agosto 16, 2009

MORREU ISABEL ALVES COSTA, DIRECTORA DO TEATRO RIVOLI ENTRE 1993 e 2006

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Isabel Alves Costa, referência do teatro do Porto, foi vítima de doença súbita, ontem, aos 63 anos

Durante 13 anos, até 2006, foi o rosto mais visível do Teatro Rivoli, no Porto, como directora artística. Mas Isabel Alves Costa, falecida ontem, em Monção, era muito mais do que isso. Era um "espírito empreendedor que contagiava com o seu entusiasmo".

Isabel Alves Costa, uma das mais reputadas figuras culturais do Porto, foi vítima de morte repentina quando se encontrava de férias naquele concelho do Minho.

Actualmente, assumia as funções de directora do Teatro de Marionetas do Porto, promotor de um festival internacional (FIMP), e colaborava com o projecto Comédias do Minho. Em comunicado sobre a morte da sua fundadora, o FIMP afirma ter "mais uma razão para acontecer em Setembro: homenageá-la".

A reputação de Isabel Alves Costa como responsável cultural solidificou-se entre 1993 e 2006, período em que dirigiu o Teatro Rivoli, até Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto, entregar a gestão do espaço a uma empresa privada.

A sua reconhecida experiência na promoção e direcção artística levou-a a ser convidada para responsável da programação de artes performativas na Capital Europeia da Cultura Porto 2001.

Nuno Carinhas, actual director do Teatro Nacional de S. João, no Porto, que foi responsável, em 2005, pelo regresso de Isabel Alves Costa aos palcos, de onde se encontrava afastada há mais de 25 anos, realçou, precisamente, "o espírito empreendedor e o entusiasmo contagiante" da actriz, professora e programadora cultural.

"Era uma mulher muito entusiasmada, que partilhava esse entusiasmo com os outros. Punha sempre imenso empenho e alegria naquilo que fazia. E isso era contagiante".

Por este conjunto de razões é que o actual director do Teatro Nacional de S. João decidiu convidá-la para desempenhar um pequeno papel na peça "O tio Vânia", que encenou no Teatro Carlos Alberto (TeCA), também no Porto.

"Na altura, por amizade e por reconhecimento relativamente ao seu pensamento sobre o teatro, resolvi convidá-la para voltar aos palcos. Foi uma experiência fantástica ter partilhado com ela essa criação".

Também Júlio Gago, director do Teatro Experimental do Porto (TEP) e amigo de infância de Isabel Alves Costa, sublinhou o papel que ela desempenhou em prol da cultura portuense. "O seu desempenho à frente do Teatro Rivoli é disso um exemplo. Lamentavalmente, o poder autárquico vigente não soube reconhecer isso".

Júlio Gago não tem dúvidas em dizer que, com a morte de Isabel Alves Costa, "perde-se uma figura essencial do Porto, que foi extremamente molestada pela forma como foi afastada da direcção do Teatro Rivoli".

Isabel Alves Costa nasceu no Porto, em 30 de Julho de 1946. O pai, Henrique Alves Costa, cinéfilo militante e fundador do Cineclube do Porto, passou-lhe o gosto pelas artes do espectáculo.

Já no liceu, fez parte da associação dos liceus e participou intensamente na crise académica de 1962. Um ano mais tarde, rumaria a Paris. Tinha, então, 17 anos. Em França, deitou mãos a vários ofícios.

Mas o espectáculo era, de facto, a sua paixão e, por isso, inscreveu-se numa escola de teatro. Com a revolução de 25 de Abril de 1974, regressou ao Porto. Em 1997, doutorou-se em Estudos Teatrais pela Universidade Sorbonne.

A sua ligação a França é reconhecida pelo Governo daquele país, que, em 2006, a nomeou Cavaleira das Artes e Letras "pelo seu desempenho em prol da cultura". Ironicamente, recebeu o galardão quando já estava de saída da direcção do Rivoli.

Isabel Alves Costa, que tem vários livros publicados, deveria deslocar-se, hoje, a Melgaço, para acompanhar a peça "Inês Negra", pela Comédias do Minho.

Publicado por vm em agosto 16, 2009 10:40 AM
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