outubro 17, 2008

A DISCUSSÃO NA ASSEMBLEIA da REPÚBLICA DA PETIÇÃO SOBRE O SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL

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Apesar da insistência da oposição
PS não se compromete com datas para recuperar Conservatório Nacional
15.10.2008 - 20h19 Lusa
O PS disse hoje que a recuperação do Conservatório Nacional será "elencada na próxima priorização" de obras da Parque Escolar mas não se comprometeu com qualquer data, perante as críticas unânimes da oposição parlamentar.

"O conservatório do Porto está bem instalado, o Conservatório de Coimbra vai ter as suas instalações e o Conservatório de Lisboa será elencado na próxima priorização da Parque Escolar [empresa que depende do ministério da Educação]", afirmou a deputada do PS Rosalina Martins.

A deputada socialista, que disse reconhecer "a validade dos argumentos" das bancadas da oposição, frisou que o Parque Escolar está a dar prioridade à recuperação das escolas secundárias do país e que quando avançar com o projecto do Conservatório, será também "para dar resposta às novas exigências do ensino artístico".

PCP, BE, PSD e CDS-PP apresentaram projectos de resolução a recomendar ao Governo a recuperação do Salão Nobre e do edifício do Conservatório Nacional, com o PCP e o PEV a alertarem que o Orçamento do Estado para 2009 não contempla verbas para as obras necessárias. Os projectos foram apresentados no âmbito da discussão de uma petição promovida pelo movimento Fórum Cidadania Lisboa que alerta para a degradação do Salão Nobre do Conservatório Nacional e que foi subscrita por 5043 cidadãos.

Degradação do espaço

"A degradação do espaço e do edifício é vergonhosa e inqualificável como salienta a própria relatora da petição", afirmou o deputado do PEV Madeira Lopes, referindo-se à deputada independente eleita pelo PS Matilde Sousa Franco, que não esteve presente no debate. Matilde Sousa Franco defendeu ontem que todo o edifício, e não apenas o salão nobre, "merecia uma intervenção". Do lado do PSD, o deputado Feliciano Barreiras Duarte considerou que a petição é "um cartão vermelho aos poderes públicos por deixarem o património ao abandono".

O deputado do PCP Miguel Tiago considerou "desmesuradamente grave" a reacção do Governo e do PS perante a "urgência" de recuperação do espaço que "está prestes a ruir". Para o BE, a recuperação do salão nobre daquela escola de música centenária deve ser "uma prioridade absoluta", afirmou a deputada Cecília Honório, criticando o ministério da Educação por invocar "falta de agenda" para fazer as obras.

"Os senhores não têm desculpas", afirmou a deputada do CDS-PP Teresa Caeiro, dirigindo-se à bancada do PS para notar que "mais uma vez a Cultura sofre um corte nunca visto" no OE para 2009. A deputada não inscrita Luísa Mesquita acusou o Governo de mentir sobre a matéria "de acordo com as conveniências", destacando que a Parque Escolar "ignora o Conservatório Nacional" nas suas prioridades até 2010.

PÚBLICO (online)


BE, PCP, PSD e PP/CDS apresentaram no dia 15, dia da discussão na Assembleia, Propostas de Resolução no sentido de que as obras de Recuperação do Salão Nobre fossem realizadas com toda a urgência necessária. Essas 4 Propostas foram hoje votadas tendo sido chumbadas com os votos contra do PS.

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outubro 13, 2008

SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL - DIA 16 DE OUTUBRO - 18,30 H

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RUA DOS CAETANOS, 29 - ao BAIRRO ALTO - Tel 213425922 - LISBOA

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outubro 08, 2008

"ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL, POR FAVOR!" - REUNIÃO PLENÁRIA NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

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No próximo dia 15, 4ª-feira, pelas 15 horas irá ter lugar na Assembleia da Replública a discussão da petição "ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL, POR FAVOR!".
E esperamos que, na verdade, alguém acuda ao Salão Nobre do Conservatório.

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julho 31, 2008

NELLA MAISSA DEU AQUI, NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, EM 1947, AQUELE QUE CONSIDERA O MELHOR CONCERTO DA SUA VIDA

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Em 1947, deu aquele que considera o melhor concerto da sua vida.
«Toquei uma sonata de Beethoven (Hammerklavier op.106) que ainda tinha trabalhado com Viana da Motta [estudou com ele cinco anos] e depois toquei o Ludus Tonalis, de Hindemith, em primeira audição», afirmou, recordando que estavam cerca de 50 pessoas na sala do Conservatório Nacional, que foi a própria artista a alugar.

«Paciência, eu gostei muito», rematou a pianista, que actuou também em grandes salas em Paris, Genebra, São Paulo, Londres e Washington.

Actualmente, Nella Maissa considera que há pianistas portugueses «muito bons» e indica Jorge Moyano, António Rosado e Pedro Burmester como alguns dos que admira.

Sobre os seus últimos concertos, já depois dos 90 anos, Nella Maissa declarou que os fez porque lhe pediram muito.
«E foi um pouco de inconsciência, porque já não sou nada do que era... Mas agora realmente acabei porque acho que já não vale a pena. Enfim tenho quase 100 anos, tenho de resignar-me», afirmou, sempre bem-disposta, apesar de se queixar das fragilidades da idade - as dores nas costas, a falta de vista e de agilidade nos dedos.

"Acho que o importante da minha vida foi ter apresentado coisas novas. Era o que me divertia, o que me interessava", resumiu sobre a longa carreira.
Lusa/SOL (parte de entrevista)

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julho 11, 2008

JORNAL "PÚBLICO" de 11 de JULHO: " MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CANCELOU CONCURSO PARA RECUPERAR SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO"

Luís Filipe Sebastião
MINISTÉRIO DA CULTURA RESPONDEU A DEPUTADA QUE DESCONHECE OS MOTIVOS POR QUE A EMPREITADA NÃO SE EXECUTOU NO CONVENTO DOS CAETANOS
O salão nobre da Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, devia ter sido recuperado atra¬vés de um concurso público aberto em 2005 pela Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), mas as obras não saíram do papel. A deputada Luísa Mesquita questionou os ministérios da Cultura e da Educação, mas ainda não conseguiu resposta acerca dos motivos que levaram ao cancelamento do concurso.
Luísa Mesquita questionou, em Abril, o Ministério da Cultura sobre que razões para que tenha sido cancelado o concurso, lançado em Dezembro de 2O05, para recuperar o salão nobre do Conservatório. No requerimento endereçado através do presidente da Assembleia da República, a parlamentar pergunta ainda "que medidas pretende o Governo tomar para impedir este crime de degradação do património, lesivo da identidade nacional?"
Luísa Mesquita fundamenta as suas questões no facto da "história arquitectónica e cultural" do espaço remontar a 1881, através de um percurso consolidado pelo arquitecto Eugénio Cotrim (autor do projecto), o pintor José Malhoa (que decorou o tecto) e os músicos/compositores Luís Freitas Branco e Vianna da Motta (de entre os que por ali passaram). As obras de remodelação nos anos 40 do século passado ampliaram as condições de funcionamento do espaço cultural, cuja acústica tem sido reconhecida por reputados artistas nacionais e internacionais.

"Hoje, este equipamento cultural está de tal forma degradado que a ausência de medidas urgentes porá em risco a sua sobrevivência", sublinha a deputada eleita pelo PCP, mas que, entretanto, assumiu o estatuto de independente. A intervenção de Luísa Mesquita decorreu na sequência de uma petição entregue no Parlamento, subscrita por 5043 cidadãos, apelando à recuperação do salão nobre do conservatório nacional.

O gabinete do ministro da Cultura esclareceu, em Junho, que o concurso público foi aberto pela DREL e que este departamento do Ministério da Educação estará "habilitado a informar dos motivos pelos quais não foi executada a empreitada na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa e das medidas que pretende tomar, sem prejuízo do eventual apoio técnico que vier a ser solicitado" ao ministério de José António Pinto Ribeiro.

Perante esta resposta, Luísa Mesquita reendereçou, em Junho, as questões ao Ministério da Educação, aguardando ainda por resposta. Um assessor da ministra Maria de Lurdes Rodrigues disse ontem apenas que a recuperação no conservatório está integrado no programa de modernização do parque escolar, mas que desconhecia as razões para o concurso ter sido cancelado.

RESPOSTAS ESCASSAS: ANULAÇÃO POUCO PÚBLICA DO CONCURSO
O concurso lançado pela DREL para a "recuperação do salão nobre, reparação da galeria de público da esquerda, remodelação do palco, subpalco, salas de apoio e cobertura", pelo valor base de 921.980 euros (mais IVA), terá chegado à fase do recebimento de propostas, mas não foi anunciado o vencedor. O vice-presidente do conservatório, Jorge Machado, recorda-se que foi anunciada uma lista de concorrentes, mas a instituição "nunca teve conhecimento dos motivos para o seu cancelamento". Uma proposta do vereador Fernando Negrão (PSD) para que a câmara intime o Estado a recuperar o salão nobre foi adiada anteontem devido à sua ausência no Parlamento

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julho 09, 2008

JORNAL "PÚBLICO"- 9 de JULHO "CÂMARA DE LISBOA DISCUTE PROPOSTA PARA INTIMAR ESTADO A RECUPERAR CONSERVATÓRIO

Luís Filipe Sebastião
Urgência de obras no salão nobre foi objecto de petição com 4766 assinaturas de cidadãos preocupados com "crime de lesa-património"

Os vereadores do PSD na Câmara de Lisboa (CML) apresentam hoje ao executivo municipal uma proposta para que a autarquia intime o Estado a realizar obras no Convento dos Caetanos, onde se encontra instalado o Conservatório Nacional.
A proposta de Fernando Negrão, pelos eleitos do PSD, salienta que o imóvel onde funciona uma reconhecida escola de música, inaugurado em 1881, se encontra em mau estado, principalmente o salão nobre, que possui o tecto pintado por José Malhoa. Os tectos esburacados, o balcão escorado e o mobiliário degradado traduz-se, segundo a proposta, "num estado de precariedade geral com perigo para a segurança de pessoas e bens".
Apesar de as operações urbanísticas da administração central estarem isentas de licenciamento, Fernando Negrão propõe que a autarquia determine ao Governo uma vistoria e a execução das obras que garantam "a funcionalidade, segurança, preservação e conservação" do imóvel.
O presidente da autarquia, António Costa (PS), solicitou ao departamento jurídico para que apreciasse as "dúvidas" suscitadas quanto à "competência do município para determinar ao Governo a execução da obra", e se o Estado é efectivamente o proprietário.
O parecer jurídico conclui que "o primeiro responsável" pela conservação do edifício, "nomeadamente do ponto de vista funcional, da segurança, da estética e da salubridade, é o Estado português", enquanto proprietário. Por esta razão, uma eventual deliberação deve visar o Estado em vez do Governo. A jurista atesta ainda a competência camarária para intimar à realização das obras, mas que terá de ser consultado o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.
"As autarquias relativamente à administração central sempre tiveram uma posição de subserviência", lamenta Fernando Negrão, que se mostra confiante que o executivo lisboeta irá "mostrar que não tem problema em intimar o Estado como qualquer proprietário particular para fazer obras". Uma moção dos Cidadãos por Lisboa, aprovada em Outubro de 2007, propôs à câmara que defendesse junto do Ministério da Cultura a necessidade de obras urgentes no Conservatório Nacional.

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julho 08, 2008

QUE É FEITO DO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL ?

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A petição "Alguém Acuda ao Salão Nobre do Conservatório Nacional, por favor!" subscrita por 5043 cidadãos, foi entregue aos destinatários. No dia 11 de Fevereiro de 2008 fizemos a entrega ao Senhor Presidente da República cuja Casa Civil nos acusou a recepção em 21 de Maio tendo-nos sido informado de que "foi tomada boa nota da mesma e uma vez que a solução do problema objecto da petição não se inscreve nas competências constitucionais e legais atribuídas a Sua Excelência o Presidente da República, foi o assunto devidamente transmitido ao Governo".

No dia 18 de Fevereiro fizemos a entrega no Gabinete do Senhor Presidente da Assembleia da República. No dia 7 de Março foi-nos comunicado pela "Comissão de Ética, Sociedade e Cultura" da AR que a petição tinha sido aceite, tendo-lhe sido atribuído o nº 431/X/3ª e se encontrava naquela Comissão para efeitos de apreciação e parecer, nos termos regimentais. Foi nomeada relatora a Senhora Deputada Matilde de Sousa Franco. No dia 5 de Março a Senhora Deputada Relatora pediu esclarecimentos aos Ministros da Educação e da Cultura.
(De acordo com a lei das petições da AR, todas as petições com mais de 4000 subscritores, desde que tenham parecer favorável da comissão que a aprecia, terão de ser obrigatoriamente discutidas em plenário. A Comissão terá um prazo de 60 dias, após a data da sua admissão, para apreciação e deliberação. Deverá ser enviado um relatório ao Senhor Presidente da AR que terá um prazo de 30 dias para agendamento da discussão em plenário.)

Fica claro que o prazo para agendamento previsto na lei das petições, terminou no dia 18 de Maio de 2008. Contudo o parecer da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, não foi ainda transmitido ao Senhor Presidente da AR, porque a Senhora Deputada relatora da petição ainda não recebeu resposta ao seu pedido de informações feito em 5 de Março ao Ministério da Educação.

No mesmo dia, 18 de Fevereiro, entregámos a petição no Gabinete do Senhor Primeiro-Ministro que por ofício nº 5096 de 6 de Junho nos informou de que o assunto tinha sido transmitido ao Ministério da Educação.

Em 18 de Fevereiro entregámos também a petição no Ministério da Educação sem que tivéssemos recebido qualquer comunicação.

No dia 19 de Fevereiro entregámos a petição no Ministério da Cultura e na Câmara Municipal de Lisboa.
No dia 26 de Fevereiro recebemos uma carta do Gabinete do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa acusando a recepção da petição e informando-nos de que a mesma tinha sido encaminhada para o Gabinete da Senhora Vereadora Rosalia Vargas.

E assim estão as coisas. Pode ser que entretanto o Salão Nobre do Conservatório caia e o problema, que não parece ser dos organismos oficiais, fica por si resolvido.

A Antena 1 fez uma reportagem sobre o estado do Salão Nobre, convidou o Ministério da Educação para estar presente. Depois de várias insistências o senhor director da DREL terá dito que não estaria ninguém presente e não entendia porquê tanto tempo perdido a falar sobre o Salão Nobre (Porque não falavam antes dos Conservatórios do Porto ou de Coimbra?).

O Salão Nobre do Conservatório Nacional não é uma salinha para serem dadas festinhas aos amiguinhos e aos papás dos meninos que estudam no Conservatório ( SÃO APENAS 950 ALUNOS, SENHORA MINISTRA!). É uma sala importantíssima pelas suas características arquitectónicas e artísticas, com condições excepcionais para música de câmara e tem um peso histórico e cultural dum valor enorme. É PRECISO QUE SEJA RECUPERADA. Não pode estar nas mãos de pessoas que, provavelmente, põem questões pessoais acima do PATRIMÓNIO NACIONAL !

