dezembro 31, 2004

FELIZ 2005

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O "GUILHERMINA SUGGIA" vai estar de férias durante cerca de 10 dias. Fica esta fotografia de Suggia aos microfones da BBC em 1948 aquando da sua ida a Londres para participação num concerto de beneficência a favor dos músicos desempregados.
Desejos de Bom Ano

Publicado por vm em 06:28 PM | Comentários (0)

GUILHERMINA E VIRGÍNIA

Foto 03.jpg
Oferecem como recordação da noite de 11 de Junho de 1903 ao seu amigo António Lamas

(Cedida por PROF ELISA LAMAS)

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dezembro 30, 2004

PABLO CASALS NASCEU FAZ HOJE 128 ANOS

c pablo.jpg
GUILHERMINA SUGGIA E PABLO CASALS

do livro "GUILHERMINA SUGGIA ou o Violoncelo Luxuriante" de Fátima Pombo

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dezembro 29, 2004

AFFECTUOSAS SAUDADES...

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Strassburg 19-11-1904
Affectuosas saudades lhe envia a sua amiga e mana muito grata
Guilhermina Suggia
Partimos para Budapeste no dia 3 de Dezembro
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

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dezembro 28, 2004

SUA MAGESTADE EL-REI CONCEDE PENSÃO ANUAL DE 650$000

DOC[1]. ANT lamas.jpg
MINISTÉRIO
Do
REINO
Direcção Geral
De
Instrucção Pública
Lº59 Nº 191

Tendo sido autorisada, por Decreto de 10 do corrente, a creação de novas pensões no Conservatório real de Lisboa, para artistas musicais de reconhecido mérito.
Attendendo a que a artista Guilhermina Suggia tem dado provas de elevada competência na execução do violoncello, como consta das informações obtidas:
Da Sua Magestade El-Rei por bem conceder-lhe a pensão annual de 650$000 reis, com direito somente a mais o abono das despezas de viagem de ida e regresso, pelo tempo de trez annos, para ir ao estrangeiro aperfeiçoar-se na sua especialidade, devendo celebrar-se o respectivo contrato perante o Inspector do Conservatório real de Lisboa.
Paço em 20 de Setembro de 1901
(Assinatura ilegível)
(Cedido por Isabel Millet)

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dezembro 27, 2004

...SUCCESSO TÃO DELIRANTE. CHAMADAS SEM FIM.

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Mannheim, 26-10-1904
Ex.mo.Snr e amigo
Não lhe posso descrever o que foi o concerto hoje em Mannheim. Toquei regida por Eduardo Colonne. Colonne em publico abraçou-me e beijou-me chorando. Enthusiasmadissimo.
Nunca pensei obter na Allemanha e principalmente n'um concerto de responsabilidade como o de hoje um sucesso tão delirante. Chamadas sem fim. Estou radiante com tanta felicidade!!!
Guilhermina Suggia
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

Publicado por vm em 10:17 AM | Comentários (0)

dezembro 25, 2004

CHORAI ARCADAS DO VIOLONCELO...

suggia.jpg
VIOLONCELO
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...

De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.

Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...

Trémulos astros...
Soidões lacustres...
– Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!

Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
– Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.

CAMILO PESSANHA

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dezembro 24, 2004

FELIZES FESTAS

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Strassburg, 20-12-1904
Felizes festas lhe deseja a amiga muito grata e mana
Guilhermina Suggia
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

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dezembro 23, 2004

GRANDE SUCCESSO NO MEU 1ª CONCERTO EM HEIDELBERG

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Heidelberg, 24-10-1904
Ex.mo Snr. e amigo,
Obtive grande successo no meu 1º concerto em Heidelberg. Enthusiasmo delirante. (A salla onde foi o concerto).
Saudades affectuosas.
Sua amiga e mana muito grata
Guilhermina Suggia
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

Publicado por vm em 10:28 AM | Comentários (0)

dezembro 22, 2004

CARTA DE PILAR TORRES A FILIPE LORIENTE SOBRE A SAÚDE DA SUA MESTRA

carta de pilar torres a f loriente.jpg

23-8-1950 (a data está certamente errada. Será 7 - Julho e não 8 - Agosto. Suggia morreu a 30 de Julho)
(Cedido por Prof HENRIQUE FERNANDES)

Publicado por vm em 12:32 AM | Comentários (0)

dezembro 21, 2004

EM MAINZ TOCO REGIDA POR COLONNE

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Strassburg, 18-10-904
Ex.mo Snr Lamas,
Já chegamos a Strassburg. Estivemos em Bruxellas de passagem, duas horas. Hontem ouvimos orchestra Lamoureux, regida por C. Chevillord.
O meu primeiro concerto é em Heidelberg (dia 24).
Em Mainz toco regida por Colonne.
Acceite saudades nossas. Sua amiga e mana muito grata
Guilhermina Suggia
Fischardstrasse 12. Strassburg
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

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dezembro 20, 2004

...NÃO VOU A LISBOA ANTES DA MINHA PARTIDA PARA A ALLEMANHA...

