outubro 31, 2007

"UMA VIAGEM MUSICAL PELO SÉCULO XX" 2 de Novembro pelas 19 horas- INSTITUTO FRANCO-PORTUGUÊS - "CARTA BRANCA DE TERESA VALENTE PEREIRA"

Teresa Valente Pereira 1.jpg
organizado pela RDP-Antena 2 com Adolfo Rascon no violino, Teresa Valente Pereira no violoncelo e Bruno Belthoise no piano.

Emmanuel Hieaux (1958-)
Sur trois poèmes d'Eluard, para violino e piano
(Miroir d'un moment – Absence - Mes heures)
-Première audition au Portugal-

Zoltán Kodály (1882-1967)
Duo op.7, para violino e violoncelo
(Allegro serioso, non troppo – Adagio – Presto)

PAUSA

Gaspar Cassadó
Suite para violoncelo solo
(Prelude-Fantasia:Sardana-Danza:Intremezzo e Danza Finale)

Claude Debussy (1862-1918)
Sonate n°1, para violoncelo e piano
(Prologue - Sérénade : Modérément animé - Finale : Animé)


Dmitri Shostakovitch (1906-1975)
Trio n°1 op.8 , para violino, violoncelo e piano

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outubro 30, 2007

MATINÉE MUSICAL DOS ESPOSOS SARTI, NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO

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Para assistir á matinée musical dos esposos Sarti, no dia 7 do corrente mez encheu-se litteralmente o salão do Conservatório, avultando o elemento feminino, pois, salvo felizes excepções, o masculino costuma ás segundas feiras occupar-se de outros assumptos menos elevados talvez, mas consideravelmente mais práticos.

Les Chansons de Miarka executavam-se pela primeira vez em publico e eram por conseguinte novidade para muita gente. Esta suite vocal, de que já aqui nos occupamos, conseguiu grandes applausos, especialmente em alguns números que foram distinctamente desempenhados pelas Sr.as Condessa de Proenca e D. Clara Sarti. Sobretudo Les Nuages, La Pluie e Hymne des Morts fizeram muita impressão ou foram talvez melhor comprehendidas
Além da extravagante suite cantaram vários trechos as senhoras Viscondessa de Almeida Araújo, D. Josephina Aboim, Condessa de Proenca-a-Velha, Mad.le Sarti e sr. José Eduardo Pinto da Cunha, e tocou o Yankee Doodle de Vieuxtemps o talentoso violinista Júlio Cardona, a substituir um numero do programma que não poude ser executado.
Em todos os números de canto se houveram brilhantemente os distinctos amadores, que, como se sabe, procedem da escola de Sarti e assimilaram com notável talento as qualidades de technica que distinguem o illustre professor.
De Madame Sarti, a inimitável diseuse que todos conhecem, só diremos que nos deliciosos trechos com que fechou o program¬ma e especialmente na Rieuse de Pierné, soube suggestionar o publico a ponto de lhe causar uma fortíssima commoção e de se verem lagrimas em muitos olhos…
Não queremos fechar esta noticia sem comprimentar um novo e modesto profes¬sor, o sr. José Henrique dos Santos pela maneira distincta como acompanhou na flauta, conhecida e sempre formosa Ária de Misoly, que a Srª Condessa de Proenca can¬tou proficientemente
Os nossos parabéns a Alberto Sarti pela sua festa artística e pelas justíssimas de¬monstrações de sympathia que o publico lhe trioutou.
A ARTE MUSICAL Ano II, Nº 33 de 15 de Maio de 1900

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outubro 29, 2007

SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO GUILHERME COSSOUL

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Nasceu para a música e tem nome de músico, mas haveria de ser o teatro o seu amor mais duradouro e mais fértil. Em obra e em glória.
A Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul é uma das mais antigas e prestigiadas de Lisboa. Foi fundada em 7 de Setembro de 1885 por 47 amadores de música e admiradores de Guilherme Cossoul – compositor e violoncelista português do século XIX e fundador dos bombeiros voluntários em Portugal.

Ao longo da foi sempre um espaço de forte dinamização cultural e cívica. Satisfez necessidades educativas, artísticas e desportivas dos seus associados e da cidade de Lisboa. Alfabetizou cidadãos, ensinou ofícios, formou campeões desportivos, músicos, actores, encenadores, dramaturgos, cenógrafos e técnicos de cena.

O seu contributo para o incremento do teatro português pode avaliar-se pelos nomes que daqui emergiram ou aqui se afirmaram:

Encenadores: Jacinto Ramos, José Viana, João Pedro de Andrade, Fernando Gusmão, Artur Semedo, Rogério Paulo, Carlos Avilez, Humberto d’Ávila, Varela Silva, e mais recentemente, Ildefonso Valério, José Martins, Estrela Novais, entre outros.

Actores: Alberto Ponces, Alda Rodrigues, Alina Vaz, Celestino Silva, Dinah Stichini, Fernanda Alves, Gilberto Gonçalves, Glicínia Quartin, Grece de Castro, Henrique Viana, Isabel Wolmar, Jacinto Ramos, João Sarabando, José Terra, José Viana, Judite Marques, Luís Alberto, Luís Castanheira, Mateus Valente, Manuela Costa, Maria Bastos, Maria do Rosário, Pedro Bartissol, Raul Solnado, Senuel de Carvalho, Varela Silva.

Cenógrafos: Álvaro Marques, António Botelho, Bartolomeu Cid, Calvet da Costa, Carlos Ribeiro, Conceição e Silva, Figueiredo Sobral, Henrique Cayatte, João Vieira, José Viana, Lima de Freitas, Mário Alberto, Octávio Clérigo, Regina Rezende, Rogério Ribeiro, Rui A Pereira, Sá Nogueira.


