setembro 28, 2006

A CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO TEM SIDO MADRASTA DE SUGGIA

No dia 27 de Junho deste ano (dia do 121º aniversário do nascimento de Guilhermina Suggia) foi inaugurada uma exposição na Casa-Museu Guerra Junqueiro comemorativa do 120º aniversário de Suggia. Um ano de atraso! Do mal o menos. Ou a Câmara Municipal do Porto, cujo Pelouro da Cultura e Turismo organizou a exposição, se esqueceu ou não sabia que Guilhermina Suggia foi uma das mais importantes portuenses de sempre ou na altura estivesse mais esquecida ainda do que está hoje em dia. Hoje até tem o seu nome na Sala grande da Casa da Música!!!
Ora bem. Fazer uma exposição sobre Suggia, ali, porquê? Não haveria outro sítio melhor? Tendo que ser na Casa-Museu Guerra Junqueiro não podia ter sido feita duma maneira menos atrofiada? O espaço é pouco e nada brilha. É certo que pouca gente lá vai. Já visitei várias vezes a exposição e apenas numa delas estava um grupo de crianças duma escola a quem era debitado um discurso inapropriado . Da 1ª vez que lá fui havia apenas um catálogo artesanal com folhas A4 numa capa de plástico. Se houvesse mais que uma visita, uma delas ficaria sem catálogo. Note-se que junto aos objectos expostos existe apenas um número. Da vez seguinte que visitei a exposição fui informado de que apenas em princípios de Setembro o catálogo estaria disponível. Em Agosto, ainda sem catálogo, reparei que o violoncelo Montagnana tinha sido retirado da exposição. Perguntei porquê. Disseram-me que a Sala não estava preparada para ter um instrumento daqueles em exposição. A humidade poderia estragá-lo. Retorqui que sabia que o violoncelo estava a ser tocado por um violoncelista (felizmente!) e que sempre que ele precisava dele o violoncelo era retirado da exposição. “ Também é isso”, disseram. Parecia-me mais honesto que sempre que o instrumento é levado ficasse no sítio a informação da verdade. É bom que o violoncelo seja tocado. É mau que, se a sala é muito húmida e possa estragar o violoncelo, ele esteja lá. Lembro outros tempos em que ele esteve numa cave cheia de humidade, chegando a estar coberto de bolor!

Em princípios de Setembro voltei e disseram que o catálogo estaria à venda no fim do mês. Há dias voltei e disseram que só em Outubro.
Que falta de respeito e de vergonha!

Na exposição faz-se referência a correspondência de Suggia para Vianna da Motta sobre concertos que ambos vão dar no Teatro S. Luiz em Lisboa. O original dessa correspondência está neste momento na Biblioteca Nacional, antes havia estado no Museu da Música, e com autorização do Museu da Música foi neste blog divulgada.
A mediocridade é tanta que, não podendo o original estar em 2 sítios simultaneamente, para que não haja referência ao blog ( e confesso que não sei porquê) se diz que o original pertence – e perdõe-se-me a dúvida – ou ao Conservatório de Música do Porto ou à Câmara Municipal do Porto (se tivesse o catálogo tiraria a dúvida).

Está escrito que Guilhermina Suggia deixou o seu violoncelo Montagnana à cidade do Porto. Que maneira de fugir aos factos! Leia-se acerca disto o testamento de Suggia.

Seria bom que a Câmara do Porto lembrasse com amor e mais respeito quem tanto fez pela sua terra e pelo seu país.

Há 56 anos, pelo menos, que a Câmara é madrasta de Suggia. É pena

Publicado por vm em 11:09 PM | Comentários (0)

setembro 18, 2006

DUO CONTRACELLO- LANÇAMENTO DE CD

O Duo Contracello, formado por Miguel Rocha no violoncelo e Adriano Aguiar no contrabaixo, tem o prazer de anunciar o lançamento do seu segundo CD, intitulado Duo Contracello II, no próximo dia 1 de Outubro de 2006, Dia Mundial da Música, em Lisboa, às 19 horas, na Galeria Prova de Artista – Hotel Real Palácio e no dia 4 de Outubro de 2006, às 19 horas, no Porto, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa.

