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30 outubro, 2004

Hoje assisti à morte de uma pessoa. Uma morte estúpida, sem justificação possível.

Queria esquecer rapidamente o assunto, mas não sou capaz. De cada vez que páro de pensar em qualquer outra coisa, volta a angústia. Volta o barulho da queda, voltam os gritos de aflição. O som das ambulâncias. O silêncio. O nó no estômago, um peso enorme no peito.

A efemeridade da vida é uma coisa absolutamente chocante. A minha Mãe costuma dizer-me, quando acha que corro demasiados riscos, que para se morrer só é preciso estar-se vivo. Não devia ser assim. Para se morrer, deveria ser preciso ser-se muito velhinho e ter tido uma vida preenchida e feliz. Mas por causa desta efemeridade estúpida, em frente à minha janela hoje passou a haver uma família sem pai.


catarinia @ 02:53 | Comentários (0)

28 outubro, 2004

é este!

República do Niger

É para aqui que o Dubya tem de se mudar, se quiser continuar a mandar. Segundo o BetaVote...


catarinia @ 04:05 | Comentários (0)

apostar um voto

Acabei de apostar o meu para as eleições dos EUA, em BetaVote. E fiquei impressionadíssima! Já tinha ouvido dizer que o Bush estava a levar uma grande abada, mas nunca imaginei que o homem estivesse a ser trocidado desta maneira tão brutal!

À hora em que apostei o meu voto virtual, de uma lista enorme de países (não tive paciência para os contar, mas são mesmo muitos), há 24 em que os dois principais candidatos – o Mr. Bush e o Mr. Kerry – estão estatisticamente empatados (entre eles, o Afeganistão e o Iraque). De todos os outros, apenas um – UM, completamente solitário – daria a vitória ao actual Mr. President: a República do Niger, que fica entalada no meio de África.

É claro que estas coisas têm o valor que têm, e que é muito pouco – por exemplo nos Estados Unidos, só 24% das pessoas que lá puseram a bolinha, escolheram o Dubya, o que não corresponde às sondagens que têm sido divulgadas. Mas não deixa mesmo assim de ser impressionante. Só 11% do Mundo (que tem acesso à Internet, que conhece o dito site e que lá deixou o seu voto...) votaria no senhor. É muito Mundo, e muito pouco voto...

Outra coisa que me surpreendeu foram os números de Portugal. Para além de darmos uma das vitórias mais significativas ao Kerry, que arrebanha 93% dos votos, até agora já lá foram votar 15409 pessoas, muito mais que os votantes da maioria dos outros países. Mais que nós, só votaram 9 países: Bélgica, Brasil, Canadá, Finlândia, França, Alemanha, Eslovénia (!!!), Espanha e Estados Unidos. Ou o acesso à Internet está muito difundido por cá, ou somos muito voluntariosos, ou então adoramos uma boa cusquice! E está mais que sabido que a cusquice se espalha como um rastilho de pólvora...


catarinia @ 03:52 | Comentários (1)

26 outubro, 2004

balseros

Esta semana o Cineclube de Faro está a passar uma extensão do DocLisboa - Festival Internacional de Documentário de Lisboa. Hoje a programação foi composta pelo Cyber Palestine, do Elia Suleiman; e pelo Balseros, de Carles Bosch e Josep Mª Domènech (a programação para o resto da semana pode ser consultada no site do CCF).

Se o primeiro não me cativou minimamente, achei o segundo absolutamente fenomenal! Começa o relato em 1994, nos piores bairros de La Havana, na altura em que Cuba deixou de impedir a saída das balsas, e acompanha a impressionante aventura de uma série de pessoas que decidiram sair. Desde a construção das balsas com tudo o que pudessem arrebanhar e que eventualmente flutuasse, as motivações, as espectativas, os sonhos e a agonia das famílias na hora da partida. O resgate pela Guarda Costeira americana, a estadia no campo de Guantánamo, até que finalmente chega o visto para a emigração. A chegada ao "american dream", o reencontro com a família do outro lado, o deslumbramento, o começo de uma vida nova, numa realidade também ela nova e completamente desconhecida. Alguns meses depois, como estão. E cinco anos depois, como estão. E as famílias, como ficaram.

A certa altura, à chegada, há um familiar já a viver nos Estados Unidos que diz qualquer coisa como: "É natural que ao princípio não compreendas, mas com o tempo vais começar a perceber este mundo capitalista. És tu que tens que resolver os teus problemas. Primeiro estás tu, e só depois estão os outros. Mas como tens problemas todos os dias, não tens tempo para pensar nos problemas dos outros."

Retrato feínho, este. Mas infelizmente, tão verdadeiro...


catarinia @ 04:08 | Comentários (0)

19 outubro, 2004

um bocadito de cor!

Hoje o dia esteve triste e fartou-se de chorar... Parece que o Verão se foi embora de vez e deu lugar ao Outono, ao frio e à chuva, mesmo aqui quase em Marrocos, onde o tempo é quentinho 10 ou 11 meses por ano.

