agosto 31, 2007

"O CATARRO NACIONAL", por MARIA DA GRAÇA AMADO DA CUNHA

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Uma mulher na Tertúlia? Estará em crise o sexo masculino, que tanto gosta de afirmar que «onde há galo não canta galinha»? Ora então, com licença, meus senhores, visto que a vosso convite aqui venho, embora assaz preocupada com a recepção que me espera. Não porque jamais se tenha desmentido a vossa proverbial fama de perfeitos cavalheiros, mas talvez justamente por isso: da vénia impecável à camaradagem autêntica vai um abismo...

Duplamente preocupada, mesmo, por me caber a vez de palrar sobre música logo a seguir a um parceiro temível como é o Lopes Graça. Confesso que me sinto João Feijão e me falece o ânimo! Tanto mais porque gostaria de pegar nas justíssimas considerações que ele aqui fez sobre o “analfabetismo musical” dos nossos intelectuais para as alargar a um sector mais vasto do público, variando o tema, de resto, pois que do analfabetismo passaremos à doença.

Já repararam nos efeitos tremendos que a música tem nos brônquios e nas laringes do nosso respeitável público? Vai-se ao teatro, ou ao cinema, e a saúde da população parece ser absolutamente normal, fora um ou outro catarro próprio da estação. Mas vai-se ao concerto, seja qual for a altura do ano, com chuva ou com sol, com frio ou com calor, e é uma desgraça: espirros, roncos, tosses de arrasar, narizes que se desentopem a tiro de canhão, é um tal cortejo de faringites, laringites, bronquites, sinusites, tuberculoses pulmonares, tosses convulsas, alergias ruidosas, que corta o coração! Sem falar nos casos de flatulência e de dispneia, que também abundam. Ora o que eu ainda não consegui determinar é se só vão ouvir música os doentes crónicos das vias respiratórias, ou se é a própria música que dá cabo da saúde aos frequentadores dos concertos. Aqui peço a ajuda de algum médico melómano para me tirar desta perplexidade. É que o problema é grave, não só porque diz respeito à saúde pública, como até porque tem sido motivo de espanto e de dó por parte dos artistas estrangeiros que nos visitam.

Será o português alérgico à música? Produzirá ela, nos nossos ouvintes, os mesmos efeitos das correntes de ar geladas, ou de uma valente molhadela de pés? O que mais me intriga, devo dizer, é o aspecto contagioso do fenómeno.

Todos nós conhecemos casos individuais de alergia musical, como, por exemplo, o do nosso amigo Manuel Mendes, para quem até os teclados dos pianos têm mau hálito. Mas esses casos, perfeitamente admissíveis e absolutamente legítimos, não explicam o comportamento colectivo a que me quero referir.

Mas, espera! Agora me lembro de que os latidos, os roncos, os uivos, os estertores com que entre nós se acompanha, ou se intercala, a música, cessam como por encanto desde que a orquestra desça ao fosso e ceda o palco aos bailarinos (estrangeiros, está bem de ver!). É isso! Desde que se trate de ballet, e apesar do «barulho» da música, melhoram imediatamente as gargantas, os pulmões, os narizes do respeitável público! Estranho mistério... Senhores doutores, querem fazer o favor de mo explicar?
MARIA DA GRAÇA AMADO DA CUNHA
Desenho de JOÃO ABEL MANTA
da "GAZETA MUSICAL e de Todas as Artes" nº 112/113 de Julho/Agosto de 1960

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agosto 30, 2007

PORMENOR DO TECTO DA SALA DE MÚSICA DA CASA LAMBERTINI

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Pintado por José Malhoa, o mesmo pintor que pintou os tectos do SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO DE LISBOA e que estão em derrocada iminente perante a total indiferença de quem se devia preocupar com o nosso património

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agosto 29, 2007

A CASA DE MICHEL'ANGELO LAMBERTINI - MENÇÃO HONROSA 1904 NA FALTA DE ATRIBUIÇÃO DE PRÉMIO VALMOR NESSE ANO

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Em 1904 o júri decidiu não atribuir o Prémio Valmor, por considerar que «nenhum dos prédios concluídos em Lisboa durante o ano findo reúne o conjunto de condições artísticas essenciais para ser classificado em mérito absoluto», propondo apenas duas Menções Honrosas.
Uma delas, a Casa Lambertini, cujo proprietário Michel' Angelo Lambertini exprimiu a sua revolta apelando mesmo à Câmara no sentido desta anular a decisão, localiza-se na Avenida da Liberdade, 166-168, tendo por arquitecto Nicola Bigaglia, anteriormente distinguido.
Edifício concebido para cumprir as condições do testamento do Visconde, inspira-se na Renascença Veneziana, o estilo Lombardesco, com uma decoração em mosaicos, executados em Veneza, inspirada na Igreja de S. Marcos.
Actualmente em bom estado de conservação, destina-se a habitação e escritórios.
CM-LISBOA

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agosto 28, 2007

REITORIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA - AULA MAGNA - 31 de AGOSTO - 21 Horas - MOMENTUM PERPETUUM

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A Orquestra de Jovens de Portugal, Momentum Perpetuum, composta por 80 músicos, com idades compreendidas entre os 13 e os 25 anos, apresenta-se, pela primeira vez, na Aula Magna, no âmbito do ciclo “Concertos de Verão”.

Na sequência do estágio da orquestra dos conservatórios nacionais, que decorreu em Braga, no mês de Abril do ano passado, os jovens estagiários, seleccionados pelo Maestro Martin André, que já dirigiu todas as grandes companhias de ópera britânicas, nomeadamente a Ópera Nacional Inglesa e a Royal Opera House, consideraram que a experiência excedeu todas as expectativas e decidiram associar-se, formando esta orquestra.

Programa

B. SMETANA, Moldava ,da Minha Pátria
E. SOUSA, CO2
P. I. TCHAIKOVSKY, Lago dos Cisnes
G. VERDI, Abertura La Forza del Destino


Direcção

Maestro Martin André

Entrada: 15 euros

Bilhetes à venda na Aula Magna, no próprio dia

Organização e Informações:Associação Musical Juvenil Momentum PerpetuumTel.: +351 229 517 416


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CADA MANHÃ SE PUNHA À PORTA JULIUS KLENGEL, ESPERANDO A RAPARIGA...

