outubro 31, 2004

Sinto uma necessidade quase efervescente de me libertar. Largar as amarras e voar. Partir e nunca mais regressar. Correr e saltar sem uma só vez parar. Desejo ser uma fita de seda que escorrega pelo infinito mar. Deslizar ao sabor da maresia e dos seus efémeros gentis ressaltos. Que maravilha seria então dançar ao sabor do luar. Ser uma estreita sombra sobre o titânico mar. Ser ao mesmo tempo o sabor de um limão, aquele que arde mas tudo cura, no mesmo instante o sabor de um queijo ao paladar de um querido seu amante. Ser uma flor que desbota pela manhã. Ser cores infinitas de sabores e olhares. Ser a beleza vã, de alguém que observa o infinito sem saber que dele faz parte também.

Publicado por sc em 02:40 PM | Comentários (1)

Odeio-te, odeio-te, odeio-te.
A ti que transformas o egoísmo e a crueldade em vazio.
A ti que nada sentes a não ser desespero.
A ti que falas por falar, é por isso que enrolas promessas na língua.
Odeio-te por me teres feito acreditar, que me podias dar aquilo que não tenho.
Palavras sem significado, vazias de tudo até mesmo de vontade.
Odeio-te por me teres feito gostar.
Odeio-te, odeio-te, odeio-te.
É a única palavra que sai quando penso em ti.
Esperavas que redigir-se delícias e cornucópias sobre o sentimento que despertas em mim. Pois aqui está: ODEIO-TE
Vou abandonar-te, como tu a mim sempre que espero por ti.
Estúpido pensamento de que podias ser diferente, nem um teste aguentaste, nem uma palavra soubeste questionar.
E já experimentei e não foi o mesmo, mas hei-de continuar a experimentar até encontrar a tampa que me completa.
Odeio-te, Odeio-te, Odeio-te!

Publicado por sc em 02:37 PM | Comentários (2)

outubro 25, 2004

CENSURADOS - CENSURADOS

Diz-me porque não há nada a fazer
Se iremos vencer ou iremos perder
Tentaremos mudar o que há de mal
Nem que tenhamos de correr Portugal
Seja feita vossa vontade
Seremos censurados nesta vida até morrer
Perderemos a vontade de conseguir entender
Seremos censurados nesta vida até morrer
Perderemos a vontade de conseguir entender
Não há nada a fazer
Se iremos vencer ou iremos perder
Se iremos vencer ou iremos perder
Tentaremos mudar o que há de mal
Nem que tenhamos de correr Portugal
Seja feita vossa vontade
Seremos censurados nesta vida até morrer
Perderemos a vontade de conseguir entender
Seremos censurados nesta vida até morrer
Perderemos a vontade de conseguir entender
De conseguir entender
De conseguir entender
De conseguir entender
Diz-me porque não há nada a fazer
Se iremos vencer ou iremos perder
Tentaremos mudar o que há de mal
Nem que tenhamos de correr Portugal
Seja feita vossa vontade
Seremos censurados nesta vida até morrer
Perderemos a vontade de conseguir entender
Seremos censurados nesta vida até morrer
Perderemos a vontade de conseguir entender
Censurados
Censurados
Censurados
Censurados
Censurados
Censurados
Nesta vida até morrer

Publicado por sc em 01:34 AM | Comentários (2)

outubro 21, 2004

Curvas, rectas, paralelas, desaguam numa semente, crentes na unidade do processo. Horizonte enevoado, bruma assustada, pelo o vento que derruba a muralha da derrocada. Irreversível. Agulha no palheiro, soalheira transposição da realidade. Sonante claridade. Pasmos em lastros. Corrupio em círculos, triângulos, quadrados, rectângulos. Castelos no ar, nuvens no chão. Murmúrio de ilusão. Estrelas cadentes…
Mar inconstante, maresia maldita, em claustro invisível. Geometria, analogia, espaço confinado na memoria esquecida. Lábios rubros, vinil ofuscante. Seda penetrante. Copula ambulante. Prazer deslumbrante. Teia, ceia, amoreira…meia de seda sobre o pescoço nu. Letras soltas, preenchem espaços em branco, de negro ilegível.