Estes eventos, cuja entrada será livre, contarão com a execução de algumas obras incluídas neste CD por parte destes intérpretes.

A apresentação no Porto será transmitida em directo pela Antena 2.

Os compositores escolhidos para este CD são Couperin (1668-1733), Keyper (1756-1815), Mozart (1765-1791), Boukinik (1872-1947) e Carlos Azevedo (1964).


Endereços:

Galeria Prova de Artista – Hotel Real Palácio – Rua Tomás Ribeiro, 115 loja 1 – 1056-228 Lisboa

Salão Árabe - Palácio da Bolsa – Rua Ferreira Borges – 4050 Porto

Publicado por vm em 05:22 PM | Comentários (2)

setembro 16, 2006

CASA DA MÚSICA-PORTO

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56 anos após a sua morte é dado o nome de GUILHERMINA SUGGIA a uma sala de música.
O acto vai ser público amanhã, dia 17 pelas 17h.
às 18h haverá um concerto pelo Orquestra Nacional do Porto e a violoncelista Natalia Gutman que interpretará os concertos de Lalo e de Saint-Saëns para violoncelo e orquestra

Publicado por vm em 11:59 AM | Comentários (2)

setembro 08, 2006

DE NOVO O TESTAMENTO DE GUILHERMINA SUGGIA

Eu, Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia Carteado Mena, viúva, violoncelista, residente na Rua da Alegria, número seiscentos e sessenta e cinco, desta cidade do Porto, encontrando-me no uso pleno das minhas faculdades e livre de qualquer coacção, faço por este meio e meu testamento e disposições de última vontade, para que se cumpram e respeitem tais como passo e enunciar:
Sou Católica Apostólica Romana e, como tal, quero que o meu enterro se realize em obediência ao que manda a Santa Madre Igreja. O meu Corpo deverá ser sepultado no Cemitério de Agramonte, desta cidade, onde repousam as cinzas de meus pais e meu marido.
Quanto aos bens que possuo e existam à data da minha morte, são eles assim distribuídos:
-O meu violoncelo “Stradivarius”juntamente com dois arcos, um “Tourte” e outro “Voirin”, que se encontram na posse da Embaixada Inglesa em Lisboa, será enviado pelo nosso Embaixador à casa Hills de Londres, a fim de ser por ela adquirido ou vendido pelo melhor preço que se obtenha e o seu produto entregue à “Royal Academy of Music”, que o aplicará, segundo o melhor critério, por forma que o rendimento daí obtido se destine à criação de um prémio denominado “Guilhermina Suggia”, a atribuir, anualmente, ao melhor aluno de violoncelo,
-Possuo outro violoncelo, “Montagnana”, que igualmente será vendido pelo melhor preço, quantia essa que lego ao Conservatório de Música do Porto – através da Câmara Municipal do Porto, se o dito Conservatório continuar a pertencer-lhe, ou do Estado, se porventura ele passar a ser nacional – a fim de, com o rendimento deste legado, se instituir, também, um prémio designado “Guilhermina Suggia”, a atribuir, em cada ano, ao melhor aluno de violoncelo do referido Conservatório. Nesta venda será dada preferência à Senhora Dona Maria Alice Ferreira, filha do Senhor Delfim Ferreira, morador na Rua Dom João Quarto, duzentos e trinta e nove, desta cidade, se esta, na devida altura, pretender adquiri-lo.
Lego, ainda, ao mesmo Conservatório, a minha biblioteca musical – material de orquestra e literatura de violoncelo -, objectos esses a que será dada instalação condigna, para que, dessa forma, o culto, que eu toda a minha vida dediquei à arte musical, perdure e sirva de incentivo a todos – Mestres e Discípulos – que à Arte se dedicam.-

