fevereiro 28, 2005

EDIFÍCIO AONDE EU VOU TOCAR NO DIA 4 DE MARÇO, EM WIENNA

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Strassburg i/Els 28-2-1905
Recebi agora mesmo o seu lindo bilhete postal com o seu retrato. Que bem que está com a Viola d'Amour; já o mostrei aqui e gostaram muito. Este edificio é aonde eu vou tocar no dia 4 de Março a Wienna.
É um dos convites mais importantes, é o de Wienna
Sua mana
G.S.
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

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fevereiro 27, 2005

TALVEZ VOLTE A WIENNA PARA ALGUM CONCERTO

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Munique, 22/2/1905
Chegamos hontem à noite aqui. Munique é muito importante. Talvez volte breve a Wienna para algum concerto. Acceite muitas saudades d'esta sua mana muito amiga
Guilhermina

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fevereiro 26, 2005

O CÃO NA CASA VERDE

O CAO CASA VERDE.jpg
O livro de Isabel Millet O Cão na Casa Verde já está nas Livrarias. Uma ficção extraída da realidade, comentou a autora, inspirada em vivências de infância, passada na casa de Guilhermina Suggia. Paula Rego, que ilustra a capa, foi uma das leitoras privilegiadas do original e manifestou, desde logo, o seu entusiasmo por esta obra.

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fevereiro 25, 2005

GUILHERMINA SUGGIA- O FUNERAL DA EMINENTE ARTISTA - "O 1º de Janeiro" de 2/8/1950

O funeral da grande violoncelista Guilhermina Suggia, ontem realizado da Igreja da Lapa para o cemitério de Agramonte, constituiu uma expressiva manifestação de pesar, uma demonstração de elevada admiração e apreço pelos altos méritos da insigne artista que, honrando a cidade do Porto, de onde era natural, tão brilhantemente soube prestigiar o país no panorama mundial da requintada arte da música.

Pouco depois das 11 horas chegou à residência da eminente artista o sr Ministro da Educação Nacional, que representava o chefe do Estado, o Presidente do Conselho e o Governo.

A seguir o rev. Padre Matos Soares, pároco da freguesia de N.Senhora da Conceição, leu os responsos, depois do que a urna, contendo os restos mortais de Guilhermina Suggia, foi colocada num auto-fúnebre em que seguiu para o templo da Lapa, completamente cheio, acompanhada de um pronto-socorro dos Bombeiros Voluntários do Porto, que transportava ramos de flores e de numerosos automóveis conduzindo pessoas de elevada representação social.

Da sala mortuária até ao auto-fúnebre seguraram as borlas da urna as discípulasda grande artista.

Após a chegada à igreja da Lapa do cortejo fúnebre, que abria com um motociclista da Polícia de Segurança Pública, organizou-se um turno até ao transepto, pegando as borlas da urna o sr Ministro da Educação Nacional, reitor da Universidade, represenantes do chefe de distrito, da União Nacional e do S.N.I. e o Presidente do Município.

Do lado da “Epístola” ocuparam lugar várias individualidades de entre as quais os srs. Comandante João Pais e dr Fernando Aroso. Do lado do “Evangelho” viam-se as Pequenas Cantoras do Postigo do Sol, com o maestro Virgílio Pereira. Noutros lugares, viam-se, entre outros, os srs. Brigadeiro Nunes da Ponte, Prof Engº Daniel Barbosa, prof.dr. Adriano Rodrigues, D. Maria Vaz Fernandes Borges, D. Maria Alice Ferreira, professor Joaquim Lopes, Prof dr. Hermenegildo Queirós, dr Sousa costa, capitão António Graça,, prof. Dr Sarmento Beires, Raul de Caldevila, Gabriel Ferreira Marques, António Dias, António Pinto Machado, Manuel Matos, Artur Corte-Real, François J Bross, maestro AfonsoValentim, maestro Raul de Lemos, dr Carlos Costa, prf Filipe Loriente, Delfim Ferreira, Maxwell Graham, G. Tait, Neville Kendall, Prof Dr Hernâni Monteiro, etc.

