outubro 01, 2009

GUILHERMINA SUGGIA em "PADRE LUÍS RODRIGUES: UMA VIDA DE PRECE MELODIOSA" por ARMANDO PINTO - 2004

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Guilhermina Suggia, figura ímpar e executante musical muito conhecida internacionalmente, teve apoio espiritual do Padre Luís em vida, como nos últimos momentos e na morte: “…depois dos maiores triunfos nas grandes cidades e cortes da Europa, de Lisboa a S. Petersburgo – morreu, segundo desejo que manifestara, nos derradeiros dias, ao Padre Luís Rodrigues… E, pelas onze horas da noite de 30 de Julho, o Padre Luís Rodrigues, seu confessor, a quem a doente pedira que não a abandonasse na hora extrema, ajoelhado à beira da sua cama, rezava-lhe as orações dos moribundos que ela atentamente seguia, no supremo esforço de deixar a terra e entrar, purificada, na Eternidade. No quarto, como testemunhas mudas da tragédia sublime da libertação daquela alma, apenas Mrs Melville, que chegara de Londres nesse mesmo dia, chamada por um telegrama da doente (mais a criada amiga Clarinda, segundo outro testemunho) e a enfermeira inglesa, de joelhos também, subjugada pela grandeza do quadro que tinha diante dos olhos. E mal o sacerdote acabou de recitar as orações, Guilhermina Suggia expirou serenamente, entregando a alma a Deus que a fizera nascer Artista e seguir no mundo da música uma trajectória de luz….”

Numa autêntica afinidade da Igreja com a Música, a relação de confidente, amigo e confessor do Padre Luís com Suggia, levou a que, conforme desejo de Guilhermina, o funeral da grande violoncelista saísse precisamente da igreja da Lapa, com o respectivo levantamento de encomendação a ser feito pelo Reitor Padre Luís Rodrigues. Facto saliente por ser ali, e não em Matosinhos, onde expirara (*), nem sequer noutro local mais próximo do cemitério onde iria repousar, tendo o féretro seguido para o cemitério de Agramonte (particularmente referido nos mais diversos meios, sendo nele que também está o mausoléu do Futebol Clube do Porto) … “Isto testemunhou num discurso que fez, num concerto em sua homenagem a 25 de Novembro de 1950, o Prof. Dr. Hernâni Monteiro da Faculdade de Medicina do Porto.”

(do livro:”Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa”, por Armando Pinto - 2004

(*) Guilhermina Suggia morreu na sua casa do Porto, na Rua da Alegria, 665, onde vivia desde 1927.

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maio 20, 2009

CLUBE LITERÁRIO DO PORTO - "POESIA DE CHOQUE /POESIA A RASGAR" - 3ªs QUINTAS-FEIRAS DE CADA MÊS - 21,30H

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As já bem conhecidas noites de Poesia de Choque no Clube Literário do Porto passam, a partir de Maio, a realizar-se nas terceiras quintas de cada mês, como sempre, às 21h30 no Piano Bar do CLP.

Esta Quinta-Feira, dia 21 de Maio, António Pedro Ribeiro e Luís Carvalho enchem as paredes desta casa com os poetas que incomodam, com os versos mais contestatários, com a poesia que se escreve a gritar. A música vai estar a cargo de Carlos Andrade.

Da performance dos dois autores, e também eles jovens poetas, fazem parte os textos de nomes como Afonso Duarte, Afonso Romano de Sant'Anna, Al Berto, Alexandre O'Neill, Álvaro de Campos, Amalia Bautista, Ana Hatherly, Antonin Artuat, António Gedeão, Ary dos Santos, Carlos Drumond de Andrade, Adolfo Casais Monteiro, Charles Bukowski, Daniel Jonas, Edgar Allan Poe, Egito Gonçalves, Guerra Junqueiro, Herberto Hélder, João Habitualmente, Joaquim Pessoa, Jorge de Sousa Braga, Levi Condinho, Luís Beirão, Manuel Alegre, Manuel de Freitas, Mário Cesariny, Mário de Sá-Carneiro, Mário Dionísio, Pablo Neruda, Papiniano Carlos, Reinaldo Ferreira, Ronald de Carvalho, Sebastão Alba, Sebastião da Gama, Sérgio Godinho, entre outros, é claro...

Não há que enganar. Nas terceiras Quintas de cada mês, a poesia é a rasgar!


ENTRADA LIVRE

Clube Literário do Porto

Rua Nova da Alfândega, n.º 22
4050-430 Porto
T. 222 089 228
Fax. 222 089 230
Email: clubeliterario@fla.pt
URL: www.clubeliterariodoporto.co.pt
BLOGUE: http//www.clubeliterariodoporto.blogspot.com


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julho 06, 2007

Sintra: Exposição de quadros de ALFREDO KEIL, há cem anos no sótão de um bisneto - "ALFREDO KEIL EM SINTRA - 100 ANOS DEPOIS"

Sintra, 06 Jul (Lusa) - Uma exposição de pintura de Alfredo Keil, também autor da música do hino Nacional, foi hoje inaugurada em Sintra, tendo um bisneto revelado que algumas das obras expostas "estavam há cem anos no sótão" da sua casa.

Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra, inaugurou a mostra em Colares que assinala o centenário da morte de Alfredo Keil.

A exposição de pintura "Alfredo Keil em Sintra - 100 anos depois" tem como principal objectivo "assinalar o centenário da morte daquele que, segundo Ana Xavier, responsável pela exposição, "é um protótipo do Homem do século XIX".

Alfredo Keil (1850 - 1907), alem de compositor, é também reconhecido por uma multifacetada actividade artística, desde a escrita até à fotografia, passando pela pintura e o coleccionismo.

Esta iniciativa procura associar a sua memória à região, que ele fixou, nas suas telas, desde a Volta do Duche em Sintra, ao Cabo da Roca, passando pelas arribas da Praia Grande e Praia das Maçãs, ou pelas Azenhas do Mar.

"Alfredo Keil está ligado a Sintra, tinha casa na Vila Guida, na Praia das Maçãs, zona que ele gostava muito, e que está retratada nos seus quadros", disse Ana Xavier.

Fernando Seara, presidente da Câmara Municipal de Sintra, disse à agência Lusa que se "conseguiu juntar nesta cerimónia as duas famílias da Portuguesa", referindo-se à presença dos bisnetos dos dois autores do Hino Nacional, Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça, autor da letra.

Para Francisco Keil Amaral "é uma honra ver esta exposição".

"Algumas das coisas que aqui estão expostas estavam há cem anos no sótão da minha casa. Depois da exposição, irão para o Museu que a Cidade de Torres Novas está a criar", acrescentou o bisneto do compositor.

Já Pedro Lopes Mendonça, bisneto do autor da letra do Hino Nacional, referiu que é "com orgulho" que assiste a esta exposição, onde se enquadra a Portuguesa, que "dada a insatisfação da população com o regime monárquico, marcou o seu fim".

Várias entidades cederam temporariamente alguns quadros à exposição, desde "o Museu da Presidência, o Ministério das Finanças, a Câmara Municipal de Santarém, a própria família Keil, e vários particulares", enumerou Ana Xavier.

A Adega Visconde Salreu, em Colares, acolhe a iniciativa até 7 de Outubro.

JR.

Lusa/Fim

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maio 21, 2007

RAYA GARBOUSOVA ESCREVE A GUILHERMINA SUGGIA PARA RECEBER LIÇÕES SUAS

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55, Bvrd Murat
Paris, 17 de Outubro de 1927

Cara Senhora,

Escrevi-lhe há algum tempo para o Porto, mas não tendo recebido resposta, permito-me incomodá-la mais uma vez.

Poderei lembrar-lhe a sua promessa de me dar um pouco do seu tempo, em Londres, em Fevereiro?
Seria muito importante saber as suas condições e eu ficar-lhe-ia muito reconhecida se me escrevesse a dizer-mas.

A minha irmã envia-lhe as melhores lembranças.
Queira aceitar, cara senhora, a expressão dos meus melhores cumprimentos.

Raya Garbousova
(do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de SEmpre" de Fátima Pombo)

Raya Garbousova was born in Tiflis in Russia in 1909, where her father was principal trumpet in the Tiflis Symphony Orchestra, and a conservatory professor. She began piano lessons at age four, but later insisted on changing over to the cello. Her first teacher was Konstantin Miniar, a pupil of Davidov. She debuted in Tiflis shortly thereafter, and was immediately praised for her wonderful tone and musicality.

In 1924, at the age of 15, Raya performed in Moscow and Leningrad, performing the Rococo Variations, and was favorably compared to the more mature artist, Emanuel Feuermann (who later became a close friend.) She also played chamber music with Nathan Milstein and Vladimir Horowitz.
In 1925 she went to Leipzig, intending to study cello with Klengel. Klengel interviewed her for three hours, listening to her play etudes and concertos, and proclaimed that she could not be his student because she already knew everything. Later, she studied with Hugo Becker and Casals. Casals urged her to study with Diran Alexanian, who became a tremendous influence in her cello technique and musicianship.
Garbousova knew all the great musicians and composers of the twentieth century, and was responsible for many first performances, including the Martinu Third Sonata, Prokofiev Sonata and the Barber Concerto, which was commissioned and written for her. She played chamber music with Albert Einstein, whom she liked very much, but whom, she said, always played a little bit out of tune.
Raya Garbousova died Tuesday January 28, 1997 in DeKalb, IL, where she had lived and taught at the University of Northern Illinois. A memorial service was held at NIU on April 12, 1997. Internationally renowned cellist Laszlo Varga (of the Borodin Trio and University of Houston Moores School of Music and former Principle cellist of the NY Philharmonic Orchestra conducted an ensemble of 22 cellists. One work performed was the Hommage to Raya, by Gunther Schuller, which was commissioned and premiered in Tempe at the 1990 Cello Congress.

