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dezembro 31, 2010

Força Obikwelu!

Francis Obikwelu é um Herói.

Nascido na Nigéria, veio para Portugal ainda adolescente, com 16 anos. É mais um exemplo de como, entre os imigrantes, é que se encontram, com maior probabilidade, os melhores: trabalhadores, dedicados, desenrascados, lutadores audazes...

Enquanto trabalhava na construção civil, aprendeu português e começou também a treinar atletismo no Belenenses.

Em provas internacionais representava o seu país de origem, mas no seguimento de uma lesão que sofreu ao representar a Nigéria - lesão essa que teve de tratar às suas próprias custas, sem nenhum apoio do estado Nigeriano - Obiqwelu decidiu definitivamente correr "por portugal"... E como corre! Faz 100 metros em menos de 10 segundos!

Dito isto faz-me muita impressão a catadupa de notícias que apontam o dedo a Obikwelu, como se fosse um criminoso, fazendo peças que nenhum jornalista teve coragem de fazer sobre Dias Loureiro, quanto mais sobre um certo Presidente que o nomeou para o Conselho de Estado enquanto vendia atempadamente umas acções de um banco falido...

Aliás, toda este consenso em torno da condenação do "doping no desporto", é uma hipocrisia pegada. Os ciclistas podem ter bikes feitas pela NASA; os corredores, ténis aerodinâmicos, quase com propulsores, os nadadores, fatos de banho com escamas, os chineses treinam 16 horas por dia desde os 7 anos de idade e - numa espécie de preconceito químico - ninguém pode tomar uma aspirina porque senão está a ferir de morte a ética desportiva.

Ainda para mais, o resultado disto é que, tal como acontece com as drogas recreativas, cai-se num autêntico jogo do gato e do rato em que, à medida que mais substâncias entram para o index do doping, outras vão sendo experimentadas e testadas, sobretudo por países e equipas com maiores possibilidades financeiras para pagar a laboratórios e investir em investigação.

Não quer isto dizer que eu ache que Obiqwelu tomou alguma substância deste index hipócrita. Ele disse que não. Que tudo isto quase lhe dava vontade de rir. E para mim, a palavra de um herói deste calibre, vale 500 vezes mais do que a da Guardia Civil que diz que interceptou um chamada de um "atleta com pronúncia africana".

Publicado por [Saboteur] às 01:35 PM | Comentários (12)

dezembro 30, 2010

Jerking off on political science - Vénus, Olympia e Kitschelt


Olympia de Manet, uma reinterpretação da Vénus de Ticiano mas com puta, gato e falta de perspectiva

«Quatro condições determinam as oportunidades e constrangimentos na formação de partidos de esquerda-libertária:
- (1) Estados Providência inclusivos aumentam os recursos financeiros e disposições de motivação para grupos importantes reorientarem a sua atenção política da economia para as questões políticas pós-industriais;
- (2) Corporativismo laboral forte e (3) participação da esquerda no governo constrangem a prossecução de exigências pós-industriais através de canais políticos institucionalizados, pelo que, em consequência, favorecem a probabilidade do desenvolvimento de novos veículos políticos para a expressão daquelas exigências
- (4) A probabilidade de formação de partidos de esquerda-libertária aumenta mais quando conflitos fortemente visíveis acerca de questões políticas pós-industriais mobilizam movimentos sociais e polarizam a sociedade.»


