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fevereiro 29, 2012

Esta tarde em Barcelona

Manifestação contra os cortes no ensino. A greve de estudantes foi convocada também enquanto apoio à greve dos trabalhadores do metro e dos autocarros que foi desconvocada à última hora. Neste momento algumas centenas de manifestantes estão concentradas na Praça de Espanha onde está a decorrer a maior feira internacional de telecomunicações móveis, algumas vozes afirmam que os sindicatos dos transportes abandonaram as greves após alguma pressão por parte do Ajuntament que não queria ver um dos mais importante eventos empresariais da cidade perturbado.

Da janela de uns turistas, as barricadas espontâneas:

No La Vanguardia e no Indymedia Barcelona mais actualizações. Estão a surgir vários apelos a concentrações em frente à feira das comunicações móveis que fazem com que o dia ainda prometa bastante.

update: Aqui a greve universitária em directo, já começaram as cargas na Praça de Espanha.

Publicado por [Party Program] às 04:25 PM | Comentários (2)

fevereiro 26, 2012

Recusamos este apadrinhamento publico, somos indivisíveis

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Cerca de 5 milhões de espetadores encontravam-se em frente do televisor quando Marine Le Pen anunciou que se ganhasse as eleições (presidenciais 2012 em França) iria festejar a vitória "Chez Tonton, um restaurante português muito simpático que se situa em Nanterre ao lado da sede do partido Front National (FN)". Esta resposta inscreve-se numa bateria de perguntas que o programa do canal France 2 - “Des paroles et des actes” - repete a cada candidato convidado a participar na mesma emissão. Primeira ilação: a resposta de Le Pen foi bem estudada e constitui o pontapé de partida de um programa político perigoso e admitamos “por vezes” inteligente. Esta inteligência, que é talvez mais inteligível que inteligente, pode tanto passar pela “desconstrução ordeira do euro” como pela atitude contra a “imigração como arma ao serviço do grande capital” (projeto presidencial do FN).
A referência ao tonton (tio) português ramifica-se numa tríade de significações, sobre a qual seria possível desenvolver uma complexa teoria semiótica. No entanto, como a minha capacidade no domínio da semiologia é relativamente limitada, reduzirei a minha analise da mensagem de Le Pen à banalidade seguinte: o discurso é gerador de sinais e por sua vez produtor de sentidos. Veremos, neste caso, que através de uma simples frase (não arbitrária), cujo conteúdo demonstra uma idiossincrasia partidária, Marine Le Pen faz eco à génese da fabricação de um estrangeiro aceitável. Interessante será assim compreender e desmontar a extravagância do discurso do FN através da analogia que se pode alinhavar com a retórica oficial francesa vis-à-vis da imigração portuguesa desde os anos 60. Nessa tríade de significações encontramos: 1) a recepção visada pela mensagem; 2) o “obreirismo” implícito na mensagem; 3) um programa eleitoral bastante centrado na problemática da imigração.
1) O reconhecimento social é uma reivindicação “assídua” quando se fala numa colectividade imigrante ancorada num país hostil ao reconhecimento da diferença, como é o caso da França. Marine Le Pen ao elogiar um só imigrante português em França, um só restaurante português em território francês está a piscar o olho a toda a colectividade portuguesa (quase 600 000 nascidos em Portugal segundo o ultimo censo (sem contar com a imigração recente), sem duvida mais de 1 milhão se tivermos em conta os descendentes de portugueses com um forte sentimento de pertença em relação ao país natal dos pais). Le Pen chega, portanto, pelas suas palavras aos corações mais sinceros do orgulho de ser português desenvolvido em situação migratória. Marine Le pen oferece-nos assim, no horário nobre televisivo, o reconhecimento publico e perceptível tao alemejado do nosso esforço dedicado na construção da pátria francesa. Mas não sejamos naïfs, Marine filha e herdeira de Le Pen não está tão interessada nos portugueses como está nos franceses de “raça” e na prioridade nacional. Ela visa o eleitorado francês humanista ainda não completamente convencido na unidade nacional, porque afinal existem estrangeiros bons e estrangeiros indesejáveis, estrangeiros brancos e estrangeiros não brancos. Os segundos constituem e constituirão sempre um “veneno contra a coesão nacional” (projeto presidencial do FN).
2) Ao referir um restaurante português em Nanterre, Marine Le Pen faz também referência à modéstia da escolha do seu partido em oposição às grandes festarolas de elite realizadas pelos seus concorrentes (por exemplo no Fouquet’s situado nos Champs Elysées). Modéstia de escolha que nos remete ao respeito da honestidade do trabalho dos operários. Que imagem poderia ser mais eloquente que o honesto e dedicado trabalhador português, que ao longo dos tempos conseguiu o lugar de chefia na construção civil? Esse mesmo bom imigrante que pelo seu inédito rigor laboral conseguiu um estatuto na hierarquia socioprofissional que faz dele inevitavelmente o carrasco dos outros imigrantes situados na cauda dessa hierarquia (Cf. Jounin, “Chantier interdit au public”). O restaurante português, onde se servem pratos fartos sem lugar para a insaciedade, reenvia a essa imagem de operário, onde o valor do trabalho manual grassa sem obstáculos superficiais ou imateriais. Um restaurante do povo para o povo, envolto e ancorado num bairro popular, onde os eleitores normais que não têm nada de especial podem auferir nem mais nem menos de uma refeição a 9 euros.
3) A referência aos Portugueses é por fim importante no esclarecimento de todo um programa político onde a omnipresença da imigração é a chave da “honra de ser francês” (projeto presidencial FN). O problema não são os portugueses que mais não fazem que oferecer-nos uma boa gastronomia e a sua sincera força de trabalho, não constituindo amiúde nem em regra o grosso da instabilidade da ordem nacional. O problema mesmo são “os conflitos interétnicos, as revindicações comunitárias e as provocações político-religiosas, consequências diretas de uma imigração massiva que interfere negativamente com a nossa identidade nacional e traz com ela uma islamização cada vez mais visível” (projeto presidencial FN). Voltamos portanto à clivagem utilitária do bom estrangeiro e do estrangeiro indesejável, e insiste-se nesta diferença pois a “dupla nacionalidade cessará de ser autorizada exceptuando os casos de dupla nacionalidade com um outro pais da União Europeia” (projeto presidencial FN).
A especificidade portuguesa que Marine Le Pen tenta introduzir e fazer passar na opinião publica não é inédita. Desde os anos 60/70 os discursos dos políticos franceses referem-se aos portugueses como os imigrantes “bem integrados” (Cf. Albano Cordeiro), tendo-se servido disto nos anos da imigração de massa (60/70) para dosear a necessidade da mão-de-obra argelina (imagem conflituosa e de alteridade extrema, embebida na dolorosa guerra de independência). Para além da racionalidade “racial” subjacente, a retórica hegemónica dos portugueses “bem integrados” é forjada no silêncio e esmagamento das experiências e heterogeneidade dos portugueses em França. Paralelamente, este tipo de discurso, seja proferido por Le Pen, pelo embaixador Português em França ou por Sarkozy, tem como consequência a estigmatização de uma população inteira em vários campos sociais, como exemplifica inesperadamente muito bem este exercício jornalístico no Le Monde : “Chez Tonton, le vrai QG du FN” (quartel geral)
E agora que dei mais espaço de antena do que aquele que devia ao projeto presidencial do FN, dizer que como imigrante portuguesa em França senti-me envergonhada e ofendida de ouvir a palavra português da boca de Marine Le Pen. Saí do meu “je” individual e apropriei-me do “nous” colectivo. Este “nous” que não é simplesmente o “nous” português, mas também o “nous” argelino, o “nous” senegalês ou o “nous” chinês. Nós estrangeiros em França, indivisíveis na nossa condição material de imigrantes, expostos impunemente à xenofobia explicita e institucional.

