novembro 26, 2011

No CASTELO DE LINDISFARNE, EM HOMENAGEM A GUILHERMINA SUGGIA

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Placed in one of the rooms inside the Lindisfarne castle, this cello had a certain air of mystery around it, added to by the sunlight sneaking in through the small window.
The music room at the castle was used by Guilhermina Suggia, a frequent visitor, and the cello is left in the room today to mark this.

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junho 22, 2011

ISABEL CERQUEIRA MILLET - TESTEMUNHO SOBRE GUILHERMINA SUGGIA - (MAIO de 2006)

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Isabel Cerqueira Millet, aqui no último Natal. Faleceu anteontem com 93 anos.

Cerca dos meus 10 anos, meu pai fez-me sócia do Orfeão Portuense, cujos
concertos se realizavam no Teatro Gil Vicente, no Palácio de Cristal. Fui ouvir
um concerto de Guilhermina Suggia e do professor Luís Costa, que constava de duas sonatas, uma de Beethoven, outra de Brahms. Esse concerto impressionou-me de tal maneira que marcou para sempre a minha vida!

Desde então não largava meu pai, dizendo que queria aprender violoncelo. Meu pai acabou por ceder, tendo eu por primeiro mestre o professor Augusto Suggia, pai de Guilhermina. Terminado um ano de lições, o professor Suggia faleceu, e fiquei portanto sem aulas. Com meu pai violinista e minha tia Olinda pianista, pratiquei muito, executando trios de Mozart, Beethoven e Haydn.

Cerca dos meus dezoito anos e graças à grande amizade da professora Ernestina da Silva Monteiro, grande amiga e colaboradora de Suggia, consegui obter uma audiência com a grande Artista. Esta recebeu-me com certa severidade, declarando desde logo só ensinar professores e artistas. Deixou no entanto uma esperança, dizendo que se encontrasse uma oportunidade, e achando-me algumas qualidades, se lembraria de mim! Essa oportunidade chegou três anos mais tarde, quando nos contactou dizendo que tinha em sua casa uma senhora inglesa, sua antiga aluna, e que essa senhora me daria lições. Trabalhei duramente durante uns três meses com essa excelente professora, Miss Jean Marcel.

Suggia muito frequentemente assistia às aulas e tinha quase sempre qualquer
observação preciosa a fazer, modificando uma arcada, ou uma dedilhação, a
fim de tornar uma frase mais musical, ou facilitando a execução de uma passagem mais difícil.

Com o começo da Guerra 1939-45 , Miss Marcel regressou a Inglaterra. Bem
impressionada com o meu esforço e progressos, Suggia continuou a dar-me
lições com bastante assiduidade. Gostava muito de ensinar, pois entregava-se
completamente ao aperfeiçoamento de uma obra musical. Trabalhava arduamente a técnica, pois não estando esta dominada, não poderia haver liberdade de interpretação. Em sua casa passei momentos inesquecíveis, assistindo aos ensaios da grande artista com a professora e pianista Ernestina da Silva Monteiro e a professora D. Maria Adelaide Freitas Gonçalves, também pianista.

Passou a existir uma grande amizade entre meus pais e Suggia, que sentia
que minha família era um pouco a sua.
Tive também a felicidade de assistir em Lisboa e Porto aos concertos para o
Círculo de Cultura Musical em que Suggia colaborou acompanhada pela
Orquestra Nacional, debaixo da direcção do Maestro Malcolm Sargent. Ouvir
e ver esta grande artista nos seus concertos, era qualquer coisa de mágico, cujo fascínio nunca se poderá esquecer!

Em 1948, data da inauguração da Orquestra do Porto, da qual passei a fazer
parte, senti grande emoção quando Suggia actuou no concerto inaugural,
tocando o Concerto de Saint-Saens e o Kol Nidrei de Max Bruck. Momentos
de grande beleza e emoção que nunca poderei esquecer durante a minha já
muito longa existência!
Porto, Maio de 2006
do catálogo da exposição "SUGGIA, O Violoncelo" que decorreu na Casa-Museu Guerra Junqueiro - PORTO

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dezembro 21, 2010

GUILHERMINA SUGGIA AGRADECE VOTOS DE BOAS FESTAS e QUE O ANO DE 1948 SEJA DE FELICIDADE E TRIUNFOS PARA A ORQUESTRA SINFÓNICA NACIONAL

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julho 26, 2010

GUILHERMINA SUGGIA - 125 ANOS - CONCERTO NO TEATRO RIVOLI - PORTO - 28 de JANEIRO DE 1943 - ORQUESTRA SINFÓNICA NACIONAL, Direção de MALCOLM SARGENT

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GUILHERMINA SUGGIA interpretou o Concerto para violoncelo e Orquestra em mi menor, op 85 de E. ELGAR e as Variações Sinfónicas de L. BOËLLMANN.

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julho 25, 2010

GUILHERMINA SUGGIA - 125 ANOS - 27 de JANEIRO de 1943 - TEATRO RIVOLI-PORTO - ORQUESTRA SINFÓNICA NACIONAL, DIRIGIDA POR MALCOLM SARGENT

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Guilhermina Suggia tocou o Concerto para violoncelo e orquestra, em si menor, op.104 de DVORAK e o Concerto para violoncelo e orquestra, nº1, op.33 de SAINT-SAËNS

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junho 27, 2010

GUILHERMINA SUGGIA - 125 ANOS - RDP-ANTENA 2 - HOMENAGEM

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27/6/1885-30/7/1950)
RDP - ANTENA 2
(depois das notícias das 10h e às 18h40)
Amanhã:
...(carta de Augusto Suggia a Michel'Angelo Lambertini)
Leipzig, Novembro de 1902
A minha filha foi convidada pela direcção da Gewandhaus para tomar parte no 19.º concerto, dia 26 de fevereiro...
(Depoimento de Irene Lima)

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GUILHERMINA SUGGIA NASCEU FAZ HOJE 125 ANOS

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junho 06, 2008

"GALERIA DOS NOSSOS" - VIRGÍNIA SUGGIA -(ARTE MUSICAL de MICHEL'ANGELO LAMBERTINI - 1901)

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maio 19, 2008

PRIMEIRA NOITE DE ARTE DE MARIA ALICE FERREIRA (11) - "OS DOIS CONCERTOS DA GRANDE ORQUESTRA SINFÓNICA DA EMISSORA NACIONAL, COM GUILHERMINA SUGGIA e MARIA ALICE FERREIRA - ANÚNCIOS NA IMPRENSA"

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(Cedido por Luís Sá Pessoa)

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maio 06, 2008

GUILHERMINA SUGGIA Em "GROSSE CELLISTEN" (1) DE EDIÇÕES PIPER

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In diesen Jahren unterrichtete Casals drei Schüler über làngere Zeit, die Portugiesin Guilhermina Suggia, die für sieben Jahre auch seine Lebensgefährtin war, den Engländer Charles Kiesgen und den katalanischen Landsmann Gaspar Cassadó. Suggia war schon bei Julius Klengel in Leipzig ausgebildet worden, ein schlankes, feuriges Mädchen mit fesselnden grossen braunen Augen. Suggia machte eine bemerkenswerte Karriere, die allerdings nach der heiklen Geschichte mit Casals erst richtig began.
De “GROSSE CELLISTEN” de Harald Eggebrecht – Edições PIPER –München (www.piper.de)

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abril 04, 2008

PRIMEIRA NOITE DE ARTE DE MARIA ALICE FERREIRA (7) - "OS DOIS CONCERTOS DA GRANDE ORQUESTRA SINFÓNICA DA EMISSORA NACIONAL, COM GUILHERMINA SUGGIA e MARIA ALICE FERREIRA

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É em 4 e 5 do corrente, terça e quarta-feira próximas, que, pela segunda vez nesta época, a Grande Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, se vai exibir no Teatro Rivoli, em dois concertos que demonstrarão, uma vez mais, a categoria superior da nossa primeira orquestra sinfónica.

Sob a regência do maestro ilustre que é Pedro de Freitas Branco, a Grande Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional apresentará aos musicófilos portuenses dois programas criteriosamente organizados.

A curiosidade excepcional dos dilettanti é porém, solicitada, de modo especial para a apresentação duma artista gloriosa e duma artista proeminente de cujo grande talento tivemos, já, prova bastante, durante o ensaio efectuado há cerca de duas semanas no Teatro Rivoli, em conjunto com o agrupamento instrumental de Pedro de Freitas Branco.

Guilhermina Suggia, que os musicófilos portuenses não ouvem, já, há alguns anos, é, na actualidade, o maior nome português da Música. Pena é que a eminente violoncelista admirada de todos, só com tam dilatados intervalos se exiba na sua terra, que dela justamente se orgulha. Importa na verdade que Guilhermina Suggia, mais conhecida talvez, dos estranjeiros do que dos seus compatriotas que, de resto, não a admiram menos, se faça ouvir mais vezes entre nós para que o raro prazer espiritual de tais audições não seja como tem sido, desejado em vão, durante anos por aqueles que tanto anseiam, sempre, por escutá-la. Depois de se ter exibido no Salão Árabe do Palácio da Associação Comercial do Porto, não voltáramos a ouvir Guilhermina Suggia. Desta vez porém, em conjunto com uma orquestra de grande classe, a grande classe da violoncelista, artista de reputação mundial terá o ambiente artístico adequado.

Guilhermina Suggia tomará parte no primeiro concerto e Maria Alice Ferreira no segundo. A glória da mestra e o talento da discípula completar-se-ão para que os dois concertos fiquem memoráveis. Por seu turno, com as duas colaboradoras a Grande Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional brilhará ainda mais.

De “O COMÉRCIO DO PORTO” de
I-V-1937

(Cedido por Luís Sá Pessoa)

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março 12, 2008

PRIMEIRA NOITE DE ARTE de MARIA ALICE FERREIRA EM 4 de MAIO de 1937 (6) - "GRANDE ORQUESTRA SINFÓNICA DA EMISSORA NACIONAL"

A Grande Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional vai apresentar-se, mais uma vez, nesta época, no Teatro Rivoli, em dois concertos. Num deles colaborará a grande violoncelista portuguesa Guilhermina Suggia e no outro a sua jovem e prodigiosa discípula Maria Alice Ferreira, a quem, há dias, desenvolvidamente nos referimos.

Tanto pelo concerto em que Guilhermina Suggia actuará como por aquele em que actuará Maria Alice Ferreira nota-se, já, entre os nossos musicófilos, um extraordinário interesse.
De «O Comércio do Porto» de 27-IV-1937
(Cedido por Luis Sá Pessoa)

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março 10, 2008

PRIMEIRA NOITE DE ARTE de MARIA ALICE FERREIRA EM 4 de MAIO de 1937 (5) - "HÁ ARTISTAS QUE NASCEM PÓSTUMOS,mas..."