Vénus de Urbino de Ticiano, o original com deusa, cão e perspectiva

«(…) a formação de preferências políticas torna-se mais difícil de apreciar quando vamos para além do trabalho e dos "estilos de produção" e examinamos a fenomenologia das experiências de consumo ou - por empréstimo a Bordieu - o “habitus” de consumo que afecta as disposições políticas. Uma maneira de trazer os estilos de consumo para a política é argumentar que a dependência dos cidadãos de estruturas públicas (transportes, cuidados de saúde, habitação) é decisiva para o seu posicionamento na dimensão socialismo-capitalismo. (...) Uma maneira diferente de construir o efeito independente dos estilos de consumo foca-se na experiência das pessoas quanto a natureza externa e interna na procura de satisfação de escolhas de consumo. A estruturação física das actividades socio-económicas no espaço origina uma “politica do espaço”, quando os indivíduos se confrontam com ingerências aos seus estilos de consumo, por exemplo por planeamento urbanístico e de uso de terrenos, localização de complexos industriais e poluição. De uma forma semelhante, a intervenção política burocrática pode conflituar com a natureza íntima do cidadão, com as identidades pessoais e colectivas voluntárias, despoletando uma “politica da identidade social”. Os movimentos feminista e de minorias culturais ilustram ambos a política da identidade social que insiste na autonomia individual e grupal na expressão de estilo de vida e sentido de distinção.»

Herbert Kitschelt

Publicado por [Joystick] às 02:09 AM | Comentários (2)

dezembro 29, 2010

Passos Coelho dá uma mãozinha na campanha

Pedro Passos Coelho deu ontem das melhores contribuições para a campanha de Manuel Alegre:

«nunca em tantos anos foi tão importante eleger um Presidente. Imaginem o que é, nós precisarmos de fazer reformas importantes no país, e termos um Presidente da República com a visão do Bloco de Esquerda do que deve ser o futuro do país»

Passos Coelho mostra que tem medo que um eventual Presidente Alegre lhe trave o plano de "reformas importantes" que tem na manga quando chegar ao Governo.

Publicado por [Saboteur] às 05:31 PM | Comentários (3)

Gaza Youth Breaks Out

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Manifesto da juventude de Gaza pela mudança! (GYBO Manifesto in Portuguese)

Que se foda o Hamas. Que se foda Israel. Que se fodam as Nações Unidas, o UNWRA. Fodam-se os EUA! Nós, os jovens em Gaza, estamos fartos de Israel, do Hamas, da ocupação, das violações dos direitos humanos e da indiferença da comunidade internacional! Queremos gritar e quebrar este muro de silêncio, injustiça e indiferença assim como os F16 israelitas quebram a barreira do som; gritar com todo o poder nas nossas almas, de maneira a libertar esta enorme frustração que nos consome por causa da situação fodida em que vivemos; Somos como piolhos entre duas unhas a viver um pesadelo dentro de um pesadelo, sem lugar para esperança, sem espaço para liberdade. Estamos enjoados de nos vermos metidos nesta luta política; enjoados de noites frias e escuras com aviões a sobrevoar as nossas casas; enjoados de ver agricultores inocentes serem abatidos em zonas de contenção, porque estão a tomar conta das suas terras; enjoados de tipos barbudos que caminham com as suas armas abusando do seu poder, espancando ou encarcerando jovens que manifestam os seus ideais; enjoados do muro de vergonha que nos separa do resto do nosso país e, nos mantém presos num bocado de terra do tamanho de um selo; enjoados de sermos retratados como terroristas, fanáticos amadores com explosivos nos bolsos e maldade nos olhos; enjoados da indiferença recebida da comunidade internacional, especialista em expressar preocupação e esboçar resoluções mas, covarde em reforçar qualquer coisa sobre a qual chega a acordo; estamos enjoados e cansados de viver esta vida de merda, sermos aprisionados por Israel, espancados pelo Hamas e completamente ignorados pelo resto do mundo.

Existe uma revolução a crescer dentro de nós, uma imensa insatisfação e frustração que nos irá destruir a não ser que encontremos uma forma de canalizar esta energia para algo que possa desafiar o estado actual das coisas e nos dê algum tipo de esperança. A última gota que fez os nossos corações tremerem com frustração e sem esperança foi lançada no dia 30 de Novembro, quando oficiais Hamas chegaram ao Fórum juvenil Sharek, uma organização de jovens (www.sharek.ps), com as suas armas, mentiras e agressividade, expulsando todos, prendendo alguns e impendindo a Sharek de funcionar. Alguns dias mais tarde, manifestantes em frente à Sharek foram agredidos e alguns presos. Nós estamos realmente a viver um pesadelo dentro de um pesadelo. É difícil encontrar palavras para a pressão a que estamos sujeitos. Mal sobrevivemos à Operação Cast Lead na qual Israel, de forma bastante eficaz, nos bombardeou violentamente, destruindo milhares de casas e ainda mais vidas e sonhos. Eles não se livraram do Hamas, como pretendiam, mas assustaram-nos sem sombra de dúvida e espalharam a síndrome de stress pós-traumático por todos, como se não houvesse para onde fugir.