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maio 11, 2007

ANTÓNIA BUTLER - ALUNA DE GUILHERMINA SUGGIA

I was very fortunate to receive the Suggia Scolarship at my graduation from the RAM in London and then studied with Paul Tortelier in Paris and in Pablo Casals’ masterclasses in Zermatt, Switzerland. Antonia Butler, who had lessons from Guilhermina Suggia, also gave me a few lessons earlier on, so I am aware that there are many links with her.
(London, 17th September 2005- PENELOPE LYNEX-1958 LONDON GUILHERMINA SUGGIA AWARD

Antonia Butler's parents were music lovers, though amateurs. Her father played violin, and her mother was an accomplished pianist. The musical d'Aranyi sisters (Hungarians who were great nieces of the great violinist Joseph Joachim) would visit their home to play chamber music and rehearse concerto performances with Antonia's mother accompanying at the keyboard.

Antonia came to the cello relatively late, at the age of ten. The d'Aranyi family's influence got her an audition with the great teacher Julus Klengel of the Leipzig Conservatory, where she stayed for four years. She then went to the Ecole Normal in Paris to study with Alexanian, who taught her for three years. She considered the years of study with Alexanian to be the most important.

Butler started playing professionally in the 1930s, and started getting concert dates as a result from a successful Wigmore Hall debut. Nevertheless, she had doubts about the solidity of her bowing technique, and went for some touch up lessons with Juliette Alvin, a great French cellist known for her seemingly effortless bow arm. Alvin taught her bowing on open strings using the Kreutzer violin studies while Butler was able to continue her concert career.

Thus, when she was asked at short notice to replace Thelma Reiss in Haydn's "D Major Concerto" at the important "Proms" Concerts in London, she was well prepared, and always gave Juliette Alvin the credit.

She was engaged to play the same concerto in the Three Choirs Festival of 1939. But this was cancelled when war broke out. One memorable occasion, she was playing the Brahms Double Concerto in August, 1949 with violinist Arthur Catterall at a Proms in Queens Hall. The air-raid siren sounded halfway through the concert. This meant that the audience could not go into the streets, so the musicians continued to entertain them throughout the night, playing such things as a two-cello arrangement of a Handel violin sonata, and an impromptu performance of Schumann's Piano Quintet. The all clear was not sounded until early in the morning.

When Dame Myra Hess organized the lunchtime concert series at the National Gallery (from which all the pictures had been removed for the duration of the war), Butler became an enthusiastic regular. These free concerts were immensely popular morale-builders, and were attended by people who had never heard classical music before.

In 1941 she married pianist Norman Greenwood, and frequently toured with him. She was known for her interpretation of British music. In the 1960s she started teaching regularly at the Royal College of Music, the Birmingham School of Music, and the Menuhin School, slowing withdrawing from concert life. She became known as one of the finest cello teachers in Great Britain. Joseph Stevenson, All Music Guide

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novembro 04, 2004

VIAGEM À AMÉRICA

Guilhermina sabe que familiarmente não tem ninguém, embora confie em Clarinda e num punhado de amigos. A possibilidade de tocar nos E. U.A. não se dissipa, contudo, dos seus interesses.


Metropolitan Opera Assocíation, Inc.
Metropolitan Opera House - New York, 18 N. Y.
23 de Fevereiro de 1950


Cara Senhora Suggia,

Fiquei muito feliz por ter notícias suas e contentíssimo pela sua vinda à América.
Penso que não vivo aqui há tempo suficiente para lhe dar conselhos realmente úteis. Por outro lado, durante os três ou quatro meses que já aqui passei, tenho trabalhado exclusivamente em assuntos de ópera, não estando portanto bem familiarizado com as condições dos concertos. Contudo, o Sr. André Mertens, Více-Presidente da Corporação de Concertos da Columbia, é um velho amigo meu e enviei-lbe a sua carta com o pedido de a aconselhar. Estou certo de que o Sr. Mertens lhe escreverá e penso que na sua ida à Europa, dentro em breve, se poderia pensar num encontro. Pode confiar completamente nele, um alto executivo de uma das organizações de concertos mais prestigiadas do país.
Com os melhores cumprimentos,
De Vossa Excelência
Atentamente
Rudolf Bing


Mas a viagem à América jamais se realizará, porque a doença de Guilhermina é impiedosa.
«- É a primeira vez que tenho de cancelar uma 'tournée», afirma ela com tristeza.