Publicado por [Shift] às 10:27 PM | Comentários (12)

fevereiro 24, 2012

E se não pagássemos a dívida?

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...E Já agora, aqui ficam os três temas dos últimos seminários de investigação no Banco de Portugal:

Dezembro
Sovereign Default and Banking

Fevereiro
Optimal Sovereign Debt Default
Sovereign Defaults: The Price of Haircuts

Publicado por [Saboteur] às 04:14 PM | Comentários (3)

fevereiro 23, 2012

«Só gente cobarde e menor recorre ao insulto suez»

Um Juiz tem muito poder. Com uma opinião pode mandar alguém para a prisão por 5 anos ou decretar antes uma simples 'pena suspensa' ou mesmo a inocência. Pode destruir uma carreira, pode destruir uma vida.

Um político também, mas na política o poder mais limitado. A exposição é muito grande; existe o escrutínio de jornalistas, de cidadãos, de outros políticos e de juízes... e para além disso, um político, bem ou mal, é eleito pelo povo para governar.

Um Juiz é um jurista que se candidatou à carreira de magistrado e conseguiu entrar. Vai para Juiz se tiver boa nota nos exames, vai para o Ministério Público se tiver má nota ou se for apanhado a copiar.

É por isso que me faz tanta impressão ler Rui Rangel, no Correio da Manhã - esse «jornal de grandeza democrática» como ele lhe chama, a desancar no João Goulão.

Ele sabe que pode fazer o que quiser com Goulão. Pode ir ainda muito mais longe... E avisa, ao mesmo tempo, para ninguém se meter com ele.

Começa logo no 1º parágrafo, só para início de conversa, dar a sentença: «este homem de fácies rude, cometeu um crime de injúria e de difamação contra mim»

Sobre a "facies rude" de Goulão, não se surpreendam. O Dr. Juiz explica no seu 2º parágrafo: «Lombroso, teórico responsável por definir o perfil do criminoso, se observasse os caracteres físicos de Goulão, talvez concluísse que o seu fácies apresenta traços fisionómicos de um potencial criminoso.»

E depois, ao longo no texto, continua com insinuações e calúnias de que nem o Professor Carlos Vidal se lembraria: «Se Goulão fosse o seu director [do Correio da Manha] seguramente que ninguém que ousasse pensar diferente, aí escreveria.»; «Quem dissesse "ámen" às políticas do IDT, de forma cega e acrítica, tinha o reino dos céus, cujo "Senhor" era Goulão.».

E acaba com insinuação mais ridícula de todas: «Mas Goulão não é o IDT, nem se confunde com este. Muitos técnicos que por lá passaram merecem todo o respeito (...) estes técnicos não precisaram de favores políticos ou de compadrios partidários para ocupar cargos.» - procurando mandar lama para cima do cabeça de lista da CDU pelo Algarve.

Nem sequer falo sobre o tema da discórdia que desde de sempre tem posto os moralistas das drogas contra João Goulão. Falo apenas do poder dos Juízes e em particular do ridículo absoluto que é, Rui Rangel, começar um artigo de opinião a dizer «Só gente cobarde e menor, como o nosso Goulão, recorre ao insulto suez»

Publicado por [Saboteur] às 01:15 PM | Comentários (7)

fevereiro 22, 2012

Actua pelo Tua

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Caras amigas e amigos

Entramos na fase crítica para podermos travar uma das maiores atrocidades cometidas num dos mais belos rios de Portugal. Esta é uma luta que já dura há vários anos, contudo todos os esforços que têm sido feitos para preservar o Vale do Tua, a sua riqueza natural e cultural, têm sido contrariados pelas forças políticas e económicas que querem expropriar-nos de um bem comum universal.

A construção da barragem já começou! O Vale do Tua faz parte do Alto Douro Vinhateiro – Património Mundial da Humanidade que celebrou o 10° aniversário da classificação atribuída pela Unesco em Dezembro passado – e vê-se agora em risco de ser completamente destruído. Temos de agir. Temos de nos unir para preservar um Património que é nosso.

A construção da Barragem em Foz-Tua faz parte do Plano Nacional de Barragens, um plano energético concebido pelo Governo deposto que promulgou a construção de 10 Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico no país. Muitas das organizações da sociedade civil insurgiu-se contra este plano, que dá forma ao maior atentado ambiental a acontecer em Portugal. Apesar de todo o esforço feito por estas organizações, os interesses económicos que estão por detrás das construções das barragens têm ultrapassado todos os entraves colocados.

Precisamos de todo o apoio possível para parar a construção da barragem de Foz-Tua por isso apelamos à mobilização de todos para a defesa, preservação e valorização do nosso Património!!!

O dia 14 de Março é o Dia Internacional de Acção pelos Rios. O rio Tua, o rio Sabor, o rio Tâmega, os rios ameaçados não podem ser esquecidos. Queremos assinalar este dia com um evento em que a nossa voz se faça ouvir. Do dia 10 ao dia 18 de Março iremos organizar um acampamento pela preservação do Vale do Tua e pela censura pública dos promotores deste empreendimento.

Actua pelo Tua: o acampamento

Este acampamento pretende reflectir sobre o momento actual que vive Trás-os-Montes e, em especial, a Linha do Tua e ao mesmo tempo, partilhar a realidade, a cultura de uma comunidade que há muitos anos sente e vive o Vale do Tua. O acampamento será também uma ocasião para criar redes entre as pessoas, fortalecendo a aprendizagem entre todos e todas: a troca de experiências e difusão de informação sobre questões ambientais, sociais e políticas. Será também um espaço para acções de protesto, junto aos locais e com as pessoas afectadas pela construção da barragem, para exigir a suspensão imediata dos trabalhos de construção. Não podemos permitir que a construção da barragem condene a Região do Vale do Tua com a desclassificação do Alto Douro Vinhateiro e a submersão da centenária Linha do Tua.Caminhemos juntos contra a construção da Barragem da EDP!