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Cada manhã se punha à porta Julius Klengel, esperando a rapariga que o acaso lhe metera no percurso. Com desembaraço rompia ela, escorraçada das intempéries, logo a toda a volta distribuindo os objectos de seu mester. O aroma de vasta morbidez, de molhadas plantas que decaíam, se lhe ia evaporando dos vestidos. Já, por essa altura, se fixara na indumentária desleixada e heteróclita, com que haveria de caracterizar os anos de apogeu.

E na palma da mão recebia o pachorrento Julius Klengel, acabada de salvar, uma dessas aves cinzentas e reboludas, que costumam remexer nos lodos ribeirinhos. Quando, com a dúvida do apaixonado, o arrebatado desenho lhe corrigia de um portamento, a posição dos dedos lhe reconstituindo, dir-se-ia o tempo petrificado, com os plátanos lá de fora desfocados num extenso borrão verde. Nisso meditaria Julius Klengel, retractando-se daquilo que ensinara, refundindo a prelecção que fizera, debitada agora a maior velocidade. Como poderia Guilhermina obedecer-lhe, retomar o excerto que lhe fora assinalado, sem todavia prescindir de se ser? Essa trepidação agastada, que nem nos deixa carentes nem nos satisfaz, dela padecia o alemão, ante o mistério ostensivo que jamais se atreveria a louvar. E a transmutável beleza se lhe materializava nessa jovem do sul, no fogo que tudo molda em sua consumpção.

Do livro “GUILHERMINA”, de Mário Cláudio, reeditado recentemente

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agosto 27, 2007

CARTA DE VIRGÍNIA A GUILHERMINA -" MEU MARIDO ME FEZ PRESENTE DE UM BOM ASPIRADOR E ANDO SEMPRE A ASPIRAR...

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«Minha querida Guil,
Recebi ontem a tua carta e há dias uma outra na qual me dizias que ias tocar para a T.S.F. e também um postal do barco que te levou a Londres. Vejo pela tua correspondência que estás em boa saúde e que tens tido notícias dos nossos e que eles também vão bem. (...)
Eu também gostaria de ver-te na tua passagem em Paris. Diz-me quando vens e quais são as horas livres que tens, para nos vermos seja em minha casa ou no teu Hotel. Seria ridículo passares em Paris sem nos vermos. Ou telefona para o meu marido. Se o meu marido não estiver no 'bureau', a empregada lá está para receber a tua comunicação e tu diz-lhe que és a irmã de Mme. Pichon.

Ultimamente o tempo esteve mau (...), mas domingo esteve um tempo lindo e fiz 150 quilómetros no meu lindo 'Toto' e o meu marido se deixa guiar pela sua mulherzinha, que preguiçoso, não é verdade?
Ando desesperada com tanta poeira: o meu marido me fez presente dum bom aspirador e ando sempre a aspirar e o que sai é fantástico, nunca pensei que a minha casa estava tão suja, apesar de limpar todos os dias!! Conheces esses aparelhos, talvez que já tenhas. Não há nada melhor.»

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA ou o VIOLONCELO LUXURIANTE” de Fátima Pombo

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agosto 26, 2007

TEATRO VIRIATO - VISEU - AQUI TOCOU GUILHERMINA SUGGIA EM 21 de ABRIL DE 1947

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para os sócios do Círculo de Cultura Musical de Viseu, acompanhada ao piano por Ernestina da Silva Monteiro. Pela 1ª vez interpreta a Sonata de Debussy.

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agosto 25, 2007

MORREU O PROF EDUARDO PRADO COELHO (MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA)

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Lisboa, 25 Ago (Lusa) - O professor e ensaísta Eduardo Prado Coelho, de 63 anos, faleceu hoje de manhã na sua residência em Lisboa, disse à agência Lusa fonte próxima da família.

Nascido em Lisboa em 1944, Eduardo Prado Coelho foi autor de uma ampla bibliografia universitária e ensaística, onde se destacam um estudo de teoria literária "Os Universos da Crítica", vários livros de ensaios "O Reino Flutuante", "A Palavra sobre a Palavra", "A Letra Litoral", "A Mecânica dos Fluidos" e "A Noite do Mundo".

Os dois volumes de um diário "Tudo o Que Não Escrevi" mereceram o Grande Prémio de Literatura Autobiográfica da Associação Portuguesa de Escritores, em 1996.

Publicou recentemente "Diálogos sobre a Fé", escrito com o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.

Eduardo Prado Coelho mantinha ampla colaboração em jornais e revistas e uma crónica semanal sobre literatura no jornal Público, para além de um comentário político quotidiano no mesmo jornal.

Licenciado em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, doutorou-se em 1983 na mesma universidade.

Em 1988, foi para Paris ensinar no Departamento de Estudos Ibéricos da Sorbonne.

TD

Lusa/fim

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MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA, NA ESTAÇÃO DO METRO DO "RATO"

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Uma escultura de Francisco Simões, de 1995

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agosto 24, 2007

VIRGÍNIA SUGGIA NO "LE MONDE MUSICAL" de 15 de MAIO de 1912

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Em 1912, a 15 de Maio, na revista musical francesa "LE MONDE MUSICAL", a crítica é ainda mais poderosamente entusiasmante:
«Mlle. Virgínia Suggia — Mlle. Suggia é uma verdadeira artista. Não é comum encontrar, aliada a uma natureza musical tão generosa e sincera, a técnica realmente profunda que possui esta jovem pianista: uma sonoridade poderosa sem brutalidade. Um mecanismo claro sem secura e muitas outras qualidades que encontramos isoladamente em muitos virtuosos, mas raramente coordenadas, fundidas ao ponto de dar a impressão de unidade, aliás necessária nas obras como a Suite francesa em Mi maior de Bach e a Sonata op. 10 em Ré maior de Beethoven.
Mas Mlle. Suggia distinguiu-se sobretudo por uma execução magnífica, ao mesmo tempo vigorosa e espiritual, sarcástica ou comovente, desta espantosa Mephisto-Walzer, triunfo da virtuosidade inteligente.»

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA ou o VIOLONCELO LUXURIANTE” de Fátima Pombo
Fotografia cedida por Profª Elisa Lamas

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agosto 23, 2007

CONCERTO NO TEATRO DA TRINDADE, EM 21 de NOVEMBRO de 1903

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Em 21 de Novembro de 1903, Lambertini promove uma festa artística em favor das duas irmãs SUGGIA, onde estas se apresentam num último concerto, no Salão da Trindade, em Lisboa, antes da sua partida para prosseguir os estudos na Alemanha e Rússia.