Disse Nietzsche que “há artistas que nascem póstumos”.

Referia-se o orgulhoso filósofo àqueles que não foram compreendidos em vida,
aqueles cuja arte só foi consagrada e admirada quando a morte já os tinha levado para os seus enigmáticos domínios.
Mas se há artistas que só triunfam e se revelam às gerações assombradas, outros há que vencem quando a própria vida para eles ainda não se revelou totalmente.
São aqueles que trazem os signos da precocidade, aqueles que nasceram sob uma alvorada prematura. .. São as revelações que impressionam...
Entre nós, o fenómeno é raro — e poucas vezes se tem dado tam completo, como agora com Maria Alice Ferreira, essa jovem de 15 anos, apenas, que em breves dias vai ser apresentada em público pela eminente «virtuose" do violoncelo Guilhermina Suggia.

Esta revelação que nos surge quási divina de que Augusto Suggia e mais tarde sua filha Guilhermina Suggia cultivaram a vocação —bem acima do vulgar — vai decerto impressionar vivamente os que tiverem a suprema ventura de assistir aos concertos que nos próximos dias 4 e 5 se vão realizar no Teatro Rivoli.

Pouquíssimas têm sido as pessoas às quais tem sido dado o prazer espiritual de escutar as execuções da jovem mas já talentosa artista.
Maria Alice Ferreira, tem o condão feiticeiro de realizar o conceito de Schopenhauer: — «A música não exprime as formas do mundo visível, mas sim a sua essência metafísica».
Pela música mergulhamos na alma infinita do universo.

A arte musical cultivada com saber profundo e requintado gosto, é a única que se deva aos ilimitados horizontes, deixando à nossa imaginação a máxima liberdade, criando na fantasia um mundo novo. Numa de encantamento a nossa alma mergulha num oceano de luz, extasia-se com a música.

Maria Alice Ferreira obriga-nos nas suas primorosas execuções a uma meditação recolhida e religiosa, quando os seus lindos dedos ágeis revelam as maiores manifestações de Arte musical nos trechos incomparáveis de Saint-Saëns, Max Bruch e David Popper, tanto acima do trivial que são melhor, sonhos idealistas dum Deus, que inspiradas criações dum homem.

Segura da técnica a novel, mas já talentosa artista, tira do violoncelo efeitos de colorido, em sonoridades suaves, ou fulgurantes de vigor, numa integração de dificuldades vencidas pelo seu temperamento de artista, artista já por intuição, já conscienciosa, que estudou para saber e superiormente interpreta.
Dir-se-ía que toda a sua alma, a alma que se abriga no envólucro gracil e insinuante do seu físico, passa para as cordas que os seus dedos pisam com uma intenção justa e sentida, que nos leva consigo em sensações máximas de espiritualidade.

No meio musical o nome de Maria Alice Ferreira é quási que desconhecido. Após o concerto do próximo dia 4, em que ela se vai apresentar como solista da Grande Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, o número dos seus admiradores vai decerto ser o dos que a ele vão assistir.

A seu pai, o grande industrial Delfim Ferreira, as nossas mais sinceras saudações, que antecipadas, certas do grande triunfo e dos aplausos que sua filha vai receber, bem como sua professora, a eminente artista Guilhermina Suggia.
A glória dos alunos é a maior glorificação dos Mestres.
De “O Norte Desportivo” de 2-V-1937
(Cedido por Luís Sá Pessoa)

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março 05, 2008

PRIMEIRA NOITE DE ARTE de MARIA ALICE FERREIRA EM 4 de MAIO de 1937 -(4) "MARIA ALICE FERREIRA UMA JOVEM E ADMIRÁVEL VIOLONCELISTA"

Depois de ter apresentado Madalena Moreira de Sá e Costa e Aubrey Rainier, violoncelistas admiráveis que os dilettanti do Pôrto e de Lisboa ouviram, já em concertos memoráveis, Guilhermina Suggia vai apresentar, em Maio próximo, um novo prodígio musical. Tendo a rara felicidade de preparar talentos de gema e de abrir a carreira da música a vocações de eleição, a eminente concertista e professora vai projectando a sua glória sobre aqueles a quem o seu grande nome serve, por assim dizer, de arrimo para a difícil jornada. Continuando de posse do supremo título, Guilhermina Suggia orgulha-se, justamente, dos discípulos que apresenta. E, quando a glória, como nos casos citados, os começa a bafejar, a insigne artista tem o direito de se sentir maior, porque a glória dela, será, sempre, um reflexo da sua própria glória.

Desta vez, Guilhermina Suggia, aperfeiçoadora de grandes talentos, vai, por certo, obter um novo triunfo na pessoa duma nova discípula, a quem, sem favor, se pode qualificar, já, de excepcionalmente talentosa. Ouvimo-la, há dias, por indicação amável de quem, no remanso familiar, num lar que é, também, retiro espiritual consagrado à música, a tem podido ouvir, e, depressa, nos convencemos de que a juvenil violoncelista pode enfileirar na galeria dos nossos melhores concertistas e tornar-se, portanto, credora da admiração de todos os musicófilos.

Após o último concerto da Grande Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, o Maestro Pedro de Freitas Branco efectuou, no Teatro Rivoli, no sábado pretérito, de manhã, um ensaio de conjunto com a jovem Maria Alice Ferreira. Algumas pessoas de categoria nos nossos meios social e artístico, poucas, tiveram o prazer espiritual de escutar a discípula de Guilhermina Suggia. E, apesar de se tratar dum ensaio, de faltar o ambiente propício às grandes emoções artísticas, de, volta e meia, a voz do maestro soar para um reparo, uma indicação, uma chamada, de, aqui e acolá, se suspender a execução, de não haver, em suma, carácter de concerto, ao talento da concertista solista não faltou o ensejo de ser posto à prova nem ao pequeno auditório o de observar as faculdades admiráveis daquela.
Quatro obras, das melhores que para violoncelo existem, foram tocadas por Maria Alice Ferreira: o Concerto de Lalo Allegro appassionato, de Saint-Saëns, Kol Nidrei, de Max Bruch, e Tarantelle, de David Popper. Com que superioridade a novel concertista as executou a todas! As páginas difíceis de Lalo, que requerem vigor e agilidade, demonstraram bem do que era capaz a executante. Observando todos os efeitos e salientando-os sem os exagerar, Maria Alice Ferreira provou que sabe dominar o instrumento e fazê-lo vibrar ao sabor do seu temperamento artístico fortemente individuado. Impecável de técnica, manteve, do princípio ao fim do concerto, aquela unidade de execução que aponta a verdadeira artista.

Na verdade, fraseando com uma perfeita limpidez, obtendo do instrumento (não era aquele com que deverá apresentar-se em público) uma sonoridade magnífica, sempre aveludada e pura, fortíssimo ou pianíssimo que toque, e evidenciando uma arcada elegante e nobre, apaixonada e comunicativa se a obra interpretada justifica paixão e comunicatividade, Maria Alice Ferreira revelou o estofo duma grande violoncelista. A emoção com que produziu, por exemplo, os graves lamentosos da peça judaica e a vibratilidade que imprimiu à dança de Popper expuseram nitidamente, as suas facetas de intérprete e executante, fiel à rubrica das páginas que toca mas incapaz de lhe sacrificar a sua radiosa e fogosa individualidade.

E, afinal, quem é a novel artista? — perguntar-se-á no meio musical, onde o nome de Maria Alice Ferreira é, ainda, desconhecido. Filha do conhecido industrial sr. Delfim Ferreira e da sr.a D. Sílvia Gomes Ferreira, uma artista acrisolada, também, a quem se deve, principalmente, o estímulo artístico de que a encantadora Maria Alice está a beneficiar, a juvenil violoncelista, quinze anos apenas de idade, foi aluna de Augusto Suggia, de cujas mãos hábeis e proficientes passou para as de Guilhermina Suggia. Nunca se exibiu em público. Cultiva a música no aconchego do lar e é admirada, tão somente daqueles que o frequentam. Há pouco tempo — e excepcionalmente — tocou numa festa íntima da colónia inglesa no Porto.

Mas os seus admiradores, poucos entretanto, vão ser, em breve, muitos. É que Maria Alice Ferreira, a quem não faltam graças físicas a emoldurar as espirituais e morais, vai apresentar-se, na primeira semana de Maio próximo, como solista, num dos dois novos concertos que a Grande Orquestra Sinfónica Nacional vem realizar nesta cidade.
O Porto musical terá então, na sua presença, uma concertista de mérito admirável, que poderá honrar a cidade e o País a que pertence, dentro e fora dele.

De “O Comércio do Porto” de 21-IV-1937

(Cedido por Luís Sá Pessoa)

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março 04, 2008

PRIMEIRA NOITE DE ARTE de MARIA ALICE FERREIRA EM 4 de MAIO de 1937 (3)

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(Cedido por Luis Sá Pessoa)

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fevereiro 06, 2008

PRIMEIRA NOITE DE ARTE de MARIA ALICE FERREIRA EM 4 de MAIO de 1937 -(2)

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(Cedido por Luis Sá Pessoa)

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janeiro 04, 2008

PRIMEIRA NOITE DE ARTE de MARIA ALICE FERREIRA EM 4 de MAIO de 1937

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novembro 07, 2007

VINHO DO PORTO

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Anúncio ao vinho do Porto (com uma violoncelista) publicado no ARQUIVO MUSICAL PORTUGUÊS de 1943, de César Leiria

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setembro 17, 2007

CAPA DO PROGRAMA DO CONCERTO de 25 de JANEIRO de 1937 no TEATRO POLITEAMA

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do livro "GUILHERMINA SUGGIA - A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

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julho 18, 2007

FOI NESTE HOTEL QUE GUILHERMINA SUGGIA E O Dr. JOSÉ CARTEADO MENA SE VIRAM PELA PRIMEIRA VEZ

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Realiza-se o casamento na maior intimidade, com o pequeno cortejo de impecáveis o coro configurando. Olhando atrás, vê Guilhermina as saletas do Hotel do Porto, em seu desconchavo de couros e cetins mal combinados, para onde, com a mãe enferma, temporariamente se transplantara. Quando o doutor lhe aparecera, avançando a fechar uma janela além da qual a parada dos pedintes não cessava, alguém os apresentara, numa breve efusão que o murmúrio interromperia dos que se encostavam ao bar. Logo o médico lhe pareceu viva expressão da boa pessoa, tratando-a por «minha senhora», lembrando as obras que mais lhe diziam com um «divino» em surdina, já caído, por então, em completo desuso. Estão finalmente, contudo, preparados para o fotógrafo, seguros do acto e resignados, ao lado de Teixeira Lopes, escultor e frustrado patriarca, que a bênção benévola lhes veio outorgar.
Do livro “GUILHERMINA” de Mário Cláudio, agora reeditado

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julho 11, 2007

SALA DO TEATRO AVEIRENSE - UMA FOTOGRAFIA ACTUAL

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Foi nesta sala que em 31 de Maio de 1950, Guilhermina Suggia daria o seu último recital. Tocou acompanhada ao piano por Maria Adelaide de Freitas Gonçalves. Interpretou obras de Locatelli, Saint-Saëns, Boccherini, Bach, Fauré, Weber, Chopin. Schubert e Falla. Voltou para a sua casa da Rua da Alegria no Porto com o carro, conduzido pelo seu empregado António Igregias da Silva, cheio de flores. Apesar de tudo ia triste. Muito triste. A 28 de Junho - menos de 1 mês aopós o recital - estava a ser operada numa clínica em Londres.
Regressa ao Porto a 17 de Julho. Morreria no dia 30 às 11 e tal da noite, na sua casa da Rua da Alegria. Pede à sua empregada Clarinda que, depois de morrer, ponha o seu violoncelo Montagnana ao seu lado na cama.