Somos uma juventude com corações pesados. Carregamos um peso tão imenso que torna difícil apreciar o pôr-do-sol. Como apreciá-lo quando nuvens escuras pintam o horizonte e memórias desoladoras passam em frente aos nossos olhos sempre que os fechamos? Sorrimos de forma a esconder o sofrimento. Rimos para esquecer a guerra. Temos esperança para que não cometamos suicídio, aqui e agora. Durante a guerra ficámos, sem margem para erros, com o sentimento que Israel queria apagar-nos da face da Terra. Durante os últimos anos, o Hamas têm feito tudo o que pode para controlar os nossos pensamentos, comportamentos e aspirações. Somos uma geração de jovens usados para enfrentar mísseis, carregando o que parece ser a impossível missão de viver uma vida normal e saudável e apenas tolerada por uma organização massiva que se tem disseminado pela nossa sociedade como um carcinoma maligno, causando desordem e matando eficazmente todas as células vivas, pensamentos e sonhos à sua passagem assim como paralisando pessoas com o seu regime de terror. Já para não falar da prisão em que vivemos, uma prisão sustentada por um país considerado democrático.

A História está a repetir-se na sua forma mais cruel e ninguém parece importar-se. Nós temos medo. Aqui em Gaza temos medo de ser presos, interrogados, espancados, torturados, bombardeados, mortos. Temos medo de viver porque cada simples passo que damos tem de ser considerado e bem pensado, há limitações em todo o lado, não nos podemos mexer como gostaríamos, dizer o que queremos dizer, fazer o que queremos fazer, por vezes nem podemos pensar o que queremos porque a ocupação ocupou de forma tão terrível os nossos cérebros e corações que dói e dá-nos vontade de derramar intermináveis lágrimas de frustração e raiva!

Nós não queremos odiar, não queremos sentir todos estes sentimentos, não queremos continuar a ser vítimas. CHEGA! Chega de dor, chega de lágrimas, chega de sofrimento, chega de controlo, limitações, justificações injustas, terror, tortura, desculpas, bombardeamentos, noites sem dormir, civis mortos, memórias negras, um futuro sombrio, sensação de dor no coração, políticas disturbadas, políticos fanáticos, tretas religiosas, chega de encarceramento! NÓS DIZEMOS BASTA! Este não é o futuro que queremos!

Nós queremos três coisas. Queremos ser livres. Queremos ter a possibilidade de viver uma vida normal. Queremos paz. Será pedir demais? Somos um movimento pela paz constituído por jovens de Gaza e apoiantes de outros sítios que, não vai descansar enquanto a verdade sobre Gaza não for do conhecimento de toda a gente neste mundo e, de tal forma que nunca mais o silêncio consentido ou a indiferença sonante sejam aceites.

Este é o manifesto da juventude de Gaza pela mudança!

Começaremos por destruir a ocupação que nos rodeia, libertar-nos desta prisão mental e recuperar a nossa dignidade e auto-respeito. Vamos continuar de cabeças erguidas mesmo sabendo que iremos enfrentar resistência. Trabalharemos dia e noite para mudar estas condições miseráveis em que vivemos. Vamos construir sonhos onde encontramos muros.

Apenas esperamos que tu - sim, tu que estás a ler esta declaração agora mesmo! – Nos possas apoiar. Para descobrires como, por favor escreve-nos no nosso wall no facebook ou contacta-nos directamente:freegazayouth@hotmail.com

Nós queremos ser livres, queremos viver, queremos paz.

Liberta a juventude de Gaza!

