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agosto 31, 2011

Banksy you're next

Do blog do colectivo Just Seeds

In an article published yesterday in the Guardian UK (read HERE), it's come out that Shepard Fairey didn't receive the welcome he would have hoped for on his recent trip to Denmark, where he was beat up after his exhibition opening last weekend. It appears that Copenhagen youth decided to try to teach him that elusive life lesson that what you do as an artist might actually have real life consequences.

Fairey's mural on site of the former anarchist/punk squat Ungdomshuset (we ran a write-up on the importance of the site a couple years back HERE)—and ground zero for the youth riots of 2007—pairs a dove and the word "peace" with the Ungdomshuset rallying cry "69." The combination of Fairey's development of the cult of personality for Obama, the taking of Copenhagen city money, and the use of that money to paint a mural seen as trying to obscure the conflict between the city and the anarchist community was a step too far. Fairey's transgress, and attempt to shove his particularly friendly, Southern Californian-style neo-liberalism down the throat of Danish youth activists has landed him a black eye and bruised ribs for his troubles. To his credit, Fairey did go back and repaint a portion of the mural with input from some former Ungdomshuset members, but then again, when you depend on street cred to keep your career rolling, it's unclear if he had much choice. (photo: Tommi Ronnqvist for the Guardian)

Publicado por [Party Program] às 03:55 PM | Comentários (3)

agosto 30, 2011

Anúncio de emprego: 720 lugares de assistentes operacionais

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Se não aproveitarem esta fantástica oportunidade apenas estarão a dar razão a quem afirma: "Malandros, não querem é trabalhar".

Publicado por [POKE] às 09:36 PM | Comentários (2)

sell-out!

O Hélio vendeu-se.


Publicado por [Party Program] às 08:49 PM | Comentários (14)

agosto 29, 2011

15 de Outubro a Democracia sai à rua!

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PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO

- Pela Democracia participativa.
- Pela transparência nas decisões políticas.
- Pelo fim da precariedade de vida.

MANIFESTO:

Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias, desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida. Hoje vimos para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa.

A actual governação assenta numa falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala global. Democracia não é isto!

Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.

Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por regimes de excepção. Queremos um sistema fiscal progressivo e transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados.

Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que condições.

As pessoas não são descartáveis, nem podem estar dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.

Os recursos naturais como a água, bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis. Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas.

A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.
Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta!

A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.

Acampada Lisboa – Democracia Verdadeira Já 19M
Alvorada Ribatejo
Attac Portugal
Indignados Lisboa
M12M – Movimento 12 de Março
Movimento de Professores e Educadores 3R’s
Portugal Uncut
Precários Inflexiveis

http://www.facebook.com/pages/15-Outubro/161447463927164

Publicado por [POKE] às 11:08 PM | Comentários (8)

Chile





Publicado por [Rick Dangerous] às 02:09 PM | Comentários (2)

agosto 28, 2011

Massa Crítica no Barreiro

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Publicado por [Saboteur] às 04:09 PM | Comentários (3)

agosto 26, 2011

Biopolítica


Publicado por [Rick Dangerous] às 05:34 PM | Comentários (22)

agosto 25, 2011

O milagre chileno

O Chile vive hoje o segundo dia de greve geral. Um protesto de trabalhadores e estudantes contra os programas de austeridade promovidos pelo governo pós-pinochetista. Segundo várias fontes de informação, entre as quais o Público, a greve tem sido marcada por confrontos entre grevistas, manifestantes e autoridades policiais, bem como - e aqui chegamos ao busílis da questão - pela pilhagem de várias lojas.

Ou seja, o que nos últimos dias foi apresentado como sendo incompatível, como pertencendo à ordem do impossível, parece aqui coincidir. Claro que podemos sempre concluir que tal coincidência é puramente aleatória. Mais do que isso, oportunista, reflectindo o mero aproveitamento não consciente, alienado, badalhoco e interessado de um bando de meliantes. Mas lá está, já se avançou um bocadinho. O milagre da coincidência aconteceu: greve com pilhagens, operariado consciente e organizado na cama com lumpen hiperconsumista.

Assim como assim, vou estar atento aos jornais. Não vá um militante sindical qualquer molhar o bico e gamar um LCD.


Publicado por [Dallas] às 06:44 PM | Comentários (3)

Comentários sobre os incêndios deste Verão (3)


