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29 março, 2005

voltei a projectar!

Acabei de chegar de uma noite de trabalho e soube tãããããããooo bem! Desistimos finalmente de ler o monte de papelada das comissões, das legislações, das recomendações e dos relatórios disto e daquilo e começámos a escrever O PROJECTO.

Sensação maravilhosa esta de ver coisas a nascer-me da ponta dos dedos... Estou toda entusiasmada e cheia de energia, como não estava há muito tempo. Sinto-me como que a renascer para a vida, finalmente a sair do turpor estúpido, da vidinha anestesiante do último ano. Como é bom projectar!

Estou que nem posso! Pode até dar-se o caso de não conseguir dormir de tanta excitação!


catarinia @ 03:31 | Comentários (0)

28 março, 2005

de volta do Portugal profundo

Este fim de semana voltei às origens: três gerações de mulheres juntas no berço da família. Fomos “à terra”. Assim que chegámos apercebi-me de que não ía lá há mesmo muito tempo: entretanto a Zebreira descobriu que afinal era Vila, e escreveu-o na placa à entrada. É oficial, estou desactualizada!

Quando era miúda houve anos em que passava lá as férias inteiras. Metia-me na camioneta dois ou três dias depois do fim das aulas, e regressava dois ou três dias antes de voltarem a começar. Escrevia aos amigos “de Lisboa” e combinávamos todos fazer o mesmo, sabíamos mais ou menos quando é que chegava toda a gente. E depois claro, estavam sempre lá a Sandra, a Tânia, o Nuno, o Edgar, o Daniel...

Formávamos um grupo enorme e tínhamos sempre que fazer. Organizámos as nossas excursões a pé para ir passar o dia à barragem, o mergulhinho da praxe todos vestidos para termos um regresso fresquinho, a paragem religiosa a meio do caminho para beber água na fonte. A rotina do jantar, ir a casa da prima Célia, esperar que ela se empiriquitasse, depois o desfile pela rua principal até casa da Tânia que já estava à porta à nossa espera, e mais um desfile até ao café comer um gelado, esperar que a família voltasse para casa para irmos até à cave ter com o pessoal. Foi lá que aprendi a jogar matraquilhos e que não consegui nem por nada aprender a jogar snooker, apesar de todo o empenho de muita gente. A seguir um passeio pelas ruas à fresquinha, dizer “boa noite” a toda a gente e ouvir as velhotas, sentadas na rua porta sim porta sim, a fazer o relatório dos nossos dias às menos informadas das nossas andanças. Depois rumo ao fantástico Dancing-Bar com o fenomenal nome de “A Patinha de Vaca”, onde o segredo era a alma do negócio e por isso podíamos beber a nossa “mine” e fumar um cigarrinho com toda a segurança, dançar agarradinhos e dar umas beijocas sem que estivéssemos de casamento marcado no dia seguinte.

Em Agosto vinham os primos de França e o resto da onda migrante, que animavam ainda mais as coisas. Havendo boleia podíamos até ir às piscinas das Termas de Monfortinho e saltitar pelas festas das redondezas enquanto não chegavam as lá da terra: o Santo Isidro e a Senhora da Piedade com pouco mais de quinze dias de intervalo. Tinham muito pouco de interessante, a não ser a desculpa perfeita para ficarmos na rua até ainda mais tarde. Havia a quermesse e os intermináveis leilões de bugigangas; o franguinho assado com muita cerveja; pipocas, farturas e algodão doce; e o bailarico ao som do “conjunto” a esgoelar-se para por o pessoal a dançar a noite toda, de onde eu fugia de terror por ter dois pés esquerdos; as velhotas acartavam a cadeira da porta de casa até ao recinto da festa, faziam a rodinha em volta do bailarico e lá continuavam a actualizar o relatório das nossas andanças diárias: quem é que tinha passado com quem à porta de quem, a que horas, em que direcção e por aí fora...

Este fim de semana deu-me uma nostalgia enorme destes Verões. As férias tinham três meses, passava-as enfiada na terrinha com os meus avós e adorava, eram o ponto alto do meu ano. Depois fui crescendo e atacou-me o bichinho da mochila às costas, fui passando as minhas férias noutros sítios e passando cada vez menos tempo na Zebreira, até que deixei de lá ir por completo, a não ser em curtas visitas à minha avó, normalmente para a ir buscar para Lisboa. Os meus primos e os amigos da altura já lá não estão e acabámos por perder o contacto. Os que eram de lá, saíram: Castelo Branco, Coimbra, Lisboa e arredores e até França, mudaram-se todos, uma vez que a Zebreira não oferece grandes perspectivas de futuro. Os que lá íam passar as férias, como eu, também como eu deixaram de ir. Daí resulta que andando pela rua, não conheço ninguém. Estando lá, não tenho nada para fazer. E acabo por não conseguir ficar muito tempo.

