« maio 2011 | Entrada | julho 2011 »

junho 30, 2011

Case Studies

Tal como muitos de nós olhamos para o que se está a passar na Grécia como uma ante-visão do que poderá passar-se em Portugal, uma espécie de experiência de resposta popular ao austeritarismo, não pagamento da dívida, saída do Euro e da União Europeia; outros parecem querer fazer de Portugal o seu pequeno laboratório de políticas económicas ultra-liberais.

Publicado por [Saboteur] às 11:03 AM | Comentários (12)

junho 29, 2011

Clássico

Polícias de cara tapada no meio das manifestações a fazer tropelias já não são novidade...

...Cá fica mais um clássico aos 4 min e 40 segundos

Publicado por [Saboteur] às 07:37 PM | Comentários (3)

junho 28, 2011

A Insustentável Leveza do Ego II

CAPA_TERRAMOTO.jpg

Para terminar a novela do rui tavares e porque o Saboteur me pediu seguem aqui as minhas considerações finais sobre o assunto.

O rt que conheci no inicio dos 90’s era uma pessoa que não me inspirava confiança. Na luta das propinas tinha acções desajustadas e que comprometiam a unidade das lutas. Era frequente saltitar de opinião e comprometer ténues alianças pela sua necessidade em querer ser mais vanguardista que a vanguarda. O problema é que não fazia isso por divergência ideológica ou outra, as razões eram a necessidade e o ardor de protagonismo e uma visão romântica típica de um ego inchado. Esta necessidade de auto-afirmação, esta paranóia de estar sempre no top das visões mais revolucionárias associei sempre à sua falta de auto-estima, o que aliás ainda hoje pode ser observado pela sua linguagem corporal. Como tem essa debilidade procura inflar-se para que não se notem as suas fraquezas até tudo atingir um nível que nem ele próprio controla.
A senda da parvoíce do rt começou logo com o manifesto de candidatura, conforme noticiou no público e no seu blog, a primeira razão para ter aceite a candidatura ao parlamento europeu era para “aprender”. Numa frase todo um programa, o rt aceitou ser candidato não para defender um ponto de vista, não para representar quem o elegia, mas sim para aprender.
A partir daí perdeu-se a fazer de endinheirado, ganhando publicidade para alimentar o seu ego, a distribuir bolsas aos jovens portugueses, algo que cavaco decerto vê com bons olhos e que lhe valerá uma comenda ao peito num 10 de Junho próximo.
Assim não estranho que sobre a Líbia tenha votado como votou, era tão fofinho defender a acção armada contra Kadhafi, tanta gente a fazer essa defesa. No fundo imitou aquilo que o be tão bem fez nos últimos anos: preocupou-se com o tacticismo e com as perdas e ganhos no imediato e negligenciou a estratégia, a visão e a ideologia que deviam servir de garante a uma acção com significado. Nada lhe interessou o como seria aplicada a moção que votou e que seria claro que teria o desfecho que hoje observamos.
A sua saída, valendo-se da independência, não podia ser melhor. E não foi.
Invocar as mensagens do louçã para tomar esta atitude é patético. Uma pessoa que defende tanto a unidade das esquerdas é incapaz de resolver uma questão pessoal com o líder do partido pelo qual foi eleito? Somos homens e resolvemos o assunto ou é melhor fazer uma birra de crianças?
Não acho, no entanto, que ele seja oportunista no sentido financeiro do termo, acho que a acusação de ele se manter como deputado por dinheiro é absolutamente provinciana. Ao escolher manter-se como deputado e ao mesmo tempo mudar de bancada no pe já não é um detalhe, e acho que aí está a ser oportunista. Intelectualmente oportunista.
Primeiro porque é uma traição a quem o elegeu, não sendo o cargo nem do partido (be) nem dele pessoalmente, mas sim das pessoas que neles votaram é absurdo achar que está tudo bem em mudar de equipa a meio do jogo. Imaginem o nobre a passar agora para qualquer outro partido, o que seria dito e o que isso provocaria. A independência permite um certo afastamento da linha doutrinária do partido mas não permite um total desrespeito pelas ideias que foram sufragadas e que os elitores elegeram. Aliás acho que a euforia pela sua eleição por parte da esquerda hip lhe levantaram o ego ainda mais e contribuíram para este desprendimento que ele tem agora.
Segundo porque a razão da troca de bancada já tinha sido preparada há meses com o daniel vermelho. O rt, como afirma no seu blog, tem razões para mudar: acha que é melhor para a grande nação lusitana estarmos representados na bancada dos verdes. Atenção! Ele acha! Ele não acha que os seus eleitores (e do be) querem estar representados nessa bancada. Ele acha que é melhor para Portugal. E se ele acha deve ser certo.
A sua escolha, e o tempo o provará, não é ingénua. Ele saberá muito bem o que irá ganhar com esta troca e o que conseguirá alcançar com ela. É esperar e ver para crer.


No fundo o rt é um hip-esquerdista, procura estar no topo da moda política de esquerda e tece loas à “união de todas as esquerdas” quando a sua acção concreta (ontem e hoje) mina todas as possibilidades de entendimentos.
Triste esta esquerda que tem candidatos que criticam as atitudes erradas dos outros e que na primeira oportunidade os imitam e até os transcendem.

Boas moules-frites com o Daniel Vermelho no Chez Lion, ruizinho.

Publicado por [POKE] às 05:36 PM | Comentários (16)

junho 27, 2011

Está aí a nascer o próximo Kurt Cobain.
Angélico.jpg

Publicado por [Renegade] às 09:47 PM | Comentários (7)

Cenas da democracia real


Carga policial a los indignados de acampada valencia 15m from Zyritione on Vimeo.


Valência, 9 de Junho de 2011

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:26 PM | Comentários (2)

«...very catholic country»

naked2.jpeg

A World Naked Bike Ride é um evento que se realiza em todo o mundo. A organização desafia a um passeio de bicicleta pela cidade e que os ciclistas venham tão nus quanto queiram.

A ideia - para além de se poder dizer que é uma metafora sobre a fragilidade do ciclista no meio do trafego desumanizado dos automóveis, ou coisa do género - é, evidentemente, chamar a atenção das pessoas e da comunicação social.