Os amotinados de Londres ressuscitaram, com a fúria da sua abrupta interrupção nas ruas, a imagem da multidão incontrolada que destrói, por motivos vários e que são sobretudo seus (ainda que tenha por vezes a cortesia de os partilhar), coisas cuja utilidade não descortina, ao mesmo tempo que se serve abundantemente de tudo aquilo que deseja. E tudo leva a crer que é sobretudo essa ressuscitação que não lhes pode ser perdoada, pelo que evoca de passado e de futuro, pela facilidade com que ocorreu em pleno centro da acumulação capitalista, pela ameaça que contém ao controlo do território metropolitano pelo Estado.
Os seus actos foram apresentados, pelo poderoso dispositivo mediático que controla a imagem e a informação, como desprovidos de sentido, estratégia, objectivos ou propósitos, como toda esta gente saíssem à rua, corresse todo o tipo de riscos e se expusesse à repressão policial devido apenas a fenómenos de imitação e sentimentos de impunidade. A facilidade com que se decretou a ausência de sentido dos actos praticados indicia, pelo contrário, que o seu sentido foi amplamente sentido por muitos e que se tornou imperativo removê-lo da atenção das massas telespectadoras pela incessante repetição de preconceitos e lugares comuns.
Que há qualquer coisa como uma gigantesca ausência de sentido e de inteligibilidade no mundo em que vivemos, já para não falar de uma boa dose de cinismo e de inimputabilidade, será difícil desmentir. Pode-se passar a noite na esquadra por pintar grafitis ou por bloquear o trânsito em defesa da paz mundial e pode-se urinar para uma fonte pública (como um jovem católico mostrou em Madrid) ou para um carro da PSP (como o presidente da JSD-Madeira demonstrou no Funchal) sem que daí resultem consequências de maior. Pode-se ser baleado na cabeça por assaltar uma agência bancária e pode-se chegar a administrador de uma empresa do Estado após ter desfalcado toda uma instituição bancária. No limite, pode-se destruir ou danificar propriedade privada, retirar objectos e bens a uma ou várias pessoas, cometer os maiores actos de violência e até matar, tudo isto beneficiando de total e completa impunidade, desde que se tenha um distintivo policial e as vítimas de todos estes abusos sejam pobres ou pretas ou as duas coisas ao mesmo tempo.
Seria por isso desconcertante que milhares de revoltosos fossem movidos sobretudo pela generosidade desinteressada e pela indignação contida perante mais um homicídio policial. Desconcertante e, provavelmente, menos eficaz, uma vez que manifestações gigantescas contra o racismo e a violência policial não são assim tão pouco numerosas e não consta que tenham colocado qualquer uma das questões no centro do debate público. Já o fogo, as pilhagens e os confrontos com a polícia têm a propriedade mágica de se tornarem incontornáveis. Pagarei um jantar opíparo a quem souber indicar em que momento uma gigantesca manifestação pacífica, cheia de conteúdo político, levada a cabo por pessoas ordeiras e de intenções nobres, com objectivos claros e uma perspectiva emancipatória, foi capaz de chamar a si a atenção noticiosa em todo o mundo, obrigar um primeiro-ministro a cancelar as suas férias e levar ao cancelamento de um jogo da respectiva selecção nacional de futebol.
É certo, e até um pouco evidente, que nenhuma destas coisas alterará as vidas das pessoas em questão e dificilmente impedirá novos abusos policiais que resultem em mortes. Mas são certamente bons indicadores do impacto histórico imediato de tudo isto.
O resto continuará a ser debatido e isso, diga-se de passagem, não é assim tão pouco, pois é através de momentos desta natureza que ganha forma a consciência de que a revolta e o ódio, o gigantesco descontentamento que mais e mais pessoas sentem relativamente à ordem social em que vivemos, são partilhados através das fronteiras, em sítios distantes uns dos outros mas que se assemelham cada vez mais. Apesar de todos os esforços para nos fazer comer, sem estrebuchar nem levantar ondas, este pão que sabe a merda, nem tudo é fácil para os donos deste mundo, face à possibilidade de o planeta inteiro se transformar em Hackney ou em Clichy-sous-bois.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:41 PM | Comentários (9)

Comentários sobre os incêndios deste Verão (2)


