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26 junho, 2006

o universo tem casa nova!

É aqui:

http://universocatariniano.wordpress.com


Pois, foi bom enquanto durou, mas já há alguns tempos que aqui o berloque tem dado alguns problemas. E não tem vindo a melhorar...

De maneira que depois de vencer as relutâncias e as resistências, decidi-me e mudei-me de vez. Estive a importar as entradas todas, os comentários também lá estão, tudo arrumadinho e a tinir, à espera das visitas! Por isso, a meia dúzia de amiguinhos que vai seguindo o universo, é favor actualizar o link para aquele ali de cima, órraite?

De caminho, vou ver se dá para fechar por aqui os novos comentários, que isto tem sido inundado de lixo e eu não quero ter de cá vir todos os dias limpar o pó dos cantos.

Só me parte o coração não puder levar o template... É que gosto mesmo muito dele! E o trabalhinho que me deu... Snif!

Pronto, por aqui está tudo encaixotado. As janelas fechadas, os estores em baixo... É fechar a porta e siga para a casa nova. Encontramo-nos lá!


catarinia @ 00:58 | Comentários (2)

19 junho, 2006

Pedro

Quando nasci, já tinha um amigo.

Cheguei à vida dele com uns meses de atraso, ele está na minha desde o primeiro dia. Conhecemo-nos desde sempre.

Crescemos juntos. Aposto que partilhámos chupetas às escondidas, aposto que comecei a andar para poder ir atrás dele, aposto que me nasceu o primeiro dente só para lhe mostrar que também já tinha um.

Ele faz parte de quase todas as minhas memórias de infância. Como o cheiro de leite quente com chocolate, pão com manteiga dos dois lados, um pacote de bolacha torrada para cada um. Nós todos besuntados de chocolate, a atafulhar a mana de Joaninhas, à socapa. A cidade dos Playmobil, eternamente em construção, eternamente inacabada e intocada até à próxima. «Mãe, só mais um bocadinho, estamos quase a acabar... Podemos voltar amanhã?» A mana a chegar e a mexer em tudo, a destruir a nossa cidade. E nós a berrar ao mesmo tempo: «RITAAAAAA!!! Tu não podes, és muito pequenina!» Visto a esta distância, sou capaz de apostar que eram eles, os pais, a mandá-la lá para nos acabar com a brincadeira e me conseguirem arrancar dali.

E a mini-mesa de matraquilhos! E as setas, o alvo e a parede toda esburacada à volta! Um milagre, não termos arrancado um olho um ao outro. E mais tarde esse portento que foi o Spectrum! Nós enterrados entre uma pilha de cassetes, hipnotizados a olhar para as risquinhas, eternidades à espera que um jogo entrasse. E o gravador desafinado, e nós a roubar a chave de fendas da máquina de costura da mãe para apertar aqui e ali, que também servia para desencravar as teclas de borracha. Depois os meus pais ofereceram-me um 128K, o topo dos topos dos Spectrum, e mudámo-nos lá para casa. Os dois encarrapitados no banco do estirador, num fenomenal exercício de equilibrismo e confusão de braços entrelaçados, para jogar Comando a quatro mãos - que o teclado era grande e as teclas demasiadas para duas mãos pequeninas.
«Pedro, chega-te mais para trás, que tou quase a cair do banco!»
«E tu desvia-te, que tás-me a pôr o cabelo na boca! Não consigo ver nada!»
«Não posso, depois não chego...»
«DISPÁÁÁÁÁÁÁRAAAAAAAA!!!!»

Um dia, foi morar para longe. Lembro-me de ir com os meus pais ajudar na mudança, e de ter sido um dia triste. Mas depois vieram as visitas, e as visitas eram uma festa! Fins de semana cá, fins de semana lá, e o "lá" era ao pé da praia! As primeiras férias que passei sem os meus pais, foram em casa do Pedro e da Rita. Estrelitas ao pequeno almoço, ao almoço, ao lanche e ao jantar! A primeira vez que andei de mota - uma acelera! - foi com o Pedro. A segunda, foi com a Rita - e caímos 10 metros depois de sair da garagem.

A partir de certa altura, as circunstâncias e a crescente independência dos respectivos pais, foram-nos afastando aos poucos. Não me lembro de nenhum motivo em concreto, a não ser uma sucessão de desencontros. Mas como acontece sempre com os amigos, os amigos de verdade, cada reencontro é uma continuação do último como se tivesse sido ontem, como se a conversa não tivesse acabado.