Cá em Portugal, no entanto, a PSP, logo para início de conversa, decidiu proibir o evento - numa primeira fase - e depois autorizar mas sem nudez.

Segundo o comunicado da polícia, o "exibicionismo" é um crime grave, nomeadamente se for em frente a crianças que estivessem eventualmente a passear na rua na altura da iniciativa... Assim, avisaram que se alguém se despisse, seria imediatamente detido bem como os organizadores do evento.

Para fazer cumprir a lei e a moral estiveram no evento dezenas de polícias fardados de mota; carrinhas das Equipas de Intervenção Rápida, 1 carro com polícia à paisana e uma carrinha de caixa aberta (imagino que para transportar as bicicletas apreendidas).

Estive a ver as noticias na TV e os posts nos blogs e parece que ninguém estranha ver tanto policia mobilizado a um Domingo para controlar activistas por uma mobilidade sustentável.

São os tempos que correm neste país: Forte aparato policial, Naked Bike Rides com roupa e apatia mais ou menos generalizada perante tudo isto.

naked.JPG

Publicado por [Saboteur] às 01:58 PM | Comentários (5)

o golfe, instrumento de luta contra o subdesenvolvimento

O Estádio Universitário de Lisboa está em risco de fechar parcialmente em setembro por não haver dinheiro para manutenções de alguns equipamentos. Descontando o facto de esta ameaça ser provavelmente uma guerrinha da direcção do Estádio com a tutela para se arranjarem os cobres que faltam, não passa despercebido a quem por lá passe o monumental elefante verde que nos últimos anos se tem vindo a construir: nada menos que um campo de golfe, a ocupar uma área de 7 hectares. O autor do projecto? Um tal de João Roquette (onde é que eu já ouvi este apelido?) - Presidente do Estádio Universitário de Lisboa. Algo me diz que este rasgo de visão (muito raro em Portugal) do sr. Roquette tem tudo a ver com o que ele próprio faz e acha que os outros devem fazer e menos a ver com um planeamento integrado da prática desportiva em meio universitário dirigido a quem estuda nas universidades e à comunidade.

O golfe, cujo valor académico foi recentemente reconhecido pela Universidade do Algarve:
149638_1643976572629_1033314305_1769457_5918386_n.jpg

Sim, golfe, esse desporto de massas, com milhares de praticantes entusiastas nas camadas jovens em todo o país, conhecido pela sua acessibilidade económica e sustentabilidade, um desporto em que em boa hora o Estado decidiu investir. Que isto se passe ao mesmo tempo que são cortadas bolsas de estudo a torto e a direito e que o próprio Estádio Universitário ameace fechar equipamentos e actividades parece não incomodar ninguém. Talvez fosse a pensar nas centenas de futuros praticantes de golfe formados na academia de golfe do Estádio Universitário de Lisboa que alguém decidiu manter-lhe o IVA em 6%.

Publicado por [Renegade] às 01:28 AM | Comentários (5)

junho 25, 2011

Eles ganharam

Ensinam-nos que a salvação está no dinheiro, na posição, no estatuto, está na promessa e no próprio facto e movimento da ascensão. Mas não. A realidade mostra-nos que este poder raramente move montanhas e quase nunca move indivíduos. Contra todas as promessas, contra todas as evidentes possibilidades, o falhanço é o dado mais óbvio e mais negado. Que não haja dúvidas: o falhanço é tua responsabilidade. E todos somos culpados de alguma coisa. A culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias. A culpa é tua e só tua se chegaste aos 35 anos e não cumpriste os sonhos que te plantaram na cabeça, emprego, filhos, família, chegar ao meio do mês sem pensar em dinheiro, ir de férias, a promessa da classe média já ali ao virar da esquina e um futuro radioso na expectativa da juventude eterna. Era tão bom não era?

images (2).jpg

E então surge a cultura da culpa que nos diz que, além de sermos todos culpados, nós os falhados, não podemos ser culpados sozinhos. A culpa aguenta-se sempre melhor se for partilhada. Para quê? Para ser expurgada em conjunto, uma expiação solidária? Para a negarmos? Não! Para transferir a própria culpa. Na ideologia do insucesso, os outros são sempre mais culpados que eu. Pois se não fizemos nada por isso, tinhamos tudo o que era preciso, mas outros filhos da puta atravessaram-se. Se um é culpado por ser precário, o outro é muito mais culpado por ter um emprego à moda antiga, com direitos, com privilégios. Se eu sou culpado por não receber o que mereço, o outro é muito mais culpado por receber o que sem dúvida não merece. E por aí fora.

tumblr_kqsokulpYl1qzw5wjo1_500.png

O que é preciso é abrir oportunidades para o sucesso. Dinamizar a economia, empreender. Sermos os nossos patrões. Investirmos no nosso futuro. Sermos melhores. Melhores que os outros. Os falhados. O que é preciso é indignarmo-nos, muito, e pedirmos que olhem para nós, que nos arranjem um emprego, que damos conta do recado e isto vai ser um sossego. O que precisamos é de oportunidades. E melhores políticos. Precisamos de gente séria e competente a governar. Sim, indignemo-nos. Muito.

verbage.jpg

Eles ganharam e conseguiram fazer-nos esquecer.

Publicado por [Renegade] às 01:29 AM | Comentários (8)

junho 23, 2011

Arte, Política, Mercadoria

banksy.JPG

Em meados da primeira década do milénio, os muros de Londres começam a ser preenchidos por estranhos desenhos. Apontando armas às mais diversas excreções do sistema económica capitalista, do controlo social realizado por bófias e câmaras da videovigilância, à relação directa entre fome, miséria e o poder económico de empresas multinacionais, o seu autor nunca chegou a revelar a sua identidade, utilizando a simples designação de Banksy. Mais tarde, o seu nome será notabilizado pelas suas intervenções em museus, onde deposita os seus quadros entre as peças das maiores figuras da história de arte mundial, ou no muro que divide os territórios palestinianos, em denúncia da ocupação zionista. Um dia, o artista de rua recebe um mail. Neste, um jovem pede-lhe que deixe de pintar no seu bairro, pois a sua arte tende a atrair a presença de jovens criadores, oriundos de classes privilegiadas, e com estes, o aumento das rendas.

