março 19, 2005

DICIONÁRIO NO FEMININO ( SÉCULOS XIX-XX)

Foi recentemente editado por Livros Horizonte, com apoios de Assembleia da República, Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, Fundação Calouste Gulbenkian, FCT- Fundaçãp para a Ciência e a Tecnologia e Instituto Camões, com direcção de Zília Osório de Castro e João Esteves e Coordenação de António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu e Maria Emília Stone, o "DICIONÁRIO NO FEMININO".

GUILHERMINA SUGGIA, uma das mulheres que mais honrou Portugal, e que viveu entre 1885 e 1950, é ignorada. Lamentamos e ficamos tristes. Esperamos que numa futura edição esta lacuna seja preenchida.

" Projecto colectivo de mais de seis dezenas de estudiosos/as, oriundos de diversas áreas do saber, o Dicionário no Feminino tem como finalidade dar a conhecer mulheres de diferentes gerações e meios que lutaram para alterar a sua condição legal, social, política, económica, cultural, religiosa e familiar na sociedade portuguesa. Composto por cerca de três mil entradas, procurou abarcar a imprensa feminina do século XIX e primeiras décadas do século XX, congregações religiosas, associações, instituições, organizações de mulheres e nomes com sensibilidades e protagonismos antagónicos, de forma a fazer sobressair o maior número de aspectos da intervenção pública feminina, muita dela ignorada ou silenciada, como se as mulheres não tivessem passado, não fossem portadoras de memória e não lhes coubesse o seu quinhão no devir histórico. Parte dos nomes publicitados só agora começam a ser identificados e a merecer atenção. Malgrado as omissões, lacunas e insuficiências, é possível encontrar nele actrizes, cantoras líricas, católicas, comunistas, condessas, deputadas, dirigentes associativas, domésticas, escritoras, feministas, jornalistas, liberais, maçónicas, marquesas, mestras de Escolas Régias de Primeiras Letras, miguelistas, monárquicas, operárias, presas políticas, professoras, rainhas, republicanas, resistentes e socialistas, a par de muitas anónimas que não se integram nestas classificações. O Dicionário continua aberto à colaboração de todos/as que queiram corrigir ou acrescentar dados, discordem de interpretações propostas ou queiram cooperar com outras entradas e novos conteúdos. Concebido como uma obra aberta, deseja-se que constitua um ponto de partida para outras investigações."

De quem é, afinal, a culpa de Guilhermina Suggia ser ignorada no seu próprio país?


Publicado por vm em março 19, 2005 10:23 AM
Comentários

omissão de Guilhermina Suggia é imperdoável, para mim, consequência da pouca valorização que se dá à música neste país. cumprimentos

Afixado por: isabel em março 22, 2005 12:34 PM

estive a consultar o dicionário e confirmei as minhas suspeitas: também a pianista Helena Sá e Costa está ausente. imperdoável

Afixado por: isabel em março 23, 2005 01:23 AM

De facto, e fazendo uma consulta mais cuidada, há grandes faltas no campo da música. Certamente haverá noutros. De resto os coordenadores admitem essa hipótse. Mas há faltas que são imperdoáveis e muito significativas. Que pena.

Afixado por: vm em março 23, 2005 10:34 AM

O trabalho é, de facto, um bom ponto de partida, mas tem uma perspectiva fundamentalmente literária e, acho eu, bastante virada para a acção política.

Por exemplo, aparece a entrada relativa à Condessa de Proença-a-Velha, mas menciona apenas que colaborou em dois periódicos feministas. A sua faceta de compositora e organizadora de eventos musicais é ignorado. Também reparei nas outras ausências musicais.

Vamos ter de esperar pela segunda edição...

Afixado por: Teresa Cascudo em março 31, 2005 01:08 AM

Um outro caso é, no que se refere a Maria da Graça Amado da Cunha, ser totalmente ignorada como grande pianista que foi.
Não há dúvida de que a música não faz parte da vida de quem participou no dicionário. É pena!

Afixado por: vm em março 31, 2005 10:33 AM

Pois é, o caso da Maria da Graça Amado da Cunha é também incompreensível (na perspectiva que assinalei no comentário anterior como sendo a que orientou o trabalho), porque ela sim se bateu politicamente tomando aliás opções arriscadas.
Tive apenas duas entrevistas com ela, mas foram suficientes para eu ter ficado fascinada, até hoje, pela sua personalidade e pela sua maneira de estar no mundo.
É pena que só existam aquelas duas gravações da Strauss com ela a tocar maravilhosamente obras do Lopes-Graça.

Afixado por: Teresa Cascudo em abril 1, 2005 01:07 AM