Fico com uma certa tristeza de sentir que estou a perder a ligação às origens, à terra da minha Mãe, dos meus Avós. A minha única razão para voltar é mesmo a minha Avó, que teima em não querer sair de casa dela mais tempo que o indispensável. Ir a Lisboa, só em visitinhas rápidas; a Faro, só veio uma vez.

É claro que há sempre a beleza natural da zona, o apelo do campo e, pois concerteza, a minha adoração por travia. E como eu me abarrotei de travia este fim de semana! Acho mesmo que fiquei com uma overdose, o organismo ressente-se. Ou então foi das quatro viagens em quatro dias, a verdade é que estou espapassada. Acho que vou passar o estágio de sofá e atacar directamente o soninho de beleza, que amanhã é dia de voltar ao laboratório. A sério.


catarinia @ 01:43 | Comentários (0)

23 março, 2005

até que enfim, está a chover!!!

Depois de tantas promessas falhadas dos senhores da metereologia, finalmente chove no Algarve. Até eu, normalmente apologista de que só devia chover nas hortas, estou contente com a aguinha da boa a cair na terra.

Espero que ainda esteja a chover à noite. Já me estou a preparar para ficar em casa enroscada com a bichana, a ver um filme e a sentir o cheiro da terra molhada.


catarinia @ 15:30 | Comentários (0)

tenho que passar a andar com um caderninho

Hoje fui ao dentista pela enésima vez desde Novembro... Ainda tenho que depurar este ódio à minha própria dentição, aos dentistas em geral e às atrocidades que estes senhores operam na minha inocente cavidade bocal, mas fica para outra altura que isto agora é sobre outra coisa.

Ao contrário do que é normal, desta vez fiquei um bom bocado à espera. O suficiente para ligar aos Amiguinhos a combinar o jantar, para me aperceber que tinha deixado o cartão multibanco dentro da própria da caixa e entrar em pânico, para resistir ao impulso de desatar a correr porta fora e atravessar a cidade em direcção ao Fórum, e para me tentar acalmar a ler a primeira revista de sala de espera de dentista que consegui arrebanhar. Chamava-se “Plásticas & Beleza”.

Já vi coisas muito más, muito más mesmo, de me perguntar “Mas por que raio é que estou a ler esta porcaria? Eu quero lá saber quantos pares de sapatos é que Esta tem, e quem é que Este andou a comer nas férias!”. Mas nada que se compare com a “Plásticas & Beleza”. Ao passar de cada página aumentava-me um bocadinho o peso do queixo, que teimava em cair-me no colo. Como é que é possível que alguém se tenha lembrado de fazer uma revista inteirinha, de tiragem regular, com informações detalhadas sobre as operações plásticas das bombásticas estrelas da cena artística, quer nacional (no caso, da nação brasileira) quer internacional? Quem é que poderá estar interessado em saber quantos mililitros têm os implantes que a Não-Sei-Quantas pôs nas mamas? A quem é que poderá interessar saber distinguir, olhando para uma fotografia, se a Não-Sei-Que-Mais fez uma plástica ao nariz, à orelhas, uma lipo-aspiração ou uns implantes no rabo? Pior ainda, quem é que estará disposto a pagar para saber esta quantidade absurda de informação perfeitamente inútil? São questões que me ultrapassam, mas que sem dúvida me deixam a pensar que quem quer que seja, devia arranjar uma vidinha e sair do degredo...

E com isto tomei a decisão de voltar a arranjar um bloquinho de notas para juntar ao caos da minha mala. Na altura estava tão inspirada que dei comigo a escrever mentalmente um post que até tinha a sua piada e do qual, obviamente, agora não me lembro de nada. Perdeu-se, pronto! Mas é o último, da próxima que me acontecer tomo notas.

Já agora, o dente 15 está restaurado e vai ficar em stand-by uns meses para “ver como é que se porta”, o que quer dizer que para a semana vai atacar-me um dos sisos. E o cartão foi entregue no banco. Agora só me falta encontrar a cabeça.


catarinia @ 03:33 | Comentários (0)

20 março, 2005

e o número, importa?

