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março 02, 2006

* No Solar da Rosa

O SOLAR DA ROSA

Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio

forca.bmp

Apresentador: Meus senhores e minhas senhoras, respeitável público, a todos muito boa noite. Bem vindos ao "Solar da Rosa", este mediático espaço taverno-cultural...
Um do Público: Ouve lá pá, mas esta merda é algum ritual litúrgico?...Pôrra!... Vê lá se inovas ó meu!... Deixa lá os cházinhos de circunstância e passa à acção!
Outro: Yes, é isso mesmo, cala-te lá o meu paralelipípedo rectângulo, tu e os teus discursos geométricos...
Ainda Outro: Paralelipípedo, eh,eh,eh,eh! com tanto afago no cimo do discurso ainda vira mas é pirâmide!
Plateia: Eh,eh,eh,eh,eh,eh! Vai-te embora ó iaque dos Himalaias!
Apresentador: Meus senhores por favor! Eu só estou a fazer o meu trabalho...

(Perante a gravidade da situação, na eminência de rebentar um serrabulho à moda antiga, Bábá Guimarães, que se encontrava nos bastidores a seguir a cena, decide tentar acalmar os ânimos entrando em palco)

Bábá: Calma por favor!...
Plateia: Ahauuuu!!!!
Bábá: Ó meus amigos, então? Haja civismo!... Porquê tanta agressividade contra um homem honesto que só está a exercer o seu trabalho?...
Um do Público: Ó beldade do Estoril, mas não vês que o gajo é uma melga, sempre com aquela ladaínha monocórdica de igreja? a malta passa-se pá!
Outro: Bem... se fosses tu, eh,eh,eh!...
Ainda Outro: Podia ficar aí o resto da noite que a malta não se chateava nada, eh,eh,eh!
Plateia: FICA! FICA! FICA!
Bábá: Muito obrigada pelo elogio mas quero pedir-vos um favor, posso?
Plateia: PODES!
Bábá: Agradecida. Deixem lá o senhor acabar o trabalho dele sem o interromperem ou insultarem, está bem? Prometem?
Plateia: ESTÁ! PROMETEMOS!
Um do Público: E nós podemos pedir-te uma coisa a troco?
Bábá: Depende, o que é?
O Mesmo: Mostra aí à malta a etiqueta da tua langerie interior, eh,eh,eh!
Plateia: YES! MOSTRA, MOSTRA, MOSTRA!...
Bábá: Se se portarem bem prometo que vou pensar nisso.
Plateia: PROMETEMOS!!!
Bábá: Então vou pensar. Até lá deixem correr normalmente o espectáculo sem arranjarem confusões.
Plateia: DEIXAMOS!!!

(Sai a Bábá debaixo de uma salva de palmas enorme, bocas, galanteios e assobios de bicho-homem. Volta a entrar o apresentador)

Apresentador: Os meus agradecimentos à Bábá e à vossa "compreensão". "The show must gon"; passo a apresentar o primeiro artista da noite. Para gáudio desta maravilhosa plateia, senhores e senhoras, na minha e na vossa presença: Jorge Sampaio!

Jorge Sampaio: Muito obrigado a todos pá, pela vossa gentileza pá, estou até muito comovido pá...
Um do Público: Não vais começar a chorar pois não pá?
Jorge Sampaio: Já estou a lacrimejar...
Outro: Epá, não chore aqui. Tome lá um lencinho para se assoar e limpar o cloreto de sódio.
Jorge Sampaio: Obrigado pá, é a comoção pá, eu sou um tipo muito sensível pá...
Plateia: NÓS SABEMOS!
Jorge Sampaio: Ai sabem?!...
O do Lenço: Sabemos, mas dá cá o lencinho e não te faças esquecido.
Outro: Estes artistas são todos iguais, distraímo-nos e metem o que é nosso ao bolso, eh,eh,eh!
Jorge Sampaio: Bem... então vou cantar hoje pá um fado especial que encomendei a quem percebe da poda pá, de modo a marcar o meu adeus aos palcos pá. Consultei o Zecatelhado pá e o gajo pá disse-me pá que era giro pá, misturar dois temas que foram sucesso pá, o "dez anos" do Paulo de Carvalho pá, e o "tenho uma lágrima" do Bonga pá. Como ambos se prestam ao ritmo fadista pá, eu gostei pá, experimentei pá, e gostei pá. Com o acompanhamento do pessoal da casa pá, à guitarra o Avô Almeida, à viola o Tio Jerónimo, no baixo o Minorca Mendes e no baixo mais que baixo a Anã Droga pá, cá vai pá.

