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julho 30, 2010

We don´t need no water let the motherfucker burn

Burn Ignite :: Ride :: feat Steve Berra (OFFICIAL HD) from Burn Ignite on Vimeo.

Via DFLEKTOR

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:26 PM | Comentários (36)

julho 29, 2010

Lápis Arco-Íris

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Publicado por [Paradise Café] às 03:35 PM | Comentários (16)

Som una Nació!

Passei o dia inteiro a ler em vários blogs e no facebook uma série de gente felicíssima por na Catalunha terem proibido as touradas. Finalmente, dizem. A tourada é barbaridade, afirmam.

Não que não o seja. Mas os catalães não proibiram as touradas por amor aos bichos, por serem dotados de uma sensibilidade superior ou por preferirem valores culturais mais civilizados como óperas no liceu. Não. Proibiram-nas só para lixar os espanhóis. Só para os chatear, para afirmarem uma identidade cultural distinta do estereótipo espanhol. E não por acaso poucas semanas depois do chumbo de parte considerável do estatuto de autonomia. Isto claro numa Catalunha na qual o maior traço de identidade cultural que consegue sublinhar é o facto do seu prato nacional ser uma salsicha um pouco maior do o normal. Não me leiam mal, acho que a única coisa pior do que ser independentista na Catalunha será ser Espanholista no estado Espanhol, mas acima de tudo agradeço à criação o facto de essa questão nunca me ter sido posta de modo tão vital.

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Espanha e Catalunha venha o diabo e escolha.

Abomino touradas e tudo o que lhes diga respeito, acho no entanto que o argumento anti-espanhol será sempre mais agradável do que essas tretas de cultura superior e de uma suposta elevação ética dos que não gostam de tourada. Principalmente quando se reclamam de uma vitória moral baseada em picanços que lhes escapam totalmente.


Não obstante a tourada ser crime ninguém lhes tira uma certa pose e carisma. Nunca vi nenhum militante vegetariano a mandar tanta pausa.

Publicado por [Party Program] às 04:21 AM | Comentários (16)

julho 28, 2010

Parabéns party program

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:36 PM | Comentários (5)

Mais uma evacuação! Imagens chocantes para os mais sensíveis à violência policial.

A chegada do bom tempo inaugura novas evacuações em França.
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Evacuation de familles sans logement à la Courneuve
envoyé par Mediapart. - L'info video en direct.

Publicado por [Shift] às 01:17 PM | Comentários (3)

O Party Program faz anos e já anda a fazer das suas bem longe daqui

Parabéns menino!

(Imagem tirada do excelente blog As latrinas femininas, descoberto via menina limão, designer mas também espectacular)

Publicado por [Chuckie Egg] às 09:00 AM | Comentários (4)

julho 25, 2010

"... à portuguesa"

Aproveito o fim-de-semana para dar atenção ao caso que tem andado nas capas dos jornais: O Serial Killer da Lourinhã.

Já conhecem? A história parece uma caricatura sobre portugal: o "Chico de Carqueja" fez dinheiro no negócio do ferro velho, foi construindo uma casa tipo castelo gótico - sem licença municipal - engatava ao volante de um Audi... até o pormenor de os pais serem primos direitos faz lembrar o Rap dos Matarruanos. dos Gato Fedorento («Eu sei que a minha prima/ também é minha irmã/ mas não é por isso que eu sou maluco, Hã?»)

A cobertura jornalística também é bem portuguesa. Para além do conteúdo das peças ser construído quase sempre com base no discurso directo das "pessoas da terra" (não compromete o jornalista e é garantia de boato bem suculento), aparecem por todo o lado referências a uma "tendência homossexual" do serial killer, mostrando que Chico "sempre foi esquisito"

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«Pessoas que conhecem Francisco desde pequeno, como o tractorista Afonso Gomes, de Bufarda, lembram-se bem de ele ter casado com Rosa e de "se um bocado amaricado" como diz Afonso»
in DN, 24/07, Grande Reportagem

Publicado por [Saboteur] às 12:50 AM | Comentários (4)

julho 23, 2010

Luta de classes

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A petição “Antes da Dívida Temos Direitos” foi chumbada pelo parlamento. O seu objectivo era regularizar a condição endividada de milhares de trabalhadores a falsos recibos verdes, acabando com um regime injusto que sobrecarrega quem menos tem, em nome dos interesses de quem mais tem.