Os danos irreversíveis

Os impactos que a construção da barragem vai provocar são inúmeros e irreversíveis. Entre eles contam-se:

•o afogamento de uma linha de comboio com 125 anos, que tem a função de servir as populações locais ao nível de transporte de bens e pessoas, como tem também um potencial turístico enorme, e por isso de importante desenvolvimento económico e social;
•a hipoteca causada a todas as gerações futuras pela construção da barragem: o PNB está previsto custar 16 mil milhões de euros ao Estado e ter uma produção de 0,07% que subtraindo os custos de produção e de transporte de energia e o aumento anual do consumo de energia é praticamente nulo;
•as grandes barragens destroem irreversivelmente os solos agrícolas, os ecossistemas, as paisagens naturais e humanizadas, o património cultural, ou seja, a sustentabilidade social, ecológica, económica da região envolvente;
•o Ministério da Economia e Emprego e o Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, autorizaram à EDP o abate de mais de 1104 sobreiros e 4134 azinheiras em povoamentos e núcleos de valor ecológico elevado no Vale do Tua;
•a desclassificação do ALTO DOURO VINHATEIRO – Património da Humanidade (ver relatório da ICOMOS sobre os impactos da barragem da EDP na Paisagem Cultural do Douro Vinhateiro, classificada como Património Mundial pela UNESCO);
•a perda incomensurável de fluxo turístico, de identidade cultural e de criação de riqueza na Região;
•a violação da Directiva Quadro da Água, um plano de acção da Comunidade Europeia para a protecção das águas.
Todas as mãos são bem-vindas! Não deixemos afundar o Vale do Tua!

Acampamento Actua 10 a 18 Março 2012 Foz-Tua

Concurso de Artes Actua pelo Tua // Exposição 14 Março // Inscrições Abertas

Contacto: acampamentoactua@gmail.com

http://acampamentoactua.wordpress.com/

http://www.internationalrivers.org/en/day-of-action

Publicado por [Chuckie Egg] às 09:21 AM | Comentários (1)

fevereiro 21, 2012

Menos um feriado

A retirada de feriados é uma medida de sentido contrário àquilo que necessitamos. Ainda por cima neste contexto de crise.

Desemprego, endividamento, consumismo, dependência energética, degradação das sociabilidades (crianças, idosos...), já para não falar de ansiedade e frustrações sexuais... Tudo problemas relacionados com a crise, sinónimo de Capitalismo, num dos países da Europa em que mais horas se trabalha.

Hoje milhões de pessoas meteram-se nos seus carros (cada vez compensa menos ir de transportes públicos, com estes preços), meteram gasolina, pagaram portagens, ligaram as luzes e as máquinas da empresa (cá está o impacto "positivo" no PIB) e, mais desmotivadas do que o costume, produziram as tretas do costume.

Ontem não puderam ir a um festão de carnaval, hoje não puderam cozinhar o seu almoço, ler um livro, ensinar o filho a andar de bicicleta, dar uma volta pelo bairro, arranjar a torneira que está a pingar.

Pelo contrário, a redução do horário de trabalho (para 35 horas, por exemplo, como o Governo de Socialistas e Comunistas fez em França), uma repartição mais equitativa da riqueza entre trabalho e capital que possibilitasse viver com um part-time, faria com que procura de pessoas para trabalhar aumentasse e diminuiria o desemprego.

Aumentar o numero de horas de trabalho e cortar nos feriados é a receita que só vem somar mais crise à crise.

Publicado por [Saboteur] às 05:51 PM | Comentários (1)

Valência - Século XXI - Democracia

Publicado por [POKE] às 03:08 AM | Comentários (5)

fevereiro 16, 2012

Do desespero passou-se ao ataque: Greve dos trabalhadores da Bulhosa Amanhã

As trabalhadoras e os trabalhadores das livrarias Bulhosa fazem amanhã Greve. Foram demasiados anos de ordenados baixos, incumprimentos nas progressões de carreira, prepotência, ameaças e ordenados em atraso. A partir de amanhã acabou o tempo de “comer e calar”. Do desespero passou-se à organização. Da defesa passou-se ao ataque.
Naturalmente acossada, a administração e os seus lacaios, nomeadamente a supervisora das lojas, não têm mãos a medir para tentar minimizar os danos. As ameaças já começaram e todos os livreiros já foram avisados que quem fizer greve poderá ver os seus horários alterados ou mesmo ser transferido para uma loja mais distante da sua residência. A nojice e a ilegalidade são as armas a que agora recorrem quando encurralados.


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Para cúmulo, ontem, pelas 23h30!!!!!, coagiram os trabalhadores a estarem presentes numa reunião com a administração com a finalidade de demover as vontades mais rebeldes, o argumento??? Se a banca sabe da greve nunca mais empresta dinheiro. Numa atitude que já demonstra como estão unidos, os trabalhadores faltaram em massa a essa convocatória ilegal. Bom sinal para a greve de amanhã.
Durante muitos anos, quando os trabalhadores queriam saber porque motivo não subiam na carreira ou porque não subiam os ordenados ou qual a razão de ser dia 10 e ainda não haver salário ( a esta pergunta uma trabalhadora chegou a ouvir de um célebre engenheiro “a menina deve andar com gastos muito esquisitos para chegar a esta altura e já não ter dinheiro), o silêncio foi a arma da administração, agora, acossados, é só conversa: ou em tom de ameaça ou em tom de vitimização.

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Que amanhã seja o inicio do fim desta situação com uma greve com muito êxito, mas também será importante não fazer disto um hapenning, e se não houver soluções dadas pela administração, pois que se pare por tempo indeterminado! Só tenho pena que alguns dos fura-greves anunciados sejam os que mais têm sido explorados, com excepção de alguns recém empossados “chefes de loja” que preferem pôr em causa toda uma luta a abdicar do mísero conforto e dinheiro que o cargo lhes confere. Mas a isso temos de estar sempre habituados: oportunistas, vendidos e gente com muita garganta e pouca coragem sempre houve, mas desses não reza a história.

Para mais informações: http://www.facebook.com/OrdenadosEmAtraso.Bulhosa?ref=ts

Publicado por [Paradise Café] às 04:14 PM | Comentários (7)

Cavaco desmarca no último minuto visita à António Arroio

O piegas do nosso Presidente da República decidiu no último minuto não fazer a visita programada à Escola Artística António Arroio. Motivo: Estudantes manifestavam-se contra a falta de condições na escola.

Virá rapidamente o dia em que Cavaco e Cavaca não poderão sair do palácio de Belém a não ser em visitas surpresa.


- Valha-nos Deus que o dinheiro não vai dar para pagar todas as despesas, Maria.

Publicado por [Saboteur] às 11:07 AM | Comentários (1)

fevereiro 15, 2012

Epá ! Que elenco tao airoso, desvendemos o « tabu » !

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Publicado por [Shift] às 01:32 PM | Comentários (8)

Fitcha Coragi

Combinámos num domingo chamar os amigos para gravar um videoclip.
Aparecemos todos no pátio do prédio de um amigo.
Eram por volta das 16/17 horas quando apareceu a policia.
Não estavamos a incomodar ninguém, nem a faltar ao respeito a ninguém, foi apenas um convivio e não havia motivos para alaridos.
Um primeiro carro da policia passou por nós e viu que estava tudo bem, deu a volta ao quarteirão como se nada fosse e depois voltou com um segundo carro.
Mal sairam dos carros começaram a mandar toda a gente embora e a disparar.
"o que fizemos de errado?"

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:56 PM | Comentários (4)

fevereiro 14, 2012

Allô Damasco ?

Vivas, aqui em baixo deixo-vos um mail de um amigo que vive e trabalha em Damasco. O estilo do texto é típico de uma escrita “mailistica” e de uma tradução rápida feita por mim em cima dos joelhos. Embora não concorde com tudo o que ele diz, tem a vantagem de ser um relato “bruto” do seu quotidiano, da percepção política do que se passa “sur place”, sem maquilhagem nem triagem mediática. Por fim, dá-nos alguns elementos para a compreensão da situação. Escusado seria dizer que pedi a devida autorização para publicar aqui.

