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abril 30, 2012

A C.O.S.A cercada pela polícia! alerta! hoje 30 Abril (21h) Setúbal

30 Abril, 21h Alerta! Alerta! todos à C.O.S.A., em Setúbal, agora! Polícia cerca a C.O.S.A

Segundo telefonema recebido por um voluntário do Indymedia de Portugal, de fonte segura, muita polícia em frente à C.O.S.A, Casa Okupada Setubal Autogestionada", em Setúbal!
Apela-se a todos e todas que se dirijam para lá ! Solidariedade!!!

COSA - Casa Ocupada de Setúbal Autogestionada

Rua Latino Coelho nº2 (Junto à estação dos autocarros) -Setúbal

Para já parece ser apenas uma tentativa de intimidação. Estaremos vigilantes!
Seguir-se-ão atualizações!

No pasáran!!!

Via Indymedia.

Publicado por [POKE] às 10:18 PM | Comentários (9)

abril 28, 2012

As referências da campanha sarkozista.

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"Le Vrai travail", amnésie du candidat Sarkozy par nadysarko

Publicado por [Shift] às 05:20 PM | Comentários (2)

abril 27, 2012

No fim-de-semana escancaramos as portas

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Rua de S. Lázaro, nr 94. Os degraus e corredores acumulavam pó e desolação. Por estes dias enchem-se de passos entusiásticos. Respiram-se possibilidades. Dias em que cada vez mais pessoas se entregam à partilha de sonhos para um projecto comum, à gestão colectiva e horizontal do espaço, à limpeza e arrumação deste prédio antes imóvel e imundo.
Um prédio que certa vez já foi ocupado – 24 de Novembro de 2010 era dia de greve geral e a greve não parava ali. Mas a polícia expulsou e deteve os que lhe quiseram dar vida e a câmara garantiu ter para aqui um projecto. Ano e meio depois o projecto está à vista: morte lenta. Ser um entre os 4700 edifícios abandonados em Lisboa. Um entre centenas de edifícios públicos mantidos inúteis pela inutilidade da câmara municipal.
Demasiada casa sem gente e demasiada gente sem casa. Esta ganhou vida! No 25 de Abril, em solidariedade com o Es.Col.A, reocupámos S. Lázaro.
No fim-de-semana escancaramos as portas – inauguração é festa rija. Há solidariedade com o Es.Col.A: música ao vivo e jantar benefit para um projecto pilhado e vandalizado pela terceira vez pela câmara do Porto. Há encontro da Primavera Global: aberto a tod@s @s que queiram ajudar a preparar também em Lisboa o maio em que o mundo inteiro volta a sair à rua. Há até um cabaret: espectáculo de variedades insubmisso e inesquecível. Há uma loja grátis: de forma livre e sem dinheiro, de roupa a jogos, de livros a escovas de dentes, deixa-se aquilo que se pode e leva-se aquilo de que se precisa. Há feira do gado: espaço de partilha e de venda de tudo o que se queira, e onde todos estão convidados a montar estaminé.

Há o desafio de transformar um espaço abandonado num espaço comunitário. Nesta cidade saqueada pela ganância de poucos, somos muitos para libertar espaços e celebrar a autonomia. Fica o apelo: para que também tu te juntes a esta ideia – porque as ideias não podem ser despejadas.


Sábado
11h - 16h Reunião Primavera Global
16h - Solidariedade com o Es.Col.A: Matiné com música ao vivo + Jantar/Convívio "A Fontinha é nossa Vizinha" ou "Faremos do Rui Rio a nossa retrete"

Domingo

14h - Feira do Gado
16h - Cabaret de variedades


Loja grátis (todo o fim de semana)
São Lázaro 94

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:08 PM | Comentários (4)

Hoje a revolução sai à rua. Cuidado com os anarquistas da pandeireta!

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Só é preciso escolher, o programa é variado:

Manifestação pública de protesto, durante a visita de Cavaco Silva, hoje, às 17h, na Câmara Municipal de Águeda.

Hoje, às 21h30, no IPJ, em Coimbra! Entaipa o Rio!

Não queremos que falte trabalho aos subordinados do Bagina, mas curioso mesmo é que quando eles não aparecem geralmente não se passa nada...

No sábado passado na concentração do Camões de solidariedade com o Es.Col.A., havia mais polícia que manifestantes, podiam ter-se juntado à malta. Os bastões eram fixes para a batucada. Fofinhos!!

Publicado por [POKE] às 04:34 PM | Comentários (2)

abril 26, 2012

25 de Abril chique não é para todos... come together

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Se o meu cravo não for chique a revolução não vale a pena. Fuck Yeah! - Madame Mubarak.