A missa de corpo presente foi celebrada pelo reitor da Igreja da Lapa rev padre Luís Rodrigues e durante a cerimónia a Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto, sob a regência do maestro Frederico de Freitas, executou a “Marcha Fúnebre”, “Sinfonia Heróica” de Beethoven, “Prelúdio” de J.S. Bach e, à saída da urna, a “Marcha Fúnebre” de Chopin. O Coro Feminino do Conservatório cantou “Crucifixus”, de “Missa em si menor” de Bach e as “Pequenas Cantoras do Postigo do Sol”, entoaram “Sepulto, Domino” de Victoria e “Jesus, oh maestre”, de Bach.

No final dos responsos, organizaram-se dois turnos do interior do templo para o auto-fúnebre, tendo segurado as borlas da urna, D. Berta Alves de Sousa, D. Ernestina da Silva Monteiro, D. Stela Cunha, D. Helena Moreira de Sá e Costa, D. Maria Adelaide de Freitas Gonçalves, professores Luís Costa, Cláudio Carneiro, Alberto Pimenta, Afonso Valentim, François Bross e Henri Mouton e Catarina Carneiro.

A chave da urna foi entregue ao sr Ministro da Educação que, por sua vez, a entregou a um dos testamenteiros da extinta.
O cortejo fúnebre dirigiu-se, com acompanhamento numeroso, ao cemitério de Agramonte onde a urna ficou depositada em jazigo de família, coberta de flores.

REPRESENTAÇÕES
Fizeram-se representar: o sr. Embaixador da Grã-Bretanha pelo sr vice-cônsul H.J.Griffith; o chefe do Distrito pelo sr. Dr. João Antunes Guimarães; o comandante da 1ª Região Militar pelo tenente sr Rodrigues; a Câmara Municipal de Lisboa e o Município do Porto pelo seu Presidente sr. Coronel Licínio Press; a União Nacional pelo sr. António Russel de Sousa; a Srª Elisa de Sousa Pedroso, a Sociedade de Concertos, a Orquestra Filarmónica de Lisboa e Sociedade Coral Duarte Lobo pelo sr. Prof Luís Costa; o Instituto Britânico no Porto pelo sr Rickett; o Orpheon Portuense pelo sr. Fernando Moreira de Sá, António Amorim Pinto e Luís Costa; os professores do Conservatório de Lisboa D. Maria Cristina Lino Pimentel e Jorge Croner de Vasconcelos e pela srª D. Helena Moreira de Sá e Costa; o Círculo de Cultura Musical do Porto pelo sr. Ricardo Spratley e D. Maria A. de Freitas Gonçalves; a Associação Industrial Portuense e o Rotary Clube do Porto pelo sr.Rodrigo Ferreira Dias; a Sociedade dos Escritores e Compositores Teatrais e o maestro Jaime Silva, filho, pelo sr. Francisco Correia; o Centro Universitário da M.P. pelo prof. Sr. Dr. Jaime Rios de Sousa; a Empresa Artística do Coliseu do Porto pelo sr. João Silva; o Coro de Câmara Poliphonya pelo engº sr. Rebelo Bonito; a Sociedade de Concertos e a Sociedade de Concertos da Madeira, William e Luís Clode e professor Lopes Graça pelo maestro Virgílio pereira, etc.
Sobre a urna foram depostas coroas e “bouquets” de flores oferecidas pelo sr dr oliveira Salazar; embaixador de Inglaterra; cônsul e consulesa da Grã-Bretanha no Porto; D. Maria Borges;D. Maria Alice Ferreira; Câmara Municipal do Porto; governador civil do Porto; violoncelistas da E. N.; Círculo de Cultura Municipal desta cidade; Conservatório de Música do Porto; Mrs Tait e Mrs. Tage, etc.
Durante a noite de segunda-feira para ontem, velaram o cadáver da ilustre extinta, os Bombeiros Voluntários do Porto e Portuenses.

O Funeral esteve a cargo da casa Alberto Pereira, Filhos.

Por iniciativa da entidade britânica de Lisboa é hoje, pelas 11 horas, celebrada missa de “Requiem” na igreja dos Padres Dominicanos do Corpo Santo, da Capital, por alma da ilustre artista Guilhermina Suggia.


Publicado por vm em 10:33 AM | Comentários (0)

fevereiro 23, 2005

CASA DE GUILHERMINA SUGGIA, NA RUA DA ALEGRIA, 665

casa suggia b.jpg
Esta é uma fotografia muito recente da casa onde Guilhermina Suggia viveu desde 1927 até à sua morte, em 30 de Julho de 1950.
Foi-nos gentilmente enviada por HVA do blog desNORTE, a quem muito agradecemos

Publicado por vm em 12:00 AM | Comentários (4)

fevereiro 22, 2005

GUILHERMINA SUGGIA NÃO DEIXOU DESCENDENTES E A BUROCRACIA É NEGRA, NEGRA, NEGRA...