Publicado por sc em 03:21 AM | Comentários (2)

outubro 17, 2004

Copo Vazio

P:
Cada vez mais compreendo o que querias dizer com: “eu não sinto”. É a falta de fé, que faz com deitemos tudo a perder. O não acreditar, o não saber distinguir. A razão que fala sempre mais alto que a emoção. O não sentir, o borbulhar de tudo à nossa volta, o estar anestesiado de vazio. O egoísmo da necessidade. A insatisfação que o ideal acarreta perante os factos, acabam por nos limitar a uma solidão forçada proveniente de uma falta de esperança no mundo à nossa volta. Eu quero sentir, mas já não sinto. Acho que nunca o fiz. Penso que sempre estive enganada, a esse respeito, anestesiada por uma bruma neptuniana cheia de conjunturas utópicas, que não se deixam vencer, pela cruel realidade do ser. É falta de fé, não acreditar em algo, leva ao seu questionamento, que por sua vez se transforma num autópsia em busca de uma veracidade que nunca existiu, pela simples razão de nunca se ter nela depositado confiança. Quem me dera que não tivesses razão…

Publicado por sc em 04:27 PM | Comentários (0)

Quarks e os seus movimentos, nós e os relacionamentos.

Quarks: as mais ínfimas partículas de matéria até hoje identificadas; constituem protões e neutrões.

Supostamente os quarks agrupam-se 3 a 3 no interior dos protões e neutrões, e relacionam-se entre si. Quanto mais próximos uns dos outros menos intensa é a sua carga, fazendo com que se comportem como se fossem livres. Em sentido inverso, quanto mais se afastam maior é a força entre eles, pois estão ligados uns aos outros sem “possibilidade” de se separarem.

” A compreensão do comportamento dos quarks traz pistas sobre os primórdios do universo, em que estas partículas terão começado por existir livres, e só depois, agrupadas 3 a 3, formados os protões e os neutrões.”

É incrível só damos valor ao que perdemos, geralmente quando as coisas nos pertencem não nos preocupamos com elas, quando elas estão ali à mão de semear, não lhes damos o valor necessário nem importância. Talvez seja errado, talvez apenas demonstre a carência com que encaramos a vida e as circunstancia. Talvez mostre que no fundo só gostamos mesmo do que não temos como a canção: só estou bem onde não estou, só quero o que não tenho. Será mesmo o modo correcto de encaramos a vida, as circunstancias e as pessoas? Dizem que é tudo um processo de aprendizagem, só aprendemos quando perdemos? Porque é que o modo como apreendemos a vida não pode ser feito de um modo contemplativo, em vez de ser por um modo de perda e posse.

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outubro 16, 2004

Desliguei o botão, a corrente alternada, já não trás satisfação. Angustia, tertúlia, vazia, opaca. Serenidade inacabada. Desejo irreal, surpresa imaginaria. Em corrupio pela mente abandonada. Esperança num copo no meio do vácuo. Ansiedade… o prazo está a acabar, o limite a chegar. Regular a intensidade, equilíbrio, simbiose de vontades.

Publicado por sc em 02:29 AM | Comentários (0)

Receita: Como enganar o destino
(é tudo uma questão de geometria)

1º Descobrir o que se vai passar
2º Traçar um mapa e colocar os pontos de referência
3º Alterar os pontos de referência para que a cadeia de acontecimentos se altere.

*O resultado é sempre incerto, está claro, mas diferente.

Publicado por sc em 02:28 AM | Comentários (0)

outubro 14, 2004

Undiflavo: que tem ondas da cor de oiro; que apresenta ondulações de reflexos áureos.

Publicado por sc em 10:47 PM | Comentários (0)

...

Publicado por sc em 10:45 PM | Comentários (0)

Voar por cima da alma do mundo, vislumbrar a copa de tudo. Ceder ao infortúnio. Amaldiçoar o adeus. Cuspir prazer. Abraçar deus.

Publicado por sc em 10:33 PM | Comentários (0)

outubro 12, 2004

A LUA E O TEIXO

Esta é a luz da razão, fria e planetária.
As árvores da razão são negras. A luz é azul.
As ervas descarregam as suas mágoas nos meus pés como se eu fosse Deus,
Picando os meus tornozelos e murmurando a sua humildade.
Esfumadas, inebriantes neblinas habitam este lugar
Separado da minha casa por uma fieira de lápides.
Só não consigo ver para onde se vai.