Comecemos por esvaziar desde logo o balão de ar da pilhagem dos pequenos negócios, do incêndio de casas, carros e lojas de particulares, dos assaltos aos transeuntes e de outras ocorrências desagradáveis. Londres tem cerca de 7 milhões de habitantes no seu centro e 14 no conjunto da área metropolitana.
Alguém acredita que, numa base quotidiana e sem que esteja a acontecer qualquer motim ou acto de pilhagem, não morram pessoas em todo o tipo de situações violentas, não sejam assaltados inúmeros pequenos negócios, não sejam atropelados indivíduos que caminham na rua e não se assista a gestos de brutalidade e a roubos de pessoas isoladas?
Na cidade com maior número de câmaras de vigilância, que dificuldade poderia ter a polícia em seleccionar um conjunto (relativamente pequeno, diga-se) de imagens chocantes e fazê-las repetir incessantemente na televisão até que estivessem criadas as condições óptimas para impor o estado de sítio?
Basta ler o Correio da Manhã para ter a noção da quantidade de actos de violência gratuita e de roubos que ocorrem diariamente em Portugal para relativizar q.b. a relação entre a ocorrência de motins e o assalto a um estudante malaio ou o ataque a um motociclista ou o incêndio de habitações privadas. Relativizar, sublinho, ou seja, considerar várias hipóteses para explicar cada ocorrência isolada, que vão desde o ajuste de contas, até ao medo de estar a ser filmado pela polícia, até ao puro e simples furto de quem aproveita a vantagem numérica. É possível que estes não tenham sido aspectos menores dos acontecimentos mas não foram seguramente o seu centro nem o que motivou tão cerrada campanha de desinformação. Mais do que uma imagem revelava pessoas a observar pilhagens e incêndios sem participar neles e, simultaneamente, sem recear os que estavam a pilhar e a incendiar. Existe aliás alguma lógica em preferir assaltar um grande armazém de material electrónico ou uma grande loja de roupa em vez de ir roubar o jovem de mochila que passa numa bicicleta. Mas a lógica foi claramente uma cena que não assistiu a maioria dos comentadores dos acontecimentos.
Pelo contrário, a necessidade de amalgamar todas as criminalidades numa única galáxia de desordeiros perigosos correspondeu a um imperativo estratégico de quem geriu a repressão, servindo de caução a um estado de excepção judicial. Note-se o contraste (gigantesco para qualquer observador minimamente atento) entre a abundante repetição e descrição de actos de extrema violência (nomeadamente os que provocaram mortos) e a sucessão de condenações a penas excepcionais de indivíduos que cometeram delitos que seriam considerados “menores” em qualquer outra situação. Na impossibilidade (que era anterior aos motins e que prosseguirá após eles) de identificar e prender quem comprovadamente tenha incendiado prédios, baleado automobilistas ou assaltado transeuntes, os tribunais ingleses estão a distribuir condenações duras a quem roubou garrafas de água, apedrejou a polícia ou, pasme-se, escreveu mensagens no facebook.
Foi necessário, em suma, transformar o conjunto das ilegalidades cometidas nas ruas britânicas num único e gigantesco crime, de maneira a poder reprimir indiscriminadamente as manifestações de descontentamento político e social, a luta contra a repressão policial, a desobediência à autoridade do Estado, como se elas fossem meras variações daquilo a que se convencionou designar por criminalidade comum. Que tudo isso tenha ocorrido e se apresentasse inseparável em determinadas situações é uma possibilidade óbvia, mas que fosse assim em todas as circunstância e, sobretudo, que fosse esse o principal aspecto destes motins, parece-me bastante mais discutível. Em qualquer dos casos foi necessário apresentar os amotinados, em bloco, como um perigo público e uma ameaça ao bem comum para que o Estado retomasse o controlo das ruas. Os que lastimam a despolitização dos amotinados fariam bem em interrogar-se acerca da ingenuidade política que revelaram ao reproduzir de modo completamente acrítico a narrativa policial acerca dos incêndios deste Verão.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:18 PM | Comentários (1)

agosto 24, 2011

O amor

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:12 PM | Comentários (8)

agosto 18, 2011

Comentários sobre os incêndios deste Verão (1)


É sem dúvida um aspecto digno de registo e um fenómeno repleto de implicações que os acontecimentos iniciados em Londres e alastrados a outras partes tenham sido objecto de juízos tão pouco lúcidos. Não me refiro, evidentemente, ao facto de motins, pilhagens e actos de destruição terem convocado a célere formação de um partido da ordem empenhado na sua repressão e punição exemplar. Nada houve de novo, nos métodos empregues como na "enérgica" resposta dada, por parte de quem tem como tarefa assegurar o respeito pela lei e pela propriedade privada. Mobilizar todos os meios técnicos e humanos ao seu alcance para perseguir os desordeiros e criar tribunais de excepção para os punir exemplarmente é a obrigação óbvia de quem administra o monopólio da violência organizada. A Scoland Yard limitou-se a seguir o manual de instruções contra-subversivo e devolver as ruas aos seus proprietários habituais, enquanto a direita uivava o habitual ódio aos pobres.
Foi sobretudo ao nível da interpretação histórica e política dos eventos que esta espécie de sociedade em que vivemos revelou as suas mais evidentes fragilidades. Dita a tradição que a Esquerda seja chamada a explicar as causas profundas das coisas, a chamar a atenção para os "problemas" e "desequilíbrios" na origem das revoltas, a clamar por uma reconfiguração das políticas sociais e a apontar o caminho para que tudo volte à "normalidade". Não é exagerado sugerir que momentos destes funcionaram frequentemente, ao longo da história, como elementos de modernização e, por isso mesmo, de reforço do capitalismo.
Ora o espaço público revelou-se particularmente incapaz de acolher e desenvolver essa reflexão de sinal tranquilizador. A combinação da severidade dos juízos proferidos com a superficialidade das análises publicadas evidenciou de tal forma a natureza do tempo histórico em que vivemos que a expressão "guerra civil mundial" assumiu uma materialidade sem precedentes. O simples facto de tão poucos terem escrito algo que que ultrapassasse a condenação - quando não o desprezo - e de determinados adjectivos e temas terem sido utilizados, repetidos e inflacionados a uma escala sem precedentes, é o acontecimento político mais relevante deste Verão. Para os intérpretes autorizados da realidade, a revolta tornou-se um facto inexplicável e a "crise de valores" assumiu o lugar de todas as outras narrativas. No início do século XXI, registe-se, o mais arcaico dos juízos acerca das causas para uma revolta atravessou grande parte da esfera pública e foi considerado uma boa grelha de leitura para motins e pilhagens nas ruas de uma grande metrópole, na sequência de um assassinato cometido pela polícia. Note-se que me estou a referir aqui aos “colunistas” e “comentadores” que sentiram apesar de tudo a necessidade de identificar causas para os acontecimentos, uma vez que a maioria se limitou a exibir, como Maria Antonieta antes deles e com os resultados que se conhecem, a sua revolta por ainda haver pessoas que se revoltam.
Vivem-se tempos amargos para os profissionais das ciências sociais que não aceitem a sua integração em bloco nos dispositivos de controlo que dão corpo à criminologia. Os teimosos refractários que o ignorarem ou desrespeitarem, que avançarem, em suma, uma interpretação distinta daquela que nos apresenta o ministério público britânico, correm o sério risco de vir a sofrer o destino dos que apelaram aos motins no facebook. A república francesa já deu, aliás, sinal de estar à frente do seu tempo, quando deteve, em prisões de alta segurança e rigoroso isolamento, os autores de um livrinho de bolso que se limitava a fixar no papel as ideias dispersas de uma época assinalada pelo esgotamento de todas as formas de mediação e representação que caracterizaram a segunda metade do século XX.
O capitalismo não tem, neste momento, margem de manobra suficiente para recuperar qualquer contestação que ultrapasse o plano simbólico da reivindicação e do protesto ordeiro. O Estado já só sabe vigiar e punir. O império treme perante a ameaça dos bárbaros, mas estes bárbaros não vieram de paragens longínquas e desconhecidas. Foi neste deserto a que chamamos sociedade que se formaram os bandos errantes que espalham a destruição nas ruas de Inglaterra. E é por isso que o processo de interpretação do seu comportamento e atitudes se revela tão trabalhoso e - a prazo - arriscado. Compreendê-los equivale a compreender o mundo de onde eles surgiram, o tortuoso conjunto de engrenagens e dispositivos que lhes deu forma e sentido. Um inquérito cuidadoso aos incêndios deste Verão revelaria demasiadas coisas acerca do Estado e do capitalismo para que as verdades a extrair dele pudessem não assumir proporções criminosas. Juntamente com lojas e automóveis, várias foram as ilusões que desapareceram nos incêndios de Londres.

