*
*
*
*

25 abril, 2006

para que não esqueça... para que sobreviva


daqui


catarinia @ 00:37 | Comentários (6)

23 abril, 2006

só se vê bem com o coração, o essencial é invisível para os olhos

Eu adoro ler. E leio muito, até a bula dos medicamentos. Mesmo que não goste particularmente, faço questão de chegar ao fim, e há vezes em que até dou uma segunda oportunidade ao autor. O único livro que não consegui acabar foi "A Condição Humana", de André Malraux, e tentei duas vezes. Acho que a altura não foi a certa, e até talvez agora o viesse a achar interessante, mas criei um preconceito contra o livro, pronto!

Não quero com isto dizer que não seja selectiva. Apenas justificar a dificuldade evidente em eleger um livro, um só, para ser o preferido.

Neste dia Mundial do Livro deixo aqui um excerto daquele que talvez o seja - o tal, o preferido - O principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry. Porque é lindo, é puro, e está cheio de valores de amizade, de lealdade, de dedicação, de carinho, de ternura. Para mim, com toda a sua simplicidade, é muito mais que um livro para crianças: é um livro para a vida.


Andando, o principezinho encontrou um jardim cheio de rosas. Contemplou-as... Eram todas iguais à sua flor.
E deitado na relva, ele chorou...
...E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... Cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
- Que é um ritual? Perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. (...)
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ai! – Exclamou a raposa – Ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua, disse o principezinho. Eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Pois quis.
- Mas agora vais-te pôr a chorar!
- Pois vou
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! Disse a raposa. Por causa da cor do trigo… Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo. (...)
- Adeus...
- Adeus, disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade, disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...

Excerto de "O Principezinho", de Antoine de Saint-Exupéry


catarinia @ 23:03 | Comentários (8)

21 abril, 2006

um beijo (III)


"VJ Day", Alfred Eisenstaedt (1945)

Assim. Surpreendente. Surpreendido. Num abraço súbito e inesperado de alegria transbordante, felicidade incontida.


catarinia @ 19:12 | Comentários (0)

10 abril, 2006

béque in bisenésss!

_Sistema recuperado
_Ficheiros resgatados e devidamente guardados (todos!)
_Disco impiedosamente formatado
_Software instalado e actualizado
_Computador afinadinho e a tinir!

Resultado: catarinia (5) : computador (0)

Quem manda? Quem é a máior? Hum? HUM???

Ah, pois é.


catarinia @ 23:38 | Comentários (9)

7 abril, 2006

plágio à descarada

&%$#/%$!!!!!!

Mais a merda dos computadores, mais o %&#&$&%$#% que %&$$&% estas maquinetas do %&%$&%$, mais o filha da $%#$ que os inventou, ó %&$$%"!!!

Parece que isto se pega.
Passei da fase de "desespero iminente" à fase de "tás aqui tás a voar janela fora" e estou neste preciso momento num esforço sobre-humano para controlar este impulso de arremesso que me corrói as entranhas.

Já estou nisto há umas 12 horas! Já chateei meio mundo à procura de pistas para eventuais soluções. Já raptei um computador de apoio para descarregar isto e mais aquilo e mais o outro, e para criar este e aquele cd de arranque, e para fazer tudo o que me disseram que talvez resolvesse o problema...

...E NADA!!!

Metade das coisas não funcionam como deviam e a outra metade não resulta! O estafermo continua sem arrancar!!!

Pronto, desisto. Acho que vou ter que recorrer a um especialista, a ver se não me salta a tampa e ainda formato o disco. Mas os documentos, os meus documentos... E as fotografias, que não tenho em mais lado nenhum... My Preciousssssss... Não, não pode ser.

Sou capaz de ficar uns dias sem o computador. O que é óptimo, porque neste momento, ODEIO-O!!!

Vou dormir.


catarinia @ 05:00 | Comentários (3)

4 abril, 2006

o povo somos nós

Falluja, algures em 2004. Uma equipa de reportagem acompanha os primeiros soldados norte americanos a chegar à cidade: o esquadrão Alfa da brigada aero-transportada nº qualquer coisa. Todos eles de vinte e poucos anos, alistaram-se no exército num momento desaustinado. Nenhum acabou o liceu, nenhum sabia o que fazer da vida e o exército pareceu uma boa ideia. Nenhum entendia o que estava ali a fazer e poucos tinham opinião sobre isso. Estavam lá para cumprir ordens. Odiavam porque eram odiados. E eram odiados porque estavam lá.

Numa quinta feira igual a todas as quintas feiras, a missão era fazer a segurança e as "relações públicas" no "perímetro", durante o encontro semanal dos líderes oficiais da região.

Num desses encontros de "relações públicas" é abordado um homem, à porta da oficina. É electricista de automóveis. Rapidamente se junta um grupo à volta. Enquanto incentiva um intérprete para que traduza e espera pacientemente que ele o faça, um senhor já idoso vai dizendo:

«A América pode ir à Lua...
Pode ter armas nucleares...
Pode construir armas...
Mas não pode construir um povo.

O povo somos nós.»


catarinia @ 02:37 | Comentários (5)