« dezembro 2010 | Entrada | fevereiro 2011 »

janeiro 30, 2011

Se não puder dançar, esta não é a minha revolução

Publicado por [Manic Miner] às 01:55 PM | Comentários (1)

A misogenia da violência revolucionária

A/C Daniel Oliveira
oliveira.jpg
Women of Egypt
Tunisie : l'héroïsme ordinaire des femmes

Publicado por [R-Type] às 12:59 PM | Comentários (5)

janeiro 29, 2011

deolinda

obrigado ao venus like a boy.

Publicado por [Renegade] às 09:29 PM | Comentários (1)

Amanhã tu

"HOJE BATTISTI, AMANHÃ TU" from Passa Palavra on Vimeo.

Sobre o caso de Cesare Battisti, ir aqui.

Publicado por [Dallas] às 11:13 AM | Comentários (2)

janeiro 28, 2011

duas margens, a mesma luta?

mediterraneo-mapa.jpg

mediterraneo-mapa.jpg

Publicado por [Renegade] às 08:53 PM | Comentários (5)

We always have a lot of fun with this one

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:39 PM | Comentários (1)

Aulas de equitação?

machuca.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:02 PM | Comentários (2)

Talk low, talk slow, and don't talk too much

ANONYMOUS-PRESS-RELEASE_26-01-2011.jpg
Carta aberta de Anonymous - 26/01/2010

NetEgipto.jpg
Resposta do Governo, 27/01/2010

Publicado por [Chuckie Egg] às 09:39 AM | Comentários (4)

janeiro 27, 2011

Cá como lá, o caminho passa pela nacionalização da banca

Publicado por [Saboteur] às 10:27 PM | Comentários (2)

janeiro 26, 2011

lendas da cleptocracia lusitana - 1

CORRUP~1.GIF

Eu peço desculpa por fazer aqui um link para o DN mas tem mesmo de ser.
Esta notícia é inacreditável. Um grupelho presidentes de câmara e outros cleptoautarcas (que por sinal nem ficamos a saber quem são depois de lida a notícia) abotoou-se com (pelo menos) 25 milhões de euros através de uma associação de municípios e desenvolvimento regional que não apresentou contas durante 4 anos e apesar disso foi considerada de utilidade pública pelo Governo. Não há rasto dos "projectos" que desenvolveram. Ainda se permitem falar para os jornais como se de nada fosse.
Sérios candidatos ao prémio Lendas da Cleptocracia Lusitana.

Publicado por [Renegade] às 08:17 PM | Comentários (6)

Walk like an egiptian

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:03 PM | Comentários (2)

janeiro 25, 2011

Mesmo sem eleições ganhas à esquerda... andam por aí umas inssureições a vir

1470435_3_6c89_des-egyptiens-s-opposent-a-la-police.jpg

Depois da Tunísia rebentou, hoje, a revolta no Egipto. A contestação parece para já laica, muito particpiada e nada meiguinha (mas ainda há muito pouca informação, afinal foi há poucas horas que tudo começou).

Publicado por [Paradise Café] às 03:09 PM | Comentários (3)

janeiro 24, 2011

Inconsolável.

"Ya see this? This is the world's smallest violin playin just for the waitresses portuguese left " -Mr. Pink from Reservoir Dogs

Publicado por [Party Program] às 11:33 PM | Comentários (1)

Pessoal que fez da abstenção uma barricada


Em quatro localidades, a votação foi adiada para terça-feira. Nas freguesias do Muro, no concelho da Trofa, Vila Nova de Mansarros, na Anadia, e em Serpins, na Lousã, as mesas de voto não foram constituídas, fez saber a Comissão Nacional de Eleições, pelo que o voto vai ser repetido daqui a dois dias.
O local de voto de Serpins, numa escola básica, foi encerrado a cadeado, em demonstração do descontentamento da população pela suspensão das obras do Metro Mondego. Ainda de manhã, o Governo Civil de Coimbra decidiu adiar a votação para a próxima terça-feira E na Junta de Freguesia de Vila Nova, em Miranda do Corvo, as urnas abriram, mas ninguém tinha votado até meio da manhã, também em protesto contra o encerramento das obras ferroviárias. As urnas na freguesia do Muro não abriram por falta de comparência dos elementos da assembleia de voto das duas mesas, como forma de protesto pelo atraso nas obras do metro.
Em Enxabarda, no concelho do Fundão, as mesas de voto abriram com cerca de duas horas de atraso, depois de a população ter encerrado as instalações do centro cultural onde está instalada a única mesa de voto da aldeia. A entrada nas instalações esteve bloqueada com duas tábuas, uma chave foi partida na fechadura.
Na Fuseta, em Olhão, os pescadores, que tinham apelado, sem sucesso, a um boicote eleitoral, manifestaram-se em frente à única secção de voto da freguesia. A votação decorreu normalmente, apesar de alguns pescadores empunharem cartazes a reivindicar uma barra fixa na aldeia e dirigindo palavras de desagrado aos eleitores.
Noutras freguesias do país, apesar de as urnas estarem abertas, as populações decidiram não comparecer.
Foi o caso da freguesia de Gralheira, em Cinfães. E de Granho, em Salvaterra de Magos, onde a população já tinha anunciado que não ia votar, num gesto colectivo de protesto pela ausência de médico na extensão de saúde local.

Boicotes e protestos multiplicaram-se de Norte a Sul

Publicado por [Rick Dangerous] às 09:02 PM | Comentários (8)

And the oscar goes to...

carmo2007.jpg

(zé neves:n me lembro de ver o Sócrates a encabeçar o movimento anti-guerra, como alegre e freitas do amaral, e a descer as ruas de Lx em Fevereiro de 2003, mas deve ser uma falha eficaz da minha memória para fundamentar qualquer argumento)
A mim o que me incomoda no apelo à abstenção é ele vir de um grupo de malta que não parte um prato (uma montra para sermos mais fiéis), que se deixa encurralar no chiado a levar bastonadas da psp, que é detida numa casa ocupada e enfrenta o processo de forma individual e jurídica, que organiza debates sobre o anarquismo para discutir quem manda na bófia. Tudo isto está muito bem e que mil casas ocupadas e debates floresçam, agora que querem fazer com a abstenção? uma barricada?

Jó, aqui.

Publicado por [Chuckie Egg] às 05:37 PM | Comentários (30)

Já tinha reparado...

Cientista estima que 24 de Janeiro é o dia mais deprimente do ano

Publicado por [Saboteur] às 04:42 PM | Comentários (4)

A vida de um Presidente da República deve ser um livro aberto


“Era bom que Cavaco Silva e José Sócrates fizessem um favor ao país. Propunha que fizessem um Governo de Salvação Nacional e escolhessem os amigos muito hábeis a ganhar dinheiro”, afirmou hoje o candidato.
O candidato presidencial José Manuel Coelho esteve hoje de manhã no Chiado, em Lisboa, a anunciar o elenco de um Governo de salvação nacional, que inclui nomes como Dias Loureiro e Oliveira e Costa e Alberto João Jardim.
“Para primeiro-ministro, [proponho] o doutor Alberto João Jardim, que é o exemplo de uma pessoa que está em condições para fazer uma boa gestão financeira dos recursos económicos do país. Para ministro da Indústria e das Reciclagens, o senhor Armando Vara; para ministro dos Negócios Estrangeiros, o doutor Cavaco devia colocar lá o seu amigo Deus Pinheiro. Já agora, o doutor Dias Loureiro para o Ministério dos Investimentos Ocultos. Depois, teríamos também o engenheiro Oliveira e Costa para ministro das Finanças e presidente do Banco de Portugal, não esquecendo ainda o doutor Paulo Portas, para ministro das Relações Internacionais Profundas. Também não esquecendo o senhor Isaltino Morais, de Oeiras, que devia ser escolhido para ministro da Justiça”, elencou. As propostas foram apresentadas junto à estátua de Fernando Pessoa, no café “A Brasileira”, depois de lembrar que o poeta foi um dos mais “inconformados” do seu tempo com a decadência do país.
“Era bom que Cavaco Silva e José Sócrates fizessem um favor ao país. Propunha que fizessem um Governo de Salvação Nacional e escolhessem os amigos muito hábeis a ganhar dinheiro e que enriqueceram de um momento para o outro. Para salvar o país do descalabro financeiro e da bancarrota”, ironizou o candidato apoiado pelo Partido Nova Democracia.
José Manuel Coelho exigiu ainda a Cavaco Silva, apoiado por PSD, CDS-PP e MEP, que explique como ganhou dinheiro no BPN e como comprou a casa de férias na aldeia da Coelha, defendendo que “a vida de um Presidente da República deve ser um livro aberto e não um enigma”.
Quanto aos seus bens pessoais, o candidato presidencial garantiu que os portugueses “estão à vontade” para os conhecer e afirmou que não tem nada a esconder: “Tenho lá na Madeira dois cães e duas aves, para as juízas do regime irem lá penhorar”. Confrontado com os dados da sondagem hoje publicada, José Manuel Coelho manifestou-se “contente” e considerou que “ainda há condições para passar à segunda volta”.