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junho 09, 2008

EL REI D. CARLOS ERA FREQUENTADOR ASSÍDUO DOS CONCERTOS DO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL

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É mais um salão de concertos do que theatro. Há pouco mais de um anno, uma commissão de senhoras, de que faziam parte a Condessa do Sabugosa e a ministra d’Austria, deram ali uma brilhante festa de caridade, com quadros vivos e outras partes de espectáculo, mandaram fazer proscénio e ligeiro scenario pelo pintor Eduardo Machado. O panno de bocca, emprestado por D. Alice Munró Anjos, era de velludo. O inspector do Conservatório adquiriu tudo, menos o panno, que substituiu por outro que mandou fazer, e é desde então que ali se representa quando é necessário.
Este salão foi construído por iniciativa e grandes esforços de Luiz Augusto Palmeirim, pois que nada existia quando elle foi nomeado director. O terreno em que foi edificado pertencia á antiga cerca do convento dos Caetanos. As obras do Salão-Theatro duraram muito tempo; só no fim de 17 annos Palmeirim, sustentando grande lucta, conseguiu a sua conclusão. Depois de terminadas as obras, foi também difficil obter o mobiliário. Todos os trabalhos de planta e construccão foram executados pelo fallecído architecto das Obras Publicas, Valentiniano José Correia. A pintura e decoração foram dadas em concurso a Eugenio Cotrim. As pinturas do quadro "central do tecto e dos quatro medalhões, feitas no tecto e não em applicacões, foram dos primeiros trabaalhos do illustre pintor Malhoa. Representa o quadro entral A Fama coroando Euterpe.

Aos pés da figura principal está um papel de musica com as primeiras notas d'uma composição de Marcos Portugal. Os quatro medalhões teem os seguintes retratos: Passos Manuel, fundador do Conservatório; Almeida Garrett, reformador do theatro portuguez; Marcos Portugal (1), Xavier Migone, ínsignes músicos portuguezes.
Estes quatro .nomes foram escolhidos por Palmeirim com voto do conselho do Conservatório.

A obra de talha da tribuna real e misulas que sustentam a galeria foi executada por artistas portuguezes. Por baixo do palco ha uma caixa symphonica, que muito favorece a acustica. Conseguiu-se a edificação do Salão-theatro do Conservatório durante um ministerio presidido por Fontes Pereira de Melo, sendo ministro do reino António Rodrigues Sampaio. Na primeira abertura de aulas, na direcção de Palmeirim, esteve presente o ministro do reino. A solemnidade realisou-se n'um extenso e largo corredor
abobadado, para onde deitam quasi todas as aulas, d'um dos lados ; do outro ha só janellas. O Sampaio, ao terminar a festa, disse para o Palmeirim : «Não é necessário salão para as festas; ha para ellas uma sala característica. A festa a que acabo de assistir, realisou-se dentro de uma flauta!»

Effectivamente o corredor tinha esse aspecto. Foram em seguida ver o terreno e ficou assente que as obras começassem. E começaram, tendo terminado em 1881. A mobília foi adquirida e collocada no seu logar em 1886. Lustres e candieiros não os havia, nem houve até que o actual inspector do Conservatório, Eduardo Schwalbach, com auctorisação superior, cedeu gratuitamente o salão, para concertos e ensaios, á Real Açademia de Amadores de Musica, por espaço de cinco annos, sob condição de essa associação comprar todo o material de illuminação, que, findos os cinco annos, ficará pertencendo ao Conservatório. Assim se fez e d'esta fórma o salão-theatro adquiriu os lustres e candieiros indispensáveis.

O salão foi inaugurado em 25 de agosto de 1892 com um exercício escolar, tendo se antes feito ali a abertura solemne das aulas e um concurso para provimento de professores. O programma dos exercícios foi assim constituído:

1ª parte (pelos alumnos do curso geral):
Ouverture des Marionnettes, de Gurlitt, para piano a 8 mãos, pelas alumnas: A. Gomes, L Martins Costa, J Roque e M. Silva Brito.
Sonatina em Dó maior, de Kuhlan, pela alumna Isolina Roque.
Rondo em Dá maior, de Hurnmel, por Silva Brito, Sonatina em Sol maior, de Beethoven. por E. Duarte de Oliveira. Variações sobre um thema de Paisiello, de Beethoven, por M. Antonja Sampaio. Sonata em Si-bemol, de Clementi, para dois pianos, por Augusta Sampaio e Innocencia Grillo.
Impromptu em Sol maior
, de Schubert, por Augusta Sampaio,
Thema e variações, de Schubert, por Christina Mouchet.
Marcha turca, de Mozart, com três pianos, a doze mãos, por Izabel Palmeirim, Julia Reis, Philomena Leone, M. Sant'Anna Pacheco e Estrella Carneiro.

2ª parte—(pelos alumnos do Curso Complementar):
Improvisata sobre uma Gavota Gluk, de Reineeke, por Rosa Rego e Marcos Garin.
Fantasia, de Mendelsohn, por M. Lobo Pimentel.
Solo de Kullak por A. Ayque d'Almeida.
Andante, de Grieg e Mazurka, de Chopin, pela mesma alumna;
Solo, de Henset. e
Melodia hungara, de Listz, por Rosa Rego.
Estudo de Rubinstein e
Rapsodia hungara, de Listz, por Marcos Garin.
Polonaise em lá maior, de Chopin, para dois pianos a oito mãos, por Elisa Torrie, Innocencia Rebello, Lobo Pimentel e Rosa Rego.

A 28 de abril de 1894, estando na direcção interina do conservatório Augusto Machado, realisou-se ali um concerto, a que assistiram o Rei e a Rainha. O programma foi o seguinte:

1ª parte —
Abertura Melusine, de Mendelssohn, pela orchestra.
Polonaise, de Chopin, piano, pelo alumno Marcos Garin.
Quartetto. de Goltremann, violoncellos, pelos alumnos : Maria Lopes Monteiro, Izaura Teixeira de Mello, José Joaquim Correia e José Henrique dos Santos. Ave Maria, de Marchetti, côro pelas alumnas.
Psyché. de Ambroise Thomas, côro pelas alumnas.

— 2.a parte —
Galante aventure, de Guiraud,
intermezzo pela orchestra.
Septuor. de Hummel, por José Vieira, Alagarim, Arroyo, Innocencio Pereira, Del-Negro, Cunha e Silva e Freitas Gazul.
Alleluia da opera Cid. de Massenet, pela alumna Mary Wahnon.
Ave-Maria, da opera Olhello, de Verdi, peia mesma alumna.
Homenagem a Camões, de Cossoul,
marcha pela orchestra.

Esta orchestra que foi formada por alumnos e ex-alumnos do conservatorio, reforçada por um nucleo de artistas distinctos e dirigida por Freitas Gazul, constituiu a parte mais interessante do programma.

Em maio de 1904 entrou Eduardo Schwalbach para o conservatório como director, sendo na reforma nomeado inspector. Desde essa epocha começou a abertura solemne das aulas a ser sempre companhada de uma audição de alumnos.

O rendimento do Salão varia conforme os preços estabelecidos. Tem 380 logares de platéa e 120 de galeria. Tem tribuna para a família real. que ali tem ido muitas vezes.

El-Rei D. Carlos era frequentador assíduo dos concertos.

O Salão é alugado por réis 20$000, por cada concerto, além de luz e porteiros.

O producto total é para subsidio, em partes eguaes, aos alumnos da arte musical e da arte dramática. Os subsídios são distribuídos na abertura das aulas, No anno de 1907 o rendimento do aluguer do salão foi de 700$000 réis. Vae brevemente ser ali collocado um órgão, feito pelo disctinctissimo constructor Augusto Joaquim Claro, de Braga, o que já está auctorisado pelo actual governo, a que preside o sr Ferreira do Amaral.

De “Diccionário do Theatro Portuguez” por Sousa Bastos
Imprensa Libanio da Silva
29, Rua das Gáveas, 31
Lisboa
1908


(1) - Na verdade o retrato pintado por Malhoa é de João Domingos Bomtempo e não Marcos Portugal (outro dos esquecidos deste país).

Publicado por vm em 10:55 AM | Comentários (0)

maio 29, 2008

ATÉ QUANDO VEREMOS ESTAS COISAS NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO?

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Pormenor do tecto com frestas e manchas provocadas pela água da chuva.
Quando tomarão os responsáveis consciência de que é imperioso SALVAR O NOSSO PATRIMÓNIO?!

Publicado por vm em 08:28 AM | Comentários (1)

maio 16, 2008

RECITAL DO DIA 14 NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO

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Não me é permitido, precisamente por não ter competência para isso, fazer crítica ao recital que se efectuou na passada 4ª-feira, no âmbito da petição "Alguém Acuda ao Salão Nobre do Conservatório, por favor!". Acho que foi, no entanto um excelente recital.
Muito embora todos os destinatários da petição (Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, 1º Ministro, Ministra da Educação, Ministro da Cultura e Presidente da Câmara Municipal de Lisboa) tenham sido convidados nenhum esteve presente ou se fez representar.
Foram também convidados todos os Grupos Parlamentares (e todos os deputados em nome individual). Apenas estiveram no Salão Nobre 5 (CINCO) deputados. Assim, e por ordem alfabética:

-Deputada Ana Drago (BE)
-Deputado Fernando Negrão (PSD)
-Deputada Matilde Sousa Franco (PS) - relatora na AR da petição
-Deputado Miguel Tiago (PCP)
-Deputado Pedro Quartin Graça (PSD)

Foi pena. Mas haja esperança!

Publicado por vm em 04:59 PM | Comentários (0)

maio 14, 2008

HOJE NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL - RUA DOS CAETANOS 23 e 25 (ao BAIRRO ALTO) - 18,30H - VÁ! PARTICIPE!

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Publicado por vm em 12:13 AM | Comentários (0)

maio 13, 2008

AMANHÃ RECITAL NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL, ÀS 18,30 H

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No âmbito da petição “ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, POR FAVOR!” e numa iniciativa conjunta do Fórum Cidadania Lx e da Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, realizar-se-á no próximo dia 14 de Maio, pelas 18,30h, no SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL de LISBOA, sito na Rua dos Caetanos, 23 a 29 (ao Bairro Alto) – Lisboa, um recital com a colaboração, entre outros, de:

ANTÓNIO ROSADO (ex-aluno da Escola de Música do CN), que tocará de Debussy:

- La cathédrale engloutie , prelúdio
- Pour les arpèges composés , estudo
- Pour les cincq doigts, d'aprés Monsieur Czerny , estudo

JORGE MOYANO (ex-aluno da Escola de Música do CN), que tocará de George Gershwin

- Raphsody in Blue (versão para piano)


MARIA DE JESUS BARROSO (ex-aluna da Escola de Teatro do CN)

NB- Este recital é, essencialmente, dedicado aos destinatários da petição - Presidente da República, Presidente da AR, 1º-Ministro, Ministros da Educação e Cultura, Presidente da CML, Deputados e Vereadores - e Comunicação Social.

Gostaríamos de contar com a sua presença.

Por motivos imprevistos a actriz Glória de Matos não vai poder participar no recital pelo que nos pede para apresentarmos as suas desculpas

Publicado por vm em 09:30 AM | Comentários (0)

maio 05, 2008

"A FAMA COROANDO EUTERPE" - Estudo de JOSÉ MALHOA PARA O TECTO DO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO

A FAMA COROANDO EUTERPE.jpg
categoria:Pintura
título:A Fama Coroando Euterpe
autor(es):Malhoa, José (Caldas da Rainha, 1855 - Figueiró dos Vinhos, 1933)

datação:XIX d.C. - Época Contemporânea

dimensões:altura: 92 largura: 61,5

nº de inventário:Pin 52
descrição:Representação alegórica. À esquerda uma figura feminina, sentada, com cabelos apanhados, face voltada para o observador e cabelo castanho; usa túnica branca sem mangas, com botão sobre os ombros e panejamentos vermelhos sobre as pernas; o seu braço direito, afastado do corpo, segura um bastão ou instrumento de sopro metálico, invertido, apoiado sobre a zona do assento. À direita da composição outra figura feminina, de pé, usa túnica azul apanhada na coxa, na cintura e no ombro esquerdo por meio de botões; apresenta-se meio desnudada e segura na mão esquerda um instrumento de sopro; os seus braços estão afastados do corpo, o rosto está inclinado com as pálpebras cobrindo os olhos; usa grinalda de folhas verdes no cabelo loiro, comprido, ondulado e caído sobre o ombro esquerdo. Por trás, duas asas de tons violetas e rosados. No centro inferior da composição encontram-se rosas espalhadas pelo chão, uma lira, um afloramento pedregoso e um instrumento de sopro. Fundo em vários tons esbranquiçados.

proveniência/incorporação: Doação - Oferta de Luís Pinto

MUSEU JOSÉ MALHOA

Publicado por vm em 09:24 AM | Comentários (0)

abril 30, 2008

ASPECTO DO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO APÓS AS ÚLTIMAS OBRAS QUE TEVE, NOS ANOS 40 do SÉCULO PASSADO

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Quem nos dera poder voltar a vê-lo assim.
(Fotografia tirada do Boletim nº 1 - Ano I do Conservatório Nacional)

Publicado por vm em 12:35 PM | Comentários (0)

abril 28, 2008

RECITAL NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL- 14 de MAIO- 18,30 h

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No âmbito da petição “ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, POR FAVOR!” e numa iniciativa conjunta do Fórum Cidadania Lx e da Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, realizar-se-á no próximo dia 14 de Maio, pelas 18,30h, no SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL de LISBOA, sito na Rua dos Caetanos, 23 a 29 (ao Bairro Alto) – Lisboa, um recital com a colaboração, entre outros, de:

ANTÓNIO ROSADO (ex-aluno da Escola de Música do CN), que tocará, de Debussy:
- La cathédrale engloutie , prelúdio
- Pour les arpèges composés , estudo
- Pour les cincq doigts, d'aprés Monsieur Czerny , estudo

JORGE MOYANO (ex-aluno da Escola de Música do CN), que tocará de
George Gershwin
- Raphsody in Blue (versão para piano)

GLÓRIA DE MATOS (ex-profª da Escola de Teatro do CN)
MARIA DE JESUS BARROSO (ex-aluna da Escola de Teatro do CN)

Este recital é, essencialmente, dedicado aos destinatários da petição - Presidente da República, Presidente da AR, 1º-Ministro, Ministros da Educação e Cultura, Presidente da CML, Deputados e Vereadores - e Comunicação Social.
A entrada é, no entanto, livre (de acordo com a disponibilidade dos lugares).