Com os votos do PS e do CDS, o projecto de resolução aprovado demonstra uma astuta habilidade em mudar tudo, sem nada mudar. Doravante, o trabalhador a recibo-verde, caso queira ver a sua situação resolvida, deverá avançar com uma acção judicial com vista à "definição da natureza do vínculo laboral". Aparentemente, nada há de injusto nesta proposta a não ser um simples facto: tal não irá acontecer.

Obrigar o trabalhador a recibo-verde a interpor uma acção judicial contra o patrão significa, em termos práticos, o despedimento. Aliás, a dispensa, uma vez que o estatuto legal do recibo-verde não é o de trabalhador, mas sim o de agente independente, sem qualquer vínculo com a empresa contratante.

As empresas são territórios de uma luta que se trava diariamente. Ao contrário de muitas análises que partem de uma visão quase orwelliana da realidade, encarando os trabalhadores como uma peça da máquina, sem opinião própria, como uma pura reprodução de uma totalidade espectacular, considero que os trabalhadores não se limitam a levar «porrada», desenvolvendo formas de resistência «disfarçadas», da pequena sabotagem ao boato. Contudo, tais actos são muitas vezes meros feitos individuais, verificando-se frequentemente uma desconfiança em relação ao colectivo. O pendor maquiavélico da proposta «socialista» reside exactamente neste ponto: no reconhecimento de que, perante a inexistência de uma organização política de defesa de interesses, resta ao recibo-verde o isolamento.

Publicado por [Dallas] às 11:02 AM | Comentários (1)

mundo difícil, vida intensa

Andava a tentar saber quanto é que representa em dinheiro o aprovado corte de 5% nos vencimentos dos titulares de cargos políticos (informação que não encontrei, o que sugere que isto foi aprovado sem que alguém fizesse as contas ou pelo menos sem que alguém fizesse a pergunta, o que é, em qualquer caso, verdadeiramente extraordinário...) e dei de caras com mais um super evento para este sábado. E agora? Pinturas no Regueirão dos Anjos ou tourada nas Caldas? Oh, mundo difícil, vida intensa...

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No próximo mês de Julho, o CDS faz 36 anos.

Este ano, vamos retomar uma tradição que o CDS teve nos seus primeiros anos, com grande sucesso. Vamos organizar a Corrida de Toiros CDS, popularmente conhecida como a Corrida CDS.

O cartaz da Corrida é excelente. Nada menos do que 6 cavaleiros. António Ribeiro Telles, Vitor Ribeiro, Pedro Salvador, Brito Paes, Duarte Pinto e Soller Garcia! Teremos também 2 Grupos de Forcados: Montemor e Caldas da Rainha. Os toiros são Vale do Sorraia.

Pedimos a todos os militantes que são aficcionados que adquiram o seu bilhete e divulguem a iniciativa. Pedimos às concelhias que estejam interessadas para promoverem a organização de grupos.

A Corrida CDS é à Portuguesa, como é próprio de um Partido especialmente sensível às questões da identidade nacional. Na verdade, a tourada faz parte da tradição e da cultura portuguesas e tem adeptos de todas as condições, em inúmeras regiões. A tourada não se esgota no mundo rural, mas é especialmente sentida no mundo rural, que o CDS defende como nenhum outro Partido.

O espectáculo tauromáquico é uma festa popular. Claro que no CDS se respeita a liberdade de opinião sobre as touradas. É por isso que nos dirigimos especialmente aos militantes que são aficcionados e apreciam uma boa corrida, em coerência com a defesa que sempre fizémos da dignificação desta expressão cultural.

Vamos encher a Praça de Toiros das Caldas da Rainha! E mostrar que o fenómeno tauromáquico é também importante do ponto de vista económico, turístico e ambiental.

Esta iniciativa, honra a nossa História e permite aos militantes e simpatizantes viver um bom momento. O programa prevê um arraial popular, antes da Corrida, e uma festa da juventude, após a Corrida.

Adira e divulgue!

Contamos com a vossa mobilização.

CDS: aproveito para sugerir uma rápida visita ao site do CDS na net. Aquilo está um regalo.

Publicado por [Renegade] às 12:32 AM | Comentários (2)

julho 22, 2010

Este sábado - já pintas ?

