janeiro 06, 2007

CINE-TEATRO JOAQUIM D' ALMEIDA - MONTIJO

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março 06, 2006

EDIÇÃO de OBJECTO CARDÍACO

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maio 16, 2005

UMA VOCAÇÃO QUE NASCEU E SE REVELOU EM MATOSINHOS, por CARLOS FIGUEIREDO - III

No mês de Abril deste ano de 1904 as irmãs Suggia dão um Concerto em Lisboa a favor da Associação das Escolas Móveis pelo método de João de Deus.

No ano seguinte, na estância termal de Carlsbad, Guilhermina encontra-se casualmente com a Rainha D. Maria Pia e com o famoso violoncelista David Popper (1843-1913) que todos os dias se compraz em ir tocar com ela. "Que felicidade eu ter ainda lições com o grande David Popper!" exclama então Suggia, em cujo Álbum ele autografou: "À maior dos violoncelistas vivos, Guilhermina Suggia, do seu velho confrade D. Popper".

De 1904 a 1907, na companhia de sua irmã e colaboradora de sempre, os seus concertos sucederam-se por quase toda a Europa, desde Portugal à Rússia e à Turquia.

Em Itália, o notável pianista e compositor G. Sgambati (1841-1914), discípulo dilecto de Liszt e amigo de Wagner, escreveu estas palavras a propósito dos concertos que em 1907 a nossa compatriota realizou naquele país: "Suggia é superior a Piatti, Popper, Klengel, etc. Nunca ouvi assim tocar violoncelo".
(Cedido por A. Cunha e Silva)

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abril 26, 2005

RETRATO DE UMA SENHORA, por ANITA MERCIER- IV

Alguns anos antes, o retrato de Augustus John tinha provocado um escândalo. Ao longo dos três anos que este retrato levou a ser pintado, Suggia passou bastante tempo no estúdio de John em Chelsea, o que explica provavelmente os rumores que correram quanto a uma relação entre os dois.

O retrato representa Suggia a tocar violoncelo, com um belíssimo vestido vermelho, a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados. A impressão dominante é de uma mulher forte e sensual no gozo pleno dos seus poderes de expressão. Ela adorava o quadro, mas John nunca mais voltou a pintar um retrato destas dimensões; segundo o seu biógrafo, Michal Holroyd, ficara exausto com este trabalho.

A exibição do quadro no Alpine Club, em 1923, foi a atracão da festa da temporada, com Suggia no centro das atenções, diante do retrato, vestida com um casaco de peles. O quadro foi comprado por um rico industrial americano, vindo expressamente de Monte Carlo, e esta compra deixou os admiradores britânicos desolados por terem sido privados de um tesouro nacional.

A obra circulou entre vários museus americanos até que um negociante britânico o comprou e o legou à Tate Gallery, onde se mantém. Toda esta saga foi exaustivamente seguida pela imprensa e as referências ao retrato passaram a ser constante das críticas e dos artigos sobre Suggia publicados até ao fim da sua vida.

(tradução de Luís Lopes)

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abril 02, 2005

À SUA ANTIGA E QUERIDA ALUNA GUILHERMINA SUGGIA...

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Capricho em forma de Chaconne dedicado com muita amizade a Guilhermina Suggia.

À sua antiga e querida aluna Guilhermina Suggia, como recordação do seu tempo de estudante em Leipzig e do
Julius Klengel

do livro "GUILHERMINA SUGGIA-A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

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março 30, 2005

JULIUS KLENGEL - PROFESSOR DE GUILHERMINA SUGGIA EM LEIPZIG

• 1859-1933)
Nasceu em Leipzig, numa família de várias gerações de músicos profissionais.
Teve as primeiras lições de música com o pai e as primeiras lições de violoncelo com Emil Hegar, violoncelista principal da Orquestra da Gewandhaus, tendo sido aluno de Grützmacher e de Davidov.
Com 15 anos integra a famosa Orquestra da Gewandhaus, sendo o violoncelista principal de 1881 a 1924. Furtwängler dirigiu o Concerto de Jubileu dos 50 anos de Klengel como violoncelista dessa Orquestra.
Em 1881 é nomeado também Real Professor do Conservatório de Leipzig.

