novembro 30, 2004

UM CONCERTO DE BENEFICÊNCIA

Realizou-se ontem à tarde, no Queen’s Hall, um concerto de beneficência a favor da “Queen’s College Extension Appeal Fund". No intervalo, Lady Tree, antiga estudante, pronunciou uma curta alocução evocativa e apelou à concessão de donativos com vista à expansão do ensino superior para as mulheres.

Entre os artistas participantes no variado programa incluíam-se Lady Howard de Walden (soprano), Maurice D’Oisly (tenor) e Madame Adila Fachiri (violinista). À Orquestra Sinfónica Feminina da Grã-Bretanha coube a execução das principais obras e alguns dos acompanhamentos. Desejaríamos poder louvar sem reservas esta iniciativa admirável, mas não é possível passar em claro uma generalizada falta de vitalidade na execução das peças. Não é difícil identificar a quem coube a responsabilidade: decerto não às instrumentistas, que, não obstante a direcção da orquestra, lograram dar alguma vida ao primeiro andamento do concerto para piano em Dó menor de Beethoven (em que foi solista Mrs Alfred Allport) e a “The Cliffs of Cornwall” de Ethel Smyth.
Madame SUGGIA – que apresentou uma aluna promissora – Miss Vyvyan Lewis – foi a terceira maestrina a dirigir a orquestra. Não há qualquer motivo que impeça uma mulher de ser uma boa dirigente de orquestra, mas a verdade é que Miss Gwynne Kimpton, Madame Suggia e, de certo modo, também Dame Ethel Smyth não ajudaram a orquestra, antes pelo contrário, gesticulando de forma incompreensível, ou seja, marcando tempo a tempo, em vez de se limitarem ao compasso ou à frase.
O resultado foi de uma falta de confiança e de ritmo de execução. Dir-se-ia que dirigir com uma batuta prejudica a espontaneidade e induz uma rigidez muscular contrária à facilidade de movimentos e à fluência do ritmo. Mas não deveria ser difícil corrigir tais deficiências de técnica.

THE TIMES – 27 de Junho de 1924
(Cedido por Isabel Millet- trad de Luís Castanheira Lopes)

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novembro 29, 2004

VIRGÍNIA ESCREVE À CHEGADA A PARIS

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Paris,9-3-1904
Exmo Snr.
Chegámos hoje a Paris e d'aqui lhe enviamos os nossos cumprimentos e a sua Exma. família
Virgínia Suggia

(Cedido por Prof ELISA LAMAS)

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novembro 28, 2004

GUILHERMINA SUGGIA NUM BLOGUE INGLÊS, A PROPÓSITO DE AUGUSTUS JOHN

http://thecharlocksshade.typepad.com/the_charlocks_shade/

September 14, 2004
Augustus John
1878-1961 Wales
Although well-known early in the century for his drawings and etchings, the bulk of John's later work consisted of portraits, some of the best of which were of his two wives and his children. He was known for the psychological insight in his portraits, many of which were considered "cruel" in the truth of the depiction. Lord Leverhulme was so upset with his portrait that he cut out the head and returned the rest of the picture. John painted many distinguished contemporaries, including Thomas Hardy, W.B. Yeats, George Bernard Shaw, the cellist Guilhermina Suggia, the Marchesa Casati and Elizabeth Bibesco. Perhaps his most famous portrait is of his fellow-countryman, Dylan Thomas.
Anthony Powell used John as one character model for Edgar Deacon in A Dance to the Music of Time.
Posted by Enoch Soames on September 14, 2004 at 09:21 PM | Permalink | Comments (1) | TrackBack

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novembro 26, 2004

A IMPRESSÃO CAUSADA PELA MORTE DE GUILHERMINA SUGGIA, QUE AMANHÃ VAI A ENTERRAR

PORTO, 31—Embora a notícia da sua morte não surpreendesse, constituiu mostras de sentido pesar, pois desapareceu uma alta figura de renome internacional de que o Porto muito se orgulha de ter sido berço. Guilhermina Suggia não era uma figura muito popular, pois o povo não a conhecia, apesar de a cada passo com ele se confundisse por essas ruas. O seu meio ambiente era o da arte, e dos seus cultores ou apreciadores.

Há muitos anos que era raríssimo apresentar-se em publico, e quando o fazia, isso constituía espectáculo de alto valor, tal como foi a apresentação da sua aluna dilecta Maria Alice Ferreira (Riba d'Ave) realizada no Teatro Rivoli, em 4 de Maio de 1947 (1). O que sem exagero se pode classificar de acontecimento citadino. Além da apresentação da jovem violoncelista, o espectáculo . teve a colaboração da grande Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, sob a regência de Pedro de Freitas Branco.

O funeral da gloriosa Guilhermina Suggia, efectua-se amanhã, saindo o préstito da sua residência, na Rua da Alegria, 556 (2), para a igreja da Lapa, de onde ao meio-dia será rezada missa de corpo presente, efectuando-se depois o funeral para o cemitério de Agramonte, a cargo da casa Alberto Pereira Filhos.


Uma carreira fulgurante

Quando nasceu, trazia já no sangue todo o belo influxo de arte que havia de nortear-lhe o espírito. Vinha de uma família de artistas. Guilhermina Suggia era filha de Augusto Suggia, mestre de violoncelo, distinto, que no Porto conquistou um nome respeitável: Foi aí, nesse ambiente acolhedor e tão propício ás coisas do espírito, que desabrochou a pequenina Guilhermina. A casa de seu pai era um centro de vida musical que transbordava até ao lar de Gustavo Lehmano onde se reuniam o cantor Salvini, o nosso grande Viana da Mota, Moreira de Sá, o violoncelista Marques Pinto e muitos outros que nem por serem “estrelas” de menor fulgor, deixavam de enobrecer serões de arte de tamanha representação. Em 1893, tinha ela apenas cinco anos, visto que nascera a 27 de Junho de 1888 (3), já o pai a iniciava nos segredos da música, para dois anos mais tarde entusiasmar o público, tocando com tanta graça quanto intenção e inteligência. Mais tarde, os progressos da sua técnica e o desabrochar do seu estro musical abriram-lhe o verdadeiro caminho do virtuosismo. As estreitas paredes da grande casa lusitana já não chegavam para conter o mundo interior da sua alma de artista.

Partiu para Leipzig, com uma bolsa de estudo, concedida por D. Carlos, o rei artista tão inclinado sempre a estimular a arte dos portugueses. Foi Klengel o primeiro grande mestre de Guilhermina Suggia que, em breve, chamava a si as atenções da melhor sociedade musical alemã. A Leipzig, aos grandes concertos do Gewandhaus, acorriam o melhor público, os melhores críticos e os melhores músicos. Aí nascia o respeito dos grandes pela jovem intérprete, desta vez dirigida por Arthur Nikish, pianista, violoncelista e regente de Orquestra do Gewandhaus Ópera de Leipzig e da Orquestra Filarmónica de Berlim, nos anos áureos das suas primeiras peregrinações pela Europa.

