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maio 31, 2011

A resistência nos states.

Alguns Uncuters nos states puseram as mensagens certas no sitio certo: O painel "ticker" da FOX news.

Tirado daqui.

Publicado por [POKE] às 11:21 PM | Comentários (4)

We will always have Rossio

Publicado por [Party Program] às 01:47 AM | Comentários (7)

maio 30, 2011

Marrocos: tão longe, tão perto

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:17 PM | Comentários (2)

Mais jardins, menos molduras

Aquela foto não diz nada sobre o Rossio nem sobre o que de lá poderá ou não sair mas diz muito sobre a Fernanda Câncio e as suas escolhas. ela é livre de mostrar a sua face e assim o fez, deixando pouca margem para dúvidas, o que é louvável e deve ficar na nossa memória. da minha parte acho que não se deve dar tanta importância ao post mas alguns dos comentários e discussões que dali brotaram são mesmo flores num monte de lixo. não querendo menosprezar todos os que se esforçaram em tentar algum tipo de diálogo no meio daqueles comentários irónicos cheios de bom humor e que devem ter sido ensinados na assembleia popular de um qualquer guru da auto-ajuda, e por favor não estraguem toda aquela alegria, acho que esta frase da Joana Manuel deve ocupar um lugar mais alto: "Eu prefiro regar cravos do que secá-los e pendurá-los na parede em molduras. Mas vocês é que sabem... façam bom-proveito."

cancio.jpg
(para além dos livros, podemos ter catapultas de cravos, A.? senão talvez uma ramazinha de jacarandá, para a praça ficar muita bonita)

Entretanto, e agora falando de coisas um pouco mais importantes, parece que em Madrid ocorreram mais de 120 assembleias. Que em cada bairro haja uma assembleia popular é uma ideia que há escassos meses seria apontada como o extremo do radicalismo anarco-comunista e tratada com a condescendência própria de quem só observa o que tem à frente dos olhos e nunca conseguirá imaginar algo que não lhe caia à frente. Talvez este movimento não venha acompanhado do fragor de uma panela de pressão prestes a rebentar. Talvez mesmo tudo isto esteja a ser encarado como um bom escape para uma geração que já não o via em lado algum, e esteja a ser alvo de alguma complacência. Mas de uma coisa podemos ter a certeza. Com a multiplicação de assembleias por cada bairro, vai ser difícil à polícia espanhola imitar o trabalhinho dos seus colegas franceses, ontem, em Paris:

http://madrid.tomalosbarrios.net/

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:13 AM | Comentários (12)

Aos imbecis

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:24 AM | Comentários (1)

Grau zero da política

Publicado por [POKE] às 02:30 AM | Comentários (2)

maio 29, 2011

As lutas convergem cada vez mais…


Protestos organizados no Yemen. O individuo que està no palco representa o negociador do regime, ao qual as pessoas respondem : « O Povo quer a queda do regime ! ». Como musica de fundo temos a «cançao hino » da revoluçao tunisina.


Video que centra a atençao na presença portuguesa na Bastilha - Paris.
Os CRS cansados, às 21h30, dispersaram a Assembleia à força.

Publicado por [Shift] às 10:26 PM | Comentários (1)

Democracia verdadeira (para f. et pour cause)

Publicado por [Rick Dangerous] às 09:41 PM | Comentários (2)

A propósito do Rossio, um facto incontestável


Garante Fernanda Câncio que se limitou a oferecer do acampamento do Rossio uma imagem tão verídica e representativa como qualquer outra: Esta.
Eis o que escreveu na caixa de comentários, em resposta a quem pôs em causa a seriedade intelectual de semelhante post:
esta foto foi tirada no rossio. isto é o rossio. não está lá só isto - não. há mto mais q este lixo; há a estátua cheia de cartões, de panos e cordas; há tendas; há sofás; há pessoas. eu tirei a foto q m apeteceu tirar. é a foto q eu tirei, e como foto é naturalmente parcial. mas má fé? porquê, porq achas q isto tem mau aspecto? tem sim senhora. mas está lá, e ñ é preciso fazer qq esforço para ver.
Este jogo sonso continua alguns comentários abaixo: deixa-m dizer-t q acho espantoso q as pessoas achem q têm o direito d transformar a principal praça da cidade numa lixeira e q s espantem s alguém lhe chama lixeira, e mais q espantar-se falem em má fé. ou seja, de desonestidade. honestamente, joana, achas q tens o direito d fazer aquilo? porq eu acho q ñ tens.
Vejo que algumas pessoas se indignaram e acharam bem perdidos os minutos passados a argumentar com Fernanda Câncio e a explicar-lhe que aquele foi o ponto da praça escolhido para recolher o lixo, de maneira a que ele não seja simplesmente atirado para o chão. Mas Fernanda Câncio sabe perfeitamente isso e muito mais, o jogo dela é outro e chamar-lhe má-fé é um eufemismo deslocado. Diria ela porventura o mesmo de uma rua conspurcada por milhares de panfletos e "brindes" após uma arruada de Sócrates? Imagine-se uma foto de semelhante cenário, encimada pelo título "campanha socialista, 27 de Maio de 2011" e calcule-se a gritaria que não iria por aqueles lados.
Fernanda Câncio não entende, porque não quer entender, que o espectáculo sórdido que esta campanha eleitoral nos tem proporcionado é bastante mais lamentável, para não dizer aborrecido, do que qualquer imagem captada no Rossio, ou do que a mais estereotipada ou circense intervenção naquelas assembleias.
Para ver se nos entendemos: há pessoas pobres que são arregimentadas para servir de figurantes em comícios de José Sócrates em troca de uma sandes ou de uma refeição quente. Que isso não tenha motivado qualquer comentário no Jugular diz tudo sobre a preocupação que ali se nutre pela saúde da democracia.
Tudo o que aqui se escreve sobre as interessantíssimas opiniões de Câncio pode ser estendido a outras luminárias várias, como Pacheco Pereira (que volta a queixar-se que a extrema-direita não tem os mesmos direitos), José Manuel Fernandes (que recomenda Tocqueville em vez de Marx para a biblioteca do Rossio) ou Miguel Sousa Tavares (este nem sequer disse nada que se percebesse, limitou-se a demonstrar que não gosta de ver pessoas a discutir política numa praça). Parece que Helena Matos também escreveu qualquer coisa que pode, a custo, ser considerada uma "reflexão".
Eles não entendem nem querem entender nada do que ali se passa, porque valorizam na democracia, acima de tudo, aquilo que lhes paga o jantar. E todos sabemos como se têm banqueteado. Ter suscitado o incómodo - e até, note-se, uma saudável indignação - de todas estas pessoas é já uma incontornável vitória deste movimento. Ele está a irritar as pessoas certas. Bastas vezes demonstrada ao longo dos últimos anos, a sua imbecilidade é agora um facto incontestável.

Publicado por [Rick Dangerous] às 08:44 PM | Comentários (14)

Não falta limpeza naquela praça

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:34 PM | Comentários (3)

Assembleia Popular em Paris – 29 de Maio -

Entre varias sensibilidades e varias nacionalidades dois publicos, duas barricadas ergueram-se : uma pacifica; outra pela tomada da Bastilha ! A assembleia popular continua a decorrer sob o olhar da policia pronta a atacar.

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(carrinhas da CRS - compagnie républicaine de sécurité – cercando a Assembleia)

Publicado por [Shift] às 05:30 PM | Comentários (1)

fernanda câncio, livraria da FNAC, 28 Maio 2011

f for fuck you

Publicado por [Party Program] às 11:50 AM | Comentários (5)

Uma Só Voz!

Finda a mãe de todas as assembleias, reuniu de forma nómada e inconstante um dos melhores e mais recentes grupos de trabalho da acampada do Rossio. Entre outras coisas cantou, bebeu, fez finalmente desaparecer um importante elemento de poluição visual e ideológica da praça e mais do que tudo isso entregou a produção de manifestos a uma forma participativa e horizontal que no entanto não era nem o arroz branco da democracia nem o frango no churrasco do comunismo, nem o miguel tiago na brasa que um dia os anarquistas comeremos sem talheres e sem guardanapo na okupa. Foram produzidos alguns manifestos em cadáver esquisito dos quais passo a transcrever uma selecção, a segunda parte amanhã.

(confirma-se que a federação nacional para a alegria no activismo não impediu ninguém de beber)


Crimes do capitalismo no Rossio pré-revolucionário

2º Manifesto do Rossio

A pantera não ataca o leão mas juntos matam a hiena
Gritou Tarzan contra o rei da selva
OAOAAAAA
Hoje à noite aqui na selva, cantou, quem manda é o macaco
Principe sem reino, demónio de todos os cultos sagrados
Sem mais que dizer continou o seu caminho
Saltando de liana em liana, gritando com o sol no horizonte do infinito.
Mas não queremos sóis ao desbarato pergunto-me se não chove no Egipto...
Eles teimam em resistir, Teimam em dar linhas de coca na assembleia da república
fazemos banquetes orgiásticos sobre o dorso dos deputados
Ai! Gemem! o suor respinga do cano

Com algas podres que empestam a assembleia
Apelamos à resolução da práxis dita que a dita não corra e não se diga porra
Diga-só merda, bardamerda, basta! batemos o pé. Não persigamos Cannes e ilusões de que
vamos ser estrelas de rock perpetuadas pela televisão
Neste momento Sócrates controla tudo, face oculta, freeport, juizes, media, etc...
Mas ainda nos é permitido protestar no Rossio, Porque será?
Porque Acredito (ainda) no poema que queimará a assembleia da república

134º Manifesto do Rossio Ocupado

ISTO NÃO É UM MANIFESTO, É UMA DECLARAÇÃO DE GUERRA
Este acampamento deve continuar até termos todos a mesma idade da velhinha
cor de laranja, cor de rosa, verde, azul, rosa, velho, rosa (...) Lá
Lá Si Marmelada para todxs e todxs
e ninguém, ninguém sozinho, mas todos
pensando, falando e escrevendo no papel, no ar ou no caixote?
Já não sei o que hei-de escrever JÁ
Quer dizer, já não, daqui a bocadinho,
HOJE AINDA HÁ QUEM CONTINUE A LUTAR POR UM MUNDO SEM ESTADO
Mas em estado de graça.
"estando" em "estado", como dizem os espanhois,
grávidos de bebés hermafroditas
Sentados numa rochja
na altura de uma cerveja
há alguém que espera uma inspiração
Mas caralho
Já não vou p nova.