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outubro 28, 2007

GUILHERMINA SUGGIA NO THEATRO LYRICO DO PORTO

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Do PORTO : —Uma das recitas do theatro lyrico, do Porto, no mez passado, foi abrilhantada com o concurso de uma violoncellista de grande merecimento, a Sr.a D. GuiIhermina Suggia a quem já nos temos por vezes referido.
A distincta executante apresentou uma transcendente fantasia de Servais, "Souvenirs de la Suisse", que foi acolhida com expansivas demonstrações de enthusiasmo, vendo-se obrigada a corresponder a este acolhimento com a execução de um novo trecho.
“A ARTE MUSICAL” , ANO II, Número 29 de 15 de Março de 1900

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"DISCO PIGS" de ENDA WALSH, PELOS ARTISTAS UNIDOS NA SOCIEDADE GUILHERME COSSOUL, A PARTIR DE 26 de OUTUBRO

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Tradução Joana Frazão
Com Cecília Henriques e Pedro Carraca
Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves
Luz Pedro Domingos
Som André Pires e Dinis Neto
Direcção de Produção Andreia Bento e Pedro Carraca
Encenação Franzisca Aarflot assistida por Paulo Pinto

O texto está editado na Revista Artistas Unidos nº 13

Pig e Runt nascem no mesmo dia, no mesmo hospital, com uma diferença de segundos. Gémeos em tudo menos no sangue. Inseparáveis desde a nascença, são quase telepáticos. Unha e carne, não precisam de mais ninguém. Habitam um mundo delicado, insular e perigoso em que são eles quem estabelece as regras e onde falam uma língua própria. São também parceiros no crime, com uma sede de ousadia, exploração e destruição.

Mas a alguns dias de fazerem dezassete anos, o equilíbrio perfeito do seu mundo começa a desfazer-se. O despertar da sexualidade de Pig e os seus crescentes ciúmes começam a ameaçar o universo particular de ambos. Incapaz de enfrentar a perda de Runt, a natureza imprevisível de Pig condu-lo numa espiral descontrolada de violência e destruição. Os inseparáveis estão a ponto de se separarem. Só sobreviverá aquele que conseguir libertar-se.

É uma mistura de diferentes histórias, mas refere-se, fundamentalmente, à minha relação com a minha namorada na altura e à forma como esta acabou” diz Enda Walsh. “ Se calhar é um bocado piroso, mas será comovente para quem quer que já se tenha sentido tramado e abandonado”.



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outubro 27, 2007

"A BARCA DE VENEZA" NA comuna, DE 7 A 18 DE novembro

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outubro 26, 2007

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA FORUM

educ artistica forum
Está aberto um novo fórum na net, o Educação Artística FORUM , inserido no
projecto editorial "TubarãoEsquilo", que se propõe, numa atitude de
incentivar uma cidadania activa e participada, estimular um debate
público e aberto sobre os rumos da Educação Artística em Portugal.

Num momento em que foi publicado um "Roteiro para a Educação Artística",
um "Relatório de Avaliação do Ensino Artístico" e se leva a cabo uma
"Conferência Nacional de Educação Artística", é indispensável a
existência de um espaço de opinião livre e independente, onde os mais
directamente envolvidos - os pedagogos da área, os artistas, os pais, os
alunos, os directores pedagógicos de escolas de educação artística e
seus gestores - possam ter voz e ser ouvidos, coisa que até ao momento
parece ainda não ter sido possível.

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outubro 25, 2007

"O GRUPO DOS CINCO" CARICATURA DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO

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Ciríaco Cardoso, Marques Pinto, Moreira de Sá, Nicolau Ribas, Alfredo Napoleão e Michel'Angelo Lambertini.
"REVISTA ANTÓNIO MARIA", ano VI

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outubro 24, 2007

RECITAL DO ORPHEON PORTUENSE COM GUILHERMINA SUGGIA, em 29 de JANEIRO de 1900

No mesmo dia 29 dava-se no Orpheon Portuense, a primeira sessão de musica de camara, da serie destinada á execução por ordem chronologica de algumas das obras de Beethoven.
Coube a vez aos três Trios op.1 com piano, cuja execução foi confiada aos srs. Joaquim Gonçalves e Luiz Gosta (piano), Moreira de Sá (violino) e D. Guilhermina Suggia (violloncello).

Fomos dos primeiros a applaudir, com as duas mãos, um tão louvável emprehendimento e folgamos de ver que a imprensa diária do Porto, que temos compulsado, tece os mais calorosos elogios á brilhante iniciativa dos corajosos artistas e amadores portuenses.

O successo, ao que dizem os nossos collegas, foi completo tanto n'esse concerto, como no segundo, que se effectuou a 5 d'este mez. No programma d'este, figuravam o Trio op. 3 para arcos, o Quintetto op. 4 também para arcos e o Quartetto com piano op.16, seduzido pelo próprio Beethoven, do famoso Quintetto para instrumentos de sopro com piano.

Executantes, os seguintes senhores :
Piano : D. Leonilda Moreira de Sá.
Violino : B. Moreira de Sá, Carlos Dubini.
Violeta : D. Laura Barbosa, Alberto C. Leão.
Violoncello : D. Guilhermina Suggia.

“A ARTE MUSICAL” Ano II – Número 27 de 15 de Fevereiro de 1900

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outubro 23, 2007

"BOURNEMOUTH'S WINTER GARDENS"

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Aqui tocou Guilhermina Suggia em 18 de Fevereiro de 1928.
Tocou o concerto de Lalo e uma série de pequenas peças com acompanhamento da Orquestra Municipal dirigida por Sir Dan Godfrey

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"O CHALET MONTROSE" DEBATE 25 OUTUBRO

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Pertencendo à primeira época de edificação do Monte Estoril, quando se pensava torná-lo um centro turístico internacional, o Chalet Montrose detém, em elevada escala, os mais importantes valores patrimoniais dessa época fino-oitocentista.

