julho 30, 2004

GUILHERMINA SUGGIA MORREU HÁ 54 ANOS

Suggia confiou a um amigo «que chegou para morrer». Não hesita em fazer as últimas disposições e as últimas despedidas.
Escolhe o vestido que levará para o túmulo. Ordena que lhe arranjem o cabelo e as unhas. Quer os lábios pintados. Deitado ao seu lado, na cama, o violoncelo.

Guilhermina Suggia morre na sua casa do Porto, na noite de 30 de Julho de 1950. O numeroso funeral sai da Rua da Alegria, 665, na terca-feira, 1 de Agosto de 1950. Pelas 11.30 h, na Igreja da Lapa, é a missa de corpo presente. Será enterrada no cemitério de Agramonte.

Na cidade de Prades, nos Pirinéus Orientais de França comemoram-se, em Julho de 1950, os 200 anos da morte de Bach (1685-1750), sob a direcção de Pablo Casals.
O violinista Alexander Schneider, um dos amigos mais íntimos de Casals, com incansável entusiasmo defendeu e concretizou a ideia de realizar um festival em Prades para celebrar esse acontecimento. Esta calma localidade tornou-se, de repente, anfitriã das maiores celebridades musicais. Suggia é convidada de honra, ela que nasce e morre 200 anos depois do mestre alemão, que tanto admira. Talvez tenha sido a incontornável recusa deste convite uma das situações mais dolorosas da vida de Guilhermina Suggia.

Do livro “GUILHERMINA SUGGIA- A Sonata de Sempre” de Fátima Pombo

Publicado por vm em julho 30, 2004 12:21 AM
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