setembro 26, 2004

A vida real de um pensamento dura apenas até ele chegar ao limite das palavras: nesse ponto, ele lapidifica-se, morre, portanto, mas continua indestrutível, tal como os animais e as plantas fósseis dos tempos pré-históricos. Essa realidade momentânea da sua vida também pode ser comparada ao cristal, no instante da cristalização.
Pois, assim que o nosso pensamento encontra as palavras, ele já não é interno, nem está realmente no âmago da sua essência. Quando começa a existir para os outros, ele deixa de viver em nós, como o filho que se desliga da mãe ao iniciar a própria existência. Mas diz também o poeta:

Não me confundais com contradições!
Tão logo se fala, já se começa a errar.

Arthur Schopenhauer, in 'Sobre o Ofício do Escritor'


Publicado por sc em 09:07 PM | Comentários (2)

setembro 24, 2004

Estimular os sentidos
Baralhar, enlaçar
Correntes de pensamentos
Produzir sentimentos.

Publicado por sc em 02:40 PM | Comentários (0)

No fim, no fim, tudo passa como um sopro de vento frio ou quente.
No fim, no fim, toda a memoria não passa de uma gargalhada.
No fim, no fim, o vazio parece ridículo.
No fim, no fim, nada é nada.

Publicado por sc em 02:38 PM | Comentários (2)

setembro 23, 2004

Publicado por sc em 11:43 AM | Comentários (0)

Pensei ser a lua, tu o sol
Louca cabeça alheia ao mundo
De sonhos vive, de razão se divide.

Publicado por sc em 11:40 AM | Comentários (1)

Publicado por sc em 11:36 AM | Comentários (0)

setembro 19, 2004

Bairro do Amor

No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de côr
Por gente que sofreu por não ter ninguém

No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?

Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem

No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o Sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar

O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há hotéis nem hospitais
No bairro do amor cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais

Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem

Jorge Palma

Publicado por sc em 12:26 PM | Comentários (1)

setembro 17, 2004

NEGRA FLOR
[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]

Olá Amor
Estranha flor
Tens o poder
Do meu sofrer
E o segredo
Do meu degredo
Doce Amor
Negra flor
Doce Amor
Amarga flor
A ti pertenço
Só em ti eu penso
Por ti me afundo
Adeus ó Mundo
Estranho Amor
Negra flor
Doce Amor
Amarga flor
Queres-me animal
Para tratares mal
Como um capricho
Deitado ao lixo
Doce Amor
Negra flor
Doce Amor
Amarga flor
Carícias garrotes
Abraços chicotes
Cálices de mel
Cheios de fel
Estranho Amor
Negra flor

FOGO SELVAGEM
[Adolfo Luxúria Canibal / Carlos Fortes]

Sinto a força de Deus
No enforcado
Que balança na aragem
Do fim da tarde
Que balança na aragem
Do fim da tarde
Aves marinhas
Que o vento arrasta
Por sobre o mar
Sinto ser um adeus
Do Seu cuidado
O incêndio selvagem
Que no céu arde
O incêndio selvagem
Que no céu arde
Mágoas antigas
Que o tempo agasta
Até matar
Aves marinhas
Que o vento arrasta
Por sobre o mar
Mágoas antigas
Que o tempo agasta
Até matar

Publicado por sc em 10:19 PM | Comentários (2)

A merda dos tachos e das tampas encaixam-se uns nos outros. Tem de ter a sua medida certa. Senão nada funciona. O que é um tacho sem uma tampa? Enfim, é algo disfuncional. Enfim quando se faz um tacho, faz-se igualmente uma tampa. Gostava de saber onde anda a minha. Tal como numa cozedura a tampa pode ficar meio inclinada para deixar o vapor da cozedura descomprimir sem entornar. Como um beijo apenas num dos lábios… que se entorna em esquecimento imediato.

Publicado por sc em 11:30 AM | Comentários (3)

O amor morreu! Acho que realmente nunca existiu. É como Deus nunca ninguém o conheceu.

Publicado por sc em 10:52 AM | Comentários (0)

ESCRAVOS DO DESEJO
[Adolfo Luxúria Canibal / Carlos Fortes]

Dói-me a Alma
Na indecência da cidade
Fogaréus de mácula
Em cenários de fausto
Arrepiada nudez
De corpos contrafeitos
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma
Na elipse do fim
Arco-íris quebrados
Na demanda do vinho
Perdidos olhares
De insana comiseração
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma
À Guerra! À Guerra!

Publicado por sc em 01:52 AM | Comentários (0)

setembro 08, 2004

"- A idade não significa nada. Não é a idade que nos torna sábios. Nem sequer a experiência, como o povo pretende. É a vivacidade do espírito. Os vivos e os mortos... Você melhor do que ninguém devia compreender o que quero dizer. Só há duas classes neste mundo – e em todos os mundos –: os vivos e os mortos. Para os que cultivam o espírito nada é impossível. Para os outros, tudo é impossível, ou incrível, ou inútil. Quando vivemos dia após dia com o impossível começamos a perguntar-nos o que significa a palavra. Ou melhor, como passou a significar o que significa. Há um mundo de luz, no qual tudo é claro e manifesto, e há um mundo de confusão, ao qual tudo é sombrio e obscuro. Os dois mundos são realmente um. Os do mundo das trevas têm de vez em quando um vislumbre do reino da luz, mas os do mundo da luz não sabem nada do mundo das trevas. Os homens de luz não projectam sombra. Desconhecem o mal e nem sequer acalentam o ressentimento. Movem-se sem cadelas nem grilhetas."

Henry Miller, Plexus

Publicado por sc em 11:05 AM | Comentários (0)

setembro 05, 2004

Ter e ser
Crescer, desvanecer
Caiar o mundo
Com papel de lustro
O mundo dilui-se em milhões de diferentes dimensões,
Os sentidos fundem-se num turbilhão de sensações,
Que desesperam por compreensão
Portas, corredores de realidades co-existentes
Milhões de ideias, pensamentos projectados
Apenas quem todos os dias percorre
Os corredores que nos unem ao infinito
Sabe a instabilidade que o sentir provoca
Nos acontecimentos por vir.

Publicado por sc em 02:43 AM | Comentários (0)

setembro 02, 2004

...

"Nos contos de encantar este desamparo cósmico é explicado pelo o Karma ou pelo Destino, contra os quais ninguém pode lutar, pois tudo quanto acontece foi predestinado e só nos resta aceitá-lo. No entanto, se o destino de um homem pode ser de magia, não será isso uma forma de esperança para a criatura desamparada? Nesse mundo de esperança e fantasia o simples e bom vencem sempre, qualquer que seja o tempo que vagueiem no labirinto de manhas congeminado pelos maus para os arruinar. Sim, os contos de encantar criam o mundo que nós próprios criaríamos, se pudéssemos; o mundo de sonho e de romance que, embora gerado no ventre da má fortuna, acaba sempre em bem. As suas conclusões são sempre sensatas: o pobre eniquece, porque acha um tesouro; a madrasta perversa morre; a irmã mais velha e invejosa não casa nunca com o príncipe; o casal idoso e sem filhos encontra um menino perdido... E, sobretudo, ao belo jovem depara-se sempre a sua princesa e o amor eterno! Que é um conto de encantar? É o universo onde acontece, idealmente, tudo aquilo que desejamos e com que sonhamos em segredo. É a realização de nós próprios."

Pearl S. Buck

Publicado por sc em 05:13 PM | Comentários (0)

Publicado por sc em 12:35 AM | Comentários (2)