Também Guilhermina Suggia iniciava então uma carreira triunfal através da Europa, tocando para os públicos mais requintados—para príncipes e reis, para os artistas mais exigentes. Em Inglaterra, porém, havia de se fixar o estro rutilante desta grande artista. As elites de Londres chamavam-na e acarinhavam-na, desde os tempos da primeira Grande Guerra, quando ela de violoncelo nos braços, acorria aos festivais, em beneíicio das vítimas das trincheiras e dos seus entes queridos. A rainha Alexandra assistia a esses concertos e, com ela, a duquesa de York e as princesas Helena Vitória e Cristina.
A universalidade desta ilustre artista que na história da música contemporânea portuguesa só teve par em mestre Viana da Mota, estava longe de ter atingido o verdadeiro diagrama da sua consagração. Muitos milhares de pessoas haviam ainda de vibrar sob o influxo das notas arrancadas ao seu violoncelo, arrebatá-la apoteoticamente dos camarins, conduzi-la, delirantemente, aos hotéis onde se hospedava, comportando-se, enfim, com ela, como grande e indiscutível artista que era. O seu primeiro concerto em Albert Hall data de 1932 e foi em beneficio dos músicos pobres ingleses. A rainha Mary e o rei Jorge V foram-lhe então apresentados e nunca mais o nome de Guilhermina Suggia se desusou das maiores noites musicais da corte inglesa. Outras vezes ali foi tocar e ainda agora a família real, num testemunho de admiração, exprimiu o seu interesse pela saúde da ilustre artista portuguesa que era, alem de artista, uma senhora. A Inglaterra, que a conquistara e consagrara, guardou-a em dois notáveis retratos, um que se admira no museu do palácio de Windsor, outro na Tate Gallery, também de Londres e assinado pelo famoso retratista Augusto Jhon.

Não obstante tantos e tão fundos vínculos, esta senhora de origem italiana ficou sempre portuguesa. E o seu coração ficou com um português, o dr. Carteado Mena, sábio que as investigações com os raios-X haviam de fazer mártir, já depois do casamento.
Morreu há cerca de um ano e, pode dizer-se, com a sua morte, Guilhermina Suggia, que não deixa filhos, sofreu a maior dor da sua vida. O seu lar revestia-se das cores solenes das grandes mansões de arte e de estudo e a harmonia era a voz mais alta daquelas duas vidas unidas por amor e em amor vividas.

Guilhermina Suggia, um espírito liberal que em muitos actos da sua vida profissional deixou expressos pontos de vista morais e ideológicos, além de outras condecorações, testemunhos nacionais e estrangeiros de admiração consagratóría, possuía a grã-cruz da Ordem de Cristo e a comenda da Ordem Militar de Sant'Iago.

O Porto, sua terra natal sempre lembrada, condecorou-a com a Medalha de Ouro da Cidade.

DIÁRIO DE LISBOA 31 de Julho de 1950


(1) O Concerto com a jovem discípula realizou-se no Teatro Rivoli em 4 de Maio de 1937 e não 1947 como é referido na notícia

(2) A sua residência foi na Rua da Alegria 665 e não 556

(3) Guilhermina Suggia nasceu em 27 de Junho de 1885 e não 1888

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novembro 25, 2004

PROJECTO DE ESTATUTOS DA ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA

O projecto de estatutos da Associação Guilhermina Suggia poderá ser lido carregando no "LINK" PROJECTO DE ESTATUTOS DA ASSOCIAçÂO GUILHERMINA SUGGIA" que se encontra na coluna do lado direito do blogue.
Todas as pessoas, independentemente de terem ou não aderido à Associação, podem dar as suas sugestões através de comentários a esta entrada ou do endereço electrónico do blogue.

Oportunamente, e nos mesmos moldes, será colocada uma lista por ordem alfabética, das adesões à associação.

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DESEJOS DE FESTAS FELIZES

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novembro 24, 2004

1º POSTAL DE G. SUGGIA a ANTÓNIO LAMAS

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novembro 23, 2004

POR QUE ESCREVIA GUILHERMINA SUGGIA A ANTÓNIO LAMAS

Como neta de António Lamas, (1861-1915), ilustre amador musical e coleccionador de instrumentos antigos, venho explicar qual a razão por que GUILHERMINA SUGGIA manteve com ele uma correspondência regular durante 8 anos, de 1903 a 1911.

Numa deslocação ao Porto meu avô teve ocasião de ouvir a grande violoncelista, nessa altura ainda muito jovem, e ficou maravilhado com o seu invulgar talento. De regresso a Lisboa foi uma das pessoas que envidou esforços junto do rei D. Carlos e da rainha D. Amélia, para que lhe fosse concedida uma bolsa para prosseguimento de estudos no estrangeiro.
Assim veio a acontecer, indo trabalhar com o insigne violoncelista e professor Julius Klengel. Poucos meses depois iniciava já uma longa carreira de concertista, apresentando-se nas mais prestigiadas salas da Europa, e sempre com o maior sucesso.

São dessa época os bilhetes postais endereçados a António Lamas, em que relata todo o seu percurso musical além fronteiras, e dá testemunho da sua enorme gratidão e amizade para com ele. Nestes postais faz referência ainda ao envio de cartas e programas de concertas que, infelizmente, e por razões que desconheço, não chegaram aos nossos dias.

Prof. ELISA LAMAS

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novembro 22, 2004

A MORTE DE ANTÓNIO LAMAS, NA REVISTA "ARTE MUSICAL" de 31/7/1915

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É com o coração confrangido por vivissima dôr que vimos hoje depôr sobre o ataúde recémfechado de Antonio Lamas uma homenagem de sentida saudade e respeito. Saudade pelo amigo dedicado e querido, pelo infatigavel companheiro de tantas lutas e trabalhos: respeito e admiração pelo musico, tão despretensioso e honesto, que a nossa arte inesperadamente acaba de perder.

