março 31, 2005

AO MESMO TEMPO TOMANDO LIÇÕES COM DAVID POPPER, COMO MESTRE

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Karlsbad, 9/7/1905
Estou em Karlsbad convidada por uma distinta família e estou ao mesmo tempo tomando lições com David Popper como mestre.
Este maestro (Martin Spörr) é quem dirige o meu concerto em Vienna. Lembranças
G.S.
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

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março 30, 2005

JULIUS KLENGEL - PROFESSOR DE GUILHERMINA SUGGIA EM LEIPZIG

• 1859-1933)
Nasceu em Leipzig, numa família de várias gerações de músicos profissionais.
Teve as primeiras lições de música com o pai e as primeiras lições de violoncelo com Emil Hegar, violoncelista principal da Orquestra da Gewandhaus, tendo sido aluno de Grützmacher e de Davidov.
Com 15 anos integra a famosa Orquestra da Gewandhaus, sendo o violoncelista principal de 1881 a 1924. Furtwängler dirigiu o Concerto de Jubileu dos 50 anos de Klengel como violoncelista dessa Orquestra.
Em 1881 é nomeado também Real Professor do Conservatório de Leipzig.

Viajou por toda a Europa como solista e como membro do Quarteto da Gewandhaus. Era admirado pelo seu estilo de fina sensibilidade e pela impecável técnica, particularmente nas sonatas de Beethoven e nas suites para violoncelo solo de Bach.
O seu conhecimento de música de câmara era vastíssimo, dizendo-se que conhecia a participação de cada instrumento, no reportório comum. É também sabido que Klengel acompanhava os seus alunos ao piano, tocando tudo de memória.

Como compositor escreveu bastante para o seu instrumento: quatro concertos para violoncelo e orquestra, dois concertos para dois violoncelos, dois concertos para violoncelo e violino, uma sonata, caprichos e um hino para 12 violoncelos dedicado à memória do maestro Arthur Nikisch, para além de exercícios de técnica para o violoncelo.

Fez edições de sonatas e concertos do reportório clássico e uma edição das suites para violoncelo solo de Bach, que ainda é usada. É um equívoco considerar que Casais foi o primeiro a trazer as suites de Bach a público.
Klengel fazia os seus alunos tocarem as suites de Bach desde 1880.
As sonatas de Beethoven também faziam parte desses estudos.

Klengel é lembrado como excepcional professor. Nos seus anos de ensino no conservatório de Leipzig teve como alunos famosos Emmanuel Feuermann, Paul Grümmer, Joachim Stutschewsky, Edmund Kurtz, Gregor Piatigorsky, William Pleeth... e, claro, Guilhermina Suggia. O Conservatório de Música de Leipzig era famoso pela exigência de ensino e pela exigência na selecção de alunos.
Sobre Klengel declara Pleeth que «o que eu gostava nele, era ser, de facto, um homem muito simples. Não tinha caprichos, nem sofisticação. Era muito honesto e eu gostava muito dele por isso. Klengel nunca nos encorajou a copiar, e se se reparar nos muitos tipos de interpretação dos seus alunos constata-se que somos todos muito diferentes”

do livro " GUILHERMINA SUGGIA. A Sonata de Sempre", de Fátima Pombo

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março 29, 2005

...MUITO BOAS FESTAS LHE DESEJA A SUA AMIGA

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Munique, 29/5/1905
Saudades lhe envio de Munique e muito boas festas lhe deseja a sua amiga
G. Suggia
/Cedido por Prof Elisa Lamas)

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março 28, 2005

À MINHA MUITO TALENTOSA COLEGA...

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"O maior mérito que uma pessoa talentosa pode ter, é partilhar o seu talento com os outros."(Leonardo da Vinci)

À minha muito talentosa colega, Guilhermina Suggia, como recordação da sua estada em Franckfurt
Hugo Becker

do livro "Guilhermina Suggia A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

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março 27, 2005

GRANDE SUCESSO!