Todos os manifestos podem ser musicados, sendo que a internacional lhes fica bem.


Depois de cada assembleia cada membro da mesa recebe dois euros para ir à "moedinha" descomprimir

Publicado por [Party Program] às 10:52 AM | Comentários (6)

maio 28, 2011

So long Gil

Publicado por [Party Program] às 12:09 PM | Comentários (2)

maio 27, 2011

Umas jóias de rapazes


As cerca de 30 pessoas de que falam os jornais
Contudo, também existem pessoas que mostram que o protesto é intemporal. Maria do Carmo tem 84 anos e tornou-se na “avó de serviço desta juventude”, destaca Pedro. Maria do Carmo esclarece que “a vida não está nada fácil” e que decidiu vir para aqui “todos os dias para tomar conta das coisas e ajudar”. Está viúva e vive sozinha, mas por motivos de saúde só dormiu uma vez ao relento e agora à noite vai sempre para casa. “Aqui sempre tenho companhia e atenção. São umas jóias de rapazes. Estão sempre a dar-me comida e a ver se preciso de algo. Nós os pobres vamos ter sempre de lutar”.
Yes we camp

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:01 PM | Comentários (4)

Desalojo da acampada em barcelona

o estrilho em directo aqui: http://www.antena3.com/directo/

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:16 AM | Comentários (5)

maio 26, 2011

Mesmo sem o saberem


Enganas-te Luís. O John Cleese acabou mesmo por aparecer para a punch line.

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:37 PM | Comentários (3)

¿Democracia verdadeira já ou FMI fora já?

Uma importante reflexão sobre as assembleias do Rossio, via http://elburdeldeldelirio.blogspot.com/

produtosucesso.jpg

La asamblea de ayer, martes 24 de mayo, sigue la línea de las anteriores y la intensifica. El tema estrella, lo más importante, es el FMI y no pagar la deuda, por eso he titulado este texto con esa disyuntiva: ¿Democracia verdadeira já ou FMI fora já? Porque las asambleas no se están centrando en la raíz del problema, que es el mismo funcionamiento del sistema democrático actual, ni se están haciendo planteamientos ni propuestas para cambiarlo y conseguir que haya una representación real de los ciudadanos y tenga lugar una participación activa de los mismos. No. Las asambleas se están centrando, casi en exclusiva, en la deuda y el FMI, pero es que este movimiento en Lisboa está viciado desde su inicio, desde el jueves 19M, cuando en la I Assembleia un grupo de portugueses se hizo cargo de impulsarlo. Analicemos unos cuantos hechos incontrovertibles:


El Manifiesto dedica casi la mitad de su texto al FMI: 11 líneas de 29, y en el resto de líneas apenas se contiene una referencia no muy directa de la intención de luchar por una participación activa en la vida política (“Pretendemos assumir o controlo das nossas vidas e intervir efectivamente em todos os processos da vida política, social e económica”) y una crítica a la manipulación realizada desde los mass media.

El himno 'oficioso' de Rossio tiene cuatro líneas, y una de ellas apunta a la deuda y el FMI: não devemos nada.

Se ha incorporado como grupo de trabajo -y, según me pareció ayer, es de los más numerosos, porque ya estaba formado antes del inicio de este movimiento- el Comité contra o pagamento da dívida pública (aquí su blog).

El movimiento está encabezado por unos líderes que están lastrados por una fuerte carga política e ideológica, hasta tal punto que plantean -y la asamblea calla- la intervención en el movimiento de partidos políticos y sindicatos, que son los que han conducido al pueblo portugués a su situación actual. Permitirlo equivale a suicidarse.

La mayor parte de las intervenciones en la asamblea giran en torno a la deuda y el FMI. Las asambleas se están convirtiendo en monotemáticas y empiezan a ser bastante aburridas. Atentos a las intervenciones que se produjeron ayer (no voy a hablar de la tipa que iba colocada y salió a hacer el gilipollas y el ridículo; está muy bien que todos tienen derecho a hablar, pero si una persona está colocada lo único que hace es hacernos perder el tiempo a todos, así que la organización debería tomar medidas contra la estupidez).

En primer lugar, los grupos de trabajo expusieron brevemente las tareas que están realizando. Bien.

Destaco la intervención de João, una de las pocas que me pareció lógica y razonable: habló contra los radicales -en el sentido de la gente que está radicalizando ideológicamente este movimiento hacia la izquierda-, la manifestación que se acordó de forma precipitada y mal votada porque ya había poca gente cuando se votó, y señaló, con respecto al tema de la deuda y del FMI, el desconocimiento general de la mayoría de la gente que sale a insistir en el tema. Sin embargo, pese a ser una de las intervenciones más lúcidas, porque pretende ser INCLUYENTE, INTEGRADORA, y NO EXCLUYENTE, la inmensa mayoría de gente que salió a hablar se opuso a esta intervención:

Un profesor apoyó la manifestación porque fue democrática su votación. Yo recuerdo que la manifestación la propuso un tipo un día, la gente dijo que no, y al día siguiente se volvió a proponer y se aprobó por mayoría (mayoría de un grupo de 400 personas).

Un chaval dijo que la gente que hay aquí, en las asambleas, representa a buena parte del pueblo portugués, algo, a estas alturas, bastante discutible. Las asambleas, de momento, no congregan a más de 500 personas (el sábado eran 350, contadas). Recuerden que el área metropolitana de Lisboa tiene 2.700.000 habitantes, así que la gente que hay ahí reunida representa al 0.018% de Lisboa. El 0.0044% de Portugal.

Un tipo dijo que todos tienen derecho a estar aquí, y citó a marxistas, trotskistas y anarquistas. Se le olvidó citar a fascistas y demócratas. ¿Alguna duda con respecto a la línea ideológica defendida? La mención de marxistas y trotskistas me trae a la memoria las menciones de la menina de marras sobre la revolución socialista, la lucha de clases y las asambleas contra la burguesía.

Otro chico comentó que esto, estas asambleas, tal como están configuradas ahora mismo, nunca serán representativas de un país, y habló sobre terminología e ideologías. Fue otra de las intervenciones más acertadas.

Una chica anunció que hay dos casas de banho por cortesía de un sindicato. Un sindicato haciendo favores. ¿No sabéis que los favores se cobran?

Un gallego habló sobre la corrupcion de los de arriba (políticos, banqueros...) y de los de abajo: comerciantes que no declaran impuestos, personas que alquilan cuartos y no declaran los ingresos... Esa corrupción de los de abajo no se debe perder de vista. En España, que es lo que conozco, es brutal.

Un par de personas dijeron lo mismo: que radicales eran los bancos y el FMI y los políticos, etc., etc. Demagogia barata que desprestigió las palabras de João, infinitamente más interesantes que estas intervenciones vacías: Cristina habló sobre el término radical, proponiendo un debate sobre la democracia representativa sin miedo a radicalismos. A mí me parece bien la propuesta, pero..., bueno, luego comento la cuestión.

Manuela, de 52 años, desempleada, invita a la gente a que venga a Rossio.

Un chaval salió con The economist y leyó un fragmento de un artículo sobre la deuda portuguesa: “es mejor no pagarla”. Ovaciones y aplausos. (Aunque, me planeto, hacer caso de este medio de comunicación va contra lo que se proclama en el manifiesto: la manipulación que se realiza desde los medios de comunicación...)

Sofía, profesora precaria: a dívida não é nossa, y si queremos no la pagamos.

Una española, recién llegada de Puerta del Sol, dijo que le daba mucha pena ver lo que estaba pasando en Rossio, que en España se tiene muy claro que en este movimiento no pueden entrar ni partidos políticos ni sindicatos, y que eso se cumple a rajatabla, por eso el movimiento en España está funcionando y puede ser algo magnífico que consiga una reforma de la situación política actual, empezando por la ley electoral y siguiendo por las propuestas que podéis leer aquí. En España se están sacando de las páginas webs de partidos políticos y sindicatos las fotos de sus integrantes para impedir que se infiltren en el movimiento y lo hagan fracasar: preocupaos más de sindicalistas y partidistas que de la policía... (En Canarias la Policía Local se ha unido a los asamblearios.). Sin embargo, la gente de la asamblea de Rossio se quedó un poco descolocada ante la insistencia de que no entren en el movimiento ni partidos ni sindicatos: la gente no comprendía este punto, y al final aplaudieron porque la chica venía de la Porta do Sol, pero esta intervención de la chica española y la reacción de los asamblearios fue bastante ilustrativa sobre el problema que hay aquí en Lisboa.

Sólo he señalado algunas de las intervenciones y no en su totalidad. De momento, lo único real que hay en Rossio es el empecinamiento con el FMI y el no pagar la deuda. Tengo la fuerte impresión de que aquí, en Portugal, no se ha tomado consciencia de la línea de acción del movimiento en España, que es la que lo ha llevado a ser algo grande y potente, en el sentido de que tiene potencialidad para producir grandes cambios en nuestro sistema político.