Fiz o Pedido do certificado de admissibilidade, no Registo Nacional de Pessoas Colectivas, da Associação Guilhermina Suggia.

Passados dias contactei aqueles serviços para saber se o mesmo tinha sido despachado favoravelmente. Atendeu-me uma senhora, simpática aliás, que me perguntou o nº do processo. Eu dei conhecimento desse número. Aguardei uns segundos e a senhora diz:
"-É um pedido feito por... para a criação da Asoociação Guilhermina Su... Su... qualquer coisa que eu não sei ler"
-Suggia, disse eu.
-Isso, Suggia. Ora temos aqui um despacho a pedir autorização do uso do nome desta senhora. Esta senhora tem que escrever uma declaração a autorizar o uso do seu nome na constituição da Associação.
- Mas essa senhora, que foi uma das mais importantes figuras da música que Portugal teve, morreu vai fazer 55 anos, em Julho.
- Terão que ser os descendentes a autorizar o uso do nome
- Mas a senhora não deixou escendentes
- Vai ter que fazer prova disso.
- E como vou provar o que não existe? É difícil. Se tivesse deixado era mais fácil.
- Mas como sabe que não deixou descendentes?
-Existem livros escritos sobre Guilhermina Suggia onde isso é referido.
-Então escreva uma carta para cá a explicar tudo isso e faça referência a esses livros.

Assim fiz. Escrevi. Expliquei . Referi os livros de Fátima Pombo. Transcrevi parte de uma entrevista feita após um concerto, depois da morte do marido, em que lhe perguntam como se sente. "Sózinha. Muito sózinha. Apesar de ter muitos amigos não tenho um único parente no mundo".

Passados dias voltei a contactar os serviços. Fui sempre muito bem atendido. Disseram-me:

-A sua declaração não foi aceite. Uma vez que a senhora deixou testamento (eu tinha feito referência a isso) terão que ser os herdeiros a autorizar o uso do nome.

Existe apenas uma herdeira viva: a sua aluna Sra. D. Isabel Cerqueira Millet.

Contactei a senhora, através de sua filha, e a senhora fez uma declaração autorizando o uso do nome na Associação Guilhermina Suggia, da qual irá também fazer parte.

Fui entregar a declaração.

Passados 3 dias, conforme me disseram, voltei a contactar aqueles serviços.

A declaração não tinha sido aceite. A senhora vem referida no testamento como ISABEL.... e a declaração que fez diz MARIA ISABEL...

Havia que apresentar uma declaração do notário a certificar que era uma e a mesma pessoa.

De novo contactei a senhora que fez nova declaração dizendo ser a mesma pessoa.

A filha da senhora foi ao notário. O notário exigiu que a declaração fosse feita presencialmente.

A senhora tem perto de 90 anos, doente e impossibilitada de sair de casa.

-Mas pode ir um funcionário do notário a casa.

Pois pode. Mas tudo isso custa dinheiro. A Associação não existe sequer. Não tem dinheiro.
Eu próprio paguei €58,15 para pedir o certificado de admissibilidade.

Contacto de novo os serviços. Conto o que acontece. Pergunto se não será possível, uma, duas, três - as pessoas que entenderem - fazerem uma declaração (essa sim no notário), garantindo que se trata da mesma pessoa.
Dizem que não. Tem mesmo que ser uma declaração da senhora.

O desgaste da burocracia é assustador. E eu pergunto: será que os herdeiros testamentários têm poder para autorizar o uso do nome de Guilhermina Suggia?! Que outro poder poderão ter senão aquele que o próprio testamento lhes confere?

E se fôssemos registar a Associação a Londres? Se calhar seria mais fácil.

Por mais que diga que pretendemos fazer bom uso do nome de Guilhermina Suggia, dizem que terá que haver autorização porque pode vir alguém reclamar a autorização para o uso do nome de GUILHERMINA SUGGIA.

Somos tão pequeninos!!! E começo a ficar farto - ainda nada começou!