Publicado por [POKE] às 02:56 PM | Comentários (8)

CANALHA - O teu tempo chegou ao fim

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antes emparedado do que ocupado

Canalização destruída, sanitas e lavatórios para o lixo, haveres da Es.Col.A. retirados, mobiliario destruído, instalação eléctrica propositadamente estragada.

A Es.Col.A. está neste momento vazia e emparedada. Mais um espaço público devoluto de pessoas e bens, como a Câmara sempre quis.

Assembleia no Largo da Fontinha - 18.30

Publicado por [POKE] às 01:49 PM | Comentários (1)

Setúbal Rock City

A manifestação do Primeiro de Maio do ano passado em Setúbal foi alvo de uma repressão brutal que só por acaso não fez feridos graves ou algo mais sério. Já finda a manifestação a polícia carregou disparando balas de borracha contra um pequeno grupo, sem aviso prévio e sem qualquer tipo de provocação, alguns tiros de fogo real foram ainda disparados para o ar. O caso foi largamente ignorado pelos media, nenhuma jornalista foi agredida, ainda que o nivel de violência por parte da polícia tenha sido largamente superior ao que mereceu uma investigação interna na passada greve geral. O que foi demonstrado naquele dia foi o que muita gente, infelizmente, já conhece por experiência própria: que o comportamento da PSP longe das objectivas e junto dos que não têm representação mediática é simplesmente bárbaro e assassino. Repara-se que aquando da sua audiência parlamentar o ministro Miguel Macedo não se queixou de os manifestantes se organizarem para resistir à violência polícial, queixou-se de estes se organizarem para a documentar. O que só sublinha que no que toca à PSP a mera realidade é brutal como um puto de 14 anos executado com um disparo à queima-roupa na nuca.

Mas em Setúbal o pessoal não se deixa intimidar e volta a organizar um primeiro de maio anti-autoritário: Às 14h no Largo da Misericórdia.

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Publicado por [Party Program] às 08:41 AM | Comentários (5)

abril 25, 2012

Não se pode "tolerar" o que não se controla

No Porto cerca de duas mil pessoas reocuparam a escola da fontinha

Em Lisboa cerca de 40 pessoas ocuparam em solidariedade com o ES.COL.A. um prédio no nº da Rua São Lázaro perto do hospital de São José onde está neste momento a ser servida uma refeição.

O seu manifesto:

"A Fontinha é nossa vizinha

Antes emparedado que ocupado parece ser o último argumento de um poder que conseguiu sem grande esforço esvaziar as cidades dos seus próprios habitantes, empurrados para os subúrbios ou mesmo para a rua. São centenas de milhares de fogos vazios, deixados ao abandono. Abandono que também vemos nos olhos de quem fez da rua a sua casa. Cada vez mais olhares de abandono, cada vez mais abandono nos olhares. Decretamos, neste dia que se quer de liberdade, tolerância zero a este processo de requalificação urbana, que à custa da miséria de muitos ergue mansões e hotéis para alguns.

Bons ventos sopraram do Norte e recebemos com alegria as notícias que nos chegavam do Bairro da Fontinha, no Porto, onde o colectivo Es.Col.A. recuperou, dinamizou e manteve durante um ano, sem nada pedir à Câmara que durante cinco anos os esqueceu, um projecto de reaproveitamento de um espaço público. Num curto texto seria difícil enumerar a quantidade de actividades diárias que durante um ano fizeram com que a população da Fontinha entendesse o quão importante era dar o seu apoio e será com certeza impossível descrever o empenho de quem, sem nada receber em troca e pelo puro prazer de transformar a cidade num sítio mais aprazível para todos, ofereceu jantares grátis diariamente e deu apoio educativo numa altura em que as escolas se fecham a cadeado. E não podemos senão imaginar a tristeza com que foram recebidas aquelas imagens de livros escolares, computadores e bicicletas a serem atirados pelas janelas para um pátio esvaziado das suas pessoas. “Propriedade privada” não quer dizer nada quando o proprietário está falido, financeiramente e de legitimidade.

Foi bonita a festa. Ficámos contentes. Alguns de nós marcharam as léguas que nos separam para colher pessoalmente uma flor do vosso jardim. Recebemos agora, com tristeza, a notícia do rio que vos quer arrastar. E pensamos, aqui longe, tanto mar, tanto mar. Alguns de nós não puderam hoje navegar. E pensámos em enviar um cheirinho de alecrim.