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:42 AM | Comentários (19)

RDAVelhão

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Publicado por [Chuckie Egg] às 09:58 AM | Comentários (2)

dezembro 28, 2010

Uma campanha cada vez mais embaraçosa


Casamento de sem-abrigos abençoado por Cavaco Silva e que não compromete o esforço de consolidação orçamental nem inquieta os mercados

Galinha de Fernando Nobre procura escapar a um sobrinho de Francisco Lopes, que deseja roubar-lhe o último pedaço de pão (antes de pegar ao trabalho na mina de carvão)

Defensor de Moura corre para ser um Presidente da República acima de qualquer suspeita, ao lado de um Primeiro-Ministro abaixo de qualquer suspeita

Manuel Alegre demonstra "compreender" a necessidade de medidas de austeridade, enquanto espreita por trás do ombro, não vá o Chico estar a ouvir

Manuel João Vieira continua o difícil e inglório combate pela dignificação da vida política portuguesa e para uma solução à Esquerda dos graves problemas nacionais, distinguindo-se da atitude irresponsável e da campanha rasteira promovida pelos outros candidatos

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:57 PM | Comentários (1)

dezembro 27, 2010

Cavaco Yo!!

Publicado por [POKE] às 01:39 PM | Comentários (5)

dezembro 26, 2010

José Guilherme substitui Jorge Costa

José Guilherme é o novo treinador da Académica de Coimbra, sucedendo no cargo a Jorge Costa, que saiu por razões pessoais, informa o site do clube.
José Guilherme terá como adjunto José Alberto Costa, um homem que «conhece os valores deste clube como poucos».

Publicado por [Saboteur] às 06:21 PM | Comentários (14)

dezembro 24, 2010

Sectaríssimos

Através de mais um post de Renato Teixeira, vindo directamente do espaço, sobre as eleições presidenciais, descobri este pomposamente chamado «Portal de informação das esquerdas portuguesas».

Nos primeiros segundos fiquei agradavelmente surpreendido. Um portal das esquerdas! A própria percepção de que existem várias esquerdas e de que vale a pena agrupar a sua informação num único portal, parece apontar para uma certa tolerância e capacidade de diálogo para talvez, quem sabe, encontrar dentro do pluralismo social e político do campo anti-capitalista, já não digo uma alternativa, mas ao menos algumas linhas de trabalho comuns ou pelo menos algum respeito mútuo ou pelo menos alguma gota de bom senso, que impeça, por exemplo, de meter o Sócrates, o Louçã, o Daniel Oliveira e o Jorge Coelho no mesmo saco...

Que enganado estava eu.

Um olhar mais atento sobre o portal de informação das esquerdas, revela, em grande destaque, um anuncio à revista Rubra que, inevitavelmente, traz na capa o candidato dos renovadores comunistas, bloquistas e socialistas - Manuel Alegre - numa montagem, lado a lado, com o Ricardo Salgado, Belmiro de Azevedo, Paulo Portas, Cavaco, etc.

Quase tão cómica como a capa da Rubra é sem duvida a sondagem aos leitores.

«Que candidato teria mais hipóteses de derrotar Cavaco numa segunda volta?» Xico Lopes vai à frente, taco-a-taco com Alegre.

Todo este prestígio, para estas bandas, deveria preocupar seriamente os camaradas do PCP, mas não deixa de ser injusto para com Francisco Lopes.

Publicado por [Saboteur] às 06:06 PM | Comentários (22)

Neste Natal ofereça CDs gravados

A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) tem estado ultimamente activa com alguma visibilidade na "luta contra a pirataria".

O segredo do sucesso, creio, está relacionado com a ocultação do facto de que defende os interesses das poderosas editoras discográficas já instaladas no mercado português, mascarando-o com uma suposta protecção do artista e da cultura.

Veja-se como a AFP arregimenta facilmente 3 músicos para ir na sua comitiva ter com a futura ministra da cultura, para serem fotografados e darem umas palavrinhas aos jornalistas.