Coelho Presidente

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:17 PM | Comentários (1)

De tudo sou capaz

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:08 PM | Comentários (1)

janeiro 23, 2011

Os clássicos # 2

Publicado por [Rick Dangerous] às 10:49 PM | Comentários (0)

Os clássicos

Publicado por [Rick Dangerous] às 10:19 PM | Comentários (0)

Primeiros resultados em Paris :

-O Silva não tem maioria
- O segundo candidato é o Alegre
- O terceiro candidato é o Lopes
-A abstenção, como é habitual, é astronómica (ex° numa mesa 4000 inscritos, 113 votos) …
- A mesa de Reims tem 0 votos (resultado da supressão do consulado dessa região)

Publicado por [Shift] às 08:06 PM | Comentários (4)

e assim ainda acontece!



update: "rendez vous à la place du gouvernement !! ils sont venus de tout bord à tunis !! e reguab sidi bouzid, kasserine !!! et ils passent la nuit à la place du gouvernenement !!!!! avec une magnifique solidarité des habitants de la medina !" (roubado de um comentario feito por um camarada tunisino no facebook)

Publicado por [Shift] às 06:55 PM | Comentários (1)

e assim acontece

Nos 15 minutos em que estive na mesa de voto vi:

um casal de meia-idade que desistiu de votar por problemas com os cadernos eleitorais;

quatro pessoas que foram dirigidas para outras mesas porque ao contrário do que pensavam não estavam inscritos ali (e pergunto-me se depois votaram mesmo);

um outro casal de velhotes que, ao ser informado que tinha de apanhar o comboio para votar e ainda andar uns 10 minutos para chegar à sua eventual mesa de voto noutra freguesia (é verídico, a tipa da CNE não soube dizer-lhes onde era a mesa deles!) virou-se para ela e disse cheio de sabedoria cansada:

- minha senhora, nós sempre votámos aqui e não mudámos nada da última eleição para esta... olhe, está muito frio para andar nessas correrias. fica para a próxima. boa tarde.

guine-g-IdrissaSoumare-27.06.2010-AP.jpg

Publicado por [Renegade] às 06:01 PM | Comentários (1)

janeiro 22, 2011

Cavaco presidente? Obrigadinho Daniel.

Por todo o lado o grande argumento contra a abstenção é de que esta é cobarde, estúpida, "o conforto burguês de deixar as decisões nas mãos dos outros", hipócrita, inconsciente, irresponsável, conformista, que quem não vota por algum tipo de antagonismo devia então rejeitar todos os confortos cívicos e abandonar o pais por não legitimar a sua organização politíca. Que quem não vota é responsável pela eleição de Cavaco, terá sido pela eleição de Hitler e consequentemente responsável pelo exterminio de seis milhões de judeus.

Porquê ficar por ai? a culpa de tudo o que há de mau no mundo será culpa de quem 1) não vota 2) não concorda com o Daniel Oliveira e não o apoia nas suas lutas, das quais, qual Oprah, nunca desiste.

Genocidio, bombas atómicas, escravatura, trabalho infantil, pobreza, racismo, xenofobia, alienação. É TUDO CULPA DOS RADICAIS QUE NÃO SEGUIRAM AS DECISÕES RACIONAIS DAS ESQUERDA SENSATA QUE SEMPRE SOUBE O QUE ERA MELHOR PARA TODOS.

Atrevo-me por um momento a tentar aplicar o mesmo argumento. Se a esquerda tivesse dado ouvidos a mim e aos meus companheiros já os amanhãs que cantam estariam no seu terceiro ou quarto encore desde pelo menos 1936. Tudo seria lindo e belo, uma vida sem tempos mortos, uma totalidade existencial em que todos seriamos senhores de nós próprios e felizes para além dos sonhos mais selvagens. Portanto eu peço que cada vez que virem um iraquiano sem uma perna, uma criança do terceiro mundo com a barriga inchada de fome, uma familia despejada por não poder pagar a renda se lembrem de quem não concordou comigo e portanto é em última análise o culpado da situação. A eleição de Cavaco é portanto culpa de quem vota Alegre.

Bush e Hitler: agradeçam a Manuel Alegre.

Daniel Oliveira não quis partir a montra do McDonalds o que mostra a sua conivência não só com o trabalho precário mas também com a obesidade e a crueldade animal. Espero que consiga dormir sabendo que tem a barba suja de sangue.

Arquitectura opressiva soviética: O pessoal do Kazaquistão diz: "Obrigadinho Catarina Portas".

Publicado por [Party Program] às 11:29 PM | Comentários (10)

Para ajudar/foder a reflexão.

Publicado por [POKE] às 07:23 PM | Comentários (0)

janeiro 21, 2011

Coliseu cheio de mulheres e homens como nós

Ontem no comício de Manuel Alegre no Coliseu, o homem que estava atrás de mim comentava para a amiga «Nunca pensei que um dia pudesse estar num comício a ouvir o Francisco Louçã»

Esta é já uma das vitórias desta frente eleitoral para as presidenciais. Um coliseu cheio, com muitos militantes e eleitores habituais do Partido Socialista, a aplaudir de pé um discurso que denuncia a "ditadura dos mercados" (por acaso esta expressão foi utilizada por Alegre) e o roubo organizado das estruturas financeiras ao país que trabalha. Um coliseu que se encheu de apupos quando Louçã denunciou a proposta das associações patronais de redução das indemnizações por despedimento, ou quando Louçã falou nos despedimentos da Ground Force.

Particularmente interessante foi quando Francisco Louçã acusou Cavaco Silva e o seu representante da República nos Açores de ter vetado o subsídio que o Governo Regional queria atribuir aos funcionários públicos de baixos rendimentos e que viram o seu salário cortado por este Orçamento de Estado.

O público apupou Cavaco, mas estava, obviamente a apupar também o Orçamento e as medidas de austeridade que nos querem impôr por causa do déficit e da dívida. «A verdadeira dívida e o verdadeiro déficit de que nunca ninguém fala é o deficit da pobreza e o do desemprego», disse Louçã com o público a aplaudir.

Numa altura de pensamento único sobre a economia, quanto não valem estes momentos na luta das ideias? ...A não ser que consideremos que nada podemos esperar daqueles que votam ou estão inscritos no PS, claro.

Publicado por [Saboteur] às 01:13 PM | Comentários (27)

Manuel Alegre: A insurreição que vem!

presidente.jpg

"Depois do "sobresalto patriótico" de Alegre é que vai ser, já estávamos fartos de presidentes lacaios do grande capital", Renegade

Publicado por [Paradise Café] às 10:55 AM | Comentários (27)

janeiro 20, 2011

a insurreição que não vem

E eis que, suspirando pela insurreição que vem, os abstémios do voto se preparam para meter o Cavaco em Belém.
tumblr_l1chqvUrYB1qzamt1o1_500 (1).jpg

Publicado por [Renegade] às 10:31 PM | Comentários (23)

Da esquizofrenia

"Os valores da esquerda democrática" são vinte teses oferecidas pelo autor, Augusto Santos Silva, ao exercício do escrutínio crítico e são o tema central do nº 24 da Comuna. A Comuna aceitou o desafio desse escrutínio, apesar de o considerar fraca exigência. Vale porque parte do teórico do Partido Socialista, porque alia a teoria à prática governativa e reafirma inequívoca a afirmação da convenção fundadora do BE: nada temos a esperar do PS.
Vítor Franco, A Comuna

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:38 PM | Comentários (0)

RDA69 - Debate sobre a nova vaga de lutas na Europa e no Magreb

NOVA_VAGA2_web.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:18 PM | Comentários (1)

Descubram as nobres diferenças

O Paradise Café já tinha aflorado o AVC do nobre no post de baixo, mas depois disto parece que está mesmo apostado em fazer passar o cavaco por um candidato normal.