« Olá,
A desorientação governa por todo o lado, há uma falta de objectividade flagrante de todos os lados, uma guerra mediática suja especialmente do lado daqueles que possuem os medias, que controlam a informação e a press mundial (capitais americanos, europeus e do Golfo árabe). A concentração da propriedade das sociedades de informação internacionais explica porque é que a press livre tem desaparecido pouco a pouco, a margem de liberdade de expressão não pára de recuar.
Sinto que esta aliança política/económica/mediática conseguiu com a sua propaganda meter-nos numa situação de embaraço moral perplexo. Estamos no centro de uma “matraquage” mediática intensiva que nos empurra a enveredar por uma posição ou uma outra, sem a menor verificação dos factos ou informações, sob o risco ou ameaça de sermos catalogados como participantes activos na matança das crianças sírias.
Creio que o que se passa atualmente assemelha-se ao cenário que foi instaurado antes da ocupação do Iraque em 2003. é a mesma política de diabolização, a propagação de valores morais (democracia, liberdade, proteção dos civis…) e a sua aplicação seletiva.
O modelo é exatamente o mesmo que no Iraque. Mas na Líbia e agora na Síria, constato que houve um ajustamento local inteligente (customization), mais « arabizado ».
Quanto a mim, continuo em Damasco, continuo a fazer vai e volta todos os fins-de-semana ao Líbano. A vida em Damasco já não é a mesma que tu conheceste, podemos ver que as pessoas não se sentem em segurança como antes. Os cafés e mesmo as ruas estão vazias a partir das 22horas. Temos algum receio de sair de noite, mesmo no centro da cidade que era bastante calmo antes dos atentados. O ambiente em Damasco foi envenenado depois dos atentados suicidas, mas ainda assim é relativamente melhor que noutras regiões. O bairro onde vivo desde que tu estiveste cá continua calmo, a maioria dos habitantes são Drusos e Cristãos. No entanto, há alguns subúrbios mais agitados mesmo em Damasco. é ai onde vivem as camadas da população mais desfavorecidos, onde há uma islamização maior e onde os Cheiks/corrente islâmica são mais influentes e seguidos. Onde a situação é mais tensa, constato este panorama, nomeadamente um sectarismo agudo onde domina um sentimento « anti-Alawites». As mesquitas e os media, sobretudo Al-Jazira, Al-Arabiya e canais salafistas que propagam os fatawas, o takfir de Alawites e Xiitas, não mostram as incitações ao odio e à violência, nem as denunciam. Ao contrário, alimentam e amplificam este sentimento. O regime e os Alawites são diabolizados, transformou-se o desconforto dos pobres e as suas aspirações por uma vida melhor em rancor e odio contra os Alawites.
Sobre a tua questão sobre a situação em Homs : há uma grave escalada de sectarismo (Sunita/ Alawites), parecendo cada vez mais uma guerra civil. A cidade é constituída por uma mistura de confissões (Sunitas, Alawites, Cristãos…). A maioria são Sunitas, os Alawites representam apenas um quarto da população. Mais uma vez a situação parece como a do Iraque no pós ocupação pelos americanos em 2003 (conflito entre Xiitas e Sunitas). Muitos acontecimentos ocorreram nos últimos meses para chegar a esta grave situação de carnificina quotidiana em Homs. Estamos longe da autodefesa contra a repressão de Estado. Neste exato momento estamos numa situação de guerra, Homs é hoje aquilo que foi Fallujah no Iraque ou na Tchetchénia para os combatentes jihadistas. Ninguém pode negar a crueldade dos serviços sírios de segurança. Centenas de civis parecem ter sido mortos pelas forças armadas. Mas temos também que reconhecer que a violência é oriunda de vários lados da barricada e é por isso que também há um numero elevado de soldados mortos (perto de 2 000 pessoas). A teoria propagada que são soldados mortos pelo próprio regime, por estes terem recusado em « abrir » fogo contra os civis, é uma pura mentira. é uma propaganda mediática.
Em Homs, a violência resulta tanto do exército e serviços de segurança, como dos combatentes islâmicos, e dos militantes Sunitas e Alawites. Os médias mostram apenas um lado da realidade, é sobretudo a imagem que querem veicular de um regime armado que mata civis e manifestantes pacíficos. Por exemplo, estima-se que perto de 1000 Alawites foram massacrados/executados em Homs pelas milícias jihadistas ou antirregime. Os medias contam e fotografam essas vitimas como civis mortos pelo exército sírio. A maior parte dos 200 cadáveres estropiados e mostrados pendurados nas ruas antes da ultima reunião da ONU eram Alawites. Estes cadáver foram “stockés” e centralizados para esse « filming ». Os dias que precederam a reunião foram os dias mais pacíficos em Homs, toda a gente conhece o fiasco. é a mesma política de propaganda mediática e cobertura seletiva de acontecimentos (focalização sobre alguns factos, dissimulação ou mesmo fabricação de outros) alternados com as declarações politicas internacionais que lembram o célebre speech de Colin Powell na ONU sobre as armas de destruição massiva no Iraque e que veio a revelar-se uma pura fabricação enganosa.

Bawsat »

Publicado por [Shift] às 12:37 PM | Comentários (6)

fevereiro 13, 2012

Caça ao imigrante

O que se passou esta manhã no metro do Porto é uma indignidade que deve envergonhar-nos a todos.

Os agentes do SEF, tipo "picas", puseram-se a bloquear a saída do andante, exigindo a documentação a todos os blacks que passavam.

Um Governo que gosta de se armar em piegas com o facto de a taxa de natalidade ser cada vez menor e o envelhecimento da nossa sociedade não permitir continuar a pagar as pensões de reforma no futuro; um Governo que acha que os portugueses são preguiçosos e que têm demasiados dias de descanso, pela lógica devia não ser tão zeloso na detecção de trabalhadores que de manhã apanham o transporte público para ir para o trabalho ou para a escola.

Mas a direita pura e dura está no Governo, enquanto há todos os indícios que a polícia parece estar infiltrada pela extrema-direita. Juntou-se a fome à vontade de comer e esta manhã, perante a passividade de todos, o SEF foi para as ruas fazer uma caça ao preto.


O SEF gosta mais de loirinhos de olhos azuis

Publicado por [Saboteur] às 09:03 PM | Comentários (10)

fevereiro 12, 2012

Fuga Para Atenas

Estou aqui a ver na RTP Memória o Fuga Para Atenas.

Os gregos estão a dar uma coça aos alemães!...

Publicado por [Saboteur] às 11:01 PM | Comentários (2)

fevereiro 11, 2012

Piegas

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Publicado por [Saboteur] às 02:40 PM | Comentários (3)

fevereiro 10, 2012

"I am appealing to you because I really do believe the kind of statement you made is profoundly dangerous."