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julho 02, 2007

RUA GUILHERMINA SUGGIA EM LISBOA

Freguesia(s) - Alvalade
Início do Arruamento em: Avenida Frei Miguel Contreiras
Fim do Arruamento em: Avenida dos Estados Unidos da América
Data de Edital: 20/10/1955
Designações Anteriores: Era a Rua 59 do sítio de Alvalade.
Historial: Por sugestão do Vice-Presidente da Câmara foi inscrita na toponímia de Lisboa Guilhermina Suggia (Porto/1888 - 1950/Lisboa), uma brilhante violoncelista, que se iniciou na área pela mão de seu pai e aos 7 anos se estreou, para seis anos mais tarde integrar o quarteto de música de câmara do Orfeão Portuense. Granjeou fama mundial e foi distinguida com a Medalha de ouro da Cidade do Porto (1938), a comenda da Ordem de Santiago e o oficialiato da Ordem de Cristo (1944).

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junho 30, 2007

PLACA DESCERRADA EM 27 de JUNHO, NA CASA ONDE VIVEU GUILHERMINA SUGGIA, NA RUA DA ALEGRIA 665

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Placa em bronze, da autoria da escultora IRENE VILAR, com a apoio do Arq JOAQUIM TEIXEIRA, descerrada no dia do 122º aniversário do nascimento de GUILHERMINA SUGGIA, na casa onde viveu de 27 de Agosto de 1927 a 30 de Julho de 1950 - data em que nela morreu.
Uma acção conjunta da Associação Guilhermina Suggia e da Câmara Municipal do Porto.

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junho 28, 2007

DESCERRAMENTO DE PLACA EVOCATIVA NA CASA ONDE VIVEU GUILHERMINA SUGGIA - ONTEM dia 27/06

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Na verdade esperava que estivessem mais pessoas na cerimónia. Tive pena. Mas o importante foi feito. Que venham muitas mais coisas importantes. Nada será demais para honrar quem tanto nos honrou.

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junho 27, 2007

DESCERRAMENTO DE PLACA NA CASA ONDE GUILHERMINA SUGGIA VIVEU - HOJE ÀS 18,30 na RUA DA ALEGRIA, 665 PORTO

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Este é o molde, em gesso, da placa da autoria da escultora Irene Vilar, que teve o apoio do Arq Joaquim Teixeira, que será descerrada às 18, 30h hoje, na casa da Rua da Alegria 665, onde Suggia viveu de 27 de Agosto de 1927 a 30 de Julho de 1950 (data em que nela morreu)

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junho 20, 2007

DESCERRAMENTO DE PLACA NA CASA ONDE VIVEU GUILHERMINA SUGGIA, de 27 de AGOSTO de 1927 a 30 de JULHO de 1950, NO DIA 27 de Junho - DIA DO 122º ANIVERSÁRIO DO SEU NASCIMENTO

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A Associação Guilhermina Suggia e a Câmara Municipal do Porto têm a honra de o convidar a assistir à colocação de uma placa evocativa na casa onde viveu e morreu a Grande Violoncelista – Rua da Alegria, n.º 665, Porto. A placa, da autoria da Escultora Irene Vilar, será descerrada no próximo dia 27 de Junho, às 18.30 horas.

Junho de 2007

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abril 23, 2007

INTERNET CELLO SOCIETY NEWSLETTER

INTERNET CELLO SOCIETY NEWSLETTER
MESSAGE FROM THE EDITOR
________________________________________
2001, what a year....
As the world has become more tumultous, I have found solace in my ICS activities. What could be a better escape than to focus one's attention on people like Timothy Eddy, Luigi Silva, Bernard Greenhouse, David Finckel, Rostropovich, Frans Helmerson, Aldo Parisot, Natalia Gutman, Laurence Lesser, Piatigorsky, and Guilhermina Suggia. Or to argue about whether our fingers should be flat or curved. Or whether the cellists of the past were better than the cellists of today.
May these kinds of issues loom over all others in 2002.
Tim Janof

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abril 20, 2007

GUILHERMINA SUGGIA IN ENGLAND - A TALK GIVEN BY ANITA MERCIER - TEATRO DE SÃO CARLOS - 12 de MARÇO de 2007 (5)

Suggia was fluent in several languages. She spoke French, German and English as well Portuguese and occasionally all of these languages are used in a single letter. She had an amazing talent with languages and though she often apologized for her English, in fact she expressed herself beautifully in that language. Perhaps this is why she was encouraged to publish several articles in British publications while she was in London. The most important of these articles are two pieces on cello-playing that were published in the journal Music and Letters in the early 1920s.

These are indispensable sources of insight on Suggia’s musical philosophy. She said, for example, that some people have virtuoso technique but little musicality, while others have good musical instincts but little technique. If she had to choose between the virtuoso and the good musician with little technique, she would choose the musician. Suggia, of course, was someone who had it all: formidable technique and profound musicianship. The Music and Letters articles are published in Portuguese translation in Fatima Pombo’s book Guilhermina Suggia ou o violoncello luxuriante.

Another important aspect of Suggia’s life in England is the recordings she made there, mostly between 1925 and 1930. Unfortunately Suggia did not make many recordings, and that is one of the reasons why she is not better known today. Fortunately in 2004 Dutton Laboratories put out a remastered CD of recordings including the Haydn Cello Concerto in D, Bruch’s Kol Nidrei, the Lalo Cello Concerto and the Sammartini sonata in G major. Suggia’s recording of the Haydn Concerto in D is apparently the first ever recording of this concerto. It was recorded in July 1928 with an orchestra led by John Barbirolli.

I think that Suggia did not like to travel very much. She avoided the extensive touring that was and still is an exhausting feature of international music careers. When she lived in England she took trips to play in Portugal and Spain, but very rarely anywhere else. Her career was very much based in England. People often wonder why Suggia did not tour in America, as virtually all of her colleagues did. In fact, Suggia wanted to play in the United States and at various points she made plans to do so, right up to the end of her life. The closest she came was in 1927, when she agreed to play four concerts in several American cities including Washington, D.C. But at the last minute she cancelled the tour, and she never was introduced to American audiences. Which was a shame, because people were very eager to hear and get to know her.

I’ll finish this part of the story of Suggia at the point where she returned to live in Portugal after an absence of over 20 years. It is now the mid-1920s and Suggia is approaching middle age. At this point in her life Suggia is feeling a strong need to get in touch with her roots in Portugal. She left Portugal when she was still a teenager determined to become a great cellist. She worked hard and sacrificed a great deal, and by the age of 40 she could feel some satisfaction. She had achieved what she had set out to do. She certainly wasn’t ready to retire, but I think she felt the need to go back home. She had many friends in England, but even after 10 years it wasn’t really home. It was cold and wet. She wanted to be with her people in her sunny country speaking her language. Also, her parents were quite old increasingly in need of care. So in 1925 she bought a house for her parents in Porto, and shortly thereafter she became engaged to Dr. Jose Mena, and she settled in another house near her parents with him. I’d to leave you with this thought: being Portuguese meant everything to Suggia. She was relieved and very happy to return to live here, and she went on to have 25 more years as a great performer, teacher, and patron of the arts.
ANITA MERCIER

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abril 19, 2007

GUILHERMINA SUGGIA IN ENGLAND - A TALK GIVEN BY ANITA MERCIER - TEATRO DE SÃO CARLOS - 12 de MARÇO de 2007 (4)

Another chapter of my book is about August John’s famous portrait of Suggia.
Edward Hudson commissioned this portrait as an engagement gift for Suggia. When the engagement was broken off, Suggia and John decided that they still wanted to go forward with the project. The painting was begun in 1920 and completed and first exhibited in 1923. Suggia said that she actually played the cello while she sat for the portrait in John’s studio, and that perhaps accounts for the very dynamic and dramatic quality of the portrait.

Suggia was already famous when John’s portrait was begun, and the public exhibition of the portrait made her even more of a celebrity. Today we are accustomed to live in a world ruled by images and icons. The stars and celebrities of today carefully control the image that is presented because image is everything; image is reality. In Suggia’s day the world was a little more innocent about the power of images, and I think that neither Suggia herself nor anyone else anticipated the huge impact that this painting had on her career. For the rest of her life she was described as the subject of the famous painting by Augustus John.
ANITA MERCIER


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abril 18, 2007

GUILHERMINA SUGGIA IN ENGLAND - A TALK GIVEN BY ANITA MERCIER - TEATRO DE SÃO CARLOS - 12 de MARÇO de 2007 (3)

Some time during the War, it’s not clear exactly when, Suggia met a man who was to become a very loyal friend and protector: Edward Hudson. Some sources describe Hudson as a member of the British aristocracy – as “Lord Hudson.” In fact, he was solidly middle class in origin. He inherited a printing business from his father, and on the basis of that he built a small publishing empire that brought him great wealth. Hudson was a friend and patron of the architect Edwin Lutyens, who was commissioned to design several projects for Hudson, including renovations of Hudson’s home at 15 Queen Anne’s Gate in London and his castle Lindisfarne on Holy Island off the Northumberland coast.

Today Lindisfarne is a National Trust Property in England – a museum, essentially.

Aside from being a successful businessman, Hudson was an amateur cellist. He owned a 1717 Stradivarius cello that he gave to Suggia when they became engaged in 1919. It is sometimes reported that Hudson also gave Lindisfarne to Suggia, but I’ve never seen any evidence of that. It seems unlikely. It is a huge historic property, undoubtedly very expensive to maintain, and it is hard to imagine how Suggia could have taken on the responsibility of managing it.