Tomad nota: ahora mismo la Assembleia do Rossio es excluyente. No pasa de ser una reunión de gente de izquierdas que no quiere pagar la deuda, de modo que, si la línea de acción principal sigue siendo esa, debería cambiarse el nombre, suprimir democracia verdadeira já y utilizar el de FMI fora daqui ou qualquer coisa assim. Si a esta cualidad de excluyente le añadimos el hecho de que hay líderes que están fomentando la participación de sindicatos y partidos políticos en el movimiento, apaga y vámonos. El otro día una menina -la que cité en textos anteriores, la que hablaba de la revolución socialista- proponía poner un estand para que partidos y sindicatos dejasen su propaganda y sus revistas. Otro de los líderes reconoció ayer que pertenece a un sindicato. Esta mañana encima de una de las mesas que hay junto a los toldos había revistas y panfletos. El movimiento se está metiendo en un callejón sin salida y va a morir acorralado.

El gran problema es que la inmensa mayoría de gente que hay en la asamblea corea, ovaciona y aplaude, casi por inercia, cualquier eslogan contra el FMI y no tiene NI PUTA IDEA de qué trata el movimiento 15M o Democracia Real Ya. Es un movimiento incluyente, integrador. Para ello, es necesario renunciar a una parte de nuestro ideario político-económico, para llegar a acuerdos de mínimos, tratando cuestiones fundamentales con las que LA INMENSA MAYORÍA de ciudadanos esté de acuerdo. Quizá la inmensa mayoría de ciudadanos esté de acuerdo en no pagar la deuda al FMI, pero lo verán como lanzarle flechas al sol: inalcanzable. En cambio, el camino que se ha planteado el movimiento 15M en España es factible, realizable, y congrega a gente, a mucha gente.

De ahí que los radicalismos -tal como los entiende la mayoría de gente, fuera de cuestiones terminológicas que no aportan nada en este punto (port. radical < lat. radix)- sean malos compañeros de viaje, porque van a determinar que muchísima gente se quede fuera del movimiento este, que tiene una potencialidad brutal pero que, por obra y gracia de unos cuantos interesados, va a convertirse en ceniza, en humo, en polvo, en sombra, en nada.

Así que en Rossio hay dos alternativas: o se replantea seriamente la línea de acción, o se reduce todo al FMI fora daquí. Replantear la línea de acción implica enfrentarse a los líderes actuales, que van a negar cualquier liderazgo: “yo soy un ciudadano y tengo derecho, aunque pertenezca a un partido o a un sindicato”. Como la asamblea no tome una decisión seria enseguida, y por mucho que me duela, el movimiento en Rossio va a morir. Podrá continuar el campamento, pero no va a congregar, me da la impresión, a más gente de la que ya hay. Yo me estoy aburriendo bastante en las últimas asambleas. Esta tarde estaré allí, pero me temo que será para lo mismo: aburrirme oyendo proclamas contra el FMI y la deuda...

El 1 de mayo se hizo una manifestación contra el FMI organizada por sindicatos: CGTP, UGT. No digo que no sigan luchando contra la deuda: me parece estupendo que sindicatos y comités se dediquen a ello.

Lo que digo, lean con atención, es que ESTE MOVIMIENTO NO ES EL LUGAR ADECUADO PARA ESO. Este movimiento de Democracia Real Ya tiene unas pretensiones mucho mayores, y aquí, en Portugal, va a fracasar como sigan con la línea monotemática del FMI.

Lee y lucha.

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:40 AM | Comentários (29)

A crise portuguesa em 10 minutos

A ATTAC Portugal lançou uma brochura que vale a pena ler. "A Crise Portuguesa em 10 minutos" pode ser descarregado em PDF e dá de forma muito sucinta umas luzes sobre as origens da crise económica.

Publicado por [Saboteur] às 02:59 AM | Comentários (1)

maio 25, 2011

História de duas cidades


Barcelona

Lisboa

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:19 PM | Comentários (14)

Afinal aquela coisa que parece um saca-rolhas tem utilidade

Publicado por [POKE] às 02:29 AM | Comentários (13)

maio 22, 2011

Ao vivo do km zero

Sexta-feira passada às duas da manhã estavam cerca de 100 pessoas reunidas no Rossio reunidas em assembleia, ontem à meia-noite e meia estavam à volta de 250. Não me lembro de algo semelhante ocorrer assim nos últimos anos.

E no entanto todos os meios de comunicação que tiveram um orgasmo colectivo no dia 15 de Março preferiram hoje nas suas manchetes sublinhar que Cleo Pires (quem?) voltou a posar para a Playboy, uma qualquer declaração do bastonário dos psicólogos e que hoje vai ser preciso usar óculos escuros.

Resta considerar se ser jornalista não é por vezes um trabalho bastante mais indigno do que ser polícia.


A webcam live da praça do Rossio segundo o publico.pt

Publicado por [Party Program] às 11:30 AM | Comentários (22)

maio 21, 2011

Revolução Portuguesa - Portuguese Revolution

Publicado por [POKE] às 01:32 PM | Comentários (6)

maio 20, 2011

A essência da democracia


"A democracia é essencialmente um conjunto de regras", Alfredo Pérez Rubalcaba (Ministro do Interior de Espanha)

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:00 PM | Comentários (11)

Acampada Lisboa

lisboa_2.jpg

http://www.diagonalperiodico.net/Lisboa-apoya-a-las-movilizaciones.html

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:59 AM | Comentários (13)

maio 19, 2011

A anarquia é bonita e... cool

Feira do Livro Anarquista
És anarquista? - Sim, porque sou trabalhador consciente. - Que é ser trabalhador?- É viver pelo esforço do seu trabalho. - Quando se pode dizer que o trabalhador é consciente? - Quando conhece as causas da sua miséria e as combate. – O que é o trabalho? - É o esforço para produzir. - Mas o sol não é produzido pelo homem. - Não, por isso se chama riqueza gratuita. - A terra é uma riqueza gratuita? - Deveria sê-lo, porque é a matéria natural da produção natural da produção das riquezas minerais e orgânicas; mas não o é. Isso é a causa da maior parte das desgraças humanas. - Que dirias dos homens que se apropriam de toda a Terra e não permitam que os outros a cultivem? - Que são infames. – E que dirias de uma feira do livro onde pudesses encontrar tudo e mais alguma coisa sobre Anarquismo? - Diria que isso é bonito. / Raquel Ponte

Esta maravilha do mundo da moda vem directamente desse fantástico jornal online da contracultura portuguesa, a Le Cool Magazine. Tendo em conta o que acabo de ler, vou já ligar para ver se me metem na guest-list...
Repare-se no link bonito...

faschion.jpg

Publicado por [Paradise Café] às 11:16 AM | Comentários (7)

maio 18, 2011

Bom vento

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:57 PM | Comentários (21)

maio 17, 2011

Mais imagens de Setúbal 1º de Maio

Publicado por [POKE] às 11:40 PM | Comentários (6)

Prisões para quê?


ISCTE-IUL, Av Forças Armadas, em Lisboa
organização Grupo de Intervenção nas Prisões (GIP)

http://intervencaoprisoes.org/

9:30 Apresentação do GIP

10:00 - Nota de abertura –

“Prisão: o discurso ambíguo do legislador” por Eduardo Maia e Costa (juiz-conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça)

10:45 1ª sessão - Justiça ou Repressão?

Presidente da Mesa - Diana Andringa (jornalista e membro do GIP))
Imagens da justiça - Mário Contumélias (autor de Justiça à Portuguesa)
Castigo ou tratamento? O caso dos pedófilos - Afonso de Albuquerque (psiquiatra)
Policiamento: caminhos da proximidade - Susana Durão (investigadora ICS)

12:15 - Debate

12:45 - Almoço

14:30 2ª sessão - Estado e Liberdades

Presidente da Mesa - José Mário Branco (músico e membro do GIP)
A aplicação da pena - Edite Sousa (procuradora adjunta)

Um retrato das prisões em Portugal - Almeida dos Santos (visitador de prisões)
Estado Contra Direito - José Preto (autor de Estado Contra Direito)

16:30 - Debate

17:00 – Apresentação e projecção do filme “Sem companhia”*, de João Trabulo

18:30 – Debate com a presença do realizador.

*

Documentário, 2010, 85′, 35mm

Fotografia: Miguel Carvalho
Som: Pedro Gois
Produtor: João Trabulo
Produção: Periferia Filmes

Julgados e condenados por vários crimes, Ernesto e Gaspar estão detidos numa prisão de alta segurança no norte de Portugal. SEM COMPANHIA é um filme sobre a juventude perdida de Ernesto e Gaspar e a longa caminhada que os espera quando saírem da prisão. João Trabulo trabalha sobre a fronteira entre o documentário e a ficção, partindo da realidade longamente observada no interior da prisão (a rodagem durou 13 meses) para construir a história do filme com a participação activa dos dois protagonistas e de outros presos, encenando por vezes alguns aspectos das suas próprias experiências em tempo de reclusão. As rotinas na prisão, as conversas entre estes homens e as consequências da lenta passagem do tempo sobre eles. “O desafio foi filmar o incorpóreo e o movimento selvagem destes homens face à sociedade, guiados apenas pela imaginação e pela utopia” (João Trabulo).

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:03 PM | Comentários (3)

Uma terra com amos.

Desde uma perspectiva extra-parlamentar e anti-institucional nunca tinha visto tantas coisas a acontecer como acontecem agora. No entanto, parece-me um sinal inequívoco do fim dos tempos e de uma tragicomicidade digna de exílio que a acção directa sirva para reclamar emprego.