“Temos uma ideia na cabeça. Despejem-na, se conseguirem”- Jantar em solidariedade com a Es.Col.A. na casa ocupada de São Lázaro nº94 - 21h00"

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Publicado por [Party Program] às 09:02 PM | Comentários (3)

Publicado por [Saboteur] às 12:42 AM | Comentários (1)

abril 23, 2012

Enredos quase inocentes

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A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa. A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais.
Constituição da República Portuguesa, Preâmbulo

Poema pouco original do medo
O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Alexandre O'neill

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:48 PM | Comentários (6)

A nossa luta não morre: a Fontinha na 1º pessoa


Publicado por [Rick Dangerous] às 01:08 PM | Comentários (4)

À segunda-feira há um jornal menos aborrecido

Reduzi a compra de jornais (e a consequente disponibilização destes aos clientes que bebem aqui um cafézinho) a apenas 1 por semana: O i à segunda-feira.

Todas as segundas Ricardo Noronha escreve uma pequena coluna de opinião que diz mais verdades numa dúzia de linhas do que o quiosque de jornais inteiro.

Hoje também vale a pena ler no mesmo jornal uma entrevista a Rob Riemen, autor do ensaio "O Eterno Retorno do Fascismo"

Publicado por [Saboteur] às 12:53 PM | Comentários (2)

abril 22, 2012

Amanha, ser estrangeiro em França vai ser punido por lei

Amanha, quando o dia amanhecer, nas ruas e nos transportes públicos vou olhar à minha volta e vou ter uma impressão de estar rodeada de fascistas, chauvinistas, pétainistas (quase 20% na Le pen ???). A França é um país de direita com um minoria de esquerda. Esta minoria, forte nas ruas e com capacidade de agitação de ideias, conseguiu dar uma identidade revolucionaria ao país. O sentimento quando se quantifica as vozes é por essa razão quase sempre de desilusão. Historicamente, essa minoria teve por varias vezes de pegar em armas para forjar uma reviravolta no estado de coisas. é portanto urgente que a esquerda repense quais são as melhores armas de luta contra a dupla de fascistas e de especuladores financeiros.

Publicado por [Shift] às 10:31 PM | Comentários (6)

A PSP à caça de inimigos internos

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Temo bem que, mais do que uma idiossicrática reacção autoritária de alguém que sentiu a sua autoridade desafiada, o que esteja em causa seja o tipo desse desafio – e que, mais do que as relações de poder a um nível local, o que esteja em causa seja a actual paranóia securitária do “inimigo interno”, que parece ter-se consolidado numa fase de o tentar “fazer saltar”. Explico-me:
Incapazes de compreender que o potencial de violência, decorrente da actual e galopante precarização de vida, radica nos mais comuns dos cidadãos por ela violentados, as pessoas que realmente agarram as rédeas da segurança pública continuam a apostar na busca e controlo de “inimigos internos”.
Não conseguindo colar esse selo aos sindicatos e partidos institucionalizados, procuram os tais inimigos públicos nos movimentos recentes, que encaram como “tipo anarquistas” e potencialmente proto-terroristas, mas que têm dificuldade em espiar e controlar pelas técnicas habituais, devido à sua fluidez e pouca estruturação.
Nada se passando de particularmente perigoso que possa legitimar uma escalada repressiva ou medidas de excepção que violem legalmente direitos fundamentais, tudo indica que procuraram criar essa situação de perigo. A 24 de Novembro, a coisa não resultou. Tão pouco resultou a 22 de Março, pela evidente e chocante desproporção entre a actuação policial e aquilo a que supostamente reagia.
Neste quadro, o aumento e musculação do controlo sobre aqueles que não têm direito a ter direitos (pela sua pobreza, tom de pele e por se conseguirem sempre caçar uns quantos “imigrantes ilegais”, mesmo que cá tenham nascido) tanto pode ser um treino, como uma mentalização, como uma tentativa algo canhestra de “isolar problemas” – ou tudo isso em conjunto.
Mas o concomitante “despejo” da Es.Col.A da Fontinha, projecto “alternativo” e auto-gestionário de serviço público e comunitário, traz consigo toda a marca do “inimigo interno” que teima em fazer coisas e em protestar sem se tornar no terrível e violentíssimo actor dos «piores tumultos desde o PREC». Um inimigo que, falhadas as tentativas anteriores, urge “fazer saltar”, tumultuando à luz do dia em reação à violência que lhe é dirigida.

Paulo Granjo, 5 Dias

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:40 PM | Comentários (3)

abril 21, 2012

HOJE NO CHIADO.... DIA 25......NO PORTO!

Hoje temos de mostrar a nossa solidariedade...

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... para mostrar que rios há muitos no dia 25 de Abril.

Publicado por [POKE] às 01:34 AM | Comentários (4)

abril 20, 2012

Se o Front de Gauche ganha, muita coisa vai mudar !