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Publicado por [Paradise Café] às 02:42 PM | Comentários (1)

julho 20, 2010

pois

Eu até lá fui na sexta-feira. Chegou para perceber do que a casa gasta. Perdi-lhe o gosto. Desinteressei-me. Foi fácil, não paguei o bilhete de umas quantas dezenas de euro que outros milhares largaram na promotora "Música no Coração". Música no Coração. Sim, sem dúvida, é preciso ter muita música no coração para ver alguma normalidade para cá dos limites do aceitável nas nuvens de poeira que recebiam qualquer visitante no espaço que a Câmara de Sesimbra cedeu (imagina-se que uma parte interessante do orçamento da câmara venha deste tipo de negócios, além dos negócios do imobiliário - não é o concelho de sesimbra aquele que tem previsto duplicar ou triplicar a população residente nos próximos 10 anos? - já para não falar do capital político que uma câmara tão amiga das cervejeiras e das operadoras de telemóvel festivaleiras não pode deixar de ganhar nos comerciantes do concelho). Sesimbra cedeu. E cedeu um terreno sem perguntar ao organizador se tinha garantidas as condições mínimas de habitalidade e acesso a um espaço onde só se chega de automóvel e em parcos autocarros e onde o chão é de areia terrosa e seca. Sesimbra cedeu e a música no coração chegou aos ouvidos do público que pagou dezenas de euro para ver os seus ídolos ou ouver a sua música e, em centenas ou milhares, não se sabe, nunca se saberá, nem chegou a entrar no recinto porque quando o Prince se foi embora ainda havia quilómetros de engarrafamentos de gente que ia chegar e, não se sabe, nunca se saberá, mas imagina-se, nunca chegou. No meio de tudo isto ainda houve quem certificasse o festival como ambientalmente sustentável ou emissões zero ou lá o que é. Pois.

Não paguei o bilhete mas podia ter pago. Se tivesse pago, quem me recompensava pelo serviço pago e não prestado? E também é interessante observar como o nível de exigência do público é baixo. Acha-se "normal" comer poeira às colheradas e perder-se concertos por engarrafamentos de trânsito às portas do festival. É normal passar-se dias num parque de campismo sem sombras. É normal. Faz parte da atitude de improvisação desorganizada de quem tem a música no coração. E todos gostamos de ter a música no coração, de sermos festivaleiros e reconhecidos socialmente por isso, não é? Gostamos de ser parte do grupo, mesmo que o grupo de reja pelos mínimos. No fundo, somos todos muita cuis para chegarmos ao ponto de achar que um festival só vale a pena se dispensar a obrigação de comer toneladas de poeira e com transportes minimamente organizados. Como se faz noutros sítios lá fora e até se faz cá dentro. E ai de quem afirme o contrário!
E a música? Parece que o Prince anda a comer a Ana Moura ou vice-versa. Pois.

Publicado por [Renegade] às 10:39 PM | Comentários (24)

julho 19, 2010

Polícia em todo o lado, crime em lado nenhum

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Chegou hoje (14/07/2010) ao fim o julgamento dos 11 detidos (entretanto uma rapariga infelizmente faleceu) na manifestação anti-autoritária contra o fascismo e contra o capitalismo, de 25 de Abril de 2007.

Por ausência de prova, prova em contrário ou dúvida, o tribunal deu como não provados os actos apresentados pelo Ministério Público que eram por esse atribuídos aos arguidos e que se podiam enquadrar nos crimes de ofensa à integridade física agravada qualificada, injúria agravada e coacção e resistência sobre funcionário. Assim, todos os arguidos foram absolvidos de todas as acusações.

Via Indymedia

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Publicado por [Chuckie Egg] às 08:23 PM | Comentários (19)

julho 17, 2010

Perspectivas de saída

Chamo a atenção para este post do Nuno Teles. Vale a pena ler, nem que seja pela primeira frase, uma grande verdade: «A economia nacional encontra-se hoje numa trajectória descendente, onde as perspectivas de saída da crise não existem no debate público».

A proposta de Nuno Teles - saída do euro, secagem das fontes de financiamento externo, desvalorização cambial, inflação, nacionalização da banca - pode ser tão distante como o programa europeísta-socialista que ele diz impossível de pôr em prática tendo em conta "a improbabilidade de uma conjugação de forças sociais e políticas à escala europeia"... Mas é ao menos alguma coisa. Alguma coisa que vai para além dos slogans "Basta de precariedade e desemprego", "basta de impostos e austeridade" ou "mais e melhores salários", que são reivindicações justas, mas que não dão por si só nenhum horizonte ou caminho de saída, capaz de mobilizar amplas massas de trabalhadores.