Publicado por [POKE] às 11:29 AM | Comentários (3)

janeiro 19, 2011

Nobre Estupidez

fernando%20nobre.jpg

Segundo a TSF “Nobre desafia Alegre a desistir em seu favor numa segunda volta”, ora, claro que é de desconfiar de um candidato que tem o Rui Veloso, o Represas e esse pessoal todo das casas do gil e afins com ele, mas ser bronco ao ponto de pedir a Manuel Algre que desista na segunda volta? É que a haver segunda volta, é sempre entre apenas dois candidatos, como toda a gente sabe, ou está à espera que a segunda volta seja entre ele e Alegre?.
Se o jornalista interpretou mal e o candidato queria dizer para o Alegre deisitir antes da segunda volta, a coisa mantém-se na aboluta parvoíce, pois se assim fosse é que de certeza que não haveria segunda volta.
Bom, sempre me pareceu que entre as intervenções que se ouvia de Nobre de há uns anos (poucos) e de agora há uma diferença brutal. Terá tido um AVC, ou assim?

Publicado por [Paradise Café] às 07:29 PM | Comentários (5)

O lado bom da austeridade


Os 120 efectivos do Corpo de Intervenção (CI) da PSP estacionados na Ajuda, em Lisboa, efectuaram ontem um levantamento de rancho ao almoço. Os membros daquela subunidade da Unidade Especial de Polícia (UEP) recusaram a comida da messe como forma de protesto contra os cortes nos vencimentos, a redução do período de descanso e o atraso de um ano no pagamento de retroactivos. Até final da semana, mais três grupos do CI, instalados no mesmo local, deverão voltar a não comparecer às refeições.
O levantamento de rancho, inédito naquela unidade especial da PSP, foi decidido ontem de manhã e contou com a adesão de todo o efectivo do CI (os 120 homens dos 3.º e 6.º grupos que ontem se manifestaram, e também os cerca de 200 dos 1.º, 4.º e 5.º, que vão tomar idênticas decisões até final da semana). Na segunda-feira, após estarem disponíveis informaticamente os recibos de vencimento, onde já estão descontados valores mínimos de 3,5 por centos nos ordenados mensais, começaram a escutar-se as vozes discordantes.
[...] A decisão de não comparecerem ao almoço colheu de surpresa as chefias do CI, tendo as mesmas sugerido que as divergências existentes fossem ultrapassadas através de negociações com os sindicatos. A ideia não foi, no entanto, aceite, tendo os polícias contestatários lembrado que são cada vez mais escassas as oportunidades de os sindicalistas debaterem os seus problemas com os comandos.
Os polícias que ontem não comeram chocos grelhados na Ajuda optaram, na sua maioria, por encomendar comida do exterior. "A porta [do quartel] parece um estacionamento de motos. É só pizzas", ironizou um dos polícias contactados.

Público

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:49 PM | Comentários (3)

A bem da paz social e da ordem pública


Há, pois, um clima de tensão social latente. Ora, qualificar a atuação policial de ontem como um caso político é criar (ainda mais) um barril de pólvora que, qualquer dia, poderá explodir, como sucedeu noutras paragens (pense-se na Grécia). Em momentos como o que vivemos, o discurso político deve atenuar, acalmar o clima de agitação social - e não exponenciá-lo, apelando à sua exteriorização com consequências imprevisíveis. Os políticos - da esquerda à direita - devem comportar-se com responsabilidade, com muita cabeça fria.
[...]Termino com o apelo: caros políticos, vocês têm uma responsabilidade social. Sobretudo, o PCP que controla a grande maioria dos sindicatos e que deve refrear os ímpetos revolucionários, na fronteira com a violência, de muitos dos seus elementos. A bem da paz social e da ordem pública. O descontentamento popular deve ser devidamente enquadrado em estruturas de defesa dos direitos dos cidadãos, em particular, dos trabalhadores. Senão, a revolta social terá consequências nefastas. Este é o momento de unir - e não contribuir para a revolta entre portugueses. Portugal somos todos nós. Não brinquem com coisas tão sérias. Por favor. Obrigado.

João Lemos Esteves, Expresso

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:53 PM | Comentários (4)

Todos com o Sr.Silva


Publicado por [Rick Dangerous] às 03:12 PM | Comentários (1)

Polícia de cabeça perdida


Esta foto não é gozo. Foi retirada do site oficial da PSP

Terminado um plenário de dirigentes sindicais em frente à residência do Primeiro-Ministro, acção banal na actividade sindical que já se fez centenas de vezes, a polícia decidiu pôr em prática os truques que aprendeu na cimeira da NATO para fazer frente aos "mais de 1000 Black Blocks que já se encontram em território nacional".

Os camaradas que já se preparavam para apanhar o autocarro e ir tratar do jantar, ou beber uma mini e conversar sobre as últimas da campanha eleitoral, foram barrados pela polícia que, numa atitude de abuso de poder, os impediram de sair da "zona de segurança", não fossem eles deitar fogo a algum automóvel.

Ironicamente, algumas das vitimas desta agressão policial, são os mesmos que demonstraram compreensão pelo aparato de shotguns em torno dos manifestantes anti-NATO de há menos de 2 meses. Ainda bem.

Existe no país um problema com a polícia. A cultura de abuso de poder e desconfiança dos cidadãos percorre toda a hierarquia. Desde o agente que decide disparar sobre um assaltante ou gritar com um peão que passa fora da passadeira, aos mais altos dirigentes, que acham razoável comprar blindados anti-motim, mesmo numa altura de forte contenção orçamental.

Quanto mais tarde se acordar para esse problema, mais difícil e demorado será resolve-lo.

Imagem retirada daqui.

Publicado por [Saboteur] às 10:30 AM | Comentários (16)

janeiro 18, 2011

Não sei quem é o melhor mas sei quem é o maior

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:36 PM | Comentários (1)

Rock n Roll is a revolutionary force.

Este video dos Motorhead ilustra bem como eu vejo a presente situação politica. Os pais na sala representam os partidos da esquerda institucional, a filha representa o potencial emancipatório das subjectividades politícas. Os partidos fazem o possível por controlar a filha e obrigá-la a ficar em casa a ver a noite da má lingua ou lá como se chama a merda de programa onde o Daniel Oliveira exibe a sua barba. Interpretam cada gesto seu alheio a um conformismo suburbano enquanto algo selvagem e inclassificável, dizem-lhe claramente que ela parece uma puta só porque decide andar sem soutien. Eis que então, da própria estrutura arquitectónica do seu mundo, surge o Lemmy, que claramente representa os anarquistas, os autónomos, os neo-animistas, os marxistas heréticos e os escribas do spectrum que não votam Manuel Alegre. A insatisfação latente não duvida em sentar-se na mota da revolução selvagem (claramente uma oposição à bicicleta xoxa da social democracia cidadanista) e ao gang da galáxia autónoma e insurreccional. Num devir nómada, qual máquina de guerra deleuziana, a revolução serpenteia desterritorializando a organização fascista dos Danieis Oliveiras até que estes, em conluio com as forças da ordem, como aliás se pôde ver na manifestação da NATO, assassinam a revolução. Não obstante, e de um modo incompreensível aos olhos do poder e do estado, nada pode conter a insurreição que vem e esta surge de onde menos se espera, e já com mota.

Publicado por [Party Program] às 04:36 PM | Comentários (8)

Quem é o MELHOR?

Inspirado ao ver o Ricky Gervais a apresentar uns quaisquer prémios achei que devia promover uma iniciativa semelhante no nosso pequeno mundinho.

De um lado José Neves, Miguel Serras Pereira, Ricardo Noronha e João Tunes. Do outro Carlos Vidal, Renato Teixeira, Nuno Tito e Vitor Dias. Dos primeiros o meu preferido é o Zé Neves, com Noronha num segundo lugar muito próximo, mas há algo de elegante na prosa de Neves a que sou parcial e que se traduz até na sua presença fisica, nas camisas brancas entre o indiano e marroquino que gosta de usar. No outro lado o meu claro preferido é o Carlos Vidal, não só pela sua implacável verve como também por ser o único blogger esquerda que é capaz de invocar referências estéticas para lá desse gigantesco pântano de tédio, aborrecimento e mediocridade que é o eixo que se estende da Tina Modotti ao Manu Chao, passando pela Frida, pelos Clash e pelos Buraka Som Sistema. O que menos aprecio nos primeiros é o Miguel, não que não goste mas a sua prosa não me entusiasma sobremaneira. Nos segundos é do Nuno Tito, tem a mania que é muito engraçado e inteligente. O Renato tem os seus bons momentos e ao Dias não lhe ligo muito. Ideologicamente sinto-me imensamente mais próximo dos primeiros, mas eventualmente gostava mais de ir à festa do avante com os segundos, ainda que saiba ser pouco provável receber esse convite.

barbas.png

Entra ainda na votação o Daniel Oliveira, que ninguém adora sobremaneira, sobre o qual o único que há a dizer é que agora tem barba.