A morte repentina de Antonio Lamas produziu um commovido alvoroço no nosso meio musical; todos o estimavam, todos lhe haviam aquilatado os grandes dotes de coração, a inquebrantável bondade de alma, a rara modestia – e a par de tudo isso – incontestaveis qualidades de artista consciencioso, trabalhador e devotado, como nenhum, á sua arte predilecta.
Nós outros, que tanto privamos com o ilustre amador, não podemos ter hoje o espírito sufficientemente desanuveado para tentarmos, sequer, um esboço do que foi a sua vida de musico. Mal teremos a precisa calma para alinhavar umas notas despretenciosas, que poderão quando muito servir de ponto de partida para trabalho de maior fôlego e autoridade.
Desde muito novo se dedicou Antonio Lamas ao estudo do violino. Discipulo dilecto de Antonio Narciso Pitta (1835-1893), herdou-lhe, com muitas das suas qualidades tecnicas, esse retrahimento, essa modestia, esse horror pela grosse caisse, que constituiam o fundo essencial do caracter d’esse primoroso mestre. E se compararmos a physionomia moral do violino e da violeta, a esphera de acção de um e de outro instrumento, a psychologia especial de cada um d’elles e até as respectivas colorações do timbre, convencemo-nos facilmente que Antonio Lamas nasceu mais violetista que violinista. Já alguém o disse n’estas mesmas columnas com os seguintes termos: -Para traçar o perfil d’este sympathico vulto de amador-artista, tão justamente querido em todos os nossos centros d’arte, quasi seria preciso esboçar a monographia do doce e suggestivo instrumento que elle tão amorosamente cultiva – a violeta. Por arrojada que pareça esta confrontação do musico com o instrumento por ele executado, é certo que há no caso presente curiosas affinidades entre um e outro – a mesma tinta suave no carácter, a despretenção com que um e outro se esquivam a evidencias vistosas, a sisudez, a ductilidade, a nobreza levemente melancholica, que são outras tantas características do feitio moral e artístico do tocador e constituem egualmente a feição dominante do seu dilecto instrumento.”
Antonio Lamas tinha de ser portanto um tocadôr de violeta. Alguem lh’o fez notar, significando-lhe ao mesmo tempo que, bom violinista como era, lhe não seria difficil adquirir uma excellente technica na violeta, preenchendo assim uma lacuna que muito se fazia sentir no nosso paiz, onde eram e continuam a ser raros os bons violetistas de quarteto. Não hesitou o estudioso amador, tanto mais que, na creação da Sociedade de Musica de Câmara (1899), se notava a falta de um especialista, que de corpo e alma se votasse a esse instrumento.
A partir d’então, Antonio Lamas trabalha sem descanço, adequando em poucos annos as suas primorosas qualidades de tocador á nova technica e conseguindo verdadeiros triumphos não só na Sociedade de Musica de Câmara mas em outros grupos similares onde collaborou com algumas summidades da arte, entre ellas Rey Colaço, Arbós e Rubio.
Enthusiasta da musica antiga, movido por uma sadia curiosidade pela arte dos seculos XVII e XVIII, cujos segredos conscienciosamente procurou desvendar, não tardou que quizesse cultivar um dos instrumentos característicos d’essa epoca – a viola d’amôr. N’este poético instrumento d’arco, que a caprichosa moda banniu por completo da arte moderna, Antonio Lamas teve muitas occasiões de se fazer applaudir, quer como solista, quer na musica de conjuncto. Estão ainda na memoria de muitos as deliciosas audições historicas que, com instrumentos antigos, se realisaram em 1906 no Salão do Conservatorio. Foi elle um dos seus principaes promotores, collaborando tambem nos concertos ao lado de Louis Van Waefelghem, Georges Papin, Hernâni Braga e, para o canto, D. Bertha Daupias.
Muitas vezes se apresentou depois d’isso, em concertos particulares e publicos, como solista de viola d’amôr; muitas vezes o admiramos na famosa Sonata de Ariosti ou em alguns d’esses trechos pequenos, alguns de sua propria composição, em que tão distinctamente fazia valer a discreta e poetica sonoridade da velha viola. Hoje morreu o tocador e morreu tambem, entre nós, o instrumento, visto que elle era o unico portuguez que praticamente o conhecia.
Especialisando-se na musica dos seculos idos, colleccionando instrumentaes do passado, Antonio Lamas era naturalmente lembrado sempre que se pretendia organisar uma festa de caracter historico-musical. N’essas, entre nós, raras solemnidades de pura e requintada arte, elle tinha indicado o seu logar de consciencioso organizador, em festas memoraveis, como as que foram promovidas em tempos pelos srs. José Lino Júnior, dr. Alfredo da Cunha, dr. Lopes Vieira, etc.
Referimo-nos há pouco á colleção instrumental de Antonio Lamas. Ella é effectivamente bastante curiosa, e mesmo notavel no tocante aos cravos portuguezes, entre os quaes se distinguem algumas peças extremamente interessantes e raras. Antonio Lamas que consagrava á sua colleção um bem justifficado amor, dedicava longas horas á sua conservação e bom acondicionamento.
Terminando estas breves notas, diremos ainda que o nosso illustre amador havia sido nomeado há pouco mais de um mez para a cadeira que ficou vaga no Conselho d’Arte Musical pelo fallecimento de Ernesto Vieira. D’esse logar se desempenhou, durante esse curto período, com aquella devoção, seriedade e desinteresse que punha em todos os trabalhos d’arte.
Deixando-nos para sempre, Antonio Lamas, deixa no coração de todos os que de perto o conheceram uma marca indelevel de saudade e de desgosto.

Michel’Angelo Lambertini

A ARTE MUSICAL, Lisboa, 31 de Julho de 1915


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novembro 21, 2004

PUBLICAÇÂO DE CERCA DE 80 POSTAIS DIRIGIDOS AO ILUSTRE MÚSICO AMADOR ANTÓNIO LAMAS

A partir desta semana vamos começar a publicar uma coleção de cerca de 80 postais escritos por Guilhermina Suggia, alguns por sua irmã Virgínia Suggia e outros ainda pelo pai, Augusto Suggia. Todos endereçados ao ilustre músico amador ANTÓNIO LAMAS, e cuja digitalização nos foi cedida muita gentilmente por sua neta, Prof Elisa Lamas.Referem-se os postais à vida artística de SUGGIA, entre 1903 e 1911.

Jorge Rodrigues fez com estes postais 2 "RITORNELLO" em 17 e 18 de Junho

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novembro 20, 2004

PARABÉNS PROF MADALENA SÁ E COSTA

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Em 29 de Janeiro de 1937 a Mestra felicitava a discípula pela sua estreia.
Hoje somos nós que felicitamos a Prof Madalena Sá e Costa pelo seu 89º aniversário. Parabéns! Deve ser bom ter quase 90 anos e ser jovem e dedicar tanto do seu tempo e amor à memória e reconhecimento dos ensinamentos que recebeu de sua Mestra. Bem-haja!

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novembro 19, 2004

GUILHERMINA SUGGIA e PABLO CASALS, NA VILLA MOLITOR

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novembro 18, 2004

A CONSAGRAÇÃO PÚBLICA DE GUILHERMINA SUGGIA, NO TEATRO RIVOLI

Resumidamente, relatámos já, a homenagem prestada, no Teatro Rivoli, a Guilhermina Suggia. E acentuámos que essa homenagem, a que se associaram, entusiasticamente, quantos escutavam, nessa noite, a iminente violoncelista, tivera, sobretudo pela vibração dos aplausos, verdadeiro carácter de apoteose.

Finda a primeira parte do concerto, um concerto que ficou memorável a comissão organizadora daquele acto de consagração, constituída por algumas das pessoas mais categorizadas dos nossos meios social, cultural e artístico e pelos três críticos musicais da Imprensa diária portuense, convidou Guilhermina Suggia a ir ao palco, acompanhada por seu marido, o sr.dr. Carteado Mena, pelo regente da Grande Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, Maestro Pedro de Freitas Branco, e por todos os elementos daquele conjunto instrumental que tão notavelmente colaborou no concerto de Guilhermina Suggia e no da sua discípula Maria Alice Ferreira.

Em cena aberta, com o palco repleto de admiradores da gloriosa Artista, muitos dos quais, a quase totalidade, de casaca e smoking, o sr.dr. Joaquim Costa, ilustre escritor e director da Biblioteca Municipal do Porto, pronunciou, em nome dos promotores daquela homenagem, um breve e brilhante discurso de satisfação à homenageada, afirmando, com emoção que Guilhermina Suggia estava a receber ali, o preito dos que viam nela uma das mais altas encarnações da música, em Portugal, na Europa e no Mundo, o sr.dr. Joaquim Costa – de cujo elogio nos foi possível tomar uma única nota, limitando-nos a apontar o significado dalgumas das suas frases que conservamos na memória – declarou quanto se sentia honrado com a representação que lhe fora confiada, representação, na verdade, do escol da gente portuense.

