julho 20, 2008

Alguns poemas de João de Deus.

Posted at julho 20, 2008 06:21 AM in .

Pequena Biografia retirada de ruadapoesia.com

(1830-1896) Nascido no ano de 1830 em São Bartolomeu de Messines, Algarve, foi advogado e jornalista. O seu lirismo é simples e terno, com grande profundidade emocional e muitas vezes melancólico. João de Deus foi um dos grandes amigos e admiradores de Antero de Quental.

Em 1893 publicou a colectânea poética Campo de Flores, incluindo-se nesta duas obras anteriores: Flores do Campo e Folhas Soltas. Dedicou-se também à pedagogia, campo em que publibou em 1876 a Cartilha Maternal, tendo como fim o ensino da leitura às crianças. Faleceu em 1896.

A Cigarra e a Formiga

Como a cigarra o seu gosto
É levar a temporada
De Junho, Julho e Agosto
Numa cantiga pegada,
De Inverno também se come,
E então rapa frio e fome!
Um Inverno a infeliz
Chega-se à formiga e diz:
- Venho pedir-lhe o favor
De me emprestar mantimento,
Matar-me a necessidade;
Que em chegando a novidade,
Até faço um juramento,
Pago-lhe seja o que for.
Mas pergunta-lhe a formiga:
"Pois que fez durante o Estio?"
- Eu, cantar ao desafio.
"Ah cantar? Pois, minha amiga,
Quem leva o Estio a cantar,
Leva o Inverno a dançar!"

Grammatica Rudimentar

Aquelle Manuel do Rego
É rapaz de tanto tino
Que em lirio põe sempre y grego,
E em lyra põe i latino!
E como a gente diz ceia
Escreve sempre ceiar;
Assim como de passeia
Tira o verbo passeiar!
Nunca diz senão peior
Não só por ser mais bonito,
Mas porque achou num auctor
Que deriva de sanskrito.
Escreve razão com s,
E escreve Brasil com z:
Assim elle nos quizesse
Dizer a razão porquê!
Também como diz - eu soube
Julga que eu poude é correcto:
Temo que a morte nos roube
Rapazinho tão discreto!
É um gramático o Rego!
É um purista o finorio...
Se Camões fallava grego,
E o Vieira latinorio!

Militarão

Um valente militar
Ficou tão abarrotado
Num opíparo jantar
A que fora convidado,
Que o que fazia era ímpar,
E estava dando cuidado.

Diz-lhe aflita uma das manas:
«Meta dois dedos na boca,
Provoque as ânsias, a ver!»
-Dois dedos na boca...louca?
Se eu os pudesse meter,
Metia duas bananas.

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