EnglishHarbourCasino online poll EU Casino Casino 888

BÓNUS


Paypal online casino | Casino News | ONLINE BINGO | William Hill | Free online poll

Publicado por [Party Program] às 03:07 PM | Comentários (13)

Presunçosos jornalistas

A TSF tem tido diariamente um depoimento dos directores de informação dos principais órgãos de comunicação sobre as Presidenciais.

Não ouvi todos, mas já ouvi o do DN, o do Correio da Manhã e, ontem, o do JN, que encontrei agora aqui, no site da TSF.

Essencialmente, todos dizem a mesma coisa.

Mostrando ares de independência, equidistância e superioridade sobre a coisa política, todos reclamam, como faz José Leite Pereira do JN, da mediocridade da campanha, em que não se discute os verdadeiros problemas do país, em que os candidatos passam a vida a fazer ataques pessoais.

José Leite Pereira afirma mesmo que estas "são as eleições mais desinteressantes desde o 25 de Abril de 1974".

Tanta arrogância e presunção sobre a campanha só vem tornar ainda mais clara a extrema mediocridade da comunicação social neste país.

O discurso do "não se discutem ideias e passam a vida em ataques pessoais", para além de servir bem a Cavaco, que tem estado debaixo de fogo, é falso.

Têm sido introduzidos inúmeros temas no debate da campanha: serviços públicos, touradas, regionalização, dívida e relação com credores, numero de deputados, desemprego... E que temas é que os senhores jornalistas aproveitam, exploram e esmiúçam?

Como em todas as campanhas eleitorais, a comunicação social pela-se pelos "casos", a troca de piropos, as alterações entre arruadas que se encontram, a gritaria da peixeira, o casamento do sem-abrigo, o candidato que se recusa a apertar a mão ao outro, etc, etc, etc.

Qualquer coisa que dê um pouco mais de trabalho, como ir a um balanço verificar a evolução do passivo de uma câmara, já não estão para isso e preferem escrever longos parágrafos sobre a "troca de acusações sobre quem endividou mais a câmara" em vez de ir verificar nos documentos oficiais.

Publicado por [Saboteur] às 01:38 PM | Comentários (1)

janeiro 17, 2011

Coimbra tem mais encanto

João Duque - Presidente do ISEG, feito comentador de economia de vários meios de comunicação social - explicava no outro dia que não podíamos "mostrar ressentimentos contra os mercados".

Dizia que se pedissem aos portugueses para apostarem em quem vai ganhar o campeonato, provavelmente uma maioria de benfiquistas e de sportinguistas, apostaria no FC Porto. Assim, estão os mercados financeiros, explicava, com dúvidas sobre se o Estado Português conseguirá pagar os empréstimos e por isso pedindo juros mais elevados para arriscar apostar num Benfica campeão.

Esta narrativa idílica de concorrência perfeita, agentes racionais e de equilíbrios automáticos não tem obviamente muito contacto com a realidade.

José Reis, Director da Faculdade de Economia de Coimbra, em entrevista a Frederico Pinheiro (SOL), é taxativo:

Falamos de mercados quando existem duas partes com capacidade e que se encontram para realizar uma transacção. Quando falamos em termos financeiros, só por incorrecção é que pode falar-se de mercados. Em boa verdade, o que temos do lado de lá, de quem disponibiliza recursos, não são pessoas, mas sim uma estrutura de fundos de investimento, financiados pelo sistema financeiro que, sem nenhuma negociação entre as partes, dita as regras numa lógica absoluta. O que está a passar-se é claramente capitalismo de pilhagem. Não estamos a falar do capitalismo como sistema económico, social, de produção. Estamos estritamente no campo da pilhagem. Nunca na história moderna os Estados tiveram tal desequilíbrio perante a agiotagem.

Publicado por [Saboteur] às 01:57 PM | Comentários (14)

janeiro 15, 2011

Que os tunisinos nao sejam traídos pelas politiquices...

Ben Ali foi-se. E agora?
A maior preocupação que senti nesta manifestação de mea-festa, expresso por alguns militantes, é a recuperação/apropriação que este movimento com raiz nas ruas começa jà a ser alvo ! Segundo alguns testemunhos que li e ouvi começam a existir comités de auto-gestão em algumas regiões do país. Que esta dinâmica nao seja destruída, como foi a nossa...
Aqui ficam algumas fotos da manifestação em Paris (onde residem cerca de 600 000 tunisinos):

P1010785.jpg

P1010799.jpg

P1010763.jpg

P1010764.jpg

Publicado por [Shift] às 09:16 PM | Comentários (4)

janeiro 14, 2011

"A vaga de protestos na Tunísia – de onde vem e para onde vai?"

Ricardo Noronha do « Vias de Facto » traduziu um texto que me parece importante aqui reproduzir sobre a situação politico-social da Tunísia.

A vaga de protestos na Tunísia – de onde vem e para onde vai?
De Christopher Alexander (traduzido por Ricardo Noronha)

Janeiro tem sido tradicionalmente o mês de todos os dramas políticos na Tunísia – uma greve geral em Janeiro de 1978; uma insurreição apoiada pela Líbia em Janeiro de 1980; motins do pão em Janeiro de 1984. Este mês, contudo, Janeiro terá dificuldades em superar Dezembro precedente. As últimas duas semanas de 2010 testemunharam a mais dramática vaga de agitação social na Tunísia desde a década de 80. O que começou pelo protesto desesperado de um jovem contra o desemprego, em Sidi Bouzid, na região Centro-Oeste da Tunísia, alastrou rapidamente a outras regiões e outros temas. Poucos dias depois da tentativa de suicídio de Mohamed Bouazizi, em frente a instalações locais do governo, estudantes, professores, advogados, jornalistas, activistas pelos direitos humanos, sindicalistas e políticos da oposição desceram às ruas em várias cidades, incluindo Tunes, para condenar as políticas económicas governamentais, a repressão das vozes críticas a a corrupção de tipo mafioso que enriqueceu vários membros da família do Presidente.