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Mattosinhos, 2-7-1904
Ex.mo Snr. e bom amigo,
Agradeço de todo o coração ao meu bom amigo as suas felicitações, e participo-lhe que não vou a Lisboa antes da minha partida para a Allemanha que será em fins de Septembro.
Acceite muitas lembranças nossas.
Sua amiga muito grata e mana
Guilhermina Suggia
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

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dezembro 19, 2004

GUILHERMINA SUGGIA vista por MARIA ADELAIDE DE LIMA CRUZ

m a lima cruz.jpg

Sanguínea, de 1950, oferecida pela autora ao Conservatório de Música do Porto

Publicado por vm em 10:32 AM | Comentários (0)

dezembro 17, 2004

AO VOLANTE DO SEU RENAULT RN-50-00

no carro.jpg
Este automóvel foi deixado por testamento ao empregado António Igrejias da Silva que veio a casar com a sua empregada Clarinda. Do casamento nasceu uma filha. Clarinda morreu há cerca de 3 anos. António está, possivelmente, vivo, num lar.

Foto do livro " GUILHERMINA SUGGIA ou o Violoncelo Luxuriante" de Fátima Pombo

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dezembro 16, 2004

AGRADECIMENTO MANDADO PUBLICAR NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE 24 de JULHO de 1950

Na London Clinic, quando preparavam Guilhermina para a sua viagem de avião nessa tarde de 17 de Julho, confessa ela que: «Sei que tenho um mal sem cura. O Dr. Maingot contou-me ontem toda a verdade. A medicina nada mais pode fazer. Tentou-se tudo. Receitou-me umas injecções. Levo-as comigo. Se não fizerem efeito, mais nenhuma terapêutica se conhece para este mal.»
Em 24 de Julho de 1950, Guilhermina Suggia manda publicar um agradecimento no Diário de Notícias.

«Encontrando-se ainda impossibilitada de o fazer de qualquer outra maneira, Guilhermina Suggia apressa-se a manifestar publicamente o testemunho da sua imperecível gratidão a todas as pessoas que se interessaram e continuam a interessar-se em saber do seu estado na doença que vem sofrendo. Essa carinhosa e honrosa solicitude tem servido para minorar os seus padecimentos, envolvendo-a num ambiente espiritual de reconfortante estímulo. Mais particularmente ainda se confessa penhorada pelas atenções que nesta mesma emergência lhe têm dispensado Suas Excelências os Senhores Presidente da República e do Conselho, Sir Nigel Ronald, ilustre Embaixador da Inglaterra em Portugal, o seu dedicadíssimo médico assistente, Senhor Professor Doutor Álvaro Rodrigues, assim como o Senhor Doutor Leopoldo de Figueiredo, distinto clínico em Lisboa.
A todos, comovidamente, muito obrigada!»

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre” de Fátima Pombo

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dezembro 15, 2004

CHEGAMOS BEM A NOSSA CASA...

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Mattosinhos, 16-4-1904
Ex.mo Snr e amigo,
Dou-lhe parte que chegamos bem a nossa casa e tivemos a satisfação de encontrar aqui os seus bilhetes e cartas que do coração lhe agradecemos.
Tive pena não satisfazer o seu pedido, mas nem ouvi executar a Viola d'Amour nem me souberam dizer qual uma musica bonita para esse instrumento. Só me disseram que havia pouquissimas musicas sómente sonatas.
Já deve saber que estou ahi no dia 23 ou 24 para tomar parte no concerto no dia 25, por isso terei muito breve o prazer e alegria de o ver, sempre amavel e bondoso para connosco. Muitas lembranças a sua Ex.ma familia, e acceite affectuosas saudades d'esta sua amiga muito grata
Guilhermina Suggia
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

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dezembro 14, 2004

A MORTE DE GUILHERMINA SUGGIA - DIÁRIO DE NOTÍCIAS de 31/7/1950

Porto, 30 – Próximo da meia-noite faleceu na sua residência, Rua da Alegria 556 (*), a grande artista GUILHERMINA SUGGIA. O funeral realizar-se-á terça-feira, a hora ainda por determinar.