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Hamburg, 27/3/1905
Grande Sucesso!
Abonnement Conzert regido por Fiedler.
Sua amiga
G. Suggia
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

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março 26, 2005

RECEPÇÃO EM HONRA DE MALCOLM SARGENT

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Fotografia tirada na Associação Britânica do Porto, em 26/1/1943, na recepção dada em honra de Malcolm Sargent

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março 25, 2005

...PARECE UM SONHO!

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Paris,3/3/1905
Cheguei hoje a Paris.
Agora é que eu digo, parece um sonho!
Por enquanto não lhe posso dizer para onde me hade escrever pois estamos arranjando ainda pensão.
Sua irmã
Virgínia Suggia
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

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março 24, 2005

PROF ERNESTINA DA SILVA MONTEIRO

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Aqui vemos, na Quinta dos Girassóis em Barreiros da Maia, a pianista e professora D Ernestina da Silva Monteiro, que tantas vezes acompanhou Guilhermina Suggia em recitais.

Suggia deixa-lhe em testamento um dos seus pianos: " À Excelentíssima Senhora Dona Ernestina da Silva Monteiro, professora de piano, residente na Praça Mouzinho de Albuquerque, sessenta e nove, desta cidade, lego o meu piano de cauda "Franz Arnold" que se encontra no salão da minha casa".
(Cedido por Isabel Millet)

Publicado por vm em 10:17 AM | Comentários (2)

março 23, 2005

LEMBRANÇAS DA MAMÃ

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Frankfurt, 14/3/1905
Muitos cumprimentos à minha Ex.ma cunhada e sobrinhos. Saudades. Sua mana m.to amiga
G.Suggia
Lembranças da mamã
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

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março 22, 2005

GUIL E VIRGI

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Aqui se vê Guilhermina Suggia com o violoncelo 3/4 mandado vir de Paris pelo Visconde d'Allen.

(Cedido por Isabel Millet)

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março 21, 2005

NA ASSOCIAÇÃO BRITÂNICA DO PORTO- RECEPÇÃO EM HONRA DE MALCOLM SARGENT

Os salões da Associação Britânica (“Feitoria Inglesa”) — centenária colectividade de tão honrosas tradições—abriram-se ontem, de tarde, para receber o
prestigioso maestro Malcolm Sargent, que hoje, à noite, num concerto a efectuar no Teatro Rivoli, vai dirigir a Grande Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, com a colaboração da ilustre violoncelista Guilhermina Suggia.

Às 17 horas, nos confortáreis e aristocráticos salões da «Feitoria, registava-se grande movimento de convidados. Além de numerosas senhoras britânicas e portuguesas e de categorisados membros da Colónia Inglesa. Viam-se os srs. drs. António Joice, que representava o sr. Governador Civil; capitão António Miranda, pelo sr. Comandante da 1ª' Região Militar; engenheiro Albano Sarmento, presidente da Municipalidade portuense; representante do Chefe do Departamento Marítimo; coronel Namorado de Aguiar, comandante da Polícia de Segurança: dr. Pereira Salgado, Reitor da Universidade do Porto; António de Oliveira Calem, presidente da Associação Comercial; Engº Custódio Guimarães, pela Liga dos Combatentes da Grande Guerra; Engº Costa Lima, director do Instituto do Vinho do Porto; D. Guilhermina Suggia; Drs Oliveira Lima, Alfredo de Ataíde, Vasco Valente, Antero de Figueiredo, Carteado Mena, Angelo Vaz e Castelo Branco; Carlos Mello; D. Maria Adelaide de Freitas Gonçalves, directora do Conservatório de Música; Conde de Campo Belo; padre Guimarães Dias;Conde de Aurora; José Rosas Júnior, Francisco Manuel Fernandes Borges; Raul Lello: Joaquim Vasques de Carvalho; Fernando de Castro; Freitas Gonçalves, etc.
O sr. Hockins, Director da «Sala Inglesa”, da Universidade do Porto, saudou, em Inglês, o maestro Malcolm Sargent, a artista Guilhermlna Suggia, e os professores da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional.
A seguir, Malcolm Sargent agradeceu a. saudação e exprimiu o seu contentamento em dirigir um concerto no Porto. pois não ignorava que o público portuense era muito exigente em assuntos de arte musical.
A recepção em honra de Malcolm Sargent — individualidade eminente no mundo musical britânico — foi promovida pela Sala Inglesa da Universidade do Porto, tendo, para tal fim, a Direcção da Associação Britânica cedido gentilmente os seus salões. Decorreu animadamente e com distinção.