Publicado por vm em 12:29 PM | Comentários (2)

fevereiro 21, 2005

O SR EMBAIXADOR DA INGLATERRA EXPRESSA CONDOLÊNCIAS EM NOME DO SEU GOVERNO - "O Século" 1/8/1950

O senhor ministro dos Negócios Estrangeiros recebeu de Sir Nigel Ronald, embaixador da Inglaterra, em Lisboa, a seguinte carta:
“Meu prezado Ministro dos Negócios Estrangeiros: - em nome do meu governo e do povo da Grã-Bretanha, desejo apresentar ao governo e povo de Portugal a expressão de profundo pesar pelo falecimento de D. Guilhermina Suggia. Esta grande artista ocupava um lugar muito especial, não só na estima mas ainda no afecto do povo do meu país, a quem nos últimos trinta e cinco anos, aproximadamente, ela concedeu milhares e horas de puro prazer. Qualquer que fosse o seu auditório, quer fosse a rainha ou a rainha-mãe ou operários das minas chegando do trabalho, a resposta ao ouvi-la tocar era sempre a mesma; não mera admiração pela sua arte consumada; amaram-na por si mesma e pela sua arte verdadeiramente admirável. É, pois, com real e profundo sentimento que eles se irmanam com o povo de Portugal, perante a perda da sua tão distinta e profundamente amada compatriota. Creia-me, meu caro ministro, seu muito dedicado
Nigel Ronald”

O SÉCULO, 1 de Agosto de 1950

Publicado por vm em 10:46 AM | Comentários (0)

fevereiro 20, 2005

ESTOU ENTHUSIASMADISSIMA COM O FIDELIO DE BEETHOVEN

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Wien, 20-2-1905
Estou hoje enthusiasmadissima com o Fidelio de Beethoven. A interpretação foi admiravel. É grandioso!!!
Partimos amanhã para Strassburg e logo de seguida para Hambourg.
Wienn, é (para mim) uma cidade encantadora. Saudades
G. Suggia
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

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fevereiro 18, 2005

GUILHERMINA SUGGIA DEIXA LEGADOS PARTICULARES E ARTÍSTICOS- "O Século" 1/8/1950

GUILHERMINA SUGGIA
DEIXA LEGADOS PARTICULARES E ARTÍSTICOS

Porto 31- A morte de Guilhermina Suggia foi muito sentida. De todos os pontos do País têm sido recebidas condolências e à sua casa têm acorrido muitas pessoas de relevo nas artes, nas letras e nas ciências nortenhas, para velarem o cadáver.

O préstito fúnebre sai amanhã às 11 e 30 da Igreja da Lapa para o cemitério de Agramonte, depois dos ofícios fúnebres, em que colaboram alguns dos discípulos da eminente artista, que assim querem prestar-lhe a última homenagem.

O testamento de Guilhermina Suggia divide-se em duas partes: legados particulares e legados artísticos. Com o produto da venda do seu violoncelo “Stradivarius”, avaliado em mais de 10.000 libras, será instituído na Royal Academy of Music, de Londres um prémio anual com o seu nome, para o melhor aluno de violoncelo.
Com idênticos fins legou outro instrumento e a sua biblioteca musical ao Conservatório de Música do Porto, e ainda outro ao Conservatório Nacional, com cujo produto será instituído um prémio com o nome do pai, que foi aluno daquele estabelecimento de ensino.

Deixou ainda inúmeras obras de arte a antigos alunos e pessoas amigas, 20 contos à Sociedade Protectora dos Animais, do Porto, e o prédio onde vivia, na Rua da Alegria, ao colégio Ultramarino das Missionárias de Maria, de Barcelos, para a construção de uma capela privativa. A face e as mãos da artista foram modeladas em cera, pelo modelador José Baganha.

Publicado por vm em 11:06 AM | Comentários (1)

fevereiro 17, 2005

GUILHERMINA SUGGIA Em 1950

suggia em 1950.jpg

do livro " GUILHERMINA SUGGIA A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

Publicado por vm em 12:06 AM | Comentários (0)

fevereiro 16, 2005

CHAMADAS SEM CONTA E MUITOS BIS...

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Varsovia, 16-2-1905
Exmo. mano e amigo,
Toquei hontem o concerto de Dvorak n'esta Phillarmonie. Grande enthusiasmo.
Chamadas sem conta e muitos (bis). Como já não tenho mais musicas toquei Gavotte de Bach extra-programma. As criticas são esplêndidas. Saudades para o mano, minha cunhada e sobrinhos.
G.Suggia
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

Publicado por vm em 12:01 AM | Comentários (0)

fevereiro 15, 2005

JULGO VER SURGIR NA MINHA FRENTE O OLHAR MUITO MEIGO DESSE CACHORRITO...