A lua não é nenhuma porta. É um rosto em seu pleno direito,
Branco como os nós dos dedos e terrivelmente transtornado
Arrasta o mar atrás de si como um delito obscuro; silenciosa
Com a boca em O num esgar de total desespero. Vivo aqui.
Duas vezes aos domingos, os sinos assustam o céu-
Oito línguas enormes a afirmar a Ressurreição.
No final, fazem soar os seus nomes sobriamente.

O teixo aponta para o alto. Tem forma gótica.
Os olhos seguem-no e encontram a lua.
A lua é a minha mãe. Ela nao é doce como Maria.
As suas roupas azuis libertam pequenos morcegos e corujas.
Como eu gostaria de acreditar na ternura -
O rosto da esfígie, dulcifado pelas velas,
A desviar para mim, em particular, os seus olhos ternos.

Caí muito longe. As nuvens a florescer
Azuis e místicas sobre a face das estrelas.
Dentro da igreja, os santos vão ficar todos azuis,

A pairar com seus pés delicados sobre os bancos frios,
De mãos e rostos rígidos pela santidade.
A lua nao vê nada disto. É calva e selvagem.
E a mensagem do teixo é a escuridão - escuridão e silêncio.

Ariel, Sylvia Plath

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AS DANÇAS DA NOITE

Um sorriso caiu na relva.
Irrecuperavelmente!

E como irão perder-se
As tuas danças nocturnas. Na matemática?

Tão puros saltos e espirais-
Certamente viajam

Eternamente pelo mundo, não hei-de ficar
Despida de belezas, o dom

Do teu pequeno sopro, o cheiro
A terra molhada, lírios, lírios.

A sua carne não aguenta aproximações.
Frios vincos de um ego, o narciso,

E o tigre que se embeleza a si própio -
Sinais e uma chuva de pétalas de fogo.

O cometas
Têm um espaço tão grande a atravessar,

Tanta frieza, esquecimento,
Assim se esfumam teus gestos -

Calorosos e humanos, depois a sua luz rosa
A sangrar e a pelar

Entre as negras amnésias do céu.
Por que me dão

Estas luzes, estes planetas
Caindo como bênçãos, como línguas de luz

De seis pontas, brancas
Nos meus olhos, lábios, cabelo

Ao tocarem desfazem-se
Em lugar nenhum.

Ariel, Sylvia Plath

Publicado por sc em 02:07 AM | Comentários (0)

outubro 11, 2004

Um: o primeiro dos números inteiros. Algarismo que o representa. Uma só pessoa. Unidade. Qualquer, certo. Que não admite divisão. Igual. Simples que não é múltiplo.
Vazio, vazio, crepitante ilusão do sentir. Resignação da concretização. Esperar, esperar, esperar. Vazio, vazio, vazio, vazio… de sentir, de existir, de partir.
Escrever vazio. Criatividade nula. Ondula, sobrevoa pelas efemérides inconstantes, dos planetas saltitantes numa árvore esvoaçante. Penas com raízes, estrelas negras, ocas de murmúrio, sentimento obscuro.
Espelho meu há alguém que te ame mais que eu?
Unciforme é o desejo que me prende a ti.

Publicado por sc em 01:38 AM | Comentários (0)

Vácuo
Vedação
Vadiar
Vale
Valquíria
Vãmente
Vangloriar
Vanidade
Vanguarda
Vapor
Vaporoso
Varão
Vário
Vastidão
Vau
Vaticínio
Vazio: que não encerra nada ou só ar; despovoado; despejado; destituído; fútil; frívolo; oco; desprovido. Fig. Coração vazio, sem afeições. Com as mãos sem ideias. S.m O espaço vazio, o vácuo; flancos.
Vector
Veda
Veemência
Velocidade
Venal
Vénia
Vento
Ventania
Ventral
Ventura
Vénus
Verbo
Verdade

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outubro 10, 2004

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!


Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, 'stou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Fernando Pessoa, 23-10-1931

Publicado por sc em 01:13 PM | Comentários (0)

O Sensacionismo

Sentir é criar.
Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem ideias.
- Mas o que é sentir?
Ter opiniões é não sentir.
Todas as nossas opiniões são dos outros.
Pensar é querer transmitir aos outros aquilo que se julga que se sente.
Só o que se pensa é que se pode comunicar aos outros. O que se sente não se pode comunicar. Só se pode comunicar o valor do que se sente. Só se pode fazer sentir o que se sente. Não que o leitor sinta a pena comum [?].
Basta que sinta da mesma maneira.
O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma.
A lucidez só deve chegar ao limiar da alma. Nas próprias antecâmaras é proibido ser explícito.