Publicado por [Saboteur] às 01:11 PM | Comentários (8)

julho 16, 2010

A insegurança é um sentimento que se instiga

«... o Sr. Presidente da C.M. de Cascais com as suas declarações ajudou igualmente a aumentar o sentimento de insegurança dos cidadãos, acabando por prejudicar os interesses turísticos no respectivo concelho. Para além disso, foi possível assistir a declarações que mexeram sub-repticiamente em sentimentos de desconfiança e de discriminação para com os portugueses de origem africana, descendentes de segunda e terceira gerações, estigmatizando essas mesmas comunidades, como se se desejasse que as praias do Concelho de Cascais não fossem frequentadas por indivíduos de determinada etnia.»


António Capucho, Presidente da CM de Cascais e Conselheiro de Estado

Quem diz isto não é o Spectrum, mas sim a polícia.

Publicado por [Saboteur] às 01:38 PM | Comentários (8)

julho 15, 2010

comida à pala, filmito catita e palheta à mistura, que mais se quer? humm.... praia!

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Publicado por [Paradise Café] às 02:43 PM | Comentários (1)

julho 14, 2010

Melhorar a mobilidade?

A partir de 1 de Julho, os transportes públicos ficaram 5cent mais caros em cada bilhete, o arredondamento de 1% é sempre para cima.

No início deste mês, a Carris, Empresa Pública, resolveu reduzir e suprimir percursos de vários autocarros, seguindo os conselhos dos engenheiros, que não utilizam este meio de transporte. Justificam-se na existência da ligação da linha vermelha entre a Alameda e São Sebastião, sugerindo aos idosos (frequentadores assíduos da Carris) que na Alameda desçam as escadas do metro e tirem mais um bilhete, e em São Sebastião mudem de linha ou apanhem mais um autocarro para chegar a Sete Rios. (ver site, sugestão do antigo 16). É claro que desistem, só de pensarem em descer as escadas.

Decidem elimnar carreiras que se sobrepunham. Muito bem, mas esquecem-se de reforçar a frequência das suas substitutas. Resultado: autocarros sempre cheios.
Ainda ontem, numa paragem de um autocarro, estava uma senhora a contar que tinha ficado 1h à espera do 18, só depois é que lhe disseram que o 18 já não vai até às Amoreiras. Muitos foram apanhados desprevenidos, a informação só estava no site, que é um meio de informação muito utilizado pelas idosas que fazem fila no dia 1 para comprar o passe, por não saberem usar a máquina ou não saberem que agora o passe é válido por 30 dias...

Todas estas alterações foram feitas sem ir a Assembleia Municipal, ou certamente sem um parecer da (fantasma) Autoridade Metropolitana de Transportes.

Publicado por [Striker] às 12:37 PM | Comentários (2)

julho 12, 2010

Tribunal anula troca dos terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular

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O Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa decretou a nulidade da permuta dos terrenos do Parque Mayer com os da antiga Feira Popular de Lisboa, assim como a hasta pública da parcela remanescente deste espaço, deferindo a pretensão de José Sá Fernandes, vereador da Câmara de Lisboa.

Publicado por [Saboteur] às 11:33 PM | Comentários (16)

julho 11, 2010

Well, if you say so...

"O empresário Joe Berardo defendeu hoje, em entrevista à Agência Lusa, que uma das soluções para Portugal sair da atual crise financeira passa pelo Governo 'nacionalizar tudo e começar tudo de novo'.

Numa entrevista à agência Lusa, o comendador considerou que se perspetiva 'um problema dramático nos próximos cinco anos' para a economia nacional.

'Estamos a brincar com o lume. Portugal está completamente endividado, ao nível do Governo, das empresas e privados', opinou, acrescentando que o país 'não se pode dar ao luxo' de fazer exigências."

in Expresso
http://aeiou.expresso.pt/crise-governo-deve-nacionalizar-tudo-e-comecar-tudo-de-novo=f593239

Publicado por [F Key] às 04:13 PM | Comentários (5)

Se excluirmos os custos ambientais, da manutenção dos automóveis e estradas, os relacionados com o aumento da dependência dos combustíveis fósseis, os relacionados com com a questão do espaço, os custos com acidentes e seguros, etc, etc...

