1 de setembro, 2006

Mudmos de instalaes

Fartei-me do MT. O Wordpress é mais funky. Estou agora aqui (e o feed de RSS, aqui)

18 de maio, 2006

Amigos

“Não tenho amigos”

S momentos depois de o ter dito é que me apercebo da expressão meio triste, meio intrigada com que ela me olha. Dou-me conta que não quero que ela me veja como se eu fosse uma daquelas pessoas sobre as quais ela lê ou que aparecem em filmes independentes neo-zelandeses que ganham imensos prémios em festivais.

Normalmente estaria-me-ia nas tintas; as conversas que tenho tido nos ltimos anos não têm nunca seguido um caminho em que a frase “não tenho amigos” possa ser um dos seus passos plausveis. Alis as conversas que tenho tido não têm tido passos sequer. Plausveis ou não.

Mas esta conversa não estava a ser como as outras e eu não me queria deixar catalogar com uma frase tão bvia. Ou tão oca.

“Tenho amizades, amigos não. Não cultivo amigos é s isso”. Sorri. E arrependi-me logo de seguida.

Conhecemo-nos h menos de uma hora. Estvamos os dois na livraria a folhear a mesma revista, na mesma pgina e rimos ao mesmo tempo da mesma parvoce.

Da até estarmos sentados à mesa de um café não foi s um passo, mas sim uma série de passinhos que ela me obrigou a caminhar. Uma coisa é olhar e sorrir para o outro ao mesmo tempo e deixar a coisa por a, outra é perguntar-me “o que é que eu acho” do autor do artigo.

“O que é que eu acho?” pensei. “Como assim, o que é que eu acho? Acho um monte de coisas, e então?”

Respondi-lhe: “gosto muito”. Sorri. E arrependi-me logo de seguida. Raisparta, j sento a enciclopédia a borbulhar dentro de mim e mais minuto menos minuto vou começar a debitar toda a trivia de que me consigo lembrar sobre o Vonnegut e não vou conseguir parar. Merda. J est.

Ela olha-me com um sorriso que tanto pode ser assustado, desconfiado, condescendente ou maravilhado. Excluo logo maravilhado. Decido parar de falar. Pode ser que ela pare de sorrir.

Não s não pra como diz: “Est muito ocupado agora? Isto não é nada o meu género, mas gostava mesmo de continuar esta conversa sentada. Chamo-me Teresa, j agora.” Eu digo que não, que não estou nada ocupado. Ainda me passa pela cabeça perguntar-lhe quem é que poderia estar muito ocupado a ler revistas numa livraria, mas evito a tempo. Ela continua a sorrir, à espera que eu diga mais qualquer coisa, mas não me sai nada.

“Vamos então?” Faço um gesto largo com a mão, como quem a convida a ir à frente, inclinando ligeiramente a cabeça, bem-educado mas não subserviente.

Vi isso num filme antigo com o Burt Lancaster a fazer de nobre italiano e como achei muito chique, passei a copiar. Isso e o hbito que o Benny tinha de sincronizar o aperto de mão com uma ligeira inflexão da cabeça para a frente. Vi-o a fazer o gesto anos e anos e poderia jurar que quase se ouvia o bater dos tacões dos sapatos. Ele diz sempre “entzückt” e não “servus” ou “grüßgott” como seria de esperar de um vienense da nossa idade quando é apresentado a alguém. Pensando bem na idade, ele é a nica pessoa que eu conheço que beija, muito sério, a mão das raparigas, mas para isso j me falta a lata. Comecei demasiado tarde.

Ela pergunta-me se conheço algum stio perto que não seja uma pastelaria barulhenta. Claro que logo à noite, quando estiver em casa vou-me lembrar de vinte stios maravilhosos para se estar e conversar, mas isso é logo à noite. Neste preciso instante não me lembro de nenhum, a não ser pastelarias barulhentas. “Este não é bem o meu bairro” desculpo-me, “assim de repente...” Olho para o tecto da livraria e reparo pela primeira vez nas esculturas de querubins em talha de madeira. Os querubins não ajudam. A bem dizer até parecem ter percebido o enorme vazio que vai na minha cabeça e o quanto isso os diverte.

