abril 29, 2006

E se… E se…
Se o mundo fosse quadrado,
Eu talvez fosse um triângulo.
Se o mundo fosse oco,
Talvez fosse completa.
Se o mundo fosse um fantasma na minha memória,
Eu talvez fosse poeta.
Se o mundo deixar de ser,
Na perfeição de um traço
Perdido sob a tua pele nua.
Eu com ele padeço,
Amordaçada num abraço fatal e trágico.
Na plenitude da negação do conceito: amar.

Publicado por sc em 03:25 PM | Comentários (3)

abril 19, 2006


Publicado por sc em 11:37 PM | Comentários (0)

abril 15, 2006

Publicado por sc em 06:54 PM | Comentários (0)

O corpo, o corpo, o corpo; o corpo, sim com pontos e vírgulas. O corpo serve de base a tudo. Amores, paixões, gostares, ilusões, descriminações, castigos, culpas, de tudo serve, sem no entanto servir a fonte primária de tomada de consciência e conhecimento. O corpo. O que fazemos do corpo? Para que serve o corpo? O corpo como base quase que irreal a tudo. O molde depositado da sociedade em decadência total. O culto do corpo. Aquele objecto efémero, em decadência desde o momento em que nascemos. O corpo belo, o corpo feio. O corpo que não exibe a imagem que deve, a alma que padece por o corpo ser efémero e não perfeito. Onde fica a alma? Quando os olhares recaem sobre o corpo? Onde fica o sentimento? Onde fica o direito à existência? Onde?

Publicado por sc em 06:36 PM | Comentários (2)

abril 13, 2006

Escrever números.
Os lirismos fugiram.
Quem vê caras, não vê corações.
Cara ou coroas.
Coroas ou cara.
Araras empolgadas.
Debatem-se pela posse
Do fio da meada
Sobre a noite de composta em geada.
A memoria batida em gemada.
Escrever números.
As palavras fugiram.
A lógica é sempre mais apetecível.
Do que a probabilidade incerta do sentimento.
O frio inocente, o fio indecente.
Semelhanças, diferenças.
Onças de paciência entediante.
Os números urram, estrebucham.
Ão, ÃO ão, ãO.
A memória pede sossego
Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si dó.
Lá, lá, lá.

Publicado por sc em 01:06 AM | Comentários (1)

Se nada for zero. E tudo um qualquer numero. Tudo x nada é igual a zero.
No entanto a multiplicação não passa de somatório abreviado.

Publicado por sc em 12:53 AM | Comentários (0)

Vezes
Ezes
Zés
Es
S
X sem conta
----------------
Muitas vezes

Publicado por sc em 12:51 AM | Comentários (0)

abril 11, 2006

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

Publicado por sc em 08:34 PM | Comentários (2)

Publicado por sc em 12:18 PM | Comentários (0)

abril 04, 2006

"Uma injustiça em algum lugar é uma injustiça em todo lugar"

Martin Luther King

Publicado por sc em 11:58 PM | Comentários (6)

abril 03, 2006

Sonhei, sonhei, sonhei com castelos no ar, em cima de areias movediças. Sonhei acordada, sonhei de dia, de noite, toda a vida. Sonhei que via através de uma venda na vista. Mentira pois apenas vi o que queria. Sonhei com paisagens já mais vistas e descritas. Sonhei ser e pertencer, esquecendo-me de que tudo criei sozinha. Sonhei com tudo e nada, viajei para alem do limiar da compreensão e da saturação, pois são os sonhos que me dão vida.

Publicado por sc em 12:20 PM | Comentários (1)