(...) Os artistas devem conviver apenas, como artistas que são, no mundo espiritual da Arte. Eu, que sempre me interessei por questões de medicina, casei-me com um médico — que, por ventura minha, é um apaixonado admirador da arte musical. Deste modo, na intimidade do nosso lar, podemos trocar sempre impressões que deleitam o nosso espírito, sem ficarmos apenas limitados à monotonia dum tema único. Por isso mesmo, considero-me invejávelmente feliz.

De resto, eu aprecio muito a quietude dum “home” confortável e o aconchego dum lar acolhedor. Interesso-me por tudo o que diga respeito à arte decorativa e — por que não confessá-lo!!... — senti sempre uma irresistível paixão pêlos meus raros tapetes orientais e pelos cães da mais apurada raça do “scottish-terrier”.

Sofri, há poucos meses ainda, um dos maiores desgostos da minha vida com a morte dum desses cachorritos — o meu querido Sandy. Foi meu companheiro e meu confidente durante muitos anos. Era um animal invulgarmente inteligente, humilde, dedicado e meigo. Tinha a ilusão de que ele conversava comigo, que sorria quando eu estava contente e que chorava quando me via triste. Era para ele que eu tocava, no isolamento quase claustral do meu gabinete de estudo. O Sandy ajeitava-se, então, sobre as almofadas dum “fauteil”, apoiava o focinhito numa das patas dianteiras e, assim, quedava-se silenciosamente — como que sentindo as vibrações harmoniosas do meu violoncelo.

Chorarei sempre a sua perda, que é para mim irreparável. E ainda agora, sempre que toco, no recolhimento do meu lar ou em público, julgo ver surgir na minha frente o olhar muito meigo, muito inteligente, desse cachorrito, que parecia compreender e sentir as mais delicadas subtilezas do meu temperamento de mulher e de artista...”

GUILHERMINA SUGGIA

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA OU O VIOLONCELO LUXURIANTE” de Fátima Pombo

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fevereiro 14, 2005

GUILHERMINA SUGGIA TOCA EM SUA CASA

Suggia toca em sua casa.jpg

Publicado por vm em 12:44 AM | Comentários (1)

fevereiro 11, 2005

AQUI O SUCCESSO FOI INDISCRIPTIVEL...

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Lemberg, 11-2-1905
Aqui o successo foi indiscriptivel, queria-lhe escrever carta mas estou tão cansada que não imagina. As criticas d'aqui são extraordinarias. Não se pode dizer melhor.
Mando amanhã o jornal para o Snr Lambertini.
Tive aqui dois convites para casa d'um conde e d'um principe mas não sei ainda se terei tempo.
Muitas saudades
G.Suggia
(Cedido por Prof.Elisa Lamas)

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fevereiro 10, 2005

O FUNERAL DE GUILHERMINA SUGGIA CONSTITUIU UMA SENTIDA MANIFESTAÇÃO DE PESAR- Diário Popular, 1/8/1950

PORTO, 1 — Constituiu uma profunda manifestação de pesar o funeral da grande violoncelista Guilhermina Suggia.

Quando o sr. dr. Fernando Pires de Lima, (Ministro da Educação Nacional,
que representava os srs. Presidentes da Republica e do Conselho, chegou à residência de Guilhermina Suggia, encontravam-se ali, a fazer a ultima velada, entre outras individualidades, os srs. coronel Lucínio Presa, presidente do Município portuense, que representava o presidente da Camara Municipal de Lisboa, acompanhado de todos os vereadores; prof. Francois Parose, director do Conservatório Real de Bruxelas; dr. Antunes Guimarães em representação do governador civil do
Porto; prof. dr. Amandio Tavares, reitor da Universidade, acompanhado de
outros professores; brigadeiro Nunes da Ponte, comandante João Pais, cônsul e consulesa de Inglaterra, Mestre Joaquim Lopes, D. Maria da Assunção Borges, Ricardo Spratley, maestro Raul de Lemos e outras individualidades dos meios artístico, social e literário do Porto. Estas e muitas outras entidades incorporaram-se, depois, no funeral.