Quando nasci, já tinha um amigo. Ontem, ele casou-se. E ontem, estávamos lá todos, como se ainda estivéssemos na brincadeira no recreio da escola. À volta de uma mesa que se chamava "Na Terra dos Sonhos".

Curioso o Mestre também ter estado presente... Uma música em cada mesa, a "Estrela do Mar" para trazer para casa... Dá que pensar, esta paixão em comum. Foi concerteza alguma coisa que nos puseram no leite em criancinhas!

Gosto muito de ti, Amiguinho do coração!


catarinia @ 00:44 | Comentários (7)

18 junho, 2006

grande lapso do Professor Marcelo

Falhou o lançamento do livro da semana:

Já eu, estive lá. E trouxe o meu para casa, com uma dedicatória e um sorriso simpático. Está ali, à espera de um momento de serenidade, para o saborear de uma ponta à outra.

Mais uma vez, muitos parabéns, Gonçalo! O privilégio é todo meu!


catarinia @ 22:30 | Comentários (2)

12 junho, 2006

hoje, há um ano atrás...

... morria Eugénio de Andrade.

E se o corpo de um poeta são as suas palavras, quem melhor que elas para o recordar?


To A Green God

Trazia consigo a graça
das fontes, quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens, quando desce.

Andava como quem passa,
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos,
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.

Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.

E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
de uma flauta que tocava.

Eugénio de Andrade em «As Mãos e os Frutos», 1948


catarinia @ 23:39 | Comentários (3)

8 junho, 2006

não sei se ria, se chore...

Estive agora a verificar a minha caixa de correio electrónico da Universidade, e deparei-me com esta pérola:

Bom dia. Em plena época de admissões para contratos sazonais, damos nota a todos que ainda temos as seguintes vagas para preencher:

_Ajudantes de Armazém p/FB
_Ajudantes de Cozinha
_Bilheteiras (full time e/ou part-time (9:30/14:00h)
_Empregadas de Limpeza
_Natadores-Salvadores (credenciados)
_Operadores p/ Diversões e Apoio aos Shows
_Operadores p/ Self-Service
_Operadores p/ Video p/ Lagoa
_Staff p/ Estacionamento
_Staff p/ Portaria em part-time (9:30/14:00h)
_Staff p/ Foto da Entrada
_Vendedoras p/ Loja na marina de Vilamoura


Os(as) candidatos(as) devem contactar o DRH/SP pessoalmente ou enviar Cv
para [endereço de e-mail]

Agradecemos divulgação,

Srª Dona de Tal
Direcção de Recursos Humanos
Mundo Aquático, SA
Parque Zoomarine
[Morada e Telefones]


Este é o tipo de oferta de emprego que o Zoomarine tem para divulgar junto da Universidade. E a Universidade reenvia! Para alunos, colaboradores e investigadores.

Estou buquiescancarada.


catarinia @ 13:47 | Comentários (2)

nem uma bisnaga, meus senhores!

Não vi a reportagem de ontem na RTP sobre a extrema direita. Apesar de estas criaturas me deixarem mal disposta, e ainda por cima logo a seguir ao jantar, ser coisa capaz de me causar uma indigestão... gostava de ter visto. Porque ignorá-los não os faz desaparecer, e eles andam cada vez mais aí.

Mas vi várias vezes o excerto que serviu de apresentação à reportagem. E de todas me interroguei como é que é possível uma pessoa apresentar-se daquela forma ameaçadora, dizer aquelas imbecilidades, e ficar impune?

«Armas destas os nacionalistas têm às dezenas, e estamos preparados para tomar as ruas de assalto».
- Perdão? Tomar as ruas de assalto? Com dezenas de armas? E isso não é crime?

Isto choca-me. E não só - mas também, e muito! - pelo discurso carregado de ódio estúpido e ignorante. Antes de mais, choca-me que uma pessoa possa, impavidamente, dizer que comanda um bando de criminosos armados até aos dentes. Que possa, impavidamente, ameaçar levar esse bando de criminosos armados até aos dentes, a tomar as ruas de assalto. Que possa, impavidamente, reforçar a ameaça exibindo o arsenal.