Depois de, uma vez mais, ter ouvido o divino violoncelo de Guilhermina Suggia, não encontrava as palavras que, rigorosamente pudessem traduzir o seu pensamento e o seu sentimento em vibração intensa. Aquela homenagem constituía um acto de justiça, afinal, porque o génio da artista era digno da consagração pública prestada pelos seus admiradores.

Fazendo o elogio vibrante de Guilhermina Suggia, o maior elogio a que um artista pode aspirar, o orador evocou a forte ancestralidade musical da homenageada, acentuando bem, que no seu sangue, em que o elemento italiano e o elemento espanhol se misturavam, era o elemento português que predominava e mais ardentemente vibrava na inconfundível personalidade da concertista.

Integralmente Artista, Guilhermina Suggia – disse – possui a par de uma cultura musical invulgar, uma invulgar cultura literária. Adorando os poetas, tem junto de si – e nos seus versos houve muitas vezes, o alimento da sua extraordinária, da sua requintada sensibilidade artística – os poemas firmados por alguns dos maiores nomes, nomes imortais da Poesia, como Dante, como o nosso imortal Camões.

Razão á para que os portugueses, e em especial os portuenses se orgulhem de ter Guilhermina Suggia por compatriota e conterrânea. É que o nome da Artista figura, de há muito tempo, nos cartazes dos concertos dos grandes centros civilizados. E, embora o apelido não seja português, sabe-se que ela é portuguesa, é nossa!

Vibrante, depois de ter emoldurado a figura artística de Guilhermina Suggia com expressões do mais elevado e entusiástico encómio:
-Abençoada a terra que gerou esta Artista, glória do Porto e de Portugal!

Palmas intensas e prolongadas secundam as palavras do ilustre homem de letras, que a homenageada agradece, emocionada, com o olhar.
Em seguida, o sr. Dr. Joaquim Costa convida a juvenil e prodigiosa aluna de Guilhermina Suggia, Maria Alice Ferreira, a descerrar a placa de homenagem à gloriosa concertista, colocada numa das paredes da plateia, perto do palco. A placa, muito simples, contém apenas o nome da homenageada.

Sob aplausos trovejantes, Maria Alice Ferreira, que, finda a primeira parte do concerto, havia ido ao palco entregar à sua professora, a quem beijou na face, a primeira corbelha de flores, formosíssima, oferecida naquela noite de apoteose, puxou, rodeada por algumas das pessoas, que do palco haviam descido à plateia, o pano que velava a lápide. Entretanto, no palco, entre as corbelhas, todas lindas, que lhe rodeavam o estrado, Guilhermina Suggia curvava o busto elegante, agradecendo os aplausos, a homenagem, a apoteose.
Depois, pedindo silêncio falou. Duas palavras simples, timbradas por uma emoção profunda. Nada fizera para aquilo. Aquela consagração injustificada ficava-lhe na alma. Naquele momento nada mais podendo dizer, afirmava a todos, a todo o público que a aplaudia, a sua sincera gratidão.
Novas palmas retumbantes. No palco, sumptuoso, fulgurante, na plateia, nas frisas, nos camarotes, nos balcões, na geral, só se viam mãos erguidas, batendo palmas.

Manuel dos Santos, o activo e estimado gerente do Teatro Rivoli, em nome deste, e, em particular, do seu conhecido director, sr. Manuel José Pires Fernandes leu o Auto de Homenagem, assim redigido:

“ Aos cinco dias do mês de Maio de 1937, pelas vinte e três horas, na Sala e Espectáculos do Teatro Rivoli desta cidade do Porto, achando-se presente a Comissão de Homenagem à excelsa artista portuense Guilhermina Suggia, composta por Mestre António Teixeira Lopes, drs. Carlos Ramos, Carlos de Passos, Aarão de Lacerda, Alberto Brochado, Joaquim Costa, Frazão Nazaret, Joaquim de Freitas Gonçalves, António de Pinto Machado, Delfim Ferreira, Maria Alice Ferreira (Riba de Ave), Francisco Manuel Fernandes Borges, conde da Covilhã, Máximo de Carvalho, Juliano Ribeiro, Hugo Rocha, Henrique de Castro Lopes, Mário de Figueiredo, Eduardo dos Santos (Edurisa), Ernesto Viriato dos Passos, Ferreira da Silva e Artur Barbosa, comigo Manuel dos Santos, gerente do Teatro Rivoli, como representante do director Manuel José Pires Fernandes, que, por motivo de falta de saúde, não pode comparecer, reuniu perante a numerosa e distinta assistência desta memorável noite artística, a Sessão de Homenagem para o descerramento da lápide comemorativa da passagem da insigne violoncelista por esta casa de espectáculos. E, para constar, se lavrou o presente Auto que depois de lido por mim em voz alta, vai ser assinado por todos que nele intervieram e pela digna assistência que, deste modo, deseje prestar o devido preito a tão alta glória nacional.”

A leitura do Auto de Homenagem, feita em voz pausada e nítida, provocou, como é óbvio, aplausos estrondosos. Depois, dezenas de assinaturas cobriram as páginas do album luxuoso que o continha.

Entre muitas outras pessoas de categoria, que nos recordamos de ter visto no palco, registamos, além daquelas que o Auto menciona, como componentes da Comissão de Homenagem, os nomes do Prof Luiz Costa, do maestro Afonso Valentim, etc.

O sr. Dr. António de Oliveira, distinto professor do Liceu Alexandre Herculano, compôs um vibrante soneto em homenagem a Guilhermina Suggia, de que reproduzimos o terceto final:

Ao Porto só, compete em Portugal
Gravar em tipo de oiro colossal
O nome fulgurante de SUGGIA !

Este soneto, impresso, foi distribuído no teatro e entregue, autografado, à homenageada.

No concerto de Guilhermina Suggia, foram oferecidos lindos e valiosos bouquets e corbelhas. Eis os nomes dos respectivos oferentes:
-Miss Muriel Tait, Mlles Maria Alice Ferreira e Maria de Lourdes Ferreira, D Ernestina da Silva Monteiro e irmãs, D. Filomena Nogueira de Oliveira, D. Fernanda Van Zeller, D. Madalena Costa, Miss Finister, D. Maria Fernanda Borges, D. Maria Adelaide Freitas Gonçalves e prof Joaquim Freitas Gonçalves, Mrs Danvers, D. Isaura Pinheiro de Brito, Mr e Mrs Alexander, Gardénia, Mrs Glennie Rawes, Albino Guimarães, um grupo de 52 discípulas de M.lles Carolina, Ernestina e Maria José da Silva Monteiro.
Madalena Moreira de Sá e Costa, aluna já consagrada de Guilhermina Suggia, mandou-lhe ao palco, também, uma corbelha encantadora.