Morreu GUILHERMINA SUGGIA.
Morreu – sabem-no bem e concordam connosco, certamente os grandes apreciadores de música, e assim, e com verdade a classificamos – a maior violoncelista dos nossos tempos.

Ficam, portanto, de luto pesado, pela sua morte – ocorrida perto da meia-noite, em sua casa, para onde fora, há dias “gravíssimamente” doente – os músicos portugueses. Portugal, diga-se mesmo, porque Suggia, nascida e criada no Porto, ainda que de todo o Mundo, como todos os grandes artistas – cidadãos do Mundo – era genuinamente portuguesa, por sentimento e temperamento, e muito honrou, sempre, durante a sua vida, seus êxitos, suas glórias, Portugal.

A notícia abrupta da sua morte chegada a deshoras à redacção deste jornal, impede-nos, por falta de tempo, de compulsar quantos elementos nos poderiam dar nota da sua biografia brilhantíssima.
A nosso recurso vêm, no entanto, alguns colhidos ao acaso, entre os muitos “dossiers” da nossa biblioteca de consulta, e mais, e melhor, os que por muito conhecidos, guardam a nossa memória.
Foi ela filha dum mestre de violoncelo e violoncelista primoroso também, Augusto Suggia, que do Conservatório de Lisboa passou ao do Porto e ali fixou residência. Ali nasceu Guilhermina e ali aprendeu com seu pai a técnica do instrumento em que devia, mais tarde, vir a ser prodigiosa e famosa – genial – como os mais célebres violoncelistas de todos os tempos. E no Porto, ainda precoce talento musical, aos sete anos, “menina prodígio” se revelou assombrosa já, pela primeira vez que tocou em público, no então aristocrático, muito distinto, Clube de Matosinhos.

Depois são os seus triunfos repetidos, no Quarteto de Música de Câmara do Orfeão Portuense, menina e moça, e os concertos sucessivos que dá, aplaudidíssimos, com sua irmã Virgínia, pianista notável também, mais tarde Mme Léon Tichon. É a sua entrada no Paço Real em Lisboa, onde o rei D. Carlos, a rainha D. Amélia, a rainha viúva D. Maria Pia e os príncipes, e todos os grandes de Portugal a aplaudem e a consagram, num concerto memorável, como grande também de Portugal, entre os maiores artistas da época.

E são, depois, com 17 anos, os seus estudos no Conservatório de Leipzig, onde tem como seu mestre e amigo, Klengel. E onde Nikisch – o enorme Nickisch – meses passados, ao ouvi-la no “Gewandeshaus” consente que ela repita, a pedido do público entusiasmado ( o que nunca se havia feito a ninguém nesse “auditorium”), o concerto de Volkmann, que havia maravilhosamente executado.

E depois são todos os países da terra que percorre, entre ovações, e em que se iguala ao maior de todos os violoncelistas do tempo, o célebre Pablo Casals.

São as cortes que a recebem como uma princesa – desde a estranha do Czar das Rússias à puritana da Inglaterra. É sobretudo a Inglaterra que ela cativa e onde para todo o resto da vida, fica tendo os seus mais dilectos admiradores - a artista preferida de Eduardo VII, amiga de Balfour e de Austen Chamberlain, que “não gostava de música” a não ser a tocada por GUILHERMINA SUGGIA; amiga da duquesa de York, hoje rainha da Grã-Bretanha, que sempre a requeria para os seus concertos de beneficência, e mal chegava a Londres, lhe mandava sempre um precioso ramo de orquídeas. Essa Inglaterra, “onde nunca esteve em hotéis” porque de par em par se lhe abriam as portas dos palácios – disputando-lhe o convívio – das mais nobres das mais fechadas famílias da aristocracia britânica.

Mil páginas de ouro da sua vida as poderíamos escrever, se tempo houvéssemos. Algumas até, por mais curiosas, a contar episódios com ela passados e anedotas cheias de graça. Ou a dizer de seus gostos, da sua casa, do seu conhecido amor pelos cães de raça – os “scottish-terrier”, de preferência – ou da sua valiosa colecção de tapetes orientais. Ou até, ainda que tal não pareça, em artista de tão fina qualidade, as suas devoções desportivas, pelo “tennis”, pela natação e pelo remo.