In the end Hudson and Suggia did not marry, but they remained close friends, and she was a very happy visitor at Lindisfarne. By most accounts the castle wasn’t a very comfortable place to stay in, but Suggia loved it. She loved the ocean and the wildness of the place. It was a quiet haven for her, where she could get away from the noise of the city and the stress of the war and just play her cello.


At Lindisfarne there is a room called the Upper Gallery, where a stage-like platform was installed so that Madame Suggia could play for other houseguests at Lindisfarne. One such houseguest was the Bloomsbury writer Lytton Strachey, who met Suggia at Lindisfarne in 1919 and wrote a very memorable account of his time with her. Suggia was also known to other members of the Bloomsbury Group; both Virginia Woolf and Dora Carrington mention attending her performances in their diaries. One whole chapter of my book is on Suggia and Lindisfarne. I call this chapter “The Lady of the Castle” because that is what Lytton Strachey called her.

Anita Mercier

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abril 17, 2007

GUILHERMINA SUGGIA IN ENGLAND - A TALK GIVEN BY ANITA MERCIER - TEATRO DE SÃO CARLOS - 12 de MARÇO de 2007 (2)

In addition to renting 19 and 19A Edith Grove, and putting them together, the Drapers also rented a third house right next door, number 17 Edith Grove. This they used as a guest house for visitors. This 17 Edith Grove is very interesting, because in fact the first fixed address we have for Suggia in London is 17 Edith Grove. There is a letter she wrote in 1917 that gives Edith Grove as the return address, so she was definitely living there by then; I believe she was living at 17 Edith Grove well before 1917, but I have no direct proof of this. The Drapers left London shortly after the war broke out, vacating the three houses on Edith Grove. How did Suggia come to live at 17 Edith Grove? How did that house pass from the Drapers to Suggia? I have no idea. Muriel Draper’s papers are stored at Yale University and I’ve looked into them, but I can find no evidence of transactions between the Drapers and Suggia on the question of 17 Edith Grove. In any case, 17 Edith Grove stands as a fascinating link between Suggia and an extraordinary moment in musical history in the “Draper cave.”

Suggia was definitely living in London by 1917, and by then she was already well-known and very highly respected. It was hard to build a career during World War I but that is exactly what Suggia did. As soon as the War ended and the pace of musical life picked up again, she was in enormous demand. She played at the best halls with the best conductors and accompanists. She was one of the preeminent solo musicians on the British stage in the 1920s.
(Anita Mercier)

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abril 16, 2007

GUILHERMINA SUGGIA IN ENGLAND - A TALK GIVEN BY ANITA MERCIER - TEATRO DE SÃO CARLOS - 12 de MARÇO de 2007 (1)

Estou muito contente por estar convosco esta noite, neste
teatro onde Suggia brilhou como intérprete.
(...)Muito obrigada pela vossa presença.

Suggia was a great artist who had a very distinguished career from the time she was a child prodigy until her death in 1950. However, after her death she fell into the shadows. There simply was not a lot of information about her available. In the absence of real information, a lot of stories were told and many Suggia legends took shape. This began to change in the mid-1990s, when Fátima Pombo published two books on Suggia that made use of extensive use of documents stored in the municipal archive in Matosinhos and other documents in the hands of private individuals. Today, thankfully, we can talk about the life and career of Suggia in far more detail and with greater accuracy than we could in the past.

In thinking about what part of Suggia’s life story to talk about with you tonight, I decided to focus on her life in England from approximately 1914 through 1925. These were years of great achievement and high drama, and I thought that some of the details might be less familiar to people here in Portugal.

Prior to World War I Suggia lived in Paris with Pablo Casals. When their relationship ended Suggia eventually moved to London. I say “eventually” because we don’t know exactly when she moved there. Suggia told an interviewer that early in the War she worked as a nurse in France and went to England whenever possible because it was still possible to make music there.

Suggia and Casals visited England together. At some point they were drawn into a group of musical friends that met in the home of Muriel and Paul Draper in the Chelsea section of London. The Drapers were an American couple who moved to London so that Paul could work on his singing career. They were very sociable and charming and they wanted to create a home where musicians could gather and make music informally. So they rented two houses one behind the other, 19 and 19A Edith Grove, and they knocked out a wall in the basement between the two houses, creating the famous “cave.”

This was a room where some of the most famous musicians of the early 20th century would meet after concerts, late at night; and they would play together just for each other until the break of dawn. Musical regulars included pianists Benno Moiseiwisch, Arthur Rubinstein and Harold Bauer, cellists Felix Salmond and May Mukle, violinists Jacques Thibaud and Paul Kochanski, violist Lionel Tertis, Casals and Suggia and many other celebrated musicians. Eugene Goossens said that on one occasion Casals and Suggia went behind a screen so they couldn’t be seen, and each played the cello in turn, challenging the guests to identify which one was playing when. According to Goossens, nobody could tell the two cellists apart. This would have been just before the outbreak of the War, probably 1912 or 1913.
(ANITA MERCIER)

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abril 03, 2007

"BEMDITA AURORA...GUILHERMINA SUGGIA", de AFFONSO VARGAS (1901)

Sagrou-te Deus, minha gentil artista!
Jovem, já tens nessa cabeça loura
A doce luz – que só os astros doura,
E em que se enleva extasiada a vista

D’essas mãosinhas – que são mãos de fada,
Pendem suspensas ao escutar-te, as almas!
Vibra no espaço o estrondear das palmas,
E mal despontas na afanosa estrada!

Que serás ainda, oh ideial creança,
Filha dilecta a quem a glória ungiu?
Não sei, só sei que o coração sentiu
Nascer de novo o enthusiasmo e a Esp’rança!

28 de Março de 1901

Affonso Vargas

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março 13, 2007

DISCOURS de PAU CASALS A L'ONU 24/10/1971

Casals na ONU 2.jpg

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março 09, 2007

GRANDE COLAR DA ORDEM MILITAR DE SANTIAGO DE ESPADA DO MÉRITO LITERÁRIO, CIENTÍFICO E ARTÍSTICO E DUAS CONDECORAÇÕES EM FAIXA E ALFINETE

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Prata, prata dourada e esmalte vermelho e verde
Condecoração concedida a GUILHERMINA SUGGIA em 1937. que a legou ao Conservatório de Música do Porto.
do catálogo da exposição "SUGGIA, O VIOLONCELO" que decorre na Casa-Museu Guerra Junqueiro até final de Março

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março 07, 2007

CÍRCULO DE CULTURA MUSICAL DO PORTO- TEATRO RIVOLI - 27 de JANEIRO DE 1943

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GUILHERMINA SUGGIA, violoncelista.MALCOLM SARGENT, chefe de orquestra. ORQUESTRA SINFÓNICA NACIONAL. O programa deste concerto incluia o concerto para violoncelo e orquestra de Dvorak e parte do concerto para violoncelo e orquestra de Saint-Saëns.
(do catálogo da exposição "SUGGIA, O Violoncelo" que decorre na Casa-Museu Guerra Junqueiro até final de Março)

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fevereiro 28, 2007

ASSOCIAÇÃO DA ORQUESTRA SINFÓNICA DO CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DO PORTO

programa 4a.jpg
Programa do Concerto para apresentação da Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto.
Solista: GUILHERMINA SUGGIA
Maestro:Carl Achatz
Porto Teatro Rivoli- 21 de Junho de 1948 às 21,45h
Neste concerto, GUILHERMINA SUGGIA, que integrava o conselho artístico da orquestra, executou o concerto em Lá de Saint-Saëns e Kol Nidrei de Max Bruch
do catálogo da exposição "SUGGIA, O Violoncelo" que decorre na Casa Museu Guerra Junqueiro do Porto, até 31 de Março

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fevereiro 23, 2007

MALCOLM SARGENT - GUILHERMINA SUGGIA

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In memory of a wonderful experience with music in Oporto. Jan 26/27 1943

(do catálogo da exposição "SUGGIA, O Violoncelo" que decorre na Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto, até final de Março

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fevereiro 19, 2007

TEATRO RIVOLI- 5 de MAIO de 1937

programa 2a.jpg
Concerto de Guilhermina Suggia com a colaboração da Grande Orquestra da Emissora Nacional, sob a direcção do maestro Pedro de Freitas Branco.
O programa do concerto foi integralmente(?) constituído por peças para violoncelo: ADAGIO de Tartini, SUITE ANCIENNE de Sammartini, CONCERTO DE DVORAK, El SOMBRERO DE TRES PICOS de Falla, SUITE EM DÓ de Bach, PIÈCE EN FORMA DE HABANERA de Ravel, SÉRENADE ESPAGNOLE de Glazunov, HUMORESQUE de SINIGAGLIA.

Foi ainda no decorrer do intervalo deste concerto que foi descerrada uma placa na sala do Rivoli, com a assinatura de Guilhermina Suggia e que, aquando das obras em 2000 foi retirada por acharem que estava num sítio impróprio. Foi mais recentemente colocada num canto escondido dum corredor. Retirada de novo para a exposição "SUGGIA, O VIOLONCELO" Desejamos que volte a ser colocada no Teatro definitivamente.

(do catálogo da exposição "SUGGIA, O Violoncelo" que decorre na Casa-MUSEU Guerra Junqueiro até final de Março

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fevereiro 13, 2007

GUILHERMINA SUGGIA NA POLÓNIA

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Programa de concerto de Guilhermina Suggia, na Polónia, em 1905

do catálogo da exposição "SUGGIA, O Violoncelo" que decorre na Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto, até final de Março

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fevereiro 12, 2007

GUILHERMINA SUGGIA NO WIGMORE HALL-LONDON 1936

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Programa de 3 recitais realizados em 1936 por GUILHERMINA SUGGIA:
- 10 de Fevereiro com George Reeves ao piano. Foram executadas, entre outras peças, a Suite em Sol M de Bach, a Sonata em Lá de Beethoven, Après un Rêve de Fauré, Malagueña de Ravel;

- 17 de Fevereiro com Kathleen Long, foram interpretadas três sonatas: de Brahms, César Franck e Beethoven;

- 24 de Fevereiro com Gerald Moore, foram interpretadas a Sonata em Sol de Sammartini-Salmon e a Toccata de Frescobaldi-Cassadó. Na parte final a Malagueña de Albeniz, Waldesrühe de Dvorak e Humoresque de Sinigaglia.

do catálodo da exposição "Suggia, o Violoncelo" que decorre na Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto, até final de Março

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fevereiro 08, 2007

DIPLOMA PASSADO POR CENTRAL HOSPITAL SUPPLY SERVICE A M.ME G.SUGGIA MENA

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do catálogo da exposição "SUGGIA, O Violoncelo" que decorre na Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto, até final de Março

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dezembro 14, 2006

GUILHERMINA SUGGIA NO "CLUB DE LEÇA"

Por curiosidade, registramos o programa do concerto, que se efectuou no Club de Leça, em 12 de Setembro de 1898, no qual tomaram parte o grande pianista Óscar da Silva e a eminente violoncelista G. Suggia:

1—Ouverture—Xisto Lopes.
2—Souvenir d’Italie—Casela. Violoncelo e piano, Ex.mas Snr.as D. Guilhermina e Virgínia Suggia. (1)
3—Chanson de Solvejg—E. Grieg. Canto. Ex.ma Snr.a D. Berta Lehmann Camêlo.
4—Poesia —Ex.mo Snr. Ernesto de Magalhãis.
5—Morceau Caracteristique —Goltermann. Violoncelo e piano. Ex.mas Snr,as D. Guilhermina e Virgínia Suggia.
6—Fiandeira —Oscar da Silva (2) — Canto. Ex.ma Snr.a D. Berta Lehmann Camêlo.
7—Guilherme Tell—Alex. Batta, Três Violoncelos e piano. Ex.mas Snras. D. Guilhermina e Virgínia Suggia e Ex.mo Snrs. Augusto Suggia e Xisto Lopes.
Ao piano—Óscar da Silva e Xisto Lopes.