Trata-se de um chalet de qualidade, composto dos dois corpos característicos (um, sugerindo «torreão», outro adossado, de figura rectangular), com uso abundante de madeiras, debruando os vãos e telhados, e sugestivo jogo cromático entre rosas e verdes secos. Até muito recentemente, esta casa parecia-me - sempre que lá passava, em romagem de saudade e alguma “fiscalização” - impecável. Nunca entrei, mas tenho a certeza que, apesar da sua aparência de casa de férias informal, seria certamente de elevada qualidade construtiva e decorativa. Convém recordar que, a Rainha Maria Pia, depois da morte de D. Luís, foi nesta casa que primeiro se instalou, por simpatia da família Reynolds, e antes de adquirir o seu chalet próprio sobre a Avenida Marginal.
Mas o mais importante desta casa, como de muitas outras, é o seu generoso e qualificadíssimo espaço de jardim. Não pela decoração - de estatuetas que me parecem modestas –mas pela riqueza e beleza das árvores, dos recantos e da atmosfera cálida assim gerada. Apesar das bárbaras construções envolventes, nomeadamente pelas cérceas vorazes, a extraordinária amplitude do jardim garantia que os valores dessa vivência antiga aqui permanecessem.
Ou seja, o Chalet Montrose sempre esteve, desde os anos 80, na lista das peças mais importantes do património de veraneio de Cascais: património arquitectónico e património paisagístico, num feliz e comovente entrosamento de valores. De tal forma assim é que, olhando a casa, podemos sentir que ela, como as árvores, tem raízes naquele terra que um urbanismo romântico tornou fértil.

3. A minha mensagem

Estamos, creio eu, naquelas infelizes situações em que, mais uma vez, nos vão dizer que nada há a fazer. Cumpriram-se regulamentos e índices, aprovaram-se expectativas legítimas. Estamos, claro, num Estado de Direito.
Mas o Presidente da Câmara tem de ser confrontado com esta perversidade: ao mesmo tempo que promove uma exposição no edifício anexo aos Paços do Concelho, anunciando o Plano de Pormenor do Monte Estoril para salvaguardar os seus valores característicos; ao mesmo tempo que os serviços de Património continuam a estudar e fundamentar situações de salvaguarda relevante; outros usam outras leis e outras normas que, digamo-lo claramente, têm contribuído para o enriquecimento indigno de quem entende o passado como um obstáculo ultrapassável aos mesquinhos interesses de lucro imediato. Destruindo todas as possibilidades de futuro. Indo contra a corrente que defende que o turismo, na nossa terra, só interessa para valorizar e estimular as heranças, como nesse tempo fundador aconteceu.
Infelizmente não posso estar presente nesta sessão. Mas saúdo os que se batem pelo direito à sobrevivência de casas e paisagens seculares que são documentos históricos fundamentais que nos interpelam: como garantir-lhes uso e função numa perspectiva de legado ao futuro?

Raquel Henriques da Silva
21 de Outubro de 2007

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outubro 22, 2007

"INDÚSTRIAS CULTURAIS- IMAGENS, VALORES E CONSUMOS", de ROGÉRIO SANTOS

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INDÚSTRIAS CULTURAIS – Imagens, valores e Consumos
Rogério Santos
A apresentação da obra estará a cargo de

António Pinto Ribeiro

O livro é prefaciado por Isabel Gil, directora da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Convidados-surpresa darão curtos depoimentos.

A Apresentação da obra terá lugar no dia 25 de Outubro de 2007, quinta-feira, pelas 19h, na Livraria Almedina Atrium Saldanha, loja 71, 2.º piso, Lisboa

A Obra:
As indústrias culturais remetem para o universo de reprodução técnica (registo e difusão) da cultura, casos da televisão, cinema, música e fotografia. Um bem cultural torna-se acessível a qualquer pessoa graças à cópia ou ao envio de ficheiro pela internet. Mais recentemente, ganharam força as indústrias criativas, presentes nas artes do espectáculo e cuja articulação com a publicidade, vídeo, actividades de lazer e indústrias culturais contribui para a formação do PIB de um país ou região.

O livro resulta do cruzamento de vários caminhos teóricos e práticos, como a reflexão a partir do texto fundador de Adorno e Horkheimer sobre indústrias culturais e a análise destas actividades com especialistas e estudantes universitários. Inclui-se também a compreensão dos grupos receptores: audiências de televisão, consumidores de centros comerciais, fãs de bandas musicais ou jogos como o Sudoku.

O ponto de partida do livro é o blogue Indústrias Culturais , espaço que o autor alimenta diariamente e onde observa e comenta a realidade dos acontecimentos, faz a leitura de livros e artigos de jornais sobre a área e partilha os mesmos assuntos com outros investigadores ou simples leitores.

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outubro 21, 2007

ENSEMBLE MEDITERRAIN EM PORTUGAL

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24 de Outubro - "Festivais de Outono"
Museu de Aveiro, Aveiro, 21:30h.
Obras de Beethoven, Glinka e Brahms.

26 de Outubro - Auditório de Espinho
Espinho, 21:30h.
Obras de Beethoven, Glinka e Brahms.

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outubro 20, 2007

"SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL" - RECOMENDAMOS O ASSUMPTO AO MERETISSIMO DIRECTOR DE INSTRUCÇÃO PUBLICA...

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Em todos os estabelecimentos artístico - musicaes de uma certa importância e muito especialmente nos Conservatórios officiaes, nunca deixa de existir um grande Órgão de tubos, destinado á leccionação e á audição das obras dos grandes mestres.
No nosso Conservatório, que tem uma tão bella sala de concertos, não se tornará indispensável a adaptação de um órgão ao fundo do estrado ?
E não será também inadiável a creação de uma aula de Órgão, agora que parece querer tomar um bom caminho o desenvolvimento da arte musical no nosso paiz?

Recommendamos o assumpto ao meretissimo Director de Instruccão publica e temos esperança que, no seu elevado critério e fino gosto artístico, diligenciará prover á falta apontada.

"A ARTE MUSICAL", ANO II, Nº 34 de 31 de Maio de 1900

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outubro 19, 2007

ATELIER MUSICAL - DIRIGIDO POR JORGE CHAMINÉ e MARIE-FRANÇOISE BUCQUET

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ATELIER MUSICAL
22, 23 et 24 Octobre

COLEGIO DE ESPAÑA
Salle de Concerts

dirigé par Jorge Chaminé et Marie-Françoise Bucquet

cours publics les trois jours de 11h à 13h et de 15h à 19h

mercredi 24 octobre à 20h CONCERT PUBLIC
(entrée libre dans la limite des places disponibles)

http://sonscroisesasso.blogspot.com/

COLEGIO DE ESPAÑA - CITÉ UNIVERSITAIRE
7 E BLD JOURDAN - 75014 PARIS

METRO ET TRAMWAY : CITÉ UNIVERSITAIRE
informations :
Sons Croisés
16, rue Larrey - 75005 Paris - tel. 01 43 36 55 06 ou fax 01 43 31 31 06
e-mail : sonscroises@hotmail.com ou sonscroises@noos.fr