1º de JANEIRO, 27/1/1943

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março 20, 2005

A CASA DO LEÃO

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Esta é a mesma casa onde Guilhermina Suggia viveu com os pais, em Matosinhos, tal como é hoje.
(Cedido por Isabel Millet)

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março 19, 2005

DICIONÁRIO NO FEMININO ( SÉCULOS XIX-XX)

Foi recentemente editado por Livros Horizonte, com apoios de Assembleia da República, Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, Fundação Calouste Gulbenkian, FCT- Fundaçãp para a Ciência e a Tecnologia e Instituto Camões, com direcção de Zília Osório de Castro e João Esteves e Coordenação de António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu e Maria Emília Stone, o "DICIONÁRIO NO FEMININO".

GUILHERMINA SUGGIA, uma das mulheres que mais honrou Portugal, e que viveu entre 1885 e 1950, é ignorada. Lamentamos e ficamos tristes. Esperamos que numa futura edição esta lacuna seja preenchida.

" Projecto colectivo de mais de seis dezenas de estudiosos/as, oriundos de diversas áreas do saber, o Dicionário no Feminino tem como finalidade dar a conhecer mulheres de diferentes gerações e meios que lutaram para alterar a sua condição legal, social, política, económica, cultural, religiosa e familiar na sociedade portuguesa. Composto por cerca de três mil entradas, procurou abarcar a imprensa feminina do século XIX e primeiras décadas do século XX, congregações religiosas, associações, instituições, organizações de mulheres e nomes com sensibilidades e protagonismos antagónicos, de forma a fazer sobressair o maior número de aspectos da intervenção pública feminina, muita dela ignorada ou silenciada, como se as mulheres não tivessem passado, não fossem portadoras de memória e não lhes coubesse o seu quinhão no devir histórico. Parte dos nomes publicitados só agora começam a ser identificados e a merecer atenção. Malgrado as omissões, lacunas e insuficiências, é possível encontrar nele actrizes, cantoras líricas, católicas, comunistas, condessas, deputadas, dirigentes associativas, domésticas, escritoras, feministas, jornalistas, liberais, maçónicas, marquesas, mestras de Escolas Régias de Primeiras Letras, miguelistas, monárquicas, operárias, presas políticas, professoras, rainhas, republicanas, resistentes e socialistas, a par de muitas anónimas que não se integram nestas classificações. O Dicionário continua aberto à colaboração de todos/as que queiram corrigir ou acrescentar dados, discordem de interpretações propostas ou queiram cooperar com outras entradas e novos conteúdos. Concebido como uma obra aberta, deseja-se que constitua um ponto de partida para outras investigações."

De quem é, afinal, a culpa de Guilhermina Suggia ser ignorada no seu próprio país?


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março 18, 2005

TALVEZ PENSE IR A LISBOA NOS FINS DE ABRIL

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Hamburg, 13/3/1905
Como é bonito este sítio, não é?
Talvez pense ir a Lisboa nos fins do mez de Abril. Tenho imensa pena que o Imperador vá já, pois era uma bôa occasião de me fazer ouvir pelo imperador. Saudades
G.Suggia
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

Publicado por vm em 10:12 AM | Comentários (0)

março 17, 2005

CASA DE MANHUFE, EM MATOSINHOS, ONDE SUGGIA VIVEU COM OS PAIS

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A CASA DO LEÃO, como é conhecida. Aqui começou Suggia a aprender a tocar violoncelo com seu pai, Augusto Suggia. Daqui saiu para ir estudar com Julius Klengel, em Leipzig.

