agosto 16, 2007

ANTÓNIO NOBRE (PORTO, 16 de AGOSTO de 1867- 18 de MARÇO de 1900)

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NÃO REPARARAM NUNCA?

Não repararam nunca? Pela aldeia,
Nos fios telegráficos da estrada,
Cantam as aves, desde que o Sol nada,
E, à noite, se faz sol a Lua cheia.

No entanto, pelo arame que as tenteia,
Quanta tortura vai, numa ânsia aiada!
O Ministro que joga uma cartada,
Alma que, às vêzes, d’Além-Mar anseia:

- Revolução! - Inútil. - Cem feridos,
Setenta mortos. - Beijo-te! - Perdidos!
- Enfim, feliz! - ? - ! - Desesperado. - Vem.

E as boas aves, bem se importam elas!
Continuam cantando, tagarelas:
Assim, Antônio! deves ser também.

ANTÓNIO NOBRE

Publicado por vm em agosto 16, 2007 12:09 AM
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