O meu violoncelo “Lockey Hill” lego-o ao Conservatório Nacional de Lisboa, como homenagem a meu pai, que foi aluno desse Conservatório.
-Ao meu criado António Igregias da Silva, deixo o meu automóvel Renaul – NN-cinquenta-zero-zero-, como testemunho de reconhecimento pela dedicação para com meu marido, e, bem assim, as ferramentas e utensílios que se encontrem na minha garagem, legado este que deixará de subsistir se eu, antes da minha morte, tiver transferido para esse dito criado o automóvel e utensílios em referência.
À Excelentíssima Senhora Dona Ernestina da Silva Monteiro, professora de piano, residente na Praça Mouzinho de Albuquerque, sessenta e nove, desta cidade, lego o meu piano de cauda “Franz Arnold”, que se encontra no salão da minha casa.
Mais lego à Excelentíssima Senhora Dona Maria Adelaide de Freitas Gonçalves, professora do Conservatório do Porto, a quantia de cinquenta mil escudos, em dinheiro, como lego, também, a quantia de vinte mil escudos à Sociedade Protectora dos Animais, desta cidade.
Quanto ao prédio que possuo e me pertence na Rua da Alegria, número seiscentos e sessenta e cinco, desta cidade, lego-o em usufruto a Dona Isabel Pereira Caldas Vilarinho de Carvalho Cerqueira, moradora na Rua Álvares Cabral, número cinquenta, desta cidade, e a raiz do mesmo ao Colégio Ultramarino das Missionárias de Maria, em Arcozelo, Barcelos, para, com o seu produto, auxiliar a construção de uma capela destinada ao culto privativo desse dito Colégio. Se, porém, à data em que o legado for recebido, essa capela tiver sido já construída, será o mesmo aplicado, a quaisquer fins inerentes ao exercício do culto.
Em documento que fiz, por mim escrito e assinado, contém-se a disposição de vários objectos mobiliários que possuo, documento esse que se cumprirá inteiramente, a menos que, antes da minha morte, eu resolva transferir tais objectos para os respectivos beneficiários.
Todos os legados instituídos e que não sejam, por Lei, isentos de imposto sucessório, são feitos sem quaisquer encargos, pelo que estes sairão do remanescente da minha herança.
Os valores que, porventura, existam, à minha morte no Westminster Bank Limited, de Londres lego-os a Miss Muriel Collins, moradora no número quarenta e nove Campden Hill Square – London, para esta lhe dar o destino, conforme as instruções que de mim tenha recebido.
Finalmente, e uma vez cumpridos todos os legados, que aqui ou em documento separado eu tenha instituído, disponho dos restantes bens a favor de Dona Isabel Pereira Caldas Vilarinho de Carvalho Cerqueira, atrás referida, a quem deixo, portanto, o remanescente da minha herança.
Para testamenteiros, que executarão fielmente todas as disposições da minha vontade, nomeio: Alberto Carlos de Carvalho Cerqueira, casado, residente na Rua Álvares Cabral, número cinquenta, desta cidade. Miss Muriel Tait, solteira, de nacionalidade inglesa, residente na Rua de Entrequintas, número cento e cinquenta e cinco, desta mesma cidade, e o Doutor Alberto Pires de Lima, casado, advogado, residente na Rua de Naulila, número duzentos e vinte e um, também desta cidade.
Assim, dou por terminado este meu testamento, escrito a meu rogo, para que se cumpra tal como nele se contém e revogo qualquer outro anterior que eu haja feito.
Porto, Vinte e dois de Junho de mil novecentos e cinquenta
Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia Carteado Mena

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setembro 05, 2006

A MÃE ELISA JUNTO ÀS MURALHAS DO CASTELO DE LINDESFARNE

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Publicado por vm em 06:12 PM | Comentários (0)

setembro 04, 2006

CONVITE AOS ASSOCIADOS DA ASSOC. GUILHERMINA SUGGIA

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Publicado por vm em 11:28 AM | Comentários (0)

setembro 02, 2006

GUILHERMINA SUGGIA: Provavelmente a maior Violoncelista de sempre

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O PROVINCIANISMO PORTUGUÊS - E SOBRETUDO DA SUA CIDADE NATAL - NUNCA A MERECEU.

Publicado por vm em 06:10 PM | Comentários (1)