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março 16, 2005

NO DIA 10 TOCO EM CASA DO SNR VISCONDE DE PINDELLA

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Berlim, 8/3/1905
No dia 10 toco em casa do snr. Visconde de Pindella. Estão convidados muitos fidalgos. Estamos n'este hotel que é riquissimo.
Saudades
Sua mana
G. Suggia
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

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março 15, 2005

O FUNERAL DE GUILHERMINA SUGGIA ONTEM REALIZADO NO PORTO CONSTITUIU UMA SENTIDA MANIFESTAÇÃO DE PESAR- DN, 2/8/1950

Porto, 1 – O funeral da insigne violoncelista Guilhermina Suggia constituiu uma sentida manifestação de pesar. Desta cidade pode dizer-se que não deixou de prestar homenagem à grande artista um só dos vultos de maior destaque em todos os meios; do País, do norte e do sul, estiveram presentes ou fizeram-se representar todas as autoridades, todos os organismos e individualidades ligadas à Arte Musical. E o Chefe do Estado, o Presidente do Conselho e o Governo, por intermédio do sr. Prof. Dr. Fernando Pires de Lima, ministro da Educação Nacional, prestaram também a sua última homenagem à figura rara e excelsa que tão bem, tão nobremente, prestigiou o nome de Portugal.

A saída do préstito estava marcada para as 11,30, mas muito antes já se encontravam em casa da ilustre extinta, à Rua da Alegria, numerosas individualidades, entre as quais os srs. Dr. Antunes Guimarães, presidente da comissão distrital da União Nacional, que representava o chefe do Distrito; presidente da Câmara Municipal; D. Maria Adelaide Diogo de Freitas Gonçalves, directora do Conservatório de Música do Porto, representando também o Círculo de Cultura Musical; dr. Fernando Aroso, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos; prof. Filipe Loriente, pela Orquestra Sinfónica Nacional; prof dr. Amândio Tavares, reitor da Universidade; prof. Luís Costa, director do Orfeão Portuense, representando a srª D. Elisa de Sousa Pedroso; presidente do Círculo de Cultura Musical de Lisboa; D. Helena de Sá e Costa, com a representação dos professores do Conservatório Nacional de Lisboa; António Russell de Sousa, pela União Nacional; maestro Afonso Valentim, prof. Dr. Jaime Rios de Sousa, dr. Sarmento Beires, da Faculdade de Ciências; dr. Alberto Pires de lima, vereadores e chefes de serviços municipais, professores do Conservatório do Porto, discípulos de Guilhermina Suggia, entre os quais a sra. D. Maria Alice Ferreira.
Muitas coroas de flores cobriam e rodeavam a urna, vendo-se entre elas as enviadas pelos srs. Presidente do Conselho, Embaixador de Inglaterra, Governador Civil do Porto, Câmara Municipal, Consulado do Porto da Grã-Bretanha, Associação Luso-Britânica, Círculo de Cultura Musical, violoncelistas da Emissora Nacional e por muitos membros da colónia britânica. Pouco depois da chegada do sr Ministro da Educação Nacional, o rev. Matos Soares, pároco da freguesia de Nossa Senhora da Conceição, fez encomendação do corpo, iniciando-se a seguir o saimento fúnebre. As borlas pegaram as discípulas da grande violoncelista. Uma viatura dos Bombeiros Voluntários do Porto coberta com ramos e coroas de flores, postada atrás do carro fúnebre, encabeçava o extenso préstito constituído por dezenas de automóveis, conduzidos por aquelas entidades, enquanto a pé, seguiam centenas de pessoas. À entrada da Igreja da Lapa pegaram as borlas os srs. Prof. Drs. Fernando Pires de Lima e Amândio Tavares, dr. Antunes Guimarães e António Maria Pinheiro Torres e coronel Licínio Presa. A missa de corpo presente foi celebrada pelo rev. Luís Rodrigues, tomando lugares na capela-mor, além das individualidades já referidas, os srs. Brigadeiro Nunes da Ponte, Ricardo Spratley, tenente Rodrigues, representando o comandante da I Região Militar; prof dr Adriano Rodrigues, mestre Joaquim Lopes, director da Escola de Belas-Artes; dr. Sousa Costa, engº Rebelo Bonito, D. Berta Alves de Sousa, prof. Dr. Hermenegildo Queirós e engº Daniel Barbosa. Durante a missa fizeram-se ouvir a Orquestra Sinfónica do Porto, sob a regência do maestro Frederico de Freitas; o coro feminino do Conservatório de Música do Porto e as cantoras do Postigo do Sol. Após os responsos organizou-se o cortejo a caminho do cemitério de Agramonte, pegando as borlas à saída do templo as sras. D. Adelaide de Freitas Gonçalves, D. Berta Alves de Sousa, D. Ernestina da Silva Monteiro, D. Stela Cunha, D. Maria Amélia Cruz e D. Helena Moreira de Sá, e os srs. Profs. Luís Costa, Henri Mouton, François Broos, maestro Afonso Valentim, Cláudio Carneiro, Alberto Carneiro e Catarina Carneiro.
A urna ficou depositada em jazigo de família, onde se encontram os restos mortais de seus pais e do marido da extinta. A chave da urna foi entregue ao sr. Ministro da Educação Nacional, que, por seu turno, a entregou ao sr. Dr. Alberto Pires de Lima, um dos testamenteiros de Guilhermina Suggia.