Publicado por vm em 10:53 AM | Comentários (0)

abril 24, 2008

"PASSOS MANUEL" pintado por José MALHOA, no TECTO DO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO

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Um dos Quatro retratos pintados por JOSÉ MALHOA no tecto do SALÃO NOBRE

Publicado por vm em 11:06 AM | Comentários (3)

abril 22, 2008

"FRANCISCO XAVIER MIGONI" no TECTO DO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL

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MIGONI, FRANCISCO XAXIER (Lisboa, 27/05/1811, f Lisboa, 10/6/1861). Pianista, compositor e chefe de orquestra português. Fez os seus estudos no Seminário Patriarcal, onde teve por mestre a Fr. José Marques, que muito o protegeu e graças ao qual obteve, em 1832, o posto nominal de mestre de Música da Universidade de Coimbra. Ao ser, em 1835, criado o Conservatório, Migoni é nomeado professor de Piano do novo estabelecimento, vindo em 1842 a suceder a Domingos Bomtempo na direcção do mesmo.

Desempenhou a partir de 1848 as funções de regente do Teatro de S. Carlos, onde fez representar duas óperas de sua composição: Sampiero (1852), recebida com agrado, e Mocanna (1854), que não obteve êxito. Em 1855 publicou, na efémera revista O Trovador, uma série de artigos sobre a história da música, genericamente intitulados de “Bosquejo histórico”. Em 1857 desloca-se a Itália com o encargo de organizar uma companhia de ópera para S. Carlos. Constitui, de facto, um elenco notável, do qual faziam parte cantores da nomeada de Tedesco e Nery-Baraldy.

Regressa porém a Lisboa com a saúde abalada, o que o obriga a abandonar as suas funções em S. Carlos e no Conservatório, vindo a morrer ao cabo de prolongado sofrimento. Além das óperas, é autor de uma missa com orquestra, da cantata Apoteose, de uma fantasia de concerto para piano sobre um tema original e de fantasias para o mesmo instrumento sobre motivos das óperas Luísa Miller, Il Trovadore, La Traviatta e I Lombardi.

De “Dicionário de Música” de Tomás Borba e Fernando Lopes-Graça

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abril 21, 2008

ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, POR FAVOR !

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Não parece que está em perigo de perca iminente, pois não? Mas está mesmo.
O Balcão do lado esquerdo está escorado para não cair. Todas as paredes têm brechas cada vez maiores. O tecto com um painel central (A Fama coroando Euterpe) e 4 medalhões (João Domingos Bomtempo, Almeida Garrett, Passos MAnuel e Xavier Migone) pintados por José Malhoa têm buracos, brechas e se não for restaurado muito rapidamente pode ser perdido. As cadeiras estão num péssimo estado, os cortinados podres.
É PRECISO QUE O NOSSO PATRIMÓNIO SEJA SALVO. Há mais de 60 anos que esta sala não tem obras.

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abril 18, 2008

ALMEIDA GARRETT e O CONSERVATORIO REAL DE LISBOA

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(RETRATO DE ALMEIDA GARRETT NO TECTO DO SALÃO NOBRE, PINTADO POR JOSÉ MALHOA)
… trabalhou-se na publicação dos novos estatutos, feitos por Garrett e approvados por decreto datado de 24 de maio de 1841, referendado pelo notavel politico Rodrigo da Fonseca Magalhães.
São muito desenvolvidos esses estatutos, que davam ao Conservatorio uma grande e utilissima latitude. Comprehendem seis «Titulos» divididos em vinte e seis «Capitulos» com cento e oito «Artigos»; teem mais um apendice de tres «Artigos transitorios». O titulo primeiro trata da organisação do Conservatorio; o segundo da direcção e administração; o terceiro dos trabalhos litterarios e artisticos, e dos premios; o quarto da censura theatral; o quinto das escolas; o sexto da reforma dos estatutos. Transcreverei alguns dos artigos mais importantes para dar idéa do vasto plano traçado por Garrett.

«Capitulo I. — Do objecto do Conservatorio e das suas secções.

Artigo 1º — O Conservatorio Real de Lisboa tem por objecto restaurar, conservar e aperfeiçoar a litterattura dramatica e a lingua portugueza, a musica, a declamacão e as artes mimicas. E promoverá outro sim o estudo da archeologia, da historia e de todos os ramos de sciencia, de litteratura e de arte, que podem auxiliar a dramatica.
Artigo 2º— O Conservatorio procura obter estes fins: 1º Pelas suas conferencias e reuniões litterarias e artisticas; 2.ºPela publicação, pela imprensa, de seus trabalhos; 3.º Pela censura que exerce sobre os theatros; 4.° Pelas suas escolas.
Artigo 3º — O Conservatorio divide-se em quatro secções, a saber: Primeira de lingua portugueza ; segunda de litteratura, e especialmente de litteratura dramatica ; terceira de historia e antiguidades ; quarta de musica e artes.
§ único. — Nenhuma d'estas secções terá precedencia sobre a outra.

Os capitulos 2.° e 3.° tratam dos socios que compunham a academia do Conservatorio, estabelecida no regimento de 1837; o capitulo 4º determina que seja presidente nato um principe da família real, e vice-presidente o inspector geral dos theatros; o capitulo 6º determina que haja uma bibliotheca e repositorio para livros, musicas e instrumentos; o capitulo 7º diz que a casa destinada aos exercicios dos alumnos seria construida em forma de theatro, e regula o funccionamento d’esse theatro (que nunca chegou a existir). O titulo quinto começa assim:

Artigo 72.°—Conforme as leis, e dotação por ellas consignada, as escolas do Conservatorio são tres, a saber: a de Declamação, a de Musica, a de Dança e Mimica.
§ 1º Na primeira se ensina a declamação especial, tragica e comica; a declamação cantada dos mesmos generos ou applicada a scena lyrica, e a declamação oratoria.
§ 2.º Na segunda se ensina a musica vocal e instrumental, e a theoria da arte.
§ 3.° Na terceira se ensina a dança e mimica, e a choreographia.
§ 4.° Logo que as circumstancias permitiam, e obtida auctorisação legal, se dará o necessario complemento á instituição, com uma escola de decorações ou de pintura especial applicada ao theatro.

O precedente artigo raproduz, como se vê, o primeiro artigo do regimento de 1837, mas é seguido de muitos outros que regulam sobre a admissão dos alumnos, exames, programmas, exercicios, etc. O capitulo 24.° reproduz tambem todas as determinações relativas ao «Collegio do Conservatorio», isto é, ao estabelecimento de alumnos internos, sem que todavia deixasse de continuar a ser letra morta.

Entretanto a politica — a maldita politica — fizera com que Almeida Garrett se encontrasse a braços com inimigos que buscavam vingar-se mesquinhamente do seu grande talento, ferindo-o no instituto que elle creára com o maior amor; António José d'Avila (depois marquez do mesmo appellido) ministro da Fazenda, propoz em cortes que fosse supprimido o Conservatorio como medida economica. Essa proposta, e as polemicas que a tal respeito se travaram no parlamento, deram logar ao celebre discurso proferido por Garrett intitulado “Da discussão da lei da decima”, uma das mais primorosas e violentas catilinarias que a oratoria portugueza tem produzido. Não obstante, ou por isso mesmo, a suppressão total do Conservatorio seria inexoravalmcnte realisada, se não acudisse toda a Academia em defeza d'aquelle instituto com uma extensa representação, que tem a data de 27 de julho de 1841; asssignaram-a grande numero de pessoas do maior conceito, pelo que o governo se viu obrigado a emendar a mão. Para desfazer o pretexto da economia, acompanhou a representação um projecto de orçamento que reduziu a despeza total do estabelecimento a 5:818$000 réis, sendo effectivamente esse orçamento acceite como base das futuras determinações governamentaes.

Golpe terrivel fôra porém vibrado alguns dias antes: um secco decreto com data de 16 de Julho de 1841 exonerou Garrett de Inspector geral dos theatros e por conseguinte de vice-presidente do Conservatorio; é certo que aquelle homem de immortal memoria, alma nobilissima e desinteressada até á completa abnegação, trabalhou ainda mais aluns mezes em favor da sua obra, mas desprestigiado e vencido pelas contrariedades, abandonou-a por fim, vendo esvahir-se como fumo o grandioso plano que apenas tivera um começo de execução.

( de “Diccionario Biographico de Músicos Portuguezes” Ernesto Vieira- 1900

Publicado por vm em 11:49 AM | Comentários (0)

abril 17, 2008

ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, POR FAVOR !

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Por estas escadas têm os artistas acesso ao palco do Salão Nobre do Conservatório Nacional.

Publicado por vm em 10:10 AM | Comentários (0)

abril 13, 2008

AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES

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Abaixo-assinado: INSCRIÇÃO DO AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES DE LISBOA NA LISTA DE PATRIMÓNIO MUNDIAL e POSTERIOR CLASSIFICAÇÃO A PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE.

Publicado por vm em 06:51 PM | Comentários (0)

abril 11, 2008

ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, POR FAVOR ! " OUTRO PORMENOR DO TECTO"

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E se alguém pegasse numa faca, fosse a um museu e golpeasse as telas que Malhoa pintou?
Quer gostemos ou não de Malhoa como pintor, seria, no mínimo, um criminoso.
Quem deixa chegar a este estado os tectos que Malhoa pintou também o poderá ser.

E as pinturas de Malhoa não são o único mal do Salão Nobre. A degradação é geral.
É urgente recuparar esta sala!

Publicado por vm em 12:09 AM | Comentários (0)

abril 09, 2008

ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, POR FAVOR ! - " NUM CORREDOR DE ACESSO AO SALÃO NOBRE"

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abril 08, 2008

ALGUÉM ACUDA AO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, POR FAVOR ! - "PORMENOR DO PAINEL CENTRAL, NO TECTO, PINTADO POR JOSÉ MALHOA"

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Todas as paredes e tecto (com 4 retratos e um painel central de JOSÉ MALHOA) se encontram com fendas, ameaçando ruína.

Publicado por vm em 12:19 AM | Comentários (0)

fevereiro 11, 2008

VAMOS IMPEDIR A DEMOLIÇÃO DO MERCADO DO BOLHÃO

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(imagem tirada DAQUI)
Temos muito pouco tempo para reagir. Menos de 20 dias para parar o processo desencadeado. E fala-se de Maio como data de início da demolição. Custa a crer que vai acontecer. Mas se nada fizermos, vai mesmo...

PETIÇÃO PARA IMPEDIR A DEMOLIÇÃO DO MERCADO do BOLHÃO
Encontra-se acessível para assinatura, nos seguintes locais:
- em todas as lojas e bancas dos Comerciantes do Mercado do Bolhão

Informação disponível em

manifestobolhao.blogspot.com
sardera.blogspot.com

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fevereiro 07, 2008

UM PAIZ MUSICAL É UM PAIZ CONVENIENTEMENTE PREPARADO PARA ACEITAR TODAS AS LIÇÕES DO PROGRESSO

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SENHORA MINISTRA DA EDUCAÇÃO:
Depois da extinção das ordens religiosas, coube um importante papel ao edificio onde tinham estado os Caetanos, ou Theatinos, clérigos regulares da Divina Providencia, de que já falámos quando percorremos o Bairro Alto. Vinculou-o á restauração a nossa arte dramática o Visconde de Almeida Garrett, quando ali colocou, cheio do seu enthusiasmo de iniciador, o Conservatório Real de Lisboa e a Inspecção Geral dos Theatros, creados por decreto de 15 de Novembro de 1836.

Fundado por El-Rei D. João V em 1713, existira já o Seminário de Musica da Patriarchal de Lisboa, exclusivamente destinado ao ensino da musica própria dos officios divinos, e estabelecido no sitio da Ajuda. Mas depois se reconheceu que não preenchia os fins da sua instituição, apezar de ter um numeroso pessoal artístico, nacional e estrangeiro, e em 1822 foi mandado fechar. No reinado da Senhora D. Maria II foi então creado, por decreto de 5 de Maio de 1835, o Conservatório de Musica, que tinha seis aulas: de preparatórios e rudimentos, de instrumentos de latão, de instrumentos de palheta, de instrumentos de arco, de orchestra, e de canto. Em 1836, sendo Almeida Garrett, depois Visconde, encarregado pelo Ministro do Reino, Manuel da Silva Passos, de elaborar e propor um plano para a fundação e organisação do Theatro Nacional, d'esse plano resultou o decreto que creou a Inspecção Geral dos Theatros e simultaneamente estabelecia o Conservatório Geral da Arte Dramática, ficando incorporado neste estabelecimento o Conservatório de Musica.

O Conservatório ficou então dividido em três escolas: a de declamacão, a de musica, a de dança e mímica. Creou-se também uma bibliotheca, para a qual sairam da Bibliotheca Nacional todos os livros que tratavam de musica provenientes das livrarias dos extinctos conventos. Os estatutos decretados em 1841 diziam: O Conservatório Real de Lisboa tem por objecto restaurar, conservar e aperfeiçoar a literatura dramática e a língua portugueza, a musica, a declamacão e as artes mímicas. E promoverá outro-sim o estudo da archeologia, da historia e de todos os ramos da sciencia, da literatura, e de arte, que podem auxiliar a dramática.»

Assim se levantava uma bella instituição artística, que devia guiar o gosto nacional, educa-lo, formar óptimos professores, afiançar a boa educação dos seus discípulos.

Um paiz musical é um paiz convenientemente preparado para aceitar todas as lições do progresso, para saber sentir e saber vibrar. Um paiz cujo theatro represente a sua verdadeira missão, e seja o livro dos que não teem livros, como o exigia um bello espirito, recebe por este intermédio parte da sua educação moral e cívica. Dos conservatorios, organisados sob um alto pensamento artístico, deviam naturalmente sair os elementos que produzissem a resultante desejada.

Onde o meio é essencialmente artístico, facilmente o artista se educa; onde o não é, mais difficil e cuidada tem de ser a educação, porque se no primeiro caso o publico faz o artista, no segundo é a este que compete educar o publico. A arte é, como a terra, pródiga para quem a cultiva, mas, como a terra também, merece cuidados especiaes para que os seus fructos sejam óptimos. Era necessário que a educação musical do Conservatório correspondesse a uma educação de espirito.

Sem regras não pôde fazer-se o artista, nem este nome lhe cabe; mas cingido apenas ás regras não ha artista na verdadeira acepção da palavra. «A arte musical não pode ser uma profissão; tocar bem um instrumento ou escrever correctamente uma cantata ou uma fuga, não é bastante para ser musico, para ser artista...» diz Vincent d'Indy.

Passando do ensino da musica para a arte dramática propriamente dita, e para a arte dramatico-lyrica, que observávamos? Tínhamos theatro?, tínhamos dramaturgos, tínhamos compositores musicaes, tínhamos publico, tínhamos tudo, só nos faltava a matéria prima — uma escola de actores. Se alguns d'estes se erguiam a grande altura, deviam-no uns a diligencia própria, outros a simples intuição artística.