Partindo do filme «Banksy-Exit Through the Gift Shop», o RDA69 propõe debater o lugar da arte e da cultura na sociedade contemporânea. Estará a arte de rua, ou qualquer outra forma de crítica, condenada à forma de mercadoria, limitando-se a alimentar museus e livrarias? Ou será possível, mesmo nas piores condições, minar a coisa por dentro, subvertendo os usos dos objectos e virando-os contra o próprio criador.

17.00. filme
19.00. conversa com Miguel Castro Caldas (escritor), Gonçalo Pena (artista plástico) e João Cachopo (investigador)
20.30. janta

Publicado por [Dallas] às 11:02 AM | Comentários (5)

junho 22, 2011

A insustentável leveza do Ego I

ruitavares.jpg

O ego de RT é o principal problema de toda esta história. Sem tempo para responder ao Saboteur pelo desafio que deixou na caixa de comentários abaixo (por agora, por agora), deixo aqui esta verdadeira pérola:

Cohn-Bendit diz que Rui Tavares lhe comunicou decisão de se juntar aos Verdes já na semana passada

Como diria o Pessa: E esta, ehn?

Se o Louça se baixasse para lhe lamber o ego penso que o resultado final seria o mesmo...

Publicado por [POKE] às 05:18 PM | Comentários (6)

junho 21, 2011

A semana dos independentes I

RUI_TAVARES.jpg

"Rui Tavares, eurodeputado eleito pelas listas do Bloco de Esquerda (BE), anunciou hoje que se desvincula do grupo parlamentar do partido, mas mantém as suas funções como deputado independente no Parlamento Europeu, em Bruxelas."

"Rui Tavares passa assim a ser deputado independente pelo Partido Ecologista Os Verdes."


A nível pessoal isto causa-me alguns engulhos: eu votei CDU para o PE só para não votar nesta pessoa.
Por outro lado a CDU tem agora nas suas fileiras o tão criticado deputado do BE que votou a favor da intervenção na Líbia.

Já correm pela blogosfera e pelo Facebook loas à atitude matura do senhor deputado. Se ele fosse homenzinho tinha-se demitido e deixava de por lá popular.

ADENDA (14h15): A RR errou (e eu fui atrás): O senhor deputado afinal "Agora, é membro do grupo Os Verdes Europeus, onde será o único representante português."

Melhor para a CDU, que não o tem de aturar. Melhor para mim que não tenho de criticar em quem votei por ter aceite este disparate.

Publicado por [POKE] às 01:09 PM | Comentários (25)

A verdadeira Troika

Morte aos impostores. Fogo às suas casas.

Publicado por [Saboteur] às 02:53 AM | Comentários (5)

junho 20, 2011

Amanhã na Severa, Quarta no RDA69

ÀS 21h COM JANTAR ÀS 20H EM AMBOS OS LOCAIS

flyerevento.jpg

Two hours with Ben Morea and Dave Wise:

Ben Morea was fantastic listening for anyone of my age. Modest, funny, self deprecating but poltically astute. He coveredeveryone from Abbie hoffman to valerie Solanos and H Rap brown. After the murder of the panthers fearing for his own life he’d fled into the forests for 35 years. Two things stood out. The Motherfuckers were slated by radical artists for being too interested in politics and by polticos for being too interested in art. But Ben wanted a total revolution – an all embracing group of the kind you don’t get anymore. they recfused to be pigeon holes – they wante ‘the totality for kids’ Ben was also very warm and generousspirted to people he disagreed with. He’s say how much he disagreed with say Abbie hoffman and then dd disarmingly ‘i loved him’ Maybe that generosity could be replicated now. He also dismissed the ‘dogma’ of the situationists saying the Motherfuckrs wanted to fuck things up not wallow in dogmatic pronouncements. ‘I’m the only person to be expelled from the SI who was never a member in the first place’ he said.he also spoke touchingly about the waifs and strays and nutters who the Mothefucker family took in and looked after ‘it was a violent place the lower east side’ he reminded us. One such was Valerie Solanas who had shared a house with Ben and who later applauded her assasinaton attempt on warhol – ‘thats when the art radicals fell out with us’ he laughed. Someone asked him ‘What do you think of Banksy?’ Ben looke quizzical not understanding the queston….He’d never heard of Banksy.

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:49 PM | Comentários (12)

junho 19, 2011

(19 de Junho ) Em Paris começou assim, passou-se assim e acabou assim…

atelier.jpg
Começou assim…

manif1.jpg
passou-se assim…

cravos.jpg
Acabou assim (em frente da Notre Dame cercados pelos CRS)


e assim…. (levados para o comissariado)

Publicado por [Shift] às 10:48 PM | Comentários (2)

isto não é um programa II

tiqqunsez.jpg


TODOS À AVENIDA DA LIBERDADE 16h

Publicado por [Party Program] às 01:47 AM | Comentários (4)

junho 18, 2011

Um Programa numa frase

O Administrador do BCP que tinha o pelouro dos seguros de Saúde vai para ministro da Saúde e está a ser clarinho ao dizer ao que vem: "Esta crise é uma bênção".

Extraordinário poder de síntese: Todo um Programa numa pequena frase.

Paulo Macedo, se calhar, é bem capaz de valer os 23 mil euros por mês que a Manuela Ferreira Leite decidiu pagar-lhe quando o nomeou em 2004 Director-Geral dos Impostos.

Publicado por [Saboteur] às 05:15 PM | Comentários (2)

Já se vão tirar conclusões?

Segundo o Público de hoje a Comissão Política do BE está dividida em relação a ter Luís Fazenda como líder do grupo parlamentar.

Pelo que conheço do camarada, das duas uma: Ou prescinde do lugar de deputado, entrando Helena Pinto para o Parlamento, ou vai exigir o cargo e ai de quem discordar.

Quanto a mim acho, se ficar Luís Fazenda o líder do Grupo Parlamentar, que a reflexão que é necessária fazer no BE vai ficar concluída ainda antes de começar.