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:14 PM | Comentários (6)

The High Cost of Poverty: Why the Poor Pay More

A par com a balela do Blackberry uma das histórias preferidas da esquerda bem-pensante foi de como os vândalos atacavam as mercearias de bairro, imaginando os bairros da periferia de Londres enquanto uma versão arquitecturalmente moderna dos bairros populares de Lisboa em que a mercearia do Sr. ou Sra. XXX vende tudo a preços bastante reduzidos e em que há inúmeras tascas onde a "comunidade" pode alimentar-se bem e barato. Este artigo do Washington Post, ainda que sobre os Estados Unidos e que haja eventualmente diferenças consideráveis, ilustra como a pobreza sai cara, ou seja, como as populações que vivem em centros urbanos empobrecidos tem muito menos oportunidades de poupar do que quem tem um carro e bons supermercados à porta. Na fantasia do multiculturalismo funcionalista a loja de conveniência do paquistanês tem preços adequados ao nivel de vida da população que serve, mas, espante-se, o comerciante paquistanês é pouco parvo e consciente de que é o único disposto a ter ali uma loja decide cobrar preços bastante inflacionados. Se esta situação é atenuada em cidades bem comunicadas, como Londres (resta ver quão bem comunicados serão alguns dos bairros), torna-se dramática em outras em que a mobilidade era apenas assegurada pelo automóvel, mais comum nos Estados Unidos.

Vândalos sem lei não respeitam nada nem ninguém

Aqui também revelado algum racismo latente desta esquerda: como se atrevem estes pretos e estes monhés a lutar contra influências nefastas na sua comunidade que não foram as indicadas por nós ou que não servem a validar a nossa boa consciência anti-racista de esquerda? Como se atrevem estes pretos a ter comportamentos que podem ser considerados racistas depois de tudo o que fizemos por eles? Anos e anos a ir ao festival de sines para depois os não-brancos andarem assim à porrada entre eles? Não deveriam estas comunidades pitorescas ser humildes e perfeitas?

De sublinhar hoje ainda as sentenças que têm vindo a ser dadas pelos juízes aos detidos durantes e depois dos distúrbios: Roubar uma garrafa de água: seis meses na prisão. Incitar motins no Facebook: 4 anos. Quem semeia a desordem sem uma bandeira da attac deve sem dúvida ser trancado na masmorra mais escura da torre de Londres. De facto não havia mesmo razão nenhuma para partir tudo.

Votasses!

Publicado por [Party Program] às 11:42 AM | Comentários (2)

agosto 17, 2011

The U.K. Riots And The Coming Global Class War

Indymedia? Occupied London? Bloom01010101?

não.

FORBES

Via Dangerous Minds (Que tem feito uma das coberturas mais interessantes do que se tem passado)

Publicado por [Party Program] às 07:38 PM | Comentários (1)

agosto 14, 2011

Santa Casa da Misericordia avança com eutanásia

Publicado por [Saboteur] às 10:27 PM | Comentários (2)

agosto 12, 2011

Go Forth

UPDATE: Sérgio, a sério que tentei linkar mas não sei porquê não consigo e não vou desperdiçar mais tempo a tentar, queixa-te à Paula Bobone sei lá

UPDATE II: Afinal resultou, selvagens sim, mal educados nunca

O Sérgio queixa-se de não o ter linkado no que escrevi, não foi por mal ou despeito, apenas por esta etiqueta blogger me passar completamente ao lado.