Os subscritores da circular que participa a realização da festa são: as condessas de Almedina, de Almeida Araújo e de Proença-a-Velha, Maria Domingas da Camara, Elisa Baptista de Sousa Pedroso, Luisa Burnay, Maria Ferraz Bravo, o Marquês de Borba, os condes de Almeida Araújo e de Proença-a-Velha, o Visconde da Ribeira Brava, António de Noronha, Luís da Cunha Meneses, Alberto Pedroso, Afonso Vargas, Alexandre José Sarsfield, Alfredo Keil, António Lamas, Augusto Machado, Jerónimo Bravo, José Relvas, José Ribeiro da Cunha e Lambertini.

“Michel’Angelo Lambertini”, Museu da Música, Lisboa, 2002


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agosto 22, 2007

VIRGÍNIA SUGGIA NO "LE MONDE MUSICAL" de 30 de DEZEMBRO de 1907

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Em 30 de Dezembro de 1907 lia-se o seguinte sobre Virgínia Suggia no Le Monde Musical:
«Mlle. Virgínia Suggia, irmã da notável violoncelista, é, também ela, uma pianista de talento e de temperamento. Num recital composto de uma Sonata de Beethoven, dos Estudos Sinfónicos de Schumann, de peças de Chopin, de Liszt e do famoso Sous bois do seu mestre V. Staub, conduzido com um raro brio bisado, a jovem artista portuguesa mostrou dons preciosos de sonoridade e de expressão, um jogo audacioso, por vezes um pouco precipitado; enfim, uma natureza fortemente interessante (...) à qual um numeroso auditório não deixou de manifestar as marcas da sua muito viva satisfação.»

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA ou o VIOLONCELO LUXURIANTE” de Fátima Pombo

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agosto 21, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: " EM FRENTE DA IGREJA DE S. NICOLAU, ESQUINA COM A RUA DA PRATA"

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agosto 20, 2007

GUILHERMINA SUGGIA ESCREVE A CLARINDA: "A PORTUGUESINHA TRIUNFOU SOBRE TODOS"

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GUILHERMINA SUGGIA continua a queixar-se com dores. Não tem apetite e emagrece bastante. Apesar de tudo aceita tocar em 27 de Agosto de 1949 no Festival Internacional de Edimburgo, no USHER HALL e escreve à sua empregada e confidente Clarinda:

Edimburgo, 28 de Agosto de 1949
Clarinda,
Até que enfim, terminei ontem à noite os meus concertos nesta cidade que foram dois autênticos triunfos — graças a Deus tudo correu o melhor possível e eu estava bem disposta e fui felicíssima nas minhas interpretações. Foi o grande, o maior sucesso do Festival, o que representa uma grande honra para Portugal. A portuguesinha triunfou sobre todos. As salas cheias e à saída foi preciso a polícia intervir, pois não me deixavam passar e no meio da rua eram dezenas e dezenas de pessoas a dizer adeus e a aplaudir. Uma coisa extraordinária, parecia que estavam loucos. Eu sinto-me tão feliz, pois estava um tanto ner¬vosa antes de principiar, pois é uma grande responsabilidade, no meio dos maiores artistas mundiais e perante um público inter¬nacional — americanos, austríacos, noruegueses, franceses, etc., milhares de pessoas e já está mais ou menos combinada a ida à América!
Bem dizia o Dr. Castro Henriques.
Esta carta serve para as pessoas que por mim se interessaram. Lembranças às moças e António.»

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA ou o VIOLONCELO LUXURIANTE” de Fátima Pombo

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agosto 19, 2007

HOJE EM QUARTEIRA - IGREJA DE S. PEDRO DO MAR - 21,30 h - OPUS ENSEMBLE HOMENAGEIA FERNANDO LOPES-GRAÇA

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Olga Prats e o Opus Ensemble prestam homenagem a Fernando Lopes-Graça (1906-1984), num espectáculo distinguido em Agosto de 2005 pelo Ministério da Cultura com a Medalha de Mérito Cultural da República Portuguesa.



O grupo reassume aqui a composição instrumental de origem, com Pedro Ribeiro no oboé, Ana Bela Chaves na viola, Olga Prats no piano e Alejandro Erlich Oliva no contrabaixo. Na primeira parte do concerto poder-se-á ouvir obras de compositores que foram de alguma forma arquétipos para Lopes-Graça: Joseph Haydn (pela perfeição formal), Beethoven (símbolo da liberdade intelectual) e Béla Bartók (pelo fulgor e pela vivacidade do trabalho de etnomusicologia). Na segunda parte do concerto serão interpretadas três obras de Lopes-Graça dedicadas aos músicos do Opus Ensemble: Sete Apotegmas (1981), Quatro Peças em Suite (1978), para violeta e piano, e Geórgicas (1989).
Programa Joseph Haydn
Ludwig van Beethoven
Béla Bartók
Fernando Lopes-Graça

Solista Pedro Ribeiro (oboé), Ana Bela Chaves (viola), Olga Prats (piano) e Alejandro Erlich Oliva (contrabaixo)










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O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: " ESTE PRÉDIO FICA NA RUA DA PRATA"

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Há em pior estado. Pois há. Mas lá que dói, dói.

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agosto 18, 2007

HOSPITAL DE S. LUIS DOS FRANCESES - NO MESMO QUARTO MORRERAM: EM 30/11/1935 FERNANDO PESSOA e 14/06/1970 ALMADA NEGREIROS

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[...] Morreu num hospital estrangeiro - o Hospital de S. Luís dos Franceses, à Rua Luz Soriano, em Lisboa - em pleno coração do Bairro Alto. Era sina da sua vida - viver português e "nascer" e morrer estrangeiro: estrangeiro à pátria que o não compreendeu, estrangeiro a si mesmo, que voluntariamente se fez desentendido.