Chris Hedges, jornalista norte-americano, escreveu um artigo sugestivamente intitulado "Black Bloc: O Cancro no movimento Occupy" no qual repete alguns dos argumentos contra a violência utilizados pelo João Labrincha e pela Raquel Freire e antes pelo Daniel Oliveira quando ainda tinha alguma veleidade de interagir com os movimentos sociais. Argumentos e posturas que depois encontram eco ou reflectem outras mais difusas e anónimas que assumiram alguma expressão, por exemplo, no "senta, senta". David Graeber, um dos organizadores iniciais pré-17 de setembro do Occupy Wall Street, que desde logo defendeu uma perspectiva pacifista para a ocupação, escreve um outro artigo sob a forma de carta aberta, "Relativamente à violenta polícia da paz", no qual desmonta várias das acusações de Hedges.

Nota: Os leitores mais antigos do Spectrum poderão reparar que desta vez todos os referenciados estão devidamente linkados como manda o código deontológico do blogger, de modo que não vejo razão pela qual não possam desta vez responder.


We will always have São Bento

Publicado por [Party Program] às 11:04 PM | Comentários (7)

fevereiro 09, 2012

Petição Pelo Alargamento do Horário em que é Permitido Transportar Bicicletas no Metropolitano de Lisboa

No outro dia fui almoçar à Baixa.

Do Campo Pequeno à Baixa, o meio de transporte mais rápido é sem dúvida a bicicleta. O problema é a perspectiva do regresso e da subida, depois de uma almoçarada bem valente, da Av. da Liberdade (para mim, uma das subidas mais duras em Lisboa, pela conjugação inclinação/comprimento mais o tráfego automóvel intenso e toda a poluição atmosférica e sonora associada a isso).

Nesta, como em tantas outras situações, torna-se claro que a complementaridade entre transportes públicos e bicicleta é uma peça chave de qualquer política de mobilidade moderna e sustentável na cidade.

Já nem vou falar do prometido, anunciado e celebrado por tantos, sistema de bicicletas de uso partilhado que - vergonhosamente - tem tardado tanto a chegar a Lisboa... Bastava pegar numa, descer as Avenidas e larga-la para alguém na Baixa poder ir almoçar a Santos... Bastava que o Metropolitano permitisse o transporte de bicicletas (nem que fosse apenas 2 por carruagem), fora das horas de ponta, como aliás acontece na generalidade dos metropolitanos das cidades europeias.

Podia ter subido até ao Marquês de Metro e, a partir daí, ter ido sem esforço para qualquer ponto desse planalto.

Reivindicando esta pequena alteração no regulamento no Metro, sem custos e com amplos benefícios para a cidade, está disponível durante este mês de Fevereiro uma petição "Pelo alargamento do horário em que se pode transportar bicicletas no Metro".

No dia 1 de Março essa petição será entregue à Administração do Metropolitano.

Agradecia que até lá assinassem e divulgassem.

Publicado por [Saboteur] às 02:25 PM | Comentários (24)

E já não se quer voltar atrás

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Cinco anos de abandono. Não um abandono involuntário, de quem se esquece, mas doloso, de quem vai recebendo notícias más e prefere fazer de conta que não ouviu. Um abandono de cinco anos, um luxo, se se tiver em conta a sorte de quem sobrevive nas redondezas, escravos de empregos ridiculamente pagos, quando os há, ou de esquemas diários de sobrevivência. Gente descartável para a gestão da cidade, a quem se tirou cinemas, teatros, bailes, festas, vizinhos, últimos resquícios duma urbe em gentrificação que espera que morram e apodreçam. Deixaram o vazio. Das casas abandonadas, das vidas sem perspectivas, do entretenimento massificado pronto a consumir, da escola a convidar ao vandalismo.

Um mês depois de reactivada e aberta à comunidade que deveria servir, volta a ser fechada, com recurso a shotguns, elevadores, carros de bombeiros, uma junção, sem precedentes na zona, de quase todas as forças policiais e cordas para rappel. Para voltar ao abandono, mais triste ainda, por já se ter descoberto que, afinal, sim, é possível.

E houve quase um tremor de terra, pelo menos assim o sentiu quem o viveu, em que, espantados, reparámos que a população da zona já acreditava mais no que podia fazer ali do que no que, eventualmente, a autarquia não ia fazer. Com essa força, um colectivo autogerido, de base assembleária, a decidir por consenso, ganhou à Câmara, uma das mais prepotentes deste pantanal, a batalha pela posse dum espaço ocupado. Activistas, sim, mas também muitos moradores e gente solidária conseguiram discutir, definir estratégias, aprovar textos e actuações que culminaram com a devolução da Escola do Alto da Fontinha ao Es.Col.A.

E a D. Amélia faz o jantar-que-estes-meninos-não-têm-cuidado-com-o-comer, o Fábio organiza um ciclo de cinema, há quem vá ao Yoga, uns jogam basket, badminton, ténis de mesa, futebol, outros andam de bicicleta ou fazem escalada, ou crochet, ou cantam, e vêem filmes e constroem um ginásio, ou uma bicicleta, um computador, um instrumento musical, vêem o email, têm ajuda para os trabalhos de casa, há roupa grátis e há café, capoeira, … e, se não houver o que quiseres, tu fazes.

Nunca aqui houve lei. Nem no despejo, nem na reocupação, nem no re-despejo. Não interessa. Estão a mais? Shotguns! Temos que os deixar voltar? Assina-se uma cena e nem se cumpre. Voltam a estar a mais? Diz nos jornais que até somos amigos e prorrogamos um prazo que nunca existiu.

Nunca aqui houve boa fé. Houve o recuo do derrotado, a espera, o contra-ataque que se quer definitivo. E que o seria, numa terra onde o inevitável fosse a lei. Mas, ali, há muito que se ultrapassou a barreira do possível. E já não se quer voltar atrás.

http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/6642

http://escoladafontinha.blogspot.com/

Publicado por [Chuckie Egg] às 02:13 PM | Comentários (3)

fevereiro 08, 2012

Terreiro do povo - Manifestação Nacional - Sábado

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Porque todas as iniciativas são poucas para defender os nossos direitos.

A um governo que nos chama de "piegas" e que nos diz que temos que aceitar sofrer ou emigrar, respondemos na rua. Respondemos que ficaremos, para lutar! Está na hora de mudar pelo direito ao trabalho com direitos, contra a privatização de direitos fundamentais e de sectores estratégicos e contra uma dívida que nos suga a vida.
A Plataforma 15 de Outubro apoia todas as manifestações, pequenas e grandes, de contestação às medidas de austeridade que se impõem com força bruta sobre o povo que vive do seu trabalho, como a manifestação convocada pela CGTP, a realizar-se no dia 11 de Fevereiro.

Ponto de encontro: Restauradores - Palácio da Foz/Elevador da Glória às 14h30.

www.15deoutubro.net

Publicado por [POKE] às 03:09 PM | Comentários (1)

Comunicação Social: 2 pesos e 2 medidas, como sempre

Quando em Sacavém um grupo de trabalhadores mais aguerrido (nunca percebi bem como foi a história), desligou os fornos da fábrica da loiça no âmbito de um contexto de luta, a acção foi duramente criticada por todos. Pelo Governo, pela comunicação social, pela Administração da empresa, por trabalhadores, pela população... Ainda hoje é possível ouvir histórias sobre esse episódio.

Parece que os fornos da industria cerâmica, uma vez arrefecidos, demoram eternidades a voltar a laborar, com despendidos de energia que ultrapassam em muito os custos de quando estão a funcionar normalmente.