Viajou por toda a Europa como solista e como membro do Quarteto da Gewandhaus. Era admirado pelo seu estilo de fina sensibilidade e pela impecável técnica, particularmente nas sonatas de Beethoven e nas suites para violoncelo solo de Bach.
O seu conhecimento de música de câmara era vastíssimo, dizendo-se que conhecia a participação de cada instrumento, no reportório comum. É também sabido que Klengel acompanhava os seus alunos ao piano, tocando tudo de memória.

Como compositor escreveu bastante para o seu instrumento: quatro concertos para violoncelo e orquestra, dois concertos para dois violoncelos, dois concertos para violoncelo e violino, uma sonata, caprichos e um hino para 12 violoncelos dedicado à memória do maestro Arthur Nikisch, para além de exercícios de técnica para o violoncelo.

Fez edições de sonatas e concertos do reportório clássico e uma edição das suites para violoncelo solo de Bach, que ainda é usada. É um equívoco considerar que Casais foi o primeiro a trazer as suites de Bach a público.
Klengel fazia os seus alunos tocarem as suites de Bach desde 1880.
As sonatas de Beethoven também faziam parte desses estudos.

Klengel é lembrado como excepcional professor. Nos seus anos de ensino no conservatório de Leipzig teve como alunos famosos Emmanuel Feuermann, Paul Grümmer, Joachim Stutschewsky, Edmund Kurtz, Gregor Piatigorsky, William Pleeth... e, claro, Guilhermina Suggia. O Conservatório de Música de Leipzig era famoso pela exigência de ensino e pela exigência na selecção de alunos.
Sobre Klengel declara Pleeth que «o que eu gostava nele, era ser, de facto, um homem muito simples. Não tinha caprichos, nem sofisticação. Era muito honesto e eu gostava muito dele por isso. Klengel nunca nos encorajou a copiar, e se se reparar nos muitos tipos de interpretação dos seus alunos constata-se que somos todos muito diferentes”

do livro " GUILHERMINA SUGGIA. A Sonata de Sempre", de Fátima Pombo

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fevereiro 20, 2004

Ida para Leipzig (2)

JULIUS KLENGEL (1859-1933)

Nasceu em Leipzig, numa família de várias gerações de músicos profissionais.
Teve as primeiras lições de música com o pai e as primeiras lições de violoncelo com Emil Hegar, violoncelista principal da Orquestra da Gewandhaus, tendo sido aluno de Grützmacher e de Davidov.
Com 15 anos integra a famosa Orquestra da Gewandhaus, sendo o violoncelista principal de 1881 a 1924. Furtwängler dirigiu o Concerto de Jubileu dos 50 anos de Klengel como violoncelista dessa Orquestra.

Em 1881 é nomeado também Real Professor do Conservatório de Leipzig.
Viajou por toda a Europa como solista e como membro do Quarteto de Gewandhaus. Era admirado pelo seu estilo de fina sensibilidade e pela impecável técnica, particularmente nas sonatas de Beethoven e nas suites para violoncelo solo de Bach.

O seu conhecimento de música de Câmara era vastíssimo, dizendo-se que conhecia a participação de cada instrumento, no reportório comum. É também sabido que Klengel acompanhava os seus alunos ao piano, tocando tudo de memória.

Como compositor escreveu bastante para o seu instrumento: quatro concertos para violoncelo e orquestra, dois concertos para dois violoncelos, dois concertos para violoncelo e violino, uma sonata, caprichos e um hino para 12 violoncelos dedicado à memória do maestro Arthur Nikisch, para além de exercícios de técnica para violoncelo.
Fez edições de sonatas e concertos do reportório clássico e uma edição das suites para violoncelo solo de Bach, que ainda é usada. É um equívoco considerar que Casals foi o primeiro a trazer as suites a Bach a público.
Klengel fazia os seus alunos tocarem as suites de Bach desde 1880. As Sonatas de Beethoven também faziam parte desses estudos. Klengel é lembrado como excepcional professor. Nos seus anos de ensino no conservatório de Leipzig teve como alunos famosos Emmanuel Feuermann, Paul Grümmer, Joachim Stutschewsky, Edmund Kurtz, Gregor Piatigorsky, William Pleeth… e, claro, Guilhermina Suggia. O Conservatório de Música de Leipzig era famoso pela exigência do ensino e pela exigência na selecção dos alunos.