O COMÉRCIO DO PORTO, 7/5/1937

Publicado por vm em 11:02 AM | Comentários (0)

novembro 17, 2004

DA PONTA AO TALÃO, POR CARLOS BOTELHO

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do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

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novembro 16, 2004

2ª APRESENTAÇÃO, CÍRCULO DE CULTURA MUSICAL DO PORTO, DE GUILHERMINA SUGGIA E MALCOLM SARGENT

Mais um memorável evento artístico coube ontem a esta importante colectividade cultural, ao efectuar-se um segundo concerto sinfónico sob a direcção do dr. Malcolm Sargent e o concurso valiosíssimo de GUILHERMINA SUGGIA, que se anunciou para os associados da série B.

Compôs-se este novo programa da célebre “Water Musik” de Händel, versão Harty, de precioso efeito orquestral, fazendo-nos desejar que num 3º concerto pudesse ouvir-se com tão exemplar regência, a Suite irmã da “Water-Musik”, intitulada “Fire-Musik” e também de renome.
Opôs-se-lhe o admirável concerto para violoncelo de Elgar, o reputado autor da cantata “Rei Olavo”, do oratório “Gerontius” que lhe valeu o doutorado “Honoris Causa” de Cambridge em 1900, e da Sinfonia em mi bemol, considerada uma das melhores depois das de Beethoven.

GUILHERMINA SUGGIA, a intérprete excepcional da obra, pois só ela a fez triunfar, no país do autor... dá-lhe uma soberba concepção! O trecho em si, tem inspiradas variantes rítmicas, subtilezas de modulação, uma sábia maneira de orquestrar, doseando a famosa partitura com interesse constante para os “audientes”, e realçando sempre a intervenção frequente do solista.
Sinteticamente, é uma obra profunda de sentido e emoção, com uma grande nobreza, nunca desprezando, no desenvolver do trecho, a estética, nem a tornando complexa como tanta vez deparamos em produções modernas.
Todas estas qualidades se tornam ampliadas desmesuradamente no contacto da ideal intérprete.

Que palavras poderiamos nós encontrar para traduzir a expressão dada ao 2º andamento?! Toda a nossa mágoa e insatisfação próprias mais provam afinal, quanto, foi maravilhosa a realização.
Os ouvintes escutam cada nota religiosamente e irrompem no final com uma interminável ovação, da qual participa o grande chefe da orquestra Malcolm Sargent. Ecoam bravos num crescendo electrizante... o estrado de cada vez mais florido dá-nos por momentos a ilusão de que os geniais artistas ascenderam a um estrado etéreo, tanto realçam o poder da sua Arte!

Pertenceu à 2ª parte do programa a célebre obra de Boëllmann “ Variações Sinfónicas” e a tão genial violoncelista arca as suas dificuldades com entusiasmo triunfal, reflectindo-o as suas atitudes com impressionante eloquência.
No acompanhamento de profusos contratempos o maestro Sargent deu a agilidade própria, manejando a batuta com volteios de “flecha”.

Os aplausos voltaram a homenagear GUILHERMINA SUGGIA, o auditório ergueu-se, a aclamá-la, prolongando-a o mais possível, e a magna artista mais uma vez teve a consciência de quanto vale a emoção que nos transporta e tanto faz esquecer!
Com pesar tivemos de compreender que o tempo prossegue e não pode perpetuar-se o “encantamento”.

Escutámos a seguir a 3ª Sinfonia de Brahms com os seus inúmeros episódios de transcendental beleza, principalmente no 1º e último andamentos, sempre nos Allegros, em que a energia se expande até à eclosão vitoriosa. Bem a propósito foi incluída esta Sinfonia de Brahms, pois era justamente o que Elgar citava como ponto culminante na literatura musical!
O último número do programa foi a abertura “ Cockaigne” de Elgar (de cockney – dialecto londrino) obra descritiva, bem pensada e com uma riqueza melódica deveras comunicativa, a par da bravura que arrebata porque é forte de inspiração. O grande regente teve o triunfo merecido e toda a orquestra participou da ovação. Dos aplausos da noite, grande parte foi-lhe também tributada com plena justiça.

Vieram expressamente assistir às memoráveis audições o ilustre presidente do Círculo de Cultura Musical de Lisboa e o sr Prof Varela Cid.

B. A. de S.

1º de JANEIRO- 29 de Janeiro de 1943

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novembro 15, 2004

MENU DE CASAMENTO DE GUILHERMINA SUGGIA COM DR CARTEADO MENA

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Servida na Rua da Alegria, 665, e fornecida pelo CONFEITARIA DO BOLHÂO, a ementa do almoço de casamento de GUILHERMINA SUGGIA com o Dr Carteado Mena, em 27/8/1927.

do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

Publicado por vm em 11:01 AM | Comentários (0)

novembro 12, 2004

ALGUMAS ADESÕES À "ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA"

A LISTA COMPLETA DE ADESÕES DEVE SER VISTA ATRAVÉS DO LINK "ADESÕES À ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA" COLOCADO NO LADO DIREITO DO BLOGUE.
AS ADESÕES MAIS RECENTES SERÃO ESCRITAS NO LINK " ADESÕES RECENTES À ASSOCIAÇÃO GUILHERMINA SUGGIA". MANTEREMOS NESTE LINK AS ADESÕES DE 2 DIAS. AMANHÃ TIRAREMOS AS DE ONTEM E ACRESCENTAREMOS AS DE AMANHÂ, CASO AS HAJA. SE NÃO HOUVER ADESÕES SERÃO MANTIDOS OS 2 DIAS. A ORDEM USADA É A DE ADESÂO

Publicado por vm em 10:42 AM | Comentários (2)

novembro 11, 2004

MADALENA SÁ E COSTA, PEGGIE SAMPSON, HELENA SÁ E COSTA, em 1929

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PEGGIE SAMPSON, violoncelista, nascida em Edinburgh em 1912. Começou a estudar violoncelo aos 8 anos com Ruth Waddell em Edinburgh e continuou as suas lições em Inglaterra e Portugal com GUILHERMINA SUGGIA, entre 1929 e 1932. Em 1937 foi assistente de Donald Francis Tovey na Universidade de Edinburgh. Em 1951 emigra para o Canadá para ensinar na Universidade de Manitoba. Em 1973 naturalizou-se canadiana. Ensinou ainda na York University, de Toronto, University of Victoria e Wilfrid Laurier University.
Foi galardoada em 1985 com Canadian Music Council

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novembro 10, 2004

G.SUGGIA e MALCOLM SARGENT - CIRCULO DE CULTURA MUSICAL DO PORTO

Duas sumidades, que as glórias da música repercutem largamente, e cuja história de incandescentes triunfos, nos aponta os grandes privilégios do destino...uniram as suas Artes no 3º Concerto promovido pelo Círculo de Cultura Musical do Porto, que ontem à noite se solenizou no habitual Teatro Rivoli.

O majestoso e amplo recinto de espectáculos tornou-se restrito para conter todos aqueles que, movidos pela ânsia da forte emoção, que sempre provoca o aproximar dos entes extraordinários, se comprimiam, no intento de testemunhar tão grandioso acto! A figura esguia e nervosa do famoso maestro inglês surgiu em frente à Orquestra da Emissora Nacional, e desde logo o seu poder magnético se transmitiu sobre toda a massa instrumental e sobre o imenso auditório.