Do manifesta da iníciativa "No queremos trabajo, queremos diñero" de 2004

Nuestro malestar: el dinero como límite

Parece una sensación generalizada, la de que el destino de cada cual ya no tiene que ver con el de los demás. Cualquier punto de vista sobre la liberación, si quiere estar a la altura de los tiempos, no puede esconder este hecho. Nuestra interioridad, que en otro tiempo fue lugar irreductible de subjetividad resistente, parece haber sido colonizada. Nuestra existencia está más cerca del mercado de valores que del encuentro con un amigo. Debemos confrontarnos permanentemente con un límite impuesto entre nuestra interioridad y nuestra exterioridad. Este límite es el dinero. Cuando el trabajo ha dejado de ser identidad política, el dinero ha venido a sustituirlo para proclamarse nuevo rey de nuestra intimidad. Si poseemos dinero, él nos posee. Si carecemos de él, nos empuja hacia la precarización y la muerte social.
Hay una cita que circula en los textos de los centros sociales okupados y que expresa lo que decimos:

"Lo que mediante el dinero es para mí, lo que puedo pagar, es decir lo que el dinero puede comprar, eso soy yo, el poseedor del dinero mismo. Mi fuerza es tan grande como lo sea la fuerza del dinero. Las cualidades del dinero son mis cualidades (del poseedor) y mis fuerzas esenciales. Lo que soy y lo que puedo no están determinados por mi individualidad... La diferencia entre la demanda efectiva basada en el dinero y la demanda sin efecto basada en mi necesidad o deseo, es la diferencia entre ser y pensar."
Pero además de límite surge también un malestar allí donde nuestra vida monetarizada se confunde enteramente con las formas de valorarización del capital. En ese lugar donde nuestra vida no nos pertenece, el poder nos deja vivir una vida. Una vida que se sustenta en el discurso de lo obvio y que transcurre en el espacio de la ciudad-empresa: "vive tu vida, sé creativo y haz de tu ciudad un modelo sostenible, donde reine la paz, la tolerancia y la diversidad". Este discurso, tan incontestable como hipócrita, que hace posible la movilización general, se sustenta en el hecho de que nuestra interioridad está estrechamente vinculada al poder, en un fondo oscuro ambivalente donde el deseo ya no es garantía de rebelión, sino fuente de creatividad para la publicidad. Pero precisamente porque estamos demasiado comprometidos con el poder, este malestar, nuestro malestar, se produce por una relación problemática entre esa vida (es decir, "nuestra" vida privada) y todo lo que nos es común. Este malestar canalizado hacia la "búsqueda de lo común" (que no es una "potencia" perdida, ni una "vida impropia" por recuperar), se manifiesta en diversas fenomenologías que tienden hacia una desmonetarización de la existencia: como reapropiaciones masivas de mercancía en las periferias urbanas (los Angeles, París), como recuperación de conquistas sociales perdidas (huelga del 95 en Francia) o como economía autogestionada en los centros sociales okupados.

Publicado por [Party Program] às 10:52 AM | Comentários (4)

maio 16, 2011

REBELDES CONTRA O FUTURO? 200 ANOS DEPOIS DO LUDISMO

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Casa da Achada # sexta-feira, 20 de maio # 21h30 # entrada livre

organização UNIPOP e revista imprópria
(ver localização aqui)

com a participação de:
José Luís Garcia
Gualter Baptista
José Neves

Há duzentos anos atrás, durante o período da primeira Revolução Industrial em Inglaterra, emergia um movimento de artesãos têxteis que se opunha à introdução de maquinaria nos processos de trabalho. No âmbito de processos de industrialização que introduziriam alterações profundas nos seus modos de vida e deixariam sem trabalho os artesãos mais qualificados, o termo ludita cunhou um movimento que se inspirava em Ned Ludd, também conhecido por General Ludd. Embora não se saiba ainda hoje se Ludd foi ou não mais do que uma personagem mítica, a sua figura ficou associada à destruição de duas máquinas de tricotar na fábrica onde trabalharia, em resposta a uma repreensão patronal. Não obstante o movimento ludita ter sido desencadeado por artesãos, o termo «ludita» foi desde então retomado na crítica ao culto da tecnologia, do trabalho e do progresso. A Unipop e a revista Imprópria organizam um debate que discutirá a história do movimento ludita, os movimentos contemporâneos de acção directa contra a modernização capitalista – entre outros, movimentos antinuclear, de oposição à agricultura transgénica ou à patenteação de sementes – e os limites da ideia de progresso.

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:43 AM | Comentários (3)

maio 15, 2011

O Paulo no RDA69

Para quem já não visita o RDA há algum tempo, ou nunca lá foi, temos uma novidade: o forno está pronto. Ora a novidade não é exactamente essa, já que todos os habituês sabem que podem contar com uma permanente territorialização e reterritorialização no espaço; uma tensão nómada que faz com que tudo esteja diferente cada vez que lá vão. A novidade é que decidimos baptizar o forno com o nome do mais regular e ilustre dos comentadores do Spectrum. O Paulo. A analogia é óbvia: ambos têm um tom que evoca a merda, ambos expelem elementos tóxicos que devem ser imediatamente expulsos: num caso fumo, noutro o verbo; ambos se portam como se alguém lhes tivesse enfiado um pau a arder num buraco inferior e finalmente ambos estão enfiados num canto.

O forno servirá ainda, depois da revolução, para queimar os cadáveres dos burgueses guilhotinados no Areeiro; As cabeças rolarão Almirante Reis abaixo até ao Martim Moniz, para gáudio da populaça reunida no maior chavascal de sempre, e depois de reunidas serão secas e tratadas segundo os métodos dos Xingu da Amazónia que as tornam mínimas, e aí cada insurrecto usará uma ao pescoço, como acontece em Cuba e em outras ditaduras comunistas como na Suécia ou em Espanha. Já o Paulo será poupado até à quinta-feira seguinte à revolução onde o seu coração será servido durante o jantar do GAIA, durante o famoso ritual secreto inventado pelo Che em que os esquerdistas arrancam e comem o coração dos inimigos.

PS: A pia também já tem nome, rima com bosta.

Publicado por [Party Program] às 08:47 AM | Comentários (14)

maio 14, 2011

Mais um dia, mais um video de bófias a portarem-se como animais

Publicado por [Party Program] às 12:56 AM | Comentários (3)

maio 13, 2011

como se a virgem também não coiso

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Publicado por [Dallas] às 08:54 PM | Comentários (2)

Todos os anos a 13 de Maio na Cova de Iria a Fatucha aparece para enganar os tolos

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Fatucha Superstar – Ópera Rock… Bufa
João Paulo Ferreira
43 min. Portugal 1976
v. o. portuguesa s/ legendas
Cinematografia Gay Portuguesa Anos 70 - Longa Metragem
Embora a sua obra, iniciada em 1975, tenha acabado por focar muito mais fortemente questões políticas e sociais, João Paulo Ferreira realizou esta obra singular, Fatucha Superstar, num registo musical inspirado no Jesus Christ Superstar, de Andrew Lloyd Webber. Com a revolução ainda quente, Ferreira desconstrói aquele que foi um dos grandes alicerces do Estado Novo: as aparições de Nossa Senhora de Fátima.
Se por um lado, Fatucha Superstar é fiel à estética hippie do musical de Webber – e a uma geração portuguesa da altura –, já Fátima, ou Fatucha, é um sofisticado travesti que surge aos três pastorinhos de óculos escuros e descapotável.
O filme abre com imagens de peregrinos em Fátima. Mas apesar desta introdução em registo documental, o que João Paulo Ferreira nos propõe é que revisitemos o mito, contando-nos a sua verdade acerca do mesmo. Num descampado, os três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco dançam em enorme alegria, até que Jacinta (de bigode farfalhudo) tem uma premonição.
Mas é a Francisco que Fatucha aparece. O rapaz imediatamente chama as suas irmãs para com ele testemunharem o estranho fenómeno. Fatucha canta aos pastorinhos, prometendo-lhes sucesso e notoriedade no futuro. Mas Francisco, mais do que inebriado pelas promessas, apaixona-se por esta insinuante mulher, a quem dedica uma canção, em êxtase bucólico: “Eu sinto a minha cabeça à roda, / o peito, espartilho, / não posso esquecer aquela gaja, / que é boa com’ó milho…” Surge então de novo Fatucha, também num solo, prometendo dar início à sua luta, não sem antes consultar Deus, que reage assim à sua proposta: “Mas que grande debochada…” Quando Fatucha surge novamente aos pastorinhos, dá-se início ao milagre, aqui em forma de passos de mágica. Ela faz surgir uma mesa, tira objectos de uma cartola, faz aparecer um sumo de laranja para os refrescar, transfigura Jacinta numa apelativa mulher. Mas algo não corre tão bem. Num passo mal ensaiado, fazdesaparecer Jacinta, levando os seus irmãos a escorraçá-la. Fatucha foge para o carro e a tragédia adivinha-se. Qual Isadora Duncan, o seu véu fica preso à roda. Fatucha parece ter-nos deixado.
A meio desta sua reinterpretação das aparições, João Paulo Ferreira interrompe a narrativa para um insert – anunciado por um efeito de luzes psicadélicas –, que nos remete para o presente. Numa pista de dança, anjos, freiras e Deus, dançam despudoradamente.
As personagens desta fábula entregam-se aos mais terrenos e carnais desejos. Num altar, ao fundo, a substituir a figura religiosa, esse outro objecto de culto bem mais pagão: um enorme falo. No final do filme, novo regresso ao tempo presente. Um grupo de amigos celebra Fatucha. Afinal, ela não morreu.
Numa derradeira homenagem, cantam-lhe em uníssono: “Oh Fatucha Superstar, porque andas tu o povo a enganar. / Oh Fatucha Superstar, olha que ainda te vão lixar”. J.F.

retirado daqui

Publicado por [POKE] às 01:16 AM | Comentários (14)

maio 12, 2011

A manifestação do legalize foi assim...

Publicado por [Saboteur] às 01:03 PM | Comentários (1)

Austeridade - É preciso fazer um desenho?

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A Gui Castro Felga dá a todos o desenho do problema e da solução com a sua arma de distribuição maciça. Indicado especialmente para os que ainda não perceberam.
Para aqueles que já tinham percebido o 'panfleto-brochura para jovens' é também bastante interessante.