Sentir é compreender. Pensar é errar. Compreender o que outra pessoa pensa é discordar dela. Compreender o que outra pessoa sente é ser ela. Ser outra pessoa é de uma grande utilidade metafísica. Deus é toda a gente.
Ver, ouvir, cheirar, gostar, palpar - são os únicos mandamentos da lei de Deus. Os sentidos são divinos porque são a nossa relação com o Universo, e a nossa relação com o Universo Deus.
(...) Agir é descrer. Pensar é errar. Só sentir é crença e verdade. Nada existe fora das nossas sensações. Por isso agir é trair o nosso pensamento.
(...) Não há critério da verdade senão não concordar consigo próprio. O universo não concorda consigo próprio, porque passa. A vida não concorda consigo própria, porque morre. O paradoxo é a fórmula típica da Natureza. Por isso toda a verdade tem uma forma [?] paradoxal.
(...) Afirmar é enganar-se na porta.
Pensar é limitar. Raciovinar é excluir. Há muito que é bom pensar, porque há muito que é bom limitar e excluir.
(...) Substitui-te sempre a ti próprio. Tu não és bastante para ti. Sê sempre imprevenido [?] por ti próprio. Acontece-te perante ti próprio. Que as tuas sensações sejam meros acasos, aventuras que te acontecem. Deves ser um universo sem leis para poderes ser superior.
São estes os princípios essenciais do sensacionismo. (...)
Faze de tua alma uma metafísica, uma ética e uma estética. Substitui-te a Deus indecorosamente. É a única atitude realmente religiosa (Deus está em toda a parte excepto em si próprio).
Faze do teu ser uma religião ateísta; das tuas sensações um rito e um culto. (...)

Fernando Pessoa, in 'Sobre «Orpheu», Sensacionismo e Paùlismo'

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outubro 09, 2004

A interpretação de Lilith
"Durante meus anos de prática astrológica, tenho utilizado a Lua Negra em todas as minhas análises de mapas natais, como complemento da interpretação da Lua. Jamais pensei em ignorar esta influência. A Lua Negra descreve nosso relacionamento com o Absoluto, com o sacrifício como tal, e mostra-nos como abrimos mão de certas coisas. Em trânsito, a Lua Negra indica-nos alguma forma de castração ou frustração, freqüentemente nos assuntos relacionados ao desejo; uma incapacidade da psique; ou uma inibição em geral. Por outro lado também indica nossas áreas de autoquestionamento, a nossa vida, nossos trabalhos, nossas crenças. Acho que é isto é importante, pois nos dá a oportunidade de abrir mão de algo. A Lua Negra mostra onde podemos deixar que a Totalidade fale dentro de nós, sem atravessar um “eu” pelo caminho, sem erigir um muro formado pelo nosso ego. Ao mesmo tempo, ela não nos indica a passividade. Ao contrário, simboliza a firme vontade de mantermo-nos abertos e confiantes, de deixar que o Mundo Transcendental infiltre-se em nós, confiando inteiramente nas grandes leis do Universo, naquilo que chamamos Deus. A fim de nos preparar para essa abertura, a Lua Negra cria um vazio necessário."

(Joëlle de Gravelaine in "Lilith und das Loslassen", Astrologie Heute Nr. 23)

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Odeio-te, odeio-te, odeio-te.
A ti que transformas o egoísmo e a crueldade em vazio.
A ti que nada sentes a não ser desespero.
A ti que falas por falar, é por isso que enrolas promessas na língua.
Odeio-te por me teres feito acreditar, que me podias dar aquilo que não tenho.
Palavras sem significado, vazias de tudo até mesmo de vontade.
Odeio-te por me teres feito gostar.
Odeio-te, odeio-te, odeio-te.
É a única palavra que sai quando penso em ti.
Esperavas que redigir-se delícias e cornucópias sobre o sentimento que despertas em mim. Pois aqui está: ODEIO-TE
Vou abandonar-te, como tu a mim sempre que espero por ti.
Estúpido pensamento de que podias ser diferente, nem um teste aguentaste, nem uma palavra soubeste questionar.
E já experimentei e não foi o mesmo, mas hei-de continuar a experimentar até encontrar a tampa que me completa.
Odeio-te, Odeio-te, Odeio-te!