Malcolm Sargent, o célebre virtuoso da batuta, iniciara seu comando... e vitoriosamente soaram os primeiros acordes da “Sinfonia Londrina” de J. Ireland, obra modelar de estrutura e efeitos sonoros.
O inspirado maestro gesticula com distinção, verdadeiramente à maneira inglesa, porém seus nervos de artista, para o qual a centelha divina da Arte tudo faz adivinhar e sentir, impõe-se ao menor gesto que esboça, e seu olhar projecta mil estados de alma em apoteose, que com a maior maleabilidade se executam.
Assim ouvimos sob este domínio e primor de entendimento a peça inicial, e “Ouvindo o primeiro Cuco na Primavera” de Delius, composição de notável poesia e subtileza imaginativa.

Após umas pausas entra em cena GUILHERMINA SUGGIA, a sublime artista que colhe loiros com a mesma facilidade com que certamente colhe qualquer flor dum jardim! – Mais uma vez nos deu essa impressão ao prender a si o violoncelo, e incutindo-lhe tal vibração que ele canta extasiado e apaixonado todo o tempo que ela o quiser reter.
Ouvimo-la tocar o concerto de Dvorak, cujo tema heróico, inicial, se manifesta como uma ode à vida, à vitória e à Pátria que ele tanto amou, como Smetana, por sua vez, defendeu a música do seu país.
Colossal interpretação da grande solista...que numa ânsia crescente dialogava com a orquestra.
Na nostálgica frase do Adágio, ou no motivo marcial do 3º Andamento, por toda a obra, afinal inflamava-se o ardor, os sentimentos mais comovedores que num instrumento de arco se possa comunicar! No rosto tão expressivo da egrégia concertista perpassou tudo o que a alma criou.
Diremos também que o excelso maestro a acompanhou na intenção superiormente!

Palmas sem fim, ecoaram na sala, e quanta vez GUILHERMINA SUGGIA, teve de voltar à cena. Era só ainda o fim da primeira parte e uma fila de variadas cores de “bouquets” e corbelhas cercou a extraordinária “virtuose”.

Na segunda parte escutamos o concerto de Saint-Saëns, espirituoso e lucilante.
A graça expande-se por toda a partitura – e não compreendo como pode haver quem a ache inferior a outras...pois que o contraste que ela forma, é justamente o seu maior encanto; e desde que GUILHERMINA SUGGIA a interpreta, ela torna-se invulnerável.
Aclamações entusiásticas, delirantes reclamavam a artista que ao retirar-se do palco, levava consigo o arrebatamento e a fascinação de quantas almas a compreenderam. Diríamos quase uma luta insistente...querendo o público dominá-la por sua vez. Ilusão porém: GUILHERMINA SUGGIA não voltou com seu instrumento e no silêncio que se fez sentimos que só a sua ausência o provocara, desolado, como uma luz que ao sumir-se mais densas torna as trevas!

Continuou o concerto com mais uma obra do paisagista Delius “ O Jardim do Paraíso”, e por último, o bailado fantástico de Holst “ O Doido Varrido”. Obra interessantíssima e impressionante de ritmo e contrastes, lembrando-nos tecnicamente Falla.
O maestro obteve no final a mais eloquente manifestação do auditório, merecendo muito especial menção a grande Orquestra da Emissora Nacional, que tão brilhantemente cumpriu o seu dever.

Logo à noite, realizar-se-á o segundo concerto sinfónico, sob a direcção de Malcolm Sargent e o concurso de GUILHERMINA SUGGIA, em que se ouvirá entre outras obras o famoso concerto de Elgar e a 3ª Sinfonia de Brahms.

B. A. de S.

1º de JANEIRO, 28 de Janeiro de 1943

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novembro 09, 2004

BOAS NOVAS

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Foi agradável ter recebido de Inglaterra o CD de SUGGIA e saber que a equipa do WEBLOG elegeu o "GUILHERMINA SUGGIA" como o blogue da semana. Agradecemos à equipa do Paulo Querido, reconhecidamente.

Publicado por vm em 06:14 PM | Comentários (2)

NO PORTO, DURANTE A 2ª GUERRA MUNDIAL

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Também durante a guerra, na antiga feitoria inglesa do Porto, mulheres inglesas que habitam nesta cidade criaram um organismo para colaborar com a Cruz Vermelha.
Mulheres de bata branca fazem pensos e ligaduras e ajudam a socorrer soldados britânicos feridos na guerra. Miss Muriel Tait, amiga inglesa de Suggia, orienta esses grupos que deixam as suas casas na Foz, na Boavista, em Matosinhos, em Leça... para se dedicarem algumas horas por dia a este tipo de solidariedade.
Guilhermina Suggia participa, com dedicação, nessa tarefa humanitária.
Outras vezes, é solicitada para conselhos técnicos e musicais.
Suggia, generosamente, diz que sim.

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre” de Fátima Pombo

Publicado por vm em 10:49 AM | Comentários (2)

novembro 08, 2004

CONCERTO DE MARIA ALICE FERREIRA NO TEATRO RIVOLI EM 4/5/1937

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Na noite de estreia(4/5/37) da jovem - 15 anos - discípula de Guilhermina Suggia, Maria Alice Ferreira.
Da esquerda para a direita vemos Maestro Pedro de Freitas Branco, Maria de Lourdes Ferreira, Maria Alice Ferreira e Guilhermina Suggia.

Publicado por vm em 11:27 AM | Comentários (0)

novembro 07, 2004

AUTO RETRATO DE ANTÓNIO CARNEIRO "RENDIDAMENTE A GUILHERMINA SUGGIA"

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do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre" de Fátima Pombo

Publicado por vm em 11:16 AM | Comentários (0)

novembro 05, 2004

CRÍTICA A CONCERTO COM MARIA ALICE FERREIRA NO TEATRO RIVOLI, EM 4 DE MAIO de 1937

Uma noite de vibrante arte, decorrida em ambiente de palpitante interesse, a de ontem, no Teatro Rivoli, para audição da grande Orquestra Sinfónica da E.N. com a colaboração de uma nova e insinuante figura de artista, M.elle Maria Alice Ferreira.