Em 1915, para dar lugar às obras do porto comercial de Leixões, foi vendida a magnífica casa do Club de Leça, que teve de fechar as suas portas. Reconhecendo-se, porém, que uma povoação como Leça da Palmeira não podia dispensar uma agremiação recreativa desta ordem, um grupo de antigos sócios do Club de Leça tomou a iniciativa de o ressurgir, instalando-o, em 1917, numa casa da rua José Falcão.

Pouco tempo depois, em 1918, foi o Club de Leça transferido para a casa onde hoje se encontra, na rua Ribeira Brava, continuando as suas honrosas tradições, não só pelo conforto que concede aos seus sócios, mas ainda pelas frequentes festas, sempre brilhantes, que organiza.
Actualmente, tem este club 200 sócios efectivos, 6 beneméritos e 6 honorários.


(1) Guilhermina Suggia, que ocupa hoje um lugar de glorioso destaque entre os mais célebres violoncelistas, é natural do Porto, mas, durante muitos anos, viveu em Matozinnos, onde, cerca de 1880, seu pai, o distinto violoncelista Augusto Suggia, era professor de música na escola do sexo masculino, fundada e mantida pela Confraria do Bom Jesus.
Aos 7 anos, tocou, pela primeira vez, em público, entusiasmando o auditório, pela sua execução e pelo sentimento com que interpretou, fazendo vibrar o seu pequeno violoncelo, a ponto de comover os ouvintes.
Guilhermina Suggia foi a criança prodígio; e prodigiosa tem sido toda a sua carreira.
Aos 13 anos, fazia parte do quarteto Moreira de Sá, com Henrique Carneiro e Gouveia; e, quando este quarteto foi a Lisboa, o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia distinguiram-na, oferecendo-lhe uma pensão, para estudar na Alemanha, com Klengel.
Foi para Leípzig aos 16 anos; e, ainda antes de completar os 17, tomou parte num dos grandes concertos do Gewandhaus, sob a direcção de Nikish. Este concerto representou uma apoteose para a jovem artista e foi o início duma tournée por todos os países da Europa; de forma que, em poucos anos, o nome de Guilhermina Suggia era glorificado em todos os grandes centros musicais.
Durante a grande guerra, a Inglaterra aclamou-a como a maior violoncelista do mundo, e os triunfos sucederam-se de tal forma que não havia festa de importância para que não fosse solicitada. Em saraus de caridade, tocou a pedido da Rainha Alexandra, duquesa de York, princesas Vitória e Cristina; e, em 1932, tomou parte com Kreisler num célebre concerto de Albert Hall, em beneficio dos músicos pobres, sendo apresentada aos Reis de Inglaterra, que a honraram com palavras de admiração e estima.
Guilhermina Suggia possui dois violoncelos de grande valor— um Stradivarius e um Montagnana.
Além da arte, em que é astro de primeira grandeza, Guilhermina Suggia interessa-se pela literatura, fala várias línguas, é amiga dos desportos, e encanta, emfim, sempre que se expande a sua alma de eleição. O seu famoso retrato, pintado pelo grande pintor inglês Augustus John e pertencente à Galeria Nacional de Londres (Tate Gallery) representa bem essa gloriosa personalidade, quê honra a nossa pátria.

(2) Óscar da Silva, pianista insigne, de rara sensibilidade, justamente considerado como um dos melhores discípulos de Clara Shuman, nasceu no Porto, em 1870, mas viveu, longos anos, em Leça da Palmeira, tendo por este recanto gracioso o mesmo amoroso apego de António Carneiro, António Nobre, e tantos outros escritores e artistas Ilustres.
Nesta freguesia, a pedido de muitos dos seus moradores, tem o seu nome a rua em que residiu, nos últimos anos, antes da sua retirada para o Rio de Janeiro, onde actualmente se encontra.
Óscar da Silva é também um compositor verdadeiramente notável, podendo mesmo considerar-se, pela sua inspiração e forma elevada, o primeiro dos compositores românticos da península. Compôs, além da ópera D. Mécia, poemas sinfónicos (Alma Torturada e Marian) música de câmara (Sonata, Trio, Quarteto) e trechos para piano (Imagens, Dolorosas, Tarantela, Páginas portuguesas, e outros mais recentes, vasados em técnica modernista).
A obra musical de Óscar da Silva, parte da qual foi escrita em Leça, é um alto título de glória, não só para o seu autor, mas para a arte portuguesa.


“GUIA DE LEIXÕES” editado em 1934 pela Comissão de Iniciativa de Leixões (constituída por Augusto Cardia Pires, José Pestana da Silva, José Veloso Salgado e Júlio Ferreira Santos Silva)

( Cedido gentilmente pelo sr JOSÉ VARELA)


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dezembro 13, 2006

AGREMIAÇÕES RECREATIVAS - "O CLUB DE LEÇA"

Clube de Leca.jpg
Fundou-se no ano de 1884, sendo seus principais organizadores os snrs. António Manuel Lopes Vieira de Castro, António Alberto de Cerveira Pinto e Manuel Pereira Marques Júnior; e estabeleceu-se numa casa da antiga rua do Arnado, onde se realizou a primeira assembleia geral, para eleger a direcção, em 1 de Setembro de 1884.
Este club constitui-se para reunião e diversão dos seus sócios, tendo salas para conversação, leitura e jogos lícitos; e assim se manteve até 1888, em que, na mesma rua e defronte da primitiva sede, se construiu um esplêndido edifício, especialmente destinado à sua condigna instalação, ficando então com óptimas salas, no rés-do-chão, para leitura, jogos, conversação e restaurante, e com um belo salão de baile, no andar nobre.

No seu novo e excelente prédio, o Club de Leça tomou um desenvolvimento extraordinário, marcando, entre todos os clubs de praias do norte, um lugar de incontestável destaque, pela sua distinta frequência e pelas admiráveis festas que nele se realizaram.

Antigamente, na época balnear, era costume organizarem-se, quási tôdas as semanas, sessões de música, antecedendo a dança.
Fizeram-se assim ouvir, no lindo salão de Leça, muitos dos grandes artistas e dos mais célebres amadores do norte, tais como Oscar da Silva, D. Guilhermina Suggia, Joaquim Casela, D. Alexandrina Castagnoli, Moreira de Sá, Paulo Navone, D. Carolina Palhares, Raimundo de Macedo, Fernando Moutinho, D. Amélia e D. Emília Marques Pinto, D. Laura Leite, Guilherme Aflalo, Frank de Castro, Oscar Laroze, F. Claus, etc.

“GUIA DE LEIXÕES” editado em 1934 pela Comissão de Iniciativa de Leixões (constituída por Augusto Cardia Pires, José Pestana da Silva, José Veloso Salgado e Júlio Ferreira Santos Silva)

( Cedido gentilmente pelo sr JOSÉ VARELA)

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novembro 14, 2006

CÓLERA EM BARCELONA- 1911/12

Aquando da epidemia de cólera em Barcelona, em 1911/12, era necessária uma autorização passada pela Inspeção de Saúde, para viajar de um sítio para outro, ainda que perto.

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setembro 08, 2006

DE NOVO O TESTAMENTO DE GUILHERMINA SUGGIA

Eu, Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia Carteado Mena, viúva, violoncelista, residente na Rua da Alegria, número seiscentos e sessenta e cinco, desta cidade do Porto, encontrando-me no uso pleno das minhas faculdades e livre de qualquer coacção, faço por este meio e meu testamento e disposições de última vontade, para que se cumpram e respeitem tais como passo e enunciar:
Sou Católica Apostólica Romana e, como tal, quero que o meu enterro se realize em obediência ao que manda a Santa Madre Igreja. O meu Corpo deverá ser sepultado no Cemitério de Agramonte, desta cidade, onde repousam as cinzas de meus pais e meu marido.
Quanto aos bens que possuo e existam à data da minha morte, são eles assim distribuídos:
-O meu violoncelo “Stradivarius”juntamente com dois arcos, um “Tourte” e outro “Voirin”, que se encontram na posse da Embaixada Inglesa em Lisboa, será enviado pelo nosso Embaixador à casa Hills de Londres, a fim de ser por ela adquirido ou vendido pelo melhor preço que se obtenha e o seu produto entregue à “Royal Academy of Music”, que o aplicará, segundo o melhor critério, por forma que o rendimento daí obtido se destine à criação de um prémio denominado “Guilhermina Suggia”, a atribuir, anualmente, ao melhor aluno de violoncelo,
-Possuo outro violoncelo, “Montagnana”, que igualmente será vendido pelo melhor preço, quantia essa que lego ao Conservatório de Música do Porto – através da Câmara Municipal do Porto, se o dito Conservatório continuar a pertencer-lhe, ou do Estado, se porventura ele passar a ser nacional – a fim de, com o rendimento deste legado, se instituir, também, um prémio designado “Guilhermina Suggia”, a atribuir, em cada ano, ao melhor aluno de violoncelo do referido Conservatório. Nesta venda será dada preferência à Senhora Dona Maria Alice Ferreira, filha do Senhor Delfim Ferreira, morador na Rua Dom João Quarto, duzentos e trinta e nove, desta cidade, se esta, na devida altura, pretender adquiri-lo.
Lego, ainda, ao mesmo Conservatório, a minha biblioteca musical – material de orquestra e literatura de violoncelo -, objectos esses a que será dada instalação condigna, para que, dessa forma, o culto, que eu toda a minha vida dediquei à arte musical, perdure e sirva de incentivo a todos – Mestres e Discípulos – que à Arte se dedicam.-