No comício de Marselha, aclamado pela multidão, Jean-Luc Mélenchon responde: “Tinhamos combinado que era para dizer “resistência”, não “Mélenchon ao poder”, mas não se preocupem eu sei o que fazer com ele”. Muitos jornalistas quando se encontram frente a frente com Mélenchon começam precisamente por uma questão que está intimamente ligada a esse aspecto : “não acha que há um excesso de personalização na sua campanha ?”. à partida a esta pergunta eu responderia “nem mais nem menos do que os outros candidatos”. Ser presidente em França não é mesma coisa que ser presidente em Portugal. Ser presidente em França é acumular um conjunto de poderes, é estar, diria, numa linha de governo de tradição Bonapartista onde o soberano detém um poder forte. A isto chama-se um regime presidencialista. O Front de Gauche no seu programa defende a abolição deste sistema para substitui-lo por um regime parlamentar. Portanto, torna-se estranha a acusação dos oposicionistas sobre a estratégia de personalização do candidato do Front de Gauche, quando Mélenchon é precisamente um dos únicos candidatos a defender a supressão da figura do presidente da república “absolutista”.
Mas não sejamos mais papistas que o papa, temos que assumir: o gajo é bom, é mesmo muito bom. O Mélenchon numa tribuna, é como um Maradona num campo de futebol. Espantada com o meu entusiasmo, sigo pela primeira vez uma campanha presidencial minuto por minuto, comício em comício, entrevista em entrevista. Rimos, batemos palmas, gritamos “resistência” nos bares de bairro onde assistimos colectivamente à tournée du Front de Gauche pelo país fora. É uma organização pensada, com uma fachada de espontaneidade... ainda assim parece que resultou, de um pequeno rebanho de ovelhas tornàmo-nos num mar de gente. Li o programa inteiro do Front de Gauche como se tratasse do “Evangelho segundo Jesus Cristo”. Num só rasgo. Mas em vez de um evangelho encontrei um verdadeiro programa que visa uma sociedade igualitária, começando pela implementação do salário mínimo a 1700 euros (bruto por 35h/semana) e a fixação de um salário máximo. Podem chamar culto de personalidade, “heroizaçao”, moda... o que quer que seja. Parto de uma certeza e assumo-o: deleito-me com a sua capacidade oratória, com o seu lirismo, derreto-me quando ele fala no “temps des cerises” e na bandeira vermelha, tenho uma lágrima no canto do olho quando colectivamente nos meetings dizemos “Non pasaran” ou cantamos aos milhares a internacional.
Dito isto, corre o rumor que o gajo é um pouco resmungão nos bastidores, mas o que interessa isso quando aquilo que defendemos não é apenas a pessoa mas um programa, não é apenas a forma mas também o fundo. Volto por isso ao titulo deste post: “muita coisa vai mudar”. Quando num programa assume-se a insubmissão como pratica de ação estamos automaticamente numa dinâmica de mudança. Desobediência é o termo utilizado para expressar que a França, se o Front de Gauche ganhar, não seguirá as diretivas neoliberais da Europa. Não se quer com isto demonstrar que a linha pelo Front de Gauche defendida é a negligência de um projeto político e de direitos sociais ao nível europeu. Ao contrario, pode-se ler no programa que o Front de Gauche agirá no sentido de desenvolver novas politicas europeias, libertas dos tentáculos dos mercados financeiros. O BCE, a sua missão e o seu estatuto atual, seria o primeiro alvo de uma proposta de remodelação. Esta instituição passaria a estar sob controlo democrático. Claro que quem fala assim não é gago. Mélenchon quando dá um espaço especial à Europa nos seus discursos, e quando fala nos golpes duros que a populaça dos países do Sul sofre, sabe que o seu país não é periférico, e que se a França mudar de rumo, “muita coisa vai mudar”. “Nao lutamos apenas por nos, de todos os lados observam o que estamos a fazer (...) vamos acabar com o eixo Merkozy, de violência e austeridade” (ultimo meeting – 20 de abril - Porte de Versailles). Estas palavras soam um pouco a pretensiosismo regional vindo de uma elite iluminada avangardista, mas quando sabemos que nos movemos num terreno de dominações nacionais, estas frases acabam por ser de um realismo trágico.
Mas os dois grandes feitos do Front de Gauche, do meu ponto de vista, sintetizam-se em duas grandes palavras: União e Ideias. Ter conseguido unir uma diversidade de forças, tornando-se cada uma delas mais fortes e com uma capacidade de dialogo mais ampla, é tornar colorido um espaço que nos habituamos a ver cinzento. O resultado não poderia ser outro que a criação e inscrição no espaço publico de liberdade e circulação de ideias de progresso social, pulsando tanto Sarkozy (ex°fiscalidade) como Hollande (ex°salário mínimo) a rever o seu programa. Quem diria que o PCF aceitaria tocar na energia nuclear? Eh oui, o Front de Gauche propõe uma planificação ecológica, que utiliza os avanços tecnológicos, inventividade, inteligência, no sentido de olear a engrenagem produtiva francesa em compatibilidade com as regras verdes. Por outro lado, não poderia deixar de referir que Mélenchon foi o único a dar luta à Marine Le Pen, a conseguir reduzi-la ao seu saco de veneno. A utilizar palavras justas que desconstroem um discurso que “destila odio” em relação aos estrangeiros. Não ter pejo de dizer: regularização de todos os sans-papiers. Foi o primeiro a dizer que basta de falar de integração, toda a “gente come couscous e merguezes em França”, a integração está mais do que feita (aqui há um pequeno cheiro de republicanismo à la française, palavras sinceras de humanismo universalista ao qual poderíamos opor alguns argumentos, mas ficará para um próximo texto).
Tanta coisa para contar desta campanha... uma campanha que sublinhou a importância de não ignorarmos o facto dos ricos terem uma consciência de classe, enfatizando assim a necessidade de nos organizarmos igualmente pelos nossos interesses. Domingo estarei na praça de Stalinegrad para uma soirée eleitoral organizada pelo Front de Gauche para festejar colectivamente os resultados de mudança (espero-o muito sinceramente).

