial. até chega a parecer que só existe para ser convertido no seu oposto. A maneira mais simples e mais rápida de o conseguir é, evidentemente, aceitá-lo. Mas quem possui sensatez bastante para adoptar tal procedimento?(...)"

Henry Miller, Plexus

Publicado por sc em 10:28 AM | Comentários (2)

Marte e a Origem

Tinha acabado de adormecer. Dentro do sonho surge um homem que me segura na mão, puxa-me e deixo o corpo para trás. Rompo a atmosfera terrestre de mãos dadas com o homem silencioso. No espaço o silêncio torna-se ensurdecedor, o homem é engolido pelo o breu do vazio. Eu fico suspensa no vácuo, vejo a terra a rodar, vejo a lua a flutuar, e por impulso dirijo-me até Marte, levei segundos a lá chegar. Não fico satisfeita e avanço um pouco mais, e acabo por ficar suspensa no ar entre Júpiter e Marte. Cruzo as pernas em tom de meditação, e pondero no porquê do pensamento que me trouxe aqui.
Mas porque aqui? E não em Marte, ou Júpiter? Com tantos lugares no universo onde poderia ter ido, porquê aqui? Sobre esta cintura de asteróides que dividem os planetas interiores dos exteriores? O que pode isto ter de importante? Que relevância tem isto na busca das origens? Cada vez estou pior! Sim isto é bonito, até o sol parece mais pequeno, não posso dizer que não é uma bela vista. Mas existem tantos lugares belos neste universo, porquê aqui?
Continuo sentada a flutuar sobre o breu, o meu espectro altera de cor conforme a minha insatisfação, e continuo a minha dissertação.
Podia ter ido até a uma lua qualquer, podia ter ido a Plutão, podia ter ido ao centro da galáxia. Mas o pensamento sempre me limita na busca das origens. Porquê aqui? Deve ser castigo, nunca paro no sistema solar para o indagar melhor, porque julgo, e sei que sei tudo sobre ele. Cada planeta tem vida, mas em dimensões temporais e espaciais diferentes, e em cada uma dessas dimensões em todo o sistema solar só um dos planetas tem vida, os outros estão vazios. OK. Isso é estranho, não consigo compreender a razão. Pois nos outros sistemas nesta galáxia todos os planetas têm vida ao mesmo tempo. Já em Vega me disseram para averiguar a causa deste porquê. E eu assim o fiz, e cheguei à conclusão que é porque é assim e não de outro modo.
Fico tão irritada isto são os Pleidianos a testarem-me como sempre! Que raio, o espectro funciona à velocidade do pensamento, mas o pensamento funciona de outro modo e é raro ele funcionar pela vontade, existem coisas maiores pelas quais ele se rege… E este é um daqueles dias em que não devia ter saído da terra, nem muito menos dos lençóis, é sempre preferível a este marasmo espacial.
Esperneio de raiva, quero voltar e não consigo, e de repente sinto duas mãos a tocarem-me os ombros. Viro-me para trás assustada. O espectro engole em seco, dois homens gigantes pairam no ar ao meu lado. Deviam ter cerca de três metros de altura, pareciam humanos, tirando a sua altura e o tamanho das testas em comparação com a estrutura do corpo, pois eram desproporcionais. Tinham vestidos umas túnicas, pareciam que vinham da pré-historia.
- És tão impaciente!
- Queres os porquês mas não tens a paciência necessária.
- Pois, o meu irmão tem razão. Os porquês existem para serem revelados, e tem a sua altura certa.
- Claro que sim. E como é habito, só vocês é que tem acesso aos porquês e o resto tem de andar a mendigar por eles. Afinal sabem-me dizer porque estou aqui?
- Claro! Temos uma mensagem para ti, chegamos atrasados porque é difícil passar Plutão, como tu bem sabes.
- Pois sei. Quer dizer…ainda estou para descobrir a razão de dois anéis de asteróides entre os planetas. Isso sim gostava que me explicassem.
- Mas tu já sabes… ou pelo menos já chegas-te a uma maravilhosa conclusão.
- Sim, mas e certezas??? Porque um porquê só é respondido com uma certeza. O que me interessa ter duas hipóteses.
- Diz lá quais são.
- Uma é que este sistema solar é uma prisão, e a outra é que é um berço, e os humanos estão na escola e protegidos do que está lá fora.
Os homens riem-se, fico ainda mais irritada, agora o meu espectro está da cor de Marte.
- Ainda bem que estás dessa cor. Porque viemos contar algo sobre Marte e a Terra.
- Ai sim? Então contem, porque depois a vontade suprema tem de voltar para o mar dos lençóis.
- Aqui onde estamos há muitos, muitos, muitos, milhões dos vossos anos, havia um planeta. Como podes ver estes calhaus entre Marte e Júpiter são das poucas coisas que restaram dele. As pessoas que moravam nele mudaram para Marte e depois voltaram a fazer das suas e foram para a terra.
- Das suas?
- Sim, olha como está Marte?
- Sim, é um deserto vermelho. E?
- Pois, vermelho sangue, da alegria da vida que se esvaiu, durante milhões e milhões de anos. E infelizmente continuam na mesma.
- Continuam na mesma?
Os espectros dos dois homens desvanecem no ar à medida que fiz a ultima pergunta, e eu começo a ser puxada para a terra. Quando estou a passar a lua oiço a voz dos homens em conjunto.
- Espero que tenhamos conseguido responder as tuas questões enquanto esperavas por nós.

Publicado por sc em 10:25 AM | Comentários (0)

Tudo o que é desconexo,
É magnético, no seu sentido inverso.
Pernas, braços, que trocam o passo.
A fatídica coincidência do trágico sobre meus braços.

Publicado por sc em 10:14 AM | Comentários (0)

novembro 05, 2006

Tecer quarteirões com os pés
Descrever o que se julga sentir
Fragilidade e muitos dades
Com algo anexado
Remetem circulares
De pensamentos endiabrados
Carrosséis de papoilas escarlates
Combatem nuvens espartanas

Tudo o que é desconexo,
É magnético, no seu sentido inverso.

Pernas, braços, que trocam o passo.
A fatídica coincidência do trágico sobre meus braços.

Impaciente.
Impaciência.

Descrever o desejo.
O anseio…o prazer.

A inevitabilidade do amor.
A geometria de um traço perdido sob a tua pele nua.

Um quadrado.
Um circulo.
Um rectângulo.
Um paralelepípedo.
Um pedido.

Geometria metamorfoseada em declives capturados pela matriz da retina.
A conjunção da realidade que sai pelas mãos.

A imagem que coabita com o corpo.
A irreversibilidade da geometria.

A obsessão matemática de corpos aglomerados.
Unidades transformadas em multiplicidades.

O traço sob a tua pele nua.
A descontinua razão do ser.

A divisão do tempo.
O traço deixado pelo o olhar translúcido.
A clareza da opinião formada.

O homem azul.
O homem azul.

Olha-me nos olhos,
E diz-me o que eu digo
Nos sonhos por vir.

Publicado por sc em 01:25 PM | Comentários (3)