Num país conhecido pela sua estabilidade autoritária, é fácil considerar esta agitação o prenúncio de uma transformação dramática. De facto, os protestos têm vindo a subir de tom há já pelo menos dois anos. A frustração está enraizada numa longa história de crescimento económico desequilibrado. Várias organizações ajudaram a converter esta frustração em protesto colectivo. Até agora, os protestos de Dezembro provocaram uma remodelação ministerial, o afastamento de um governador e a renovação do compromisso de criar novos empregos em regiões empobrecidas. É impossível prever se virá a provocar alterações mais dramáticas. Se o poder de Ben Ali [Presidente da Tunísia] não foi imediatamente posto em risco, os protesos sugerem pelo menos que a sua estratégia de governo está seriamente ameaçada. O poder de Ben Ali vem assentando numa hábil combinação de cooptação e repressão. Ao afirmar a sua fidelidade à democracia e aos direitos humanos no início do seu mandato, apropriou-se de forma calculada da mensagem central da oposição liberal. Simultaneamente, empregou a manipulação eleitoral, a intimidação e os favores para cooptar líderes dos partidos de governo e de organizações da sociedade civil. Os que se revelaram inacessíveis através deste tipo de ferramentas sentira a força do aparato de segurança interna, que cresceu dramaticamente ao longo da década de 90. A maioria dos tunisinos aceitou com um ligeiro descontentamento a mão pesada de Ali ao longo dos anos Noventa. Um governo autoritário foi o preço a pagar pela estabilidade que atraiu turistas e investidores. Ben Ali foi um eficaz, ainda que pouco carismático, líder tecnocrático, capaz de derrotar os islamitas, gerar crescimento e salvar o país da desestabilização que atormentou a Argélia.
Ao longo dos últimos cinco anos, contudo, a estrutura do autoritarismo de Ben Ali começou a tremer. A partir do momento em que se tornou claro que os Islamitas já não representavam uma ameaça séria, muitos tunisinisos revelaram-se menos dispostos a aceitar a mão pesada do governo. O regime perdeu também alguma da sua anterior habilidade. Os seus métodos tornaram-se menos creativos e mais abertamente brutais. O governo pareceu menos disposto a pelo menos simular um qualquer tipo de diálogo com os críticos ou com os partidos da oposição. Detenções arbitrária, controlo sobre a imprensar e o acesso à internet, ataques físicos a jornalistas e a activistas dos direitos humanos ou de partidos políticos da oposição, tornaram-se mais frequentes. Tal como as histórias de corrupção – não os habituais favoritismos e favores, mas uma criminalidade verdadeiramente mafiosa que encheu os bolsos da mulher de Ben Ali e da sua família. O crescimento do Facebook, Twitter e da blogosfera tunisina – uma boa parte da qual está sedida fora do país – tornou muito mais fácil para os tunisinos saber das últimas detenções, espancamentos ou esquemas de negócios ilícitos que envolvem a família do presidente.
Um pouco antes de terem começado os protestos de Dezembro, a Wikileaks revelou comunicações internas do Departamento de Estado dos EUA, nas quais o Embaixador norte-americano descrevia Ben Ali como envelhecido, ultrapassado e rodeado de corrupção. Devido à reputação de Ben Ali enquanto um aliado subserviente dos EUA, pareceu relevante para vários tunisinos – particularmente para os que estão politicamente empenhados e envolvidos com as redes sociais – que diplomatas americanos afirmassem sobre Ben Ali exactamente as mesmas coisas que eles vêm dizendo. Estas revelações contribuíram para um ambiente favorável a uma onda de protestos com vastos apoios.
A Tunísia assumiu a reputação da economia mais próspera do Maghreb desde que Ben Ali tomou o poder, quando um conjunto de reformas liberalizadoras abriram o país ao investimento privado e integraram-no mais profundamente na economia regional. O crescimento anual do Produto Nacionl Bruto atingiu uma média de 5%. Mas as políticas do Governo fizeram pouco para resolver preocupações antigas acerca da distribuição do crescimento pelo país. Desde o período colonial, a actividade económica na Tunísia tem-se concentrado no Norte e ao longo do litoral Este. Em praticamente todos os planos de desenvolvimento económico desde a independência, em 1956, o Governo comprometeu-se a realizar investimentos, criar emprego e melhorar o nível de vida no Centro, no Sul e no Oeste. Diminuir as disparidades regionais contribuiria para a solidariedade nacional e tornaria mais lento o ritmo do êxodo rural. Este último elemento tornou-se uma preocupação específica à media que aumentaram os protestos sociais organizados por sindicalistas, estudantes e islamitas no final da década de Setenta e início da década de Oitenta.
Os investimentos governamentais transformaram as zonas rurais no que diz respeito ao acesso a água potável, eletrificação, infra-estruturas de transportes, saúde e educação. Mas o Governo nunca conseguiu criar, no interior do país, empregos suficientes para uma população em crescimento acelerado. De facto, dois aspectos da estratégia de desenvolvimento governamental tornaram efectivamente mais difícil criar empregos. Primeiro, a estratégia de desenvolvimento da Tunísia desde o início dos anos 70 baseou-se crescentemente nas exportações e no investimento privado. Para um país pequeno, com uma base de recursos limitada e ligações estreitas à Europa, esta estratégia acentuou a aposta no turismo e em productos manufactados rudimentares (sobretudo vestuário e produtos agrícolas) para o mercado europeu. A escassez de recursos naturais, os constrangimentos climáticos e a necessidade de minimizar custos de transportes tornou mais difícil atraír para o interior um número considerável de turistas ou produtores orientados para a actividade exportadora. Consequentemente, 80% da produção nacional continua concentrado nas áreas costeiras. Apenas um quinto da produção nacional está localizado no Sudoeste e no Centro-Oeste, onde reside 40% da população.
Problemas relacionados com a educação complicam um pouco mais as coisas. O Governo tunisino recebe há muito tempo elogios pelo seu empenho na generalização do acesso ao ensino. A cultura dominante considera a formação universitária a chave para a segurança e o avanço social. Contudo, as universidades não formam jovens com preparação para uma economia que depende de empregos não-qualificados no turismo e na indústria de confecções. Este desencontro entre a educação e as expectativas, por um lado, e as realidades do mercado de trabalho, pelo outro, gera frustrações sérias para os jovens que investiram em formação universitária mas não encontram empregos correspondentes. O desafio é particularmente difícil para jovens do interior. Enquanto as estimativas do desemprego nacional oscilam entre 13% e 16% , o desemprego entre licenciados em Sidi Bouzid oscila entre 25% e 30%.
O papel dos sindicatos é um dos aspectos mais marcantes dos protestos de Dezembro. O Governo trabalhou muito, e com bastante sucesso, para domesticar a confederação sindical única tunisina (UGTT) durante a década de Noventa. Mais recentemente contudo, activistas de alguns sindicatos conseguiram assumir posições mais independentes e conflituais. Em 2008, e novamente no início de 2010, activistas sindicais organizaram protestos prolongados na bacia mineira meridional de Gafsa. Os protagonistas e as reivindicações dessas situações foram bastante semelhantes aos que pudemos observar Dezembro passado. Sindicatos do sector da Educação, dos mais independentes e agressivos no interior da UGTT, desempenharam um papel determinante na organização de desempregados, muitos deles licenciados, que protestavam contra o falhanço do Governo na criação de empregos, contra a sua corrupção e a sua recusa em encetar um diálogo sincero. Organizações dos direitos humanos, jornalistas, advogados e partidos da oposição juntaram-se então para criticar as medidas restritivas do Governo relativamente à cobertura mediática dos protestos e à detenção e tortura dos manifestantes. Desta forma, uma vasta coligação de organizações da sociedade civil estabeleceu uma ligação entre as reivindicações básicas relacionadas com a subsistência e as preocupações relativas aos direitos humanos fundamentais e ao funcionamento do Estado de Direito. Juntaram também realidades sociais quer trascendem distinções classistas e regionais – jovens desempregados em Sidi Bouzid, Menzel Bouzaien e Regueb, advogados e jornalistas em Monastir, Sfax e Tunes.
É ainda demasiado cedo para saber se estes protestos assinalam o início do fim para Ben Ali. Contudo, a actual situação política tunisina assemelha-se muito à que existia em 1975 e em 1976, o início da queda do predecessor de Ben Ali, Habib Bourghuiba. Mais uma vez, assistimos a um presidente envelhecido que parece crescentemente desfasado e cuja capacidade para cooptar e reprimir está deteriorada. Vemos ainda um sistema política ao qual faltam possíveis sucessores fortes e um mecanismo claro para os selecionar. Temos um conjunto de reivindicações económicas e políticas que beneficiam do apoio de um conjunto de organizações da sociedade civil, incluindo algumas com capacidade para mobilizar um considerável número de descontentes. A médio e longo prazo, é este o aspecto mais significativo dos protestos de Dezembro. O facto de os jovens desempregados terem saído às ruas é muito menos importante do que o facto da sua causa ter sido partilhada – e complementada – pelas organizações da sociedade civil que passaram a maior parte do período de governo de Ben Ali sob a sua alçada ou demasiado receosas para agir.
Apesar disso, importa relembrar que Bourguiba não caiu abruptamente perante um movimento de massas que reunia um alargado apoio popular. O seu governo apodreceu gradualmente durante mais de uma década. Adicionalmente, o golpe militar sem mortos de Ben Ali, e a sua governação posterior, aproveitaram largamente a desorganização da classe política tunisina. A sociedade civil da Tunísia, incluindo os partidos da oposição, é notoroamente fácil de dividir e conquistar. Se a capacidade revelada por Ben Ali para reprimir e cooperar se deteriourou, não desapareceu por completo. Com os protestos de Dezembro, a Tunísia poderá ter virado uma esquina decisiva. Contudo, nada na história do país ou na sua actual situação torna mais fácil acreditar que os protesos irão convergir rapidamente para um movimento unificado de oposição com uma mensagem clara, um líder carismático e uma base nacional de apoio. Adicionalmente, outro longo e lento deslizamento na direcção do caos poderia simplesmente criar as condições para a emergência de outro Ben Ali – outro presidente não eleito capaz de tomar o poder no topo e mudar muito pouco na base.

Publicado por [Shift] às 10:30 AM | Comentários (1)

Liberdade para Cesare Battisti!