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outubro 18, 2007

TEATRO PRINCIPAL - VALÊNCIA

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Aqui tocou GUILHERMINA SUGGIA na Sociedade Filarmónica de Valência, em 30 de Abril de 1923

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outubro 17, 2007

AINDA GUILHERMINA SUGGIA NO TEATRO DE SÃO CARLOS COM A FILARMONIA DE LISBOA, dirigida por FRANCISCO DE LACERDA

Paremos um instante para acentuar o reconhecimento dum salto qualitativo na senda da nossa já abundante, mas raras vezes fulgurante, actividade concertística. O panegírico que segue, de Suggia, tal como os acima citados, entoa toda a escala dos superlativos, só que os faz soar, em geral, mais afinados, com os adjectivos ornamentais melhor colocados:
«Não é possível encontrar palavras, não há frases que possam traduzir cabal e capazmente as impressões que Suggia produziu no espírito de todos. Mixto de admiração e de pasmo, fascinação, encantamento, e arroubo por tudo. Sucessivamente, a grandíssima artista nos fez passar, numa gama ascendente, cada vez mais poderosa de domínio.

A sua arcada, a sua técnica, a sua grande alma, a sua mascara traduzindo passo a passo todas as "nuances" dos trechos executados, por forma a convencer-nos que artista e instrumento formam um todo, um bloco, como que completando-se mutuamente.
Independentemente destas qualidades assombrosas, Suggia ainda nos oferece outro prisma por que passamos a admirá-la: a modalidade da sua alma de artista, a sua compreensão nítida das obras executadas, a sua integração nelas. Talvez seja dentre as suas pasmosas qualidades a mais surpreendente! Suggia tocou a solo a celebre "suite" em dó de Bach [agora ficamos a saber qual das suites foi!], e com acompanhamento de orquestra dois concertos em ré, de Haydn e de Lalo.
Pois na execução das 3 obras não houve um só ponto de contacto, não houve um só compasso, uma só nota duma delas que nos podesse fazer lembrar uma nota ou um compasso de outra! Fantástico!»

Depois destas desmedidas hipérboles, Sampaio Ribeiro, reporta os aplausos apoteóticos que já conhecemos, mas acrescenta um pormenor revelador, quanto à qualidade do público, antes de apreciar Lacerda (a quem deixa de chamar sr., mas Maestro - com maiúscula!) e à Filarmonia:
«[...] Há a notar que na assistência havia muito do bom, musicalmente falando, por exemplo Viana da Mota, maestro Fão, Rey Colaço, Freitas Branco [Luís, decerto], José Henrique dos Santos, Rui Coelho, Artur Fão, Costa Reis, Adria¬no Pereia [Mereia, talvez], etc.
A orquestra preencheu o resto do programa, tocando optimamente a Abertura do "D. João", "Fragmentos do 3° acto dos Mestres Cantores" e o nocturno de Duparc "Aux Etoiles".
O Maestro Lacerda felicíssimo e competentissimo quer como regente quer como acompanhador.
E... creio bem que para o outono teremos novamente ensejo de aplaudir este esplendido núcleo sinfónico. Ego»(1923/06/16)

“ARTE MUSICAL” Volume I- IV SÉRIE, nº 5 - Outubro de 1996

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outubro 16, 2007

DEREK SIMPSON - 1º PRÉMIO SUGGIA- LONDRES (1952) MORREU AOS 79 ANOS

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Cellist and pedagogue Derek Simpson has died at the age of 79. He was a member of the Aeolian Quartet for 25 years, and his playing can be heard on The Beatles'song 'Eleanor Rigby'.
Born in Nottinghamshire in 1928, Simpson won a music scholarship to Worksop College and from 1948. He studied at London's Royal Academy of Music.

In 1952 he was the first to win the Suggia Prize, which took him to Paris to study for a year with Pierre Fournier.

In June 1956 he joined the Aeolian Quartet, recording Mozart’s “Dissonance” Quartet among other works. In the 1970s in its final formation - with Emanuel Hurwitz, Raymond Keenlyside and Margaret Major - the Aeolian was the first group to record all the Haydn quartets. Simpson was a professor at the Royal Academy of Music for 40 years.
THE STRAD (OCTOBER 2007)

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outubro 15, 2007

AINDA GUILHERMINA SUGGIA NO TEATRO DE SÃO CARLOS COM A FILARMONIA DE LISBOA, DIRIGIDA POR FRANCISCO DE LACERDA

Para quem viu tocar Suggia e, necessariamente, experimentou o seu sortilégio, não parecerá exagerado este efeito catártico, causado mais pela concertista que pelo maestro, diga-se de passagem. Mas para Lacerda, ao sucesso juntou-se a caução assim dada por aquela que, com Viana da Mota, era uma das duas estrelas portuguesas no universo dos virtuoses instrumentais, e que lhe confirmava, junto da opinião pública, a aura que as simples notícias dos seus méritos não seriam bastantes para atear. Sampaio Ribeiro - o Ego do República - já despido de prejuízos, não se conteve em louvores:

«Se o primeiro concerto deste núcleo sinfónico, foi, por si, um acontecimento artístico de primeiro plano, o segundo, em que Guilhermina Suggia se apresentava de novo - e para a maior parte das pessoas pela primeira vez - ao publico de Lisboa, marca um triunfo não só para a nossa celebrada compatriota, como para a Filarmonia e é mais um marco miliário na grande estrada do cultivo da musica entre nós.»