Aqui está

SÉRGIO

Segundo o SÉRGIO estas são as consequências dos motins:

- O agravamento da tensão racial entre afrocaribenhos, asiáticos e turcos.

Qual é a fonte? O que ontem vi na televisão, essa magnifica fonte de informação, foi uma série de discursos de unidade entre as várias populações. De resto se algo tiveram de novo estes distúrbios foi a diversidade racial dos participantes nos distúrbios.

- O endurecimento das medidas repressivas da polícia, num país conhecido por praticar um policiamento de proximidade, mantendo as ruas seguras sem hostilizar as populações. Se muitos dos delinquentes se queixavam do tratamento policial recebido (com razão ou sem ela), daqui para a frente certamente terão muito mais do que se queixar. E um Estado policial é um Estado menos democrático, menos livre. Para todos, delinquentes ou não.

Quando até os Portugueses que viram a sua mercearia pilhada se queixam da violência policial vemos bem o que é esse policiamento de proximidade. Não tenho informações em detalhe sobre a questão policial na Inglaterra, sei apenas o que vou apanhando aqui e ali, sei apenas, como creio que sabe toda a gente, que é o pais mais vigiado do mundo. E que há trinta anos que há regularmente situações como esta devido ao comportamento da polícia, imagino que para o SÉRGIO estes 30 anos de motins não existam. E porque é que o policiamento de proximidade não pode ser tão repressivo e insultante como qualquer outro?

- O aparecimento de milícias de extrema-direita, grupos de vigilantes que percorrem as ruas à procura de potenciais criminosos.

As milícias não apareceram, já existiam, veja-se as várias manifestações da EDL nos últimos dois anos.

- A estetização da violência feita pela Levi's (essa importante multinacional anarquista), sob a forma de um anúncio agora lançado que mostra um amotinado enfrentando a polícia. A mensagem, definitivamente, passou.

Claro, a Levi's numa semana fez a pré-produção, escolheu os actores, o director por acaso estava disponível, filmou, montou, fez a pós-produção toda e por acaso ainda conseguiu encaixar o anúncio nao lançamento da nova estação, que por acaso, é mesmo agora. O anúncio não estaria planeado nem nada. Que os motins tenham calhado na altura em que as marcas de roupa lançam as novas estações é pura coincidência. E vejam lá, foi preciso chegar a 2011 para que alguém se lembrasse de usar a estética da contestação política na moda, não?

É que realmente, SÉRGIO, há mil e uma hipotéses pertinentes de questionar o que se passou e desmentir as análises mais entusiastas do que estes seus pontinhos.

O anúncio da Levi´s, bonito e com um poema do Bukowsky, filmado pelo Ryan McGinley, que o Sérgio afirma ter sido feito por causa dos motins em Londres.

Publicado por [Party Program] às 11:11 AM | Comentários (11)

agosto 11, 2011

Sim, mas III

"From Massive Attack’s Facebook page:

In context with the complicit support of the government, the banks looted the nation’s wealth while destroying countless small businesses and brought the whole economy to its knees in a covert, clean manner, rather like organised crime.

Our reaction was to march and wave banners and then bail them out. These kids would have to riot and steal every night for a year to run up a bill equivalent to the value of non-paid tax big business has ‘avoided’ out of the economy this year alone.

They may not articulate their grievances like the politicians that condemn them but this is absolutely political. As for the ‘mindless violence’… is there anything more mindless than the British taxpayer quietly paying back the debts of others while contributing bullets to conflicts that we have absolutely no understanding of?

It’s mad, sad and scary when we have to take to the streets to defend our homes and businesses from angry thieving kids, but where are the police and what justice is ever done when the mob is dressed in pin stripe."

Publicado por [Party Program] às 09:53 PM | Comentários (1)

Sim, mas II

We are not destroying our own communities, don’t blame us for that. They were destroyed by the greedy corrupt Town Halls taking the bribes. In Hackney last night we left our own well alone. The locals shops on Clarence Road were not torched. The only one smashed was a Western Union money Transfer/ newsagents.

Don’t let the media steal this moment and twist it with lies. This has nothing to do with Anarchists. We can’t afford the luxury of ideology. This has everything to do with being starved out of oppotunity by a Bully Government slashing the rope of social mobility below them as they climb higher and higher and bunker smug in their priveledge.

If you are shocked and horrified you need to open your eyes to how the majorty of us live. We walk past you in the street and everyday you look away. You have profitted from our labours and deny us our rights. Wake up and smell our anger

Barbárie sem fim nas ruas de sua majestade: uma geração descontrolada deixa a gente de bem a ferro e fogo

Publicado por [Party Program] às 02:51 PM | Comentários (3)

Sim, mas

Um senhor obviamente despolitizado e cujo único objectivo na vida é ter um lcd fala com os jornalistas.

Violence is rarely mindless. The politics of a burning building, a smashed-in shop or a young man shot by police may be obscured even to those who lit the rags or fired the gun, but the politics are there. Unquestionably there is far, far more to these riots than the death of Mark Duggan, whose shooting sparked off the unrest on Saturday, when two police cars were set alight after a five-hour vigil at Tottenham police station. A peaceful protest over the death of a man at police hands, in a community where locals have been given every reason to mistrust the forces of law and order, is one sort of political statement. Raiding shops for technology and trainers that cost ten times as much as the benefits you’re no longer entitled to is another. A co-ordinated, viral wave of civil unrest across the poorest boroughs of Britain, with young people coming from across the capital and the country to battle the police, is another.