A abrir o concerto, o conjunto orquestral executou essa vulgarizada abertura de Wagner – Rienzi – em que, num apreciável equilíbrio de naipes, evidenciou ampla sonoridade. Pedro de Freitas Branco conduziu essa harmoniosa composição com vigor.
A seguir – o atractivo da noite – a apresentação pela primeira vez em público, como concertista, de M.elle Maria Alice Ferreira, que actuou com os professores da orquestra.
Figura insinuante, consciente da sua personalidade, M.elle Maria Alice Ferreira tem uma apresentação distinta, enfrentando o público – a vasta sala do Rivoli estava cheia! – com toda a serenidade, com a tranquilidade que só se adquire ao longo de um largo treino artístico.
A peça de concerto que lhe coube foi o “Concerto, em ré menor” de Edouard Lalo – composição eriçada de dificuldade de interpretação. A jovem concertista – quinze anos floridos de graciosidade e inteligência – demonstrou logo, no prelúdio, a sua forma primorosa de tocar. Magnífica posição, atitude levemente decorativa e uma expressão nítida de quem vibra com as harmonias musicais. Arcada elegante, larga, simultaneamente rigorosa e delicada, arrancando o som com leveza e agilidade.
O “intermezzo” e os três andamentos do “final” foram executados com segurança, brilho e vivacidade.
Estava submetida ao juízo do público – assistência de “escol” – a jovem artista, que logo firmara, num domínio absoluto, os seus créditos, conquistando, sem favor, os aplausos, que foram demorados e carinhosos.
A segunda parte do programa coube à distinta concertista e a sua irmã M.elle Maria de Lourdes Ferreira, que a acompanhou ao piano.
Dotada de uma memória invulgar – executou todas as obras a seu cargo sem partitura – M.elle Maria Alice Ferreira, interpretou um trecho da ópera “Orfeu” de Gluck, com magnífico som. O mimoso “Rondo” de Boccherini foi realçado com nuances de efeito. “Aprés un rêve” de Fauré, demonstrou colorido e sugestiva poesia. O trecho de David Popper, “Spinnlied”, no movimento da sua composição, extraordinária agilidade na concertista. Muitos aplausos coroaram a segunda parte do programa, de tal forma que, M.elle Maria Alice Ferreira teve de executar em extra, novo trecho.
A abrir a terceira parte do programa o maestro Pedro de Freitas Branco, anunciou que a orquestra, grata ao público do Porto pelo seu carinhoso acolhimento, ia executar “As danças do Príncipe Igor”.
De facto, essa exuberante página, rica de efeitos, de Borodine, foi realçada pela orquestra brilhantemente.
Novamente M.elle Maria Alice Ferreira, com a colaboração da orquestra, em boa unidade, e sob a direcção de Pedro de Freitas Branco, atacou o “Allegro Apassionato” de Saint-Saëns. A jovem concertista acentuou a sua técnica num domínio invulgar, raro, sobretudo na sua idade. Empolgou, especialmente a assistência na execução de “Kol Nidrei” do compositor alemão Max Bruch. Evidenciou colorido e aliciante emoção. A célebre “Tarantelle” de Popper, obteve na arcada da concertista um apreciável relevo. Em extra, e para corresponder aos aplausos, a distinta artista fez-se ouvir na “Vespa” – composição do reportório das grandes violoncelistas – com toda a propriedade e realce de efeitos.
Uma grande noite para o público e para M.elle Maria Alice Ferreira que constituiu uma revelação, afirmando-se uma violoncelista de estilo, com personalidade, qualidades excepcionais da concertista em todas as suas modalidades. Magnífica, aplaudível, iniciativa a da sua apresentação em público que documentou com um valor incontestável na arte musical portuguesa. Registamos o acontecimento com satisfação. Foi muito aplaudida, aplausos de que compartilhou a sua professora, a grande violoncelista GUILHERMINA SUGGIA que, de um camarote, assistiu orgulhosa da sua obra, ao concerto.
M.elle Maria Alice Ferreira foi brindada com dezenas de “corbeilles” de preciosas flores e muito cumprimentada.
O maestro Pedro de Freitas Branco e os professores que o acompanharam foram distinguidos, também, com demorados aplausos.
A sala estava cheia, vendo-se nas várias lotações do teatro pessoas de representação social no nosso meio, a maior parte das quais em traje de concerto. O aspecto da sala produzia vistoso efeito. – M.F.

Hoje, às 21, 45, realiza-se o segundo e último concerto da Orquestra da Emissora Nacional, em que toma parte, numa preciosa colaboração, a grande violoncelista GUILHERMINA SUGGIA.
O nome prestigioso desta artista é garantia suficiente de interesse para o “escol” da sociedade portuense.

1º de JANEIRO- 5/5/1937

Publicado por vm em 10:26 AM | Comentários (0)

novembro 04, 2004

VIAGEM À AMÉRICA

Guilhermina sabe que familiarmente não tem ninguém, embora confie em Clarinda e num punhado de amigos. A possibilidade de tocar nos E. U.A. não se dissipa, contudo, dos seus interesses.


Metropolitan Opera Assocíation, Inc.
Metropolitan Opera House - New York, 18 N. Y.
23 de Fevereiro de 1950


Cara Senhora Suggia,

Fiquei muito feliz por ter notícias suas e contentíssimo pela sua vinda à América.
Penso que não vivo aqui há tempo suficiente para lhe dar conselhos realmente úteis. Por outro lado, durante os três ou quatro meses que já aqui passei, tenho trabalhado exclusivamente em assuntos de ópera, não estando portanto bem familiarizado com as condições dos concertos. Contudo, o Sr. André Mertens, Více-Presidente da Corporação de Concertos da Columbia, é um velho amigo meu e enviei-lbe a sua carta com o pedido de a aconselhar. Estou certo de que o Sr. Mertens lhe escreverá e penso que na sua ida à Europa, dentro em breve, se poderia pensar num encontro. Pode confiar completamente nele, um alto executivo de uma das organizações de concertos mais prestigiadas do país.
Com os melhores cumprimentos,
De Vossa Excelência
Atentamente
Rudolf Bing


Mas a viagem à América jamais se realizará, porque a doença de Guilhermina é impiedosa.
«- É a primeira vez que tenho de cancelar uma 'tournée», afirma ela com tristeza.

Do livro”GUILHERMINA SUGGIA - A Sonata de Sempre” de Fátima Pombo

Publicado por vm em 10:41 AM | Comentários (0)

novembro 03, 2004

CARICATURA DE GUILHERMINA SUGGIA DA AUTORIA DE CARLOS BOTELHO

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do livro "GUILHERMINA SUGGIA- A SONATA DE SEMPRE" de Fátima Pombo

Publicado por vm em 11:29 AM | Comentários (0)

novembro 02, 2004

DON QUIXOTE DE LA MANCHA- UMA OBRA-PRIMA ESPANHOLA

DON QUIXOTE DE LA MANCHA

Uma obra-prima espanhola (por GUILHERMINA SUGGIA)

(Madame Suggia não necessita de introduções para o público. É conhecida como uma das maiores violoncelistas vivas – provavelmente a maior de todas. Madame Suggia foi recentemente condecorada no seu país com a Ordem de San Thiago de Espada, pelos serviços prestados à música e pela forma como levou o nome de Portugal a todos os países amantes de música. É uma excepcional honra, muito raramente dada a uma mulher.)

É um pouco tarde, reconheçamos, para pretender impor uma nova coroa de louros ao maior escritor de Espanha – sobre o “Don Quixote” foi já dita a última palavra. O grande contemporâneo de Shakespeare figura desde há muito entre as grandes personalidades universais – não há país que lhe não tenha prestado homenagem, nenhuma literatura poderá considerar-se completa sem uma tradução do seu livro.

Contudo, segundo Francisco Rodríguez Marin, cuja excelente edição (1911) de Cervantes tenho ante mim, o “Don Quixote” é pouco lido, mesmo em Espanha. Quanto a obras como “La Galatea” ou “Persiles” e “Sigismunda”, de menor importância mas de grande valor literário, raros são aqueles que as lêem – mesmo tendo por autor Cervantes!
Quantas pessoas, inclusive “literatos”, leram realmente o “Don Quixote” até ao fim? Ao dizer que o leu, a maioria mente, não ousa confessar que o não leu; e esta mentira inocente é, afinal, um grande tributo prestado a Cervantes. DE que outro livro se poderá dizer o mesmo? Foram muitos os que o começaram a lê-lo, mas o abandonaram antes do final da primeira parte; consideram-no uma obra “antiquada” ou são incapazes de aprender a sua delicadeza e a sua beleza e de compreender a graça e o humor dos “chistes” andaluzes.