Eu acho que sim. Há números que importam, e o número de escovas de dentes de cada um, é de certeza um deles.

Hoje dei-me conta de que tenho nem mais nem menos do que quatro escovas de dentes. É um facto, elas são quatro e estão todas a uso. À primeira vista pode parecer um exagero disparatado, mas dado que eu tenho uma tendência inata para o esquecimento, até nem é. Três estão espalhadas cada uma em sua casa, e a quarta é a que levo comigo para os sítios onde não tenho uma escova de dentes residente.

Isto tem obrigatoriamente que querer dizer qualquer coisa, e qualquer coisa de absolutamente revelador sobre a minha pessoa. A questão é: quererá dizer que sou uma nómada declarada, que não pertenço a lado nenhum? Ou que pertenço a vários sítios ao mesmo tempo?


catarinia @ 03:40 | Comentários (2)

sabe sempre a pouco

Quando estou contigo, nunca me apetece vir embora. Estás sempre tão mais crescida, tens sempre tantas novidades para mostrar, que fico com a sensação de que se passaram séculos desde a última vez, e que perdi esse tempo todo de ti.

Hoje de manhã acordei com a tua gargalhada. Nunca acordar tão cedo me soube tão bem! Tomei conta de ti a manhã quase toda, enquanto a tua mãe resmungava de sono e tratava de se arranjar, e o teu pai saiu para preparar a tua festa. Tinha tantas saudades de te apertar, de enfiar o nariz nesse teu pescocinho bem cheiroso e de te encher de beijocas! Eu sei que cada vez gostas menos que te aperte, mas eu estou a aprender a portar-me bem. A tua mãe também não me deixa, está sempre a dizer-me “Não a estrafegues!” É uma exagerada...

Desta vez achei-te muito crescida e muito activa! Mostraste-me os teus brinquedos todos, estivemos a ler uma revista cheia de senhores muito bonitos, e ainda me ensinaste como é que se vai da sala até à cozinha, a andar sem a ajuda de ninguém: a gente apoia-se nos móveis e anda de lado, com muito cuidadinho; quando os móveis acabam, pomos as mãos na parede; e no bocadinho que falta olhamos para uma pessoa crescida, fazemos um grande sorriso e esticamos uma mão – é certinho que ela nos ajuda a chegar ao fim. Depois na cozinha ainda atirámos uma lata de bolachas ao chão e deixámos a Heidi lamber as migalhas, essa parte também foi gira. Trabalho de equipa, antes que a tua mãe ralhasse comigo!

Depois chegou a hora da festa e estiveste toda a tarde muito simpática, apesar de toda a gente querer pegar em ti e não conseguires estar mais de dois minutos no mesmo colo. Estava muita gente na tua festa: os teus avós, os tios todos, muitos primos e muitos amigos. Como somos todos assim meio esgroviados, foi uma festa muito divertida! Não tenho fotografias porque me esqueci da minha máquina, mas a tua mãe prometeu fazer-me uma colecta.

No fim estavas muito cansada. A tua mãe e o teu pai também. Quando vim embora já estavas a dormir, e eles estavam quase, quase! Não me apetecia nada ter de vir embora. Nunca me apetece quando estou contigo. Para a semana prometo estar de volta!


catarinia @ 03:08 | Comentários (0)

18 março, 2005

já lá vai um ano!

Muitos parabéns à minha Ervilhinha mais doce!


catarinia @ 13:20 | Comentários (4)

4 março, 2005

primeiro teste: superado!

Houve uma altura em que ainda pensei: "catarinia, estás só a fingir que és uma gaija forte; demasiado compenetrada no papel de que és uma senhora. Quando chegares a casa, vais desatar a chorar que nem uma maluquinha."

Mas, surpreendentemente, não. Não sei se será da taxa de alcoolemia ou de qualquer outra variável milagrosa, mas a verdade é que, embora o coração continue dorido e a alma cheia de lágrimas, os olhos estão sequinhos sequinhos, como se estivessem enfiados numa fralda Dodot - imagem alucinada esta, hã? Juro que não fumei nada de ilícito, só passei a noite a moscatelar!!!

E viva a 5ª à noite em Faro! Nada mau, nada mau... E agora vou dormir descansadinha, que amanhã tenho que acordar realmente a horas decentes. Vou aprender a ser uma cliente mistério...


catarinia @ 04:44 | Comentários (2)