Ao menos terá sido rápida, em conformidade com as modas que por aí andam...

Publicado por [Saboteur] às 05:13 PM | Comentários (9)

junho 17, 2011

Parabéns camarada Biafra

Publicado por [POKE] às 09:12 PM | Comentários (3)

junho 16, 2011

O amor nos tempos de cólera

lovers.jpg

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:15 PM | Comentários (23)

A "coisa" funciona assim....

Publicado por [POKE] às 01:49 AM | Comentários (9)

junho 15, 2011

isto não é um programa.

"Mas quantos é que vocês sāo? Quer dizer... quantos é que somos, no grupo?"

"Quem sabe. Alguns dias somos dois, noutros vinte. E às vezes, quando nos encontramos, somos umas centenas de milhar"

Cesare Battisti, L'ultimo Sparo

Publicado por [Party Program] às 09:42 PM | Comentários (15)

Barricadas nas ruas de Barcelona


Esta informação está vetada à população portuguesa. Não se está a passar nada em Espanha. Não se está a passar nada na Grécia. Não se está a passar nada em França. Não se está a passar nada na Macedónia. Não se está a passar nada na Europa. Não se está a passar nada no Mundo. Cuidado com os pepinos assassinos.
| Catarina Martins (apanhado do Facebook e disponível aqui)

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:29 PM | Comentários (6)

Cheira cada vez mais a "novo ciclo político"

Acabo de receber um reminder da Universidade onde andei - que raramente me escreve - para não faltar à atribuição do Prémio Carreira aos Drs. Alexandre Relvas e Filipe de Botton, Administradores múltiplos, próximos do PSD e fundadores do think-tank Compromisso Portugal.

O prémio foi atribuído por um júri presidido pela Dra. Manuela Ferreira Leite, aquela ex-deputada que não confirmou nem desmentiu que tinha pedido a subvenção vitalícia a que tinha direito por já ser deputada há 12 anos quando em 2005 foi decretado o fim das subvenções vitalícias.

Publicado por [Saboteur] às 02:06 PM | Comentários (3)

O que isto está bom é para emigrar

Ninguém está a salvo

Publicado por [Rex] às 12:58 AM | Comentários (6)

junho 14, 2011

Made in China


Chinese protesters reach a standoff with riot police in Zengcheng, near Guangzhou. The clashes highlight the authorities' struggle to control social frustrations. Rioters burned police and fire vehicles in a third day of unrest in southern China's manufacturing heartlands, witnesses have reported.
Hong Kong broadcasters reported that armed police fired teargas as they sought to disperse the crowd and detained at least a dozen demonstrators.
The clashes, which began on Friday after a fracas between security officers and a pregnant street vendor in Xintang, Guangdong province, highlight Chinese authorities' struggle to control social frustrations. It is thought that most protesters were migrant workers like the vendor. Last week hundreds of migrant workers clashed with police in Chaozhou, also in Guangdong, following a dispute over unpaid wages. In Lichuan, Hubei, as many as 2,000 protesters attacked government headquarters last Thursday after a local politician who had complained about official corruption died in police custody.

Guardian

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:49 PM | Comentários (1)

e quem é que faz o jantar? espero que seja uma gaja

rebentos.png

Publicado por [Paradise Café] às 04:12 PM | Comentários (4)

Numa camada tão profunda do real


Da mesma maneira, defendemos que o facto político central dos últimos trinta anos passou despercebido. Porque se desenvolveu numa camada tão profunda do real que não pode ser considerado “político” sem levar a uma evolução na própria noção de política. Porque, afinal de contas, essa camada do real é também aquela onde se constrói a divisão entre o que é tido como real e o restante. Esse facto central é o triunfo do liberalismo existencial.
O facto de admitirmos doravante como natural uma relação com o mundo fundada sobre a ideia de que cada um tem a sua vida. Que esta consiste numa série de escolhas, boas ou más. Que cada um se define por uma amálgama de qualidades, de propriedades, que fazem de si, pela sua ponderação variável, um ser único e insubstituível. Que o contrato resume adequadamente a interacção dos seres uns com os outros, e a respeita, em todas as suas virtudes. Que a linguagem é apenas um modo de comunicarmos. Que cada pessoa é um eu entre os outros eus. Que o mundo é na realidade composto, por um lado, de coisas a gerir e, por outro, de um oceano de eus. Que têm ainda por cima uma infeliz tendência de se transformarem em coisas, à força de se deixarem gerir.

Appel, Edições Antipáticas, 2007

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:49 PM | Comentários (2)

The summer is magic

De uma companheira:

"Na quarta-feira às 7h os indignados da Catalunya, à semelhança dos de Atenas, vão bloquear o parlamento na Ciutadella para impedir a aprovação dos cortes sociais do orçamento 2011-2012; assembleias/acampadas de vários bairros e subúrbios de barcelona começam a descer para acampar às portas do parque amanha às 19h e o ayuntamiento já informou que vai preparar todo um dispositivo policial para impedir o bloqueio ou sim ou sim. há quem diga que vai ser uma carniçaria e há quem diga que vamos fazer história.

(hoje a tarde é de workshop em desobediência civil e auto-defesa, incluindo trabalhos manuais em escudos anti-mossos d'esquadra)"

Mais info aqui e aqui.


Publicado por [Party Program] às 08:26 AM | Comentários (7)

junho 13, 2011

A moda afinal já tem 2000 anos

jesus2parents.jpg

Publicado por [POKE] às 11:33 PM | Comentários (3)

Unipopcorn

E vai que a malta que nos habituou à universidade popular do pensamento crítico contemporâneo, da estética e poder, da ideia de comum, demais negrismos e outros testes de subversão filosófico-política fez um blogue.

E já percorreram, em tempo recorde, a paixão de cristo da blogosfera de esquerda: confiar desconfiadamente no Rossio; malhar no Renato Teixeira e em todos os putativos líderes anti-liderança dos movimentos da multidão; elogiar a eloquência de Monty Phyton e as lyrics do Barata Moura; esgrimir rosa-luxemburguês...

A cruz está montada e os pregos cravados. A partir daqui é só prazeres e ressuscitações. Bem-vindos!