Sobre Klengel declara Pleeth que “ o que eu gostava nele, era ser, de facto, um homem muito simples. Não tinha caprichos nem sofisticação. Era muito honesto e eu gostava muito dele por isso. Klengel nunca nos encorajou a copiar, e se se reparar nos muitos tipos de interpretação dos seus alunos constata-se que somos todos muito diferentes”.

Dos acontecimentos em Leipzig, são as cartas de Augusto Suggia ao seu amigo Lambertini que nos esclarecem.

“Leipzig, 28 de Novembro de 1901

O Julius Klengel já ouviu a Guilhermina e gostou muito e deu-lhe bravo e nas composições dele que ela tocou disse-lhe que nada tinha a dizer-lhe, nem a mudar nem a acrescentar e que toma conta dela, mas com entusiasmo, e que em poucos meses ela poderá tocar no Gewandhaus em Leipzig e que depois disto tem a sua reputação feita. A Guilhermina está muito animada.
O Arthur Nikisch ouve-a amanhã. A propósito de Nikisch ninguém lhe falou aqui.”


Na margem desta carta escreve ainda:

“Orquestra de Nikisch (divina!!!)”

“Leipzig, 1 de Dezembro de 1901

Dou-lhe parte que Guilhermina já principiou as lições com o Julius Klengel; estão entusiasmados um com o outro. A Guilhermina recebeu aqui uma grande distinção e foi que tendo sido apresentada ao Arthur Nikisch ele não a quis ouvir em casa, mas sim no Gewandhaus e acompanhada por ele próprio. Disse ele que era para melhor a apreciar e avaliar. Estava presente o quarteto clássico. A Guilhermina foi muito feliz e o Nikisch deu-lhe muitos bravos e teceu-lhe grandes elogios. Esta acção de Nikisch é considerada aqui como uma grande honra para a Guilhermina.
Tocaram muitas peças.”


Também Julius Klengel distingue Guilhermina honrosamente. Klengel, que escrevera uma peça para violoncelo sem acompanhamento – CAPRICHO EM FORMA DE CHACONNE – compondo livremente sobre um tema de Schumann, ao reconhecer o talento musical com que Guilhermina a interpreta numa das suas lições, com tão pouco tempo de preparação, dedica-lha com “muita amizade”.
Augusto Suggia, em Leipzig, com a filha mais nova, não deixa de preocupar-se com Virgínia e de novo recorre ao amigo:

“Leipzig, 11 de Janeiro de 1902

A Guilhermina vai perfeitamente nos seus progressos e o Klengel está cada vez mais contente com ela, que tem estudado com grande ardor e entusiasmo.
A Virgínia quer ir tocar a Lisboa, mas agora é uma altura má. Como boa filha e irmã que é, não quer que eu deixe aqui só a Guilhermina e é ela que me subsidia, porque o subsídio do Estado é só para a Guilhermina. Por isso, teve que tomar grande número de discípulas, as quais todas pagam aos meses. Tem um trabalho imenso e ainda por cima o estudo do piano. A ida a Lisboa não a podem realizar ela e a mãe por menos de 54.000 réis. Lembrou-me então uma coisa e era: o Lambertini combinar aí com o Henrique Lauvinet ou com a Direcção da Real Academia para ela tocar lá num concerto e eles assim minorarem alguma coisa o gasto que ela faz. E toque bem as trombetas da fama, porque ela merece-o bem; é uma bela artista e um modelo extraordinário de boa rapariga e excelente filha.”


O ano lectivo de 1901/1902 está a terminar e Guilhermina deverá regressar ao Porto para as férias de Verão. Klengel tem, contudo, projectos inusitados para Guilhermina e considera que ela não deve fazer nenhuma pausa nas lições com ele.
O pai orgulha-se com esta recomendação, mas colocam-se-lhe graves problemas financeiros, como revela a carta seguinte:


“Leipzig, 22 de Junho de 1902

Não lhe tenho escrito porque não tem havido grande novidade digna de menção. É extraordinário o que o Julius Klengel diz da minha filha: está encantada com ela. Pediu-me muito para ficarmos aqui este verão para não haver interrupções nas lições, pois quer apresentar a Guilhermina em público no próximo Inverno. Uma apresentação aqui é caso sério e principalmente agora que este professor tem no Conservatório algumas notabilidades em violoncelo. Actualmente há no conservatório artistas de altíssimo valor, principalmente em piano, violino e violoncelo. Verdadeiros talentos! Como terminou o prazo de subsídio do Estado, pedi ao professor Klengel um certificado ou atestado do estudo e progresso da Guilhermina para enviar para Lisboa ao ministro. Este atestado foi ontem para Lisboa e estou certo de que deve causar muita satisfação. E um certificado honrosíssimo para a Guilhermina. Não temos aqui quem o traduza, mas a Guil lembrou-se de tirar uma cópia para lhe mandar. Esta cópia deve ter alguns erros, porque a letra do original é difícil de ler, mas um alemão ou quem saiba bem a língua alemã facilmente corrigirá.
A Guil está entusiasmada e poucos cumpririam melhor a sua missão do que ela. Nem julguei que fosse preciso tanto para tocar violoncelo. Do professor Klengel só lhe digo que: como concertista, quando o oiço faz-me esquecer todos os outros bons artistas que tenho ouvido; como professor, basta dizer que todos os modernos concertistas de violoncelo alemães são discípulos dele. É admirável. O Óscar da Silva conhece-o bem e a ele devemos nós a felicidade de ter este mestre colossal”.


O certificado de Julius Klengel que chega a Lisboa não deixa dúvidas sobre as qualidades excepcionais de Guilhermina.
Escrito à mão pelo professor e datado de 19 de Junho de 1902 diz que: “ o abaxo assinado atesta por esta forma que mlle Guilhermina Suggia desde fins de Novembro de 1901, tem feito os mais eminentes progressos na sua Arte. A notável impressão que o abaixo assinado recebeu quando recebeu a jovem artista, tem sido com o andar do tempo, não só confirmada mas ainda excedida, pela precisão e cabal execução que a jovem senhora tem revelado. Com surpreendente prontidão tem Mlle Suggia preenchido as lacunas do seu repertório e trabalhado com uma aplicação de ferro no seu aperfeiçoamento. Sem dúvida não tem havido uma violoncelista com o mérito da artista de que me ocupo, mas também não tem a recear o confronto com os seus colegas do sexo masculino.
Mlle.Suggia possuindo alta inteligência musical juntando a uma grande compreensão um completo conhecimento da técnica, tem o direito de ser considerada, no mundo artístico, como uma celebridade.
O abaixo assinado teria muito prazer que Mlle. Suggia se pudesse consagrar à literatura do violoncelo, actualmente tão desenvolvida”.
Guilhermina permanece em Leipzig durante todo o verão a estudar com Klengel, que congemina o lançamento artístico dela para a póxima temporada de Inverno.

“Leipzig, 3 de Julho de 1902
A Guilhermina foi apresentada pelo professor Julius Klengel à direcção do Gewandhaus e professor Arthur Nikisch para avaliarem os seus progressos, sendo resolvido com entusiasmo que ela tome parte em 2 concertos. Todo o Concertista no Gewandhaus tem duas apresentações – um concerto de dia, um concerto à noite. É digno do maior elogio, este grande professor Klengel, pela maneira entusiástica como tem conduzido o ensino de Guilhermina e interessando-se pelo seu futuro artístico. Tendo este professor receio que o Arthur Nilkisch trouxesse do estrangeiro já completos os contratos e programas dos concertos do próximo Inverno e que são organizados até fim de Junho, afirmou sob sua palavra de honra que cedia a Guilhermina o seu lugar no concerto, para que já estava contratado com todas as honras e proventos, só para lhe dar a maior prova de consideração em que a tem. Diga ao Óscar da Silva que lhe estamos muito gratos por nos indicar este grande mestre.
Augusto Suggia”.


Um ano depois da partida do Porto, Guilhermina domina Leipzig. A Gewandhaus é a primeira sala de concertos da Alemanha e uma das primeiras do mundo. Só os grandes artistas podiam ambicionar tocar nesta sala.
Suggia, com pouco mais de 15 anos teve a rara oportunidade de ser convidada como solista pela Sociedade de Concertos de Gewandhaus.