HOMENAGEM BRITÂNICA EM LISBOA
A Embaixada da Inglaterra manda hoje celebrar missa de sufrágio, às 11 horas, na Igreja do Corpo Santo, em Lisboa, por alma de Guilhermina Suggia.

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março 14, 2005

ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA

Após várias objeções que foram levantadas pelo Registo Nacional de Pessoas Colectivas, quanto ao uso do nome de Guilhermina Suggia na Associação, foi finalmente passado o certificado de admissibilidade autorizando o nome da associação.
O passo seguinte será o da constituição da escritura pública.
Venham mais associados e, sobretudo, pessoas com ideias e vontade de trabalhar no projecto.

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março 09, 2005

PAÍS RELATIVO, de ALEXANDRE O'NEILL

A ESTE PAÍS QUE TEIMA EM DESCONHECER GUILHERMINA SUGGIA e A NÃO AUTORIZAR O USO DO SEU NOME NUMA ASSOCIAÇÃO

PAÍS RELATIVO

País por conhecer, por escrever, por ler...

País purista a prosear bonito
A versejar tão chique e tão pudico,
Enquanto a língua portuguesa se vai rindo
Galhofeira, comigo.
...
país engravatado todo o ano
e a assoar-se na gravata por engano.
...
País amador do rapapé,
do meter butes e do parlapié,
que se espaneja, cobertas as miúdas,
e as desleixa quando já ventrudas.

O incrível país da minha tia,
Trémulo de bondade e de aletria

Moroso país da surda cólera
Do repente que se quer feliz
...
País do eufemismo, à morte dia a dia
Pergunta mesureiro: - Como vai a vida?

País dos gigantones que passeiam
A importância e o papelão,
Inaugurando esguichos no esgonço
Do gesto e do chavão.