À chegada do féretro à igreja da Lapa constituiu-se um turno formado pelos srs. Ministro da Educação, reitor da Universidade, drs. Antunes Guimarães, Pinheiro Torres, Russel de Sousa e coronel Lucínio Presa. Enquanto o distinto musicólogo padre dr. Luís Rodrigues rezava a missa, a Orquestra Sinfónica do Conservatório de Musica, sob a direcção do maestro Frederico de Freitas, executou marchas fúnebres.
No cemitério de Agramonte, onde o corpo ficou depositado em jazigo de família, organizou-se outro turno, com os antigos discípulos da grande violoncelista. A chave do caixão foi entregue pelo testamenteiro ao sr. Ministro da Educação que fará a sua entrega ao Museu Histórico da cidade.

DIÁRIO POPULAR, 1/8/1950

Publicado por vm em 12:35 AM | Comentários (9)

fevereiro 09, 2005

A ANTÓNIO LAMAS OFERECE GUILHERMINA SUGGIA

Foto 01a.jpg
1905- SUGGIA tinha 20 anos
(cedido por Prof Elisa Lamas)

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fevereiro 08, 2005

HOMENAGEM PROMOVIDA PELAS ENTIDADES BRITÂNICAS- Diário Popular, 1/8/1950

Para que as pessoas a quem não foi possível assistir ao funeral da ilustre artista D. Guilhermina Suggia possam prestar uma derradeira homenagem à memória da grande violoncelista portuguesa, será celebrada missa de “Requiem”, amanhã, na Igreja dos Padres Dominicanos, do Corpo Santo, às 11 horas. A cerimónia realiza-se por iniciativa das entidades britânicas.


DIÁRIO POPULAR, 1/8/1950

Publicado por vm em 03:08 PM | Comentários (1)

fevereiro 07, 2005

TENHO TANTO, TANTO QUE LHE CONTAR QUE NÃO IMAGINA

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Vienna, 7-2-1905
Tenho actualmente tanto, tanto que lhe contar que não imagina.
Em Wienna tenho gosado immenso. Estamos aqui à 3 dias; já vimos dois museus, fomos duas noites ao thetro d'opera, ouvir o Freischütz a as Walküre de Wagner divinamente interpretadas.
Saudades
G. Suggia
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

Publicado por vm em 10:35 AM | Comentários (0)

fevereiro 04, 2005

GUILHERMINA SUGGIA, EM QUELUZ, em 1944

Suggia em Queluz 2-a.jpg
Guilhermina Suggia com a sua discípula Isabel Cerqueira Millet(à direita da foto), a senhora de seu discípulo Filipe Loriente e uma outra senhora cuja identidade desconheço.
(Cedido por Prof Henrique Fernandes)

Publicado por vm em 01:01 AM | Comentários (0)

fevereiro 03, 2005

O CONCERTO DE DVORAK TEM CAUZADO ENTHUSIASMO...

Postal-25.jpg
Karlsbad, 2-2-1905
Meu bom amigo e mano,
Karlsbad é muito lindo. Já ensaiei com orchestra. É muito bôa. O Concerto de Dvorak tem cauzado enthusiasmo em todos os concertos. Talvez não vá a Russia por causa da guerra, mas tenho immensa pena, porque me dá grande prejuizo. Já pode escrever para Strassburg. Mande-me dizer sempre se tem recebido os bilhetes que lhe envio de todas as cidades.
De Strassburg lhe envio progammas.
Guilhermina Suggia
(Cedido por Prof Elisa Lamas)

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fevereiro 02, 2005

FORA DE PORTUGAL SABEM QUEM FOI SUGGIA E RECORDAM-NA

juilliard school-a.jpg
Este é um convite para um forum sobre GUILHERMINA SUGGIA realizado em 2002, na Juilliard School, em Nova York. Em Portugal graças à Prof Madalena Sá e Costa foi instituído, de há 2 anos para cá -penso - o dia Guilhermina Suggia no Conservatório de Música do Porto. E não me consta que noutras escolas de música se fale duma das mais importantes figuras portuguesas que houve no panorama musical. Em Novembro passado foi editado um CD com gravações de Suggia. Fiz contactos para que o mesmo aparecesse nas nossas lojas mas ainda não o vi por cá. Disseram-me que estas coisas de "mandar vir os discos de lá de fora não é assim tão fácil como pensam"
Em Dezembro a revista STRAD dedica 4 páginas a Guilhermina Suggia, a mesma sobre quem numa livraria do Porto me perguntaram se era um programa de computadores.
A mesma sobre quem Fátima Pombo escreveu 2 livros: "GUILHERMINA SUGGIA ou o Violoncelo Luxuriante" e " GUILHERMINA SUGGIA, a Sonata de Sempre" e que não estão à venda no Museu da Música, porque "o Museu não contacta editores". Assim mesmo! E é um problema. Tem que se dar conta ao Instituto Português dos Museus de tudo o que se vende.