Battisti.jpg

Activista na Itália dos anos setenta. Preso em 1979 e condenado a doze anos de prisão, conseguiu fugir em 1981 e refugiou-se em França e depois no México, onde iniciou a sua actividade de escritor. Em 1982 foi denunciado por um arrependido — ou seja, alguém que em troca de denúncias beneficiava de uma redução da pena — por crimes que não cometeu. Julgado à revelia na Itália em 1988, foi condenado à prisão perpétua com privação da luz solar. Durante a presidência de François Mitterrand regressou a França, onde os tribunais recusaram a sua extradição para Itália. Em França Cesare Battisti continuou a actividade de escritor. A sua situação mudou durante a presidência de Jacques Chirac e, na eminência de ser extraditado para Itália, Battisti conseguiu fugir. Foi preso no Brasil em 18 de Março de 2007. O ministro da Justiça concedeu-lhe asilo político, mas o Supremo Tribunal Federal opôs-se e manteve Battisti na prisão. No último dia do seu mandato, o presidente Lula decretou que Battisti não seria extraditado, mas o Supremo Tribunal Federal continua a manter Battisti preso.
Várias pessoas que no Brasil têm estado activas na defesa de Cesare Battisti temem que o Supremo Tribunal Federal opere um verdadeiro golpe de Estado judicial, ponha Cesare Battisti num avião e o envie para Itália. Há também os optimistas que desde há dois anos dizem que Cesare Battisti será libertado amanhã, se não mesmo hoje.
Mas o que sabemos é que, enquanto Cesare não for libertado, está preso.

Mais informação: Passa Palavra (sessão de transmissão do debate em directo)

Publicado por [Dallas] às 10:04 AM | Comentários (0)

janeiro 13, 2011

Desde que vi um porco a andar de bicicleta já acredito em tudo ou o dia em que Trotsky perdoou Estaline

Este comunicado da Ruptura/FER é no mínimo insólito. Depois de apresentarem as suas razões para desaconselhar o voto em quase todos os candidatos presidenciais (sobretudo em Alegre), sugerem o voto em branco ou no... «candidato do PCP».

Passando por cima de uma análise mais elaborada sobre o que levará a secção portuguesa da IV Internacional a aconselhar o voto num candidato do PCP (eventualmente o facto fala por si, nem é preciso elaborar nada...), há dois aspectos a assinalar nesta indicação de voto de escolha múltipla. Em primeiro lugar, o voto em branco ou o voto em Francisco Lopes têm consequências políticas e eleitorais absolutamente opostas e contraditórias. O voto em branco contribui, de facto e independentemente do que se possa pensar sobre o assunto, para a vitória de Cavaco (a não ser, evidentemente, que a opção na cabeça do eleitor se ponha entre Cavaco ou a abstenção). Pelo contrário, o voto em Francisco Lopes contribui para uma potencial (embora pouco previsível) segunda volta. Se a segunda volta, como parece óbvio, for entre Cavaco e Alegre, então quem seguir esta indicação de voto poderá estar, em última análise, a contribuir para a vitória de Alegre nas eleições.

O outro aspecto interessante é a indicação de voto em branco em vez da abstenção pura e simples. Geralmente, a justificação que se utiliza para o voto em branco é qualquer coisa do género «o acto eleitoral é importante, eu quero participar nele, mas não me revejo em nenhuma das candidaturas», em contraponto com a simples abstenção, que indicia um distanciamento (por opção, por inércia ou por «despolitização») do acto eleitoral. Ora, a Ruptura/FER parece valorizar este acto eleitoral ainda que lhe falte, como diz o comunicado, uma «candidatura anticapitalista». Será impressão minha, ou há aqui uma adesão inconfessada à democracia burguesa?


Publicado por [Manic Miner] às 10:06 AM | Comentários (19)

O Mísero Professor

Mas alguém consegue acreditar que uma pessoa informada sobre os mercados tenha uma "relação distanciada com os bancos" e que invista "numas acções com uns nomes muito esquisitos" o dinheiro de mais valias que desconhece o valor???

Ou somos estúpidos ou alguém nos quer fazer passar por estúpidos.
Ou ele é incopetente nos negócios (o que pode explicar porque chegámos onde chegámos) e não serve para presidente, ou ele é mentiroso e não serve para presidente.

(Copiado ao minoriarelativa no youtube.)

Publicado por [POKE] às 01:37 AM | Comentários (2)

janeiro 12, 2011

A guerra esquecida dos bascos


É que para Daniel Oliveira democracia é onde há eleições livres como na democrática União Europeia. E violência, claro, só a de organizações terroristas ou a de organizações de esquerda que não compreendem que a justiça social se constrói dando a outra face. A repetição dos referendos sobre a Constituição Europeia, para Daniel Oliveira, terá sido uma forma de se aperfeiçoar a democracia. As prisões, torturas, ilegalizações e proibições de meios de comunicação social, no País Basco, ou as cargas policiais, detenções, degradação constante dos direitos conquistados pelos trabalhadores não são actos de violência. Serão, antes, resultado da casmurrice de uns poucos que insistem na ideia de que não vivemos numa democracia. [...]
O artigo de Daniel Oliveira não é abjecto por considerar a ETA terrorista. Isso é o menos. É abjecto por condenar todo o tipo de violência e aqueles que se insurgem contra a violência dos Estados. Daniel Oliveira tenta passar a imagem de que está pela paz quando, na verdade, defende a Pax Romana. A paz do trabalhador que não se revolta contra o patrão. E o que os trabalhadores menos precisam neste momento é de ouvir apelos à paz.
Porque a violência também é política e o Daniel Oliveira sabe-o. Não pode querer confundir política com acção pacífica. É tanto política os disparos da ETA como as mãos fechadas do torturador. Contudo, no País Basco, , entenderam que a partir de agora a luta de massas deve ser a protagonista, a par da participação nas instituições. Mas isso não quer dizer que se abrem tempos de paz. Abrem-se tempos de muita luta. E no próximo dia 29 de Janeiro dá-se a primeira batalha. No País Basco, as centrais sindicais independentistas marcaram uma greve geral.

Bruno Carvalho, 5 Dias
Mais informações sobre o conflito entre o Estado espanhol e o independentismo basco disponíveis aqui

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:11 PM | Comentários (7)

janeiro 10, 2011

Os Adiministradores

Sou só eu que acha estranho os Administradores do BPN «encontrarem-se a trocar mails entre si e com directores do banco a altas horas da noite, em especial, durante os fins-de-semana» ?

Será que eles não sabem que não é preciso estarem na mesma sala para trocarem mails?

Publicado por [Saboteur] às 09:06 PM | Comentários (2)

janeiro 09, 2011

No sul do Mediterrâneo.

"Revoltas sociais na Argélia e na Tunisia : semelhanças e diferenças" (em francês)

Publicado por [Shift] às 09:28 PM | Comentários (1)

Marcuse: se fosse mais bonito e não estivesse morto fazia-lhe um broche - contributo para a discussão sobre a abstenção no Cavaco

«The transition to socialism is not now on the agenda; the conter-revolution is dominant. Under these circumstances, a struggle against the worst tendencies becomes the focal point. Capitalism exposes itself daily in deeds and facts that could serve the ends of organized protest and political education; the preparation of new wars and interventions, political assassinations and attempted assassinations, brutal violations of civil rights, racism, intensified exploitation of the work force. The struggle will ordinarily emerge first in bourgeois-democratic forms (the election and support of liberal politicians, the distribution of suppressed information, the protest against environmental pollution, boycotts, etc.) Demands and actions that have legitimately condemned in other situatios as reformist, economistic, bourgeois-liberal politics can have a positive importance right now; late capitalism boasts a diminished threshold. The expansion of the potential forces of revolution corresponds to the totalization of the revolutionary potential itself.»

Esta conversa de um "purismo revolucionário" contra um "reformismo aburguesado" acompanha a humanidade desde que fez alguma coisa pela sua consciência e mobilização politica, não será por isso surpreendente que 36 anos depois desta palestra de Marcuse, andemos aqui muito humildemente a discutir a mesmíssima coisa (ainda assim, porque é que continua a surpreender-me?!). Sou sensível a tentar descortinar o que um voto no Alegre, no Nobre ou no Defensor de Moura pode significar para a revolução. Nada, absolutamente nada. Por outro lado, um caminho que nunca é percorrido pelos defensores da "mobilização abstencionista", teremos de ser sensíveis ao que pode significar para a revolução a vitória do Cavaco Silva. Muito, mesmo muito. E não no bom sentido. Falo de revolução como condição em potência, claro. And so what? A revolução foi alguma vez outra coisa? Se me sinto menos revolucionária por votar? Não. Se acho que a mobilização abstencionista pró-revolucionária é de expressão burguesa? Não compro essa guerra. Combatam-na vocês!

