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29 julho, 2004

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Fico sempre entusiasmada com a ideia de vir cá a casa. Faço planos para passar uns dias, fazer coisas em conjunto, partilhar qualquer coisinha de três vidas que deveriam ter pontos em comum. Acho que ainda tenho a esperança de cá chegar e encontrar uma Família.

Mas na melhor das hipóteses, meia hora é mais que suficiente para ter vontade de pegar nos tarecos e desaparecer porta fora. E quanto mais completo o trio, mais rápido se torna o impulso de fuga. Tudo tem uma carga negativa tremenda, até o ar é pesadíssimo e custa a respirar. Mas para quem olha... parece tudo bem. É um jogo do faz-de-conta, absolutamente desprezível – e eu não quero fazer parte deste filme.

Ainda mais agora aqui presa no meio do nada, longe de tudo e todos, nem tenho para onde fugir dos segredinhos, das queixinhas, das conspiraçõezinhas, das chantagenzinhas... Na casa linda, onde tudo combina menos as pessoas. No monte de paredes sem alma.

Não admira que me sinta ainda mais sozinha aqui, apesar de estar com quem supostamente me deveria transmitir mais apoio e segurança. Não percebo porque continuo a procurá-los aqui. Não entendo de onde é que me continua a vir o entusiasmo. No fim, parece que estou sempre em contagem decrescente para me ir embora. De todo o lado.


catarinia @ 03:30 | Comentários (0)

23 julho, 2004

melhor que ir ao circo

Se alguma coisa este Governo terá de bom, será a sua influência no humor, na ironia e no sarcasmo da população. A verdade é que somos um povo demasiado sereno, demasiado cinzento, com falta de humor... Parece que até há estudos que dizem que nós, os portugueses, nos rimos muito pouco.

Pois com este Governo, vamos ascender ao topo num instantinho. Nas rifas, o Paulo Portas, agora Ministro também dos Assuntos do Mar, ficou buqui-escancarado com a novidade. Eu também, pensei logo na minha bicharada. Mas parece que o sr. só vai tratar dos assuntos do mar que não tenham a ver com as Pescas nem com o Ambiente. Ou seja, vai continuar só com os submarinos. Não é que me deixe descansada, mas ficaria muito menos se o sr. se começasse a preocupar com os meus bichinhos. Ele que os deixe descansados.

Depois foi a Teresa Caeiro que ía ser a primeira mulher na história nacional a ser Secretária de Estado da Defesa, mas depois passou para as Artes e Espectáculos. Não faz mal nenhum, o que interessa é que a sra. tem perfil e é competente, por isso ela que se entretenha com as festas, e deixe as coisas sérias para quem sabe.

E ainda há aquele outro coelho que parecia tirado da cartola por obra e graça do Espírito Santo, mas que afinal se veio a descobrir que percebe imenso do assunto: o Luís Nobre Guedes já foi advogado de umas empresas da área do Ambiente, logo, está perfeitamente habilitado para ser Ministro. O João, n'Os Ambientalistas, até lhe dá o benefício da dúvida, e diz que o homem pode vir a surprender - pondo mesmo a hipótese de ser pela positiva - e vir dar mais relevância ao Ambiente. Ora, depois de ter lido ontem isto, no Público, duvido muito. Dois dias depois de ter tomado posse perdeu logo a corrida até à cadeira, e ainda por cima puseram-lhe os tarecos à porta! Tsss, tsss, tsss, tss-tss...

O Governo ainda nem tem uma semana, mas há que admitir que tem sido uma semana em alta! Tem sido uma barrigada de riso! Um pagode!!! Até tenho pena de ter andado mais ou menos atarefada com o estudo, podem ter-me escapado pormenores importantes. Este Governo promete, sim senhor! Vamos lá a ver é se cumpre, porque isto de fazer rir o pessoal, às vezes pode tornar-se difícil.


catarinia @ 17:48 | Comentários (2)

uma hora para as férias!!!

Oh, que maravilha... Mais uma horita e chegam as férias!!! Vai ser tão bom não fazer nada e não ficar com peso na consciência...

É que já estava a ficar com a consciência cansada!


catarinia @ 17:00 | Comentários (0)

verão negro...

Hoje morreu o Carlos Paredes. Há uns dias atrás, foi a Maria de Lurdes Pitassilgo, e uns dias antes a Sohia de Mello Breyner-Andersen...

O Verão está a tornar-se numa estação triste. O ano passado perdemos as nossas florestas. Este ano, estamos a ficar sem os nossos mestres.


catarinia @ 14:36 | Comentários (2)

12 julho, 2004

está lá tudo

A mim falta-me uma grande dose de boa memória para poder analisar toda esta trapalhada política com o mínimo de credibilidade, pelo que me abstive de escrever o que me vai na alma em relação a um Primeiro Ministro que deixa de o ser porque foi o escolhido, do refugo, para presidente da Comissão Europeia, numa altura para ele tão conveniente; em relação a uma sucessão imposta por esse senhor que vai de saída, que permite que um outro senhor chegue ao poleiro dinasticamente, quando várias vezes foi recusado em eleições para o mesmo cargo, pelo seu partido. Pensava eu que isso era lá com eles, questões internas do partido. Mas... parece que é certo que esse senhor não só chegou à liderança do partido, como ainda vai ser o nosso Primeiro Ministro, sem ir a eleições nem nada.