Publicado por [Shift] às 11:44 PM | Comentários (12)

Imagens de um assalto à mão armada

Entrada despejo es.col.A 19 abril teaser from Viva Filmes on Vimeo.

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:43 AM | Comentários (1)

Sábado - Solidariedade com a Fontinha - Não se podem despejar ideias

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Publicado por [POKE] às 11:03 AM | Comentários (1)

abril 19, 2012

Sem conhecimento real do serviço que iriam presta


A Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais condenou hoje a Câmara do Porto por enviar 11 profissionais dos Sapadores Municipais para a intervenção de despejo do coletivo Es.Col.A, no bairro da Fontinha, "sem farda e de cara tapada".
Em comunicado, a associação refere que os 11 bombeiros foram mandados pela Câmara para intervir na ação de despejo, "alegadamente sem conhecimento real do serviço que iriam prestar".
"O Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais condena veementemente a utilização dos bombeiros, de forma alegadamente clandestina, para estas funções que em nada correspondem às que estão associadas à atividade dos bombeiros", acrescenta.


Publicado por [Rick Dangerous] às 06:00 PM | Comentários (3)

Es.Col.A - Actualizações -FLASHMOB Lisboa Hoje 18H30 Rossio - 20H00 Camões

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Depois dos criminosos acontecimentos da manhã, centenas de pessoas estão neste momento junto à CMP exigindo o despejo do rio e da Câmara do Porto.

Entretanto estão a ser convocadas concentrações de solidariedade em Lisboa HOJE às 18H30 no Rossio e às 20H00 no Largo Camões.

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Publicado por [POKE] às 02:56 PM | Comentários (5)

ALERTA Es. Col. A

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O projecto Es.Col.A no Alto da Fontinha (Porto) está a ser despejado neste momento pela polícia.
Apelamos a todos os que estejam perto da Fontinha para apoiar a resistência.
Apelamos a todos os outros para enviar e-mails de protesto para presidente@cm-porto.pt
A Câmara Municipal do Porto, ao não ter cumprido com o acordado, está a tentar matar algo que reabilita a zona do centro do Porto e que tem o apoio da população.
O Es.Col.A não será nunca despejado, porque não se podem despejar uma ideia.

via Portugal Uncut.

10:13 actualização: Há já malta presa a q estava no patio. Há resistencia no edificio. Policia de intervençao armada até aos dentes. Ultrapassaram a barricada a porta passando as grades com escadas. Desfizeram a barricada por dentro e prenderam o pessoal do sit in pacifico. Ouvem-se rebarbadouras no piso superior.
10:43 actualização: "estão a ser utilizados tasers pela polícia"
11:00 actualização: em directo na TVI24
11:17 segundo o Jn: "Assim que chegaram ao local para proceder ao despejo da escola, a população saiu em defesa dos ativistas, envolvendo-se em confrontos com os agentes do corpo de intervenção. "Houve confrontos entre a população local e as forças de segurança", explicou Nádia Leal, uma moradora, ao JN."

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Publicado por [POKE] às 10:00 AM | Comentários (2)

abril 18, 2012

Tragédia Grega

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Publicado por [Saboteur] às 07:28 PM | Comentários (2)

Stonewall was a riot

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Publicado por [Chuckie Egg] às 09:27 AM | Comentários (0)

abril 17, 2012

Algo me diz que isto dá direito ao inferno

Ainda por cima no dia em que a Irmandade do Mal ameaça regressar.