Assim, esta história da Administração da Valadares ter desligado os fornos, tresanda a lockout por todos os lados, numa atitude claramente ilegal de quem sente as costas bem quentes por parte das autoridades.

Governo, Inspecção do Trabalho, Tribunais, Polícia... ninguém acode a estes trabalhadores que pedem tão somente os salários em atraso...

Nem a Comunicação Social lhes acode. O tom pseudo equidistante, entre trabalhadores a quem não lhes foi pago o salário devido e a Administração que pede sempre mais um esforço em troca de um futuro salário que nunca vem e que agora desliga os fornos; a equidistância entre os burlados e os burlões, é já por si lamentável... mas quando comparamos ao alarido que é feito sempre que algum trabalhador "se excede" no calor da luta, e a forma como se noticia o lockout da Valadares, como se fosse uma coisa banal, vemos bem quanta falta faz um órgão de comunicação social de massas que - já não digo que seja de esquerda - seja minimamente sério.

Publicado por [Saboteur] às 02:29 PM | Comentários (1)

fevereiro 07, 2012

Pinheirinho no RDA

Amanhã no RDA às 20h, filme e conversa, com um ganda jantar também.

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No passado dia 22 de Janeiro, Domingo, a comunidade do Pinheirinho (S.Paulo-Brasil), composta por cerca de 9000 pessoas, foi invadida por efectivos do Comando da Polícia Militar, com o objectivo de os retirar da propriedade que habitam há mais de 8 anos. Apesar dos sinais de intenção dados pelos governos federal e estadual no sentido da sua legalização e da suspensão da reintegração decretada pelo Tribunal Regional Federal, os poderes locais (quer a nível executivo, quer a nível judicial) autorizaram o despejo da comunidade.

A operação ficou marcada por uma violência desmedida, com várias dezenas de detidos e feridos (alguns dos quais graves). Sem qualquer aviso prévio, cerca de cerca de 1,8 mil homens da polícia, auxiliados por 2 helicópteros, usaram gás lacrimogéneo, gás pimenta, cassetetes e até armas de fogo contra os moradores que resistiam.

Activa há cerca de uma década, a comunidade do Pinheirinho foi construída pelos próprios habitantes, pessoas sem tecto que, graças ao seu esforço e à solidariedade de outros tantos, edificaram casas, ruas, praças. A sua área é propriedade da Select S/A, do especulador financeiro Naji Nahas. Antes de ser ocupada, estava abandonada há mais de trinta anos.

E sem esquecer a ganda cicloficina também.

Publicado por [Party Program] às 08:24 PM | Comentários (1)

Plenário de Desempregados

Só pa depois não dizerem que o people do spectrum é sectário e coiso:

Via Indymedia

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"Os números são dramáticos e não é preciso nenhuma notícia, declaração ou desabafo ornamental, para se perceber isso. Quem ande na rua sem ser com os olhos no chão, quem esteja atento à vida dos seus amigos, familiares e colegas de profissão, tem perfeita noção que o degredo que nos estão a impor está em toda a parte e mesmo quem ainda conserva o seu emprego sabe que ao mínimo percalço tem a serventia da casa à espreita.

A nossa força de trabalho, mesmo parada, é um factor determinante no processo de produção, sobretudo por representar um exército de reserva de mão-de-obra, cada vez mais qualificada, que à medida que a austeridade avança vai garantindo a maximização dos lucros que a crise tem proporcionado aos patrões.

Um grupo de desempregados em luta, escreveu uma carta aberta na passada greve geral, e agora prepara-se, à imagem de outros países, para passar das palavras aos actos: “Na Argentina, em França ou no Brasil, quem está nesta circunstância já deu passos em frente que nós teremos que aprender a dar. No Egipto, no Estado Espanhol ou nos EUA têm sido indispensáveis nos movimentos que estão a mudar a relação de força dos 99%. Há que ser capaz de forjar as nossas organizações, as nossas iniciativas, os nossos sindicatos. Há que ser capaz de interferir na agenda, incomodar a troika e derrotar as intenções da absoluta minoria que nos quer reduzir a mercadoria. Não devemos continuar escondidos atrás de estatísticas, do medo, da vergonha ou da desmoralização própria de quem vê a sua vida privada de vida.”

Mudar o destino e transformar a desistência em resistência é uma tarefa difícil para todos, mas é um desafio redobrado para os desempregados. A sua sujeição à vergonha, a dimensão depressiva do seu quotidiano, a pressão para ficar longe da actividade política e a ausência de uma organização que os represente, são parte da razão que os mantém em silêncio por mais vontade que tenham de gritar.

Querem roubar-nos a vida mas este é o tempo de passarmos a existir.

Adere, divulga e participa!

http://pt.indymedia.org/conteudo/agenda/6598
https://www.facebook.com/events/349869798364580/

Acrescento do Colectivo Editorial do CMI-pt à notícia destacada:

01/03/2012 - 19:00 - PLENÁRIO DE DESEMPREGADOS

Sede da UMAR, Rua da Cozinha Económica, Bloco D

A taxa de desemprego em Portugal agravou-se em Dezembro para 13,6%. O trabalho é um direito e está na hora de os desempregados procurarem uma resposta colectiva à sua condição social. Divulguem!"

Publicado por [Party Program] às 08:14 PM | Comentários (0)

A propósito de relativismo… e civilizações.

Há um problema na tradução das declarações de Claude Guéant (Ministro de Sarkozy)no Publico de hoje. Não seria muito grave se essa tradução não eufemizasse o sentido e as intenções do mesmo. Enquanto que Claude Guéant diz « Toutes les civilisations ne se valent pas », o Publico traduz “nem todas as civilizações são equivalentes”. Enquanto que a segunda faz apenas referência a uma hierarquia de civilizações de maneira abstracta, a primeira faz alusão a um sistema de valores “justos” existentes em certas civilizações e inexistentes noutras. As declarações de Guéant são mais graves do que isto, incluem “nous devons proteger notre civilization”. A oposição francesa diz em uníssono que estas declarações servem a campanha eleitoral, nomeadamente para “roubar” votos ao FN. Outros sublinham o perigo de trazer termos como “civilização” para praça pública. Alain Gresh aqui lembra que a “ideia de civilização está na base do argumentário de muitas das políticas coloniais ao longo da História.

Aqui em baixo, um texto para francófilos (não fossemos nós elitistas). é uma carta aberta (“très puissante”) de André Breton escrita em 1925 (inícios do surrealismo) a Paul Claudel. Dois aspectos estão no hors-champ deste texto: um Político e outro Literário. O primeiro contra a guerra do Rif em Marrocos, o segundo contra os escritores “estadistas”, imagem incorporada com sucesso por Paul Claudel. Esta carta poderia ter sido escrita hoje a Guéant.