Do livro”GUILHERMINA SUGGIA - A Sonata de Sempre” de Fátima Pombo

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abril 25, 2004

JOHN BARBIROLLI e "HIS MASTER'S VOICE

Em 1927 Barbirolli foi “descoberto” uma segunda vez, desta feita pelo legendário empresário da HMV, Fred Graisberg; este andava à procura de alguém que fosse capaz de ser maestro para as gravações de Árias de Ópera, canções e concertos. A sua intuição disse-lhe que tinha encontrado o homem certo apesar de Barbirolli só estar a dirigir orquestras profissionalmente há cerca de 3 anos. Nos meses seguintes, com Gaisberg ao seu lado, o jovem maestro aprendeu as técnicas do mercado das gravações enquanto dirigia cantores como Gigli, Chaliapin, Leider, Schorr e Schumann. Rapidamente também o seu nome constava das etiquetas das gravações de concertos, lado a lado com os grandes instrumentalistas da época: Schnabel, Fischer, Backhaus, Cortot, Rubinstein, Kreisler, Elman, SUGGIA, Piatigorsky e Casals.


Por Lyndon Jenkins

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abril 20, 2004

GUILHERMINA SUGGIA E A INGLATERRA

«Toquei em todos os palácios reais e presidenciais da Europa, na presença de Chefes de Estado e dos vultos mais destacados da vida política, social e artística do Velho Mundo. Viajei muito, enamorada sempre do contacto com as variadas paisagens e com usos e costumes diferentes. Não gostei nunca da monotonia. Por toda a parte fui vitoriada e de todos guardei sempre uma grata recordação - através da Espanha, da França, da Alemanha, da Áustria, da Rússia, da Inglaterra, da Bélgica, da Holanda, da Dinamarca, da Escandinávia, da Itália, da Suíça, da Checoslováquia, da Turquia e dessa Polónia martirizada e heróica, onde a Música encontrou sempre um ambiente de mística adoração... Fiquei, porém, cativa da aliciante hospitalidade britânica.

Posso mesmo afirmar que quási não conheço os hotéis de Londres, de tal modo sou ali solicitada por distintas famílias que me honraram sempre com a mais sincera amizade. Frequentei, como artista, a corte imperial inglesa - desde os venturosos tempos de Eduardo VII. A actual rainha, quando era apenas duquesa de York, não se esqueceu nunca de me convidar para tomar parte, como concertista, nas grandiosas festas de beneficência que ela mesma organizava a favor dos hospitais londrinos. De tudo isso ficaram sempre no meu espírito as mais enternecidas recordações - todo o mundo espiritual da minha comovida saudade. Convivi, então, com as individualidades de mais elevado prestígio do Reino Unido: nobres, titulares, estadistas, médicos e cirurgiões de categorizado renome, pintores, escultores e literatos. E - por uma singular coincidência - quási não convivi, em Inglaterra, com artistas musicais.»

do livro"GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

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abril 04, 2004

SUGGIA, FERRO e SALAZAR

Finda a guerra de Espanha, Franco substituiu, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, Serrano Suner, que era seu cunhado, pelo general Jordana. Este era amigo dos portugueses. Por isso Salazar determinou que, na visita que Jordana vinha fazer a Portugal, fosse aqui recebido o melhor possível. Entre as festas que se preparavam, além dos banquetes, recepções, tourada à antiga portuguesa, etc., organizou António Ferro em S. Carlos um breve recital de violoncelo com Guilhermina Suggia...

Um dia, o Ferro apareceu a Salazar muito embaraçado:
- Temos um problema com a Guilhermina Suggia. Ela pede um cachet de sessenta contos pela sua participação. Que é quanto lhe pagam em Londres e não quer baixar o preço dos seus recitais...
Salazar ponderou:
- Realmente, sessenta contos por tocar durante meia hora, é muito...
E de repente, fitando o Secretário da Informação:
- Olhe lá, o senhor sabe tocar rabeca?
Ferro, surpreendido, gaguejou:
- Não, não sei.
- Eu também não. Não há outro remédio: temos de pagar os sessenta contos à senhora.

Os sessenta contos foram depois dados pela artista a casas de caridade. Simplesmente, não descia seu cachet.

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março 11, 2004

O noivado anunciado com Edward Hudson

Daily Chronicle

Dama Violoncelista terá um castelo numa ilha.

A música comprovou ter um papel casamenteiro no noivado, anunciado ontem, da famosa violoncelista Mlle. Guilhermina Suggia e Mr. Edward Hudson, de Queen Anne's-Gate. director da firma de impressão Hudson & Kearns.
Mr. Hudson é um entusiástico amante da música, e uma figura familiar nos concertos, enquanto que a sua futura noiva é, talvez, a mais encantadora das violoncelistas vivas. Portuguesa de nascimento, possui uma grande reputação tanto no continente como neste país.
De aparência bastante atraente, possuidora de um tipo de beleza meridional, Mlle. Suggia sempre chamou a atenção tanto pela intensidade poética e emocional da sua interpretação como pela técnica perfeita, e os amantes da música desejam que o seu casamento não signifique o afastamento da sua carreira.