Publicado por [POKE] às 01:42 PM | Comentários (0)

abril 16, 2012

25 anos de Peste & Sida

Na sexta-feira passada os Peste & Sida comemoraram 25 anos com um concerto em Lisboa, em Alvalade, num sítio porreiro chamado República da Música.

O concerto foi bom, mas nada de especial. O destaque vai para a biografia da Banda e para o CD de tributo que era oferecido a todos os que compraram o bilhete de 15 euros.

O livro escrito por Augusto Figueira e Renato Conteiro está bastante bom. Não entra nas divagações e nas repetições que são tão comuns neste tipo de trabalho e está muito bem escrito.

O álbum de tributo é sobretudo mais um conjunto de covers do que de versões dos clássicos dos Peste, mas há muita coisa bastante boa e original como o Manuel João Vieira a cantar tipo faduncho o "Carraspana".

O melhor, para mim, ainda é a versão dos Asfixia - banda que eu (ainda) não conheço - com o tema do "Alcides Pinto"... que também se destaca pela positiva porque logo depois, no CD, vem a versão que é de longe a mais farsola: Gilberts Feed Band estragaram impunemente o clássico "Gingão".

Isto tudo para dizer ao pessoal do Porto/Norte que dia 21 podem gastar 15 euros bem gastos no Hard Club. O concerto, o livro e o CD valem bem a pena.

Publicado por [Saboteur] às 04:07 PM | Comentários (7)

Povo que lava no rio não tem medo de lutar

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:53 PM | Comentários (2)

Povo sem medo do mar não tem medo de lutar

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:46 PM | Comentários (16)

abril 15, 2012

Soundtrack of the day

Publicado por [POKE] às 10:33 PM | Comentários (2)

abril 13, 2012

Chave-de-ouro

À minha frente, no elevador, está um rapaz dos seus 16 ou 17 anos. Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que ele só quer é uma aliança com o Costa.

Publicado por [Saboteur] às 06:03 PM | Comentários (8)

abril 12, 2012

Ateus, nós?

Fui falar com o Cristo negro da Irmandade dos Ciganos. Penitenciei-me por ser portuguesa, preguiçosa, procrastinadora. Penitenciei-me por ser «de esquerda». Penitenciei-me por querer uma revolução. Penitenciei-me por aplaudir o trabalho de alguns deputados da assembleia burguesa. Penitenciei-me por acompanhar e respeitar o trabalho dos camaradas da CGTP. Penitenciei-me por ser militante de um partido. Penitenciei-me por entender as razões dos que reagem com violência nas ruas a uma violência ainda maior que lhes é imposta pela ordem financeira. Penitenciei-me por entender os que não querem estar em partido algum. Penitenciei-me por acreditar na política e por acreditar em formas diversas de lutar por uma sociedade mais justa, por achar que se pode estar em muitos sítios ao mesmo tempo e com gente diferente. Penitenciei-me pela minha juventude e pelos meus privilégios de acesso ao debate e ao esclarecimento. Penitenciei-me pelo radicalismo e pelo reformismo, pela soberba e pela traição. Mais ainda, acreditar na unidade e que há uma linha muito clara que diferencia duas formas distintas de estar no mundo: a dos privilégios e a outra (a que que acredito ser a minha). E que para cá dessa linha devemos estar juntos, com tolerância, e lutar. Guardei a última penitência para a ideia de que há uma urgência na resposta à guilhotina que nos ameaça cortar as últimas das liberdades agora, e que essa ideia não compromete um projecto político de longo prazo. Expiados os pecados, não me restaram mais forças senão para apreciar a música. Sinto-me só, no meio da banda.

Publicado por [F Key] às 02:21 PM | Comentários (5)

abril 10, 2012

Para Party Program e pour cause : PREC Tunisino !

Tunes continua ativa. Sábado os diplomados no desemprego foram espancados na Avenida Bourguiba. Ontem, manifestantes que desfilavam na mesma avenida para comemorar o dia dos mártires (em memoria de 9 de Abril 1938 -repressão de uma manifestação em Tunes pelo exército francês -) conheceram a mesma violência. Os dois cortejos denunciam também a proibição pelo governo de qualquer manifestação ou concentração na Av. Bourguiba. Lembrar que esta avenida situa-se no centro da cidade de Tunes (tipo Rossio em Lx), para além de ser um ponto em comum de todas as lutas sociais e históricas em Tunes.

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Publicado por [Shift] às 06:43 PM | Comentários (0)

Mais publicidade expelícita (que é melhor que a implícita...)