E como é que é possível que uma pessoa, depois de ser condenada por um crime de extrema violência que resultou na morte de outra, simplesmente porque não gostou do seu tom de pele, tenha legalmente permissão para ter uma arma? E várias??? Não será o mesmo que dizer: «Da outra vez espancaste um homem até à morte. Para a próxima não te canses - dá-lhe um tiro.»?

Isto não me faz sentido absolutamente nenhum. A estas pessoas não deveria ser licenciado nem o uso de uma fisga. Não deveriam sequer poder disparar bolinhas de papel por uma zarabatana de tubos das obras. Nem tão pouco uma bisnaga! Quanto mais armarem-se até aos dentes e prepararem-se para tomar as ruas de assalto...

Aparentemente, não me chocou só a mim. O homem foi detido. Apreenderam-lhe um revólver ilegal. E, desgraça das desgraças! Os pins e as bandeirinhas!!! Depois mandaram-no embora. E pode ir à Alemanha fazer o que tem a fazer. E assisitir ao jogo Portugal-Angola. Que escolha tão curiosa...

Ridículo. Absolutamente ridículo.


catarinia @ 01:36 | Comentários (0)

5 junho, 2006

Dia Mundial do Ambiente

Lembro-me de uma canção de há muito tempo atrás que a certa altura dizia: «tu sozinho não és nada, juntos temos o mundo na mão». Combina bem - com o dia, com a imagem, com os dois ao mesmo tempo.

E o mundo precisa. Muito. De muitas mãos que o acarinhem, que o defendam, que o preservem, ou muito depressa deixará de haver mãos - e os corpos que vêm agarrados a elas.

A propósito do tema, An Inconvenient Truth estreou há pouco mais de uma semana nos Estados Unidos. Pela amostra, parece pôr o dedo no sítio certo e escarafunchar bem na ferida, de forma bem mais séria que o The Day After Tomorrow. Enquanto não chega cá, vale a pena espreitar o site e o trailler.


catarinia @ 21:19 | Comentários (1)

fim da tarde no jardim

Abriu o meu primeiro girassol!!! E o próximo também já aí vem...
O meu mini-jardim de varanda está finalmente a ficar florido!


catarinia @ 20:26 | Comentários (0)

4 junho, 2006

eu fui!

Malaguetas. Vermelhas e picantes. Das grandes!


catarinia @ 23:41 | Comentários (3)

24 maio, 2006

uma corrente diferente

Aqui há uns tempos, o GNM lançou no Extranumerário (num post que já não encontro...) o seguinte repto: o de destacar - seja com uma palavra, uma frase, uma imagem - a acção de uma ONG.

Pois eu poderia destacar uma série delas com um trabalho espantoso. Seja na luta contra a fome, na luta pelos cuidados de saúde mais básicos, na luta contra a guerra, na luta pela defesa do ambiente, entre tantas outras lutas meritórias, há um sem número de pessoas, na sua maioria anónimas, que dedicam o seu tempo - e em muitos casos, a sua vida - de forma voluntária e altruísta, para tornar esta bolinha a que chamamos Mundo um bocadinho melhor. Apesar de todas as dificuldades, de todos os entraves, de toda as resistências, de todos os interesses instituídos. O meu destaque vai para todas essas pessoas - as verdadeiras estrelas, os verdadeiros heróis.

Posto isto, e porque o desafio é eleger uma e uma só ONG, eu distingo a Amnistia Internacional (em português, e em inglês).

Porque enquanto as semelhanças entre esta Declaração Universal dos Direitos do Homem e a realidade que se vive por este Mundo fora forem meras coincidências, enquanto persistirem perseguições a todos os níveis, "julgamentos" à revelia, "desaparecimentos" misteriosos (uns mais que outros...), a inflicção de torturas, a pena de morte, o tráfico de seres humanos, a subjugação de mulheres e crianças, etc, etc, etc... É absolutamente imprescindível que esta barbárie seja por todos os meios exposta, que por todos os meios se lute para que não passe impune, e que por todos os meios se lhe tente pôr um fim.

E a Amnistia Internacional fá-lo há mais de 40 anos, conseguindo sempre manter aquele que é o seu princípio fundamental e o seu principal trunfo: a independência - religiosa, política, governamental e financeira.

Era suposto eu agora dizer que lanço o desafio a este, àquele e ao outro, mas não o vou fazer a ninguém em particular. No entanto, o desafio fica no ar, para quem o quiser apanhar...


catarinia @ 02:26 | Comentários (2)

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