Três dias antes de morrer ainda descera à Baixa, entrara no Martinho da Arcada, bebera um café, conversara com José de Almada-Negreiros, soltara alguma das suas gargalhadas nervosas, que lhe faziam estremecer o corpo desconjuntado, e pigarreara, tossira, tossira muito, pois tinha agora um pigarro de alcoólico, que se ouvia longe. Tempos antes, em casa da irmã, em S. João do Estoril, fora acometido de um breve ataque de delirius tremens. O mal estava implantado fundo na sua natureza corroída. E alguns amigos já o tinham encontrado, a desoras, bêbedo e enxovalhado. Bebia, bebia, bebia - para se asfixiar. Quando voltava para casa à noite, com a pasta debaixo do braço, entrava na leitaria da esquina da sua rua, no "Trindade", o seu amigo Trindade, rechonchudo e bom rapaz, que lhe vendia fiado (quando recebeu o prémio literário parte dele foi para o Trindade e quando morreu lá devia ainda seiscentos mil réis) e, nas pontas dos pés, com o seu ar cada vez mais dependurado, as calças a fugirem-lhe pelas pernas acima, pigarreando, enigmaticamente dizia:
« - 2, 8 e 6.»
O Trindade retirava-se. E daí a pouco poisava em cima do mármore do balcão uma caixa de fósforos, um maço de cigarros e um cálice de Macieira 60, ou seja, 2, 8 e 6 tostões. O poeta recolhia os fósforos, rasgava o maço de cigarros e virava, de um trago, o cálice de Macieira. Depois abria a pasta, retirava dela uma garrafinha preta, e punha-a em cima do balcão. O Trindade, discretamente, pegava nela, levava-a dentro e voltava daí a pouco com ela rolhada já. Fernando Pessoa tornava a guardá-la na pasta de cabedal e, sem pagar, saía porta fora, depois de se despedir cordialmente do amigo Trindade. Às vezes, pela manhã, o sr. Manacés, o mestre barbeiro da rua, que tanto o "servia" a ele, poeta, como ao moço de fretes da esquina ou ao marçano do amigo Trindade, deslocava-se até ao prédio número 16, primeiro direito, para "servir" o seu cliente. Ocasiões havia em que o encontrava ainda diante da mesa de trabalho, com cara de quem se não deitara, rodeado de papéis, de livros, de pontas de cigarro e a garrafinha preta completamente vazia ao lado. E, então, o poeta, antes que o sr. Manacés assestasse a navalha, pedia-lhe que lhe fizesse a fineza - "era um senhor muito delicado, o Sr. Pessoa" -, pedia-lhe que lhe fizesse a fineza de ir ao Trindade encher a garrafa.
Passava longas temporadas completamente só naquele primeiro andar. A irmã, quando saía para a sua casa de S. João do Estoril, pedia ao Sr. Trindade que olhasse por ele e que lhe telefonasse, caso houvesse novidade. De facto, já uma noite lhe dera qualquer coisa, que o prostrara no chão, à porta da casa de banho, sem sentidos. Fora preciso arrombar a porta, pois ele não dava acordo de si. E teimava em continuar só, em fumar, em beber: tudo fazia para se evadir, para não estar onde estava, para acabar com a náusea da vida - "raios partam a vida e quem lá ande!" O Dr. Jaime Neve, primo do poeta, que o vira ultimamente, proibira-o de beber: um cálice mais de aguardente, e seria o fim. E o poeta, serenamente, como quem, na verdade, está persuadido de que a morte não existe:

Neófito não há morte,


continuava a beber. Em frente do balcão do Val do Rio, à Rua dos Correeiros, bebeu pela última vez.


Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E-xis-tir...

Dêem-me de beber, que não tenho sede!


Não era a morte que ele procurava - "não há morte" - mas a existência, o "e-xis-tir", esse existir que ele nunca conhecera.
"Não escrevi história nem histórias, e, por isso, não uso protagonistas, a não ser a variedade de pessoas que tenho sido", dissera Álvaro de Campos um dia a um jornalista. "Nenhuma delas tem existência real, porque nada tem, cientificamente falando, existência real. As cousas são sensações nossas, sem objectividade determinável, e eu, sensação também para mim mesmo, não posso crer que tenha mais realidade que as outras cousas. Sou, como toda a gente, uma ficção do "intermezzo" falso como as horas que passam e as obras que ficam no rodopio subatómico deste inconcebível universo".
Aliás, certo da única coisa certa que tinha na vida, certo de que, ao contrário do "Alves, o "dono da tabacaria", cuja morte alterara a monotonia da cidade - "desde ontem a cidade mudou" - a sua própria morte em nada a alteraria:


Mas ao menos, a ele alguém o via,
Ele era fixo, eu, o que vou,
Se morrer, não falto, e ninguém diria:
Desde ontem a cidade mudou


transgredindo a imposição do médico, desafiando a própria morte, ei-lo que avança para a melhor maneira de se conquistar a si próprio, a forma mais decisiva para realizar o seu mais fundo anelo, esse anseio de "ser de todos os tempos, de todos os espaços, de todas as almas, de todas as emoções e de todos os entendimentos", ou seja, a própria "força universal que envolve e penetra a rotação dos seres", já que enquanto neste lado de cá do mundo, no "rodopio subatómico deste inconcebível universo", nada mais pudera ser que "uma consciência audível dela", da rotação dos seres, "um brilho momentâneo no choque nocturno das cousas"..., isto é, poeta, já que o "resto é delírio e podridão", "cadáveres adiados que procriam" todos quantos neste mundo se limitam apenas a viver.
A crise veio rápida. Nessa mesma noite, sózinho no seu quarto, completamente só em casa - a irmã estava de cama, no Estoril, com uma perna partida, e com ela estava o marido e os filhos -, foi acometido de uma fulminante cólica hepática. Era a noite de 27 para 28 de Novembro. Quando deram com ele, o seu estado era tal que chamaram, imediatamente, o Dr. Jaime Neves. Este ordenou que o transportassem com urgência para o hospital. Mas o poeta, apesar de completamente prostrado, opunha-se: que era uma crise como qualquer outra, já tivera mais assim. O médico, porém, impôs a sua autoridade. E ficou assente que ele fosse conduzido para o Hospital de S. Luís. Então Fernando Pessoa, apesar da sua prostração, quis barbear-se. E o Sr. Manacés veio "servi-lo" pela última vez. Nessa mesma manhã uma automaca transportava-o ao Hospital de S. Luís dos Franceses. No entanto, pormenor a reter, lembrando-se, no meio do seu sofrimento, de que sua irmã Henriqueta Madalena fazia anos, pediu a um dos amigos, que o viera buscar para o conduzir ao hospital, que lhe fizesse o obséquio de deitar um telegrama de felicitações, em seu nome, para ela. No dia seguinte - só no dia seguinte o telegrama chegaria ao seu destino - , à hora em que a irmã recebia, atrasados apenas algumas horas, os parabéns pelo seu aniversário, Fernando Pessoa, numa cama de hospital, entrava no "abismo" e no "silêncio". Junto dele havia apenas três pessoas: o capelão, a enfermeira e o médico. Morria só, como sempre vivera. "Considero-me feliz por não ter já parentes", dissera poucos anos antes. "Não me vejo assim na obrigação, que inevitavelmente me pesaria, de ter que amar alguém." E embora não se tivesse esquecido, nos transes já da agonia, da irmã que fazia anos - era só que morria, sem parentes, pois é sempre assim que vivem e morrem os homens como Fernando Pessoa.
Ei-lo que entrava, finalmente, no paraíso que perdera. Agonizava, e no meio da sua agonia, repuxando a dobra do lençol, teve, de súbito, uma pausa de estranha quietação. Abriu os olhos, olhou em roda, e vendo que não via, serenamente, como quem não esquece que os míopes, para ver, precisam de óculos, pediu que lhe dessem as suas lentes:
"Dá-me os óculos!", murmurou, semicerrandos os olhos enevoados.
Foram estas as suas últimas palavras. Como Goethe, mas sem espalhafato nem solenidade, com a modéstia de um "correspondente estrangeiro em casas comerciais", o poeta pedia a única coisa que em verdade lhe tornava o mundo mais claro, na sua ilusória aparência, os óculos que o oftalmologista lhe receitara e o oculista manipulara.