«Dar carros» era mais barato do que manter Linha do Tua, diz ministro

Publicado por [Saboteur] às 03:20 PM | Comentários (12)

julho 06, 2010

O mais triste é que estamos em condições de dizer que também isto é um corte na cultura

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Publicado por [Chuckie Egg] às 02:39 PM | Comentários (5)

julho 05, 2010

Comunicado da plataforma do teatro

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O anunciado corte de 10% dos apoios do Ministério da Cultura já contratualizados com todos os agentes culturais decorre da cativação de 20% no orçamento do MC. No entanto, o orçamento do MC tem vindo a ser reduzido de forma drástica nos últimos anos e é um dos mais baixos da Europa. Apesar disso, o trabalho dos agentes culturais tem um impacto positivo crescente na economia portuguesa. Os agentes culturais têm criado cada vez mais riqueza, o que torna as estruturas e trabalhadores da cultura num exemplo de solidariedade com as dificuldades económicas do país e de sucesso no esforço de crescimento com que Portugal é hoje confrontado. Neste sentido, os cortes anunciados são profundamente injustos.

A Senhora Ministra Gabriela Canavilhas considera os cortes anunciados “uma redução de uma pequena parte das verbas”. Trata-se, é certo, de uma parcela residual no esforço global que é exigido a todo o país. No entanto, dada a precariedade do meio cultural e artístico, tal como a ausência de protecção social dos trabalhadores desta área, qualquer redução das já parcas verbas atribuídas aos agentes culturais tem um impacto tremendo e fará entrar em recessão uma actividade que está em crescimento. Ou seja, cortar pouco dinheiro numa actividade que já tem muito pouco, tem efeitos mais graves do que cortes iguais em actividades onde os apoios são muito mais significativos. Neste sentido, os cortes anunciados são desproporcionais e desiguais. São também ineficazes, uma vez que causam estragos irreversíveis no tecido cultural e artístico. Diversos projectos serão cancelados sem grandes benefícios no combate ao défice, uma vez que, como a própria titular da pasta assume, são “pequenas” as verbas resgatadas. É, assim, em nosso entender uma medida incorrecta que não defende nem o esforço de redução da despesa pública, nem a população portuguesa nem os agentes culturais.

O corte de 10% de todos os apoios estatais aos agentes culturais de todas as áreas é anunciado pela Senhora Ministra da Cultura como a “única forma” de assumir compromissos anteriores e novos financiamentos para 2010. No entanto, a tutela esquece-se de mencionar a total ausência de informação por parte da Direcção Geral das Artes em relação aos apoios anuais e pontuais já atribuídos e por atribuir. Estes cortes são anunciados num momento em que os atrasos nos concursos e a total ausência de comunicação por parte do MC, tinha já lançado o tecido artístico e cultural num impasse impossível de suportar.

Ainda que se entenda que, num conjunto de medidas de restrição orçamental em todos os sectores, o Governo não queira criar nenhuma situação de excepção que pudesse descredibilizar perante a opinião pública o conjunto dessas medidas, também nos parece inaceitável que os cortes no financiamento se transformem, no caso da produção cultural, em medidas de penalização de um sector que contribui generosamente para uma valorização do país contando apenas com verbas de apoio Estatal extremamente reduzidas. E muito menos aceitável que as medidas possam ter carácter retroactivo, obrigando os produtores culturais a pagar ao Estado verbas que já gastaram e que acreditaram que lhes tinham sido atribuídas, destinadas a viabilizar projectos de utilidade pública. Tais medidas retroactivas viriam a pôr em causa a própria boa fé do Governo aquando da atribuição dos apoios, como se afinal não julgasse essas verbas necessárias.

Também é difícil de aceitar que o próprio Ministério da Cultura desconheça os mecanismos de produção e não entenda como em tantos casos (os mais organizados), baseados nas anunciadas e tantas vezes já contratadas atribuições de apoios, será impossível voltar atrás na programação prevista e cancelar compromissos já assumidos com terceiros.

Dado que no orçamento geral do Estado as verbas destinadas à Cultura pesam afinal tão pouco e que os produtores culturais tanta generosidade têm demonstrado trabalhando com verbas tão escassas para a valorização cultural do país, (e uma breve comparação com os custos de produção de outros países europeus imediatamente o confirmaria), julgamos que seria indispensável uma mais profunda revisão das medidas de restrição anunciadas pela Senhora Ministra da Cultura.