Publicado por [POKE] às 02:57 AM | Comentários (8)

maio 11, 2011

Primeiro o bloco negro, a seguir os negros em bloco

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:43 PM | Comentários (3)

RDA FILM FESTIVAL - ROUTE ONE (ROBERT KRAMER - 1989)

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Publicado por [Chuckie Egg] às 11:33 AM | Comentários (1)

Sinais do tempo

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"Na última semana beatificámos um papa, casámos um príncipe, fizemos uma cruzada e matámos um mouro. Bem-vindos à Idade Média!"

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:38 AM | Comentários (2)

maio 10, 2011

adenda:

de acordo com o indymedia os detidos já foram libertados sendo que um deles estará no hospital de S. João por ferimentos causados pela polícia.

Publicado por [Paradise Café] às 12:46 PM | Comentários (1)

Ocupa desalojada hoje de manhã>>>>O Porto aqui tão perto

O movimento Es.Col.A do Alto da Fontinha Espaço Colectivo Autogestionado, que ocupava a antiga escola da Fontinha, no Porto, foi despejado hoje de manhã pela Polícia Municipal com ajuda dos gorilas fardados da Brigada de Intervenção Rápida da PSP.
De acordo com as informações que temos estão neste momento detidas as sete pessoas que se encontravam no interior do espaço quando receberam esta visita com algemas. Apela-se ao pessoal do do Porto para se juntar AGORA à concentração à porta da esquadra do Bom Pastor (ao lado da arca de água) onde estão os detidos.
Falamos de um projecto social num dos bairros mais guetizados da cidade, que tinha por objectivo recuperar aquela antiga escola que fechou portas há cinco anos. O pessoal estava lá há um mês e já tinha dado início a uma vasta recuperação do espaço. Além do óbvio objectivo de recuperar para todxs um espaço da cidade, não deixando às mãos do abandono ou do estado, que tanto podia lá fazer qualquer coisa cultural entre muros ou vender para especulação imobiliária, este movimento queria ainda ajudar à troca não autoritária de saberes, que até já tinha começada com aulas de diversas disciplinas.
É ainda de realçar que muitos moradores do Alto da Fontinha participavam activamente no projecto, quer em assembleias, quer na recuperação do edifício.

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olha para eles a vandalizarem um edifício todo arranjadinho


A polícia, que por lei teria de dar 90 dias para os ocupantes deixarem o local após notificação, o que poderia permitir uma melhor defesa legal ou uma mais eficáz defesa da ocupa, (apesar de ter sido alertada para isso)agiu mais uma vez à margem da lei que tanto apregoa quando quer e, além proceder às detenções,iniciou de imediato o emparedamento do edifício.

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umas escolas valem mais que e outras e isso é perfeitamente natural

Publicado por [Paradise Café] às 12:16 PM | Comentários (3)

maio 09, 2011

Ainda Setúbal

(Agora que há imagens em vídeo não faltará quem diga que os anarquistas são uns privilegiados e que levaram a máquina de vídeo dos papás, não é Paulo?)

*Adenda: foi corrigido um erro ortográfico, obrigado ao anónimo.

Publicado por [POKE] às 10:44 AM | Comentários (19)

maio 08, 2011

rda69 em maio

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Publicado por [Dallas] às 04:43 PM | Comentários (1)

maio 06, 2011

Oportunidades e oportunismo

O aspecto mais significativo do acordo com o FMI é, como disse aliás Teixeira dos Santos, ter-se aproveitado a crise e o empréstimo como «uma oportunidade para fazer reformas estruturais» que há muito eram pedidas pelos sectores mais reaccionários da sociedade.

As privatizações de grandes empresas que dão e darão sempre lucro, como a REN e a EDP, ainda poderão ser defendidas com o argumento de que, como se tem de amortizar rapidamente o empréstimo, é preciso realizar algum dinheiro, custe o que custar (porque não vender o ouro?). Mas e o abandono das Golden Shares numa série de empresas estratégicas? E a revisão da Lei do trabalho para simplificar os despedimentos e diminuir salários?

Já não se trata aqui de meras medidas para aumentar receitas e/ou diminuir despesas, impostas por uma instituição que quer garantias que lhes paguemos o dinheiro emprestado a tempo e horas. São opções políticas de fundo - bastante discutíveis, diga-se de passagem - de quem crê que o caminho para o progresso e o desenvolvimento passa por uma classe trabalhadora mais explorada e menos emancipada e mercados mais desregulados onde os "empreendedores" possam dar largas à sua imaginação.

São opções ideológicas que os partidos que apoiam este acordo têm todo o direito de defender. Mas que o digam claramente nos seus discursos e nos seus programas eleitorais.

Publicado por [Saboteur] às 04:35 PM | Comentários (4)

maio 05, 2011

BE: o eterno ensaio da prática

No jornal online do BE, o esquerda.net, saiu um artigo de opinião de denúncia da repressão policial ocorrida em Setúbal. Sinceramente, não está mau. E perante a brutalidade a que assistimos, toda a solidairedade é pouca. É que pode mesmo calhar a todxs. O que mais estranho é que o próprio Bloco não não tenha emitido nenhum comunicado de repúdio ou tenha pedido quaisquer esclarecimentos sobre o sucedido (que eu saiba).

É ainda interessante que este salto qualitativo nas formas de repressão se tenha iniciado com a manifestção anti-nato, em que o BE, como estrutura (houve militantes e até destcados que deram a cara) mas repito, como estrutura, não só não tenha emitido qualquer comunicado sobre o isolamento da cauda da manifestação, onde estavam os "perigosos anarquistas", como tenha ajudado a esse isolamento marchando rapidamente para facilitar o trabalho da polícia. Não vale a pena dizer que foi sem querer, porque eu ouvi dirigentes do partido a arregimentar gente para andar mais depressa, porque os gajos vão "armar estrilho". Esse trabalho de negligência, da parte do BE (e principlamente o actuante, da parte da GCTP/PCP) ajudou objectivamente a que uma boa parte da manif fosse excluida e dando-se assim carta branca para que centenas de macacos fardados tenham podido fazer tudo o que estava ao seu alcance para criar todas as condições para que ali ocorresse uma valente carga policial.

Repito, toda a solidairedade deve ser bem vinda nestes tempos de repressões multiplas e ninguém deve ou pode ser dono da “identidade” de uma manifestação para aprovar ou desaprovar solidariedades, no entanto, as que só ficam pelo ensaio, sabem a qualquer coisa estranha, parece que fica a faltar qualquer coisa, hummm.. já sei, a prática.

Publicado por [Paradise Café] às 03:32 PM | Comentários (16)

Os Profissionais de Comunicação Social

Os mesmos jornalistas que estarão no 3 de Junho a fazer um balanço negativo da campanha eleitoral, dizendo que ela foi mais centrada em "tricas" do que "nos verdadeiros problemas do país", são os que agora, no fim de uma conferência de imprensa onde Teixeira dos Santos detalhou o programa do FMI, só sabem perguntar coisas do tipo "não sente que o seu trabalho não foi em vão uma vez que não está nas listas de deputados?" ou "acha que vai ser o Ministro das Finanças que vai colocar em prática este acordo?"

Publicado por [Saboteur] às 10:41 AM | Comentários (3)

maio 04, 2011

Marcha Global da Marijuana é este Sábado

Publicado por [Saboteur] às 03:51 PM | Comentários (3)

maio 03, 2011

Ainda Setúbal.

O comunicado do colectivo que convocou a manif e depois um relato desta.

"{ Terra Livre } Comunicado (para demonstrar o ridículo das mentiras da) Imprensa
Enviado a 3 Maio 2011, por { Terra Livre }

Somos um colectivo Anarquista da cidade de Setúbal que convocou e organizou a manifestação do 1º de Maio Anti-capitalista e Anti-autoritário.

O nosso nome é “Terra Livre” e não “Rebeldes e Organizados”. O nome “Terra Livre” poderá ser visto nos cerca de 5000 panfletos e 1000 cartazes distribuídos e colados por todo o distrito de Setúbal a convocar o protesto. “Rebeldes e Organizados” era um dos escritos da faixa que levávamos à frente e que foi errónea ou propositadamente interpretado por gente de vistas curtas como o nome do grupo inteiro da manifestação. A frase completa era aliás “ Rebeldes e organizados, nós damos-lhes a crise ”

A manifestação não era legal nem ilegal: era uma manifestação pública convocada há cerca de um mês e que todos tinham conhecimento incluindo a Polícia, o Governo-Civil e Câmara Municipal. A prova disso foi a vigilância ostensiva das forças repressivas sob a manifestação. Se é uma questão de preguiça que fez com que os membros do governo civil não quisessem ter conhecimento da iniciativa não é problema nosso mas deles. São eles que, sendo pagos com o dinheiro roubado ao nosso trabalho sob forma de impostos, trabalham para nós. Não é suposto ser o contrário, mas se fôr, aproveitamos para dizer: Senhor Governador, está despedido!

Participaram vários grupos organizados e muita gente a título individual. Da Associação Internacional dos Trabalhadores- Secção Portuguesa à Plataforma Anti-Guerra e Anti-Nato. Durante o percurso foram distribuídos centenas de panfletos vindos de diferentes grupos e indivíduos participantes.

A concentração começou na hora e local previamente anunciado: às 13:00, no Largo da Misericórdia e não ás 15:00 no Quebedo, local de encontro da CGTP. Mais uma vez, a miopia dos jornalistas distorce os factos.

Percorremos a zona do miradouro até nos juntarmos à cauda da manifestação da CGTP. Aí fomos barrados por 5 ou 6 inúteis agentes da PSP.

A polícia (Equipa de Intervenção Rápida) aparentemente chefiada por um tal de Fernando Rosas (não estamos certos dos nomes porque os agentes não tinham placas de identificação) manteve durante esse tempo uma atitude de carneirinhos mansos.

Era óbvio para a polícia que eles não tinham força para reprimir nada. Era óbvio para todos que as motivações expressas no texto de convocatória da manifestação (que duvidamos que algum jornalista tenha lido) aliada à nossa vontade de nos manifestarmos foram as razões pelas quais esses cobardes não tivessem logo ali levado o enxerto que mereciam.

