janeiro 25, 2007

CASA DE ANTÓNIO NOBRE - NA FOZ DO PORTO - EM RISCO DE DERROCADA

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POETA E DIPLOMATA
António Nobre (1867 -1900) frequentou o curso de Direito, em Coimbra, mas foi em Paris que concluiu os estudos de Ciências Políticas, em 1895. No período em que viveu na capital francesa, viu ser publicado "Só" (1892), que então classificou como "o livro mais triste que há em Portugal". "Só" foi o único livro seu publicado em vida, uma vez que as obras poéticas "Despedidas" e "Primeiros Versos" só seriam editadas, respectivamente, em 1902 e 1921. Foi também em Paris que contactou com Eça de Queirós, na altura cônsul de Portugal. No entanto, o ingresso na carreira diplomática que António Nobre almejava não lhe foi possível, por, na altura, já sofrer de tuberculose. E de nada lhe valeram as viagens para tentar curar-se, incluindo à Suíça e a Nova Iorque.

A placa alusiva ao local onde o poeta António Nobre morreu, em 1900, desapareceu esta semana do número 531 da Avenida do Brasil, no Porto, disse à Lusa o escritor Mário Cláudio. "Acho absolutamente inqualificável que alguém tenha tirado a placa. Só ficou a mancha do sítio onde estava a placa", afirmou, advertindo que a casa corre o risco de derrocada, o que deitaria literalmente por terra a ideia de ali ser instalada toda a colecção de António Nobre, que está em gavetões na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

O escritor referiu que já falou pessoalmente com o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, e com a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, alertando para a importância de classificar a casa como de interesse municipal ou nacional.

"É o maior poeta português nascido no Porto. Não há outro", salientou Mário Cláudio, acrescentando que o autor de "Só" é talvez, com Cesário Verde e Antero de Quental, um dos três maiores poetas portugueses do século XIX..

António Nobre nasceu em 16 de Agosto de 1867 numa casa na Rua de Santa Catarina, onde actualmente funcionam escritórios, e morreu em 18 de Março de 1900 na pequena casa de dois andares no número 531 da Avenida do Brasil, na Foz, onde poucos anos depois um grupo de escritores e jornalistas colocou sobre a porta a placa agora desaparecida. Essa residência pertencia ao seu irmão, o biólogo e professor da Universidade do Porto Augusto Nobre.

COLECÇÃO ARMAZENADA
"Não está só em causa a casa, que muitas vezes não é mais do que o local do nascimento ou da morte, mas também o facto grave de a Câmara do Porto manter armazenada a colecção toda de António Nobre, incluindo livros, manuscritos, objectos e peças de vestuário", realçou.

Na opinião de Mário Cláudio, a casa poderia ser recuperada para acolher e expor o espólio de António Nobre, à semelhança do que aconteceu com a casa de Fernando Pessoa em Lisboa, construindo-se um auditório nas traseiras.
Contactado pela Lusa, o advogado e fundador do PPD/PSD Miguel Veiga considerou o desaparecimento da placa como "um acto de barbárie", como outros que se têm registado na cidade, nomeadamente o roubo e o corte aos pedaços da estátua "A Anja", do escultor José Rodrigues.

"Se há alguém que merece ser recordado e perpetuado é António Nobre, um dos nossos maiores poetas", salientou Miguel Veiga, reconhecendo, contudo, que não será fácil encontrar quem patrocine a recuperação e manutenção da casa na Avenida do Brasil.

Miguel Veiga lembrou as dificuldades por que passam a Fundação Eugénio de Andrade e o Lugar do Desenho, de Júlio Resende, lamentando que a frágil situação económica do país esteja a "afugentar" os apoios financeiros às
casas-museu.

A Lusa contactou a Câmara do Porto e o Ministério da Cultura para saber se há intenção de classificar, comprar e recuperar a casa, mas os gabinetes de comunicação das duas instituições remeteram informações para mais tarde.
Notícia do "JORNAL DE NOTÍCIAS" dd 20/1/2007

Publicado por vm em janeiro 25, 2007 12:00 AM
Comentários

Nada de novo: se a colecção, mesmo armazenada, sobreviver em bom estado, já nos podemos dar por muito contentes. Dinheiro há, e muito, para grandes almoçaradas, bem regadas, para depois irem para as estradas nos seus "carros de topo", etc. É essa a grande e única "cultura", não dá para mais. Não se mudam os tempos, nem se mudam as vontades.

M.R.L.

Afixado por: em janeiro 25, 2007 11:20 PM

Também as inscrições da placa que se encontra na fachada da casa de Matosinhos onde habitou a poetisa Florbela Espanca,foram recentemente apagadas, e um aviso de licenciamento camarário pouco esclaredor indicia o inicio de algo.......

Afixado por: em janeiro 26, 2007 04:41 PM

legal

Afixado por: luria em agosto 2, 2007 07:57 PM

"António Nobre nasceu em 16 de Agosto de 1867 numa casa na Rua de Santa Catarina, onde actualmente funcionam escritórios" - alguém sabe dizer qual o n.º dessa casa.

Obrigado.

Afixado por: Joka em agosto 11, 2007 03:05 PM

Tive ontem o prazer de assistir a uma palestra sobre António Nobre na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto. Um dos 3 maiores poetas portugueses que morreu na Av. Brasil, Foz do Douro, em casa de seu irmão Augusto Nobre. Mostraram o estado de abandono da casa, onde há alguns anos roubaram a placa que assinalava a morte do poeta. É urgente que a câmara e o ministério da cultura de mãos dadas com um mecenas, impeçam a derrocada final do edifício.
Gastou-se tanto dinheiro na Fundação Eugénio de Andrade que está fechada. António Nobre foi de longe superior nas letras e era natural do Porto, não foi um "forasteiro". Unam-se autoridades e apoiem o imóvel para onde poderia e deveria transitar o espólio que se guarda na Biblioteca Municipal do Porto deste grande poeta que cedo morreu pela tísica dessa altura. Neste momento já temos antibióticos e vacinas para esse mal que ceifou tantas vidas nesta cidade. Para salvar este edifício moribundo também existen bons remédios. Foi assim que foi salvo o Navio-hospital Gil Eannes que está ancorado em Viana do Castelo. As memórias devem ser preservadas e não devemos deixar vender o nosso património para fazer mais prédios. Uma casa bem próximo onde morreu o poeta do "Só" em estilo neo-manuelino também aos poucos está a arruinar-se. Se apagamos o nosso passado de qualidade vamos ficar apenas com a arte efémera. Mãos à Obra.

Afixado por: Mário Fleming Oliveira em novembro 13, 2011 04:13 PM
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