Quanto recebe Rita Red Shoes por cada disco vendido? 10%? 15% no máximo. Não lucrará ela muito mais em dar concertos pelo país a pessoas que conhecem as músicas dela (e eventualmente até gostaram) porque as descarregaram na net, enviaram a uns amigos por mail ou passaram pela pen para o computador de um colega do trabalho?

Não lucrará muito mais a cultura e a sociedade se a musica gravada puder circular livremente? E é verosímil que um artista, que acredite minimamente no seu trabalho, vá deixar a música e dedicar-se aos seguros, porque o seu rendimento depende muito mais de tocar em bares e salas de espectáculo pelas cidades do que de vender discos na Fnac, onde ele só tem a ganhar uma parcela minúscula?

Triste papel o destes 3 músicos que deram a cara pelos interesses de quem os explora.

Publicado por [Saboteur] às 01:25 PM | Comentários (3)

dezembro 22, 2010

Recordar é viver

Numa altura em que Cavaco, mais do que nunca, se põe acima de "os políticos", aos quais "deu conselhos" para o país não cair na crise em que está mergulhado, vale a pena dar uma vista de olhos no blog "Tabus de Cavaco", que procura recordar alguns momentos do cavaquismo.

Este post em particular fez-me lembrar os meus tempos de faculdade, em que a Maria Cavaca chegava à escola com grande estardalhaço, para dar aulas rodeada de seguranças, toda orgulhosa por ser a esposa do primeiro-ministro... Como será ela hoje em dia, como "Primeira Dama"?

Publicado por [Saboteur] às 02:27 PM | Comentários (0)

dezembro 21, 2010

Espírito do tempo


Publicado por [Rick Dangerous] às 04:02 PM | Comentários (5)

Fuck 2011

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Publicado por [Chuckie Egg] às 03:00 PM | Comentários (2)

dezembro 16, 2010

Poesia de Rua +/-

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http://maismenos.net/

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:34 PM | Comentários (6)

Demissão já!

Será que depois de isto e de isto verei este palhaço demitido quando acordar de manhã?
Nã, isto ainda não é um País a sério.

Publicado por [POKE] às 12:28 AM | Comentários (12)

dezembro 15, 2010

O bufo

Parece que a ficha que Cavaco preencheu para a PIDE era obrigatória para funcionários públicos.

Assim sendo (alguém confirma que é verdade? É que também já me disseram que não, que era o futuro primeiro-ministro e presidente a querer dar bom aspecto ao poder e aos poderosos), creio que não há muito a dizer sobre o "integrado no actual regime político" (página 2) Outra coisa não seria de esperar de um jovem professor, sem militancia política, durante o regime fascista.

No entanto, na página 4, já depois de assinar, Cavaco quer dar algo mais à PIDE e escreve com o próprio punho, no campo das observações, «O sogro casou em segundas núpcias com Maria Mendes Vieira, com quem reside e com quem o declarante não priva.»

Isto é absolutamente inaceitável.

Cavaco fornece à Pide informação sobre alguém da família da mulher, com quem não se quer identificar!
Porquê dizer à polícia política que houve casamento em segundas núpcias? Tudo soa um bocado a repudio e a denúncia ao mesmo tempo... sobretudo porque ele faz questão de declarar o seu afastamento.

Um bufo da PIDE, portanto.

Publicado por [Saboteur] às 09:24 PM | Comentários (7)

Mais uma cadeira vazia (e de que ninguem fala)

É assim a luta política.

Muito se tem falado sobre um dissidente cubano que recebeu um prémio e não o pôde ir levantar... Até o Vias de Facto (João Tunes) tem um postzinho sobre o Fariñas, comparando-o a Liu Xiabou e comparando Cuba à China.

No entanto tem de se ir a um site recôndito do outro lado do Atlântico para ler uma notícia sobre Mordechai Vanunu, que denunciou o existência de um programa nuclear israelita, foi raptado pela Mossad em Roma, preso durante 18 anos e impedido de sair do país, mudar de residência ou contactar com estrangeiros.

Mordechai Vanunu, ganhou um prémio de Direitos Humanos na semana passada e também foi impedido de o ir receber, tal como os chineses o fizeram.