E ainda há quem os ouça, quem os leia,
Lhes agradeça a fontanária ideia
...
Nhurro país que nunca se desdiz.
...
A Santa Paciência, país, a tua padroeira,
Já perde a paciência à nossa cabeceira

País pobrete e nada alegrete,
Baú fechado com um aloquete
Que entre dois sudários não contém senão
A triste maçã do coração
País das troncas e delongas ao telefone
Com mil cavilhas para cada nome
...
Embezerra país, que bem mereces,
Prepara, no mutismo, teus efes e teus erres.
...
Estrela trepa trepa pelo vento fagueiro
E ao país que te espreita, vê lá se o vês inteiro.

Hexágono de papel que o meu pai pôs no ar,
Já o passo a meu filho, cansado de o olhar...

No sumapau seboso da terceira,
Contigo viajei, ó país por lavar,
Aturei-te o arroto, o pivete, a coceira,
A conversa pancrácia e o jeito alvar

Senhor do meu nariz, franzi-te a sobrancelha;
Entornado de sono, resvalaste para mim.
Mas também já me ofereceste a cordial botelha,
Empinada que foi, tal e qual clarim!

Alexandre O'neill

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março 08, 2005

TESTEMUNHO DE FRANÇOIS BROOS

Guilhermina Suggia era uma grande violoncelista. Sobretudo uma enorme Artista. Enorme intérprete. O que eu gosto mais é da interpretação do Artista. A técnica faz muita falta. Há músicos que têm uma técnica estupenda mas sem musicalidade. E a musicalidade faz falta. Era isso que Suggia tinha: Grande técnica e enorme musicalidade. Expressão extraordinária. Um bocado teatral. Mas era o temperamento dela. Gostei muito de trabalhar com ela. E a amizade! Tínhamos uma enorme amizade . que posso dizer mais de Suggia?! Ela fez alguns bons alunos também. Mas Suggia para mim era... Já não há. Já não há. Há grandes violoncelistas. Há uma grande escola de violoncelistas, mas nada faz esquecer Suggia. Era também uma grande personalidade. Muito culta!
De Suggia não posso dizer nada mais. Só posso dizer que tive por ela toda a minha admiração

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março 07, 2005

O FUNERAL DE GUILHERMINA SUGGIA CONSTITUIU UMA GRANDIOSA HOMENAGEM DE SAUDADES- JN, 2/8/1950

Como era de calcular, o funeral da insigne Artista Guilhermina Suggia, ontem realizado, atingiu verdadeira imponência. Não foi apenas o elemento oficial que tomou parte nas cerimónias. Foi todo o Porto, representado pelos elementos mais destacados de todas as classes sociais, foi o próprio Povo, que sentiu que com a morte da excepcional violoncelista, desapareceu uma alta figura nacional, das que mais distintamente encarnam o génio da Nação – a alma da Pátria.

A alta burocracia, o alto e o baixo comércio, a indústria, as profissões liberais, dezenas de corporações associativas estiveram presentes, acompanhando por intermédio dos seus delegados o cortejo fúnebre, da casa da Rua da Alegria para a Igreja da Lapa e daqui para o cemitério de Agramonte, onde o corpo ficou inumado.

O préstito saiu da residência da extinta pouco depois das 11 horas, onde estivera velado, durante a noite e as primeiras horas da manhã, por individualidades oficiais e representantes de diversos organismos. De sobre a urna foram retirados os inúmeros “bouquets” e ramos de flores que lá haviam sido colocados, oferecidos por incontáveis amigos e admiradores da extinta. Entre esses testemunhos de homenagem, figurava um “bouquet” enviado pelo sr. Presidente do Conselho, e outros enviados por organismos musicais, Câmara do Porto, Governador Civil, Cônsul e Consulesa de Inglaterra, D. Maria Borges, D. Maria Alice Ferreira, etc.

Em casa fez a encomendação do corpo o Abade da freguesia da Senhora da Conceição, sendo a urna conduzida imediatamente para um auto-fúnebre, seguido por um pronto socorro dos Voluntários do Porto, que transportava as flores. Nesse momento pegaram as borlas do caixão os discípulos da Artista.
Organizado o cortejo seguiu este, com dezenas e dezenas de automóveis e com muitas pessoas a pé, até à Igreja da Lapa, precedido por uma motocicleta da P.S.P.. Num dos automóveis seguiu o sr Ministro da Educação Nacional que representava o Chefe do Estado, o Presidente do Conselho e o Governo.