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Publicado por [Saboteur] às 02:35 PM | Comentários (17)

abril 09, 2012

Nunca o Palmeiras viu tanta actividade desde que teve obras

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Publicado por [Saboteur] às 02:53 PM | Comentários (17)

A insurreição que vem


O Governo de Tsolakoglou aniquilou qualquer possibilidade de sobrevivência para mim, que tinha como base uma pensão muito digna que paguei, por minha conta, sem qualquer ajuda do Estado, durante 35 anos. E dado que a minha idade avançada não me permite reagir de forma mais dinâmica (mas se um compatriota grego pegasse numa Kalashnikov, eu apoiá-lo-ia) não vejo outra solução a não ser acabar com a minha vida deste modo digno, para não ter que acabar a vasculhar os contentores do lixo para poder sobreviver. Creio que os jovens sem futuro vão um dia pegar em armas e pendurar de cabeça para baixo os traidores deste país na Praça Syntagma , como os italianos fizeram com Mussolini em 1945.
Carta de suicídio de Dimitris Christoulas

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:13 PM | Comentários (1)

abril 07, 2012

es.col.a - A história até agora.

Es.Col.A da Fontinha from Viva Filmes on Vimeo.

Publicado por [POKE] às 01:54 AM | Comentários (1)

abril 05, 2012

Os comboios não deviam andar para trás

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:28 PM | Comentários (1)

abril 03, 2012

Das tendências primavera-verão catalãs

Uma companheira radicada na Catalunha deixa-nos este relato da semana passada:

Dia 29 de Março: greve massiva, e considerada pela generalidade dos colectivos bem sucedida, “apenas ensombrada pelos confrontos nas ruas de, sobretudo, Barcelona”.

O que quer então dizer que foi bem sucedida? Não falando de números, na pratica quer dizer que nas ruas do centro da cidade não se viam passar nem carros nem autocarros, as lojas estavam fechadas – nem os chineses se atreveram a abrir os seus bares – as pessoas tomaram conta da rua e os pakis ficaram em casa.
Porque toda a bela tem um senão, se houve quem pôde aproveitar este grande dia de primavera para reclamar o espaço público após a ronda de piquete matutina – com um belo almoço e uma sesta nos jardinets de gràcia (estrategicamente bem posicionados para dias de mobilização) – a quantidade de policia que circulava pela cidade e os omnipresentes helicópteros desmotivavam até o ilegal mais afoito.
O desafio de momento é conseguir ter mais gente a fazer piquetes, já que as manifestações têm sido invariavelmente assombrosas. Por exemplo na quinta-feira estavam convocadas várias: a clássica – promovida pela UGT, CCOO, etc – a da CGT, CNT e SO – em sentido literalmente contrário (uma subia o passeig de gràcia e a outra descia o carrer pau claris) e uma unitária com “sindicatos alternativos, assembleias de bairro, autónomos (uma espécie de trabalhador a recibos verde à espanhola) e 15M” que supostamente sairia da Placa Catalunya com direcção ao Parlament e na qual deveria embocar a manifestação da CGT,CNT, SO e etc vinda de Urquinaona.
Obviamente às seis da tarde numa manifestação em Barcelona num dia de greve geral já tinha havido detenções, barricadas normais, de fogo e humanas, vidros partidos, pintadas, you name it, já tinha acontecido. E, assim sendo, é também óbvio que a marcha que desceu o carrer pau claris foi mais do mesmo, na verdade começou até com uma barricada de fogo para cortar o trânsito na diagonal. No entanto, apenas ao chegar a Uriquinaona, ou seja quando a que já foi considerada como a maior manifestação anarquista em Barcelona dos últimos tempos, se preparava para engrossar as fileiras da manifestação unitária-menos-sindicatos-do-regime os mossos de esquadra, que se tinham mantido bastante invisíveis durante todo o percurso, aproveitaram a desculpa dum Starbucks incendiado nesta mesma praça para cortar a ruazinha que dá acesso à Pl. da catalunya, iniciando uma das cargas policiais mais fortes que já presenciei. Foi usado gás lacrimogéneo, uma novidade por estes lados, e tão novidade que os mossos punham e tiravam as máscaras como se não soubessem muito bem o que fazer com elas.
Outra novidade é começarem a aparecer pessoas com capacetes de moto na cabeça, e tendo em conta que um dos 15 feridos graves perdeu um olho, não me espantará que a moda pegue.

Outra grande tendência é o martelo. O martelo guarda-se facilmente dentro de qualquer blusão e/ou calças e proporciona um espectáculo impressionante ao ser arremessado contra a parede envidraçada de um banco, por exemplo. O deutsche bank da diagonal teve de substituir umas quantas, dei-me conta na sexta-feira.