Fomos SEMPRE saudados pelo resto da população de Setúbal que não se juntou ao protesto e que iam, muito mais que os integrantes da manifestação, dirigindo os seus insultos aquele bando de cobardes em uniforme que a todos nos agride diariamente mas não é capaz de prender um só banqueiro. Sabemos bem que a polícia se lembra desses insultos da população de Setúbal.

Durante o trajecto foram utilizados por diversos manifestantes tochas de sinalização náutica, fogo de artificio apto para uso particular e alguns petardos de baixa intensidade. Outros expressaram a sua raiva pintando frases combativas nas fachadas de alguns bancos, entre outros locais, e uma loja de automóveis de luxo.

Não houve uma montra partida (como demonstra o próprio comunicado da PSP) nem armas de fogo nas mãos dos manifestantes. Isso são as habituais tácticas de difamação que os cobardes e mentirosos costumam utilizar, para justificar o injustificável.

Chegados à Fonte Nova, e uma vez mais saudados pelos habitantes e comerciantes, era nosso desejo assentar arraial no Largo tendo para um efeito um carro de som que tocava, entre outros, Zeca Afonso, Grupo os Galés e canções anarquistas.

E é aqui que, sem qualquer aviso da parte da polícia ou provocação da nossa parte, começa o infame e brutal ataque desses cobardes em uniforme que agora se sentiam muito homenzinhos por terem armas na mão. Sobre este ataque contra todos os manifestantes e muitos residentes da área poderão ler a nossa descrição dos factos e acontecimentos

Nesse momento, num acto de dignidade e coragem do qual não temos nada a lamentar, defendemo-nos com o que tínhamos à mão. Repetimos: não fomos para um confronto, mas sim para uma manifestação e se desejássemos o confronto já o teríamos provocado quando esses cobardes se estavam a borrar nas calças.

Defendemo-nos arremessando pedras da calçada e garrafas para manter a polícia à distância e desmontando uma esplanada de um restaurante que utilizamos como barricada e escudos protectores. No momento, enquanto decorria a batalha, responsabilizá-mo-nos perante os donos do restaurante pelos prejuízos e no dia seguinte honrámos o compromisso.

Todos os outros destroços, incluindo uma carrinha de um restaurante no largo, foram provocados pela polícia.

Os que quiserem confirmar estes factos bastar-lhes-á falar com as pessoas envolvidas, nomeadamente residentes das zonas nas quais a manifestação passou e proprietários dos restaurantes.

A nossa necessidade de refutar as mentiras e difamações divulgadas pela polícia e amplificadas pelos media acriticamente fica resolvida aqui. Todo o ruído que se espalhou pelos media e Internet é o trabalho de provocadores que, venham da esquerda ou da direita, se habituaram a ver na auto-organização popular e na rebeldia anti-autoritária o seu inimigo número um.

O nosso inimigo número um é o medo que nos tentam impor e aqueles que o criam.
Na Fonte Nova e em Setúbal ficaram as sementes da coragem que quisemos propagar neste 1º de Maio.

3 de Maio de 2011, Setúbal cidade rebelde

{ Terra Livre }

www.terralivre.net/blog"


"Relato da Manifestação Anti-capitalista e Anti-autoritária do 1º Maio e dos incidentes na Fonte Nova.
Enviado a 3 Maio 2011, por { Terra Livre }

A manifestação concentrou-se por volta das 13:00h no Largo da misericórdia em Setúbal e por volta das 14:00h eram já cerca de 100 os participantes.

Colocaram-se faixas e bandeiras a toda a volta do Largo e ligou-se o sistema de som para se lerem panfletos, comunicados e se ouvir música.

A chuva começou a cair mais ou menos ao mesmo tempo em que chega uma panela de sopa para ser distribuída a toda a gente que estava no largo.

Perto das 15:00 começaram-se a levantar as faixas para compor a manifestação, foi lançado algum fogo de artificio e arranca-se a passo lento pela rua Arronches Junqueiro em direcção ao miradouro das fontainhas.

Durante a permanência no Largo da misericórdia a carrinha da Equipa de Intervenção Rápida da PSP rondou variadíssimas vezes o Largo da Misericórdia sem nunca nele entrar.

Chegada ao miradouro, em frente ao Museu do Trabalho, a manifestação parou para novamente se lerem comunicados, lançar mais fogo de artifício e desceu pela Rua Doutor Vicente José Carvalho circundando o jardim dos Palhais

Neste ponto a manifestação pôde passar pelo túnel do Quebedo já que o trânsito se encontrava aqui cortado devido à manifestação da CGTP convocada para o jardim do outro lado da linha

No outro lado do túnel uma carrinha da EIR da PSP, bem como cerca de 6 elementos da mesma força policial, cortava a passagem na estrada impedindo a manifestação de se juntar à cauda do desfile da CGTP. Esta linha policial, feita especialmente para nos separar da concentração da intersindical e do contacto com pessoas na mesma e na rua, permaneceu numa atitude provocadora durante toda a avenida 5 de Outubro.

Em frente à sede do PCP no edifício Arrábida encontravam-se vários indivíduos com postura agressiva, eventualmente polícias à paisana, eventualmente grupo de ordem do PC.

A manifestação seguiu sob acompanhamento policial até à Avenida 22 de Dezembro e virou então à direita para a Avenida dos Combatentes

Aqui, os elementos policiais deixaram de acompanhar a manifestação e esta seguiu no mesmo tom combativo e passo lento até ao fim da Avenida, virou à esquerda e avançou até à rotunda frente ao largo José Afonso. A ausência da polícia nada alterou no espírito ou actividade da manifestação.

A partir daqui seguiu pela Avenida Luisa Tody até entrar no Bairro da Anunciada pelo largo da Palmeira onde parou para mais uns inócuos fogos de artifício antes de fazer, sob cânticos e frases de ordem, a rua Vasco da Gama até ao largo da Fonte Nova.

Chegados a esse ponto final as faixas foram colocadas no chão e estava novamente a chegar comida para ser distribuída no Largo para quem quisesse. Terminava aí a manifestação.

Passados cerca de 10 minutos, um carro patrulha da PSP aproximou-se de um automóvel que transportava o sistema de som que já havia estado no início da manifestação no Largo da Misericórdia. Os agentes dirigiram-se a alguns indivíduos que estavam junto a esse automóvel exigindo que se diminuísse o volume. O volume foi diminuído. Seguidamente tentaram descobrir alguém que fosse responsável pela manifestação ou seu porta-voz, tentativa esta que, devido à natureza da convocatória, seria à partida impossível.
Os agentes pediram então a um indivíduo que se identificasse passando instantaneamente para a tentativa de detenção. Esta detenção, completamente aleatória e injustificada, foi questionada por manifestantes nesse local e consequentemente impedida.

Na mesma altura chega uma carrinha de intervenção vinda da Rua Vasco da Game de onde saem vários agentes armados com shotguns que, sem qualquer ordem de dispersão, iniciaram prontamente disparos de balas de borracha em todas as direcções. Literalmente.
Esta actuação, acompanhada da utilização de gás lacrimogéneo e bastões fez com que logo nesse local dezenas de pessoas fossem feridas com maior ou menor gravidade. Muitas conseguiram-se defender e manter a polícia à distância. Alguns dos residentes e comerciantes também se insurgiram contra a violência policial o que resultou, na maioria das situações, na agressão gratuita da polícia.

Os manifestantes dispersaram pelas ruas da Fonte Nova e a polícia reorganizou-se em torno do Bairro esperando que estes de lá saíssem. Hesitaram muitas vezes e tiveram medo que o conflicto se generalizasse visto muitos dos habitantes estarem visivelmente enojados com a situação totalmente criada pelas forças policiais. A polícia inicia a partir daqui uma caça com motas , carros, carrinhas e jipes pelo bairro do Montalvão e centro da cidade, realizando uma nova carga no túnel da Rua Frei António das Chagas e nas Pracetas do Montalvão onde foram novamente disparadas balas de borracha indiscriminadamente contra dezenas de pessoas.

Depois foi preciso dar assistência aos feridos, encontrar os desaparecidos, cancelar o trabalho do dia seguinte ou ir trabalhar todo amachucado, reunir relatos e cruzar os dados.

No total e contrariamente ao que a polícia e os jornais afirmam, registou-se:

- Com toda a certeza 12 detenções para efeitos de identificação, eventualmente mais.

- Espancamentos aos detidos durante e depois do transporte para a esquadra.

- Um espancamento realizado por meia dúzia de agentes contra um isolado e tombado manifestante aos gritos de «atira lá pedras agora»… A já famosa cobardia da polícia.

- 4 a 5 tiros de fogo real.

- Um número impossível de determinar mas em todos os casos elevado de disparos de «balas de borracha» ( houve cartuchos recolhidos pelos manifestantes, pelo cordão da polícia para recolher cartuchos e mais tarde ainda cartuchos recolhidos pelos habitantes)

- As ordens policiais mandadas para o Hospital no sentido de identificar e denunciar pessoas que entrassem feridas, nomeadamente aquelas «com ferimentos de bala»

- Cerca de 30 feridos sendo que a maioria foi tratada por vizinhos e integrantes da manifestação

- A entrada no hospital de dois polícias com dores nas costas e ombro, mas sem quaisquer ferimentos

- Outras tantas histórias não registadas de abusos e violência, tal como acontece todos os dias de Norte a Sul do país pelas mãos criminosas da polícia.