(gemem os instrumentos e Sampaio abre)

Dez anos, é muito tempo
muitos dias e horas a bocejar
dez anos, é muito tempo
vou-me embora porque estou quase a chorar

Tenho uma lágrima no canto do olho }Bis

Distribuí medalhas a rodos
comendas, serviços distintos até mais não
mas o que eu queria era dar uma a todos
mas o nabo do medalheiro não dava vazão

Tenho uma lágrima no canto do olho }Bis

Dez anos, é muito tempo
muitos dias e horas sem fazer nada
dez anos, é muito tempo
o Cavaco que aguente a xaropada!

Tenho uma lágrima no canto do olho }Bis

Plateia: Bravo! Ah, fadista! Boca linda!...
Jorge Sampaio: Obrigado a todos pá, e até um dia destes pá que até lá pá tenho muito que fazer pá!

(Sai de cena sob uma enorme ovação e entra a Bábá)

Bábá: Muito bem, estou muito contente, portaram-se lindamente...
Um do Público: E então a etiqueta?
Bábá: Calma! Agor vamos à segunda parte do espectáculo. À imagem do final do concurso televisivo "A Herança", vamos nós fazer aqui o nosso. Eu darei as cinco palavras chave e os nossos convidados vão ter que adivinhar. E os nossos convidados são: Pedrinho Santana, Paulinho Portas e o meu rico maridinho Manel Maria....
(Público aplaude a entrada dos concorrentes)
...Ora bem, o Paulinho vai para a direita, o Pedrinho para o centro e o meu Manel para a esquerda. Preparados?
Trio: Preparados!
Bábá: CALOR, SUOR, DOR DE CABEÇA, COMPRIMIDO, MARGARINA VAQUEIRO....
...E o primeiro a entregar a resposta foi o Paulinho. O que é que aqui está escrito?... CATHERINE DENEUVE?! Explique lá porquê.
Paulinho: Então é assim:
Calor: Era o que eu sentia ao enfiar a cabeleira para ir ao Parque.
Suor: Era o que acontecia ao fim de cinco minutos de a ter enfiada.
Dor de Cabeça: Sempre que avistava um carro da bófia nas redondezas.
Comprimido: A única coisa que me fazia passar a dor de cabeça.
Margarina Vaqueiro: Besuntava o elástico da cabeleira com ela porque me evitava a alergia.
Plateia: Ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah!
Bábá: Tudo isso pode ter muita lógica mas não é a resposta certa.
Concorrente seguinte, Pedrinho.
Pedrinho Sexo!
Bábá: Como?!
Pedrinho Sexo, minha linda!
Plateia:Uauhhhhhuuuu!!!!!
Bábá: Justifique então.
Pedrinho O.K. então aí vai:
Calor: É o que sinto quando olho para as tuas pernas.
Suor: É o que acontece quando olho para o teu decote.
Dor de cabeça: Convencer-te a fazer coisas malucas comigo.
Margarina Vaqueiro: Lembras-te do "O Último Tango em Paris"?
Comprimido: Tem que ser porque detesto preservativos.
Plateia: Ah, Tigre, eh,eh,eh,eh,eh!
Bábá: Porco, mal-educado, boçal... ó Manel e tu não dizes nada a este D. Juan do Tirol?
Manel Maria: Ai digo digo minha querida: Ouça lá ó seu parvalhão, fique desde já sabendo que não o vou cumprimentar à saída, ore tome!
Pedrinho: E eu ralado!... Ó meu manjerico, eu não gosto de homens, estou-me lá a borrifar para isso!
Paulinho: Homens?!...alguém falou em gostar de homens?!...
Bábá: Foi o menino Pedrinho.
Paulinho: O Pedrinho?...mas,... ó Pedrinho, tu nunca me tinhas dito nada...
Pedrinho: Cala-te lá ó meu submarino a carvão de pedra...
Paulinho: Sub...EU?!...
Manel Maria: O senhor é um bruto, senhor Pedrinho!...
Pedrinho: Cala-te também ó meu periquito da Papuásia!... E dá Deus nozes a quem não tem dentes, tchhhh!!!!...
Manel Maria: Não tenho dentes?! (abre a boca) Tenho trinta e dois, olhe aqui, dezasseis em cime e dezasseis em baixo, seu, seu... caluniador!
Bábá: ´ÓH!... mas que criatura mais ordinária... Óh!!!! ( desmaia e cai redonda no chão como uma tábua de solho, subindo-lhe o vestido até à cintura na queda)
Plateia: A ETIQUETA! A ETIQUETA!!!!