Publicado por [Joystick] às 01:52 PM | Comentários (6)

A escola das elites francesas em luta !


« Léon Blum and his classmates from the Ecole Normale Supérieure, class of 1890-91, from whose ranks Lucien Herr would call a number of Dreyfusards »

Num deste dias estava a arrumar a minha bicicleta no parque para o efeito na Ecole Normale Supérieure, quando um dos empregados do estabelecimento partilha comigo o desprezo que tem pelos alunos "normaliens" que deixam apodrecer as suas super bicicletas ocupando todo o espaço do parque: "Só pode, ricos como sao, a ganhar mais do que eu… etc, etc…" (« normaliens »: estudantes que têm a sua formaçao superior paga pelo Estado a partir do momento que integram a ENS - 1300 euros/mês, tornando-se imediatamente funcionarios publicos). Foi através desta situação que tomei consciência do que se passa neste estabelecimento reputado da pequena elite francesa.
No entanto, do meio das cinzas do que restava do movimento das reformas, um grupo de estudantes "normaliens" começa a aparecer com uma série de reivindicações de solidariedade com os trabalhadores que os alimentam, protegem e limpam o seu campus universitario, entre outras : o fim da perseguição moral e física que certos empregados se têm vindo a queixar; a acumulação de contratos precários (de mais de dez anos para alguns, proibido pela lei francesa); o tal salário inferior ao dos alunos de elite (1180 euros para os empregados); poucos efectivos em algumas actividades.

A luta começou hà mais de dois meses.. o tal grupo de alunos ocupou uma pequena parte da Ecole… os médias, começaram rapidamente a dar conta do movimento, nao fossem eles a elite… Os intelectuais começam timidamente a entrar em cena: Michael Burawoy, professor de sociologia na Universidade de Berkeley e presidente da International Sociological Association propoe o seu apoio: "Struggle against working conditions at the prestigious Ecole Normale Supérieure de Paris". Jacques Rancière (antigo aluno "normalien") marcou presença numa Assembleia Geral com o seu exemplar de BLOcage n°2 (publicaçao da ocupaçao).

à voir la suite...

Ultimo prospecto da luta (em francês)

Le ministère reconnaît l'illégalité des contrats
des précaires de l'ENS!

Le Conseil d'Administration de l'École Normale Supérieure, qui avait été bloqué
avant les vacances car il reconduisait la précarité illégale, s'est finalement tenu
mercredi 5 janvier hors des murs de l'ENS, avec présence de policiers devant l'entrée
du bâtiment où il se tenait pour empêcher tout débordement!

Ce Conseil d'administration a été l'occasion d'apprendre que la Direction de
l'ENS ainsi que les représentants du Ministère de l'Enseignement Supérieur et
de la Recherche reconnaissent que les CDD de 12 mois, renouvelés depuis des
années, sont illégaux, contraires au statut de la fonction publique. En effet des
postes permanent doivent être pourvus par des fonctionnaires. La seule issue légale
est donc de titulariser tout le monde.
Pour preuve, c'est ce qu'a répondu par courrier la Direction Générale des
Ressources Humaines du Ministère à Monique Canto-Sperber le 3 décembre : « Les
contrats ne respectant pas les durées maximales de six et dix mois énoncées ci-dessus
sont donc non conformes à la réglementation ». Nous menaçons donc la direction
de l'ENS de porter l'affaire devant le tribunal administratif si elle ne satisfait
pas nos revendications.

Sous la pression du mouvement social, en plus d'une prime de 1000 euros, Mme
Canto-Sperber s'est engagée à proposer des C.D.I. aux précaires présents sur
l’établissement depuis plus de six ans au 31 mars 2011, admettant enfin qu'elle en a le
pouvoir. Mais cet engagement est cependant loin d'être satisfaisant. Pourquoi reporter
à mars une décision qui pourrait être prise dès aujourd’hui ? Pourquoi ce critère très
restrictif de six années d'ancienneté, qui ne concernerait qu'une partie des précaires ?
Les revendications de l’Assemblée Générale demeurent :
- titularisation des précaires / un C.D.I. immédiatement
- augmentation des salaires pour tous
- facilitation de l’accès au logement et transparence dans la gestion des logements
- embauches pour lutter contre l’intensification du travail.

L'assemblée générale avec le soutien de l'intersyndicale a donc voté la
grève reconductible
à partir du lundi 10 janvier.
Assemblée générale lundi à 11h en salle Aron

Publicado por [Shift] às 01:37 PM | Comentários (1)

Abstenção, o voto útil

chumbawamba.jpg

Não tenho quaisquer problemas em votar num partido ou no candidato. O dinheiro, esse equivalente geral que tenta reduzir tudo e todos a meras mercadorias, é mais poderoso que Alegre ou Cavaco. E, no entanto, vivendo neste mundo, não tenho opção senão sujar as mãos com o vil metal. Tampouco vejo em Alegre e Cavaco uma equivalência a todos os níveis. O que não me impede de ver em Alegre uma personagem de difícil previsibilidade. Se, por um lado, concordo com as achegas avançadas pelo Saboteur, por outro, o seu legado inscreve-se na história do PS. Não a de outra força política.
Dia 23, não depositarei o meu voto numa urna. Ao contrário do Paradise Café, a minha posição não deriva da “necessidade imperativa de não ajudar a credibilizar esta corja”, mas sim de uma necessidade de desenvolver uma estratégia política que não parta desta “corja”, mesmo que tal ponto de partida seja enformado por um profundo antagonismo. O “Que todos se vão! Não queremos nenhum”, palavra de ordem das manifestações argentinas de 2001, deve, deste ponto de vista, ser encarado como um “Saiam da frente. Que vocês estão à frente do nosso caminho”, um caminho construído por um desenrolar de acontecimentos – de ocupações de fábricas às assembleias de bairros” – que espelhavam uma nova forma de se fazer política. Não um olhar para a “política” feita pelos outros.
Assim, a abstenção de dia 23 não se pode limitar a um não fazer, a um ficar em casa, mas sim a um sair de casa, para então se fazer as coisas por nós próprios.
A crítica que adivinho a este post poderá ser algo do género de: “Concordo. Isso é tudo muito bonito. Mas com uma presidência e um governo PSD teremos uma nova constituição, com todos os perigos associados: fim do serviço nacional de saúde, liberalização dos despedimentos, etc”. É verdade, esse perigo existe. Porém, a ideia da ineficácia de uma política horizontal, não assente numa lógica representativa, é completamente falsa. E basta olhar um pouco para a história do nosso pais para perceber isso. Melhor, basta olhar um pouco para a Europa e verificar que os países que têm um melhor nível de vida são, muitas vezes, os países que têm uma maior conflituosidade social. Por cá, continuemos a depositar as nossas esperanças em Alegre, no Bloco e no PS. Para a seguir, nos contentarmos com essa importante conquista que é o aumento do salário mínimo para os 500 euros…em meados do próximo ano.


Publicado por [Dallas] às 12:36 PM | Comentários (12)

janeiro 08, 2011

New York em alvoroço

Morreu assassinado num quarto de hotel em Nova Iorque, às mãos de um super-modelo de 20 anos, vítima de mutilação genital. Nada que não pudesse acontecer a qualquer um dos editores do Spectrum.

Talvez por isso, esta morte que está a chocar o país, nos toque ainda mais fundo.

Para Nova Iorque enviámos Party Program, que irá recolher material para o seu próximo filme e em breve fazer um relato mais pormenorizado dos acontecimentos.

Publicado por [Saboteur] às 07:22 PM | Comentários (14)

O voto pode ser útil, mas para quem?

Nestas eleições também se joga o apoio às políticas deste Governo que, em nome da austeridade, desencadeou o maior ataque à força de trabalho desde o 25 de Abril.
Alegre, o candidato do Governo, esteve sempre com esta visão. Apropria-se de um linguajar meio esquerdista, pois com certeza, mas quantas vezes votou contra os sucessivos orçamentos de estado da miséria? Quantas vezes levou realmente as críticas internas ao seu partido até ao fim? Não mantém o cartão? Com que bases se pode afirmar que uma boa votação de Alegre suaviza as golpadas que ininterruptamente se tem feito à força de trabalho desde o 25 de Novembro até aqui? (data que nos lembra como este democrata andava de mãos dadas com a extrema direita a combater sem tréguas a revolução). Como é que votar em PS, PSD ou CDS pode ajudar, seja de que forma for, a retirar a máscara a estes farsantes oligarcas?