“Ah! Mas sei eu de um stio ideal” diz a rapariga e com isto põe-se a andar. Não sei bem se devo segui-la, mas na dvida vou atrs dela. Sem parar, volta-se para trs e sorri outra vez como quem est a jogar a qualquer coisa. Vai num passo decidido que eu acompanho como se o tivesse feito desde sempre. Lanço um “pfff” superior aos querubins.

Saimos da livraria e logo aps duas esquinas entramos numa casa de ch. Do lado de fora parece uma padaria do século dezanove, mas na montra diz de facto “Casa de Ch”. L dentro não est ninguém a não ser o empregado por detrs do balcão que regista a nossa entrada com o esboço de um “boa tarde” ligeiramente murmurado.

Não trocmos uma palavra desde a livraria. Sentamo-nos. Ela coloca uma pilha de livros em que eu não tinha ainda reparado em cima da mesa, mas com os ttulos das lombadas de pernas para o ar. A nica coisa que me ocorre é que vai ser dficil tentar ler o ttulo dos livros discretamente e falar ao mesmo tempo. Este género de problema pode consumir partes substanciais de alguns dos meus dia e hoje é um desses dias.

H qualquer coisa de familiar aqui. Assim que me sentei ainda achei que pudessem ser os tampos de mrmore redondos das mesas mas agora j não tenho a certeza. Se calhar é a acstica, meio abafada pelas cortinas de veludo nas janelas. Ou então é o cheiro a marzipan e a ch preto. Quase me espanto quando o empregado se aproxima da mesa e nos pergunta, não em alemão, mas em português o que é que queremos tomar.

Ela pede um ch de erva-prncipe e eu uma gua mineral.

A Teresa fala numa torrente de palavras que não jorram, brotam literalmente da palavra anterior. um fluxo constante e melodioso e eu não estou a apanhar metade. O Benny diria que eu estou perdido nos olhos dela, mas o Benny sempre largou estas banalidades no ar como se estivesse à espera que o prprio Shakespeare aparecesse nesse instante para lhe perguntar se podia usar isso na sua prxima peça.

Não, o que me fascina é a voz. segura, colocada e com uma amplitude que faz lembrar uma variação de Goldberg. Sempre as mesmas três notas, mas com que abundância de combinações. E est habituada a conversas, nota-se pelas pausas intuitivas que ela faz para fazer com que eu v dizendo qualquer coisa.
E eu vou dizendo. Sempre em discussão acesa comigo mesmo, reprovando a facilidade com que me entrego a um debate cujo pico creio conseguir adivinhar.

Dela j sei que é mais nova do que eu (não muito), que é divorciada (muito) e que “vai fazendo uns negcios” (muito poucos), eufemismo que me leva o seu tempo a traduzir em “ tenho dinheiro na famlia, faço negcios para não me aborrecer”. bonita, quero dizer tem as medidas certas, a roupa certa e o sorriso just-like-so. Não custa perceber que deve fazer sucesso sem se esforçar, se bem que não pareça preocupada com isso. Nem com fazer sucesso nem com esforçar-se.

Noutra altura ter-me-ia apaixonado por ela antes dela sequer pegar na revista. Hoje estou ainda a decidir se estou ou não zangado por me ter deixado arrastar para um stio onde não tenho pé.

Por enquanto vou nadando.

A Teresa diz que “Isso não pode ser. Se não tens amigos, est na altura de arranjar uns. Nem que sejam os meus”.

Ainda me pergunto se vale a pena explicar-lhe exactamente o que é que eu queria dizer com isso dos amigos, mas desisto. Ela vai querer ter mais da minha vida, eu sei, e não vou conseguir convencê-la agora de que algures no futuro lhe vou decepcionar uma expectativa qualquer que ela est laboriosamente a construir neste preciso momento.

A nica coisa a fazer é tentar que ela perceba j a amplitude das suas futuras desilusões. Assim, sou uma pessoa sem amigos, pronto. Isto para j.

No

Esta vida não é minha.

Não sei como é que vim aqui parar e não consigo encontrar a sada. Esta vida é a vida de uma pessoa que eu não conheço de lado nenhum e que me pôs isto nas mãos e que nem sequer tira alvio disso.

Vamos ter que falar disto. Vou devolver-lhe a encomenda.

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20 de abril, 2006

Assim

no medo de não sermos diferentes que somos todos iguais

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18 de março, 2006

Inaction

We have to find courage, overcome
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Greed

Wether Halliburton, Enron or anyone
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Wether inflation or globalisation
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