Publicado por [Saboteur] às 09:06 PM | Comentários (1)

dezembro 13, 2010

Uma sombra daquilo que foi


The Portuguese Communist Party (PCP) used to be a major political force but is a shadow of its former self.
The Socialists' abandonment of the extreme left, however, gave the PCP a new lease on life, and it is polling at its former numbers, despite having no good leaders. The Left Bloc (BE), comprises the younger left. The BE was vocal and effective in opposition to PS reform proposals. Both the PCP and BE are poised to gain support in national legislative elections, but are too small to govern. Each party hopes to form a coalition with the PS, not recognizing that the PS leadership is fleeing from the far left and would prefer a weak minority government to a coalition with the far left.

Telegrama enviado pela embaixada dos EUA em Lisboa para o Departamento de Estado

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:52 PM | Comentários (22)

dezembro 09, 2010

London calling

Em Inglaterra vota-se a reforma que alterará a lei de financiamento na educação, o parlamento tem uma barreira a toda a volta e já começaram as cargas policiais, desta vez com polícia a cavalo. É ir acompanhando, nos facebooks, twitters, jornais on-line, e para quem puder, nas ruas.

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:04 PM | Comentários (7)

I AM WIKILEAKS

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Publicado por [POKE] às 02:48 PM | Comentários (3)

dezembro 08, 2010

#infoblackbloc

http://twitter.com/search#search?q=%23payitforward

http://twitter.com/search#search?q=%23payback

Report: WikiLeaks supporters hack Palin's website

Mastercard payments disrupted after WikiLeaks hackers launch 'cyberwar' over donations ban

http://eskup.elpais.com/*papelesembajadas2010

Entrevista com os responsaveis: http://www.economist.com/blogs/babbage/2010/12/more_wikileaks

Publicado por [Party Program] às 11:39 PM | Comentários (9)

Retaliação

Parece que um grupo de hackers está a retaliar contra o bloqueio à Wikileaks e a perseguição a Julian Assange. Até deixaram instruções precisas de como qualquer um de nós pode facilmente participar neste processo de hacking às redes mastercard e visa. Parece que é só seguir as instruções deste link, 6 passos simples sob o título "Windows" ou "Mac/Linux", dependendo do sistema.

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Publicado por [R-Type] às 10:10 PM | Comentários (1)

Dio se eravamo belle

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Le divise informi di stoffa ruvida con stampigliato sulla schiena "Trani - 1944" (ma eravamo belle lo stesso, bastardi, Dio se eravamo belle). E quando mettevano brutta musica a tutto volume sparata dagli altoparlanti in tutti i corridoi per impedirci di comunicare tra noi, noi cantavamo più forte, fino a gonfiare le vene del collo. E quando, al momento dell’arrivo, ci mettevano nude in fila e ci facevano fare sei flessioni e poi ci cacciavano a forza sotto le docce calde, per vedere se la vagina, rilassata dal calore, lasciava cadere esplosivi, messaggi cifrati, documenti politici, lettere d’amore clandestine, cacciavamo le lacrime in gola e cercavamo i nostri sguardi più sprezzanti e, perfino, qualche scintillio di ironia. E quando, rivestite delle divise naziste, e calze color militare che scendevano al polpaccio ad ogni passo e scarpe di cartone, incalzate dal fiato sul collo dello sbirro che dava il ritmo dell’apertura dell’infinita teoria dei cancelli blindati ripetendo "muoviti puttana". Sì, anche allora eravamo belle, bastardi, Dio se eravamo belle.

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:32 PM | Comentários (1)

dezembro 07, 2010

A "excepção" dos Açores

Ontem o fórum da TSF estava feito para incitar à revolta:

“Concorda com o regime de excepção implementado nos Açores no que diz respeito ao corte nos salários da função pública?”. “O Presidente Cavaco Silva diz que a excepção pode ser inconstitucional. Carlos César acusa o Presidente de dividir os portugueses. Queremos saber a sua opinião”. “Será este um sinal de fraqueza do Governo Sócrates?”.