"Nous souhaitons de toutes nos forces que les révolutions, les guerres et les insurrections coloniales viennent anéantir cette civilisation occidentale dont vous défendez jusqu’en Orient la vermine et nous appelons cette destruction comme l’état de choses le moins inacceptable pour l’esprit. (...) Nous saisissons cette occasion pour nous désolidariser publiquement de tout ce qui est français, en paroles et en actions. Nous déclarons trouver la trahison et tout ce qui, d’une façon ou d’une autre, peut nuire à la sûreté de l’Etat beaucoup plus conciliable avec la poésie que la vente de « grosses quantités de lard » pour le compte d’une nation de porcs et de chiens. C’est une singulière méconnaissance des facultés propres et des possibilités de l’esprit qui fait périodiquement rechercher leur salut à des goujats de votre espèce dans une tradition catholique ou gréco-romaine. Le salut pour nous n’est nulle part. Nous tenons Rimbaud pour un homme qui a désespéré de son salut et dont l’oeuvre et la vie sont de purs témoignages de perdition. Catholicisme, classicisme gréco-romain, nous vous abandonnons à vos bondieuseries infâmes. Qu’elles vous profitent de toutes manières ; engraissez encore, crevez sous l’admiration et le respect de vos concitoyens. Écrivez, priez et bavez ; nous réclamons le déshonneur de vous avoir traité une fois pour toutes de cuistre et de canaille."


Paris, le 1er juillet 1925.

André Breton, Lettre ouverte à M. Paul Claudel Ambassadeur de France au Japon

Publicado por [Shift] às 06:08 PM | Comentários (0)

Basta fazer as contas....

Um jornalista perguntou a Pedro Passos Coelho de que valor estávamos a falar quando falávamos em fazer ou não feriado no Carnaval.

Passos Coelho responde "basta dividir o PIB pelo número de dias de trabalho para obter esse valor".

Será que o Primeiro-Ministro acredita mesmo que se podem fazer as contas assim?

Talvez... Afinal toda a teoria do económica do Governo, a começar pelo ministro das finanças e a acabar pelo pseudo-guru das "Ideias para Portugal", que tem a pasta da economia, tem muito pouca aderência à realidade e está relacionada com modelos simples em que se demonstra que quando se baixa o salário mínimo aumenta automaticamente a oferta de emprego. Porque não havia Passos Coelho acreditar que o custo de um feriado é igual ao PIB sobre número de dias trabalhados?

Quase tão mau quanto isso é a comunicação social que temos.

Como é que algum jornalista digno desse nome deixa passar uma declaração destas sem tugir nem mugir? Lembram-se de Guterres que foi desafiado em directo a dizer quanto é que era 6% do PIB e como foi gozado para sempre e massacrado pelos opinion makers por nem saber de cor o valor do PIB de cor?

Publicado por [Saboteur] às 12:37 AM | Comentários (1)

fevereiro 06, 2012

Poesia de rua parisiense (“intramuros”)

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Publicado por [Shift] às 02:46 PM | Comentários (2)

A essencialização do “Outro” é isto... onde o “outro”, “estrangeiro” é o transmontano que prefere viver em bidonvilles por factores psicológicos

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(CNPF)

Publicado por [Shift] às 02:03 PM | Comentários (1)

Impasse transmontano num documentário

Anseio Lisboa como penso Damasco e descubro ainda Trás-os-Montes, terra materna. Desde o "Veredas" (Joao César Monteiro,1977) que não entrava em convulsão com um missa transmitida num écran. No entanto, ao contrário de "Veredas", compreendemos que o padre da « La vie au loin » (Marc Weymuller, 2011) enveredou pela carreira eclesiástica para possuir um dia o rádio a pilhas com o qual o padre da sua infância fazia um brilharete. «Que assim se veja a força da igreja » onde se « respeita mais a morte do que a vida » (excertos do Veredas), e onde se canta à Nossa Senhora para que esta “abençoe os emigrantes, que da nossa terra são tantos” (excerto de “La Vie au Loin”).
« La vie au loin » é mais do que isso, é um retrato de uma região isolada onde neva como em Paris, onde a faina se faz ao ritmo da época romana. Veem-se instrumentos agrícolas desprovidos de motores, manobrados pelo homem graças à musculatura dos animais.
Cruzam-se personagens que passaram por Angola, Brasil ou França e que voltaram um dia de nevoeiro à terra fria. Escreve-se poemas ao som de uma maquina de escrever comprada com muito esforço a 20 contos no Porto. Entra-se em catarse com a dor da morte de um pai, “oh meu pai, junta-te à minha mãe que já lá está”. Gritos de dor necessários, já tão pouco aceites em sociedades autocensuradas. Que se grite histericamente... vozes femininas de desespero, tal como um ritual fúnebre no sul da Tunísia.
“La vie au loin” é um retrato de Portugal do interior, onde ainda se contam histórias de bruxas, vive-se de histórias de casamentos com o pastor do povo e sofre-se de solidão.
A televisão analógica não pareceu fazer parte da paisagem, quanto mais a digital. Mas engane-se aquele que pensa que não se sonha no futuro em terras isoladas do pos-materialismo, com modos de vida ancestrais. Derretemo-nos em frente do filme “La vie au loin” não porque se colocam perguntas existenciais... mas sim essenciais.
Giacometti conseguiu gravar e reabrir uma caixa de pandora de cânticos quase desaparecidos. Não que seja uma revivalista de um mundo perdido, mas faz sentido compreender as condições de vida presentes daqueles que vivem (mesmo que seja) num longínquo lugar. “La vie au loin” acabou de ser realizado, é um produto da modernidade.

Publicado por [Shift] às 11:39 AM | Comentários (19)

fevereiro 05, 2012

Impasse Sírio num desabafo

Damasco, essas pessoas … esses piqueniques à beira da estrada nas quintas feiras anoitecidas e arrefecidas dos 48° graus de um dia de verão. Por aqueles que lá deixei, talvez pela proximidade e afinidade platónica, teimo em preocupar-me com o destino de todo um povo, de uma região inteira. Anseio Lisboa como penso em Damasco. Traço por isso cenários, num sincretismo tão real como surreal, forjando uma visão onde um povo é reduzido a uma análise binária da política. Veem-se dois eixos no fim do túnel: por um lado Riade – Damasco – Cairo ; e por outro, Teerão – Damasco – Beirute (Hezbolah). Seria de um conformismo primário, aproximando-me do contrarrevolucionário, dizer que gostaria que tudo ficasse na mesma. Contudo é impossível não nos enrodilharmos nos pros e contras de saída de crise Síria. Falei (num dos posts em baixo) nos erros que foram cometidos no Iraque no pós ingerência americana… desagradável é então pensar que podemos ter um panorama com mecanismos de desorganização social idênticos na Síria. Desde a criação do Estado de Israel em 48 que o Sionismo visa a desintegração do Médio Oriente em províncias étnica ou religiosamente homogéneas. Hoje o sionismo tem mais parceiros, não fosse a máxima das potências imperialistas « dividir para melhor reinar ». No Iraque conhecem-se também as consequências dessa desintegração, uma dissolução do exército nacional que resultou na edificação de milícias armadas dispersas. Durante estes últimos dias, da Síria chegam-nos informações descosidas, contraditórias, sobretudo quando temos em conta toda a panóplia de informações veiculadas não só pelos médias oficiais mas também pelos médias alternativos. Testemunhos de tortura relatados nos canais mainstream (entre os quais Al-jazeera) e testemunhos opostos que passam pelas vias informais. O Massacre de Homs não foi um massacre de Estado, foi perpetrado por grupos armados (corre o rumor) pagos pelo Qatar para influenciar o voto do Conselho de Segurança na ONU. Respirámos fundo quando a Rússia e a China opuseram o seu veto. Serviu para obstar pelo menos a curto termo a defesa “institucional legitima” de uma das partes daquilo que mais parece hoje uma guerra civil (reitero sobre isto as minhas duvidas). Ghannouchi, o primeiro ministro tunisino do Enahada (corrente da irmandade muçulmana) torna-se igualmente o bom estudante dos países do Golfo, nomeadamente quando decidiu expulsar o embaixador sírio do país. Penso esquizofrenicamente que a Síria está em maus lençóis, seja qual for a saída. Quanto ao povo sírio parece que já não é uma questão de oposição política, mas sim de resistência para existir independente.