O meu violoncelo “Lockey Hill” lego-o ao Conservatório Nacional de Lisboa, como homenagem a meu pai, que foi aluno desse Conservatório.
-Ao meu criado António Igregias da Silva, deixo o meu automóvel Renaul – NN-cinquenta-zero-zero-, como testemunho de reconhecimento pela dedicação para com meu marido, e, bem assim, as ferramentas e utensílios que se encontrem na minha garagem, legado este que deixará de subsistir se eu, antes da minha morte, tiver transferido para esse dito criado o automóvel e utensílios em referência.
À Excelentíssima Senhora Dona Ernestina da Silva Monteiro, professora de piano, residente na Praça Mouzinho de Albuquerque, sessenta e nove, desta cidade, lego o meu piano de cauda “Franz Arnold”, que se encontra no salão da minha casa.
Mais lego à Excelentíssima Senhora Dona Maria Adelaide de Freitas Gonçalves, professora do Conservatório do Porto, a quantia de cinquenta mil escudos, em dinheiro, como lego, também, a quantia de vinte mil escudos à Sociedade Protectora dos Animais, desta cidade.
Quanto ao prédio que possuo e me pertence na Rua da Alegria, número seiscentos e sessenta e cinco, desta cidade, lego-o em usufruto a Dona Isabel Pereira Caldas Vilarinho de Carvalho Cerqueira, moradora na Rua Álvares Cabral, número cinquenta, desta cidade, e a raiz do mesmo ao Colégio Ultramarino das Missionárias de Maria, em Arcozelo, Barcelos, para, com o seu produto, auxiliar a construção de uma capela destinada ao culto privativo desse dito Colégio. Se, porém, à data em que o legado for recebido, essa capela tiver sido já construída, será o mesmo aplicado, a quaisquer fins inerentes ao exercício do culto.
Em documento que fiz, por mim escrito e assinado, contém-se a disposição de vários objectos mobiliários que possuo, documento esse que se cumprirá inteiramente, a menos que, antes da minha morte, eu resolva transferir tais objectos para os respectivos beneficiários.
Todos os legados instituídos e que não sejam, por Lei, isentos de imposto sucessório, são feitos sem quaisquer encargos, pelo que estes sairão do remanescente da minha herança.
Os valores que, porventura, existam, à minha morte no Westminster Bank Limited, de Londres lego-os a Miss Muriel Collins, moradora no número quarenta e nove Campden Hill Square – London, para esta lhe dar o destino, conforme as instruções que de mim tenha recebido.
Finalmente, e uma vez cumpridos todos os legados, que aqui ou em documento separado eu tenha instituído, disponho dos restantes bens a favor de Dona Isabel Pereira Caldas Vilarinho de Carvalho Cerqueira, atrás referida, a quem deixo, portanto, o remanescente da minha herança.
Para testamenteiros, que executarão fielmente todas as disposições da minha vontade, nomeio: Alberto Carlos de Carvalho Cerqueira, casado, residente na Rua Álvares Cabral, número cinquenta, desta cidade. Miss Muriel Tait, solteira, de nacionalidade inglesa, residente na Rua de Entrequintas, número cento e cinquenta e cinco, desta mesma cidade, e o Doutor Alberto Pires de Lima, casado, advogado, residente na Rua de Naulila, número duzentos e vinte e um, também desta cidade.
Assim, dou por terminado este meu testamento, escrito a meu rogo, para que se cumpra tal como nele se contém e revogo qualquer outro anterior que eu haja feito.
Porto, Vinte e dois de Junho de mil novecentos e cinquenta
Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia Carteado Mena

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abril 11, 2006

PLACA DE HOMENAGEM A SUGGIA, REPOSTA no RIVOLI

lapide1.jpg
Esta é a placa descerrada em 1937 no Teatro Rivoli, em homenagem a GUILHERMINA SUGGIA. Foi retirada aquando das obras do Rivoli e não havia sido reposta.
Recebemos agora informaçao da Drª Isabel Alves Costa, directora artística daquela Teatro, que transcrevemos:

"Tenho a honra de informar que a placa de homenagem a Guilhermina Suggia está já afixada no Teatro Rivoli.

Por motivo das obras de renovação do Teatro não a repusemos no lugar onde foi descerrada, mas o arquitecto escolheu um local onde essa e as outras placas agora se encontram.

Com os melhores cumprimentos

Isabel Alves Costa
Directora Artistica
Rivoli - Teatro Municipal


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abril 09, 2006

GUILHERMINA SUGGIA (27/6/1885-30/7/1950)

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Guilhermina Suggia viveu para a Arte, e, servindo-a com fervor e perfeita dignidade, cobriu de glória a sua e nossa Pátria.
Um dia, o Senhor, querendo experimentá-la, deu-lhe uma grave e dolorosa doença. E ela, certa de que morria, entregou-se voluntária e serenamente nas mãos de Deus, confiando na Sua Justiça e Infinita Misericórdia.
A sua vida foi um Sonho de Beleza. A sua morte um alto exemplo de resignação cristã.
Rezemos uma oração pelo eterno descanso da sua alma de grande Artista.
(Cedido por Isabel Millet)

Nota de VM: Não posso deixar de fazer um reparo porque me dói muito. Não posso pensar que qualquer religião aceite que o "Senhor" o "Deus" experimente quem quer que seja com doenças graves e dolorosas. Creio que hoje estas ideias mudam. Felizmente. A dor nunca dignifica. Nem a doença. Que me desculpem eu fazer este reparo mas não consegui passar sem o fazer.

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março 27, 2006

CAPA DO PROGRAMA DO FESTIVAL DE EDIMBURGO 1949

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Foi neste Festival que Guilhermina Suggia fez a sua última actuação em Inglaterra

(Guilhermina Suggia, que tomou parte no 3º Festival Internacional de Música e Arte Dramática, em Edimburgo (o I Festival teve lugar em 1947), conquistou de tal modo a admiração do público que ainda ontem, para sair do teatro, teve de intervir a polícia.
A violoncelista, a divina, a única, a incomparável, criou para seu uso uma constelação e também uma janela aberta para a Terra inteira. Só lhe faltam as asas de anjo para poder subir ao Céu e tocar violoncelo aos pés de Deus".)

(Diário de Notícias- sem indicação da data)

(Cedido por Isabel Millet)

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março 05, 2006

O GRANDE LIVRO DOS PORTUGUESES- (CÍRCULO DOS LEITORES)

SUGGIA, Guilhermina. Violoncelista (Matosinhos 27.6.1888--ib. 31.7.1950). De ascendência italiana, era filha do professor de Música Augusto Suggia. Aos 7 anos exibiu-se em público no Clube de Matosinhos e aos 13 integrou, como violoncelista, o reputado Quarteto de Moreira de Sá, do Orfeão Portuense. O êxito por ela então alcançado, tanto no Porto como em Lisboa, fez que a rainha D. Amélia lhe obtivesse uma bolsa de estudos no estrangeiro. Nesse mesmo ano de 1901 seguiu para a Alemanha e com 17 anos apenas actuou em Leipzig, numa das salas mais afamadas do país, no Concerto de Volkman, sob a direcção de Artur Nikisch.

O seu nome tornou-se conhecido nos meios musicais de toda a Europa. Esteve algum tempo casada com o violoncelista espanhol Pablo Casals. Fez digressões artísticas pelos diferentes países europeus, demorando-se de preferência na Inglaterra, onde o seu retrato, da autoria de Augustus John, feito em 1923, figura na Tate Gallery, de Londres. O último grande êxito da sua longa carreira artística, recheada de tantos triunfos, obteve-o a 27.8.1949, ao actuar no famoso Festival de Edimburgo com a Orquestra Escocesa da BBC, quando já se encontrava atingida pela doença que a vitimou. Foi, até ao presente, a mais afamada executante portuguesa de violoncelo. O seu estilo era ao mesmo tempo castigado e sensível até à fogosidade. Com a venda de três dos violoncelos por ela usados (sendo um Stradivarius) instituiu prémios anuais a serem atribuídos aos melhores intérpretes de violoncelo na Royal Academy of Music, de Londres, e nos Conservatórios de Lisboa e do Porto.

O GRANDE LIVRO DOS PORTUGUESES
Textos Redigidos ou realaborados por Manuel Alves de Oliveira. Edição de Janeiro de 1991 nº 2964 do CÍRCULO DOS LEITORES

Guilhermina Suggia, nasceu no Porto, na Rua Ferreira Borges, e não em Matosinhos como está referido, em 27 de Junho de 1885. Morreu no Porto em 30 de Julho de 1950.

Não foram 3 os violoncelos deixados para atribuição de Prémios, mas 2:
o STRADIVARIUS, à Royal Academy of Music, de Londres. O MONTAGNANA ao Conservatório de Música do Porto ( Aqui haverá, certamente muito para dizer. E fazer!) e um 3º violoncelo - o Lockey Hill - ao Consertório de Música de Lisboa, em homenagem a seu pai, Augusto Suggia, que aí foi aluno e professor ( este violoncelo está exposto no MUSEU DA MÚSICA em Lisboa.

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novembro 15, 2005

EVOCANDO GUILHERMINA SUGGIA - "ORPHEON PORTUENSE-1950"

orfeon.jpg
(Cedido por João Pedro Mendes dos Santos)

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novembro 09, 2005

SOCIEDADE DE CONCERTOS DE LISBOA- 6/5/1924- TEATRO NACIONAL DE S. CARLOS

Suggia - Viana da Mota 6-5-1924 01.jpg
(cedido por João Pedro Mendes dos Santos)

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outubro 26, 2005

ASSINATURA NO LIVRO DE HONRA DO TEATRO AVEIRENSE

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Em 31/5 estão as assinaturas de Guilhermina Suggia e Maria Adelaide Diogo de Freitas Gonçalves, que a acompanhou ao piano.
Podem ver-se de seguida as Assinaturas de Palmyra Bastos, Amélia Rey-Colaço, Aura Abranches (?) Mariana Rey-Monteiro, Luz Vellozo e Robles Monteiro, actores do Teatro Nacional D Maria II

(Foto gentilmente enviado por MRF

Publicado por vm em 01:22 AM | Comentários (0)

outubro 25, 2005

ÚLTIMO RECITAL DADO POR GUILHERMINA SUGGIA

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Neste recital para os sócios do Círculo de Cultura Musical de Aveiro foi executada a Sonata de Locatelli, a Sonata em Dó menor de Saint-Saëns e pequenas peças de Boccherini, Bach, Fauré, Weber, Chopin, Schubert e Falla.