Publicado por [Joystick] às 06:03 PM | Comentários (2)

junho 11, 2011

O ressuscitar na praça pública do slogan «mort aux vaches »

Cerca de 30 pessoas foram interpeladas pela polícia no sul de França por estas terem cantado «Hécatombe » de Georges Brassens em frente do comissariado. As razões da actuação do coro em tais condições deveu-se à condenação de um dos seus companheiros (ele também acusado de ter insultado três polícias com os mesmos versos de Brassens através da janela da sua casa).

A questão que se coloca, portanto, é o que leva uma canção a causar tanto tumulto na ordem policial. Conhecendo a desenvoltura linguística e poética de Brassens e a dificuldade que isso acarreta na compreensão da suas letras, nomeadamente para os não-francófonos, fui levada a trabalhar a letra com um amigo francês. Deixo-vos aqui o fruto desse trabalho, por achar que a canção faz eco aos ultimos acontecimentos de Portugal, numa tentativa de tradução sintética (não houve preocupação de ritmo ou de forma, apenas tentou seguir-se a mesma ordem narrativa) :

Numa feira de Briv’-la-Gaillarde
Umas dezenas de mulheraças,
Guerreavam por causa de um punhado de cebolas.
A pé, a cavalo e de carro,
Os polícias com uma ideia falsa
Chegaram e aventuraram-se
A tentar parar a escaramuça.

Num entanto, sob um céu sem vergonha,
é conhecido que,
A partir do momento que se trata de dar porrada nos bofias,
Toda a gente se reconcilia.
Furiosas e perdendo o tino,
Lançaram-se aos bobos da festa,
E deram-lhes, asseguro-vos,
Um espectáculo bastante pitoresco.

Vendo estes corajosos polícias,
A dois dedos de sucumbir,
Eu jubilei porque os adoro
Em forma de cadáveres.
Do apartamento onde resido,
Encorajei os braços selvagens
Das megeras gendarmicidas
Gritando : Hip,hip,hip, hourra

Frenética, uma delas amarra
O chefe dos polícias,
E obriga-o a gritar : « Morte às vacas, morte às leis, viva a anarquia ! »
Uma outra enfia com aspereza
O crânio de um desses brutamontes
No meio das suas gigantescas nalgas,
espremendo-as.

A mais gorda dessas mulheraças,
Abrindo a sua blusa dilatada
Matraca fortemente com as suas mamas
Aqueles que passam na sua frente
Caindo uns atrás dos outros
E segundo a opinião de alguns competentes
Parece que esta hecatombe
Foi a mais bonita de todos os tempos

Julgando enfim que as suas vitimas
Ainda não tinham o merecido,
Estas furiosas como insulto final,
Voltando às suas cebolas…
E se ainda tenho coragem de contar,
Uma vez que dizê-lo é de tão baixo nível…
Elas teriam mesmo cortado « as coisas »
Felizmente eles não as tinham.


Nota : « Mort aux vaches » é um slogan que aparece nos anos 1870 nas prisões francesas. Por volta dos anos 1890 torna-se um slog anarquista contra todo e qualquer agente vestindo um uniforme e representando a autoridade.

Um das contestatárias interpeladas, quarta feira passada, declarou que se forem a tribunal cantarão em frente do juiz « les goriles »… A tradução ficará para breve :


Publicado por [Shift] às 05:19 PM | Comentários (6)

Multiplicam-se as tentativas de justificar o descalabro eleitoral do Bloco de Esquerda. Este é só mais um contributo para a miséria.

A “ala direita” do bloco, conotada com os sociais-democratas oriundos da Política XXI, tenta justificar a recente derrota com a alegada deriva esquerdista interna, protagonizada, alegadamente, pelo Ruptura e pela UDP. O erro do BE foi ter-se colado ao PCP, considera mesmo Daniel Oliveira. O aparelho, pela mão de Fernando Rosas, teve um discurso fundamentalmente avestruziano, ou seja, tudo correu bem: a campanha, o programa eleitoral, o trabalho destes últimos anos... o povo é que é parvo e se deixou manipular pela imprensa propagandeadora das verdades construídas pela direita...

rosas.jpg

Esta derrota é a derrota da social-democratização da esquerda anti-capitalista e por isso gosto dela. Durante anos, a estratégia do BE foi crescer, crescer, crescer, mas à direita (posicionalmente, claro). O Alegre (que estava no hotel altis a dar abraços a Sócrates na noite da sua derrota) era preferível ao PCP, a conferência de imprensa ganhava à comissão de trabalhadores, um pequeno grupo de eleitos era sem dúvida melhor que fazer partido e discutir na base um programa anticapitalista... Depois os episódios de apoio à Nato de um dos seus deputados, apoio ao FMI na Grécia, preferir renegociar a dívida a simplesmente não a pagar ou retirar referências às “minorias” do seu programa eleitoral. Ou seja, toda uma grande estratégia de colher votos de socialistas descontentes. O problema é que não se pode tentar passar o PCP pela direita e pela esquerda ao mesmo tempo. Ou tentavam produzir um discurso realmente anticapitalista ou retiravam de vez o “socialismo” do programa e disputavam com o PS, cara a cara, o seu eleitorado. Não há clientes para toda essa salada na mesma malga.
Esta é uma derrota que não me desagrada nada, porque é a derrota da ideia que o “alaragmento” da “esquerda” (conceito que cada vez mais não passa de uma imagem) passa por grandes convergências à direita (posicional bem sei), onde cabem patrioteiros caravelistas ou discursos de legitimação de alguma da dívida numa grande gestão da crise. O grande argumento era que quem assim não via a coisa - bando de sectários! - não trabalhava para a grande transformação da esquerda; os números das eleições bem mostram que esse eleitorado não queria, em nome dessa suposta convergência, o abandono do discurso anti capitalista, e só isso justifica a quebra de mais de 200 mil votos e tantos votos deslocados de gente que todos conhecemos cara a cara que votou, pela primeira vez, no PCP em duplo voto de protesto: contra o Governo e contra o Bloco de Esquerda.