“ARTE MUSICAL” Volume I – IV Série – Nº 5 – Outubro de 1996

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outubro 14, 2007

GUILHERMINA SUGGIA TOCA NO TEATRO DE SÃO CARLOS COM A FILARMONIA DE LISBOA, DIRIGIDA POR FRANCISCO LACERDA

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O segundo concerto triunfal
Se o concerto inaugural foi um sucesso, maior ainda seria o segundo em que participou a violoncelista portuguesa de renome internacional, Guilhermina Suggia. Mantendo o género feminino, vejamos o que disse Oliva Guerra, a poetisa responsável desde a sua fundação em 1921 pela coluna musical do Diário de Lisboa, onde levou a extremos de deliquescência um estilo de recorte literário e sentimental, e de enfoque social na elegante assistência dos concertos:

«Falar da Arte de Guilhermina Suggia fora o mesmo que tentar modelar no barro tosco da palavra frágil todo o frémito divino que se desprende, como uma chama, das mais altas manifestações do sentimento humano; fora o mesmo que tentar traduzir toda a essência mais vibrante do lirismo da alma, duma alma excepcional que sofre e chora e canta, fazendo do seu sofrimento, da sua voz e do seu canto toda a força esmagadora com que sacode, arrasta e despedaça toda uma multidão de almas, que a escuta de joelhos. Essas milhares de almas viu-as ontem Guilhermina Suggia ali rendidas, amarfanhadas por aquela angústia sufocante que se experimenta em face do que é grande de mais para este mundo, esses milhares de almas sentiram ontem ali aos pés da grande artista esses êxtases supremos e inesquecíveis que ficam a viver eternamente a dentro de quem os sente com todo o domínio absorvente duma visão larga de prodígio.

A Arte de Guilhermina Suggia não se define, é indescritível. Reúne em si tudo o que há de mais intimo, de mais profundo e mysterioso a dentro da alma humana. Domina e arrebata. Como sacerdotisa no seu trono, embriagada de sonho, em atitudes estilisadas de inspirada, Guilhermina Suggia teve momentos de emoção que a levaram para além da vida no voo transfigurador da arcada arrastadora. No seio do seu violoncelo privilegiado vibrou uma alma sublime que gemeu, gritou e se estorceu nos paroxismos da paixão, uma alma imensa, sedenta e desvairada, feita de retalhos de almas, de todas as almas sofredoras que vivem a vida eterna das emoções raras.»

Depois destes excessos verbais, vem a brevíssima referência às obras tocadas que, por sinal, marcam a versatilidade estilística da violoncelista e do maestro, mas não suscitam comentários à cronista (mais literária que musical, está bem de ver):
«Não é possível destacar qualquer trecho ou passagem dos concertos de Haydn [qual?] e de Lalo, que tocou com a orquestra, ou da suite [qual?] de Bach, que tocou a solo, porque em tudo foi igualmente grande inexcedivelmente genial.

Francisco de Lacerda, o grande regente que nos maravilhara há dias com o seu savoir faire inegualável, foi ontem ao lado da divina artista o colaborador insuplantável em todos os números de orquestra, só ou no acompanhamento á ilustre solista, e onde a sua regência cuidada, precisa e elegante, sem gestos inúteis nem teatralidades rebuscadas, soube comunicar como uma chama oculta todo aquele frémito de emoção indefinível, que é a grande vitoria da verdadeira Arte.
As ovações foram também indescritíveis. Nunca assisti a uma apoteose igual.» [1923/06/08].
"ARTE MUSICAL" IV Série, Volume 1, nº5, OUTUBRO DE 1996
Desenho de Francisco de Lacerda de Lydia Balomey, sem data

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outubro 13, 2007

"À MESA COM... TEOLINDA GERSÃO" 26 de Outubro - 20 horas

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Na sequência dos jantares literários que a Sociedade da Língua Portuguesa vem realizando, queremos informá-lo de que o próximo jantar será no dia 26 de Outubro, pelas 20 horas, com a escritora Teolinda Gersão, no Hotel Travel Park (Av. Almirante Reis, nº. 64 – Anjos) em frente ao Banco de Portugal.

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outubro 12, 2007

"PERFEITOS MILAGRES" - de JACINTO LUCAS PIRES

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Uma mulher suicida-se na casa-de-banho de sua casa. O marido, uma estrela internacional de música pop, costumava descrevê-la como “uma bailarina sem escola, sem auto-consciência”. Impossibilitado de a voltar a ver, o marido isola-se num exercício de autocomplacência inevitável a qualquer indivíduo que experimente a morte. Disfarça-se para que ninguém o reconheça e parte à procura de memórias infantis. Carlos, jornalista português que vive no estado de Nova Jérsia, ambiciona escrever um livro sobre histórias verídicas que não podem ficar esquecidas. Um dia, seguindo uma pista de um grupo de actores que usa métodos secretistas para recrutar pessoas, deixa-se fascinar por Violet.

Um músico e um jornalista. Duas pessoas que acabam por se cruzar graças a uma terceira personagem: um homem que passa os dias a representar como forma de defesa. E é neste universo masculino, perversamente masculino se pensarmos que aqui as mulheres são seres extintos ou inacessíveis, que Jacinto Lucas Pires volta a surpreender com a sua escrita, semelhante a um argumento cinematográfico ou a um texto dramático, onde delineia inúmeros movimentos de câmara e didascálias, demonstrando sensibilidade e habilidade descritiva para narrar momentos de desespero.
(LIVROS COTOVIA)

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outubro 11, 2007

"EN EL CIELO TODOS SEREMOS ORFEONISTAS" - AUTÓGRAFO DE A. GAUDÍ DEL ALBUM DE FIRMAS DE HONOR DE L'ORFÉO CATALÀ DE BARCELONA

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Dedicatória del arquitecto António Gaudí fechada el 29 de Junio de 1922. Ocupa la totalidad de una página del Álbum de Firmas de Honor de l'Orfeó Català de Barcelona.
Bajo indicaciones de Gaudí, la composición fue obra de su ayudante el arquitecto Francisco de Paula Quintana Vidal. Representa a Orfeo tañendo su lira para apaciguar a vários animales que aparecen en el dibujo. Rubricándolo escribió Gaudí "D. de S. Pere, 1922" firmándolo a continuación. El dibujo está rodeado por unas cintas que cuelgan de una cruz griega que preside el conjunto.
De la policromia se encargó el arquitecto de Tarragona, Josep Mª Jujol Gibert, el más creativo de los colaboradores que tuvo António Gaudí, en varias de cuyas obras dejó detalles de una gran originalidad, como el banco ondulado del Park Güell. A ambos arquitectos les unió una profunda amistad a pesar de llevarle Gaudí veintisiete anos. Las iniciales de Jujol, J.M.J., pueden verse débilmente impresas, quizás a lápiz, en el costado inferior derecho del dibujo.
Este es uno de los escasos autógrafos que se conservan de António Gaudí, un hombre que huía de estos gestos que él consideraba vanidosos. En esa ocasión accedió por tratarse de l'Orfeó Català, un lugar dedicado a la música, su pasión, y por ser el Director Fundador su gran amigo Lluis Millet. En el mismo álbum aparecen las firmas dei violonchelista Pablo Casals y del médico y organista Albert Schweitzer.
El libro de autógrafos se conserva en los archivos de l'Orfeó Català, en el Palau de la Música de Barcelona. Se reprodujo en la biografia Gaudí. De Piedra y Fuego, obra de Ana Mª Férrin editada en 2001 por Jaraquemada Editores de Barcelona.