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outubro 07, 2004

Frida Kahlo
Henry Ford Hospital, 1932

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outubro 06, 2004


Renato Frascoli, Cerbero

Sou o cão que guarda as portas do sub mundo, do inferno, das profundezas, como lhe quiserem chamar. Sim tenho três cabeças, uma virada para este, outra para oeste e outra tanto para sul como para norte. Jamais saio do portão, e não preciso olhar para trás, pois tudo o que lá está, anteriormente passou por mim. Já vi de tudo, é para aqui que vêem aqueles que não tem lugar, são enterrados no abismo junto com os seus pares desencantados. Não existe mal, apenas existem diferenças de todo o género e feitio. Por vezes passam por cá curiosos, e sempre que conseguem sair, ficam abismados pelo o estado e pelo o grau da diferença neste mundo, que a ninguém pertence a não ser aos desiludidos. Por vezes espalham a noticia como se tudo fosse doença contagiosa, pobres almas aquelas que não sabem abraçar as diferenças.

Publicado por sc em 07:56 PM | Comentários (2)

outubro 05, 2004

Assentar a consciência com o inconsciente. Misturar o sabor em prol da criatividade, em prol da criação. Conjugar sons como se fossem verbos. Manipular letras em vocabulários, organiza-las em parágrafos, ideias que se fundem com o mundo, diluem-se em espíritos, leques vorazes sobre o luar da alma, arremessam partituras de germes de novas ideias.

Publicado por sc em 09:00 PM | Comentários (0)

outubro 04, 2004

" A GRALHA NEGRA EM TEMPO DE CHUVA"

Lá no alto, num ramo firme
arqueia-se uma gralha negra toda molhada
arranjado e voltando a arranjar as penas á chuva.
Não espero qualquer milagre
nem nada

que venha lançar fogo à paisagem
no interior dos meus olhos, nem procuro
mais no tempo inconstante qualquer desígnio,
mas deixo as folhas manchadas cair conforme caem,
sem cerimónia ou maravilha.

Embora - admito-o - deseje
ocasionalmente alguma resposta
do céu mudo, não posso honestamente quiexar-me:
uma certa luz pode ainda
surgir incandescente

da mesa da cozinha ou da cadeira
como se um fogo celestial tornasse
seu, de um instante para o outro, os mais estranhos objectos,
assim consagrando um intrevalo
de outro modo inconsequente

por nos dar grandeza e glória,
ou até amor. De qualquer modo, caminho agora
atenta (pois isso poderia acontecer
mesmo nesta paisagem triste e arruinada); descrente,
mas astuta, ignorante

de que um anjo se decida a resplandecer
repentinamente a meu lado. Apenas sei que uma gralha
ordenando as suas penas negras pode brilhar
de tal maneira que prenda a minha atenção, erga
as minhas pálperas, e conceda

um breve repouso com medo
de uma neutralidade total. Com sorte,
viajando teimosamente por esta estação
de fadiga, acabarei
por juntar um conjunto

de coisas. Os milagres acontecem
se gostares de invocar aqueles espasmódicos
gestos de luminosos milagres. A espera recomeçou de novo,
a longa espera pelo anjo,
por essa rara, fortuita visita.

Pela Àgua, Sylvia Plath

Publicado por sc em 01:56 AM | Comentários (0)

outubro 03, 2004

"O JARDIM DO SOLAR"

As fontes estão secas e as rosas acabaram.
Incenso da morte. O teu dia aproxima-se.
As pêras engordam como pequenos budas.
Uma névoa azul prolonga o lago.

Moves-te através da era dos peixes,
dos presumidos séculos do porco...
A cabeça, os dedos dos pés e das mãos
saem nítidos da sombra. A História

alimenta estas caneluras quebradas,
estas coroas de acantos,
e o corvo vem arranjar as suas vestes.
Tu herdas a urze branca, uma asa de abelha.

Dois suicidas, os lobos da família,
horas de escuridão. Algumas estrelas isoladas
já iluminam os céus.
A aranha na sua própria teia

atravessa o lago. Os vermes
abandonam as suas casas habituais.
As pequenas aves convergem, convergem
com as suas dádivas para um difícil nascimento.

Pela Água, SylviaPlath

Publicado por sc em 08:21 PM | Comentários (0)

outubro 01, 2004

"Quadros" Memórias de um tempo passado...


André Rocha
http://andreflaviorocha.blogspot.com/

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