3 de Maio 2011

{ Terra Livre }

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Publicado por [Party Program] às 08:34 AM | Comentários (8)

maio 02, 2011

Ontem e hoje, o mesmo périplo, o mesmo acolhimento…


Estávamos nos anos 1960 e início dos anos 70, quando milhares de portugueses percorriam todo o país para se livrarem, não sem resistência, às balas reais dos « carabineros » da Espanha Franquista na fronteira luso-espanhola. Aí, começavam um trajecto turtuoso para fugirem à miséria salazarista e aos comandos colonialistas que em Africa mandavam matar. A etapa seguinte seria a travessia dos Pirinéus. Com altos e baixos, se uns preferiam ficar ali por perto, a grande parte tinha como destino final Paris. Chegados à Gare d’Austerlitz, com um pedaço de papel, dois três endereços gatafunhados, mostravam a um taxista que na madrugada escolhia o trajecto mais longo. A manhã acordava, enquanto que os novos vindouros acordavam para a realidade dos bairros de lata nas portas parisienses.
Quarenta/cinquenta anos mais tarde estamos na Africa do Norte, quando milhares de magrebinos percorrem os seus países para se livrarem, não sem resistência, à barbaridade das forças fronteiriças europeias, que ao testemunharem os barcos irem ao fundo com uma tripulação inumerável, sugerem pela sua atitude : « menos uns quantos ». Para aqueles que não se ficaram pelo Mediterrâneo, aí, começa uma peregrinação para fugirem a décadas de néo-colonialismo encabeçadas por ditadores colonizados. Incrédulos, os europeus perguntam, então, não ficam para lutar pela democracia nos vossos países ? Ahhh, non : As revoluções podem abrir portas a longo termo, mas não consolam a fome a curto termo. Aqueles que chegam a bom porto, dão-se conta rapidamente que o pesadelo ainda não acabou, porque afinal chegaram a um mau porto : Lampedusa… mas incansáveis, têm ainda dois obstaculos a superar, a chegada ao continente e a fronteira italo-francesa.
Escrever no passado e no presente, é logicamente diferente. Flutuamos entre um discurso construído sobre a experiência vivida no passado, e um discurso sobre uma experiência vivida hoje e agora. Um fio condutor mete, no entanto, em relação estas duas experiências : as políticas paradoxais que o país onde eles desejam vender a sua força juvenil lhes reserva. Políticas que se servem da fragilidade e vulnerabilidade da situação de irregularidade destas pessoas para melhor explorar. Políticas que marcaram indelevelmente as vidas dos portugueses que vieram a « salto » para França, vividas muitas vezes em silêncio, e que hoje, testemunhei, irão marcar a vida destes jovens.
Ontem bidonvilles, hoje squattes… onde os novos vindouros tentam organizar-se paralelamente à solidariedade. A decisão a tomar hoje ao fim da tarde em assembleia, e que engendrou uma grande celeuma, é complexa. As autoridades locais propõem aos « tunisinos de lampedusa » que ocupam o 51 Av Simon Bolivar em Paris albergar 80 pessoas hoje à noite por grupos em locais diferentes, e amanhã uns tantos outros. Escaldados como estamos, sabemos que a divisão serve o reino. Sabemos, que dispersos é mais fácil metê-los num avião.
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Publicado por [Shift] às 10:38 PM | Comentários (2)

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Publicado por [Rick Dangerous] às 07:15 PM | Comentários (1)

Sobre a repressão policial em Setúbla aos manifestantes do 1º de Maio

Vale a pena ler este relato do Ricardo, que esteve entre os cidadãos que foram vitimas da violência da polícia.

Só ficaria bem à PSP, para salvar a face, abrir processos disciplinares aos polícias que não entendem o significado de Liberdade de Expressão ou sequer de Estado de Direito Democrático. Em vez disso, preferem a estratégia do Mubarak ou do Kadfi. Traços de terceiro mundismo que devem envergonhar toda a gente.

Estive ontem em Setúbal e pude testemunhar pessoalmente (e até de bastante próximo) os acontecimentos no bairro da Fonte Nova. Para não variar, a PSP está a fabricar novamente uma versão à sua conveniência, somando vários pontos ao seu conto, de maneira a transformar a sua violência repressiva num gesto de defesa dos cidadãos.

A primeira coisa que deve ser destacada é que a manifestação - cerca de centena e meia de pessoas - percorreu toda a cidade sem qualquer incidente, sendo apoiada e saudada por vários setubalenses pelos quais passou e que receberam com interesse os panfletos distribuídos. Apesar de não ser acompanhada por qualquer agente da polícia, todos os automobilistas foram pacientes e respeitadores do direito de manifestação, aguardando enquanto o cortejo passava e demonstrando por vezes o seu apoio às palavras de ordem e às faixas. O mesmo aconteceu com os vários proprietários de restaurantes e cafés localizados no bairro da Fonte Nova, inclusive os que estavam no largo onde tudo viria a acontecer.

A segunda coisa que deve ser destacada é que a manifestação coincidiu com a da CGTP em parte do percurso, aguardando que o desfile sindical passasse para assumir posição na sua cauda. Cada um dos cortejos gritou as suas palavras de ordem (que eram, naturalmente, muito diferentes) sem qualquer tipo de incidente ou hostilidade a assinalar.

Após algumas centenas de metros na cauda da manifestação da CGTP, da qual estava separada apenas por um cordão de agentes da PSP (cerca de 5), a manifestação anti-autoritária seguiu um rumo diferente, em direcção ao bairro da Fonte Nova, uma das zonas da cidade mais carregadas de memória histórica pelas lutas operárias de vários anos. Mais uma vez, e apesar de não haver qualquer agente da PSP nas imediações, a manifestação prosseguiu o seu rumo pacífico e combativo, gritando palavras de ordem e comunicando com a população e os transeuntes. Após cerca de duas horas, chegou ao Largo da Fonte Nova, onde foi ligada uma aparelhagem sonora na parte de trás de um carro. Tocava Zeca Afonso.

O pessoal dispersou pelo largo e pelas ruas à volta, a conviver. Não houve qualquer dano a qualquer tipo de propriedade, nenhum conflito com os moradores. Aliás, não chegámos a estar ali mais do que vinte minutos.
Chegou um carro com dois polícias (talvez fossem mais, mas só dois se aproximaram), que solicitaram que o volume fosse reduzido, o que aconteceu. Na conversa que se seguiu, enquanto um dos polícias pediu a uma das pessoas que estava junto do carro que se identificasse, o outro começou a ordenar às outras pessoas que se afastassem. Quando a pessoa que estava junto do carro respondeu que não tinha identificação, o agente em questão imediatamente a agarrou e lhe disse que tinha de ir à esquadra.

Quem estava à volta teve apenas tempo para se aproximar para perguntar o que se passava, uma vez que no espaço de 30 segundo chegou uma carrinha, de onde saíram meia dúzia de agentes que começaram a disparar tiros de caçadeira. Repito, chegaram a alta velocidade, pararam, saíram e dispararam. Várias pessoas foram atingidas pelo que se veio a revelar serem tiros de borracha (aqueles mesmos que tiraram um olho a um adepto do Benfica há duas semanas). Foram disparados para o ar tiros de pistola de fogo real.

Começaram a chegar vários carros da PSP, enquanto os agentes no local aproveitaram a surpresa para isolar cerca de 3 ou 4 manifestantes (o primeiro, que não tinha identificação, e mais alguns que se aproximaram ), começaram a espancá-los no chão e a atirar-lhes gás pimenta para os olhos. Perante este cenário, os restantes manifestantes avançaram, puxaram os que estavam a ser espancados, defenderam-se da melhor maneira possível e recuaram para o outro lado do Largo. Quando a polícia resolveu continuar a investida, foi recebida por uma chuva de pedras e garrafas. Alguns manifestantes pegaram em chapéus e mesas de uma esplanada vizinha, para se defenderem. Um carro da PSP que chegou a alta velocidade foi embater numa carrinha de um morador/comerciante que ali estava estacionada, danificando-a. Para trás ficou o indivíduo que vem aparecendo em várias fotografias e que quase ninguém conhecia. Várias testemunhas afirmam que ele foi baleado no chão com uma caçadeira, quando já estava detido pela polícia.

O resto da manifestação dispersou em pequenos grupos, que foram literalmente "caçados" pelas ruas de Setúbal, onde continuaram a ser disparados tiros de borracha e efectuadas detenções com grande aparato, para estupefacção da população que passava e assistia a polícias sem identificação que ameaçavam, insultavam e empurravam todos os que tinham um ar suspeito. A senhora da PSP que parecia coordenar as operações deu indicações pela rádio segundo as quais deveriam ser detidas todas as pessoas que usassem "roupa preta" ou tivessem um "aspecto esquisito". Alguns manifestantes foram detidos dentro de cafés e metodicamente espancados dentro da carrinha antes de serem conduzidos à esquadra.

Testemunhei tudo o que relato em pessoa, com excepção do que aconteceu após a carga inicial, quando toda a gente dispersou em pequenos grupos pela cidade. Pude em todo o caso ver as marcas deixadas pela PSP nos corpos de vários manifestantes (e não só, muitos moradores também apanharam simplesmente por terem vindo à rua tentar acalmar a polícia) e cruzar diversos relatos e versões que se confirmam mutuamente.

A polícia mente quando afirma que foi recebida à pedrada e mente de forma descarada quando refere comportamentos impróprios por parte dos manifestantes. Tal como no 25 de Abril de 2007 fomos premiados com a notícia de montras estragadas e cocktails molotovs que ninguém chegou a ver, no 1º de Maio de 2011 a PSP procura inverter as responsabilidades pelos acontecimentos, escrevendo um romance policial de escassa qualidade.

Tornou-se um hábito a polícia responder com bastonadas às ideias que considera perigosas e subversivas. Que tenha passado às balas demonstra apenas a sua desesperada lucidez. Nos conturbados tempos que correm - quando se prepara um gigantesco roubo organizado aos trabalhadores e aos pobres a pretexto da crise - até os mais pequenos gestos de revolta e recusa podem assumir proporções inesperadas. Sem legitimidade nem representatividade nem soberania, o Estado português demonstra que lhe resta apenas um aparelho de violência para lançar sobre os que se organizam para lutar. Cem anos depois dos tiros da GNR sobre operárias grevistas, naquelas mesmas ruas de Setúbal, a oligarquia que governa demonstra não ter aprendido nada nem esquecido nada. O que se passou naquelas ruas tem como alvo todos aqueles que não aceitam submeter-se e resignar-se perante a escandalosa jogada mafiosa da classe dominante portuguesa. Todos os que dizem não. Todos os que se cansaram de assistir ao jogo e decidiram começar a jogar.