Ana Maria Férrin, 11/10/2007

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outubro 10, 2007

SONS DA MÚSICA - AOS SÁBADOS NA RTP 2

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outubro 09, 2007

CONFERÊNCIA no DIA 11 de OUTUBRO Às 19 H " GAUDÍ, GUILHERMINA E A MÚSICA"

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No SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL - Rua dos Caetanos (ao Bairro Alto) com:

TERESA CASCUDO - Musicóloga
ANA MARIA FÉRRIN - Jornalista e Escritora (biógrafa de Gaudí)


Música ao vivo com:

JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Organista
PAULO GAIO LIMA - Violoncelista
PAULO PACHECO- Pianista

Apoio da ANTENA 2 e do INSTITUTO CERVANTES

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outubro 08, 2007

U R G E N T E !!!! - PEDIDO DE SANGUE

RECEBIDO por email:

Por motivo de doença grave, um amigo está hospitalizado à espera de ser
operado. Ainda não o foi porque tem um sangue raro (B-). Pede-se a quem
tenha este tipo de sangue que contacte com urgência:


Luis de Carvalho - 931085403

Pedro Leal Ribeiro - 222041893 Fax: 222059125


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outubro 07, 2007

JORGE PEIXINHO: "PERSPECTIVAS? TODAS AS PERSPECTIVAS"

JORGE PEIXINHO.jpg
I -É uma pergunta bastante complexa.
Em primeiro lugar, há a distinguir o conceito de crise «positiva», digamos assim, em sentido evolutivo (acção interna e externa de renovação), ao de crise «negativa», que vulgarmente se traduz na acepção oposta (marasmo, conformismo, estagnação) .
Entrando directamente no problema, passarei a ocupar-me exclusivamente da crise na primeira acepção, ou seja, a crise activa, positiva, vital. E devo desde já explicar, na medida do possível, os conceitos de «acção interna e externa de renovação», a que aludi.
Com a «acção interna» pretendo definir as forças contrárias, paralelas ou convergentes, que se manifestam e se entrechocam em momentos de crise; a «acção externa» será já o aspecto exterior dessa crise, o seu desenvolvimento, as suas directrizes e a sua própria resolução em sentido histórico.

Para além de um lugar comum: o constatar que qualquer momento constitui um elo na evolução histórica e consequentemente terá o seu quê de problemático, de crítico, não me parece verdadeiramente que a música atravesse, no momento presente, uma particular crise. O último após-guerra, com a redescoberta de valores humanos inestimáveis, pôs em cheque toda uma mentalidade neo-clássica, desmantelando-a, corroendo-a até nos seus mais válidos alicerces: e assim se assistiu ao quase trágico retrocesso de um Hindemith, o grande renovador dos anos 20, à cristalização de Milhaud e dos sobreviventes dos «6», ao isolamento de Britten e de Krenek, enquanto, num país socialmente progressista como a Rússia, continuavam a pontificar paradoxalmente os epígonos do sinfonismo tardo-romântico.
Na Itália, em virtude de um formidável esforça de renovação (um novo renascimento post-bélico), assistiu-se à curiosa evolução de Petrassi e Dallapiccola.
Seria interessantíssimo ainda aludir a Stravinsky e a Messiaën, se o espaço mo permitisse.

O grande momento de crise musical do após-guerra deu-se entre os anos 49 e 53, com a descoberta de Webern e a revelação de Nono, Boulez e Stochausen. É claro que esta crise se acentuou nos anos sucessivos, e em sentido de uma progressiva racionalização. Chegou-se assim à serialização integral, a desvinculação do fenómeno sonoro (puntilismo), a um tipo de figuração não pré-ordenado (abstracto).

O segundo grande momento de crise deu-se com a chamada “obra-aberta” (concepção de influência extra-europeia que revolucionou o conceito de forma), a obra aleatória e a recentíssima música informal. O aparecimento de uma nova e singular figura (John Cage) está ligado ao ponto de capital importância que originou esta segunda crise: a necessidade de uma reacção à ultra-racionalização ao fenómeno musical.
Hoje assiste-se a um momento mais «pacífico»: a plena maturidade estilística e ideológica dos jovens compositores de 50 («Intolleranza-1960» de Nono; «Pli selon pli» de Boulez;”Kontakte» de Stocchausen).
Pelo que diz respeito à música portuguesa, a tão desejável crise ainda não se deu, e isso não é um sintoma positivo.

II - Tradição, no sentido de um elo cultural contínuo e orgânico que mantém características constantes ao longo de uma evolução histórica, não existe na música portuguesa. Haverá talvez a possibilidade de se reconstituir artificialmente, direi quase com um critério «arqueológico», uma linha de hipotética tradição entre os pontos mais salientes e mais originais da música nacional, mas tal processo é por demais vago e ingrato. Claro que, por outro lado, se uma tradição existisse, os compositores actuais situar-se-iam automaticamente nela, mesmo sentindo a necessidade de lhe imprimir, conscientemente, um novo rumo.
Creio, aliás, que o tão falado «problema da música, portuguesa» não é hoje senão um pseudo-problema. O período dos nacionalismos musicais, tão caro (por razões diversas) a ideologias políticas diametralmente opostas, está hoje ultrapassado historicamente. Tornemos às origens, abandonemos falsos racionalismos e nacionalismos retóricos, e consideremos que a música que escrevemos será fatalmente portuguesa, como a língua que falamos, como as características étnicas que possuímos, de portugueses que somos.