“Leipzig, 23 de Novembro de 1902
A minha filha foi convidada pela Direcção do Gewandhaus para tomar parte no XIX concerto, dia 26 de Fevereiro, com o costumado ensaio público na véspera. Aqui tem a grande importância tal facto e para solenizar este grande sucesso o professor J. Klengel organizou na noite de 9 deste mês, com a cooperação do quarteto de música de câmara do Gewandhaus, uma esplêndida festa em honra da minha filha Guilhermina. Do quarteto fazem parte: Félix Berber, Erhard Heyde, Alexander Lebald e Julius Klengel.
O retrato dela estava na sala enfeitado com flores e fitas pintadas pela própria senhora do Klengel e onde se lia: “Vive la Grande Artiste”. À entrada de Guilhermina Suggia na sala, os aplausos duraram cerca de 5 minutos. A seguir, o professor proferiu um discurso enaltecendo o mérito e as qualidades artísticas de Guilhermina. Em seguida o quarteto executou o Quarteto de Beethoven (op 130) e o Quarteto de Novacek (op 10) e diversas peças a solo pelos elementos do quarteto. Quando a Guilhermina tocou foi aplaudidíssima, tendo que bisar quase todas as peças. Entre as pessoas presentes estavam sete violoncelistas, sendo 2 russos (de S. Petersburgo). Um russo entusiasmado disse: “ Eu já tenho ouvido falar dos talentos portugueses e agora vejo que para se tocar deste modo e com este sentimento é preciso ser-se português.”
Faz hoje, 23, um ano em que chegámos a Leipzig.
Augusto Suggia”


Esta é a carta a que se refere tão entusiasmadamente o pai de Guilhermina; está datada de 25 de Outubro de 1902 e é assinada pelo Dr. Lampekischer, Presidente da Direcção da Gewandhaus:


“Excelentíssima Senhora,
Em nome da direcção da Gewandhaus tomo a liberdade de convidar V. Exa a participar no XIX Concerto Comemorativo a realizar no dia 26 de Fevereiro ( com ensaio geral, e entrada livre, no dia 25 de Fevereiro, quarta-feira, da parte da manhã, às 10 ½ h) dando-nos o gosto de ouvi-la em qualquer concerto para violoncelo. O senhor professor Klengel teve já a amabilidade de nos informar da sua anuência, mas não queremos deixar de convidar V. Exa pessoalmente, pois temos muito prazer em lhe dar a oportunidade de se apresentar ao público da Gewandhaus.
Na esperança de ter notícias de V. Exa, como confirmação da sua colaboração, subscrevemo-nos atentamente”.

Suggia toca no concerto de 26 de Fevereiro e torna-se um caso único nos anais da Gewandhaus.
Interpreta o concerto de Volkmann, acompanhada pela Orquestra da Gewandhaus sob a direcção de Artur Nikisch, No final dá-se um caso insólito. O maestro, perante um público que insistentemente gritava “bis”, sentiu-se obrigado a quebrar o regulamento e a permitir que a violoncelista repetisse na íntegra a obra executada, depois de terminado todo o programa dessa noite.
Até essa data nunca tocara na Gewandhaus nenhum atista tão jovem e, pela primeira vez, apresenta-se como solista uma mulher.

Depois do sucesso nessa noite, Suggia penetra definitivamente na atmosfera rarefeita dos músicos excepcionais, ficando lançada para uma carreira a solo.
A profecia de Julius Klengel, quando tocou com ela, cumpriu-se.
Num concerto antes da apresentação na Gewandhaus, tocando um dueto para violoncelo, Klengel deu-lhe a parte de primeiro violoncelo. Os professores do Conservatório de Leipzig espantaram-se quando assistiram à glória do Conservatório a tocar em público o segundo violoncelo e censuraram-no por isso.
Klengel disse-lhes que “ sou já velho, começo a declinar, ela é nova, cheia de talento, conhecedora de todos os segredos do violoncelo, começa a subir e há-de ir tão alto que ninguém a atingirá”.
Em finais de Março regressa a Portugal, tocando ainda, na viagem, em salas de concerto alemãs.


do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo


Publicado por vm em 03:18 PM | Comentários (1)

Ida para Leipzig (1)

Nos finais do séc XIX e princípios do XX, a escola alemã de violoncelo era a mais conceituada. Aí se formavam excelentes músicos como solistas, intérpretes de música de câmara ou de orquestra, sendo alguns também excelentes professores.