Texto retirado de

Vida e Obra de Fernando Pessoa - História de uma Geração
João Gaspar Simões
Livraria Bertrand, Lisboa, 2ª edição s/d, (1ª edição 1950)

12ª Parte (última): "Regresso ao Paraíso"
Divisão II: "Morte e Ressurreição"

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agosto 17, 2007

"A PROCISSÃO" - MUSEU DA MARIONETA - CONVENTO DAS BERNARDAS (Rua da Esperança - na Madragoa)

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MUSEU DA MARIONETA

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agosto 16, 2007

ANTÓNIO NOBRE (PORTO, 16 de AGOSTO de 1867- 18 de MARÇO de 1900)

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NÃO REPARARAM NUNCA?

Não repararam nunca? Pela aldeia,
Nos fios telegráficos da estrada,
Cantam as aves, desde que o Sol nada,
E, à noite, se faz sol a Lua cheia.

No entanto, pelo arame que as tenteia,
Quanta tortura vai, numa ânsia aiada!
O Ministro que joga uma cartada,
Alma que, às vêzes, d’Além-Mar anseia:

- Revolução! - Inútil. - Cem feridos,
Setenta mortos. - Beijo-te! - Perdidos!
- Enfim, feliz! - ? - ! - Desesperado. - Vem.

E as boas aves, bem se importam elas!
Continuam cantando, tagarelas:
Assim, Antônio! deves ser também.

ANTÓNIO NOBRE

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JARDIM ANTÓNIO NOBRE - POETA NASCIDO HÁ 140 ANOS no PORTO

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Este Jardim está a ser alvo de obras de requalificação.(Há ano e meio que as obras estão paradas - diz uma tabuleta lá afixada)
Localização :: Rua de São Pedro de Alcântara, Lisboa

Freguesia :: Encarnação

Área :: 0,6ha

Descrição :: Lugar muito aprazível, onde se desfruta de um dos mais belos panoramas da cidade. O Jardim António Nobre (também conhecido por Jardim de S. Pedro de Alcântara) é um miradouro constituído por dois patamares ligados por escadas em pedra, suportado por uma muralha mandada construir por D. João V em meados do século XVIII. No patamar superior do jardim encontra-se um painel de azulejos reproduzindo a panorâmica do miradouro. Este patamar tem sobretudo árvores, caminhos e um lago central. O patamar inferior, com um groto embutido no muro de suporte e uma série de canteiros geométricos, foi adornado com uma série de bustos de deuses e de heróis portugueses dos Descobrimentos, entre os quais Vasco da Gama, Luís de Camões e Afonso de Albuquerque.

Equipamentos :: Lagos

Flora :: Celtis australis e Celtis orientalis

Património Edificado e Artístico:Monumento ao jornalista Eduardo Coelho, fundador do Diário de Notícias, datado de 1904.

21 bustos, assentes em pedestais, de deuses e heróis da mitologia greco-romana e figuras da história portuguesa.

Painel de azulejos, datado de 1952, da autoria de Fred Kradolfer.

História :: O Jardim António Nobre começou a ser arborizado, e construído, nos anos 30 do século XIX. Em 1830, os oficiais da Guarda Real de Polícia plantaram as árvores do patamar superior, passando o local a ser designado na altura por “Horta do Corpo da Polícia”.
A administração deste jardim pela CML data de 1839.
Em meados do século XIX foi exigida a colocação de um gradeamento sobre a muralha, devido à quantidade de suicídios que aconteciam neste local. O gradeamento, que ainda hoje aí se encontra, veio do Palácio da Inquisição do Rossio.

Horário :: Aberto 24h (FECHADO HÁ ANO E MEIO)

Acessibilidades :: Autocarros (Carris) :: 58, 790 (Paragem Elevador da Glória)
Electricos (Carris) :: 28E (Paragem Chiado)
Elevadores (Carris) :: Glória ( o elevador da Glória está parado desde que começaram as obras no túnel do Rossio)
Metropolitano :: Linha Verde (Baixa-Chiado)

http://www.cm-lisboa.pt/?id_categoria=77&id_item=14222

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agosto 15, 2007

TEATRO CIRCO DE BRAGA - AQUI TOCOU GUILHERMINA SUGGIA

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Várias vezes. Entre elas a 22 de Novembro de 1944, com a Orquestra Sinfónica Nacional sob a direcção do maestro Pedro de Freitas Branco. Foram interpretadas obras de Smetana, Florant Schmitt, Ravel e Falla
do Livro "GUILHERMINA SUGGIA - A SONATA de SEMPRE" de Fátima Pombo

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agosto 14, 2007

FAYE CLINTON - LONDON GUILHERMINA SUGGIA AWARD

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Faye Clinton trained at the Guildhall School of Music and Drama in London, where under the guidance of Stefan Popov, she won several prizes, including the Suggia Gift and the Lillian Davis Award. Her development as a soloist and chamber musician has been influenced by William Pleeth, Raphael Wallfisch, Andre Navarra, Reszo Pertorini and Janos Devitch.

In 1989, Faye was awarded a Leverhulme Trust fellowship to study the unaccompanied Hungarian Contemporary Cello Repertoire with Istvan Lang and Karoly Botvay at the Liszt Academy in Budapest. Apart from her lunchtime recital at St John's Smith Square, this highly successful period stimulated her interest in the music of contemporary composers which in turn has led to premieres of a number of new works especially written for her, including pieces by Andrew McBirnie and the late Charles Proctor.