Do Theatro de D. Maria II afastavam-se alguns auctores dramáticos de mérito reconhecido e alguns dos melhores actores. Attrair áquelle centro artístico e literário uns e outros, reunir ali os primeiros dramaturgos e os primeiros artistas para que uns e outros, fomentada a emulação e destruída a rivalidade, podessem contribuir com o seu talento, e até com o seu patriotismo para o levantamento da arte dramática, era um dever a cumprir. Tínhamos elementos, mas dispersos; bastava anima-los no amor da arte, e reuni-los junto da mesma bandeira para que a victoria fosse certa e o theatro portuguez reaquirisse o brilho que outr'ora teve.

Tínhamos um theatro lyrico, que era dever artístico conservar e quanto possível engrandecer, mas não tínhamos um theatro lyrico nacional, frequentado pela classe média e pela classe popular, que educasse musicalmente o povo, que o ensinasse pouco a pouco a sentir e perceber os segredos da nossa musica, e que animasse também os nossos compositores a estuda-la, a cultiva-la, a arrancar-lhe todas as bellezas que encerra, e que sempre tem encantado o publico nas ligeiras e apertadas tentativas de alguns dos nossos maestros.

Ponto de partida para o resurgimento da arte musical e da arte dramática, teve o Conservatório de soffrer funda remodelação de serviços. Instituiram-se então um Conselho de arte dramática, e um Conselho de arte musical, que ha muito eram exigidos tanto para intervir directamente no ensino d'aquelle instituto, á similhança do que se pratica no Estrangeiro, como para habilitar o Governo com opinião auctorizada, sempre que este tivesse de resolver assumptos dramáticos ou lyricos.

Crearam-se a aula de órgão e a aula de harpa. Só o nosso Conservatório as não tinha, e se a aula de harpa era indispensável elemento imperdoavel se tornava a de não existir a de órgão. O ensino dramático foi restabelecido com o desenvolvimento tendente a produzir o resultado que se procura. Outros serviços foram melhorados, e para se conseguirem elementos de orchestra, para que esta classe e a de musica de camara tomassem o logar que lhes pertence e desempenhassem o papel que lhes cabe, e para que do Conservatório não saissem quasi unicamente pianistas, instituíram-se para os alumnos d'estas classes, e para os de ensino dramático, que também precisavam do máximo auxilio e estimulo, subsídios e vantagens.

Feita a reforma no Conservatório, estava naturalmente indicada pela orientação seguida e pela exposição feita, a creacão de um theatro lyrico portuguez, onde os artistas musicaes, que saiam do Conservatório tenham collocacão e encontrem futuro, se não na totalidade, em grande parte.

Quanto ao Theatro de D. Maria II teve o Governo o mais sincero e vivo empenho de ali reunir os nossos primeiros auctores e artistas dramáticos, pois que, por melhores que sejam as obras da literatura theatral, não podem ter o relevo preciso sem que haja bons artistas que as representem, nem estes podem manifestar todo o seu talento sem que a elle correspondam os papeis que tenham de interpretar e não deve ser principalmente nas peças estrangeiras que se realise este desideratum. Para tal propósito devia servir de valioso subsidio o Conselho de arte dramática que se instituiu na ultima reforma do Conservatório Real de Lisboa.

No relatório que precedeu a publicação d'esta reforma, com a data de 10 de Setembro de 1901, dizia-se: «Fossem outros os recursos do Estado, e a construção do Theatro Lyrico Portuguez por sua conta única havia de correr, mas nas circumstancias actuaes vae-se até ao máximo a que se pôde ir. Por isso á sociedade que no praso de um anno se organisar para a edificação do Theatro Lyrico Portuguez será concedido terreno, serão fornecidas madeiras e outros materiaes que o Estado possua, isentando de direitos todos que haja de importar. Como obrigação principal impõe-se a esta sociedade edificadora a cedência do Theatro á sociedade artística que se constituir nas condições que oportunamente serão decretadas. Para resolver eventualidades, varias restrições se fazem, acautelando-se rigorosamente os interesses do Estado.»
Mas decorreu o praso, e passou, sem que ninguém se aventurasse a secundar os bons desejos o Governo.

“LISBOA ILLUSTRADA” de Alfredo Mesquita- EMPREZA DA HISTORIA DE PORTUGAL-SOCIEDADE EDITORA-1903


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janeiro 03, 2008

SALVE-SE O SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA EM RISCO DE PERDA TOTAL

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Foi Neste Salão que GUILHERMINA SUGGIA tocou pela 1ª vez, em 25 de Março de 1901, integrada no Quarteto Moreira de Sá.
Esta Jóia da Arquitectura Portuguesa, foi construída em 1881, segundo projecto do Arq. Eugénio Cotrin e tem os tectos pintados por José Malhoa.
Desde os anos 40 do século passado que não tem quaisquer obras. Está a cair com a total indiferença dos responsáveis.
Numa iniciativa do Movimento FORUM CIDADANIA LX foi posta a circular na Net uma petição dirigida ao Sr Presidente da República, Sr Presidente da Assembleia da República, Sr Primeiro-Ministro, Sra Ministra da Educação, Sra Ministra da Cultura e Sr Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, pedindo que SALVEM O SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO .

ASSINE-A aqui e DIVULGUE-A O MAIS QUE PUDER!

Salvemos o nosso património.

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janeiro 01, 2008

SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO - MATINÉE MUSICAL NO DIA 2 de DEZEMBRO de 1900

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Teve um êxito alem de toda a expectativa a matinée musical que um grupo de artistas e amadores realisou no dia 2 no elegante Salão do Conservatório.
As três obras de musica de câmara que se executaram com instrumentos de sopro e piano, quasi uma novidade em Portugal, mantiveram em constante interesse o selecto publico que enchia litteralmente o Salão agitando-o mesmo por vezes em ímpetos do mais espontâneo enthusiasmo.

Se bem que a personalidade do director d'este jornal tivesse uma parte muito activa na organisação e no desempenho d'este concerto e sejamos portanto forçados a calar considerações que directa ou indirectamente o attinjam, nada impede que alludamos aos trechos em que os outros executantes se salientaram por uma forma brilhante, grangeando uma unanimidade de applausos verdadeiramente lisongeira.

Assim, seguindo a ordem do programma, apontaremos primeiro que tudo o magistral Andante do Quintetto de Beethoven, op. 16, cujo solo do oboé foi sóbria e correctamente desempenhado por Arthur da Fonseca, seguindose-lhe a phrase de fagote, em que João Manoel conseguiu arrancar um
bravo unanime de todas as bocas, pela nobreza e sentimento com que a disse. As duas phrases da trompa, que pouco depois se ouvem, foram um justíssimo successo para Manoel Tavares, cujo som pastoso
e expressivo fizeram o encanto do auditório.

Este Andante foi a nosso ver um dos trechos mais bem réussis de todo o programma, acrescendo que se poderam n'elle evidenciar de uma forma notável três artistas portuguezes do mais alto valor, o que para uma grande parte do auditório foi uma inesperada revelação.

Bom é que n'estas tentativas de tão grande alcance artístico se vá provando que também temos entre nós artistas de excepcional merecimento que nem sempre sabemos aproveitar e nem sempre queremos respeitar, tal é a cegueira inconsciente por tudo o que nos venha lá de fora, com sello mais ou menos authentico de celebridade.

No Caprice de Saint-Saëns temos que felicitar a José Henrique dos Santos, por vários passos de flauta de grande difficuldade, que tocou como mestre que é. E também merece registro o solo de caracter agreste que o oboé detalhou artisticamente, respondendo-lhe o mavioso clarinette de Severo da Silva, n'uma caridosa phrase que o publico sublinhou com mal reprimidos bravos.

No admirável Larghetto do Sextetto de Thuille, novo successo para a trompa na phrase inicial, seguindo todos os outros instrumentos, com grande elevação e sentimento a interpretação d'esta pagina genial, que não hesitamos em classificar como um dos melhores trabalhos que conhecemos na musica de camará moderna. Apoz o o Larghetto, vem uma encantadora Gavotte, cujo motivo principal é apontado primeiro pelo oboé, depois pelo fagote e mais tarde pelo piam; foi um verdadeiro successo d’ensemble, sendo preciso repetil-a para satisfazer as instancias do auditório.

E também como obra d'ensemble veio o Final, n'um animado e original seis por oito, dar a nota enérgica de que se carecia para fechar brilhantemente esta notavel audição.
Ao passo que felicitamos, pelo triumpho obtido, os notáveis artistas (amador e profissionaes) que collaboraram com o nosso director n'esta notável consagração artistica cumpre-nos também agradecer aos nossos respeitáveis collegas do Século, Diário de Noticias, Jornal do Commercio, Vanguarda, Folha da Tarde, Dia, Tempo, Popuiar e Tarde, as palavras altamente lisonjeiras que quizeram dispensar a este concerto.

“A ARTE MUSICAL” ,Anno II, numero 47 de 15 de Dezembro de 1900

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dezembro 18, 2007

HAJA VERGONHA! (E RESPEITO)

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Quando os responsáveis - aqueles que foram mandatados por nós, e a quem nós pagamos - não cumprem, devemos exigir respeito pelo nosso património.
Este é apenas um pormenor, que se vê da rua (por dentro a situação é bem pior) do Salão Nobre do Conservatório Nacional de Lisboa, na Rua dos Caetanos, ao Bairro Alto.
Precisamos da sua assinatura para pedir a recuperação do SALÃO NOBRE, em risco de perda total, perante a indiferença dos governantes.

Publicado por vm em 12:09 PM | Comentários (2)

dezembro 14, 2007

EXERCICIO ESCOLAR, REALIZADO NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO

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Mencionamos apezar de não ter recebido convite para assistir a elle, um Exercido escolar que no domingo, 23, realisaram os alumnos do Conservatório no bello salão d'este estabelecimento.

E fazemol-o com tanto maior prazer, que temos sido dos poucos, talvez o único jornal que tem pugnado pela repetição judiciosa, mas frequente d'este género d'audições, lastimando que se não façam muitas em cada anno lectivo.
No intuito de ter sempre os leitores ao corrente do que se vae passando em matéria de musica, no nosso pequeno meio artístico, colhemos algumas informações que lhes offerecemos gostosamente, mas com a reserva de tal ou qual forma justificada pela nossa forcada ausência.

No longo programma havia musica d'orchestra, musica de camara, coros, solos de canto e pecas para instrumentos de sopro.

Entre as primeiras destacaremos o Minuete de Boccherini, que sob a batuta do nosso amigo e novel artista José Henriques dos Santos obteve um ruidoso successo e as honras de bis; causou verdadeira admiração n'esta interessante obra a precisão e pureza com que o esperançoso alumno David de Sousa, detalhou o difficil harpejo do violoncello.
Tanto n'este minuete como no delicioso adagio de Haendel com que abriu o concerto mostrou José H. dos Santos quanto já vale, com a batuta na mão, e a quanto poderá chegar com a perseverança no trabalho e no estudo.

Os coros também foram muito ovacionados; dizem-nos maravilhas de certo trecho, cujo auctor se quiz occultar modestamente sob o réu do anonymo, mas que sabemos ser um dos nossos mais brilhantes compositores, que occupa no Conservatório uma posição das mais eminentes...

Coube também um largo quinhão de applausos aos alumnos pianistas, entre elles dizem-nos ser de justiça especialisar um moco de grande talento que em um transcendente Estudo de Sairít-Saens, mostrou ter adeante de si um risonho futuro, a que não serão talvez alheios os mais enthusiasticos triumphos.
Chama-se Hernáni Torres e é discípulo do; nosso bom amigo e collega Matta Junior.

D. Cândida Pires d'Azevedo e D. Beatriz Rocha, duas pianistas de raros dotes, discipulas respectivamente de Bahia e de Colaço, tiveram também um brilhantíssimo sucesso, de todo o ponto justo.
Da segunda alumna diz um jornal diario que merece menção especial pela maneira impeccavel como se apresentou no Capricho de Saint-Saens (sobre motivos de Gluck. que lhe cabia no programma ; não nos admira a referencia elogiosa porque temos tido por vezes occasiao de apreciar o amoroso cuidado que D. Beatriz Rocha põe em tudo que executa.

E com respeito a D. Cândida Azevedo, que nunca tivemos o gosto de ouvir, basta-nos o facto de ser discípula de Francisco Bahia para calcularmos que se não apresentaria n'uma audição d'estas sem a plena garantia d'um successo.

Desejamos ainda alludir a um oboista, de puríssimo som e grandes aptidões musicaes o alumno Wenceslau Pinto e ao clarinettista Domingos Castanho de Mattos, a quém já nos referimos elogiosamente em outra occasiao e que especialmente no allegro da Aria Variada que apresentou, foi extremamente feliz e mostrou notáveis progressos na sua difficil especialidade.

Na impossibilidade de fazer allusões especiaes a cada uma das obras que constituíam o programma, que, como já dissemos, era bastante extenso, fecharemos esta já longa noticia com um incondicional elogio a todos os professores e alumnos que concorreram para tão satisfatório resultado, animando-os a proseguir sem desfallecimento no caminho em que melhor poderão affirmar os seus constantes esforços.
“A ARTE MUSICAL” Anno II numero 48 de 31 de Dezembro de 1900

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dezembro 10, 2007

CONCERTO NO ELEGANTE SAlÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA- 2 de DEZEMBRO de 1900

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No próximo Domingo, 2, em matinée, tem logar no elegante
salão do Conservatório o primeiro concerto de musica de câmara, com instumentos de sopro.

Deve-se esta brilhante iniciativa, que é por assim dizer completa novidade entre nós, a um grupo de artistas e amadores, cuja única mira consiste em elevar o nivel artístico do nosso paiz, sem a menor preoccupação de interesses pessoaes, antes com um desprendimento muito para louvar-se e que poderá servir de estimulo a outras tentativas da mesma índole.

Assim este concerto é absolutamente gratuito, estando convidados grande numero de professores, amadores, alumnos, jornalistas da especialidade, todos emfim a quem pode interessar a Musica de camara, como um prazer ou como um ensinamento.

Em todos os centros musicaes d'uma certa importância, ha um ou mais grupos de instrumentistas de sopro, cuja missão é fazer conhecer a parte da musica de camara consagrada a esses instrumentos ou os trechos de caracter mixto, em que os instrumentos de vento estão combinados com os das cordas.
Apezar do repertório não ser muito vasto contem obras admiráveis que todo o publico culto deve conhecer e que são de tacto bastante conhecidas lá fora.
Não hesitamos portanto em classificar de benemerência artística o emprehendimento a que vimos alludindo e regosijamo-nos de frisar mais uma vez a abnegação de interesses materiaes com que os profissionaes prestam n'elle o seu concurso.
Louvável abnegação, sem a qual seria , absolutamente impraticável o plano!