sten.jpg

Ouve-se agora ao fundo um carpir fragmentado para que esta situação se resolva com um golpe palaciano. A nata tem de ser substituída porque está azeda. Logro, logro, é que o BE é e sempre foi pouco mais que a sua direcção, e salvo algumas pequenas franjas residuais, o pequeno partido que cresceu fora da direcção está feito à imagem e semelhança dela. Assim, quem irá substituir aquela gente? Só mesmo o Gil Garcia (que colhe menos consenso ali que uma amiba e é tão desligado dos movimentos sociais como toda a direcção do partido): não há BE fora disso...
Mas não há problema e os actuais dirigentes podem estar descansados, e sabem disso não é? É que além de não haver alternativa, durante estes anos a estratégia foi clara: funcionalizar gente com capacidade assim-assim, para ter um exército de capacidade crítica nula que possa trabalhar arduamente nestes momentos, dentro e fora do partido, em reuniões e em blogues, em artigos de opinião e em facebooks, para garantir que as críticas serão bem abafadas e para conseguirem convencer que, como disse o Fernando Rosas, esta até foi a melhor campanha do BE desde sempre.

Publicado por [Paradise Café] às 03:51 PM | Comentários (5)

junho 09, 2011

Parece que já há governo


Publicado por [Rick Dangerous] às 06:02 PM | Comentários (4)

Quando os sub-chefes perdiam o boné

e os bófias eram bem mais pequenos.

Publicado por [Party Program] às 02:36 PM | Comentários (5)

Ma L'Amore Mio Non Muore Mai!

Cesare Battisti em liberdade, via Passa Palavra

Publicado por [Party Program] às 08:15 AM | Comentários (1)

junho 08, 2011

O debate seguirá dentro de momentos

Hoje está a haver uma reunião da Comissão Política do BE para analisar os resultados eleitorais. Daqui a 10 dias reúne a Mesa Nacional, o correspondente ao Comité Central do PCP, que reuniu ontem.

Como aderente do BE espero com expectativa pelos resultados dessas reuniões.

Para mim é tão preocupante o descalabro eleitoral do BE como a aparente dificuldade do Partido em fazer um debate sério, aprofundado, amplo e sem anátemas dos resultados eleitorais e sobre o próprio partido, de forma geral.

Digo “aparente dificuldade”, não só por esta renitência em marcar plenários de militantes (não seria melhor os dirigentes reunirem os seus oganismos depois de ouvirem outras opiniões junto da base do partido?), mas sobretudo pelo que tenho lido até agora nos blogs e no facebook.

Muitos camaradas, muitos mesmo, estão desiludidos com o povo. A campanha foi espectacular, mas o povo, que não percebe nada de política, foi votar no PS porque tinha medo do PSD sem se aperceber que o PS é igual ao PSD… Ou então foi votar no PSD, para derrotar o PS, sem se aperceber que o PSD é igual ao PS. Ou então foi abster-se, o ingrato, sem se aperceber que estava a beneficiar o PS, o PSD e o CDS (isso está num vídeo que até se postou aqui) que são todos iguais.
Eleja-se novo povo, porque o partido está bem, tem rumo (“aprovado há menos de 2 meses por uma esmagadora maioria”) e a luta continua.

Depois há os que pedem um debate profundo no Partido, mas que na verdade nada precisam de debater porque já sabem qual foi o problema. Foi o apoio ao Manuel Alegre e/ou a Moção de Censura e/ou a recusa em reunir com a Troika. É tudo simples e linear como num jogo de sueca. Tivéssemos em determinado momento puxado trunfo em vez de jogar a sena de copas e o jogo tinha sido outro. O BE não tinha perdido deputados mas sim reforçado a sua representação parlamentar.

Finalmente – sobretudo no facebook e nos comentários a posts, onde é fácil largar uma bojarda – tenho visto os comentários que me deixam mais preocupado. São dos camaradas viciados na luta interna e na intriga, que só conseguem ver dissidências e inimigos do partido. São comentários que começam por mandar calar os “comentadores de bancada”, exigindo que o debate se faça “nos órgãos próprios”, um pouco naquela linha do “juntem 20 assinaturas e façam uma moção alternativa”, e acabam muitas vezes a fazer juízos de intenção sobre as motivações deste ou daquele com determinado discurso, bloqueando, obviamente, qualquer hipótese de debate e retirando vontade de participar àqueles que não desejam que a sua militância não seja mais suplicio a somar às durezas da vida e da troika.

Publicado por [Saboteur] às 07:28 PM | Comentários (17)

junho 07, 2011

TODOS CONTRA A PAREDE FILHOS DA PUTA!

flyerevento.jpg


Quem eram os motherfuckers?

"Up Against the Wall Motherfuckers" was an anarchist affinity group based in New York City. This "street gang with analysis" was famous for its Lower East Side direct action and is said to have inspired members of the Weather Underground and the Yippies."

Quem é Ben Morea?

Ben is 63 years old now, small and wiry, with a Fu Manchu moustache and jet-black hair that he combs backward. He lives in the Southwest, but still visits New York periodically. So long as we're indoors, he politely keeps his cowboy hat on the bench beside him. For all his past reticence, he's an effusive talker and a gifted raconteur. If he'd been born just a little bit earlier, I could imagine him showing up in one of Jack Kerouac's road novels. Sometimes he recounts past exploits with exactly the type of joyful, stiff-necked pride one might expect from an ex-prizefighter. He smiles easily and impishly.

Right upfront, he tells me what I already know: that but for one recent exception, he hasn't appeared in public as "Ben Morea" in 35 years. So why the change of heart? His answer unfolds gradually, and betrays a genuine ambivalence. On the one hand, he's always been reluctant to be singled out. He tells me how he made a point of avoiding the cameras when he was backstage at Woodstock, and how he once turned down an offer to play a part in Michelangelo Antonioni's film about 60s American youth culture, Zabriskie Point. Yet he regrets that the Motherfuckers remain obscure and poorly understood. The 1960s may be one of the most overwritten decades in American history, but the only scholarly treatment the group has ever received was a 2003 Harvard honors thesis. Again and again, Morea rails against how the counterculture's values have been domesticated, sanitized and exploited.