À entrada do templo pegaram as borlas o titular da Educação, o Reitor da Universidade, o dr. Antunes Guimarães, o dr. A.M. Pinheiro Torres e o sr. Russel de Sousa. Enquanto a urna foi colocada sobre uma eça, aquelas individualidades tomavam lugar, com muitas outras do lado da Epístola , vendo-se do lado do Evangelho as Pequenas Cantoras do Postigo do Sol, com o seu maestro Virgílio Pereira. Em outros lugares ficaram colocadas muitas outras individualidades representativas.

Rezou a missa de corpo presente o reitor da igreja, e durante a celebração a Orquestra do Conservatório executou, dirigida por Frederico de Freitas, várias composições adequadas o coro feminino do Conservatório cantou “Crucifixus” e as Pequenas Cantoras entoaram diversas peças corais.

Findas as cerimónias religiosas, e ainda ao som da Marcha Fúnebre, o cortejo voltou a organizar-se, a caminho de Agramonte. Houve novo turno, com pessoas ligadas à arte Musical, e no cemitério, quando se fechou o caixão, a chave foi entregue ao sr Ministro da Educação Nacional, que por sua vez a entregou ao sr. Dr. A. Pires de Lima, testamenteiro da Artista.
As representações foram em grande número. Além das que já mencionámos, havia as do Embaixador da Inglaterra, pelo Cônsul, o Instituto Britânico em Lisboa, pelo sr. Riekett, o Comandante da Região, o Presidente da Câmara de Lisboa, a Academia de Música da Madeira, os srs W.S. Clode, engº P. Clode e Fernando Lopes Graça, pelo maestro Virgílio Pereira, o Coral Feminino do Porto pela sua regente, a profª D. Stela Cunha, etc.

JORNAL DE NOTÍCIAS, 2 de Agosto de 1950



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março 04, 2005

UN ENTHUSIASMO DELIRANTE

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Wien, 4/3/1905
O concerto d'hontem em Praga foi mais um triumpho para mim. Um enthusiasmo delirante.
Fallei com a filha do Dvorak que me disse que a interpretação era exactamente como seu pae a desejava. Também fallei com a irmã e sobrinha do Popper.
Hoje já li em Wienna algumas critiquas esplendidas que classificam como a melhor interprete de Dvorak.
G.Suggia
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

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março 03, 2005

GUILHERMINA SUGGIA EM 1948

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do livro " GUILHERMINA SUGGIA A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

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março 02, 2005

ESTAMOS DE VIAGEM PARA A BOHÉMIA.

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Stuttgard, 2/3/1905
Muitas saudades lhe envio de Stuttgard. Estamos em viagem para a Bohémia.
Guilhermina Suggia

(Cedido por prof Elisa Lamas)

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março 01, 2005

A MORTE DA INSIGNE VIOLONCELISTA FOI MUITO SENTIDA EM AVEIRO - "1º de Janeiro "2 de Agosto de 1950

AVEIRO,1 – Foi muito sentida nesta cidade a morte da insigne violoncelista Guilhermina Suggia que em Aveiro contava muitos admiradores e em 31 de Maio, aqui celebrou um inolvidável concerto, o último concerto que efectuou no nosso país.

Nessa ocasião, no teatro onde se realizou o concerto, foi descerrada uma lápide, em homenagem à grande artista. Essa lápide, ontem em sinal de sentimento, esteve coberta de crepes.

A Câmara Municipal, na sua sessão, aprovou um voto de profundo pesar pela perda de Guilhermina Suggia e a direcção do Círculo e Cultura Musical, em Aveiro, fez-se representar no funeral.

1º de JANEIRO, 2 de Agosto de 1950

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