Realmente parece que soaram todos os alarmes nos meandros do poder. Cavaco, que sempre fez gala em não falar da política nacional no estrangeiro, fez uma declaração choque contra a medida do Governo Regional. Sócrates mostrou-se indignado e nem quis acreditar que fosse verdade. A comunicação social saltou em cima, com um batalhão de comentadores a falar sobre o grande desígnio nacional de contenção e austeridade.

Com certeza que até a direcção do Público terá equacionado enviar Paulo Moura aos Açores para mais uma reportagem criativa sobre como os funcionários públicos anseiam pelos seus salários para gastar tudo em putas e champanhe…

A operação foi bem sucedida e as opiniões no fórum - mesmo daqueles que não concordavam com o corte salarial da função pública – eram de grande crítica à medida. As teses moralistas continuam a ganhar raízes na consciência do nosso povo sem haver quase ninguém que se chegue à frente para fazer fogo em sentido contrário.

A perder ficou mais uma vez um trabalho jornalístico isento e de qualidade, que informasse, por exemplo, que a medida não agravaria o deficit da República, uma vez que as verbas provinham do orçamento regional e que o dinheiro, ou estaria consignado a despesas com pessoal ou estaria consignado a outra rubrica qualquer (provavelmente menos reprodutiva e menos virada para a equidade).


Publicado por [Saboteur] às 04:44 PM | Comentários (8)

Cinema lá em baixo

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No Blog Cinema lá em cima podem sempre acompanhar a programação e ver os trailers dos filmes que passam cada semana.

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:15 PM | Comentários (2)

RDA69 - Programa das festas Dezembro

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Publicado por [Chuckie Egg] às 10:40 AM | Comentários (0)

dezembro 05, 2010

Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo...

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"A reportagem é um género jornalístico que se caracteriza pela liberdade narrativa e pelo espaço concedido à subjectividade de quem relata, mas continua a ser uma peça de informação, que deve assentar, como ditam as regras deste jornal, "no terreno preferencial dos factos e da sua observação directa". A esta luz, a referência, afirmada no texto como uma certeza, a planos e intenções que não se concretizaram, atribuídas genericamente a anónimos, e sem apoio em factos ou declarações que as corroborassem (dos próprios ou de uma parte contrária), é questionável e penso que deveria ter sido evitada" (José Queiróz, Provedor do Público, sobre a reportagem de Paulo Moura em torno da manifestação contra a cimeira da NATO).

Retirado daqui.

Publicado por [Dallas] às 06:26 PM | Comentários (4)

WikiLeaks

Das notícias que fui lendo sobre as wikiLeaks da semana passada, aquela que achei mais relevante e reveladora - Hillary Clinton mandou espiar o Secretario Geral das Nações Unidas, Ba ki-moon - é curiosamente a menos citada pelos noticiários, artigos de opinião, programas de humor, blogs ou comentários na rua.

Já que o Kadafi não dispensa os serviços de uma enfermeira ucraniana, a todo o momento isso é referenciado.

Como disse António Filipe na sua página do Facebook, se Julian Assange fosse cubano seria um forte candidato ao prémio Sakarov.

Assim, pelo contrário, não tardará muito a ter um acidente de automóvel ou a ser acusado de pedofilia.

Publicado por [Saboteur] às 02:53 PM | Comentários (4)

dezembro 02, 2010

Mundial Futebol 2018

Não acompanho nada do futebol, mas tenho seguido o que se está a passar com as candidaturas ao mundial de 2018.

Em primeiro lugar, do ponto de vista económico, o fenómeno interessa-me. Os benefícios directos e indirectos. O aproveitamento dos custos afundados no Euro 2004… Parece-me claramente que todos aqueles que se opõem à realização do mundial por razões financeiras não têm razão absolutamente nenhuma, sendo a sua intuição deturpada pelo clima de austeridade que nos entra todos os dias pela cabeça a dentro.
Em segundo lugar, agrada-me a ideia de candidatura ibérica.