Publicado por [Party Program] às 10:21 PM | Comentários (2)

A perna muito curta

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:12 PM | Comentários (6)

Miguel Relvas já está a preparar o tacho

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:41 PM | Comentários (5)

junho 05, 2011

EXCLUSIVO SPECTRUM: Foto do momento em que Madame Mubarak soube que Sócrates ía dedicar os próximos anos à familia

244193_1732664119551_1326971362_1461048_6712217_o.jpg

Publicado por [POKE] às 11:39 PM | Comentários (13)

sinal dos tempos

No intervalo do programa dos resultados eleitorais, vi pela primeira vez na vida um anúncio televisivo à Porche,

Publicado por [Saboteur] às 09:47 PM | Comentários (7)

Isto ainda vai piorar antes de melhorar #5

O dia de ontem foi uma boa ilustração do que nos espera nos próximos tempos:

No dia de reflexão, enquanto o Presidente da República fez uma comunicação oficial a dizer que uma parte dos cidadãos (os que não votarem) não vão ter direito a criticar o próximo Governo, a PSP agride e prende quem se quer reunir no Rossio.

Publicado por [Saboteur] às 12:18 PM | Comentários (2)

Primeiras considerações sobre o Rossio

Sendo que não sou nem pelo consenso nem pela maioria, muito menos por uma idêntica "cívica", sendo que o discurso esquerdisto-inflamado me pareça que estou no parque mayer, sendo que me dá um arrepio gelado na espinha sempre que oiço a canção da Praça do Rossio e que as tendências freako-disciplinárias de não dar mau aspecto me lembrem o aviso dos Dead Kennedys sobre o fascismo hippy do politicamente correcto, dá-se a estranha situação de que ainda não ouvi nada no Rossio que apreciasse sem, por vezes gigantescas, reservas e de que no entanto poucos momentos políticos vivi em Lisboa que fossem tão interessantes. Dito de outro modo, não me agrada necessariamente o discurso produzido nas assembleias mas agrada-me imensamente que elas aconteçam e ainda mais toda a infra-estrutura que a complementa. Chegar ao Rossio às duas da manhã e ver centenas de pessoas a discutir as suas vidas sem reservas e na medida do possível alheias às suas trincheiras ideológico-partidárias foi algo extremamente entusiasmante e que há uns meses atrás todos julgariam impossível. Creio que todos os que lá estiveram presentes recordam os primeiros momentos no segundo ou no terceiro dia em que se percebeu a força de quem ali estava e que se soube pelo modo como todos participavam e que tão cedo aquilo não ia esmorecer, talvez tenha sido esse o momento em que me rendi ao Rossio, quando à espera de encontrar uns vinte ou trinta gatos-pingados nos deparámos com trezentas ou quatrocentas ou quinhentas pessoas que não estão ali por uma fidelidade tribal mas porque de algum modo é o que faz sentido neste momento. Diga-se também que pela primeira vez sinto que a presença do BE não procura, ou não consegue, controlar o que lá se passa, e que se consegue, até ver, evitar essas situações infames e vergonhosas do envolvimento da BE no Mayday e na Pagan. É notório também como os últimos 30 anos de militância partidária atrofiaram os movimentos sociais, o recuo da esquerda para um discurso institucional faz com que neste momento haja uma enorme dificuldade em libertar a língua, o pensamento e os comportamentos de uma série de tiques, de pensar para além de um civismo disciplinado e conformado com as categorias de pensamento e de acção do presente, não se trata de reclamar mais oradores anarco-situacionistas-autónomos ou coisa que o valha, mas sinto-me mais perto do punho do ar da Raquel Varela, não obstante os anos-luz que há entre mim e ela, do que a mãozinha a abanar e da bandeira portuguesa (ou qualquer outra, a recuperação da bandeira espanhola enquanto símbolo de algo "bom" é sem dúvida o tesourinho deprimente imediato destes dias).
Deste modo entendo aquele projecto de vivência enquanto dos mais radicais que já aconteceram em Lisboa, desde logo mais do que os que pretenderam apenas encontrar apenas um casulo para as suas especificidades ideológicas. Sinto que no entanto não encontrei ali na praça algum eco para o projecto que naquele contexto achava mais interessante: construir a cidade ocupada, multiplicar os espaços de vivência, de debate e de encontro para além do órgão centralizado da assembleia. Tenho pouco interesse em ir à assembleia contrapor aos discursos dominantes uma qualquer subjectividade minha ou de outros porque nem acho interessante explorar as clivagens ideológicas presentes nem tenho particular vontade de extremar, naquele momento, o conflito que por vezes ali se vive. Creio que neste contexto, e é isso que o torna tão interessante, tudo está em aberto quanto às possibilidades de elaborar discursos e práticas naquele contexto, e que será bastante mais interessante multiplicar as posturas as momentos de discussão e de acção de que presumir construir uma unicidade artificial e instrumental que acaba por desabar por si própria. Parece-me essencial usar esta força enquanto poder para construir algo mais duradouro, e sobretudo mais profundo politica e quotidianamente, do que as assembleias que são muitas vezes auto celebratórias e circulares.
Não percebo quem se mantêm alheio a todo este processo por não o achar suficientemente radical sem procurar sequer qualquer tangencialidade a ele, que é quanto basta. Recusar ver o que há de minimamente interessante no que ali se passa parece-me uma enorme capitulação ante um conformismo auto-referencial. Por último reservo o círculo mais quente do inferno a que ali não esteve por um qualquer repúdio estético, por achar a presença no Rossio demasiado freak ou algo do género, argumentar uma pretensa sofisticação estética ou teórica que salvaguarde uma participação ali é ter um enorme cadáver na boca e alinhar com o mais bacoco dos provincionalismos.
Poucas vezes se terá lido no spectrum pela minha mão, ou pela maioria das outras, qualquer elogio tão rasgado a algo que tenha acontecido ou esteja a acontecer, será talvez pela impressão de se estar a ver algo de novo e não um filme que já se viu mil vezes.