Mr. Edward Hudson é dono de uma romântica residência, o Castelo Lindisfarne, na liha Holy, ao largo da costa de Northumberland. Datando originalmente do início do século XVI, o castelo possui associações históricas com a Guerra Civil e com o Príncipe Carlos Eduardo, o Pretendente.


Sem referência no jornal
Violoncelista tornar-se-á senhora de um castelo ilhéu
«É hoje anunciado o noivado de Mr. Edward Hudson, de Queen Anne's Gate e Castelo Lindisfarne, Northumberland, e Mme. Guilhermina Suggia.
Mme. Suggia, que é uma violoncelista notável, e uma grande favorita dos palcos, tem sido ouvida num certo número de concertos em Londres durante os últimos anos. É Portuguesa e uma mulher extremamente bonita.
Conheceu Mr. Hudson, que é um grande amante da música, há cerca de quatro anos. É membro da firma de Messrs. Hudson & Kearns, os editores, da Rua Stamford, S.E., presidente e director-gerente da Country Life, Ltd., e também director de George Newnes.
O Castelo Lindisfarne, a sua residência na Ilha Holy, ao largo da costa de Northumberland, é um local romântico e antigo. Situa-se no cimo de uma rocha quase vertical que se eleva a uma altura de 60 pés. Foi construído por volta de 1500, em 1646 o Parlamento instalou aí uma guarnição militar, e em 1719 foi confiscado a favor do Príncipe Carlos Eduardo, o Pretendente, e ocupado por dois dias.
A Ilha Holy possui um perímetro de 8,5 milhas, situando-se a três milhas de terra firme, à qual está ligada por um estreito canal».

Suggia quebrará o compromisso deste noivado. Edward Hudson tem que aceitar a decisão por mais que lhe seja oposto. Em testamento deixará 250 libras a Guilhermina «que me honrou com a sua amizade durante tantos anos, como pequena lembrança da sua valiosa amizade e apreço pela sua gloriosa música». Edward Hudson morreu no dia 17 de Setembro de 1937.

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA-A Sonata de Sempre” de Fátima Pombo

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março 10, 2004

GUILHERMINA SUGGIA no ORPHEON PORTUENSE

Guimermina Suggia no Orpheon Portuense

Ansiedade, entusiasmo, o frémito especial das noites de apoteose: orgulho, «hélas»! toldado de nostalgia, dos amadores de música que há 45 anos, organizando o Orpheon, deram ao nosso burgo a sua feição mais inteligente; alegria transbordante, contagiosa, irreprimível duma juventude elegante e vibrátil, cuja admirável loquacidade se transformava, miraculosamente, religiosamente, no grande silêncio em que passava, soberana, a arcada embriagadora de Guilhermina Suggia: respeito, adoração, frenesi das ovações intermináveis; neste ambiente decorreu o 400.° concerto da gloriosa sociedade portuense. E contudo, em meio do festival memorável, mais do que uma vez nos assaltou, a todos nós, não é verdade?, velhos e novos, a todos nós que recebemos ensinamento, o estímulo do seu magnânimo coração de artista, a recordação sempre viva de Moreira de Sá, o sábio iniciador.


E neste segundo lar do seu espírito, como nos era grato ver continuada a sua tradição por um casal de músicos prestigiosíssimos, para quem Arte, Sinceridade, Beleza não são palavras, mas sim os impulsos íntimos de ser, o evangelho dia a dia traduzido em obras. Pianista de requintado encanto, a senhora D. Leonilda Moreira de Sá e Costa é um temperamento em que temos reconhecido, como em raros, o dom do subtil, a faculdade de encontrar a velatura, a reticência de espiritual poesia. Dom que ainda uma vez se revelou de espécie preciosa para a graça aristocrática dos italianos antigos, como para a fantasia dos coloristas modernos. Assim também na parte de piano da « Sonata em lá» de Beethoven, a comovente discrição de Luís Costa, o emocionado e perfeito mestre, urdia uma tapeçaria de tons ricos e quentes, sobre a qual se destacasse o vulto da violoncelista.


Guilhermina Suggia é verdadeiramente uma mulher de grande estilo. É preciso ver a sua figura principesca de grandes linhas puras e nervosas que, mesmo em repouso, exprime uma consciência de força indomável ; a cabeça extraordinária que o génio marcou, erguida, deitada para trás numa atitude de desdém impassível — ou, talvez, de aspiração divina ; a violência de vida que impulsiona esta forma esplêndida de beleza tigrina. Nasceu para dominar e o instinto de comando achou ao seu dispor recursos de sedução inelutáveis Nenhuma obra, por pálida que seja, resiste ao seu poder transfigurador. Na peça mais gentil, sente-se a garra temível, pronta aos grandiosos empreendimentos. Interpreta uma sonata de Valentini ? O carácter é perfeito, a própria alma da Itália de outros tempos se nos confessa, mas engrandecida, enriquecida de um mundo novo de impressões, um suceder de modalidades deslumbrantes, do grave ao brilhante, da ardente interioridade à estouvanice genial, e todas formando um conjunto de unidade artística suprema.