Às vezes dói muito ser português!

(Convite cedido por Anita Mercier)

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fevereiro 01, 2005

O FUNERAL DE GUILHERMINA SUGGIA, REALIZADO ONTEM NO PORTO, FOI UMA MANIFESTAÇÃO DE ENORME PESAR- DIÁRIO DE LISBOA, 1/8/1950

PORTO, 31 (Pelo telefone)—O Porto culto e artístico teve bem a noção da irreparável perda que sofreu com a morte da grande violoncelista Guilhermina Suggia, muito justamente considerada no estrangeiro como glória nacional do nosso País.

O seu funeral, efectuado esta manhã na igreja da Lapa, foi prova eloquente do pesar que esta cidade está sofrendo. O vasto templo, ricamente decorado, comportou, durante as cerimónias da missa de corpo presente e responsos, tudo quanto o Porto conta de mais representativo em todos os seus sectores.

Desde a presença do ministro da Educação Nacional, que representava o Governo; até à gente humilde do povo, todos ali compareceram para prestar a derradeira homenagem à incomparável artista.

A Orquestra Sinfónica do Conservatório do Porto, sob a regência do maestro Frederico de Freitas, executou, durante a entrada da urna no templo, a «Marcha Funeral» da «Sinfonia Heróica» de Beethoven, e no decorrer da missa, o «Preludio» de Bach, e no final a «Marcha Fúnebre» de Chopin. As pequenas cantoras do Postigo do Sol, sob a regência do professor Virgílio Pereira, cantaram «Sepulto Domino», de Victoria, e «Jesus, ó Mestre!», «Da Paixão, segundo S. Mateus», de Bach. O coro do Conservatório, dirigido pelo professor Calado, cantou «Cruxifixus», de Bach.
Foi celebrante o professor de música do Seminário da Sé, rev. Luís Rodrigues.

Na assistência via-se elevadíssimo número de senhoras, alguns antigos alunos, directores e professores e alunos do Conservatório do Porto, reitor da Universidade e professores, presidentes e vereadores das Camaras do Porto e de Matosinhos, mestre Joaquim Lopes, director da Escola de Belas Artes; comandante João Pais, brigadeiro Nunes da Ponte, prof. Adriano Rodrigues, Ricardo Spratley, dr. Sousa Costa, dr. Antunes Guimarães, escultor José Caldas, dr. António Pinheiro Torres, em representação do director do S. N. I., Delfim Ferreira (Riba d'Ave) e sua filha D. Maria Alice Ferreira; eng.° Rebelo Bonito, que representava o Coro de Camara Polifónico de Lisboa; prof. Luís Costa, em representação de D. Elisa Pedroso, presidente do Circulo de Cultura Musical, Sociedade de Concertos, Sociedade Coral Duarte Lobo e Orquestra Filarmónica de Lisboa. Sua filha D. Maria Helena de Sá e Costa. Representava os professores do Conservatório Nacional de Lisboa, Maria Cristina Pimentel e Jorge de Vasconcelos. O Orfeão Portuense encontrava-se representado pelos srs. prof. Luis Costa, eng.° Moreira de Sá e António Amorim Pinto.

Viam-se também escritores, artistas, figuras representativas, etc.
Os Bombeiros Voluntários do Porto fizeram a guarda de honra.

A chave do caixão foi entregue ao sr. dr. Alberto Pires de Lima que por seu turno a entregou ao sr. ministro da Educação Nacional.

No cortejo para o cemitério de Agramonte, onde ficou sepultado em jazigo de família o corpo da insigne artista, junto dos seu pai e de seu marido, encorporaram-se muitas dezenas de automóveis.

Em vários edifícios da cidade conservam-se bandeiras a meia haste.

DIÁRIO DE LISBOA, 1/8/1950


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