O programma d'esta primeira sessão é interessantíssimo: o celebre Quintetto op. 16 de Beethoven, um Quartetto de Saint-Saens e um Sextetto de Thuille, tudo executado na integra e em primeira audição as duas ultimas obras.
Mesmo o Quintetto que como se sabe foi concertado pelo próprio beethoven para quartetto de piano e cordas e tem sido muito ouvido em Portugal com esta ultima interpretacão, só raramente e em época muito remota se tem executado na sua forma original.

A execução do programma é confiada aos srs. José Henrique dos Santos (flauta), Arthur da Fonseca (oboé), Severo da Silva (clarinette), Manoel Tavares (trompa), João Manoel Gonçalves (fagote) e Michel'ángelo
Lambertini (piano).
“A ARTE MUSICAL” Anno II, numero 46 de 30 de Novembro de 1900


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dezembro 05, 2007

1ª AUDIÇÃO EM PORTUGAL DAS SONATAS PARA PIANO, de BEETHOVEN

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Foi no Salão Nobre do Conservatório Nacional, que está a pedir obras URGENTES de recuperação, que se fez a 1ª audição integral em Portugal das Sonatas para piano, de Beethoven, por Vianna da Motta.
Junte-se aos que já subscrevam a petição pedindo obras de recuperação do Salão Nobre. Não permita que o nosso património caia. Não deixemos apagar a nossa memória. Temos obrigação de preservar o que nos pertence.
assine AQUI.

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novembro 29, 2007

ESTA É a FACHADA! IMAGINEMOS O QUE SERÁ O INTERIOR

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Nós portugueses que, de um modo geral, nos preocupamos sempre mais com o aspecto exterior das coisas do que o seu interior, imaginemos o estado em que estará o CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA - na Rua dos Caetanos (ao Bairro Alto). Não é possível imaginar. Só vendo se pode avaliar.
O SALÃO NOBRE que é uma sala excepcional é dum valor patrimonial enorme está a cair. É preciso recuperá-la. É nossa. Temos que ser nós a exigi-lo. Ser patriota é muito mais do que defender os símbolos da pátria. Passa essencialmente por defendê-la. E defendê-la tem muito a ver com a defesa de uma das suas maiores riquezas, que é o seu - nosso - património. Defendamos o que deve ser defendido. É URGENTE REALIZAREM-SE OBRAS DE RECUPERAÇÃO NO SALÂO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL.
EXIJA-O: É UMA OBRIGAÇÃO . ASSINE AQUI

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novembro 21, 2007

UM PAIZ MUSICAL É UM PAIZ CONVENIENTEMENTE PREPARADO PARA ACEITAR TODAS AS LICÕES DO PROGRESSO...

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Depois da extinção das ordens religiosas, coube um importante papel ao edificio onde tinham estado os Caetanos, ou Theatinos, clérigos regulares da Divina Providencia, de que já falámos quando percorremos o Bairro Alto. Vinculou-o á restauração a nossa arte dramática o Visconde de Almeida Garrett, quando ali colocou, cheio do seu enthusiasmo de iniciador, o Conservatório Real de Lisboa e a Inspecção Geral dos Theatros, creados por decreto de 15 de Novembro de 1836.

Fundado por El-Rei D. João V em 1713, existira já o Seminário de Musica da Patriarchal de Lisboa, exclusivamente destinado ao ensino da musica própria dos officios divinos, e estabelecido no sitio da Ajuda. Mas depois se reconheceu que não preenchia os fins da sua instituição, apezar de ter um numeroso pessoal artístico, nacional e estrangeiro, e em 1822 foi mandado fechar. No reinado da Senhora D. Maria II foi então creado, por decreto de 5 de Maio de 1835, o Conservatório de Musica, que tinha seis aulas: de preparatórios e rudimentos, de instrumentos de latão, de instrumentos de palheta, de instrumentos de arco, de orchestra, e de canto. Em 1836, sendo Almeida Garrett, depois Visconde, encarregado pelo Ministro do Reino, Manuel da Silva Passos, de elaborar e propor um plano para a fundação e organisação do Theatro Nacional, d'esse plano resultou o decreto que creou a Inspecção Geral dos Theatros e simultaneamente estabelecia o Conservatório Geral da Arte Dramática, ficando incorporado neste estabelecimento o Conservatório de Musica.

O Conservatório ficou então dividido em três escolas: a de declamacão, a de musica, a de dança e mímica. Creou-se também uma bibliotheca, para a qual sairam da Bibliotheca Nacional todos os livros que tratavam de musica provenientes das livrarias dos extinctos conventos. Os estatutos decretados em 1841 diziam: O Conservatório Real de Lisboa tem por objecto restaurar, conservar e aperfeiçoar a literatura dramática e a língua portugueza, a musica, a declamacão e as artes mímicas. E promoverá outro-sim o estudo da archeologia, da historia e de todos os ramos da sciencia, da literatura, e de arte, que podem auxiliar a dramática.»

Assim se levantava uma bella instituição artística, que devia guiar o gosto nacional, educa-lo, formar óptimos professores, afiançar a boa educação dos seus discípulos.

Um paiz musical é um paiz convenientemente preparado para aceitar todas as lições do progresso, para saber sentir e saber vibrar. Um paiz cujo theatro represente a sua verdadeira missão, e seja o livro dos que não teem livros, como o exigia um bello espirito, recebe por este intermédio parte da sua educação moral e cívica. Dos conservatorios, organisados sob um alto pensamento artístico, deviam naturalmente sair os elementos que produzissem a resultante desejada.

Onde o meio é essencialmente artístico, facilmente o artista se educa; onde o não é, mais difficil e cuidada tem de ser a educação, porque se no primeiro caso o publico faz o artista, no segundo é a este que compete educar o publico. A arte é, como a terra, pródiga para quem a cultiva, mas, como a terra também, merece cuidados especiaes para que os seus fructos sejam óptimos. Era necessário que a educação musical do Conservatório correspondesse a uma educação de espirito.

Sem regras não pôde fazer-se o artista, nem este nome lhe cabe; mas cingido apenas ás regras não ha artista na verdadeira acepção da palavra. «A arte musical não pode ser uma profissão; tocar bem um instrumento ou escrever correctamente uma cantata ou uma fuga, não é bastante para ser musico, para ser artista...» diz Vincent d'Indy.

Passando do ensino da musica para a arte dramática propriamente dita, e para a arte dramatico-lyrica, que observávamos? Tínhamos theatro?, tínhamos dramaturgos, tínhamos compositores musicaes, tínhamos publico, tínhamos tudo, só nos faltava a matéria prima — uma escola de actores. Se alguns d'estes se erguiam a grande altura, deviam-no uns a diligencia própria, outros a simples intuição artística.

Do Theatro de D. Maria II afastavam-se alguns auctores dramáticos de mérito reconhecido e alguns dos melhores actores. Attrair áquelle centro artístico e literário uns e outros, reunir ali os primeiros dramaturgos e os primeiros artistas para que uns e outros, fomentada a emulação e destruída a rivalidade, podessem contribuir com o seu talento, e até com o seu patriotismo para o levantamento da arte dramática, era um dever a cumprir. Tínhamos elementos, mas dispersos; bastava anima-los no amor da arte, e reuni-los junto da mesma bandeira para que a victoria fosse certa e o theatro portuguez reaquirisse o brilho que outr'ora teve.

Tínhamos um theatro lyrico, que era dever artístico conservar e quanto possível engrandecer, mas não tínhamos um theatro lyrico nacional, frequentado pela classe média e pela classe popular, que educasse musicalmente o povo, que o ensinasse pouco a pouco a sentir e perceber os segredos da nossa musica, e que animasse também os nossos compositores a estuda-la, a cultiva-la, a arrancar-lhe todas as bellezas que encerra, e que sempre tem encantado o publico nas ligeiras e apertadas tentativas de alguns dos nossos maestros.

Ponto de partida para o resurgimento da arte musical e da arte dramática, teve o Conservatório de soffrer funda remodelação de serviços. Instituiram-se então um Conselho de arte dramática, e um Conselho de arte musical, que ha muito eram exigidos tanto para intervir directamente no ensino d'aquelle instituto, á similhança do que se pratica no Estrangeiro, como para habilitar o Governo com opinião auctorizada, sempre que este tivesse de resolver assumptos dramáticos ou lyricos.

Crearam-se a aula de órgão e a aula de harpa. Só o nosso Conservatório as não tinha, e se a aula de harpa era indispensável elemento imperdoavel se tornava a de não existir a de órgão. O ensino dramático foi restabelecido com o desenvolvimento tendente a produzir o resultado que se procura. Outros serviços foram melhorados, e para se conseguirem elementos de orchestra, para que esta classe e a de musica de camara tomassem o logar que lhes pertence e desempenhassem o papel que lhes cabe, e para que do Conservatório não saissem quasi unicamente pianistas, instituíram-se para os alumnos d'estas classes, e para os de ensino dramático, que também precisavam do máximo auxilio e estimulo, subsídios e vantagens.

Feita a reforma no Conservatório, estava naturalmente indicada pela orientação seguida e pela exposição feita, a creacão de um theatro lyrico portuguez, onde os artistas musicaes, que saiam do Conservatório tenham collocacão e encontrem futuro, se não na totalidade, em grande parte.

Quanto ao Theatro de D. Maria II teve o Governo o mais sincero e vivo empenho de ali reunir os nossos primeiros auctores e artistas dramáticos, pois que, por melhores que sejam as obras da literatura theatral, não podem ter o relevo preciso sem que haja bons artistas que as representem, nem estes podem manifestar todo o seu talento sem que a elle correspondam os papeis que tenham de interpretar e não deve ser principalmente nas peças estrangeiras que se realise este desideratum. Para tal propósito devia servir de valioso subsidio o Conselho de arte dramática que se instituiu na ultima reforma do Conservatório Real de Lisboa.

No relatório que precedeu a publicação d'esta reforma, com a data de 10 de Setembro de 1901, dizia-se: «Fossem outros os recursos do Estado, e a construção do Theatro Lyrico Portuguez por sua conta única havia de correr, mas nas circumstancias actuaes vae-se até ao máximo a que se pôde ir. Por isso á sociedade que no praso de um anno se organisar para a edificação do Theatro Lyrico Portuguez será concedido terreno, serão fornecidas madeiras e outros materiaes que o Estado possua, isentando de direitos todos que haja de importar. Como obrigação principal impõe-se a esta sociedade edificadora a cedência do Theatro á sociedade artística que se constituir nas condições que oportunamente serão decretadas. Para resolver eventualidades, varias restrições se fazem, acautelando-se rigorosamente os interesses do Estado.»
Mas decorreu o praso, e passou, sem que ninguém se aventurasse a secundar os bons desejos o Governo.

“LISBOA ILLUSTRADA” de Alfredo Mesquita- EMPREZA DA HISTORIA DE PORTUGAL-SOCIEDADE EDITORA-1903

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novembro 19, 2007

VAGA NO CONSERVATÓRIO

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Vaga um logar no Conservatório.
Chovem pretendentes, movem-se empenhos (que são a maior força para o caso), sobe-se e desce-se escadas de repartições, faz-se tagatés ás pessoas influentes, deita-se quanta poeira seja possível em olhos que já de si não vejam com muita clareza, alega-se direitos, precedências, competencias, corre-se con afan seca e meca para obter padrinhos, captar benevolencias e até mover corações. Emfim ; fervet opus.
Se o fervor empregado em obter o logar não arrefecesse no desempenho d'elle...

“A ARTE MUSICAL” ANNO II, numero 40 de 30 de Agosto de 1900

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novembro 18, 2007

CONCERTO NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO, PROMOVIDO PELA IRMANDADE DAS SENHORAS VIÚVAS

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No dia 25, um concerto de caridade promovido pela Irmandade das Senhoras Viuvas teve logar no elegante salão do Conservatório.
A execução do programma foi confiada a artistas nossos, dos mais notáveis e a alguns cantores do theatro lyrico. Eis os números de que elle se compoz :

Mendelssolm — Primeira parte do Trío em ré menor para piano, violino e violoncello, pelos srs. Rey Colaço, Hussla e Cunha e Silva.
a) Rotoli — La Gondola nera.
b) Denza — Se... para canto pelo sr. Giraud.
a) Denza —Dolce peccato.
b) Dubois — Baiser para canto pela sr.a D. Livia Berlendi.
a) Liszt — Nocturno.
b) Heller —La Chasse para piano pelo sr.
Marcos Garin.
Tosti — Non t'amo piu para canto pelo
sr. Polese.
Schumann-Reinecke — Manfred para dois pianos pelos srs. Rey Colaço e Francisco
Bahia.
a) Schubert — Serenata.
b) Toffani — Io T’ameró para canto pela srª
D. Maria Martelli
Hussla — Fantasiestück para violino pelo auctor.
Wagner—Duas arias do Tannhaüser pelo
sr. Polese.


O acompanhamento ao piano pelos srs Rey Colaço e Barone.
Com tão notáveis elementos, não podia deixar de fazer este concerto uma funda impressão no auditório, que teve o requintado prazer de ouvir boa musica e praticar ao mesmo tempo um acto de piedade.
Os artistas foram gentilmente brindados tela commissão organisadora; entre os brindes especialísaremos umas lindíssimas corôas de louro, que foram offerecidas aos artistas portuguezes, como merecida homeagem ao seu grande talento e reconhecida philantropia.

“A ARTE MUSICAL” ANNO I, numero 6 de 31 de Março de 1899

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outubro 20, 2007

"SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL" - RECOMENDAMOS O ASSUMPTO AO MERETISSIMO DIRECTOR DE INSTRUCÇÃO PUBLICA...

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Em todos os estabelecimentos artístico - musicaes de uma certa importância e muito especialmente nos Conservatórios officiaes, nunca deixa de existir um grande Órgão de tubos, destinado á leccionação e á audição das obras dos grandes mestres.
No nosso Conservatório, que tem uma tão bella sala de concertos, não se tornará indispensável a adaptação de um órgão ao fundo do estrado ?
E não será também inadiável a creação de uma aula de Órgão, agora que parece querer tomar um bom caminho o desenvolvimento da arte musical no nosso paiz?

Recommendamos o assumpto ao meretissimo Director de Instruccão publica e temos esperança que, no seu elevado critério e fino gosto artístico, diligenciará prover á falta apontada.

"A ARTE MUSICAL", ANO II, Nº 34 de 31 de Maio de 1900

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outubro 05, 2007

CONCERTO DE ALEXANDRE REY-COLAÇO no SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL em 01/04/1900

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ESTE ERA O SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRO NACIONAL, AGORA EM RISCO DE PERDA TOTAL. ASSINE AQUI PELA SUA RÁPIDA RECUPERAÇÃO. DEFENDAMOS O QUE É NOSSO E TEM QUE SER SALVO!
....................................................
Como tínhamos previsto, encheu-se litteralmente o Salão do nosso Conservatório para festejar no dia 1 d'este mez, o primoroso pianista Rey Colaço e caso raro, ou talvez sem precedente nos nossos fastos musicaes, os pedidos de bilhetes foram em numero muito superior á lotação da sala e muitos dos admiradores do notável artista ficaram inhibidos do prazer de o ouvir d'esta vez.
Por aqui se póde aquilatar o grau de simpathia que a todos merece Rey Colaço e a alta consideração que todos teem pelo seu formoso talento.