PLATAFORMA DO TEATRO

Ar de Filmes
Artistas Unidos
Barba Azul
Casa Conveniente
Chão de Oliva
Joana Teatro
Mala Voadora
Mundo Perfeito
O Bando
Primeiros Sintomas
Qatrel
Teatro da Comuna
Teatro da Cornucópia
Teatro da Garagem
Teatro da Rainha
Teatro do Vestido
Teatro dos Aloés
Útero

Publicado por [Dallas] às 09:43 PM | Comentários (11)

A propósito de SCUTs

A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, aproveitando a polémica em torno das SCUTs, decidiu colocar em cima da mesa a proposta da abolição de portagens na ponte 25 de Abril.

A cultura do automóvel está de tal forma enraizada, que mesmo um Partido popular e de trabalhadores como o PCP (esqueci-me de dizer que a Comissão de Utentes era uma estrutura ligada ao PCP?), se esquece de fazer primeiro uma reivindicação básica, antes desta: Que os barcos para a travessia do Tejo sejam gratuitos (ou pelo menos mais baratos e, já agora, mais baratos do que a ponte!)

Essa é a proposta verdadeiramente popular que, ao ser implementada, numa penada só, beneficiaria financeiramente amplas massas de trabalhadores que se deslocam tipicamente para o trabalho utilizando 3 transportes públicos diferentes e incentivava o uso de TP em detrimento do carro, com todos os benefícios sociais, económicos e ambientais que isso acarreta para as nossas vidas.

Publicado por [Saboteur] às 09:38 AM | Comentários (14)

julho 03, 2010

Promoções...

Como sou radicalmente anti-sectário, gosto de ouvir os outros e estou genuinamente convencido que a inteligência é o bem melhor partilhado entre a humanidade, apesar de nunca ter concordado muito com os argumentos e as sentenças escritas aqui há tempos no nosso blog (pela altura das autárquicas), sobre que a mobilidade em bicicleta era coisa de burgueses com pretensas preocupações ambientais, para anuviar a sua consciência de inimigos de classe dos trabalhadores, apesar de nunca ter concordado, dizia, decidi fazer a seguinte promoção no meu café: "Oferta de 1 café a quem vier de bicicleta".


Jovem burguesa a mandar para o caralho um operário que se desloca todos os dias para a fábrica de automóvel para ganhar um salário mínimo por mês

O negócio vai mal e faz-me falta aqui essa clientela: Deputados, assessores de deputados, jornalistas, professores, filhos de professores e jornalistas, um ou outro estudante de doutoramento, de preferência com "viagens pagas à Índia, com o dinheiro de todos nós".

Infelizmente, os tais burgueses teimam em não aparecer. Mais um Sábado se está a passar e a única pessoa a usufruir desta fantástica promoção foi outra vez o toxicodependente que volta não volta adormece a mexer o café.

Publicado por [Saboteur] às 03:54 PM | Comentários (20)

julho 02, 2010

O espaço que nos falta somos nós

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Publicado por [Chuckie Egg] às 02:37 PM | Comentários (3)

julho 01, 2010

Hummm... Mais um extremista que podia jurar que anda a fazer o jogo da direita

Pela sempre inesperada editora Deriva saiu, no mês passado, o “A Mobilização Global seguido e de o Estado-Guerra e outros textos”, de Santiago López-Petit. O catalão, militante da autonomia operária nos anos 70, dá-nos um breve tratado de "rejeição da realidade para que ela assim se mostre na sua verdade". “Só a rejeição total do mundo nos diz a verdade do mundo”, sublinha. Só rejeitando a realidade é que se abre o caminho para a conhecer, defende, ao contrário do pensamento possibilitista “que leva tão longe a sua aproximação compreensiva à realidade, que se curva perante ela”.

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Da Nota ao leitor

(...) O texto que aqui se apresenta, na medida em que propõe um conceito de realidade absoluta – a realidade tornada una com o capitalismo já não tem afora e pretende-se, para além disso, atemporal – já não comporta um texto prévio (...). A escrita aqui adoptada permite enquadrar os mais diversos fenómenos num discurso unitário e total. Esse discurso é uma ficção, mas toda a ficação produz efeitos de realidade (...). Este texto tem a aspiração de explicar tudo. Decerto, sabemos que no mais essencial existe sempre uma pobreza e um esquematismo que lhe são inerentes. Por essa razão tem tanto de verdade dizer-se que este texto é um croquis para que nos orientemos na realidade e contra ela. Trata-se de um croquis que outros podem ampliar ou concretizar, ou simplesmente, apagar para inventar outro. Vivamente desejamos que isso aconteça.

Publicado por [Paradise Café] às 09:54 AM | Comentários (5)