Do livro "Guilhermina Suggia A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

Publicado por vm em 12:46 AM | Comentários (1)

outubro 24, 2005

NO TEATRO AVEIRENSE- A HOMENAGEM A GUILHERMINA SUGGIA

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ESta é a placa completa que se encontra no Teatro Aveirense. Nela se refere o último recital que Guilhermina Suggia deu e também que " A GENIAL ARTISTA INAUGUROU NESTE TEATRO EM 10-IV-1946 OS CONCERTOS DA DELEGAÇÃO DO CÍRCULO DE CULTURA MUSICAL"
Foto cedida gentilmente por MRF

Publicado por vm em 12:00 AM | Comentários (0)

outubro 22, 2005

PLACA NO TEATRO AVEIRENSE, ONDE GUILHERMINA SUGGIA DEU O SEU ÚLTIMO RECITAL

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Foi no Teatro Aveirense, em Aveiro, que Guilhermina Suggia deu o seu último recital em 31 de Maio de 1950.
Foi acompanhada ao piano por Maria Adelaide de Freitas Gonçalves.

Contrariamente ao que aconteceu no Teatro Rivoli, na cidade onde nasceu, o Teatro Aveirense mantém a placa que assinala a passagem da grande violoncelista por aquele local

Foto que nos foi enviada gentilmente por MRF

Publicado por vm em 10:07 AM | Comentários (0)

junho 27, 2005

HÁ 120 ANOS NASCEU GUILHERMINA SUGGIA

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Há 120 anos numa casa da Rua Ferreira Borges, já demolida, nasceu aquela que viria a ser umas das mais importantes figuras musicais do seu tempo.

Passados 120 anos do seu nascimento irá ser feita a escritura no Porto, da ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA. Associação que tem como objectivos estudar, divulgar o seu espólio a sua memória e criar a CASA-MUSEU GUILHERMINA SUGGIA. Oxalá saibamos. Portugal deve a G. Suggia aquilo que outros países nunca lhe negaram

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junho 21, 2005

ASSINATURA NO LIVRO DE HONRA DA ORQUESTRA SINFÓNICA DA EN

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1949
Recordando os concertos em que com a vossa amiga colaboração me fizeram viver momentos de grande prazer espiritual e de tão íntimo encanto, faço votos pela continuidade do êxito sempre crescente, não só neste paiz como no estrangeiro, da Orquestra da Emissora que tanto tem honrado o nosso Portugal.
Guilhermina Suggia
(Cedido pelo Museu da Rádio)

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março 28, 2005

À MINHA MUITO TALENTOSA COLEGA...

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"O maior mérito que uma pessoa talentosa pode ter, é partilhar o seu talento com os outros."(Leonardo da Vinci)

À minha muito talentosa colega, Guilhermina Suggia, como recordação da sua estada em Franckfurt
Hugo Becker

do livro "Guilhermina Suggia A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

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dezembro 28, 2004

SUA MAGESTADE EL-REI CONCEDE PENSÃO ANUAL DE 650$000

DOC[1]. ANT lamas.jpg
MINISTÉRIO
Do
REINO
Direcção Geral
De
Instrucção Pública
Lº59 Nº 191

Tendo sido autorisada, por Decreto de 10 do corrente, a creação de novas pensões no Conservatório real de Lisboa, para artistas musicais de reconhecido mérito.
Attendendo a que a artista Guilhermina Suggia tem dado provas de elevada competência na execução do violoncello, como consta das informações obtidas:
Da Sua Magestade El-Rei por bem conceder-lhe a pensão annual de 650$000 reis, com direito somente a mais o abono das despezas de viagem de ida e regresso, pelo tempo de trez annos, para ir ao estrangeiro aperfeiçoar-se na sua especialidade, devendo celebrar-se o respectivo contrato perante o Inspector do Conservatório real de Lisboa.
Paço em 20 de Setembro de 1901
(Assinatura ilegível)
(Cedido por Isabel Millet)

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novembro 22, 2004

A MORTE DE ANTÓNIO LAMAS, NA REVISTA "ARTE MUSICAL" de 31/7/1915

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É com o coração confrangido por vivissima dôr que vimos hoje depôr sobre o ataúde recémfechado de Antonio Lamas uma homenagem de sentida saudade e respeito. Saudade pelo amigo dedicado e querido, pelo infatigavel companheiro de tantas lutas e trabalhos: respeito e admiração pelo musico, tão despretensioso e honesto, que a nossa arte inesperadamente acaba de perder.

A morte repentina de Antonio Lamas produziu um commovido alvoroço no nosso meio musical; todos o estimavam, todos lhe haviam aquilatado os grandes dotes de coração, a inquebrantável bondade de alma, a rara modestia – e a par de tudo isso – incontestaveis qualidades de artista consciencioso, trabalhador e devotado, como nenhum, á sua arte predilecta.
Nós outros, que tanto privamos com o ilustre amador, não podemos ter hoje o espírito sufficientemente desanuveado para tentarmos, sequer, um esboço do que foi a sua vida de musico. Mal teremos a precisa calma para alinhavar umas notas despretenciosas, que poderão quando muito servir de ponto de partida para trabalho de maior fôlego e autoridade.
Desde muito novo se dedicou Antonio Lamas ao estudo do violino. Discipulo dilecto de Antonio Narciso Pitta (1835-1893), herdou-lhe, com muitas das suas qualidades tecnicas, esse retrahimento, essa modestia, esse horror pela grosse caisse, que constituiam o fundo essencial do caracter d’esse primoroso mestre. E se compararmos a physionomia moral do violino e da violeta, a esphera de acção de um e de outro instrumento, a psychologia especial de cada um d’elles e até as respectivas colorações do timbre, convencemo-nos facilmente que Antonio Lamas nasceu mais violetista que violinista. Já alguém o disse n’estas mesmas columnas com os seguintes termos: -Para traçar o perfil d’este sympathico vulto de amador-artista, tão justamente querido em todos os nossos centros d’arte, quasi seria preciso esboçar a monographia do doce e suggestivo instrumento que elle tão amorosamente cultiva – a violeta. Por arrojada que pareça esta confrontação do musico com o instrumento por ele executado, é certo que há no caso presente curiosas affinidades entre um e outro – a mesma tinta suave no carácter, a despretenção com que um e outro se esquivam a evidencias vistosas, a sisudez, a ductilidade, a nobreza levemente melancholica, que são outras tantas características do feitio moral e artístico do tocador e constituem egualmente a feição dominante do seu dilecto instrumento.”
Antonio Lamas tinha de ser portanto um tocadôr de violeta. Alguem lh’o fez notar, significando-lhe ao mesmo tempo que, bom violinista como era, lhe não seria difficil adquirir uma excellente technica na violeta, preenchendo assim uma lacuna que muito se fazia sentir no nosso paiz, onde eram e continuam a ser raros os bons violetistas de quarteto. Não hesitou o estudioso amador, tanto mais que, na creação da Sociedade de Musica de Câmara (1899), se notava a falta de um especialista, que de corpo e alma se votasse a esse instrumento.
A partir d’então, Antonio Lamas trabalha sem descanço, adequando em poucos annos as suas primorosas qualidades de tocador á nova technica e conseguindo verdadeiros triumphos não só na Sociedade de Musica de Câmara mas em outros grupos similares onde collaborou com algumas summidades da arte, entre ellas Rey Colaço, Arbós e Rubio.
Enthusiasta da musica antiga, movido por uma sadia curiosidade pela arte dos seculos XVII e XVIII, cujos segredos conscienciosamente procurou desvendar, não tardou que quizesse cultivar um dos instrumentos característicos d’essa epoca – a viola d’amôr. N’este poético instrumento d’arco, que a caprichosa moda banniu por completo da arte moderna, Antonio Lamas teve muitas occasiões de se fazer applaudir, quer como solista, quer na musica de conjuncto. Estão ainda na memoria de muitos as deliciosas audições historicas que, com instrumentos antigos, se realisaram em 1906 no Salão do Conservatorio. Foi elle um dos seus principaes promotores, collaborando tambem nos concertos ao lado de Louis Van Waefelghem, Georges Papin, Hernâni Braga e, para o canto, D. Bertha Daupias.
Muitas vezes se apresentou depois d’isso, em concertos particulares e publicos, como solista de viola d’amôr; muitas vezes o admiramos na famosa Sonata de Ariosti ou em alguns d’esses trechos pequenos, alguns de sua propria composição, em que tão distinctamente fazia valer a discreta e poetica sonoridade da velha viola. Hoje morreu o tocador e morreu tambem, entre nós, o instrumento, visto que elle era o unico portuguez que praticamente o conhecia.
Especialisando-se na musica dos seculos idos, colleccionando instrumentaes do passado, Antonio Lamas era naturalmente lembrado sempre que se pretendia organisar uma festa de caracter historico-musical. N’essas, entre nós, raras solemnidades de pura e requintada arte, elle tinha indicado o seu logar de consciencioso organizador, em festas memoraveis, como as que foram promovidas em tempos pelos srs. José Lino Júnior, dr. Alfredo da Cunha, dr. Lopes Vieira, etc.
Referimo-nos há pouco á colleção instrumental de Antonio Lamas. Ella é effectivamente bastante curiosa, e mesmo notavel no tocante aos cravos portuguezes, entre os quaes se distinguem algumas peças extremamente interessantes e raras. Antonio Lamas que consagrava á sua colleção um bem justifficado amor, dedicava longas horas á sua conservação e bom acondicionamento.
Terminando estas breves notas, diremos ainda que o nosso illustre amador havia sido nomeado há pouco mais de um mez para a cadeira que ficou vaga no Conselho d’Arte Musical pelo fallecimento de Ernesto Vieira. D’esse logar se desempenhou, durante esse curto período, com aquella devoção, seriedade e desinteresse que punha em todos os trabalhos d’arte.
Deixando-nos para sempre, Antonio Lamas, deixa no coração de todos os que de perto o conheceram uma marca indelevel de saudade e de desgosto.

Michel’Angelo Lambertini

A ARTE MUSICAL, Lisboa, 31 de Julho de 1915


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novembro 15, 2004

MENU DE CASAMENTO DE GUILHERMINA SUGGIA COM DR CARTEADO MENA

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Servida na Rua da Alegria, 665, e fornecida pelo CONFEITARIA DO BOLHÂO, a ementa do almoço de casamento de GUILHERMINA SUGGIA com o Dr Carteado Mena, em 27/8/1927.

do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

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outubro 23, 2004

PROGRAMA DO RECITAL DE HOMENAGEM À MEMÓRIA DE G.SUGGIA - 25/11/1950

HOMENAGEM À MEMÓRIA DE GUILHERMINA SUGGIA
SALÃO NOBRE DA UNIVERSIDADE – 25 de Novembro de 1950

PROGRAMA

BACH- Suite em ré menor (Preludio – Alemande – Courante - Sarabande – Menuetto – Gigue)
VIOLONCELO – D. Maria Isabel Cerqueira
..................................................
HÄNDEL-HALVORSEN – Passacaglia
VIOLINO –Henri Mouton
VIOLETA – François Broos
...................................................
SAMARTINI – Grave
BACH –Toccata
FAURÉ –Elégie
MAX BRUCH –Kol Nidrei
SAINT-SAËNS – Le Cygne
VIOLONCELO – D. Maria Alice Ferreira
PIANO – D. Ernestina da Silva Monteiro
....................................................