Mas o caso – e tristíssimo – é que morreu GUILHERMINA SUGGIA, altíssimo espírito de mulher, extraordinária artista, assinalada portuguesa em todo o mundo musical, onde foi estrela de primeira grandeza.
Dizem, sobre estrelas, os astrónomos que, se alguma delas, por morte desaparecesse do Céu, em muitos, muitos, muitos anos, receberíamos ainda todo o fulgor da sua Luz e do seu Encanto.

GUILHERMINA SUGGIA, como tal, continuará brilhando na claridade do seu prestígio admirável, na saudade de todos os que – inolvidavelmente – a ouviram e aplaudiram. Pertence desde hoje, aquela falange de eleição, dos mortos...que não morrem.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS,31 de Julho de 1950

(*) a sua casa ficava na Rua da Alegria, 665 e não 556 como é referido.

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dezembro 13, 2004

A GUILHERMINA TEVE CONVITE DO COLONNE...

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Paris, 12-4-1904
Ex.mo Sr. e amigo,
Partimos hoje para o Porto
Temos sido d'uma felecidade extraordinaria. A Guilhermina teve convite do Colonne para tocar num concerto.
O concerto que tocará será o de Dvorak.
Aceite V.Exª e sua Ex.ma familia muitas saudades nossas, e, até Lisboa.
Virgínia Suggia
Assisti a dois concertos Colonne.
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

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dezembro 12, 2004

O "MONTAGNANA" de GUILHERMINA SUGGIA SAÍU DO COFRE-FORTE

montagnana 1.jpg
(Foto extraída do Expresso-11-12-2004)

Graças às negociações dos violoncelistas (com a Prof Madalena Sá e Costa sempre à frente) com a Câmara Municipal do Porto, o "Montagnana" de Suggia saíu do cofre-forte do Museu Soares dos Reis. Esta foi uma primeira vitória de todos os amantes de música. A outra será vermos o violoncelo a ser tocado pelos violoncelistas. Assim seja!

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dezembro 11, 2004

GUILHERMINA SUGGIA NO PALÁCIO DE QUELUZ, EM 1944

Suggia em Queluz a.jpg
( Foto cedida por PROF HENRIQUE FERNANDES)

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dezembro 10, 2004

A GUILHERMINA A CONVITE DE COLONNE FOI TOCAR A CASA DELE

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Paris,5-4-1904
Meu bom amigo,
A Guilhermina a convite de Colonne, foi tocar a casa delle.Elogiou-a muito e disse-lhe que lhe escrevesse em Julho, dizendo-lhe quando tencionava passar aqui.
No sabbado dá a Guilhermina um recital de violoncello offerecido à imprensa no salão Pleyel.
O que houver de notável, mandarei dizer. A Virgínia tem agradado muito, e vão-lhe pedir, no sabbado, para tocar a sólo.
Acceite muitas saudades.
Se receber este em 7, pode escrever para aqui. nós vamos em 10 ou 11.
Hotel Slave. Rue Baudin.Paris
A.Suggia
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

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dezembro 09, 2004

UMA DAS MAIORES VIOLONCELISTAS DO MUNDO- República, 31-7-1950

Faleceu ontem, à noite, no Porto, na sua residência, a notabilíssima violoncelista portuguesa, Guilhermina Suggia, uma das maiores violoncelistas do mundo, com grande e prestigioso nome artístico nos mais altos meios musicais e uma das maiores figuras do movimento musical português de todos os tempos.

Guilhermina Suggia, que se fazia pagar a peso de oiro, e ombreava com os mais famosos músicos mundiais, tocou nos selectos concertos para publico exigentíssimo, recebeu deferências especiais de muitos chefes de Estado, na Europa e na América, sendo até recebida com particulares testemunhos de admiração e estima pelos reis da Inglaterra, que muito se interessaram pela sua saúde.

Guilhermina Suggia, que era natural do Porto, muito cedo revelou o seu génio musical, tendo feito a apresentação ao público, apenas com 7 anos.
Depois de ter recebido as primeiras lições de seu pai, um músico italiano(*),
Guilhermina fez a sua educação musical na Alemanha e teve o seu primeiro grande êxito, aos 16 anos, num concerto realizado em Leipzig conjuntamente com a célebre orquestra «Gewandhaus», regida pelo mais famoso chefe de orquestra desse tempo, o grande musico Artur Nikisch.