Publicado por [Shift] às 09:17 PM | Comentários (2)

fevereiro 03, 2012

Fevereiro no RDA69

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Publicado por [Party Program] às 01:06 PM | Comentários (4)

Em Madrid faz bom tempo, em Lisboa mais vinte por cento

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:29 AM | Comentários (2)

fevereiro 01, 2012

Portugal em direcção de um cenário grego ?

Embora não faça a mínima ideia se a análise deste artigo do jornal Libération de ontem « LE PORTUGAL VERS UN SCÉNARIO GREC ? » está certa , penso que a questão colocada é pertinente e cada vez mais urgente. E como por vezes os comentários são mais inteligentes do que os artigos regozijei-me a dar uma vista de olhos. Ficam aqui alguns que refletem o olhar de quem parece estar salvaguardado de um eventual tsunami :
- é como um jogo de domino, tal como Brel diz numa das suas cançoes : « au suivant » (« c’est comme un jeu de domino, ainsi que le dit Brel dans sa chanson: au suivant. »)
-é muito pesado o fado… da dívida (« IL EST TROP LOURD LE FADO... de la dette »)
- Um sirtaki ao som de um Fado (« Un sirtaki au son d'un Fado »)
- Vamos rir quando em França tivermos um sirtaki ao som de um schuhplattler… sim, sim, aquelas danças de Baviera (« ...on va rigoler quand en France on aura un sirtaki au son d'une schuhplattler... si si, tu sais les danses bavaroises… »)


« Au suivant » de Jacques Brel


Sirtaki


Schuhplattler

Publicado por [Shift] às 06:02 PM | Comentários (3)

A indignação do Governo


Secretário de Estado dos Transportes apela aos sindicatos para que reconsiderem greve


No debate sobre os transportes públicos o Governo exalta-se com o impacto negativo que a greve de amanhã terá nas contas públicas.

Apesar de reconhecer o direito à greve (têm necessidade de o afirmar porque acham uma coisa extraordinária), o Secretário de Estado indigna-se porque num dia de greve, supostamente, vai por água abaixo o esforço de poupança que foi feito na redução dos Conselhos de Administração das empresas públicas de transportes.

Há 2 posts a fazer depois de tanta choradeira na Assembleia da República:

1 - Que bela merda para jornalista ver foi essa de reduzir o número de Administradores das Empresas Públicas. Fizeram-se paletes de notícias, a populaça (e alguma esquerda populista) que passa a vida a afirmar que o problema são os "Administradores que andam ali a mamar", ficou satisfeita da vida ou calada sem saber como criticar... e afinal, em apenas 1 dia de Greve, a gota de água no oceano que foi essa poupança, foi toda pelo ralo.

2 - O mesmo Governo que foi tão compreensivo com a fuga de Soares dos Santos para a Holanda, afirmando que nada foi feito de ilegal, que todos têm o direito a defender o seu património e até que devíamos olhar para a Holanda e compreender porque é que conseguem atrair capitais portugueses, não consegue nem quer esconder a indignação com a greve.

Os trabalhadores, ao contrário dos grandes magnatas que apoiaram a eleição deste Governo e deste Presidente da República, já não têm o direito de defender o seu património. Já não devemos olhar para o exemplo Holandês para ver como funciona o sistema de transportes públicos (financiado pelo Estado e não pelos utilizadores) e para perceber porque é que amanhã não há greve em Amesterdão.

Publicado por [Saboteur] às 05:32 PM | Comentários (3)

Iraque sem transiçao de futuro

Obama podia ter salvo a pele, quanto à sua implicaçao pessoal na guerra no Iraque, se nao tivesse sido tao estupido nas declaraçoes que fez pouco tempo antes do fim (como quem diz) da ocupaçao nesse país : « a intervençao americana foi um sucesso espetacular, permitiu ao Iraque de se libertar da ditadura baassista e de se dotar de um Estado soberano, estavel, autosuficiente, com um Governo eleito pelo seu povo ». MENTIRA.
Este artigo « La transition irakienne a-t-elle eu lieu ? » mostra num estilo límpido e sereno o que acontece quando se faz uma importaçao forçada de um modelo de democracia (entre parênteses, tremo muito sinceramente quando penso que a Siria pode ser o proximo a ser encastrado nesse ideal tipo). A autora, sem precisar de justificar porque é que a guerra do Iraque (2003) foi um dos projectos belicistas coevo mais desastrosos, faz uma bela demonstraçao sobre o que « nao » foi a « transiçao » tao almejada pelos americanos. Fui particularmente sensibilizada por dois dos seus argumentos : um que diz respeito à «desbaassificaçao » e purga de todos os orgaos e actores políticos da sociedade iraquiana, nomeadamente o desmantelamento brutal do exército (que teve como consequência o engrossar das fileiras das milícias armadas) e a substituiçao por uma outra elite corrupta no poder actual ; e um segundo erro que diz respeito à vontade dos americanos em estruturar a ordem política por um sistema de quotas etnicas e de confissao religiosa.

Publicado por [Shift] às 04:35 PM | Comentários (1)

Black Power Mixtape

Hoje no RDA69:

Black Power Mixtape

Jantar às 20h. Filme às 21h. Entrada Livre. All power to the people.

Publicado por [Party Program] às 09:53 AM | Comentários (0)

The Black Power Mixtape - Hoje no RDA69, 21h


“The Black Power Mixtape 1967-1975,” among other things an extraordinary feat of editing and archival research, takes up a familiar period in American history from a fresh and fascinating angle. In the late 1960s and early ’70s, Swedish television journalists traveled to the United States with the intention of “showing the country as it really is.” Some of the images and interviews they collected have been assembled by Goran Hugo Olsson into a roughly chronological collage that restores a complex human dimension to the racial history of the era. The film begins at a moment when the concept of black power was promoted by Stokely Carmichael, a veteran of the freedom rides early in the decade, who, like many young black activists, had grown frustrated with the Gandhian, nonviolent philosophy of the Rev. Dr. Martin Luther King Jr. Carmichael, who later moved to Guinea and took the name Kwame Ture, is remembered for the militancy of his views and his confrontational, often slashingly witty speeches, but the Swedish cameras captured another side of him. In the most touching and arresting scene in “Mixtape,” he interviews his mother, Mable, gently prodding her to talk about the effects of poverty and discrimination on her family. That quiet conversation is a reminder that the inflammatory rhetoric of the black power movement, with its talk of revolution, national liberation and armed struggle, had its roots in bitter experience. And while “The Black Power Mixtape” tells a story of defiance and pride, it is also a tale of defeat, frustration and terrible destruction.
A. O. Scott

Jantar às 20h, filme às 21h

Publicado por [Chuckie Egg] às 09:36 AM | Comentários (0)