Voltando à vaca-fria, depois desta excursão sobre as tendências primavera-verão catalãs, os milhares de pessoas que se encontravam na pl. Catalunya e/ou que lá tentavam chegar e estavam, por isso, nas imediações foram varridos por várias levas de cargas policiais e dispersados pela, coincidente ou não, falta de rede de telemóvel durante todo este processo. Por volta das 22h já só se sentia o cheiro a pólvora no ar, as sirenes a tocar e o zumbido dos helicópteros.

Publicado por [Party Program] às 04:40 PM | Comentários (2)

Das paredes para os tabuleiros - Noite de jogos RDA69

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"Os hindus explicam pelas casas do tabuleiro a passagem do tempo e das idades, as grandes influências que regem o mundo e os vínculos que unem o xadrez com as almas humanas."
Al Masudi, historiador árabe, no ano de 947.

Quarta-feira 04/04, noite de jogos no RDA69. Destruir o Monopólio, assaltar as Damas, ocupar o Xadrez, jogar outra vez. As mesas abrem às 19:30, todos os jogos são bem-vindos. Há jantar a partir das 20:30. O desespero termina quando as tácticas começam.

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:34 PM | Comentários (0)

abril 02, 2012

As palavras não deixam


Se pedirmos a um jornalista para verificar se o título “Ajuda financeira chega no dia 20 de Janeiro” é correcto ele irá investigar se a data está certa e, uma vez confirmado esse facto, garantirá que o título está correcto. O valor lógico da proposição é “verdadeiro”. O título passa o teste. Os outros elementos da proposição - “ajuda financeira”, “chega” - são considerados dados, nomes e acções neutras. É evidente que não é assim. Cada uma das palavras que usamos possui uma carga semântica que evoca esta ou aquela ramificação de significados, esta ou aquela resposta humoral; uma história de uso, que evoca esta ou aquela memória; uma etimologia que acorda esta ou aquela ressonância e que lhe cria uma árvore genealógica de narrativas específica, etc..
E como apareceu a expressão “ajuda financeira”? De facto, aquilo que designamos por “ajuda financeira” é, simplesmente, um empréstimo. E empréstimo é não só uma expressão mais correcta como mais neutra. Sabemos isso porque há empréstimos que nos aliviam e outros que nos entalam. É possível criar narrativas diferentes à volta da expressão “empréstimo”. Posso dizer “aquele empréstimo permitiu-lhe salvar a empresa” ou “o que o levou à falência foi aquele empréstimo”. Posso dizer que o “empréstimo negociado com a troika tem um juro usurário”, mas já não o posso dizer se lhe chamar “ajuda”. As palavras não deixam.
Um “resgate” também é uma coisa boa. Salva-nos. Não é possível dizer nada mau de quem nos resgata. E haverá coisa melhor que um “programa de assistência económica e financeira”? E será possível ser contra o rigor e a disciplina? Ou contra a “racionalização das empresas públicas de transportes”? E será que um “ajustamento estrutural” pode fazer outra coisa que não seja dar-nos mais solidez? Quem é que pode não gostar que as estruturas estejam ajustadas?
E quando se chama “maturidade cívica dos portugueses” à ausência de contestação e “tumultos” aos protestos será possível a uma pessoa sensata defender ou participar nos últimos? A expressão “flexibilidade laboral” é igualmente inatacável. Quem é contra a flexibilidade? Não saberão que a rigidez só leva a fracturas e que a flexibilidade permite adaptarmo-nos ao meio? “Austeridade” é um pouquinho mais difícil, mas também tem um lado bom. Não é como “empobrecimento” ou “descida do nível de vida” que é só mau.
E quando nos dizem que “precisamos de união e não de clivagens” não é evidente que a união é boa e que as clivagens são más? Não é evidente que um discurso que afirme que a união nacional pode ser má e as clivagens boas se tem de empenhar num combate desigual, montanha acima?
Não se trata apenas de, no discurso mediático, se dar uma proeminência excessiva ao discurso do poder, como quando, como mero exemplo entre mil, se arranca uma notícia sobre o “acordo de concertação” com o lead “Governo garante que estão salvaguardados os direitos dos trabalhadores” - factualmente correcto mas claramente parcial. Trata-se de algo infinitamente mais subtil. Tão subtil que há mesmo jornalistas que, ingenuamente, garantem que não existe. Trata-se de manipular os media obrigando-os, discretamente, a usar apenas o léxico autorizado, que contém implícita a narrativa do poder.

O léxico autorizado, José Vítor Malheiros

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:36 PM | Comentários (1)

abril 01, 2012

« Há sempre alguém que diz não ! »

A propósito disto ...


tontonmasque.jpg

Publicado por [Shift] às 02:46 PM | Comentários (1)

Publicado por [Saboteur] às 10:50 AM | Comentários (2)