Governados pelas suas mãos, o «Adagio e Allegro» de Boccherini são um poema de lava, perturbantíssimo. Mas chegou o momento da sonata de Beethoven? Ah! agora reveste-se de singeleza mais cândida e sobe, a plenas asas, às maiores alturas da arte. Soberba, única em todos os géneros, logo se arrisca às peças de virtuosismo mais heróico, sempre ágil, sempre graciosa, sempre triunfante, cativando sempre pela valentia, pelo capricho, pela carícia, pela grandeza.

Prodigioso destino o desta artista que não copia a vida, porque é, ela própria, a verdadeira alegoria da vida, misteriosa, esplendorosa, terrível! Esta sim, que é a paixão que não deprime mas exalta, o sortilégio que transfigura cada pobre coisa terrena numa maravilha de fogo; esta sim, que é a alegria profunda mas inebriante, esta sim, que é a fascinação do próprio génio da vida.


(Crítica de Carmos Ramos em "O Primeiro de Janeiro", de 29 de Abril de 1926).

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março 06, 2004

Tarde de Setembro no Hotel do Buçaco

Guilhermina provoca, em geral, sentimentos extremados, sendo ela própria de uma impenetrabilidade de aço ou de uma generosidade sem par.

Numa tarde de Setembro, no Hotel do Buçaco, tiveram uma grande surpresa os músicos que tocavam para um grupo de pessoas endinheiradas, que na maior parte aí se hospedavam para bocejar entre as magníficas árvores da região. Uma mulher com um violoncelo entrou para a pequena sala onde os músicos jantavam e preparou-se para iniciar um concerto para eles. Atónitos, não conseguiam disfarçar a surpresa e a honra. «Não interrompam a vossa refeição. Não tocam os senhores enquanto eu janto? Hoje venho eu tocar para os meus amigos», afirma-lhes Guilhermina que tocou brilhantemente como de costume.


do livro "GUILHERMINA SUGGIA ou o Violoncelo Luxuriante" de Fátima Pombo

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março 01, 2004

1914-SUGGIA deixa Paris.Fixa-se em Inglaterra

Em 1914 Guilhermina Suggia já não está em Paris.
Não lhe interessa voltar para Portugal, onde a possibilidade de continuar a sua carreira seria inexistente. Durante os primeiros meses de 1914 refugia-se em Brive-la-Gaillarde com a irmã e o cunhado Léon Pichon, livreiro e editor parisiense. Gasta os dias com longos passeios sobre cinzas, nessa região de camponeses a quem a guerra estraga a rotina das colheitas e sobressalta o gado. Pelas colinas em redor esgota pensamentos enquanto caminha sozinha. Desamarrou-se o cadeado catalão, mas a liberdade parece um acontecimento desgarrado.

Por razões que não foi possível descobrir, Guilhermina Suggia acaba por mudar-se para Inglaterra ainda nesse ano de 1914. Habita em Londres, em casa de Mrs. Hart, com todo o tempo para o violoncelo. No «living-room» tem a lenha a estalar, na lareira sempre acesa. O chá arrefece abandonado na mesinha e os cães respiram adormecidos no tapete. Suggia inicia-se nos hábitos ingleses e torna-os seus, de tal modo que a acusarão de inglesa excêntrica quando pela década de 40 se instalar mais sedentariamente no Porto.
O imaginário das mulheres portuguesas em geral confinava-se a um universo sem ambiguidades. As senhoras respeitáveis mantinham-se tardiamente vitorianas e apregoando as convenções para si e para os outros. Guilhermina Suggia escapava aos papéis tradicionais das mulheres, tanto na esfera pública como na privada. Se ela, pela singularidade da sua personalidade e da sua carreira, se distinguia em qualquer comparação, considerando-a na situação portuguesa só se pode afirmar que vivia no futuro.
Entretanto rolam os «Gay Twenties», os «Wild Twenties», a «Aspirin Age».
Em 1919-1920 toca em Londres «The Original Dixieland Jazz Band» chegada directamente da América. É um êxito. Nestes dias do pós-guerra, o ritmo do «Jazz» sugere furiosamente um novo mundo. Novos passos de dança - o «shimmy», o «charleston» -vindos também da América, são tão absolutamente aceites pela nova geração que a «regra» das famílias vitorianas - e a maior parte eram vitorianas - foi agitada sem tréguas. O «shimmy-shake» é denunciado como chocante, decadente e imoral, mas a música Yes, we have no Bananas vendeu 700 000 discos só em Inglaterra. Porém, o maior de todos os espectáculos é a Exposição em Wembley. Custou 10 000 000 de libras e foi visitada por 27 milhões de pessoas. Ninguém parecia querer lembrar-se que a Irlanda do Sul já não fazia parte do Império, que a índia fermentava e que Gandhi estava preso. Uma nova canção -Wembling at Wembley with You - baloiçava com sucesso todas as ancas.
Mas não é só dançar o «charleston» que se torna uma loucura! A moda torna-se igualmente louca e excêntrica. As mulheres procuram ter uma figura sem busto, lisa; sobem as saias para o meio da perna, descem a cintura e cortam os cabelos. As inibições quanto ao amor e ao sexo, herdadas da geração anterior, vão sofrendo inumeráveis alterações. Married Love e Wise Parenthood são ambos «best-sellers». Em 1921, em Holloway, a Dr." Marie Stopes abre a primeira clínica britânica de planeamento familiar, que desde o início é imensamente frequentada. Em 1919, o Sex Disqualification Removal Act proclamava que ninguém podia ser «rejeitado do exercício de qualquer função pública ou de ser nomeado para qualquer profissão ou vocação por causa do sexo». Em 1922, pela primeira vez mulheres foram jurados no Tribunal Criminal e no ano seguinte cerca de 400 mulheres eram magistrados, conselheiros, guardas, «mayors».
As cidades transformavam-se também por fora. As luzes de néon prolongavam o brilho da vida nocturna, acentuando o contraste de figura e da sombra. The Electrical Times noticia que «dezenas de milhar de visitantes do West End de Londres olharam o Coliseum Theatre com interesse e mesmo com admiração. Nem mesmo à luz do sol são as características arquitectónicas da torre tão fortemente reveladas como sob a iluminação dos tubos de néon com o seu estranho tom crepuscular.» E depois os gramofones, os «talkies» e as bandas sonoras compostas especialmente para os filmes.
A era dos «Roaring Twenties». Ilusão de prosperidade e de paz, ou felicidade artificial, ou entusiasmo verdadeiro; nesta época procura-se esquecer, acima de tudo, a ferocidade da Grande Guerra.


