setembro 12, 2007

"HAMELIN" de JUAN MAYORGA pelos ARTISTAS UNIDOS NO CONVENTO DAS MÓNICAS

hamelin_1.jpg
Tradução de António Gonçalves Com Américo Silva, Ana Lázaro, Andreia Bento, António Filipe, António Simão, Elsa Galvão/Ana Teresa Santos, João Meireles, Paulo Pinto, Pedro Carraca, Sérgio Conceição e Sylvie Rocha Cenário e figurinos de Rita Lopes Alves Luz de Pedro Domingos Direcção de produção de António Simão e João Miguel Rodrigues
Assistência Ana Lázaro

O texto está editado nos Livrinhos de Teatro nº 20

De novo no Convento das Mónicas a partir de 7 de Setembro

Um texto simples, complexo, em que a culpa oscila.

A tradução teve o apoio do ATELIER EUROPÉEN DE LA TRADUCTION/SCÈNE NATIONAL D’ORLÉANS com o apoio da UNIÃO EUROPEIA Comissão de Educação e Cultura – programa Cultura 2000.

Às vezes ouvimos um som aos nossos pés, ou entre as sombras, e temos medo que os ratos já aqui estejam, entre nós. Agora que éramos tão felizes.
Às vezes ouvimos nas nossas costas o som daquela flauta e dá-nos medo de nos voltarmos e reconhecermos os olhos do flautista. E corremos para os quartos dos nossos filhos para ver se ainda ali estão.
Às vezes tememos que o “Era uma vez” nos alcance como uma língua negra. E que, como uma profecia, cumpra o conto em nós.
Nas versões mais antigas do conto, as crianças nunca voltam a Hamelin. O flautista leva-os para sempre com a formosa música da sua flauta. Arrebatando os filhos inocentes, o flautista outorga à culpa dos pais o mais cruel dos castigos.
Também este Hamelin é um conto sobre a culpa dos adultos e o seu castigo. Sobre as crianças de uma cidade que não sabe protegê-los. Sobre um menino e os seus inimigos. Sobre o ruído que o rodeia e o medo que nos olha.
Juan Mayorga

Hamelin fala do mesmo que o conto: de ratos, de homens rato.
A cidade encheu-se de ratos; a perversão está na base da pirâmide: as crianças, a pedofilia.
Hamelin fala-nos da perversão, da perversão da educação, da perversão sexual, da perversão das palavras.
Unidade familiar significa família para uma criança que não sabe o que isso é? E se a tolerância é zero, quererá isso, para um juiz moderno e democrata, dizer repressão?
Hamelin também é, claro, um jogo teatral perverso onde uma personagem-comentador, em contínuo contacto com o público, nos muda o ponto de vista ou nos esclarece acerca de um conceito ou nos comove a adpotar uma postura crítica ou simplesmente senta-se ao nosso lado e olha-nos para ver como olhamos. E é disso que se trata, de olhar. De olharmos.
Andrés Lima

Publicado por vm em setembro 12, 2007 10:38 AM
Comentários
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?