Para os votantes de Alegre mais à esquerda, claro que a resposta está em Cavaco: é o papão. Mas porque é que esse argumento não servirá para votar Sócrates nas próximas legislativas? Não será sempre pior uma coligação PSD/CDS que um governo socialista? Então, que passo de magia se dá para o raciocínio ser outro no que respeita à presidência?
Claro que também se pode responder que Alegre fez um enorme esforço para se apróximar de alguma esquerda, quer em intervenções, quer em iniciativas públicas. Certo, mas não seria isso já uma pré-campanha? Parece-me evidente.
Já do ponto de vista militante, creio ser normal que os bloquistas, e em particular a sua direcção, apoiem Manuel Alegre. O BE só pode (e quer) crescer para à direita e disputa, cada vez mais, o eleitorado ao PS. Dessa forma, uma candidatura que divide a direcção socialista, os seus militantes e até eleitores, só pode ser boa. E a cereja no topo do bolo: pode reivindicar um resultado entre os 20 a 30%, coisa que só conseguirá fazer daqui a uns bons anos quando a sua viragem à direita estiver completada.

Por fim, a declaração de intenções.
A minha abstenção e a sua defesa surgem da necessidade imperativa de não ajudar a credibilizar esta corja... Até quando vamos levar no focinho e continuar a lamber a mão que nos bate, sempre em nome de um mal menor?
A voto só é útil para os dirigentes continuarem a ter alguma base de apoio e para que isto pareça alguma coisa mais que um circo de cretinos.
(Desculpem o tom à prec, mas fiquei irritado quando me lembrei do papel de Alegre nesses tempos, foi só uma homenagem a que o combatia com todas as forças que tinha).

Publicado por [Paradise Café] às 04:43 PM | Comentários (6)

janeiro 07, 2011

Correio da Manhã nas presidenciais

O Correio da Manhã está ao rubro com as presidenciais.

No meio da peças sobre mulheres violadas cujos violadores saíram em liberdade, investigações sobre a publicidade que Alegre fez para o BPP e notícias sobre polícias agredidos (e cujos agressores saíram em liberdade), artigos de opinião todos a bater na mesma tecla: A defesa de cavaco no caso BPN.

João Pereira Coutinho, acusa Alegre do pior dos pecados: "ter a retórica do Bloco".

António Nogueira Leite, tenta ser mais elaborado. Lembra que Pessoa escreveu "O poeta é um fingidor" e daí parte para uma série de variações sobre os "fingimentos do poeta" numa "pré-campanha medíocre".

Manuela Moura Guedes (escreve também no Correio da Manhã!) é mais directa. A mulher que uniu o 31 da armada ao 5 dias numa manifestação pela liberdade de expressão, queixa-se do "caso BPN" e da "imprensa que anda a reboque das campanhas socialistas".

Constância Cunha e Sá faz lembrar um camarada aqui da blogosfera e queixa-se que o caso BPN só está a ser explorado porque a esquerda "não tem qualquer ideia sobre a função presidencial". Pelo caminho, as escutas a Vara vêm à baila, bem como a inevitável colagem de Alegre ao Bloco de Esquerda.

Finalmente, Paulo Pinto Mascarenhas, afirma que "hoje ninguém ignora que o que está em jogo nas presidenciais é o combate entre o bom nome do inquilino de Belém e a campanha suja lançada pelos socialistas com a cumplicidade do Bloco"

Se numa altura em que as sondagens dão larga vantagem ao seu candidato eles já estão assim, se houvesse uma segunda volta, acho que aquele corja de manipuladores que finge fazer jornalismo tinha uma apoplexia colectiva e o pasquim deixava de sair .

Publicado por [Saboteur] às 06:11 PM | Comentários (5)

Correndo o risco de levar mais uma repreensão do Renato...

... cá vai mais um bom video contra o Cavaco.

Vindo do Tabus de Cavaco. Um blog a acompanhar sempre.

Publicado por [Saboteur] às 12:50 AM | Comentários (3)

janeiro 06, 2011

Inevitavelmente...

...Renato Teixeira, que se tem desdobrado em posts contra Manuel Alegre, teve de fazer um sobre Cavaco...

...incomodado por a esquerda o atacar tanto.

Publicado por [Saboteur] às 02:53 PM | Comentários (36)

olha ó sectarismo

Hoje no fórum tsf o candidato-poeta desta pártia lusa largou algumas pérolas preciosas para convencer o eleitorado de esquerda que nisto da política não são todos iguais: há diferenças entre quem quer representar este povo lusitano, ora vejamos:

pérola é mais ou menos isso e o seu contrário, no fundo serei o presidente de todos os portugueses, sejam eles comunistas ou capitalistas, isto também já não quer dizer nada, é so ismos prá aqui e prá acolá

Interrogado por uma ouvinte sobre que novo modelo político se refere Manuel Alegre quando diz que é preciso substituir o actual: "(...) este capitalismo colapssou, a social-democracia também, após mastricht...neste momento não há um modelo (...) sou partidário da economia de mercado, mas com ética e com regulação -- temos de procurar novas soluções (...)"

pérola salazar

"Portugal foi pioneiro quando mandámos as naus fora e invetámos a europa antes de ela se ter inventado (...) também agora podemos ser nós os pioneiros para solucionar este problema de sistema que agora o mundo enfrenta"

pérola no campo é que se está bem, há mais perdizes e tal, não estou a brincar, esta é, evidentemente a pérola decrescimento

"os portugueses têm de voltar a ir para a terra"

Publicado por [Paradise Café] às 12:31 PM | Comentários (17)

Tropa de Elite

O Estado-maior do Exército confirmou hoje a ocorrência de um "incidente com material de guerra" no quartel do Centro de Tropas Comandos

Publicado por [Saboteur] às 12:01 PM | Comentários (2)

RDA69 - Programação Janeiro

janeiro_A4.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:32 AM | Comentários (0)

janeiro 04, 2011

Sulle Strade di Roma

Publicado por [Party Program] às 05:19 PM | Comentários (7)

janeiro 03, 2011

nevoeiro

Publicado por [Renegade] às 06:40 AM | Comentários (2)

janeiro 02, 2011

mesa-redonda O ESPECTRO DA ANARQUIA

Casa da Achada # sábado, 8 de Janeiro # 15h # entrada livre

organização UNIPOP

(ver localização aqui)

com a participação de:

António Cunha
# membro do colectivo Casa Viva #

António Pedro Dores
# sociólogo e prof. no ISCTE #

José Carvalho Ferreira
# economista e prof. no ISEG #

José Neves
# historiador e prof. na FCSH #

Miguel Madeira
# economista #

Miguel Serras Pereira
# tradutor #

Ricardo Noronha
# doutorando em História #

O recurso a etiquetas ideológicas é uma prática recorrente, quer por parte de correntes de pensamento e movimentos sociais e políticos quer por parte dos poderes instituídos. Se para os primeiros uma lógica de fixação identitária parece impô-lo, para o segundo trata-se de uma técnica de definição de um inimigo, interno ou externo, identificável, de um processo de naturalização do recurso à violência autorizada. «Comunismo», «terrorismo», «antiglobalização», «anarquismo» têm sido algumas dessas etiquetas. Mais recentemente, o «anarquismo» – ou mais sofisticadamente as «ideias anarquistas» – instalou-se no espaço mediático a propósito de um conjunto de movimentações sociais contra os poderes instituídos. Detenções, condenações judiciais, cordões policiais em manifestações, a coberto da defesa da democracia contra as «ideias anarquistas», têm, na verdade, sustentado a criminalização de todas as lutas que procuram situar-se para lá da intervenção política e social institucionalizada. Partindo do reconhecimento de que por detrás da designação «anarquismo» se esconde uma enorme pluralidade teórica e prática, a UNIPOP propõe uma discussão acerca do percurso histórico das «ideias anarquistas» em Portugal, bem como uma abordagem cruzada de algumas das tradições teóricas que se colocam sob essa etiqueta.

Publicado por [Manic Miner] às 10:25 PM | Comentários (13)