Em Inglaterra, Suggia atinge uma fama sem rival. Leia-se o artigo de 5 de Março de 1920 na revista Time and Side, em que Christopher St. John se refere à vida intensamente musical de Londres e à presença de Suggia: sublime entre os melhores, incluindo Casals.

«Através do The Times tomei conhecimento de que em quatro dias da passada semana, algo como trinta concertos foram dados em Londres. O exercício que tal implica para os críticos de música é tanto físico como mental. Têm. de correr de sala para sala caso sintam ser seu dever discutir mesmo uma selecção representativa de um amontoado de recitais. Começo a pensar que um bom par de pernas constituí um elemento extremamente necessário no nosso equipamento. E um bom olfacto. O meu sistema consiste em seguir o meu olfacto. Eu farejo os concertos que penso que irão ser interessantes, e neles passo o tempo. Não há dúvida que perco muitos concertos dignos de registo, ruas cheguei à conclusão de que não se pode fazer justiça a um artista, se apenas lhe concedermos um rápido olhar durante os poucos minutos que nos separam de iniciarmos uma corrida pelas ruas para apanharmos outro artista noutra sala. O exercício é agradável quando está bom tempo, mas em nada auxilia a crítica.
Depois de Madame Suggia ter executado o compasso de abertura da Sonata de Brahms para Violoncelo em fá maior (op. 99), no seu recital em Wigmore Hall, eu não correria por aí fora ainda que dez outros concertos tivessem exigido a minha atenção. Ficou-se imediatamente com a certeza de que ela teve uma nítida ideia da música. Havia tanta forma na expressão daquele primeiro fraseado que sentíamos que estávamos perante o perfil de Brahms, o qual é quase sempre tremendo, tal como o seu colorido. Estou feliz a todos os níveis, por ser Suggia quem me parece ser a maior de todos os violoncelistas. Casals é tecnicamente seu igual, mas a sua interpretação não me preenche com o mesmo entusiasmo».

São também reveladores da repercussão musical de Suggia os relatos insólitos de Austen Chamberlain e do ministro Balfour.

Declarando que a leitura constituía um dos seus maiores recursos e passatempos, Sir Austen Chamberlain abriu hoje a segunda semana de uma exposição de livros em Grosvenor House, Londres, com um discurso no qual ele mencionou o dinâmico efeito que um livro bem escrito tinha sobre ele. Começou por dizer que a exposição comportava uma maravilhosa colecção de manuscritos musicais e de retratos de músicos.
"Aí de mim!" iniciou ele, "para, mim a música constitui um livro fechado de cujas páginas eu não tive mais do que um breve vislumbre. Eu daria bastante, mesmo por uma só noite, para sentir e para conhecer o intenso prazer que sentem aquelas pessoas que apreciam e sentem prazer na boa música. Uma ou duas vezes se ergueu por um instante a cortina na minha experiência pessoal, como quando o recentemente falecido Mr. Elwes cantou numa pequena reunião, e noutra ocasião quando eu ouvi Madame Suggia. Eu quase pensei que tinha alguma música em mim. Depois a cortina voltou a descer e fui deixado na escuridão». (Northern Echo, 20 de Novembro de 1934)