III - Todas as perspectivas. No plano da música vocal-instrumental, o caminho da música portuguesa, como o caminho da música em geral, deverá inevitavelmente ser condicionado pela «abertura» do espaço dodecafónico; e não tanto pela técnica em si, como pela nova organização linguística — livre de esquemas apriorísticos ou esteriotipados —, pela nova sensibilidade musical, pelo «universo» novo e fecundo que ela nos abre.
Devo ainda acrescentar que me referi de preferência a um problema linguístico e não a um problema técnico, já que, reduzir o primeiro a termos de puro tecnicismo, significa alterar-lhe o seu mais profundo significado.
Quanto à música experimental (concreta e electrónica), essa poderia também abrir novas e brilhantes perspectivas no panorama geral da música portuguesa. Mas como poderá isso acontecer num país como o nosso, onde não existe qualquer estúdio de fonologia, onde não existem técnicos especializados e onde aos compositores, portanto, se nega a possibilidade de experimentarem os novos meios de produção sonora?

Nota da Redacção — Foram ainda convidados a responder ao Inquérito, mas não o fizeram até à data de fechar este número, os seguintes compositores: Armando José Fernandes, Cláudio Carneyro, Elvira de Freitas, Filipe de Sousa, Joly Braga Santos, Jorge Croner de Vasconcelos, Rui Coelho e Vítor de Macedo Pinto.

De “GAZETA MUSICAL e de Todas as Artes” ANO X, 2ª Série nº 126/127 de Setembro/Outubro de 1961


Publicado por vm em 10:21 AM | Comentários (0)

outubro 05, 2007

CONCERTO DE ALEXANDRE REY-COLAÇO no SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL em 01/04/1900

salao nobre do conservatorio a.jpg
ESTE ERA O SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRO NACIONAL, AGORA EM RISCO DE PERDA TOTAL. ASSINE AQUI PELA SUA RÁPIDA RECUPERAÇÃO. DEFENDAMOS O QUE É NOSSO E TEM QUE SER SALVO!
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Como tínhamos previsto, encheu-se litteralmente o Salão do nosso Conservatório para festejar no dia 1 d'este mez, o primoroso pianista Rey Colaço e caso raro, ou talvez sem precedente nos nossos fastos musicaes, os pedidos de bilhetes foram em numero muito superior á lotação da sala e muitos dos admiradores do notável artista ficaram inhibidos do prazer de o ouvir d'esta vez.
Por aqui se póde aquilatar o grau de simpathia que a todos merece Rey Colaço e a alta consideração que todos teem pelo seu formoso talento.


O programma era realmente tentador. Abria com o famoso Concerto de Bach para 3 pianos, executado brilhantemente pelos professores Colaço, Bahia e Garin. Como conselho que poderá aproveitar para uma outra audição d’este trecho magistral, diremos que a collocacáo do quartetto acompanhador não foi feliz, não se ouvindo senão os dois primeiros violinos, por ficarem todos os outros instrumentistas modestamente encobertos por detraz dos 3 pianos de concerto. Ainda que o quartetto viesse para o primeiro plano, nunca a sua sonoridade poderia supplantar a de três pianos de cauda.

A Sonata a Kreutzer era também do programma e se é para nós um prazer registrar mais uma vez a maneira admirável como Colaço toca esta sonata, em todos os seus detalhes, não é menos agradável affirmar que o maestro Andrés Goñi, apezar de visivelmente commovido, teve n'esse difficil trecho a plena consagração do seu bello talento de virtuose distinctissimo. Afinação impeccavel, excepcional pureza de som e uma grande correcção no mecanismo, são qualidades que já ninguém lhe póde contestar e a querer fazer algum reparo, n'um exagero de sinceridade, diremos que julgamos demasiado vivo o movimento em que foi tomada a segunda variação em que o notável violinista se deixou talvez "emballer" demasiadamente, prejudicando-lhe o effeito e mesmo a precisão.

No tocante á sonoridade relativa dos dois instrumentos concertantes, seja-nos também licito dizer que a não julgamos perfeitamente equilibrada — o que será muito fácil remediar em futuras audições.

Nos Solos de piano com que Rey Colaço brindou os seus convidados, fez o illustre artista o encanto de toda a gente. Desde os trechos de mais transcendente virtuosidade como a Toccata de Sgambati até aos de maior mimo como a formosa Malaguena de sua própria composição, foi sempre o genial artista que nós todos conhecemos e manteve constantemente o seu auditório sous le charme. Teve uma bem merecida ovação.

Deu uma nota interessante de variedade ao programma a sr • D. Laura Wake Marques, cantando alguns trechos muito applaudidos.
Foi em summa uma das solemnidades musicaes mais importantes a que temos assistido este anno.

"A ARTE MUSICAL", Ano II- Nº 31 de 15 de Abril de 1900

Publicado por vm em 11:32 AM | Comentários (0)

outubro 04, 2007

"REGRESO A GAUDÍ'S PLACE" de ANA MARIA FÉRRIN

regresso.jpg
Vive la Sagrada Familia ceñida por un cordón existencial que gira a su alredor las veintecuatro horas del dia.

Maga, influye sobre la vida de sus vecinos y admiradores sean o no creyentes, instalándose en la savia íntima de cada uno.
Su mística transciende de una religión concreta y solo importa el espíritu del lugar y la admiración por el arquitecto António Gaudí que logro realizar su sueño, este templo, embarcando hasta hoy a seis generaciones y logrando ponerlo en pie gracias a la cultura del esfuerzo.

Al paso, desde cualquier punto de la ciudad su línea del horizonte es bien visible. Piero quienes ceden a su influjo prefieren acercarse hasta la plaza, sientiéndose hermanados en una danza de vida mestiza.

