julho 22, 2005

INTERFERÊNCIA DE ÓSCAR DA SILVA PARA QUE LECCIONE COM JULIUS KLENGEL

O mais célebre violoncelista da Europa, Julius Klengel, que ficara amigo de Óscar da Silva, desde a estadia deste em Leipzig, o felicitara calorosamente quando ele terminou as suas provas finais no Real Conservatório dessa cidade.

Dadas essas amistosas relações, por intermédio de Óscar da Silva, Guilhermina Suggia passou a receber lições do genial mestre. Diria mesmo, numa carta, o pai da artista, Augusto Suggia, que fora o primeiro professor da filha, em 23-6-1902, com respeito a Klengel:
É admirável. Óscar da Silva conhece-o bem e a ele devemos a nossa finalidade de ter este mestre colossal (...)”


Na maior e mais conceituada sala de concertos da Alemanha, a Gewandhaus, em Leipzig, a moça portuguesa de 17 anos, foi a primeira mulher que se apresenta ali, como executante. E nunca artista tão jovem pudera tocar nessa Sala. Dirigida a orquestra pelo eminente maestro Artur Nikish, interpretou o concerto de Volkmann. A interpretação foi extraordinária. Foram tão calorosos os aplausos, que no final do programa, o número de Guilhermina Suggia teve de ser bisado.
Depois, triunfos e mais triunfos por toda a Europa. Durante cerca de 30 anos tocou em vários palácios reais e presidenciais. Fixou-se, porém, em Londres, cativada pela hospitalidade britânica.

Em 1904 era indubitavelmente reconhecida como a maior violoncelista que tinha aparecido no mundo artístico musical.

Solicitavam-na de toda a parte. Nesse ano, na Alemanha, dá o primeiro concerto em Heidelberg. Um segundo em Manheim, com orquestra dirigida pelo conhecido maestro, que já estivera em Lisboa, Edouard Colonne. Nesses concertos, segundo a Semana Ilustrada de Lisboa, “ o auditório estava como hipnotizado ao ouvi-la, rompendo ao terminar o concerto os mais espontâneos aplausos”. Transcrevia essa revista de jornais alemães.

ORLANDO COURRÈGE- Jornal de Matosinhos, 17/01/1997

Publicado por vm em julho 22, 2005 12:00 AM
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