«- Certa tarde, num dos períodos mais atribulados da outra Grande guerra, o ministro Balfour escutava--me na intimidade de um recital aristocrático. Executava eu a suite de Bach no momento em que o secretário particular daquele eminente estadista entrou na sala para lhe confidenciar, muito em segredo, uma informação que implicava com a solução urgente dum delicado problema de Estado. Tudo isso se passou num breve instante e com uma subtileza de experimentados diplomatas. Eu, no entanto, compreendera que alguma coisa de muito grave havia ocorrido e, serenamente, esbocei num sorriso a intenção de interromper a suite. Balfour, imperturbável e gentil, fez-me sinal para que eu continuasse. A minha alma, angustiada pela incerteza do que teria acontecido, transmitiu ao meu «stradivarius» o sentimento profundo duma alucinadora ansiedade. E ao terminar, Balfour, sempre fidalgo e discreto, honrou-me com estas palavras - que eu julgo ouvir ainda: "Seria um crime imperdoável tê-la obrigado a interromper o seu concerto. Fiquei maravilhado e parece-me que a sua interpretação me inspirou providencialmente para eu poder resolver um problema que se considerava insolúvel…”
(Fátima Pombo “Guilhermina Suggia – A Sonata de Sempre”)

Publicado por vm em 11:43 AM | Comentários (3)

fevereiro 27, 2004

Em 1927 casa com o Dr Carteado Mena

Em 1927 dá-se um acontecimento insólito na vida de Suggia: o casamento com o Dr. José Casimiro Carteado Mena de 51 anos de idade.
Conheceram-se em 1923, no Grande Hotel do Porto, num regresso de Guilhermina com a mãe doente. É ao reclamar um médico para Elisa que a informam que um médico tem a residência no hotel.
O Dr. Carteado Mena, radiologista brilhante, Director do Instituto Pasteur do Porto, fixa aí a sua residência depois de se divorciar. A filha única Maria Ana Mena, vive com umas tias numa quinta da família em Viana do Castelo.

Sabe-se que o doutor, personalidade muito respeitada pela burguesia portuense, se desvelará a partir daí em atenções com a mãe de Guilhermina, muito particularmente nas ausências demoradas de Suggia pelo estrangeiro. Desses encontros dá conta a “paciente” em epístolas pormenorizadas a sua filha: ”O Dr. tem um cuidado com a minha saúde.” “O Dr. É muito pontual, não esquece nada, manda sempre os jornais.” “O Dr. É um Santo, tem comprado músicas para a pianola.” “Ele só conhece o bem e gosta de o praticar. Convidou o papá para jantar.” “ O Dr. É um exemplo e envergonha os que não seguem a estrada direita.” “ Nem eu nem o Dr. Podemos viver sem ti.” “Hoje (13 de Novembro de 1926) tive a visita do Dr. Achei-o triste e falou-me a teu respeito. O Dr. está com ciúmes. Vê-se que tem sofrido. Disse-me que a casa está quase pronta e que o jardim está muito bonito.(…) Quando estiver pronta vai viver para lá, não quer viver mais no hotel.”
Antes de tomar a decisão do casamento Suggia tem hesitações. Escreve à irmã sobre as suas dúvidas e pede-lhe opinião. Virgínia diz-lhe em 15 de Novembro de 1926 que “se se é feliz no casamento isso é o melhor que pode acontecer a uma mulher”. Cita-se a ela própria como exemplo de uma mulher absolutamente realizada no casamento.” Mas não sei o que te dizer sobre a possibilidade de casares-te. Se é para ser infeliz é melhor não o fazeres. Minha querida Guil não te fies no mundo e nem mesmo em todos os amigos. Se tiveres por acaso um verdadeiro já é muito. Há gente que não me quer ver por sermos tão felizes. Que miséria é este mundo”.
Na carta de 13 de Novembro de 1926 a alusão da mãe ao casamento de Guilhermina dá a entender que a filha lhe teria confessado dúvidas ou pedido a opinião. “Eu compreendo que em Inglaterra está tudo trabalhando para não casares. Conta comigo para o que quiseres. Nunca esquecerei a bondade do teu coração para comigo, tens sido o meu anjo protector”.
O casamento realiza-se com privacidade e discrição no dia 27 de Agosto de 1927, sendo o ourives Manuel Reis e o escultor Teixeira Lopes os padrinhos.
Suggia muda para uma casa que o doutor comprou também na rua da Alegria, mas no nº 665, permanecendo os pais no nº 894. Guilhemina faz desta casa um “home britânico” – os móveis desembarcam de Londres no porto de Leixões -, a que não faltam muitas rosas pela casa e a sua colecção de tapetes persas.


do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

Publicado por vm em 10:51 AM | Comentários (0)