SCHUMANN – Quinteto op 44 ( Allegro brillante –In Modo d’Una Marcia
PIANO – D. Helena Moreira de Sá e Costa
1º VIOLINO – Henri Mouton
2º VIOLINO – D. Catarina Hickel Carneyro
VIOLETA – François Broos
VIOLONCELO –D.Madalena Moreira de Sá e Costa Gomes de Araújo

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outubro 04, 2004

BILHETE DE IDENTIDADE DE GUILHERMINA SUGGIA

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(cedido por Isabel Millet)

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setembro 11, 2004

PROGRAMA DE MÚSICA NO HOTEL DO BUSSACO

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(espólio de VIANNA DA MOTTA - Museu da Música)

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julho 12, 2004

ANÚNCIO DE NOIVADO DE G.SUGGIA e E. HUDSON

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Notícia saída num jornal inglês anunciando o noivado de GUILHERMINA SUGGIA e EDWARD HUDSON, o senhor do Castelo de Lindisfarne e do Stradivarius.

(cedência de Isabel Millet)

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junho 20, 2004

CARTA de LEONOR (FILHA DE VIANNA DA MOTTA) A G.SUGGIA

Minha querida tia Guilhermina

Venho agradecer-lhe o lindo retrato que me mandou da nossa nova tia que será para nós uma recordação muito agradável da nossa amiguinha que tão bem toca e tão boazinha é para nós.

Como vê pelo boneco neste papel houve no Bussaco alguém que fotografou a tia quando dançava com o nosso paizinho.
Não acha que o pai ficou muito parecido?

Queira aceitar um beijinho muito affectuoso da sua sobrinha muito amiga e agradecida

Leonor

(Espólio de Vianna da Motta- Museu da Música)

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abril 08, 2004

TESTAMENTO de GUILHERMINA SUGGIA

Eu, Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia Carteado Mena, viúva, violoncelista, residente na Rua da Alegria, número seiscentos e sessenta e cinco, desta cidade do Porto, encontrando-me no uso pleno das minhas faculdades e livre de qualquer coacção, faço por este meio e meu testamento e disposições de última vontade, para que se cumpram e respeitem tais como passo e enunciar:

Eu, Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia Carteado Mena, viúva, violoncelista, residente na Rua da Alegria, número seiscentos e sessenta e cinco, desta cidade do Porto, encontrando-me no uso pleno das minhas faculdades e livre de qualquer coacção, faço por este meio e meu testamento e disposições de última vontade, para que se cumpram e respeitem tais como passo e enunciar:
Sou Católica Apostólica Romana e, como tal, quero que o meu enterro se realize em obediência ao que manda a Santa Madre Igreja O meu corpo deverá ser sepultado no Cemitério de Agramonte, desta cidade, onde repousam as cinzas de meus pais e meu marido.
Quanto aos bens que possuo e existam à data da minha morte, são eles assim distribuídos:

-O meu violoncelo “Stradivarius” juntamente com dois arcos, um “Tourte” e outro “Voirin”, que se encontram na posse da Embaixada Inglesa em Lisboa, será enviado pelo nosso Embaixador à casa Hills de Londres, a fim de ser por ela adquirido ou vendido pelo melhor preço que se obtenha e o seu produto entregue à “Royal Academy of Music”, que o aplicará, segundo o melhor critério, por forma que o rendimento daí obtido se destine à criação de um prémio denominado “Guilhermina Suggia”, a atribuir, anualmente, ao melhor aluno de violoncelo,

-Possuo outro violoncelo, “Montagnana”, que igualmente será vendido pelo melhor preço, quantia essa que lego ao Conservatório de Música do Porto – através da Câmara Municipal do Porto, se o dito Conservatório continuar a pertencer-lhe, ou do Estado, se porventura ele passar a ser nacional – a fim de, com o rendimento deste legado, se instituir, também, um prémio designado “Guilhermina Suggia”, a atribuir, em cada ano, ao melhor aluno de violoncelo do referido Conservatório. Nesta venda será dada preferência à Senhora Dona Maria Alice Ferreira, filha do Senhor Delfim Ferreira, morador na Rua Dom João Quarto, duzentos e trinta e nove, desta cidade, se esta, na devida altura, pretender adquiri-lo.
Lego, ainda, ao mesmo Conservatório, a minha biblioteca musical – material de orquestra e literatura de violoncelo -, objectos esses a que será dada instalação condigna, para que, dessa forma, o culto, que eu toda a minha vida dediquei à arte musical, perdure e sirva de incentivo a todos – Mestres e Discípulos – que à Arte se dedicam.

-O meu violoncelo “Lockey Hill” lego-o ao Conservatório Nacional de Lisboa, como homenagem a meu pai, que foi aluno desse Conservatório.

-Ao meu criado António Igregias da Silva, deixo o meu automóvel Renaul – NN-cinquenta-zero-zero-, como testemunho de reconhecimento pela dedicação para com meu marido, e, bem assim, as ferramentas e utensílios que se encontrem na minha garagem, legado este que deixará de subsistir se eu, antes da minha morte, tiver transferido para esse dito criado o automóvel e utensílios em referência.

À Excelentíssima Senhora Dona Ernestina da Silva Monteiro, professora de piano, residente na Praça Mouzinho de Albuquerque, sessenta e nove, desta cidade, lego o meu piano de cauda “Franz Arnold”, que se encontra no salão da minha casa.

Mais lego à Excelentíssima Senhora Dona Maria Adelaide de Freitas Gonçalves, professora do Conservatório do Porto, a quantia de cinquenta mil escudos, em dinheiro, como lego, também, a quantia de vinte mil escudos à Sociedade Protectora dos Animais, desta cidade.

Quanto ao prédio que possuo e me pertence na Rua da Alegria, número seiscentos e sessenta e cinco, desta cidade, lego-o em usufruto a Dona Isabel Pereira Caldas Vilarinho de Carvalho Cerqueira, moradora na Rua Álvares Cabral, número cinquenta, desta cidade, e a raiz do mesmo ao Colégio Ultramarino das Missionárias de Maria, em Arcozelo, Barcelos, para, com o seu produto, auxiliar a construção de uma capela destinada ao culto privativo desse dito Colégio. Se, porém, à data em que o legado for recebido, essa capela tiver sido já construída, será o mesmo aplicado, a quaisquer fins inerentes ao exercício do culto.

Em documento que fiz, por mim escrito e assinado, contém-se a disposição de vários objectos mobiliários que possuo, documento esse que se cumprirá inteiramente, a menos que, antes da minha morte, eu resolva transferir tais objectos para os respectivos beneficiários.
Todos os legados instituídos e que não sejam, por Lei, isentos de imposto sucessório, são feitos sem quaisquer encargos, pelo que estes sairão do remanescente da minha herança.

Os valores que, porventura, existam, à minha morte no Westminster Bank Limited, de Londres lego-os a Miss Muriel Collins, moradora no número quarenta e nove Campden Hill Square – London, para esta lhe dar o destino, conforme as instruções que de mim tenha recebido.
Finalmente, e uma vez cumpridos todos os legados, que aqui ou em documento separado eu tenha instituído, disponho dos restantes bens a favor de Dona Isabel Pereira Caldas Vilarinho de Carvalho Cerqueira, atrás referida, a quem deixo, portanto, o remanescente da minha herança.
Para testamenteiros, que executarão fielmente todas as disposições da minha vontade, nomeio: Alberto Carlos de Carvalho Cerqueira, casado, residente na Rua Álvares Cabral, número cinquenta, desta cidade. Miss Muriel Tait, solteira, de nacionalidade inglesa, residente na Rua de Entrequintas, número cento e cinquenta e cinco, desta mesma cidade, e o Doutor Alberto Pires de Lima, casado, advogado, residente na Rua de Naulila, número duzentos e vinte e um, também desta cidade.
Assim, dou por terminado este meu testamento, escrito a meu rogo, para que se cumpra tal como nele se contém e revogo qualquer outro anterior que eu haja feito.
Porto,. Vinte e dois de Junho de mil novecentos e cinquenta
Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia Carteado Mena

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre”, de Fátima Pombo

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março 03, 2004

IN MEMORIAM

José Pacheco Pereira escreveu: "Não sabia, vim agora a saber por uma referência de Medeiros Ferreira, que o avião da TAP que tinha o nome de "Viana da Motta" foi rebaptizado "Eusébio". Já não há vergonha nenhuma, ou está tudo doido? Eu bem sei que neste país de trituradora já ninguém sabe quem foi Viana da Motta, um dos últimos alunos de Liszt, grande pianista e razoável compositor, que marcou como "mestre" na sua arte toda uma geração de músicos portugueses. Como muitos grandes pianistas anteriores às técnicas modernas de gravação, a qualidade da sua execução só existe na memória dos testemunhos e relatos da época, mas o homem existiu, não existiu? A Luísa Todi também existiu, não existiu? "

As últimas palavras impressas de Guilhermina Suggia, meses antes da sua morte, em 1950, são solicitadas por Oliva Guerra para publicar um In Memoriam em honra de seu mestre, Vianna da Motta (S. Tomé e Príncipe, 22 de Abril de 1868; Lisboa, 31 de Maio de 1948).

IN MEMORIAM
É com sentida saudade e profunda admiração que presto a minha homenagem ao Mestre Vianna da Motta.
Tenho pela sua memória todo o respeito que merece, não vendo nele apenas o grande pianista, mas o Artista extraordinário, o espírito culto dotado de um carácter íntegro, de uma bondade e de uma dignidade inexcedíveis.
Vianna da Motta, com quem tive o privilégio de colaborar em múltiplas ocasiões - tendo tocado, quer em Portugal, quer no estrangeiro, todas as sonatas de Beethoven e de Brahms - possuía, além de uma técnica transcendente, -uma perfeita musicalidade e o verdadeiro dom da pedagogia.
Nos últimos anos da sua vida, em especial, todas as suas raras qualidades se acentuaram, pois devo dizê-lo, a sua expressão e o seu sentido musical atingiram um nível raramente alcançado.
O grande Mestre foi um dos maiores pianistas da sua geração em todo o mundo. A ele Portugal fica devendo um poderoso impulso para o renascimento e progresso da sua cultura musical.
O seu nome nunca se apagará da história da Música.
É esta a minha homenagem.
Guilhermina


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