O programma era realmente tentador. Abria com o famoso Concerto de Bach para 3 pianos, executado brilhantemente pelos professores Colaço, Bahia e Garin. Como conselho que poderá aproveitar para uma outra audição d’este trecho magistral, diremos que a collocacáo do quartetto acompanhador não foi feliz, não se ouvindo senão os dois primeiros violinos, por ficarem todos os outros instrumentistas modestamente encobertos por detraz dos 3 pianos de concerto. Ainda que o quartetto viesse para o primeiro plano, nunca a sua sonoridade poderia supplantar a de três pianos de cauda.

A Sonata a Kreutzer era também do programma e se é para nós um prazer registrar mais uma vez a maneira admirável como Colaço toca esta sonata, em todos os seus detalhes, não é menos agradável affirmar que o maestro Andrés Goñi, apezar de visivelmente commovido, teve n'esse difficil trecho a plena consagração do seu bello talento de virtuose distinctissimo. Afinação impeccavel, excepcional pureza de som e uma grande correcção no mecanismo, são qualidades que já ninguém lhe póde contestar e a querer fazer algum reparo, n'um exagero de sinceridade, diremos que julgamos demasiado vivo o movimento em que foi tomada a segunda variação em que o notável violinista se deixou talvez "emballer" demasiadamente, prejudicando-lhe o effeito e mesmo a precisão.

No tocante á sonoridade relativa dos dois instrumentos concertantes, seja-nos também licito dizer que a não julgamos perfeitamente equilibrada — o que será muito fácil remediar em futuras audições.

Nos Solos de piano com que Rey Colaço brindou os seus convidados, fez o illustre artista o encanto de toda a gente. Desde os trechos de mais transcendente virtuosidade como a Toccata de Sgambati até aos de maior mimo como a formosa Malaguena de sua própria composição, foi sempre o genial artista que nós todos conhecemos e manteve constantemente o seu auditório sous le charme. Teve uma bem merecida ovação.

Deu uma nota interessante de variedade ao programma a sr • D. Laura Wake Marques, cantando alguns trechos muito applaudidos.
Foi em summa uma das solemnidades musicaes mais importantes a que temos assistido este anno.

"A ARTE MUSICAL", Ano II- Nº 31 de 15 de Abril de 1900

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setembro 30, 2007

AJUDE A SALVAR O SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO

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Hoje estão assim estas cadeiras no Salão Nobre do Conservatório Nacional.
O Nosso património deve/tem que ser salvo por todos nós, estejamos onde estivermos. Não ache que têm que ser apenas os outros a fazer o que todos temos que fazer. No mínimo, faça ISTO
foto de STEVEN GOVERNO

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setembro 29, 2007

É ONDE? - OLHE QUE NÃO É ONDE PENSA

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Quer saber onde é?
Carregue AQUI
foto de Steven Governo (Publicada no "Tal&Qual"de 28Setembro2007)

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setembro 28, 2007

AUGUSTO SUGGIA FOI ALUNO NO CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DE LISBOA

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Começou a estudar violoncelo aos 18 anos, no ano lectivo de 1869/1870 tendo terminado em 1876/1877 com 25 anos. Fez o exame final com a classificação de 15 valores com distinção e recebeu um prémio de 15 000 réis.

Por ele e por todos os que lá estudarem e pelo prazer que vamos ainda hoje tendo, fruto do amor que dedicaram à música, em especial, assine AQUI.

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setembro 27, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: QUEREM SABER QUAL É O EDIFÍCIO ?

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Querem mesmo?
Carreguem e assinem AQUI

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setembro 25, 2007

ESTA É A FACE DA ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL

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Como é possível deixar chegar as nossas coisas a este ponto?

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setembro 22, 2007

CIDADÃOS PELO CAPITÓLIO

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O Teatro Capitólio é um edifício classificado, de importância arquitectónica internacional. Está localizado no Parque Mayer, um antigo recinto de diversões de Lisboa inaugurado em 1922. O arquitecto Luis Cristino da Silva (1896-1976) projectou o Capitólio entre 1925-1929, e o jovem engenheiro José Belard da Fonseca (1899-1969) foi o autor da inovadora estrutura de betão armado. Quando abriu ao público, a 10 de Julho de 1931, foi um manifesto sem precedente em Portugal do espírito do mundo moderno.

O inovador edifício combinava um grande salão com uma cobertura em terraço para espectáculos ao ar livre. O reconhecido pioneirismo da sua arquitectura funcionalista faz do Capitólio um exemplo notável do princípio do Movimento Moderno na Europa.

Presentemente o Capitólio encontra-se abandonado. Décadas de desleixo e falta de manutenção levaram ao seu actual estado de degradação. Sucessivas alterações, algumas ilegais, acabaram também por subtrair grande parte das suas caraterísticas interiores e exteriores únicas. O seu restauro - longamente esperado - ajudaria a criar um futuro viável para este edifício histórico. No entanto, quatro sucessivos projectos de intervenção para o Parque Mayer, desde 1970, têm proposto a demolição do Capitólio. Este esquecido, mas precioso edifício, classificado pelo Estado Português (Imóvel de Interesse Público, 1983) e registado no Docomomo Ibérico (1996), precisa urgentemente de ajuda e atenção.

O Capitólio tem de ser salvo porque:

- é o primeiro grande edifício do Movimento Moderno em Portugal.

- introduziu ideias, funções e tecnologias revolucionárias em Portugal.

- é um dos últimos locais de espectáculos do início do Movimento Moderno que sobrevive em Portugal.

- é um testemunho valioso da história do cinema e das artes do espectáculo em Portugal.

- é uma obra insubstituível do património cultural do Parque Mayer.

É uma responsabilidade dos cidadãos salvar o Capitólio para as futuras gerações.

'Cidadãos pelo Capitólio' - Missão:

'Cidadãos pelo Capitólio' é um grupo de trabalho de voluntários, independente, formado em 2003. Os seus membros estão preocupados com a apatia pública em relação ao futuro do Capitólio e a sua proposta demolição.
Apesar das alterações que o Capitólio sofreu ao longo dos seus 75 anos de história, o espírito e propósito fundamental do edifício continuam contemporâneos. 'Cidadãos pelo Capitólio' acredita que um restauro rigoroso, associado a uma adequada reutilização, devolverá vida ao edifício - é possível regressar à obra original e ao mesmo tempo responder às aspirações e necessidades de uma Lisboa do século XXI.
O grupo de trabalho 'Cidadãos pelo Capitólio' pretende:

- educar o público para a apreciação, conhecimento e compreensão do valor patrimonial do Capitólio;

- salvar o Capitólio da destruição ou de mais alterações, e apoiar activamente o seu restauro e reutilização apropriada;

- colaborar com todas as autoridades, intituições, públicas e privadas relevantes assim como grupos cívicos e indivíduos, em Portugal e no estrangeiro, afim de garantir a protecção do Capitólio;

'Cidadãos pelo Capitólio' visa alcancar os seus objectivos através de reuniões, organizando encontros, exposições, produzindo publicações ou qualquer outra forma de educação, publicidade ou pesquisa, e promovendo e apoiando planos para salvar este edifício único.


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setembro 19, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: "O CINEMA ODEON FARÁ Dia 21/SETEMBRO, 80 ANOS QUE FOI INAUGURADO"

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A Cinemateca, em colaboração com o Fórum Cidadania Lx, exibirá dia 21, pelas 19h, o filme mudo «A Viúva Alegre» (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Merry_Widow_(1925_film), de Erich von Stroheim, que inaugurou há 80 anos exactos aquela que viria a ser uma sala incontornável no circuito cultural lisboeta. O filme será exbido com acompanhamento ao piano.

Que esta iniciativa contribua para trazer de volta o Odéon ao convívio dos lisboetas, é algo que todos esperamos.


Categoria / Tipologia Arquitectura Civil / Cinema
Inventário Temático -

Localização
Divisão Administrativa Lisboa / Lisboa / São José
Endereço / Local Rua dos Condes, 2 a 20
Lisboa
1200-822 Lisboa
Rua das Portas de Santo Antão, 129 a 133
Lisboa
1200-822 Lisboa
Pátio do Tronco, 1 e 1-A
Lisboa
1200-822 Lisboa

Protecção
Situação Actual Em Vias de Classificação
Categoria de Protecção Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)
Decreto Despacho de 2004.10.12 (EM VIAS desde 2004.11.08, 3 dias úteis após a comunicação)
ZEP -
Zona "non aedificandi" -
Abrangido em ZEP ou ZP ZEP dos imóveis classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente, Portaria 529/96, de 1-10-1996
Património Mundial -

Descrições
Nota Histórico-Artistica Desde os seus primórdios que os cinemas de Lisboa se foram instalando entre o Chiado e a Baixa, como situação experimental e provisória, para um público de elites. À medida que se tornaram populares, as novas salas procuraram preferencialmente as áreas das tradicionais portas da cidade, visto que se tornaram os sucessores das feiras, circos e teatros.
Nesta sequência, e pelas sucessivas inaugurações, podem identificar-se claramente dois eixos principais: o do Rossio - Rua dos Condes/Restauradores - Parque Mayer - Avenida, eixo elegante e requintado, que corresponde aos sectores residenciais e funcionais mais ricos da cidade, que partiu das velhas Portas de Santo Antão; e o eixo Martim Moniz - Rua da Palma - Avenida Almirante Reis, que, partiu das Portas da Mouraria e se define como uma área pequeno-burguesa e popular de Lisboa (FERNANDES, 1995, p. 8). Numa segunda fase, quase todos os bairros de Lisboa tiveram uma sala de cinema, restando hoje em dia muito poucos.
O cinema, que utilizava de improviso salas de edifícios destinados a outros espectáculos, a pouco e pouco, surge com autonomia construtiva e formal. Com a crescente utilização do betão armado e o aparecimento de uma linguagem modernista na arquitectura, com formas geométricas puras e superfícies lisas, que coincidiu com novas regulamentações de segurança contra incêndios e com o despertar de novas salas, de estética inovadora, o cinema passou a ser então o espectáculo urbano por excelência, que atraía multidões.
O Cinema Odéon que se situa na Rua dos Condes, eixo nobre da cidade, em frente ao lisboeta Olympia, foi fruto de um projecto de 1923, pelo construtor Guilherme A. Soares. Abriu portas a 21 de Setembro de 1927, com A Viúva Alegre, de Stroheim e durante largos anos, estabeleceu laços fortes com a sala do Trianon Palace, sua contemporânea, de 1930, partilhando ambos a mesma cópia de filme.
Em 1931, foi modernizado com as expressivas galerias metálicas, salientes da fachada, muito decorativas, com os seus rendilhados de vidros coloridos, que quase apagam o desenho ao estilo clássico do edifício. Estilo esse que é ainda visível no piso superior e, principalmente, na esquina com a Rua das Portas de Santo Antão. Destaque ainda, para o janelão que ocupa dois andares, sobre balcão semi-circular, assente em métopas que enquadram o nome Odeon.
O interior é notável pela sua grande cobertura em madeira escura, pelo seu palco de frontão Art Deco, pelos sumptuosos e volumosos camarotes e pelo lustre central, irradiando néons.
(Liliana Garcia)

Imagens -

Bibliografia
Título Lisboa Desaparecida, volume 7
Local Lisboa
Data 2001
Autor(es) DIAS, Marina Tavares

Título Cinemas de Portugal
Local Lisboa
Data 1995
Autor(es) FERNANDES, José Manuel

IPPAR

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agosto 21, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: " EM FRENTE DA IGREJA DE S. NICOLAU, ESQUINA COM A RUA DA PRATA"

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agosto 19, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: " ESTE PRÉDIO FICA NA RUA DA PRATA"

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Há em pior estado. Pois há. Mas lá que dói, dói.

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agosto 16, 2007

JARDIM ANTÓNIO NOBRE - POETA NASCIDO HÁ 140 ANOS no PORTO

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Este Jardim está a ser alvo de obras de requalificação.(Há ano e meio que as obras estão paradas - diz uma tabuleta lá afixada)
Localização :: Rua de São Pedro de Alcântara, Lisboa

Freguesia :: Encarnação

Área :: 0,6ha

Descrição :: Lugar muito aprazível, onde se desfruta de um dos mais belos panoramas da cidade. O Jardim António Nobre (também conhecido por Jardim de S. Pedro de Alcântara) é um miradouro constituído por dois patamares ligados por escadas em pedra, suportado por uma muralha mandada construir por D. João V em meados do século XVIII. No patamar superior do jardim encontra-se um painel de azulejos reproduzindo a panorâmica do miradouro. Este patamar tem sobretudo árvores, caminhos e um lago central. O patamar inferior, com um groto embutido no muro de suporte e uma série de canteiros geométricos, foi adornado com uma série de bustos de deuses e de heróis portugueses dos Descobrimentos, entre os quais Vasco da Gama, Luís de Camões e Afonso de Albuquerque.

Equipamentos :: Lagos

Flora :: Celtis australis e Celtis orientalis

Património Edificado e Artístico:Monumento ao jornalista Eduardo Coelho, fundador do Diário de Notícias, datado de 1904.

21 bustos, assentes em pedestais, de deuses e heróis da mitologia greco-romana e figuras da história portuguesa.

Painel de azulejos, datado de 1952, da autoria de Fred Kradolfer.

História :: O Jardim António Nobre começou a ser arborizado, e construído, nos anos 30 do século XIX. Em 1830, os oficiais da Guarda Real de Polícia plantaram as árvores do patamar superior, passando o local a ser designado na altura por “Horta do Corpo da Polícia”.
A administração deste jardim pela CML data de 1839.
Em meados do século XIX foi exigida a colocação de um gradeamento sobre a muralha, devido à quantidade de suicídios que aconteciam neste local. O gradeamento, que ainda hoje aí se encontra, veio do Palácio da Inquisição do Rossio.