***

Smiling faces, some beneath scarves and balaclavas. This is Hackney, London. Or this was Hackney last night. It is somewhere else tonight and somewhere else again in just a couple of hours. The smiles are because the streets have been taken and nobody is afraid of the police anymore.

In a comment in one newspaper, a newcomer to Hackney complained that while he used to feel safe in the neighborhood, knowing that all the social issues and shootings were internal to the gangs, he was now terrified to leave his house. This is telling of how segregated even the most diverse neighbourhoods are and how problems in communities can be so easily ignored as long as the victims are young and black. In these days the victims are not the young and black.

Why are you masked?

Because the police will get me on camera, and then they’ll nick [arrest] me 3 months down the line.

If you were law abiding -

I’m not law abiding, nah.

So why are you doing this?

To piss the police off, do you get me?

Why do you want to piss off the police?

You don’t know what the police are like bro… no, I can’t explain in words.

Please try to explain - are you doing this out of anger?

I’m out for money [not for anger] because the police nick you for stupid things mate, and now this is our payback because they can’t do nothing to us today. So it’s like freedom, like do whatever you want today.

What have you been doing?

I’ve been doing what I want. Getting pissed [drunk].

Publicado por [Party Program] às 11:13 AM | Comentários (2)

All I wanna do is BANG BANG BANG

Mas melhor do que o Sérgio Lavos tem sido ler no facebook as reacções de toda a diáspora artistica portuguesa exilada em Londres, cuja a politização ténue é em grande parte devida a essa estupidificação do discurso promovida pelo Daniel, pelo Bloco e agora pelo Sérgio. Londres é há bastante tempo não só uma meca para as culturas urbanas juvenis e menos juvenis como também o refúgio de todo o designer e arquitecto e cineasta descontente tanto com as hipóteses de trabalho como com as hipóteses de consumo. Perante o tédio homogeneizado de Lisboa, Londres surge como o perfeito parque de diversões: pretos e loiros e monhés e chineses, playground hipster, namorados e namoradas galore, curry barato e uma house party em cada esquina. Mas um dia surgem os encapuçados todos e é como a invasão dos zombies: a padaria vegan alternativa tem as portas fechadas, o club onde tocam as bandinhas ardeu e é impossível sair à rua no bairro onde se escolheu viver porque hoje nas noticias não estão as inúmeras galerias a abrir numa zona anteriormente degradada da cidade mas sim os jovens que lá nasceram e estão a partir tudo. E ai desaba num pranto descontrolado a utopia funcionalista da grande cidade. A exaltação do ilegalismo urbano feita pela M.I.A. deixa de ter piada. O anti-racismo de uma juventude passada a ouvir falar de Mandela e toda a social-democracia que o terno sorriso da Ana Drago inspira não impede uns gritos de raiva relativamente aos pretos e brancos pobres que hoje pegam fogo a tudo, inclusivé ao comércio justo, e de repente até a jovem punk que no passado editava fanzines anarquistas está a reclamar porque o exército ainda não está nas ruas a matar os macacos que estão a pegar fogo à sua sala de concertos preferida (sic).

Publicado por [Party Program] às 11:00 AM | Comentários (21)

