julho 28, 2007

CCB fora de SI: "LUTO CLANDESTINO" de Jacinto LUCAS PIRES, pelo TEATRO O BANDO

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Ao início, ouve-se uma acção que não se vê. Olha-se em volta. De onde virão estas vozes? «Toda a gente tem uma história, e esta é a minha», solta Lurdes, enquanto à sua volta o cenário muda: pessoas passam, começa a noite de Jazz, o cubo multicolor do CCB pisca.

Lurdes é na verdade a actriz Paula Só, que contracena com o jovem Dinis Machado na peça ao ar livre «Luto Clandestino», em cena até Domingo no Centro Cultural de Belém. Ao longo do ensaio, percebemos a experiência que é descrita aos espectadores como um «teatro radiofónico e voyeurista»: apetrechadas com auscultadores e leitores de mp3 , cinquenta pessoas ( e apenas cinquenta) vão ouvir o diálogo íntimo, perturbador e clandestino, entre um homem e uma mulher. Dois desconhecidos que partilham a dor de uma morte: a de Marta, filha de Lurdes e namorada de António.
O espectador pode optar por ouvir apenas o espectáculo, assistir à distância, ao estilo de radionovela (onde não falta a sonorização musical que acompanha o texto). Mas pode também seguir os actores, espreitá-los, acompanhá-los até ao automóvel verde onde se passa grande parte da acção.
O escritor Jacinto Lucas juntou-se ao Teatro O Bando e escreveu «Luto Clandestino», que foi apresentado pela primeira vez o ano passado, nas ruas de Palmela, onde o Bando tem a sua sede. João Brites é o encenador, e trabalha aqui num terreno que lhe é familiar: a rua, os cenários vivos e reais, em interacção com o espectador.
A peça «Luto Clandestino» foi o primeiro passo para uma colaboração mais extensa. A semana passada, O Bando e Jacinto Lucas Pires apresentaram o espectáculo «Os Vivos» no Festival CITEMOR, em Montemor-o-Novo, num texto que é uma espécie de 2º acto de «Luto Clandestino», centrando-se de novo no tema da morte. Há ainda um terceiro espectáculo que completa o projecto a que O Bando chama «Clandestinos»: «Rumor Clandestino», cujo texto é da autoria do jornalista Fernando Dacosta, estreou em Março deste ano e levou o público novamente numa viagem pelo diálogo entre um homem e de uma mulher que se escuta e sente através de uma onda de rádio.

Publicado por vm em julho 28, 2007 12:00 AM
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