While in London, Faye participated in a Prince's Trust concert in 2000, and the following year, performed with a string ensemble at a festival at the South Bank. In April 2003, she shared a platform with Indian violinist, Sanjoy Ghosh, in a cross-cultural concert at Friendship House in Southsea.
Some summer recitals in 'Lees Court' in Kent and 'All Saints' Church in West London prompted an invitation to play at the Queen's Hall in Trinidad last year.
The surprise of the evening was 'Banraku' by Japanese composer Toshiro Mayuzumi. This piece is an experiment in composition, composed in 1960 and a unique adaptation for the cello in which the performer is called upon to exploit all the resources of the instrument. This Faye Clinton did with grace, producing some extraordinary tonal effects and providing the highlight of the evening. The Trinidad Newsday
Forthcoming engagements include recitals in Cyprus and at Portsmouth's Menuhin Theatre with pianist Enrique Ali and tenor, Ronald Samm.
Faye has recently recorded with pianist, Enrique Ali, a CD featuring works by Grieg, Mayuzumi, Piazzolla and Leighton. Extracts from this CD are posted below - click on the link to listen to a Real Audio file.
Faye is a member of the Performers and Composers Section of the ISM.

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agosto 13, 2007

JOSÉ SARAMAGO PARTICIPA EM NOVO DISCO DE JORDI SAVALL : "AS SETE ÚLTIMAS PALAVRAS DE CRISTO NA CRUZ" de HAYDN

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Edimburgo, Reino Unido, 12 Ago (Lusa) - O músico e maestro catalão Jordi Savall edita em Setembro o álbum "As sete últimas palavras de Cristo na Cruz", de Haydn, no qual contou com a colaboração do escritor português José Saramago, revelou sábado o compositor.

Jordi Savall, que se apresentou sábado à noite no Festival de Edimburgo com a ópera "Orfeu", de Monteverdi, explicou à agência EFE que em Setembro irá lançar o novo álbum gravado em Cádis.
Sem revelar mais detalhes, o músico referiu apenas que contou com a participação do Nobel da Literatura português na gravação do álbum, que será também editado em DVD, em sete idiomas, incluindo em Língua Portuguesa.
Jordi Savall, 66 anos, é um virtuoso de viola de gamba, maestro, compositor e especialista em música antiga.
Gravou mais de uma centena de álbuns e, entre 1974 e 1989, fundou os agrupamentos Hespèrion XXI, La Capella Reial de Catalunya e Le Concert des Nations.
Em Dezembro, o músico, que criou a sua própria etiqueta discográfica (Alia Vox), lançará um disco-livro inspirado nos percursos do jesuíta Francisco Xavier no Oriente.
SS.
Lusa

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agosto 12, 2007

MIGUEL TORGA NASCEU FAZ HOJE 100 ANOS

m torga.jpg
Confiança
O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

Miguel Torga

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O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: "O TEATRO CAPITÓLIO" - IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO

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Teatro Capitólio
Outras Designações Teatro Capitólio, no Parque Mayer
Categoria / Tipologia Arquitectura Civil / Teatro
Inventário Temático -

Localização
Divisão Administrativa Lisboa / Lisboa / São José
Endereço / Local Parque Mayer

Situação Actual Classificado
Categoria de Protecção IIP Imóvel de Interesse Público
Decreto 8/83, DR 19, de 24-01-1983
ZEP DR (I Série-B), n.º 228, de 01-10-1996, portaria n.º 529/96
Zona "non aedificandi" -
Abrangido em ZEP ou ZP -
Património Mundial -

Descrições
Nota Histórico-Artistica - Obra do Arq.º Luís Cristino da Silva, e inaugurada em 1931, este Teatro é considerado por muitos como a primeira obra modernista da arquitectura portuguesa.
De planta rectangular, desenvolvendo-se longitudinalmente, apresenta volumetria paralelepipédica, com cobertura em telhado a duas águas. A ligação do edifício ao exterior era efectuada por grandes portas envidraçadas, que abriam em bandas horizontais. Partindo do edifício central, verificam-se dois corpos adossados de menores dimensões, mas igualmente paralelepipédicos, que servem de suporte a um terraço, ao qual se tinha acesso por meio de tapetes rolantes, novidade absoluta na época. As fachadas eram definidas por um jogo austero de linhas verticais e horizontais, caracterizando-se o seu alçado principal pela presença de uma pala horizontal saliente e de um pano envidraçado. Quanto aos alçados laterais, eles pautam-se pela existência de cinco níveis, com entradas de luz horizontais.
Em 1933, o mesmo arquitecto procede a alterações, tendo-se procedido ao entaipamento das referidas portas de vidro.
[AMartins]

IPPAR

Teatro Capitólio, no Parque Mayer, Um dos 100 Monumentos
Mais Ameaçados do Mundo

O Teatro Capitólio, no Parque Mayer, o primeiro grande edifício do Movimento Moderno em Portugal, foi seleccionado para a lista World Monuments Watch - 100 Most Endangered Sites de 2006. A lista foi anunciada publicamente em Nova Iorque no dia 21 de Junho de 2005.

A World Monuments Fund (WMF) é a mais importante organização privada, sem fins lucrativos, dedicada à preservação de lugares da herança cultural de todo o mundo. Através da sua lista bienal World Monuments Watch - 100 Most Endangered Sites, a WMF (www.wmf.org) chama atenção internacional para os perigos que ameaçam os lugares com significado histórico, artístico e arquitectónico. A presença na lista World Monuments Watch estimula autoridades locais e comunidades a tomarem um papel activo na protecção do seu património cultural e, quando necessário, ajuda também a angariar fundos para a sua salvaguarda. Os monumentos são seleccionados, de entre as várias candidaturas apresentadas, por um painel de peritos mundiais, incluíndo representantes da UNESCO ("United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization") e do ICOMOS ("International Council on Monuments and Sites").
O Capitólio abriu ao público em 1931, no Parque Mayer, um antigo recinto de diversões no centro de Lisboa. O edifício - um teatro, music-hall e cinema - foi um manifesto sem precedente em Portugal do espírito do mundo moderno. O inovador local de espectáculos, projectado pelo arquitecto Luis Cristino da Silva (1896-1976), combinava um grande salão com um terraço para espectáculos ao ar livre. O reconhecido pioneirismo da sua arquitectura funcionalista faz do Capitólio um exemplo notável do princípio do Movimento Moderno na Europa. O edifício está classificado pelo Estado Português ("Imóvel de Interesse Público", 1983) e registado no Docomomo Ibérico (1996). Actualmente o Capitólio encontra-se abandonado e no centro de um projecto de intervenção para o Parque Mayer que propõem a sua demolição.