Mas não para mim! Hoje fez sol na minha praia!!! Fiz coisas e estou contente comigo. Fui cheia de paciência para o laboratório e lá passei a tarde em frente à lupa, com uma musiquinha relaxante e um estômago de Aristeus antennatus completamente atulhado. Vi muito minuciosamente cada uma das dezenas de pecinhas minúsculas e meio digeridas, e nunca me ocorreu lamentar-me! Parece-me um bom princípio.

Quase que me apetece dizer que estou cheia de genica para voltar amanhã. Mas não vou dizer nada disso. Vou antes seguir um conselho sensato, e em vez de fazer planos, vou fazer relatórios. Baby steps, baby steps...


catarinia @ 00:53 | Comentários (0)

14 outubro, 2004

hoje apetecia-me estar assim

alone on a gravel beach

Mas não. Estou, muito ajuizada, a resisitir a mais uma dor de dentes (com bónus também para o ouvido) e à bulha com ANOVA's. Frequência à porta...


catarinia @ 00:35 | Comentários (0)

12 outubro, 2004

Maria e Raquel

Recentemente, o Universo foi descoberto pela Maria. Apesar de não a conhecer, a Maria tem o seu quê de Mãe... Passa por cá nas alturas mais certas, e deixa sempre uma palavra de apoio e conforto. É como dar colinho e uma festa no cabelo.

Para quem tinha a ilusão de conseguir um Universo privado na imensidão da Internet, este tipo de descobertas acabam por ser deveras interessantes. O que será que nos leva a sentir empatia por palavras escritas por outros, que não conhecemos, e que provavelmente nunca conheceremos?

A mim aconteceu-me com a Raquel. Também passou por cá por acaso, e levou-me até ao seu Livro do Pó, onde escreve maravilhosamente. De vez em quando tiro o Livro da prateleira e leio umas páginas – ler a Raquel transmite-me calma, tranquilidade. Não nos conhecemos, mas a Raquel inspirou-me uma empatia imediata, talvez por reconhecer nela o mesmo tipo de liberdade com que eu própria escrevo.

Eu quando escrevo consigo ser mais genuína, mais verdadeira, mais eu. É como se tivesse uma capa de “estar sempre bem”, que posso tirar quando toda a gente se deita e fico com a casa só para mim, sozinha em frente ao ecrã. E escrevo descapada, desprotegida, genuína, o que me vai na alma. E não estou sempre bem, não sou sempre forte sem a minha capa. Por vezes sinto a necessidade de gritar ao mundo a minha fragilidade, que também a tenho, que preciso do apoio que faço questão de parecer que não preciso. Partilhar as minhas angústias num Universo aberto ao desconhecido, num Universo que não julga e não censura. Num Universo que não receita comprimidos e não me apresenta os sobrinhos das amigas.

Num Universo de que fazem também parte empatias desconhecidas, como a Maria e a Raquel.


catarinia @ 02:31 | Comentários (0)

7 outubro, 2004

5ª à noite

É a noite de todas as loucuras. Ainda mais com a caloirada aí fresquinha. A doca está transformada numa mini semana académica, há concertos, barraquinhas prontas para elevar o nível de alcoolémia até aos píncaros, e como tal, anda tudo na rua. Tudo na borga, na ramboia, no forrobodó, na reinação.

E eu aqui enfiada em casa - sozinha, obviamente, mais ninguém resistiu ao apelo da boémia... Não estou com a mínima paciência para as enchentes, as praxes, a berraria e a parvoeira. Nem para mim, já que falo nisso!!!

Das duas, uma: ou estou velha, ou estou doente...


catarinia @ 23:37 | Comentários (1)

ainda o Mar...

...brusco.


catarinia @ 00:25 | Comentários (2)

Mar

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia de Mello Breyner Andresen


catarinia @ 00:12 | Comentários (0)

6 outubro, 2004

tou com a telha

Estou triste, desanimada, desalentada. Desmotivada. Tenho saudades e não sei muito bem de quê. Que raio de humor mais cão!

Hoje é daqueles dias em que me apetecia que a noite estivesse quentinha e a Lua cheia. Um passeio na praia para me reconciliar com o Mar, e ser recebida com um banho de Noctilucas... Mas nem a noite está quentinha, nem a Lua cheia e muito menos é tempo de Noctilucas. Aliás, nas palavras sábias da minha Avó, o tempo “está brusco”, com uma humidade que se agarra ao corpo e uma cor que entristece.

Para além de que amanhã tenho que acordar bem cedo e estar na Universidade a essa bela hora da madrugada que são as 9h00. Odeio manhãs. Abomino manhãs!!!

Vou dormir. Pode ser que amanhã passe.


catarinia @ 23:54 | Comentários (0)

vida nova à espreita

Acabaram-se as desculpas... Não há mais como fugir. Depois de uma semana para esquecer, com período, dor de dentes e ressaca, o estágio tem de começar a bombar e desta é que é MESMO de vez.
Amanhã é dia de acordar a horas decentes e rumar ao laboratório. Vou queimar pestana à lupa e estou muuuuuuiiiiito contente...


catarinia @ 01:10 | Comentários (2)