Horário :: Aberto 24h (FECHADO HÁ ANO E MEIO)

Acessibilidades :: Autocarros (Carris) :: 58, 790 (Paragem Elevador da Glória)
Electricos (Carris) :: 28E (Paragem Chiado)
Elevadores (Carris) :: Glória ( o elevador da Glória está parado desde que começaram as obras no túnel do Rossio)
Metropolitano :: Linha Verde (Baixa-Chiado)

http://www.cm-lisboa.pt/?id_categoria=77&id_item=14222

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agosto 12, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: "O TEATRO CAPITÓLIO" - IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

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Teatro Capitólio
Outras Designações Teatro Capitólio, no Parque Mayer
Categoria / Tipologia Arquitectura Civil / Teatro
Inventário Temático -

Localização
Divisão Administrativa Lisboa / Lisboa / São José
Endereço / Local Parque Mayer

Situação Actual Classificado
Categoria de Protecção IIP Imóvel de Interesse Público
Decreto 8/83, DR 19, de 24-01-1983
ZEP DR (I Série-B), n.º 228, de 01-10-1996, portaria n.º 529/96
Zona "non aedificandi" -
Abrangido em ZEP ou ZP -
Património Mundial -

Descrições
Nota Histórico-Artistica - Obra do Arq.º Luís Cristino da Silva, e inaugurada em 1931, este Teatro é considerado por muitos como a primeira obra modernista da arquitectura portuguesa.
De planta rectangular, desenvolvendo-se longitudinalmente, apresenta volumetria paralelepipédica, com cobertura em telhado a duas águas. A ligação do edifício ao exterior era efectuada por grandes portas envidraçadas, que abriam em bandas horizontais. Partindo do edifício central, verificam-se dois corpos adossados de menores dimensões, mas igualmente paralelepipédicos, que servem de suporte a um terraço, ao qual se tinha acesso por meio de tapetes rolantes, novidade absoluta na época. As fachadas eram definidas por um jogo austero de linhas verticais e horizontais, caracterizando-se o seu alçado principal pela presença de uma pala horizontal saliente e de um pano envidraçado. Quanto aos alçados laterais, eles pautam-se pela existência de cinco níveis, com entradas de luz horizontais.
Em 1933, o mesmo arquitecto procede a alterações, tendo-se procedido ao entaipamento das referidas portas de vidro.
[AMartins]

IPPAR

Teatro Capitólio, no Parque Mayer, Um dos 100 Monumentos
Mais Ameaçados do Mundo

O Teatro Capitólio, no Parque Mayer, o primeiro grande edifício do Movimento Moderno em Portugal, foi seleccionado para a lista World Monuments Watch - 100 Most Endangered Sites de 2006. A lista foi anunciada publicamente em Nova Iorque no dia 21 de Junho de 2005.

A World Monuments Fund (WMF) é a mais importante organização privada, sem fins lucrativos, dedicada à preservação de lugares da herança cultural de todo o mundo. Através da sua lista bienal World Monuments Watch - 100 Most Endangered Sites, a WMF (www.wmf.org) chama atenção internacional para os perigos que ameaçam os lugares com significado histórico, artístico e arquitectónico. A presença na lista World Monuments Watch estimula autoridades locais e comunidades a tomarem um papel activo na protecção do seu património cultural e, quando necessário, ajuda também a angariar fundos para a sua salvaguarda. Os monumentos são seleccionados, de entre as várias candidaturas apresentadas, por um painel de peritos mundiais, incluíndo representantes da UNESCO ("United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization") e do ICOMOS ("International Council on Monuments and Sites").
O Capitólio abriu ao público em 1931, no Parque Mayer, um antigo recinto de diversões no centro de Lisboa. O edifício - um teatro, music-hall e cinema - foi um manifesto sem precedente em Portugal do espírito do mundo moderno. O inovador local de espectáculos, projectado pelo arquitecto Luis Cristino da Silva (1896-1976), combinava um grande salão com um terraço para espectáculos ao ar livre. O reconhecido pioneirismo da sua arquitectura funcionalista faz do Capitólio um exemplo notável do princípio do Movimento Moderno na Europa. O edifício está classificado pelo Estado Português ("Imóvel de Interesse Público", 1983) e registado no Docomomo Ibérico (1996). Actualmente o Capitólio encontra-se abandonado e no centro de um projecto de intervenção para o Parque Mayer que propõem a sua demolição.

A candidatura do Capitólio para a WMF foi submetida em Novembro de 2004 pelo grupo de trabalho 'Cidadãos pelo Capitólio', apoiada pelo Professor Doutor José Manuel Fernandes, Museu Nacional do Teatro, Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema e pela organização Docomomo International ("Conservation and Documentation of the Modern Movement", Paris).
O grupo de trabalho 'Cidadãos pelo Capitólio', formado em 2003, tem como objectivo assegurar a sobrevivência do Capitólio. Com a ajuda da WMF e de outras organizações nacionais e internacionais, 'Cidadãos pelo Capitolio' trabalhará no sentido de inverter os perigos que ameaçam o Capitólio. O grupo defende o restauro deste importante ícone da arquitectura portuguesa e a sua utilização enquanto espaço cultural para as futuras gerações.
Para mais informações, contactar Fernando Jorge, representante do grupo de trabalho 'Cidadãos pelo Capitólio':
'Cidadãos pelo Capitólio'
LISBOA - PORTUGAL
capitolio_lx@hotmail.com
Tel. + 96 859 03 36

CNC - CENTRO NACIONAL DE CULTURA

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agosto 11, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS " PRÉDIO NA RUA DA CONCEIÇÃO"

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Infelizmente é uma constante de Lisboa.

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agosto 08, 2007

O CORETO DO JARDIM GUERRA JUNQUEIRO ( JARDIM DA ESTRELA)

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CORETO - pavilhão erigido em praças ou jardins públicos, para concertos musicais... (dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)
Pena não se lhes dar uso, digo eu.

O coreto existente no Jardim de Estrela foi transferido do Passeio Público da Avenida da Liberdade para o referido jardim em 1932 por resolução camarária.

O coreto tem uma abertura em ferro forjado, base de canterina e motivos indianos nos desenhos dos arcos e das colunas. Entretanto o coreto tem-se degradado e a Câmara Municipal de Lisboa teve de realizar obras de restauro, cujos gastos ultrapassaram o valor de 100.000 euros.
JARDIM DA ESTRELA

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agosto 07, 2007

LUIS VAZ DE CAMÕES FOI PRESO, AQUI, ÀS PORTAS DE SANTO ANTÃO

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Em 16 de Junho de 1552, por se ter envolvido numa rixa.

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agosto 03, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: "CONVENTO DE Nª SENHORA DA CONCEIÇÃO DE ARROIOS (HOSPITAL DE ARROIOS)"

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Localização
Rua Quirino da Fonseca, Praça do Chile, Avenida Almirante Reis
Freguesia: São Jorge de Arroios
Construído em 1705 a partir do financiamento de D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão, funcionou até 1755 nesse espaço conventual o colégio de formação dos Jesuítas, tomando o nome de colégio de São Jorge de Arroios.
Resistiu ao terramoto de 1755 mas não à expulsão dos Jesuítas em 1759, altura em que Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal (1769), determinou a ocupação do convento pelas freiras Concepcionistas Franciscanas, ficando o espaço a ser conhecido por convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios.

O convento ficou devoluto em 1890, ano em que morreu a última freira e em 1892, o Estado decidiu que o seu espaço fosse convertido em hospital e ficasse sob a administração do Hospital Real de São José. Foi então determinado que funcionasse um hospital de isolamento para doentes com peste bubónica, cólera, varíola, lepra e tuberculose.
A partir de 1898, o antigo convento tomou o nome de Hospital Rainha Dona Amélia e destinou-se somente ao tratamento e prevenção da tuberculose, para em 1911 após a Implantação da República se passar a chamar Hospital de Arroios. Funcionou até 1993, altura em que foi definitivamente desactivado, encontrando-se actualmente devoluto.
Foi na igreja do convento que permaneceram os restos mortais do Marquês de Pombal trasladados do convento de Santo António de Coimbra, antes de serem transportados para a Igreja de Nossa Senhora das Mercês.
A Igreja continua aberta ao culto sendo frequentada sobretudo pela comunidade ucraniana residente em Lisboa.

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agosto 01, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: "PAVILHÃO CARLOS LOPES"

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Estamos, de facto, a cair de podres. E ninguém se importa.

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julho 25, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS " PLACA NA CASA ONDE MORREU o PINTOR SILVA PORTO, na RUA LUISA TODI, nº 6"

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Que dizer? ou é a acção do tempo ou a mão do homem. ou...sei lá!

Aqui dá a ideia de puro vandalismo. A não ser isso porque haviam de cair todos os "P"?.
E ser Silva Porto ou Silva Orto é igual neste país. Pois claro. Viva o Orto!!!

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julho 17, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS - "O SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL de LISBOA" SALVEMO-LO!!!

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ATÉ PARECE NOVO. MAS ESTÁ A CAIR. É PRECISO SALVÁ-LO ENQUANTO É TEMPO! DEPRESSA SENHOR PRIMEIRO MINISTRO, SENHORES MINISTROS DA EDUCAÇÃO E CULTURA, SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA! VÃO LÁ E VEJAM
Fazendo parte integrante do edifício do antigo Convento dos Caetanos, localizado na antiga capela deste edifício, o Salão Nobre do Conservatório Nacional tem desempenhado ao longo dos anos um papel dinamizador das artes não só na cidade de Lisboa mas também a nível nacional pelo carácter dos eventos que nele têm ocorrido.

Inaugurado em 1881 segundo projecto do arquitecto Eugénio Cotrim e dispondo de um tecto pintado por José Malhoa, o Salão Nobre do Conservatório Nacional foi palco de importantes efemérides como a célebre polémica entre
Luis de Freitas Branco e Ruy Coelho, verdadeiro julgamento público sobre a atribuição de um prémio de composição à 1ª sonata para violino e piano de Luís de Freitas Branco, à primeira audição em Portugal da integral das sonatas para piano de Beethoven a cargo do eminente pianista Vianna da Motta, à primeira audição em Portugal de obras como o Pierrot Lunaire de Schöenberg, Canção da Terra de Mahler (versão de câmara) , Il Mondo Della Luna de Avondano ( 1ª audição moderna), etc.

Sujeito nos anos 40 do século passado a amplas obras de remodelação (datando dessa altura a inclusão de um órgão de concerto), esta sala dispõe de uma acústica ímpar gabada por artistas como Karl Leister (clarinetista solista da Orquestra Filarmónica de Berlim), Anthony Pey (solista inglês de grande nomeada), e os cantores Peter Schreier , Sarah Walker e Mara Zampieri, entre outros. Vários músicos portugueses têm seleccionado o Salão Nobre para efectuarem gravações de discos devido à sua excelente acústica e dentre eles salientamos António Rosado, Artur Pizarro, Nuno Vieira de Almeida, José Bom de Sousa, Elsa Saque, Emídio Coutinho, João Pereira Coutinho, etc.

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julho 08, 2007

JOÃO DOMINGOS BOMTEMPO PEDE AJUDA PARA QUE NÃO CAIA. Quem se INTERESSA POR ELE?

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Quando postei aqui, no blogue, algumas fotografias que mostravam, embora com benefício, o estado em que se encontra o Salão Nobre do Conservatório Nacional, foi sugerido que se fizesse uma petição “online” reclamando obras urgentes a fim de evitar a sua iminente perda total. Eu sou uma pessoa muito limitada e não sei o suficiente de informática para pôr em acção a petição. Comprometi-me no entanto a arranjar um texto. O texto está pronto para ser trabalhado – provavelmente cortado – mas parece que neste momento já ninguém quer pôr a petição online. Provavelmente outras coisas mais importantes vieram.
Eu gosto de, quando entro nas coisas, ir até ao fim, doa a quem doer. Será que há alguém que queira trabalhar na petição? Aceitam-se propostas. Mas por favor, apenas de quem estiver mesmo interessado.
Se não houver ninguém tenho pena mas… outras coisas virão, certamente.

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julho 07, 2007

SALVEMOS O SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL

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É preciso exigirmos a sua urgente recuperação. Calarmo-nos é pactuarmos. É obrigação de todos aqueles que nos governam zelarem o nosso património. O Salão está a cair dia a dia. Culpem-se os responsáveis pelo crime. Não nos podemos calar até que esta preciosidade sem preço seja restaurada como deve ser. Eu não me calarei nem ficarei quieto. Cumpre-nos zelar pelo que nos pertence. O qe está a acontecer é o mesmo que pegar nos quadros de Malhoa e destruí-los na praça pública.

E os jornais e as televisões para que servem?

País de imbecis! Abram os olhos. Poupem no que devem. Triste país o nosso.

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julho 06, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS - "A CASA ONDE NASCEU MANUEL DE ARRIAGA - 1º PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA"

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AQUI NASCEU O 1º PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA: MANUEL DE ARRIAGAveja mais aqui
São estas coisas que nos fazem pobres. Não é por sermos pobres que estas coisas estão assim.

Publicado por vm em 01:07 AM | Comentários (2)

julho 05, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS : " PALÁCIO LUMIARES" BEM NO CENTRO DE LISBOA

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Também conhecido como Palácio Cunha e Meneses. Construído no séc. XVII, pertenceu aos condes de Lumiares. Notável pelas suas proporções e pela sobriedade das linhas arquitectónicas, apresenta uma planta em U, preenchida naturalmente no séc XVIII por uma escadaria monumental, que no 1º piso se desdobra em dois, dando acesso ao andar nobre. No séc. XIX, a planta é fechada por uma construção do rés-do-chão e 1º andar.
Rua de São Pedro de Alcântara, 25-37

Note-se que aquela planta que sai da janela do andar superior é uma figueira.
Esta é uma fotografia dum imóvel que existe.

Publicado por vm em 12:06 AM | Comentários (1)

junho 29, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: "AS COISAS DO NOSSO ESTADO"

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Palavras para quê? Foi tirada ontem, na Rua Sá da Bandeira, no Porto, perto da Praça D João I

Publicado por vm em 03:35 PM | Comentários (1)

junho 23, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: O SALÃO NOBRE DA ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA (8)

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Este é o edifício do Conservatório Nacional de Lisboa, onde está o tal Salão Nobre de uma enorme riqueza a vários níveis, e que corremos o risco de perder.
Periodicamente realizam-se lá diversos recitais em ciclos sob o nome "EM BUSCA DE UM SALÃO PERDIDO". Quando tiver oportunidade não perca. Vá lá e veja o estado em que está. Verá que é bem pior do que aqui parece. Depois não fique quieto. Reclame. Divulgue. Passe palavra. Mande emails, escreva ao 1º Ministro, Ministra da Educação, partidos políticos, deputados. Nada será demais.
Devo dizer que mandei emails ao 1º ministro, ministra da educação, candidatos à Câmara de Lisboa ( em tempo de campanha é sempre mais oportuno, digo eu).

E digo aqui que este blogue tem uma média diária de 800 visitas - ontem teve 1002, por ex - e é visitado por países de todo o mundo. É bom que tenham vergonha. Eu tenho. Gostava que a imagem que sai do nosso país fosse melhor. Mas não pararei de denunciar a falta de interesse que os políticos e os portugueses têm para estas coisas da Cultura.

Publicado por vm em 01:20 AM | Comentários (0)

junho 21, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: O SALÃO NOBRE DA ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA (7)

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Parece que até está em excelentes condições, não parece? Mas não está. ESTÁ MESMO A CAIR. Vá lá. Logo que haja um recital da série "EM BUSCA DE UM SALÃO PERDIDO", vá. Veja com os seus olhos e divulgue.
PRECISAMOS DE SALVAR ESTE SALÃO.