A candidatura do Capitólio para a WMF foi submetida em Novembro de 2004 pelo grupo de trabalho 'Cidadãos pelo Capitólio', apoiada pelo Professor Doutor José Manuel Fernandes, Museu Nacional do Teatro, Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema e pela organização Docomomo International ("Conservation and Documentation of the Modern Movement", Paris).
O grupo de trabalho 'Cidadãos pelo Capitólio', formado em 2003, tem como objectivo assegurar a sobrevivência do Capitólio. Com a ajuda da WMF e de outras organizações nacionais e internacionais, 'Cidadãos pelo Capitolio' trabalhará no sentido de inverter os perigos que ameaçam o Capitólio. O grupo defende o restauro deste importante ícone da arquitectura portuguesa e a sua utilização enquanto espaço cultural para as futuras gerações.
Para mais informações, contactar Fernando Jorge, representante do grupo de trabalho 'Cidadãos pelo Capitólio':
'Cidadãos pelo Capitólio'
LISBOA - PORTUGAL
capitolio_lx@hotmail.com
Tel. + 96 859 03 36

CNC - CENTRO NACIONAL DE CULTURA

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agosto 11, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS " PRÉDIO NA RUA DA CONCEIÇÃO"

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Infelizmente é uma constante de Lisboa.

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agosto 10, 2007

"GEWANDHAUS de LEIPZIG" - GUILHERMINA SUGGIA FOI A PRIMEIRA MULHER SOLISTA A TOCAR AQUI

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Em 26 de Fevereiro de 1903 GUILHERMINA SUGGIA toca o concerto para violoncelo e orquestra de Volkmann, sob a direcção de Arthur Nikisch.

Perante a insistência do público que aplaudia de pé e gritava "bis", e contra todas as regras do protocolo estabelecidas, pela 1ª vez na história da Gewandhaus, Nikisch ordena que se repita o concerto na íntegra.

GUILHERMINA SUGGIA havia iniciado os estudos com Julius Klengel em Novembro de 1901.

Abriram-se as portas dos grandes centros musicais para GUILHERMINA SUGGIA.

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agosto 09, 2007

CINE-TEATRO TIVOLI - NESTA SALA DE LISBOA TOCOU GUILHERMINA SUGGIA

teatro tivoli.jpg
Frederico de Lima Mayer, homem requintado e de grande cultura, compreendeu que Lisboa, a exemplo das suas congéneres europeias, necessitava de um espaço exclusivamente dedicado ao culto da Sétima Arte, que então se encontrava em ascensão, mas onde fosse, igualmente, possível apresentar também outro tipo de espectáculos.
Nasceu assim, em 1924 e após 4 longos anos de obras, o edifício actualmente designado por Cine Teatro Tivoli, concebido segundo um projecto do arquitecto Raul Lino, e na época, a melhor sala do país.

Logo desde a noite da sua abertura ao público – com o filme “Violetas Imperiais” - o Tivoli impôs-se como uma sala de espectáculos onde apenas se apresentavam filmes de grande qualidade, cuidadosamente escolhidos entre as obras-primas da época.
Tendo iniciado a sua actividade ainda no tempo do cinema mudo, o Tivoli foi dotado para fonocinema em 1930 tendo em Novembro desse mesmo ano sido apresentado o primeiro filme sonoro - “A Parada do Amor”.
Desde então, pelo ecrã do Tivoli, passaram muitos dos maiores filmes da história do cinema nomeadamente “ O Mundo a Seus Pés”, “O Ditador”, “Belinda – Escrava do Silêncio”, “Duelo ao Sol”, “A Túnica”, “O Rei e Eu”, “A Pousada da Sexta Felicidade”, “Lawrence da Arábia”, “Música no Coração”, “Hello Dolly”, “O Padrinho”, “O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes”, “Oficial e Cavalheiro”.
No entanto, o Tivoli não foi concebido apenas para apresentar espectáculos de cinema. Assim, logo em 1925, e numa iniciativa de António Ferro, foi criado um grupo de teatro - o Teatro Novo.
Nele foram apresentadas várias peças, ousadas para a época, entre as quais “Knock ou o Triunfo da Medicina”.
O Tivoli continuou a “fazer-se teatro”! Após a morte Frederico Lima Mayer o seu filho instalou no Teatro um palco e camarins.
Neste palco apresentaram-se, então, companhias tão célebres como a Comédie Française e o Teatro do Vieux Colombier. Pisaram também o palco do Tivoli, em espectáculos musicais, entre outros os maestros Igor Stravinsky, “Sir” Thomas Beechan, Frederico de Freitas e Ivo Cruz, os pianistas Sequeira Costa, Maria João Pires, Tania Achot, Rubinstein e José Viana da Mota, o violinista Yehudi Menuhin, a violoncelista Guilhermina Suggia, e o coro dos Pequenos Cantores de Viena.
O bailado dominou igualmente as plateias do Tivoli através das actuações do Ballet do XX Siécle (com Maurice Béjart), o American Festival Ballet e o Ballet Soviético dos Cossacos da Ucrânia, entre outros.
Em 1973, o Tivoli deixou de pertencer à família Mayer tendo sido adquirido por João Ildefonso Bordallo.
Em 1989, o Tivoli foi adquirido pelo empresário espanhol Emiliano Revilla que, pouco depois, vendeu a maioria das suas acções a uma empresa de capitais Espanhóis.
Após um período de encerramento o Tivoli reabre as suas portas em 1999 tendo entretanto sido objecto de obras de remodelação.
Em 2004 o Tivoli foi adquirido pela Lx Skene empresa de capitais portugueses e actual proprietária do Teatro.

(WIKIPEDIA)

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agosto 08, 2007

O CORETO DO JARDIM GUERRA JUNQUEIRO ( JARDIM DA ESTRELA)

coreto da estrela.jpg
CORETO - pavilhão erigido em praças ou jardins públicos, para concertos musicais... (dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)
Pena não se lhes dar uso, digo eu.

O coreto existente no Jardim de Estrela foi transferido do Passeio Público da Avenida da Liberdade para o referido jardim em 1932 por resolução camarária.

O coreto tem uma abertura em ferro forjado, base de canterina e motivos indianos nos desenhos dos arcos e das colunas. Entretanto o coreto tem-se degradado e a Câmara Municipal de Lisboa teve de realizar obras de restauro, cujos gastos ultrapassaram o valor de 100.000 euros.
JARDIM DA ESTRELA

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agosto 07, 2007

LUIS VAZ DE CAMÕES FOI PRESO, AQUI, ÀS PORTAS DE SANTO ANTÃO

portas st antao.jpg
Em 16 de Junho de 1552, por se ter envolvido numa rixa.