Começou, então a sua grande carreira gloriosa, que durou até há poucas horas; e daria assunto para muitas páginas a história empolgante dos seus êxitos em todo o mundo. Os críticos assinalavam o seu estilo incomparável, a cor e expressão que sabia arrancar de certas partituras, nomeadamente nos concertos de Saint-Saëns e Dvorak, em que excedia os mais notáveis violoncelistas.

Dentro em pouco, descansará para sempre, no cemitério de Agramonte do Porto, a grande violoncelista portuguesa. A sua morte representa uma perda mundial.

REPÚBLICA, 31/7/1950

(*) seu pai, Augusto Suggia, nasceu em Lisboa, descendente de famílas espanholas do lado materno e italianas do lado paterno
VM

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dezembro 08, 2004

DIGA AO LAMBERTINI...

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Strassburg, 29-3-1904
Meu bom amigo,
O resultado do concerto d'hontem foi superior aos outros. Foi um successo extraordinário. Diga ao Lambertini.
Partimos por estes dias.
Muitas saudades seu grato amigo
Augusto Suggia
(Cedido por Prof. ELISA LAMAS)

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dezembro 07, 2004

UM NOVO MAESTRO

O aspecto mais notável do último concerto da Orquestra Sinfónica Feminina ( Women’s Symphony Orchestra) da Grã-Bretanha foi a actuação de Madame SUGGIA como maestro ( ou deveríamos dizer “maestrina”?). Como era de esperar deu o maior exemplo de graciosidade na arte de dirigir que até hoje vi em alguém do sexo feminino.

É curioso que, em matéria de direcção de orquestra, os homens são em geral mais graciosos do que as mulheres. Lembro-me de que na primeira vez que vi Ethel Smyth dirigir fiquei decepcionado com o seu estilo, embora ela tenha obtido os resultados que pretendia. Devo, contudo, dizer que só vi Dame Ethel dirigir com a batuta de Sir Henry Wood, que é de dimensão extraordinária. Parece que se adequa bem ao maestro, mas permito-me opinar que Miss Smyth se teria sentido mais à vontade com uma batuta algo mais curta. SUGGIA utilizou uma batuta de dimensão mais normal e foi realmente um prazer tê-la visto dirigir. Outra coisa se não esperaria, aliás, de alguém cuja arte do violoncelo se pode, literalmente, qualificar como poesia do movimento. Acrescento apenas que ela demonstrou uma boa capacidade de controlo e pareceu, do ponto de vista musical, plenamente à altura da sua tarefa.

THE MUSICAL MAIL - Agosto de 1924

Trad Luís Castanheira Lopes
(cedido por Isabel Millet)

Publicado por vm em 12:49 AM | Comentários (0)

dezembro 06, 2004

ESPLENDIDO SUCCESSO NO CONCERTO...

Postal-06-a.jpg
Baden-Baden, 24-3-1904
Meu bom amigo,
A Guilhermina obteve um esplendido successo no concerto. A Virgínia acompanhou as peças com piano.
A.SUGGIA

(Cedido por Prof Elisa Lamas)

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dezembro 04, 2004

PILAR TORRES e ISABEL CERQUEIRA MILLET com a Cadela MONA

PILAR ISABEL E MONA.jpg
Na Quinta de Girassóis, as duas discípulas de Guilhermina Suggia com a sua cadela "Mona"

(Cedida por Isabel Millet)

Publicado por vm em 12:57 AM | Comentários (0)

dezembro 03, 2004

A GUILHERMINA TEVE AS HONRAS DO CONCERTO

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Strassburg, 21-3-1904
Meu Caro amigo,
A Guilhermina tocou hontem no primeiro concerto, em Neustadt (Baviera). Causou enthusiasmo. Havia mais dois solistas, o pianista de Berlim, Godowski, e a cantora Hella Wolti. A Guilhermina teve as honras do concerto. A Virgínia é que acompanhou agradando muito.
Já há boa colheita para o próximo inverno. Dê parte d'isto ao nosso bom amigo Lambertini. Muitas saudades nossas. Seu amigo
A. Suggia
(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

Publicado por vm em 12:01 AM | Comentários (0)

dezembro 02, 2004

MORREU A GRANDE VIOLONCELISTA PORTUGUESA GUILHERMINA SUGGIA- JN 31-7-1950

Morreu Gulhermina Suggia. Embora esperada, a notícia não deixou de nos emocionar. É que desaparece alguém, uma artista eminente, uma grande figura cuja projecção ultrapassou este velho burgo que lhe foi berço, assim como o País, para irradiar pelo mundo fora – numa honrosa e justa consagração. Pelos seus méritos invulgares, esta mulher que nos maravilhava com os prodigiosos acordes que as suas mãos artistas exalavam do seu violoncelo mágico, pertencia por direito próprio à extirpe de um Pablo Casals.