Hecha de regresos, partidas y decisiones…

(ANA MARIA FÉRRIN estará no dia 11 de Outubro pelas 19,00 h no SALÃO NOBRE do CONSERVATÓRIO NACIONAL tomando parte na conferência “GAUDÍ, GUILHERMINA E A MÚSICA”

Publicado por vm em 10:20 AM | Comentários (0)

outubro 03, 2007

"GAUDÍ, GUILHERMINA E A MÚSICA" - Conferência no dia 11 de OUTUBRO de 2007, às 19 horas

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NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL - Rua dos Caetanos, 29 (Ao Bairro Alto)
Com:

TERESA CASCUDO - Musicóloga e crítica musical
ANA MARIA FÉRRIN - Jornalista e escritora (biógrafa de GAUDÍ)

Música ao vivo com:
JOSÉ CARLOS ARAÚJO - Órgão
PAULO GAIO LIMA - Violoncelo
PAULO PACHECO - Piano

Apoio da ANTENA 2 e do INSTITUTO CERVANTES

A ENTRADA É LIVRE.
Lembramos que o Salão Nobre tem um valor incalculável e está num estado de degradação muito grande. Tem uma das melhores acústicas que existem, tem os tectos com pinturas de José Malhoa e corre o risco de se perder para sempre se não forem efectuadas obras de recuperação, urgentemente.
Defenda o nosso património. Esteja onde estiver junte-se aqueles que pedem obras urgentes. É uma obrigação que todos temos. Assine AQUI

Publicado por vm em 12:04 AM | Comentários (0)

outubro 02, 2007

HÁ MÚSICA NA VILA - CONSERVATÓRIO REGIONAL DE PALMELA

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outubro 01, 2007

FERNANDO LOPES GRAÇA: "A NOSSA MÚSICA TEM SIDO UM QUASE PERMANENTE COMEÇAR"

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I - - É sempre difícil e perigoso falar em crise, na música como em qualquer outra arte. Lá porque as coisas não vão a nosso contento, não se enquadram nas nossas concepções ou nos nossos esquemas, não satisfazem os nossos gostos, as nossas tendências, desatarmos nós a gritar que tudo está perdido, que o belo está em falência, que a verdadeira arte acabou? Decerto que há crises: mas podem muito bem ser crises de crescimento, mudanças de sentido e de perspectiva estética, cujo carácter de necessidade nós não apreendemos imediatamente, não raro tendo sucedido que o que não nos agrada hoje (e que nós logo fulminamos com a palavra crise, sem atentarmos muito bem na polivalência do conceito) acabe por nos agradar (por se impor) amanhã, — a crise sendo assim uma condição da própria evolução, da própria transformação da sensibilidade e das formas que esta reveste e por que se manifesta. Na música actual há sem dúvida aspectos que, pessoalmente, me não agradam; no entanto, antes de os condenar, antes de diagnosticar a crise, toca-me a consciência a rebate, e eu pergunto-me se não serei eu que estou em crise (a crise da idade, a crise do temperamento, a crise do meio, que tudo isto nos pode diminuir nas nossas faculdades de apreciação), sem que por tal entenda abdicar da minha liberdade crítica, isto é, da necessidade que ao meu espírito (a qualquer espírito não acorrentado) se impõe de analisar, de discutir, de formular juízos de valor, com a sua contrapartida, que é a possibilidade de errar.

II - Tradição musical portuguesa, se existe, é tão vaga, tão descontinua (e tradição descontinua já não é tradição), tão hesitante e historicamente tão tropeçante, que, na realidade, se torna altamente embaraçoso para um compositor nacional (quero dizer: aqui nascido e aqui actuante) tanto o decidir se a sua arte deve ou pode nela integrar-se, como o afirmar que nela está de facto integrada...
Se exceptuarmos o polifonismo vocal de Quinhentos-Seiscentos, em que uma certa comunhão de escopo, uma certa identidade de linguagem e uma certa transmissão de técnicas permitem seguir, através das suas diversas manifestações, uma tal ou qual linha de continuidade (afirmar, portanto, uma tradição), se exceptuarmos esse período, a nossa música tem sido um quase permanente começar, com poucas vantagens para ela e com todos os inconvenientes que para o artista, para o compositor, resultam do facto de se sentir sempre (quando sente...) desligado de um processo evolutivo normal, dessolidarizado nas suas tentativas de criação, que, por bem intencionadas que sejam e por mais logradas que se apresentem, se arriscam a ficar apenas como «casos» e raramente como “exemplos». E o cerne de uma tradição (entenda-se: de uma tradição viva e fecundante) não é jeito de «casos» (a contingência), mas sim de «exemplos» (a necessidade).

III — Se considerarmos essas técnicas como um meio e não como um fim, e se não postularmos (como já tem sido postulado) que elas estão destinadas a abolir as diferenciações nacionais («música francesa», «música alemã», «música italiana», «música russa», e música brasileira», etc.) para rematar numa arte uniformizada, numa arte universalista ou, melhor, anacional, — não se me afigura impossível ou indesejável que elas abram perspectivas à música portuguesa. Pelo menos no que se refere ao dodecafonismo (serial ou não serial), já com os seus pergaminhos; porquanto no que respeita à música concreta e à música electrónica, antolha-se-me ser aquela apenas uma arte auxiliar (a que não sei se caberá com propriedade o nome de música), e esta por enquanto tão-só uma experiência, legítima, sem dúvida, mas ainda não suficientemente desembaraçada do seu imediato condicionalismo «científico». - O que será para recear não é que essas novas técnicas façam a sua entrada em Portugal (o dodecafonismo já cá entrou, e não seremos nós que o iremos expulsar...): é sim que, ao serem adoptadas, venham a constituir mais um dos tais «recomeços» a que acima aludíamos, isto é, que venham a resultar numa «fórmula» que se substitui pura e simplesmente à «fórmula» anterior, comprometendo-se assim mais uma vez a já de há muito comprometida unidade orgânica da música portuguesa, — quer entendamos a expressão «música portuguesa» no sentido de «nacionalismo “folclorizante” (de facto historicamente ultrapassado), quer no sentido de «nacionalismo essencial» (porventura ainda fecundo), quer ainda no sentido de uma música movendo-se no seu âmbito próprio, de uma música nacional por força e virtude do seu mesmo «estilo» (com todas as implicações que o conceito de «estilo» comporta). Se é que os dodecafonistas ortodoxos dão licença que uma tal música exista ou tenha direito a existir...

De “GAZETA MUSICAL e de Todas as Artes” ANO X, 2ª Série nº 126/127 de Setembro/Outubro de 1961

Publicado por vm em 10:56 PM | Comentários (0)