A verdade é que mantive a esperança até ao fim, de que iria haver eleições. Afinal vivemos num país democrático, e se a base da democracia é deixar o povo decidir, é claro que teria de haver eleições, mesmo que na Constituição houvesse outras possibilidades. Mas parece que não.

Acho que foi o golpe de misericórdia. Se já estava desiludida, mesmo a um nível muito mais pequenino, acho que com isto deixei de acreditar na cidadania, na democracia, e em tudo o mais que acabe em “ia”. Tenho que me render às evidências e dar razão a toda a gente que sempre refutei e com quem sempre argumentei, de cada vez que me diziam “Votar??? Para quê? Não vale a pena...”

Pronto, tinham razão. Para quê perder anos de vida ocupada em construir alguma coisinha para beneficiar a sociedade? Para quê matar a cabeça e perder horas de sono, se depois não serve para nada, ninguém quer saber, ninguém dá valor? Para quê fazer 600 Km para cumprir um dever cívico? Votar??? Para quê? Não vale a pena... No fim, tudo o que é verdadeiramente importante se decide em segredo, em combinações e conspirações, mais ou menos descaradamente evidentes.

De tudo o que se disse, de tudo o que se escreveu sobre o assunto, está aqui tudo. Infelizmente, tenho que concordar. E pensar emigrar para uma verdadeira Democracia, assim que tiver possibilidade. Na sexta feira passada, acabou-se-me a esperança de poder mudar alguma coisa, estando por dentro. Vou rumar a um qualquer país civilizado.


catarinia @ 13:10 | Comentários (3)

8 julho, 2004

ena pá... tantas!!!

To drink my weight, I would have to chug


132 pints of beer!



How big is your beer belly?
Powered by the mighty Rum and Monkey.

Sei muito bem que sou pesadota, mas poça... TANTAS?!?!?
De certeza que não estão a contar com o peso dos copos...


catarinia @ 00:48 | Comentários (0)

5 julho, 2004

na terra dos sonhos

Esta noite tive um sonho, e lembro-me. Quase nunca me lembro dos meus sonhos, mas este foi daqueles que, por qualquer motivo misterioso, são interrompidos por um acordar que nos desilude e nos deixa tristes, pela absoluta consciência da realidade. Deve ser por isso que me lembro. E porque foi tão intenso, tão bom, tão quase real...

Sonhei que dormíamos os dois, juntos, mas sem nos tocarmos. Conseguia sentir o teu calor, o teu cheiro, ouvir a tua respiração, o bater do teu coração. E conseguia ver-me com um sorriso tão seguro, tão tranquilo, de uma paz imensa que só por estares ali me inspiravas.

Entretanto tocaste-me – uma festa no cabelo – e acordei. Fiquei com a impressão de estar a cair num precipício... Tremenda injustiça, uma sensação tão boa acabar assim tão de repente, e ainda por cima ser tudo mentira!

Tentei voltar a adormecer num instantinho, para retomar o sonho e voltar a sentir a paz de te ter ali comigo, bem pertinho. E quis muito que não me tocasses, não fosses voltar a acordar-me...

Contradição estranha, se é precisamente o teu toque que me faz sonhar.


catarinia @ 12:56 | Comentários (0)

espírito danoninho

Realmente, tudo tem um ciclo: a água tem um, o carbono tem um, a vida tem um; até o Euro tem um. Acabou exactamente da mesma maneira que começou, com as mesmas duas selecções no primeiro e último jogo. E a História repetiu-se: um jogo bem feínho, com um marcador diferente, mas o mesmo resultado – uma derrota de Portugal, num jogo que mais parecia de solteiros e casados.

É pena, porque fizémos um campeonato lindo – vá, excepção feita aos já referidos dois jogos – a mobilização do país foi excepcional como antes nunca visto, o apoio à selecção foi emocionante. Chegámos pela primeira vez à final de uma competição internacional, à força de jogos bonitos e sofridos, como o povo gosta.

Fizémos História. Festejámos que nem uns loucos e ficámos galvanizados, nada nos podia parar. Somos grandes. E podíamos ser enormes! Mas oh raça de espírito!!! Falta-nos sempre um bocadinho assim...


catarinia @ 02:15 | Comentários (0)

2 julho, 2004

a Lua da calmaria

Voltei agora mesmo do meu banho de Lua Quase Cheia, na praia. Amigos, um café gelado e uma cervejinha; umas partículas gasosas inebriantes. Um luar lindo; um mar calmo e o som das ondas, o som mais relaxante do mundo; os pés enfiados na areia fria e molhada, e depois de volta à areia mais quentinha.

Um peito aconchegante, um coração amigo, conversas parvas e outras sérias, muitas gargalhadas.

Esta noite é que é a sério, a Lua Mesmo Cheia. E a Cláudia, Amiguinha mais antiga, garantiu que Vénus acabou de sair de um trânsito qualquer, muito negativo para toda a gente, e que a partir de agora vamos ser todos mais felizes. Seja lá o que isto quer dizer, espero que ela tenha razão. Esta noite vou voltar para o banho de Lua Mesmo Cheia, esperando que seja pelos menos tão agradável, tão apaziguante, e que volte pelo menos tão serena.

Feliz, mesmo! Capaz de sonhar que o teu sinal acabará por chegar, e que eu vou saber esperá-lo. Serena.


catarinia @ 04:50 | Comentários (2)