Hoje no fórum TSF a esmagadora maioria das pessoas ligava com mix-feelings: Por um lado queriam o mundial de futebol em Portugal, por outro lado sentiam-se ultrajadas por ter de concorrer com os espanhóis. “De Espanha, nem bom vento nem bom casamento”, disse um “técnico-comercial que nos liga da Póvoa do Lanhoso”.

Ora, precisamente para combater estes sentimentos patrioteiros, uma organização conjunta podia ser útil. Uma pequena ajuda para combater – nem que seja subconscientemente – nacionalismos bacocos que nunca trouxeram, ao longo de toda a história, nada de bom ao pessoal.

Publicado por [Saboteur] às 01:13 PM | Comentários (9)

dezembro 01, 2010

D. Duarte pediu nacionalidade timorense... AHAHAHAHAHAH!!

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http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1724657

Publicado por [Paradise Café] às 01:51 PM | Comentários (7)

De uma luta feita a muitas mãos: "O governo das desigualdades, crítica da insegurança neoliberal", de M. Lazzarato

M. Lazzarato, o governo das desigualdades - Capa_Page_2.jpg

Quando em Junho se constituiu a Plataforma das Artes reapareceu-nos uma vontade já antiga de, em conjunto, discutirmos questões que sentimos como estruturantes do nosso dia a dia: questões de emprego, de desemprego e de trabalho em geral, mas sobretudo questões de como vivemos a vida e de como nos pensamos (e vamos tendo ou não tendo de nos pensar a nós mesmos) em função dessa vida.

Questões que têm a ver, sim, com o trabalho nas artes ou no sector da cultura mas que também nos parecem ser maiores do que isso e achamos que não devem, por isso mesmo, ser reduzidas a “isso” apenas. E isto até por motivos estratégicos: bem pequenas, isoladas (e só “de gestão”!) ficam as actuais questões “das artes” e “da cultura” se não as tentarmos entender à luz mais ampla de uma deriva geral do trabalho em direcção à produção imaterial, um seu alargamento a todas as esferas da existência, o modo como é solicitado a cada trabalhador um investimento activo (em imaginação, inventividade, virtuosismo - características que antes pareciam caracterizar sobretudo o trabalho artístico e académico) na produção de si como um “empresário de si mesmo”.

E como pensar a subtil confusão entre “arte” e “cultura” com as noções vagas e aparentemente complexas de “criatividade” ou de “cidades criativas” tão em voga hoje em dia (noções essas que, mais do que nos parecerem corresponder a uma potencial de livre expressão dos indivíduos, nos parecem conter em si novas e menos transparentes tecnologias de gestão)? E como entender a aparente extrema desigualdade que atravessa o trabalho em geral (e o trabalho “cultural” em particular) de maneira a poder encontrar um terreno comum de união? E como fazê-lo sem que se esteja a contribuir para o isolamento dos artistas no seu “mundo”, separando-os ainda mais do todo da sociedade?

Foi porque todas estas questões se nos colocam, porque, de algum modo, queríamos contribuir para um debate que nos parece estar a precisar de novas palavras e de novas maneiras de colocar os problemas - um velho debate que hoje toma novas formas e que, como tal, nos pode ajudar a formar novos e mais precisos termos para lhes dar resposta - que decidimos traduzir este livro.

Traduzimo-lo voluntaria e colectivamente a muitas mãos e ainda não acabámos definitivamente de o rever, ainda não lhe fechámos definitivamente a paginação, antes decidimos divulgá-lo agora, que nos pareceu ser altura. Assim, é uma tradução de trabalho o que aqui apresentamos: tradução de trabalho de um livro escrito, ele mesmo, no decorrer de um conflito (o conflito dos intermitentes em França entre 2004 e 2005), livro instrumento do próprio conflito, tradução de trabalho de um livro de trabalho em suma. Esperemos que a sua leitura possa contribuir para o debate!

(Os tradutores)

O governo das desigualdades, crítica da insegurança neoliberal", de M. Lazzarato

Publicado por [Dallas] às 12:04 PM | Comentários (8)