All you really need is some friends and a rock

A história repete-se: uma qualquer explosão num qualquer lado do mundo e de repente há mil e um especialistas de serviço a atropelarem-se para dar a sua opinião sobre a justiça ou não dos acontecimentos, sobre os verdadeiros motivos de alguém cuja as acções apenas conhecem do filme da semana da sic noticias, a condenar ou não o que acontece em nome da emancipação da humanidade. Não estando presente esse blitzkrieg de banalidades que é o Daniel Oliveira apresenta-se a serviço Sérgio Lavos, mais hábil do que Oliveira, mas ainda assim a insistir em categorias tão conservadoras quanto numa alegada irracionalidade de todas as massas não representadas ou não organizadas em torno de "ideias, manifestos e lideres", sem as quais a política não existe. A discussão relativamente ao que diz tem sido esmiuçada de pior ou melhor forma noutros sitios donde atento somente na cavaleira estupidez destes fazedores opiniões que tudo se dispõe a comentar sem nada conhecerem. Serão os mesmos que se horrorizaram pela mesma violência em Génova que até os tribunais italianos consideraram legítima enquanto resposta a cargas policiais excessivas, são os mesmos que tivesse Londres a acontecer a uma distância segura e estariam a aplaudir, são os mesmos que na análise disto omitem uma e outra vez como é que estas coisas começam. Não começam com uma montra partida, começam como em 1980 em Brixton com alguém morto pela policia, como em 1985 em Brixton com alguém morto pela polícia, como em 1995 em Brixton com alguém morto pela policia, como em inúmeras outras datas em inúmeros outros sitios com alguém morto pela polícia. Sérgio argumentará que pilhar LCDs não é solução para nada. Pois não, solução para tudo será a manifestação com 2000 pessoas que um dos amotinados despolitizados afirmava ter organizado há uns meses atrás em que nenhum jornalista esteve presente e sobre a qual que nenhum meio comunicação falou. Poderá alguém honestamente dizer que o fim do racismo abertamente institucional não esteve ligado aos motins de Watts, de Newark e de Los angeles? Sérgio pouco sabe sobre Londres, discute com Tiago Mota Saraiva, outro especialista ao serviço da classe operária, se a divulgação da noticia dos Blackberrys tende ou não para a desvalorização das manifestações ao afirmar que possuir um Blackberry é um luxo para a juventude urbana desfavorecida, nenhum deles sabe que o preço de um Blackberry, no reino unido, é exactamente NICLES, são grátis com um plano de 20 libras por mês, toda a gente tem um. E acima de tudo essas qualificações omnipresentes: selvagens, ladrões, gatunos, oportunistas. Uma loja de um paquistanês é destruida e a esquerda bem-pensante perde a cabeça pois não concebe que alguém não branco possa de algum modo participar num sistema de exclusão, não imagina sequer que o papel especifico daquela loja naquele bairro possa ter algum detalhe particular que o nivelamento abjecto da informação decidiu apagar ou simplesmente não conseguiu ver. Acima de tudo o que assusta em Sérgio Lavos é perceber que a sua análise se baseia em e tem a mesma profundidade de um segmento noticioso televisivo, apelando eternamente à ala esquerda de um senso comum artificial e fabricado, tão ansioso por dizer alguma coisa que torna secundário dizer alguma coisa de jeito. É de certo modo impressionante como as vozes mais visíveis da esquerda são capazes de compactuar com uma tão brutal e orwelliana redução da amplitude dos discursos e com uma tão reaccionária simplificação social que nivela uma enorme explosão em que tudo do mais edificante ao mais nihilista se terá passado e a transforma num pesadelo empacotado para consumo de uma classe média eternamente assustada por tudo o que esteja além do condomínio e do centro histórico vigiado.

Publicado por [Party Program] às 10:07 AM | Comentários (5)

agosto 10, 2011

"Self-defence is no offence"


Southall années 70 - " Self-defence is no offence" par Agence_Im-media

Publicado por [Shift] às 03:38 PM | Comentários (1)

"Welcome to Brixton"


Britain's Black Legacy - Welcome to Brixton par Agence_Im-media

Publicado por [Shift] às 03:33 PM | Comentários (1)

agosto 08, 2011

Impressões de viagem : Norte da Tunísia

Acabo de chegar a Paris… com a sensaçao de ter descoberto o que é uma revoluçao. A resposta nao poderia ter vindo de outro lado : um taxista (autênticos barómetros do que se passa na sociedade). Ao passar um semáforo vermelho o dito-cujo vira-se para mim e diz: « isto é a tshaura ». What ? « Revoluçao em arabe ». As pessoas falam-me livremente da revoluçao através de metaforas. Serà isto uma revoluçao ?
De resto, Nada de Nada. Enganei-me sem duvida de país ou de regiao. Estive em Bizerte, aproveitei uma bela praia, um belo sol, um belo bronze...
No norte tunisino o processo revolucionario nao està em curso, as antigas elites foram substituidas por outras, ninguém sabe o que se passa dentro dos Ministérios em Tunes, nada é transparente a nao ser os arames farpados que impedem que novos sittings se reproduzam nos lugares emblemàticos da luta contra o regime de Ben Ali.

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Em frente do Ministério do Interior, Tunes

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Tunes

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Kasbah, Tunes

Depois hà a regiao do Sahel e nomeadamente as cidades de Sousse e de Monastir, respectivamente cidades natais de Ben Ali e Bourghiba. A primeira marcada pelos palàcios presidenciais desertificados, por uma estrada, agora de livre acesso a todos, denominada « la baie des anges » (que atravessa uma autêntica ilha de palàcios construidos pelo clan Ben Ali) e finalmente por barcos de piratas cheios de turistas a dançarem o vira vira. A segunda marcada pela imagem omnipresente de Bourghiba que mesmo antes de morrer contruiu um grande Mausoléu em honra da sua família e de si proprio, suprimindo todos os túmulos do cemitério que estorvavam a « promenade » até ao seu monumento. Bourghiba reaparece no espaço publico. Toda a gente se lembra nostalgicamente dos programas televisivos diàrios que ele animava, cada um com uma duraçao de dez minutos, onde ele dava conselhos aos tunisinos de como fazer o nó de uma gravata ou enfrentando os crentes religiosos bebendo um copo de àgua em pleno dia de Ramadao. Recupera-se assim uma imagem, porque a Pàtria nao sobrevive sem um Pai-heroi.