(Correm em tropel direitos ao palco para ver de perto a cena. Pedrinho, que estava mais próximo da Bábá, ajoelha junto a ela e tenta reanimá-la com respiração boca a boca. Vendo isto, Manel Maria enfia-lhe o palanque de casquinha pela cabeça abaixo e engalfinham-se os dois. Paulinho foge a gritar por socorro porta-fora. Chega a polícia de choque e arreia à moda antiga em tudo que seja cabelo e mexa. Como sempre, o apresentador e os músicos escondem-se atrás das bambolinas. Entra o INEM e leva a Bábá)

Apresentador: Já podemos sair, não há ninguém.
Avô Almeida: Desta vez a culpa não foi do público, que até se estava a portar muito bem desde que a Bábá fez uso do diálogo. Eu sempre disse que o diálogo...
Tio Jerónimo: Está bem avôzinho, a culpa foi dos políticos da direita trauliteira. Eu sempre disse que a direita...
Minorca Mendes: Cale-se lá o Tio Jerónimo e cuspa lá a cassete que estamos na hera dos D.V.D. ...
Anã Droga: Desta vez concordo com o Minorca Mendes. Como eu há muito afirmo, a cassete estalinista devia estar é no museu das antiguidades...
Apresentador: Calem-se é vocês todos que já não aguento tanto disparate junto.
Músicos: O.K., O.K., não bata mais que de pancada já bem basta o que bastou.
Anã Droga: Mas afinal... quem é que ganhou?
Apresentador: Ninguém!
Minorca Mendes: Mas então?!...
Apresentador: Então o quê?
Tio Jerónimo: Mas você sabia a resposta?!
Apresentador: Pois claro que sabia, foi a Bábá quem ma segredou antes do espectáculo.
Avô Almeida: Qual era, qual era?
Apresentador: GRIPE!
Tio Jerónimo: Gripe?!... gripe das aves?
Apresentador: Qual gripe das aves, você é que me parece uma boa ave... e das raras!... GRIPE!
Anã Droga: Pronto, está bem... mas?!...
Apresentador: O que é que foi?
Anã Droga: Não entendo uma coisa: Todas menos uma têm a ver directamente com a gripe, concordo, mas há uma que, confesso não estar a ver...
Apresentador: Qual?
Anã Droga: O Calor, o Suor, o Comprimido e a Dor de Cabeça... muito bem mas...???!!! A Margarina Vaqueiro onde é que entra nesta história?!
Apresentador: Não entra.
Anã Droga: Não entra?!... Não estou a perceber... então se não entra porque é que lá está?!
Apresentador: A Margarina Vaqueiro era só para despistar!


Publicado por Zé do Telhado às março 2, 2006 11:00 AM

Comentários

Bom! Este programa está fenomenal! Vai ter casa cheia, pela certa!
Um abraço,

Publicado por: Dad em março 2, 2006 10:10 AM

Companheiro Zeca

Despistei-me na margarina...estava a pensar num qualquer H5n...
"Dá-lhe mais ! Anda Pacheco..." grito eu da platei. Vai-te embora periquito. Fora com a bófia!
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Sempre oportuno. Nos anteriores destaco : Angola.
É gritante a forma despudurada como se desenrola a situação.
Revoltante.
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Um abração

Publicado por: Luis Manuel em março 2, 2006 05:56 PM

Divertido e oportuno, como sempre. Não deixas passar uma, amigo! :)
Beijos

Publicado por: lique em março 2, 2006 06:22 PM

Não vou perder este espectáculo :p

Beijinhos

Publicado por: Nina em março 2, 2006 08:49 PM

Não sei porquê, gostei desta palavra: topete.
"É preciso ter topete" exclamou mais um candidato a dono da democracia.
Topete.
Épá! ganda topete que ali vai...
olha, vai pró topete que te carregue!
Ó chefe: era um topete fresquinho fáxavôr.
Não sei porquê, cai bem em todo o sítio.
O que seria da nossa cultura e da nossa educação se não fossem os nossos políticos a de-vez-em-quando mandarem umas bojardas destas para basbaque ver na têvê.

Ora gaitas!...

Publicado por: Periscópio em março 2, 2006 09:30 PM

Brilhantes estas histórias do solar. Ri que me fartei com as tuas sátiras:) beijos

Publicado por: wind em março 3, 2006 02:44 AM

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