Publicado por [Saboteur] às 06:49 PM | Comentários (9)

Próximo Sábado

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A Marcha partirá do Largo do Rato às 16 horas e fará o seu percurso habitual até ao Largo Camões. A concentração terá início pelas 15h, no Jardim das Amoreiras.

Publicado por [Saboteur] às 04:37 PM | Comentários (2)

AMERICA - FUCK YEAH!

http://www.nytimes.com/2011/05/02/world/asia/osama-bin-laden-is-killed.html?hp

Publicado por [Party Program] às 06:31 AM | Comentários (3)

maio 01, 2011

Violenta Carga Polícial no 1º De Maio Anticapitalista em Setúbal

As notícias ainda são escassas mas a polícia carregou violentamente na manifestação do 1' Maio em Setúbal, tendo o corpo de intervenção saido de uma carrinha a disparar balas de borrachas e utilizando gás-pimenta, havendo vários relatos de feridos que foram alvejados pela polícia.

Mais dois relatos retirados do Indymedia:


O que eu vi e sei
Enviado por Anónim@ (não verificado) em Dom, 01/05/2011 - 22:31

Participei na manifestação que foi pacifica durante todo o percurso. Quando chegámos ao fim, num praça de Setúbal a policia carregou por razões que na altura não entendi. (Mais tarde algumas pessoas afirmaram que um policia tinha referido que durante a manifestação alguém teria pintado graffitis em algumas montras e paredes). Seja verdade ou não, nada justificava a violência gratuita contra pessoas desarmadas que pacificamente conversavam. A população local imediatamente mostrou o seu apoio e indignação pela brutalidade policial. Posso também confirmar que foram disparadas balas de borracha e tiros de bala real (para o ar). Quanto a feridos só posso colocar o meu testemunho da marca que tenho no pescoço de uma bala de borracha, de uma outra amiga atingida nas costas (que me relatou ter estado com um jovem que sangrava da cabeça, de um outro que foi atingido na garganta, ainda outro vitima do gás pimenta) e o único que vi ser detido que tinha os dois joelhos em sangue.
Não sei se este ultimo jovem ainda se encontra detido ou se foi, como deveria ter sido, conduzido ao hospital.
O que fica de tudo isto é a indignação pelo sucedido de quem participou e de quem assistiu e a certeza que toda a violência a que assistimos não passou de mais um acto de repressão para silenciar aqueles que contestam esta sociedade capitalista e de defesa dos que vivem anafadamente à custa da pobreza e precariedade de milhões.


Durante o percurso não houve
Enviado por Anónim@ (não verificado) em Dom, 01/05/2011 - 20:48

Durante o percurso não houve qualquer tipo de violência nem da parte da manifestação nem da polícia. na praça onde nos juntámos no final da manifestação chegou um carro de polícia que levava 3 ou 4 polícias pacatamente pediram para acabar para com a música. trocas de palavras durante 2 ou 3 minutos entre polícias e algumas pessoas. chegou uma carrinha com corpo de intervenção e foi tudo. tiros verdadeiros para o ar. balas de borracha para todo o lado. bastonadas. gas pimenta. e muita canalhice da parte da bófia. as pessoas que estavam na praça limitaram-se a defender. há muitas testemunhas que estavam na praça e no bairro. é fixe que se entre desde já em contacto com elas para nos defendermos em tribunal e não deixar que esta merda fica por um bando de malucos que tiveram um desacato com a polícia. nós vamos ver mais e mais repressão desta. O fmi ou o pec ou o que for vai dar aso a mais e mais merda desta acontecer. precisamos do máximo de testemunhas que estavam na manifestação ou que estavam em casa ou na rua e viram o que aconteceu.

Fotos encontradas no facebook. As feridas no joelho do manifestante são dos disparos dos porcos.

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Ainda outro artigo no indymedia:

Como sempre sucede nestas coisas a polícia acompanhou, em Setúbal, cerca de 200 manifestantes anticapitalistas procurando sobretudo, que não se misturassem com os manifestantes enquadrados pela CGTP; o que aliás constitui vontade da direção da CGTP, desde há muito. Um modelo que, ampliado se havia já visto na Avenida da Liberdade, em Novembro, durante os protestos contra a cimeira da NATO.

Quando os anticapitalistas deram por terminado o seu protesto no Largo da Fonte Nova, pousaram as suas faixas no chão e ficaram por ali a conversar. Muito rapidamente surgiu uma carrinha de onde saiu um grupo de polícias que investiram contra um carro que havia participado no protesto e, em seguida iniciaram a agressão dos presentes. Houve disparos de balas de borracha que feriram algumas pessoas e tiros de pistola para o ar; foram recolhidos pelos manifestantes os cartuxos das balas – de borracha e reais. Pior foi a situação de um dos agredidos a quem a polícia disparou – BALA REAL – sobre ambos os joelhos, que ficaram esfacelados e a escorrer sangue. Em seguida o ferido foi levado pelos brutos.

Em Novembro, os manifestantes na Avenida da Liberdade foram objecto apenas de coação e cerco por dois cordões de polícia mas, não foram agredidos pois estavam sob observação da imprensa internacional e doméstica. A polícia terá acumulado adrenalina desde então e decidiu mostrar os dentes para esclarecer que está pronta e preparada para reprimir selvaticamente quem se manifestar contra o desemprego, a precariedade e as ordens emanadas do sistema financeiro, do FMI, da Comissão Europeia a aplicar pelo miserável PS/PSD.

É justo que se apontem responsabilidades também à direção da CGTP, incapaz de conviver com as diferenças de pontos de vista, com a democracia no seio das “suas” manifestações, já que não quer entender que a unidade dos trabalhadores não pode ter dono. Impedindo a presença de opiniões distintas, a CGTP divide os trabalhadores, o protesto social e, facilita o isolamento de elementos mais radicais, oferecendo vítimas fáceis para a brutalidade policial. Uma vez mais, uma situação já registada em Novembro, na Avenida e nas semanas anteriores.

Pormenor curioso foi observado na distribuição de panfletos da PAGAN a um grupo de bombeiros músicos, que se achavam recolhidos da chuva debaixo de um toldo, depois de actuaram na manifestação da CGTP. O chefe da banda decidiu proibir essa distribuição aos músicos, no que não foi, naturalmente, obedecido por quem distribuia os papéis. Pela idade desse chefe, não terá sido da pide nem da legião salazarista; mas achamos que ele terá pena do atraso do seu nascimento.

Hoje em Setúbal, amanhã noutro local de protesto contra a ordem neoliberal. Hoje foram manifestantes anticapitalistas, amanhã poderá ser a tua vez, mesmo que desfiles nas procissões da CGTP.

Actualizações retiradas do indymedia:

"Um manifestante que enfrentou a polícia foi baleado em ambos os joelhos, pensa-se que com balas de borracha, embora fossem utilizadas armas reais. Testemunhas recolheram fotos e cápsulas de balas reais. O manifestante foi preso, tendo sido accionado imediatamente contacto com advogado. Inúmeras pessoas foram feridas seja pela utilização de cassetetes seja pela utilização de gás lacrimogéneo e balas de borracha a pequena distância. Os polícias atiravam sobre garrafas vazias de modo aos estilhaços atingirem os manifestantes. Pequenos grupos em fuga foram perseguidos tendo sido atiradas balas de borracha que atingiam com gravidade, nalguns casos os manifestantes. De referir a colaboração solidãria da população que recolheu em suas casas alguns dos feridos com gravidade. A polícia barrou o final da manifestação e iniciou a repressão. Muitas pessoas atingidas no pescoço e muitas nas costas e abdomen.
O que se assistiu em Setúbal foi uma tentativa de impôr um terrorismo policial perante uma manifestação pujante, plena de revolta perante uma situação insustentável: o ataque capitalista e a ingerência do FMI em Portugal.
SOMOS LIVRES, SÂO ELES QUE TÊM MEDO DE NÓS!
A sua repressão só aumentará a nossa revolta!"

"Para variar, a cobardia dos que vão com armas..

A polícia, em número inferior e a borrarem-se nas calças durante todo o percurso, aproveitou o momento final, de descanso e comida, para cobardemente atacar alguns individuos relativamente isolados. A justificação: música alta, e a não identificação de alguns companheiros.

Com gáz pimenta, shotguns de balas de borracha e PISTOLAS DE FOGO REAL, tentaram durante 10 minutos evacuar o Largo da Fonte Nova, local final da manifestação. A auto-defesa dos manifestantes evitou mais detenções, e conseguiu travar o ataque inicial, até à chegada dos reforços políciais. Não foram só os manifestantes que sofreram a repressão, foram também muitos dos residentes da zona da Fonte Nova.

O apoio e ajuda dalguns desses residentes, evitou também desastres de maior.

FERIDOS
Há um sem-número de feridos, ligeiros e GRAVES. Um dos manifestantes levou dezenas de tiros de shotgun, alguns disparados a menos de 1 metro de distância.
Ainda não há informações sobre esta pessoa.

DETIDOS
Houve pessoas detidas, mas aparentemente já saíram. Existem ainda alguns desparecidos, mas a polícia NEGA ainda existirem detidos. Se alguém não consegue contactar algum amig@ ou conhecid@, que deixa aqui o relato SEM NOMES OU OUTRA INFORMAÇÃO IMPORTANTE."

Publicado por [Party Program] às 05:40 PM | Comentários (107)

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Publicado por [Shift] às 08:43 AM | Comentários (2)