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Marina de Monastir

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Mausoléu de Bourghiba, Monastir

Atenta aos muros da cidade de Tunes à procura de agitaçao, uma vez que « muros brancos, povo calado », consigo entrever uma pichagem que data de antes da queda de Ben Ali, onde se pode ler que em 2014 ele nao serà reeleito nas eleiçoes por ele anunciadas porque nesse momento ele jà estarà na prisao. Depois ainda vi, numa estaçao de comboio situada entre o centro de Tunes e o bairro rico « La Marsa », uma pintura da imagem de Che Guevara reclamando a luta contra o imperialismo. Segundo alguns, o bairro dessa estaçao de comboios foi o palco de confrontaçoes violentas em Janeiro, sendo assim o eixo fundamental das manifestaçoes que despoletaram a queda do regime (uma vez que se encontra perto do antigo palàcio residencial de Ben Ali). Por ironia do destino, trinta minutos mais tarde descobri/conheci o autor da pintura. Um jovem de 18 anos que esteve na linha da frente das manifestaçoes contra o antigo regime. Verdadeiro nacionalista arabe, mete lado a lado o cartaz de Saddam Hussein e a pintura modelizada de Che Guevara. A historia do Iraque continua atravessada na garganta de muita gente. Diz-me ele, os EUA jà têm os seus tentàculos (mais do que os franceses) nas novas fileiras do governo provisorio.

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Nao fui ao sul… là onde a miséria mata e revolta. No sul parece que hà um PREC que continua a ser reprimido no sangue. Os protestos de 2008 dos mineiros do sul (minas de fosfato) foram sem duvida o rastilho da queda de Ben Ali no inicio de 2011 e da reorganizaçao de novas elites em varios paises arabes. No entanto, esses mineiros, jà filhos de mineiros estropiados pelas condiçoes de trabalho, nunca mudarao de nome da tribo (« pouco nobre ») a que pertencem. As familias ricas do norte, com nomes relembrando a sua descendência imperialista turca ou dos ultimos muçulmanos expulsos de Espanha no século XVI, nao ficarao felizes de ver essas tribos do sul manchar o seu quotidiano à beira praia mediterrânica. A este facto um rapaz respondeu, « de toda a maneira a revoluçao é dos pobres, os ricos vao ficar ricos como sempre ».
Releio o que escrevi, e antecedo uma frustraçao de um souvenir de um Novembro 75 português. Nao seria justo de nao deixar um grande « Mabrouk » (Bravo) a todos os tunisinos que do Sul ao Norte sairam às ruas num dia assim.

Publicado por [Shift] às 06:15 PM | Comentários (2)

Não vos dais conta?

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Publicado por [Chuckie Egg] às 02:29 PM | Comentários (2)

agosto 07, 2011

recebido, bamos a caminhú

Publicado por [Dallas] às 07:06 PM | Comentários (1)

agosto 04, 2011

Bloco avança com eutanásia

Publicado por [Saboteur] às 02:00 PM | Comentários (7)

agosto 02, 2011

Petição de Solidariedade com a Noruega

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Acompanhámos, num misto de choque, fúria e profunda tristeza, o horror que aconteceu em Oslo e Utoya no dia 22 de Julho. Antes de mais, pensamos, obviamente, nas vítimas, famílias, amigos e camaradas. Aceitem as nossas mais sentidas condolências e solidariedade.
Enquanto activistas de diferentes movimentos sociais e políticos portugueses, estendemos as nossas condolências à Liga dos Jovens Trabalhistas e também ao povo norueguês. E ainda a todos aqueles que, como nós, na Europa e no resto do mundo, compreendem a ameaça representada por ideologias racistas, xenófobas e fascistas, sobretudo quando encontram eco nos discursos e crenças políticas que nos entram pelas casas dentro todos os dias.
Quando se vota no ódio e na exclusão, quando líderes políticos põem em causa os valores do multiculturalismo, quando as minorias são transformadas em bodes expiatórios para os erros de sistemas políticos que promovem a exclusão e a discriminação, o ódio passa a ser aceite na política. E as armas precisarão sempre do ódio como munição.
Podia ter sido qualquer um de nós. Por isso, a maior homenagem que podemos prestar a todos os que morreram, ficaram feridos ou perderam entes queridos é o nosso compromisso com a luta pelo respeito, diversidade, justiça e paz e por uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva. Responderemos com mais democracia.


We followed, in shock, anger and deep sadness the horrendous events in Oslo and Utoya on the 22nd of July. Our first thoughts are towards the victims, their family, friends and comrades. Please accept out heartfelt condolences and solidarity.
As activists from different social and political movements in Portugal, we extend our condolences to the AUF, but also to the people of Norway. And towards all of us in Europe and the rest of the world who understand and aknowledge the threat posed by racist, xenophobic, fascist ideologies, too frequently endorsed by mainstream political discourses and beliefs everywhere.
When people vote for hate and exclusion, when political leaders question multicultural values, when minorities are chosen as scapegoats for the failures of political systems aimed at exclusion and discrimination, hate has been accepted into mainstream politics. And guns will always need hate as ammunition.
It could have been any of us, political activists whose biggest tribute to those who perished, sustained injuries or have lost loved ones is our pledge to keep on struggling for respect, diversity, justice, peace and a truly democratic and inclusive society. We will answer with more democracy.

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Assina a petição aqui.

Publicado por [POKE] às 11:36 PM | Comentários (3)

Fragmentos de viagem…

Na conversa com um revisor de comboio :
Està contente com a revoluçao ? unhhh… sabe … quando compramos uma camisa nova, ficamos contentes. A revoluçao é isso : uma novidade !

Publicado por [Shift] às 10:15 AM | Comentários (2)