Dois enormes vultos destacam-se como professores de violoncelo: Julius Klengel e Hugo Becher. Representando ambos a escola de Dresden, a partir de uma referência comum – Friedrich Wilhelm Grütz-macher (1832-1903) – divergem na atitude pedagógica. Becker centrava-se nos aspectos “científicos” do ensino, dando muita importância à anatomia e à fisiologia. Klengel tinha uma relação mais empírica e mais versátil com os alunos.

Só em Outubro (1901) Augusto Suggia tem novidades sobre a bolsa para Guilhermina Suggia e imediatamente as revela a Lambertini.

“Meu bom amigo,
Dou-lhe a agradável notícia de ter sido concedida a pensão do nosso governo para a Guilhermina ir ao estrangeiro, como nós tanto desejámos.
Receba recomendações de todos nós.
Seu amigo muito obrigado,
A.Suggia”

Ainda em Outubro, afirma o pai com alguma apreensão:

“Por enquanto não lhe posso adiantar mais notícias do que lhe mandei dizer. Só sei que Guilhermina vai para Leipzig receber lições do notável violoncelista Julius Klengel, porque o subsídio é concedido para ela ir aperfeiçoar e completar a sua educação como violoncelista. Dizem-me agora aqui que querem fazer uma festa no Orpheon para despedida da Guilhermina e também para o produto auxiliar a minha ida com ela.
A nossa partida é para o fim deste mês e partimos de Lisboa onde temos de ir agradecer. A Guilhermina anda doida… de contente.
A. Suggia”

Um grupo de pessoas com certa influência na sociedade Portuense une-se para organizar a festa de despedida de Guilhermina Suggia.
Redigem uma carta que explica as razões de tal iniciativa e que é ao mesmo tempo um convite para assistir ao último concerto de Guilhermina antes da partida para Leipzig.

O concerto realiza-se, tocando Guilhermina, pela 50ª e última vez com Moreira de Sá em conjunto de câmara. Da colaboração iniciada desde 1898, quando ela, com 13 anos, integra o Quarteto para substituir Joaquim Casella, podem contar-se inúmeras peças de um elenco diversificado de autores como Bach, Beethoven, Boccherini, Böllman, Brahms, Bruch, Costa (luís) , Dandrieu, Davidoff, Dupuits, Dvorak, Fauré, Glazounov, Haydn, Klengel, Lalo, Locatelli, Popper, Raff, Saint-Saëns, Sammartini, Schumann, Senaillé, Silva (Óscar), Sinigaglia, Tchaikovsky, Valentini, Veracini, Volkmann.
Talvez possam destacar-se as sete sessões de 29 de Janeiro de 1900 a 26 de Março que o Quarteto dedicou à exposição de música de câmara de Beethoven ( com excepção das sonatas para piano ) já que Guilhermina se referirá mais tarde a este acontecimento como referência musical da sua vida artística. Suggia destacará sempre a musicalidade e o génio empreendedor de Moreira de Sá, que tornou o Porto num centro musical, muito contribuindo para preparar o público melómano.
Suggia ficou-lhe grata para toda a vida. Parece, aliás, que Guilhermina, se podia ficar a detestar alguém para sempre, demonstrava igualmente uma generosidade e uma gratidão eternas se lhe fizesse algum bem. Em 1924, transbordando o seu nome de fama, toca voluntariamente para Bernardo Moreira de Sá no seu leito de morte. Foi a última música que esse homem fruiu.

A 15 de Novembro de 1901, a ARTE MUSICAL dá a notícia, assinada por Bernardo Moreira de Sá, da partida para Leipzig da “violoncelista D. Guilhermina Suggia, acompanhada de seu pai e nosso amigo o sr. Augusto Suggia. Tomaram o paquete em Vigo e seguem por via Bremen, para a grande cidade alemã, onde como já dissemos vai a talentosa jovem colocar-se sob o patrocínio artístico de Julius Klengel.”


Publicado por vm em 03:15 PM | Comentários (0)