RISO E LÁGRIMAS
O “Don Quixote” não é um livro fácil. É um colossal monumento. Intimida, mais do que convida à leitura. Foi esta a minha experiência. Amei o livro muitos anos antes de o ler, com o sentimento que sempre me toma perante uma grande obra-prima: receio de a abordar por puro respeito e devoção. E, no entanto, desde a infância que o “Don Quixote” me fôra apresentado como uma das obras cimeiras da literatura universal.
Li o livro várias vezes, em espanhol; e foi como se tivesse lido metade da literatura mundial. Não sei se alguma vez quererei ler outro livro ou se não preferirei voltar sempre ao “Don Quixote”.
“Don Quixote” é habitualmente considerado um livro cómico; na verdade, embora a sua leitura, sobretudo a da segunda parte, nos possa fazer rir, e a da primeira parte nos suscite o sorriso e as lágrimas, trata-se de um livro profundamente filosófico e simbólico.
“É um tesouro inesgotável de descrições e de imaginação”, escreveu o famoso José Gallardo em 1835. “Ainda que Cervantes não tivesse escrito mais do que os versos que o infeliz pastor Crisóstomo dedica a Marcela, por cujo amor morre, ou as palavras ditas no funeral do pastor pelos amigos, que atribuem à amada a responsabilidade pela morte e a consideram cruel e ingrata, ou as mensagens de Dom Quixote à sua Dulcinea, ou os conselhos dados a Sancho Pança ao aceitar este o cargo de governador da ilha de Barataria, a sua imortalidade estaria garantida”.

SANCHO O TAGARELA
Na segunda parte do livro – mais apurada e de maior coesão que a primeira - , Sancho é impagável na sua argumentação e divertidíssimo com os seus provérbios. No início das suas deambulações, Dom Quixote proibira o escudeiro de lhe dirigir a palavra e durante muitos dias e noites ambos vagueiam em silêncio pelos bosques, levando Sancho à beira das lágrimas.
Para Sancho, guardar o silêncio por um breve momento que seja é uma tortura; e quando o seu amo lhe permite falar livremente não sabemos o que mais admirar, se os conselhos claros e avisados de Dom Quixote, se a perspicácia e simplicidade de Sancho. É divertido seguir a evolução de Sancho Pança desde os primeiros dias. No início, é um homem rude que mal sabe falar e que o leitor imagina intelectualmente ao nível do seu “ruço”, um simplório ambicioso mas de bom feitio, a antítese de Dom Quixote. Depois, em contacto com o espírito esclarecido e o trato e discurso refinados de seu amo, melhora a sua educação. Por fim, torna-se tão loquaz e interveniente, que acabamos por nos perguntar se ele não é afinal o mais desequilibrado dos dois.
A diferença está, contudo, em que Dom Quixote acredita em todas as fantasias, encantamentos e fenómenos de magia, mas sempre em associação com o espírito de cavalaria; no resto, é perfeitamente normal. Ao passo que Sancho, mesmo acreditando, no seu subconsciente, em alguns destes fenómenos fantásticos, sabe que, no fundo, não são mais do que produtos da imaginação.
Prova disto é o diálogo que Sancho trava com o escudeiro do Cavaleiro dos Espelhos e o que diz ao montar, com o seu amo, o cavalo de madeira de Malanbruno, Clavilenho, para a cavalgada aérea (uma das muitas partidas forjadas pelos duques para se divertirem).

A PAR DE SHAKESPEARE
Não é fácil encontrar o tipo de Dom Quixote nos dias de hoje: o antigo, o verdadeiro espírito de cavalaria está em processo rápido de extinção.
Quanto à sua loucura podemos perguntar-nos se existe algum ser humano, por mais altas que sejam as suas qualidades de inteligência e sensibilidade, que não tenha uma parte de loucura. Quixote, esse homem ridículo, era um grande senhor, generoso, magnânimo e corajoso. E morreu com plena lucidez, devoção religiosa e afecto pelos outros. Não é injusto rirmo-nos deste homem?
Segundo Angel Salcedo, “Don Quixote” é uma obra de piedade e amor que nos reconcilia com o género humano, ensinando-nos que nos devemos perdoar as fraquezas da nossa natureza e que, ao rirmo-nos dos outros, por mais loucos que nos pareçam, estamos a rir-nos de nós mesmos.
Em carta a Schiller, Goethe referiu a obra de Cervantes como um tesouro maravilhoso e uma lição de verdade. Fitzmaurice-Kelly afirma que a obra de Cervantes é “ouro puro”. Se Shakespeare escreveu “Hamlet” – o “Hamlet” -, Cervantes escreveu “ Don Quixote” – na verdade dois “Don Quixotes”. Facto sem paralelo na literatura.
O primeiro autor foi o maior dos dramaturgos; o segundo, o primeiro dos romancistas. E ambos devem a uma só obra a sua fama universal.

GUILHERMINA SUGGIA

(In John O’London’s Weekly, 23 de Fevereiro de 1924)
Tradução de Luís Castanheira Lopes
Texto cedido por Isabel Millet

Publicado por vm em 11:20 AM | Comentários (3)

ASSOCIAÇÂO GUILHERMINA SUGGIA- SINDICATO DOS MÚSICOS

A Direcção do Sindicato dos Músicos tem o maior empenho e honra em associar-se a esta iniciativa, na convicção de ser a preservação da memória colectiva dos nossos valores culturais o garante futuro dessa vivência cultural, tão comprometida na actualidade.

Mais gostaríamos de vos comunicar que estamos a inventariar o nosso espólio e arquivos históricos nos quais, com grande probabilidade, se deverão encontrar referências à grande violoncelista e à sua quase certa passagem pelo Sindicato, como associada (a associação ao Sindicato Nacional dos Músicos foi compulsiva até ao 25 de Abril). Dar-vos-emos conta de todos os “achados” eventualmente realizados.

Os serviços do Sindicato estarão, em tudo o mais, disponíveis para colaborar nessa vossa obra.

Finalmente, associam-se como apoiantes individuais os membros dos Corpos Gerentes: Carlos Alberto de Passos, Rui Fernandes, Paula Pestana, Luís Cunha, César Viana, Vasco Broco, António Vitorino de Almeida, Carlos Azevedo, Sales Martins, Vítor António e Aníbal Varela.

Com as melhores saudações musicais,

A Direção do Sindicato dos Músicos

Publicado por vm em 10:51 AM | Comentários (2)

novembro 01, 2004

O VIOLONCELO 3/4, VINDO DE PARIS, COM QUE SUGGIA APRENDEU

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Este é o violoncelo mandado vir de Paris pelo Visconde Villar D'Allen, com que GUILHERMINA SUGGIA aprendeu a tocar.

Fotografia actual cedida por José Alberto Allen

Publicado por vm em 11:41 AM | Comentários (0)