Rossio, Junho 2012

Publicado por [Party Program] às 11:54 AM | Comentários (12)

junho 04, 2011

AGORA: Carga policial no Rossio - três pessoas detidas

Perto das 16h enquanto as primeiras pessoas chegavam para preparar a Assembleia Popular de hoje, às 19, a polícia de intervenção chegou e carregou, detendo três pessoas, uma delas por estar a tirar fotografias.

acampada1.jpg

O apelo neste momento é para todxs rumarmos ao Rossio em solidariedade com os detidos e para que a bófia e o Governo não consigam o querem: parar esta assembleia tão obviamente mais democrática que a dancinha que amanhã todxs se preparam para fazer. Ao que sabemos, neste momento, estão no Rossio cerca de 200 companheiros, e há duas carrinhas do corpo de intervenção ... quantos mais de nós menos força terão elxs

acampada2.jpg


actualizações:

- Polícia, durante a carga, também roubou o material de som que apoia a assembleia popular ;
- As televisões estavam lá e filmaram tudo, fica o aviso, sabemos que têm as imagens...

Publicado por [Paradise Café] às 04:35 PM | Comentários (4)

junho 03, 2011

Uma noite eleitoral que se adivinha deprimente

Luis Fazenda afirma orgulhoso que o "BE não foi fazer miminhos à troika" e que o PS "chegou ao grau zero da utilidade: não serve para governar nem para a oposição".

Acho que só quem com demasiada facilidade (e erro) vê dissidências e deslocações de voto para o PS; ou faz a leitura de que quem votava António Costa era com medo do "papão Santana"; ou faz a leitura de que quem votava Alegre, votaria Cavaco se o outro candidato fosse Salazar, é que pode fantasiar agora com um grande movimento de transição de voto útil para o PS. Subestimam a capacidade de raciocínio político do povo de esquerda.

É no fundo a tese de Gil Garcia.

Parece-me, pelo contrário, que a esmagadora maioria dos votos que estão a escapar ao Bloco cairão muito mais facilmente para o a abstenção (ou para o voto nulo ou para os pequenos partidos) do que para o PS.

Creio que houve muitos eleitores de esquerda que votaram no BE na expectativa de que a força eleitoral crescente do partido se transformasse em força política, capaz de contribuir decididamente para operar mudanças na sua vida.

Por várias razões, a principal das quais será a capitulação do PS face à agenda económica da direita, isso não aconteceu.

Hoje em dia é óbvio que esse cenário nem sequer se coloca. Nestas eleições, todos sabemos, não haverá nenhum eleitor de esquerda com razões para comemorar no Domingo à noite. O contexto em que estamos não é o de esperança de que alguma coisa mude para melhor, mas sim o de descrédito num sistema político e partidário que parece que não consegue arranjar outras soluções para além do rotativismo entre PS e PSD, com o CDS a entrar no Governo de vez em quando. É o de crise sem solução à vista. É um contexto em que muitos eleitores do BE em 2009 poderão abster-se, mas não vejo como poderão mudar o voto para o PS.

Em vez do discurso contra o "voto útil", a par da boa campanha que têm feita em torno do esclarecimento das questões ligadas à crise económica, seria melhor que o BE direccionasse a ultima semana de campanha contra a abstenção e contra a maioria absoluta da direita.

Direita, PSD e CDS, bem entendido, que essa história de que PS=PSD=CDS é uma narrativa que não tem solução eleitoral à vista e que não dá vontade sequer de sair de casa este Domingo sem ser para ir à praia.

Publicado por [Saboteur] às 07:27 PM | Comentários (11)

O Spectrum feito pelos seus leitores

Por mail, recebemos este contributo para a reflexão sobre a crise, de uma jovem e promissora economista da Universidade Nova, que prefere que o seu nome não seja referido em circunstancia alguma neste blog.

Publicado por [Saboteur] às 10:59 AM | Comentários (2)

Ainda no capitulo "Eu também sei brincar com o photoshop e fiz isto no tempo que demora a comer uma torrada"

mesmar-small.jpg

Publicado por [Party Program] às 10:51 AM | Comentários (2)

Mantenham-se atentos aos sinais do tempo

"O agente foi acusado pelo Ministério Público (MP) de homicídio qualificado, mas o colectivo de juízes, presidido pelo magistrado Jorge Melo, decidiu alterar a qualificação do crime para homicídio por negligência.
O MP, que pediu nas suas alegações finais a absolvição de homicídio qualificado, continua a pedir a absolvição face à nova qualificação do crime."


"Segundo o acórdão, ao ver a vítima levantar os ombros e, face às expressões proferidas e à postura ameaçadora, o agente julgou que esta tinha uma arma de fogo que se preparava para utilizar, pelo que puxou da sua arma de serviço e "disparou três tiros, os dois primeiros para o ar e o terceiro para o ombro da vítima", que acabou por determinar a sua morte."

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:38 AM | Comentários (2)

"Se não puder dançar não é a minha revolução"

Há imagens que uma vez sugeridas se tornam difíceis de esquecer: Quem com ele convive, sabe que basta tocar Shakira ou Juanes para se levantar e dançar.

A ala social-democrata do spectrum tem razão, há que votar, e o meu voto, em honra de Emma Goldman, não irá para a esquerda cinzentona que consegue resistir aos quentes ritmos latinos da colombiana.

Publicado por [Party Program] às 10:05 AM | Comentários (9)

Ao cuidado dos Abstencionistas

allo.jpg

Ou então não se admirem de mesmar (com qualquer um da troika):

mesmar_portugal.jpg

Mais obras de arte da Gui Castro Felga

Publicado por [POKE] às 03:05 AM | Comentários (3)

junho 01, 2011

Dia da reflexão

debate A INOCÊNCIA PERDIDA DA PRODUTIVIDADE

Casa da Achada (Rua da Achada, n.º 11, Mouraria)
Sábado, 4 de Junho, 21h30

A partir de um texto de Claus Peter Ortlieb.

Publicado por [Manic Miner] às 12:00 PM | Comentários (6)

BCN e Rossio - Melhores momentos

ASSEMBLEIA POPULAR - LISBOA - ROSSIO - 27 de MAIO from la emcima on Vimeo.


27M BCN REVOLUTION from Paco Ruiz on Vimeo.

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:18 AM | Comentários (3)

Do regaço à nascente

Publicado por [Chuckie Egg] às 09:00 AM | Comentários (3)