Publicado por vm em 09:00 AM | Comentários (3)

junho 19, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: O SALÃO NOBRE DA ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA (6)

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Má sorte tem tido o Garrett: há uns tempos foi demolida a casa onde ele viveu e morreu, na Rua Saraiva de Carvalho em Lisboa, para dar lugar a um condomínio de luxo. Dizem. O Teatro das Laranjeiras - onde foi estreada a sua peça "Frei Luis de Sousa" - está no estado miserável que mostrei há dias aqui.
O teatro D Maria II - que Passos Manuel incumbiu Garrett de fazer sem perda de tempo - parece um Teatro de amadores sem amor ao teatro. Não cumpre as funções dum Teatro Nacional. Infelizmente.
O seu retrato aqui mostrado, pintado por Malhoa, se não é cuidado também cai.
E assim vamos andando neste nossa jardim...

Publicado por vm em 12:03 AM | Comentários (0)

junho 16, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: O SALÃO NOBRE DA ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA (3)

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Veja como o balcão se quer separar da parede. Se não estivesse escorado, certamente a sua vontade teria sido cumprida.

Publicado por vm em 10:48 AM | Comentários (0)

junho 15, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: O SALÃO NOBRE DA ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA (2)

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São mesmo buracos. Bocados do tecto que vai caindo. Não falta muito que caiam as pinturas de Malhoa, se não se acudir a tempo.

Publicado por vm em 12:00 AM | Comentários (2)

junho 14, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: O SALÃO NOBRE DA ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA (1)

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GUILHERMINA SUGGIA tocou pela primeira vez em Lisboa, aqui neste salão, em 25 de Março de 1901 (faria 16 anos no dia 27 de Junho desse ano), integrando o Quarteto Moreira de Sá.
Este salão é umas das maravilhas que temos. Corre o risco de se perder para sempre. É preciso que não permitamos que isso aconteça.Tem provavelmente a melhor acústica de todas as salas de Lisboa, onde se pode fazer música de câmara. Os seus tectos foram pintados por José Malhoa em 1881.Desde as primeiras décadas do século passado que não tem quaisquer obras de beneficiação. As paredes estão todas rachadas. O tecto também. Estas barras metálicas que se encontram do lado direito na vertical não estavam no projecto inicial: são escoras que evitam que o balcão, que não pode há muitos anos ser utilizado, caia. Há buracos no tecto. Há cadeiras que não podem servir para que alguém se sente nelas. Isto é um exemplo vergonhoso da falta de cuidado que temos com aquilo que é nosso. Há anos que se reclamam obras a fim de se evitar a destruição deste SALÃO que faz parte do ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA mas os responsáveis teimam em fazer ouvidos de mouco, como é hábito nestas coisas de Música, Teatro e coisas afins. Todos somos responsáveis pelo zelo e defesa dos nossos bens e valores. Ficarmos indiferentes perante a atrocidade de vermos destruir o nosso património é sermos coniventes com aqueles que aceitaram ser responsáveis pela sua defesa e manutenção.
Dado o péssimo estado do Salão e o valor que entendemos que ele tem, iremos mostrar várias fotografias que darão uma ideia, muito beneficiada - digamos -, do mau estado dele. Se não lhe acudirmos a tempo não valerá a pena lamentações depois dele cair.
Certamente que nem o senhor Primeiro Ministro, nem a senhora Ministra da Educação (que tutela o Conservatório), nem os 12 candidatos a Presidente da Câmara de Lisboa, lêem este blogue - terão certamente coisas mais importants que fazer e em que ocupar o seu precioso tempo - mas sabem decerto o estado em que ele está. Salvem-no. Não permitem que daqui a uns anos no seu lugar apareça, talvez, um condomínio de luxo (o exemplo está ao lado) nem um centro comercial.
Evitemos a derrocada do Salão Nobre do Conservatório. Tenhamos consciência, civismo e vergonha!

Publicado por vm em 12:09 AM | Comentários (3)

junho 11, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: METRO- ESTAÇÃO DE COLÉGIO MILITAR/LUZ- LISBOA - PORTUGAL

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Estamos em Portugal. Pois claro!
Os azulejos de Manuel Cargaleiro que revestem a estação do metro de "Colégio Militar/Luz" começaram a cair. E bem à maneira portuguesa corremos a reparar o mal. Não caissem todos eles. Ai Portugal, Portugal!

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junho 08, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: PALÁCIO DA RIBEIRA GRANDE - RUA DA JUNQUEIRA

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Rua da Junqueira, 62 a 78
Lisboa, Alcântara
Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)
Desp. de 28-06-1991

Profundamente alterado no século XX para albergar a Escola Secundária Rainha D. Amélia, o Palácio da Ribeira Grande foi construído nos primeiros anos do século XVIII pelos marqueses de Nisa.
Apesar das modificações por que passou, são ainda muitos os elementos originais do antigo palácio, como a fachada monumental de dois pisos, ordenada a partir do portão central, os jardins (parcialmente conservados) e a capela de Nossa Senhora do Carmo, com a sua fachada principal tripartida, nave praticamente quadrada e retábulo-mor da autoria de Máximo Paulino dos Reis.
No palácio Ribeira habitou e morreu o dramaturgo D. João da Câmara.

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junho 04, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: "O TEATRO TÁLIA" (TEATRO DAS LARANJEIRAS)

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EDIFÍCIO CLASSIFICADO DE INTERESSE PÚBLICO DESDE 1974 (Dec nº 735/74 DG 297 dd 21/12/1974

A par do palácio, que ficou memorável na história elegante dos meados do século XIX, ergue-se, num dos lados do grande pátio quadrilátero, o famoso Teatro, que data de 1820. Rudimentar na sua primeira fase, foi reedificado e iluminado a gás em 1842, o que constituiu uma grande inovação para a época e na capital.

Aqui se estreou «Frei Luís de Sousa» de Almeida Garrett e subiram à cena 18 óperas entre 1834 e 1853. Óperas dos mais afamados compositores, tais como os maestros Jordani, António de Coppola e Ângelo Frondoni, que vieram para Lisboa quando Farrobo era empresário do Teatro S. Carlos. Do último, que foi professor no Conservatório, chegou até nós o hino da «Maria da Fonte», que várias contrariedades lhe causou.

A morte da rainha D.Maria II, que frequentava com regularidade a casa do conde, veio interromper, por algum tempo, a vida social e artística do Palácio.

Em 1856 ainda foi reaberto o Teatro, com ópera italiana e comédias em português e francês. No entanto, a 9 de Setembro de 1862, um incêndio casual, motivado por descuido de uns operários, consumiu totalmente este pequeno templo de arte. A sua reconstrução já não se fez, pois a fortuna do conde de Farrobo começava a dissipar-se.

Exterior

Guarnece-lhe a fachada principal um elegante e espaçoso peristilo sustentado por quatro colunas de mármore branco, de ordem toscana. Prolongam-se os plintos por quatro pedestais, que avançam do peristilo e sobre os quais descansam outras tantas esfinges, figuras fabulosas com rostos e bustos de mulheres e corpos de leões, deitados e apoiados sobre as patas.

À frente, e em plano inferior, um estreito canteiro corre a toda a largura do perístilo, para o qual, à direita, quatro degraus dão acesso, enquanto a esquerda se nivela com o pátio. Remata o frontão triangular de tímpano liso, a estátua de Érato, musa que preside à poesia lírica, esbelta e bem modelada, lira segura na mão esquerda e apoiada na coxa do mesmo lado. Sobre os acrotérios situam-se duas urnas delicadamente esculpidas. Sob o tímpano ostentou em tempos a frase latina: «Hic mores hominum castigantur» («Aqui serão castigados os costumes dos homens»); expressão alusiva ao teatro satírico, de que já não apresenta qualquer vestígio.

Interior

O Teatro das Laranjeiras comportava 560 espectadores, possuía luxuosos camarins e um opulento salão de baile, de paredes revestidas com valiosos espelhos de Veneza.

Nestes reflectiam-se as luzes de numerosos e ricos lustres, que produziam efeitos deslumbrantes.


CONDE DE FARROBO (1801-1869)
Joaquim Pedro Quintela, 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo, nasceu em Lisboa, no palácio de sua família, na Rua do Alecrim, a 11 de Dezembro de 1801, onde veio a falecer, a 24 de Setembro de 1869. Seus ascendentes eram das nobres e ilustres famílias dos Pereiras e dos Rebelos, fidalgos de linhagem. Seus pais foram o 1º Barão de Quintela e D. Maria Joaquina Xavier de Saldanha.

Era um entusiasta da monarquia constitucional e da causa de D.Maria II que muito lhe deveu, principalmente em auxílio monetário. A proclamação do regime absolutista em 1828 deu-lhe um grande desgosto.


HISTÓRIA DO PALÁCIO DAS LARANJEIRAS

O palácio Farrobo, mais conhecido por palácio das Laranjeiras, está edificado na Quinta com o mesmo nome, onde se instalou, em 1905, o Jardim Zoológico. É uma construção seiscentista, restaurada e embelezada na primeira metade do século XIX.
Denominada inicialmente Quinta de Santo António, pertencia no final do século XVII a Manuel da Silva Colaço, passando para a posse de Luís Garcia Bívar, em 1760 e, posteriormente, para Fransisco Azevedo Coutinho. Foi a este último que a adquiriu o Desembargador Luís Rebelo Quintela em 1779, por 24 contos, herdando-a em 1802, seu sobrinho Joaquim Pedro Quintela, feito 1º Barão de Quintela, quatro anos mais tarde. Porém, a edificação do palácio, em substituição das decrépitas casas existentes até então, esteve a cargo do Padre Bartolomeu Quintela, tio do 1º Barão. Deste modo, o palácio e quinta foram reconstruídos segundo a traça do Congregado do Oratório. Contudo, foi o 2º Barão de Quintela, 1º conde de Farrobo -o qual muito novo entrara na posse da enorme fortuna de seu pai e na administração do morgado de Farrobo- quem promoveu, no palácio das Laranjeiras, os melhoramentos e embelezamentos que pelo fausto e bom gosto, deram brado em Lisboa, durante a primeira metade do século XIX.

Já no último quartel do século XIX o palácio, cujo brilho iluminara a época e deslumbrara os contemporâneos, foi a leilão. A morte poupou, no entanto a Farrobo aquela afronta. Adquiriu-a então, em 1874, um fidalgo espanhol, duque de Abrantes e Liñares, que o mandou novamente restaurar. Mas a 11 de Abril de 1877 foi comprado pelo comendador José Pereira Soares, que adquiriu também as Quintas contíguas das Águas Boas e dos Barbacenas.

Em 1903, foi a vez do conde de Burnay comprar o conjunto das quintas e do palácio cedendo, em 1905, os jardins da primitiva Quinta das Laranjeiras e Águas Boas ao Jardim Zoológico que, até então, ocupava um local no Parque da Palhavã.

Os restantes espaços ficaram na posse da sua família até 1940, ano em que, para efeito de partilhas se procedeu à venda dos mesmos, tendo o palácio das Laranjeiras sido adquirido pelo Ministério das Colónias, para aí instalar o museu da Marinha. Desde então vários ministérios tiveram sede nas Laranjeiras sendo que, desde Abril de 2002, com a tomada de posse do XV Governo Constitucional, se instalou o Ministério da Ciência e do Ensino Superior, actualmente Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (XVII Governo Constitucional).

ESTÉTICA DO PALÁCIO

Exteriores

Fachada Nascente

A fachada principal, virada a Nascente, cai sobre a Estrada das Laranjeiras e é constituída por um corpo único, com duas portas de serviço e quatro janelas no andar inferior. No andar superior distribuem-se onze janelas de varanda, sendo a do centro mais larga e guarnecida superiormente. Na sequência desta fachada, para Norte, abre-se o grande portal em ferro do antigo pátio nobre, emoldurado por pilastras coroadas de vasos decorativos, ao centro de uma cortina gradeada por varões.

Fachada Poente

A fachada poente, que cai sobre os jardins, é constituída por três corpos simétricos, mas de desigual alinhamento, o que lhe dá um aspecto curioso e decorativo.

O corpo central é guarnecido de terraço com balaustrada. Deste avança, entre corpos laterais com três portas-janelas cada um, um novo corpo central em três faces, em que em cada uma se rasgam, novamente, portas-janelas, mas estas guarnecidas e rematadas em arco e que correspondem ao Salão Nobre.
Jardins

Os jardins foram reconstruídos entre 1942-48 ao gosto francês. Estão destacados do Jardim Zoológico, antiga Quinta das Laranjeiras, por uma decorativa teia de balaustrada.
Quinta

Na Quinta das Laranjeiras, a que corresponde hoje o Jardim Zoológico, eleva-se, na alameda principal, um obelisco em mármore, com legendas latinas, que atestam uma visita régia à propriedade do conde de Farrobo.
Interiores

No palácio Farrobo trabalharam artistas importantes como Cinatti e Hilbradt, arquitectos e decoradores de renome, assim como António Manuel da Fonseca, professor de pintura, João Paulo da Silva e Félix Salla, ornamentistas de estuque.

A partir de 1944 o interior do palácio começou a ser restaurado, com as obras orientadas pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e custeado pelo Ministério das Colónias.

Das várias salas e dependências merecem destaque:

Átrio

O átrio, cujo acesso se faz pela porta principal, com tecto de estuque em relevos, envolvendo uma pintura central, em oval, de significado alegórico, e com silhares de azulejos de grinalda.

A escadaria, à esquerda do átrio, abrindo de um arco de volta abatida, com dois lanços pobres, terminando numa Galeria guarnecida de cortina, cuja cobertura tem no centro, em tela a óleo, restaurada no final do século passado, uma alegoria representando «O Amor e Psiché».

Salas

Quase todas as salas apresentam pinturas a óleo no tecto, nas paredes e nas sancas, algumas delas de António Manuel da Fonseca e outras de pintores estrangeiros. Predominam também os estuques de relevo ao gosto italiano.

Sala de Jantar

A antiga sala de jantar apresenta uma pintura alegórica no tecto, representando a «Abundância e a Flora».

Sala de Baile

Esta sala está decorada nas paredes com cinco grandes pinturas de paisagens e quatro medalhões nos ângulos de sanca, alegóricos às artes, dança, música, teatro, entre outras.

Salão

O grande salão, com tecto de maceira elevado, revestido de ornamentos de estuque, tem doze medalhões que circundam a sanca e, no centro do tecto, uma grande pintura alegórica.

As outras salas ou câmaras apresentam aproximadamente as mesmas características, ou sejam, estuques em relevo e pinturas centrais nos tectos, sempre de sentido alegórico, tais como a «Mulher dormindo embalada pelo amor» e o «Enlevamento do Amor», esta no antigo quarto do conde de Farrobo.

Em várias dependências do pavimento inferior encontram-se alguns milhares de azulejos setecentistas.

Ministério da ciência e do ensino superior

Publicado por vm em 12:00 AM | Comentários (3)