junho 06, 2006

"Deve-se estar sempre embriagado.
Nada mais conta.
Para não sentir o horrível fardo do Tempo que esmaga
os vossos ombros e vos faz pender para a terra,
deveis embriagar.vos sem tréguas.
Mas de quê?
De vinho,
de poesia
ou de virtude,
à vossa escolha.
Mas embriagai.vos.
E se algumas vezes, nos degraus de um palácio,
na erva verde de uma vala, na solidão baça do vosso quarto,
acordais, já diminuída ou desaparecida a embriaguez,
perguntai ao vento,
á vaga, á estrela,
á ave,
ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme,
a tudo o que rola, a tudo o que canta,
a tudo o que fala,
perguntai que horas são;
e o vento,
a vaga,
a estrela,
a ave,
o relógio,
vos responderão: " São horas de vos embriagardes!
Para não serdes os escravos martirizados do Tempo,
embriagai.vos sem cessar!
De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha"

Baudelaire

Publicado por sc em 09:48 PM | Comentários (5)

junho 04, 2006

Eu e tu, nós. Uma cama. Silencio.
O corpo como lençol de seda, colado, amarfanhado.
Tingido de suor.
Um gemido.
Um suspiro.
Uma gota de suor.
O vento que entra pela janela.
O adiar do inevitável.

Uma cama, duas pessoas.
O cheiro do desejo no ar.
Uma cama, duas pessoas.
O silencio do entardecer do coito.
Uma cama, duas pessoas.
Enroladas, amordaçadas.
Uma cama, duas pessoas…
A espera da infinidade do movimento.
Uma cama, eu e tu, nós.

Isto não é assim, aquilo é assado, e etc. é frito.
Isto e aquilo, não são como são.
São como alguém diz que é.
Deviam ser como são.
Apenas ser.
Ser, ter. Caiar o mundo com papel de lustro.
Calar. Suprimir. Brindar.
O silencio do amanhecer.
O traço do horizonte em espasmos.
O crepúsculo, o silencio. O silencio.

Publicado por sc em 02:02 AM | Comentários (5)