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agosto 06, 2007

GUILHERMINA SUGGIA PARTE COM SEU PAI, AUGUSTO SUGGIA, PARA LEIPZIG

o pai. Augusto Suggia aa.jpg
A cumprir seus fados desandaria Augusto, também, que na escolta de que se incumbe, a Leipzig, conduzindo a pupila, tardiamente concretiza desideratos que não desenvolvera. Embarcam em Vigo, tocam em Bremen, apreensivos da excessiva bagagem que lhes vem no encalço, como se em vera, definitiva migração fossem ambos. A algures entre os campos irá GuiIhermina aportar, aonde o exercício se lhe possibilite. Andará flanando pelas margens do Elster, a memorizar compassos e a planear glórias, agora que, por entre volumosas baforadas de charuto, lhe incute Julius Klengel, o professor, que não há trecho capitulando à liberdade de quem dele se abeire.

Instantes se davam em que convergia a natureza de ambos, por uma fala despoletada que de nenhuma outra forma se lograria proferir, o que era só a crispação do desejo. Dera já Klengel por única a ocasião, que se lhe patenteava, de uma aula de recuos que não de investidas, de assombro que não de chateza.

Filtravam os grandes vidros a luz estanhada do Inverno germânico, arrepiavase na aragem a corrente do rio. Como que por efeito do clima, tinha agora mais dúcteis os cabelos, sobre a meia face larga descaindo em bandós. De muito e recôndito sossego fazia a conversa com as cordas, admirada da frequência que soltavam. E era Leipzig, assim, a milhares de quilómetros, cintilante corpo solitário, divagando pelo espaço sidéreo.

Do livro “GUILHERMINA” de Mário Cláudio, recentemente reeditado

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agosto 05, 2007

SALAS DE ESPECTÁCULOS: PHILHARMONIC HALL - HAMBURG- 2006

philharmonic hall Hamburg.jpg
tirada daqui

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agosto 04, 2007

PRÉMIO AMADEO SOUZA-CARDOSO DISTINGUE ÂNGELO DE SOUSA

AngeloSousa.jpg
O escultor venceu a sexta edição do Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (categoria Consagração)atribuído Câmara Municipal de Amarante e pelo Museu Amadeo de Souza-Cardoso

Depois de Fernando Lanhas (em 1997, ano em que a autarquia reinstituiu o galardão), Fernando Azevedo, Costa Pinheiro, Júlio Pomar e Nikias Skapinakis, este prémio bienal será entregue ao escultor, numa cerimónia a realizar no próximo dia 27 de Outubro.

Ângelo de Sousa é considerado um dos artistas mais inovadores na cena nacional.

A sua obra abrange o desenho, a escultura, a pintura, a fotografia e o vídeo, tendo a sua obra sido objecto de uma exposição antológica na Fundação de Serralves em 1993.

A Fundação Gulbenkian e a Cordoaria Nacional acolheram uma grande mostra da sua escultura em 2006.

A decisão foi tomada por unanimidade do júri, este ano presidido por Rui Mário Gonçalves e constituído por Miguel Von Hafe, António Cardoso, Fátima Lambert, Laura Castro, Lúcia Matos e Eduardo Paz Barroso.

Cada edição do Prémio Amadeo de Souza-Cardoso encerra em si dois prémios, um destinado a assinalar o percurso de vida e obra de um artista plástico (Prémio de Consagração), e o outro, o Grande Prémio Amadeo Souza-Cardoso (Prémio de Criação), que distingue uma obra concreta, apresentada a concurso, que será anunciado em Outubro.

A sexta edição do Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (vertente Criação) vai decorrer entre os dias 27 de Outubro e 09 de Dezembro, anunciou hoje fonte da Câmara Municipal de Amarante, que patrocina o evento.

Este prémio, de periodicidade bienal, está aberto a todas as expressões artísticas, tendo sido reinstituído pela Câmara de Amarante em 1997, no âmbito das comemorações do cinquentenário da fundação do Museu Amadeo de Souza-Cardoso, depois de ter sido atribuído pela última vez em 1987 pela Casa de Serralves.

Na vertente de criação, os vencedores deste prémio foram Albuquerque Mendes (1997), Inez Winjnhorst Assis e Santos, Rita Carreiro (2001), Ana Vidigal (2003) e Ana Maria (2005).

Lusa/SOL

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agosto 03, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: "CONVENTO DE Nª SENHORA DA CONCEIÇÃO DE ARROIOS (HOSPITAL DE ARROIOS)"

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Localização
Rua Quirino da Fonseca, Praça do Chile, Avenida Almirante Reis
Freguesia: São Jorge de Arroios
Construído em 1705 a partir do financiamento de D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão, funcionou até 1755 nesse espaço conventual o colégio de formação dos Jesuítas, tomando o nome de colégio de São Jorge de Arroios.
Resistiu ao terramoto de 1755 mas não à expulsão dos Jesuítas em 1759, altura em que Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal (1769), determinou a ocupação do convento pelas freiras Concepcionistas Franciscanas, ficando o espaço a ser conhecido por convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios.

O convento ficou devoluto em 1890, ano em que morreu a última freira e em 1892, o Estado decidiu que o seu espaço fosse convertido em hospital e ficasse sob a administração do Hospital Real de São José. Foi então determinado que funcionasse um hospital de isolamento para doentes com peste bubónica, cólera, varíola, lepra e tuberculose.
A partir de 1898, o antigo convento tomou o nome de Hospital Rainha Dona Amélia e destinou-se somente ao tratamento e prevenção da tuberculose, para em 1911 após a Implantação da República se passar a chamar Hospital de Arroios. Funcionou até 1993, altura em que foi definitivamente desactivado, encontrando-se actualmente devoluto.
Foi na igreja do convento que permaneceram os restos mortais do Marquês de Pombal trasladados do convento de Santo António de Coimbra, antes de serem transportados para a Igreja de Nossa Senhora das Mercês.
A Igreja continua aberta ao culto sendo frequentada sobretudo pela comunidade ucraniana residente em Lisboa.

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agosto 02, 2007

GUILHERMINA SUGGIA COM O SEU CÃO "SANDY"

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do livro "GUILHERMINA" de Mário Cláudio, recentemente reeditado.

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agosto 01, 2007

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS: "PAVILHÃO CARLOS LOPES"

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Estamos, de facto, a cair de podres. E ninguém se importa.

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