Guilhermina Suggia nasceu com o génio do violoncelo. Filha dum Artista, cresceu num ambiente em que a grande música dominava. A sua tendência musical revelou-se era ela ainda uma menina de palmo e meio. Teve no pai o seu primeiro mestre. E aos 7 anos enfrentava pela primeira vez o público, que, pressentindo encontrar-se na frente de alguém que a glória nimbaria um dia, lhe dispensou entusiásticos aplausos – que foram o melhor dos incitamentos.

Os seus progressos foram de tal sorte que não tardou em seguir para a Alemanha, a fim de se aperfeiçoar. Teve então ali como mestre o famoso professor Julius Klengel, que depressa se apercebeu do talento invulgar da sua jovem discípula, não hesitando em apresentá-la em vários concertos, enfrentando o conhecedor e exigente público germânico da época.
De triunfo em triunfo, a nossa compatriota participava, aos 17 anos, nos grandes concertos de Leipzig, de grande renome mundial. Nesses concertos, Suggia tocou sob a regência de Arthur Nikish.

Depois iniciou a sua peregrinação pelas capitais da Europa – verdadeiro caminho do triunfo. Guilhermina Suggia entrava gloriosamente na galeria das celebridades musicais. Os portugueses seguiam com o mais vivo interesse a carreira ascencional da sua compatriota, embora muito poucas vezes tivessem o ensejo de a escutar. A artista fixara-se em Inglaterra, onde contava com um público fiel de admiradores. Por lá permaneceu vários anos, vindo de vez em quando à pátria numa visita rápida. E continuavam a chegar até nós os ecos dos seus sucessivos êxitos perante o culto público londrino. A própria corte britânica não escapava à magia do violoncelo da artista.

Mais tarde voltou de vez para o Porto, e a cidade habituou-se a vê-la todos os dias passeando pelas ruas da Baixa. Quando ela passava, muita gente ignorava que ia ali uma artista eminente, de renome universal.

Guilhermina Suggia ia contudo todos os anos a Londres dar concertos. Foi professora da jovem talentosa violoncelista Maria Alice Ferreira.

Em princípio do mês corrente Guilhermina Suggia, muito doente deslocou-se a Londres, a fim de se submeter a uma melindrosa intervenção cirúrgica. As soberanas inglesas rainhas Maria e Isabel, admiradoras da grande artista, enviaram-lhe então ramos de flores e interessavam-se diariamente pelo seu estado de saúde.
Também o chefe do governo português, sr. D. Oliveira Salazar, telegrafava diariamente para Londres, informando-se da ilustre enferma.
Regressou a Portugal no passado dia 17, chegando ao Porto, de avião, alguns dias mais tarde.
Os seus padecimentos porém foram-se agravando dia a dia, até que ontem, pelas 23 horas, expirou suavemente. Assistiram aos seus últimos momentos a srª. D. Maria Isabel Pereira Caldas Vilarinho de Carvalho Cerqueira e os srs. Alberto Carlos Carvalho Cerqueira, seu testamenteiro, e dr. Alberto Pires de Lima.

Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia era viúva do saudoso radiolgista dr. Carteado Mena, tendo nascido nesta cidade, na freguesia de S. Nicolau, no dia 27 de Junho de 1885. Foram seus pais Augusto Medim Suggia , um artista e ascendência italiana e D. Elisa Xavier Suggia. Menina ainda, Guilhermina Suggia formou com sua irmã e seu pai um trio musical que se fez ouvir com sucesso no fim do século passado.

Possuía a comenda de San thiago e a Medalha de Ouro da cidade do Porto.
O féretro é trasladado amanhã da residência da eminente artista, à Rua da alegria, 665, para a igreja da Lapa, onde será rezada ao meio-dia missa de corpo presente, efectuando-se depois o funeral no cemitério de Agramonte.
O funeral está a cargo da casa Alberto Pereira (Filhos).

JORNAL DE NOTÍCIAS, 31 de Julho de 1950

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dezembro 01, 2004

A GUILHERMINA DEBUTA NO DIA 20

Postal-04-a.jpg
Strssburg 15-3-1904
Exmo.Snr.
Estamos em Strassburg, d'onde lhe enviamos saudades. A Guilhermina debuta no dia 20.
Virgínia Suggia

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