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julho 05, 2010

Comunicado da plataforma do teatro

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O anunciado corte de 10% dos apoios do Ministério da Cultura já contratualizados com todos os agentes culturais decorre da cativação de 20% no orçamento do MC. No entanto, o orçamento do MC tem vindo a ser reduzido de forma drástica nos últimos anos e é um dos mais baixos da Europa. Apesar disso, o trabalho dos agentes culturais tem um impacto positivo crescente na economia portuguesa. Os agentes culturais têm criado cada vez mais riqueza, o que torna as estruturas e trabalhadores da cultura num exemplo de solidariedade com as dificuldades económicas do país e de sucesso no esforço de crescimento com que Portugal é hoje confrontado. Neste sentido, os cortes anunciados são profundamente injustos.

A Senhora Ministra Gabriela Canavilhas considera os cortes anunciados “uma redução de uma pequena parte das verbas”. Trata-se, é certo, de uma parcela residual no esforço global que é exigido a todo o país. No entanto, dada a precariedade do meio cultural e artístico, tal como a ausência de protecção social dos trabalhadores desta área, qualquer redução das já parcas verbas atribuídas aos agentes culturais tem um impacto tremendo e fará entrar em recessão uma actividade que está em crescimento. Ou seja, cortar pouco dinheiro numa actividade que já tem muito pouco, tem efeitos mais graves do que cortes iguais em actividades onde os apoios são muito mais significativos. Neste sentido, os cortes anunciados são desproporcionais e desiguais. São também ineficazes, uma vez que causam estragos irreversíveis no tecido cultural e artístico. Diversos projectos serão cancelados sem grandes benefícios no combate ao défice, uma vez que, como a própria titular da pasta assume, são “pequenas” as verbas resgatadas. É, assim, em nosso entender uma medida incorrecta que não defende nem o esforço de redução da despesa pública, nem a população portuguesa nem os agentes culturais.

O corte de 10% de todos os apoios estatais aos agentes culturais de todas as áreas é anunciado pela Senhora Ministra da Cultura como a “única forma” de assumir compromissos anteriores e novos financiamentos para 2010. No entanto, a tutela esquece-se de mencionar a total ausência de informação por parte da Direcção Geral das Artes em relação aos apoios anuais e pontuais já atribuídos e por atribuir. Estes cortes são anunciados num momento em que os atrasos nos concursos e a total ausência de comunicação por parte do MC, tinha já lançado o tecido artístico e cultural num impasse impossível de suportar.

Ainda que se entenda que, num conjunto de medidas de restrição orçamental em todos os sectores, o Governo não queira criar nenhuma situação de excepção que pudesse descredibilizar perante a opinião pública o conjunto dessas medidas, também nos parece inaceitável que os cortes no financiamento se transformem, no caso da produção cultural, em medidas de penalização de um sector que contribui generosamente para uma valorização do país contando apenas com verbas de apoio Estatal extremamente reduzidas. E muito menos aceitável que as medidas possam ter carácter retroactivo, obrigando os produtores culturais a pagar ao Estado verbas que já gastaram e que acreditaram que lhes tinham sido atribuídas, destinadas a viabilizar projectos de utilidade pública. Tais medidas retroactivas viriam a pôr em causa a própria boa fé do Governo aquando da atribuição dos apoios, como se afinal não julgasse essas verbas necessárias.

Também é difícil de aceitar que o próprio Ministério da Cultura desconheça os mecanismos de produção e não entenda como em tantos casos (os mais organizados), baseados nas anunciadas e tantas vezes já contratadas atribuições de apoios, será impossível voltar atrás na programação prevista e cancelar compromissos já assumidos com terceiros.

Dado que no orçamento geral do Estado as verbas destinadas à Cultura pesam afinal tão pouco e que os produtores culturais tanta generosidade têm demonstrado trabalhando com verbas tão escassas para a valorização cultural do país, (e uma breve comparação com os custos de produção de outros países europeus imediatamente o confirmaria), julgamos que seria indispensável uma mais profunda revisão das medidas de restrição anunciadas pela Senhora Ministra da Cultura.

PLATAFORMA DO TEATRO

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Publicado por [Dallas] às julho 5, 2010 09:43 PM

Comentários

Isto é que é preciso ter lata. Todos preocupados com os pobrezinhos e afinal querem é guito para fazerem teatrinhos que não interessam a ninguém. Chama-se a isto viver à conta de quem trabalha. Deplorável. Isto é a mais pura da corrupção e do clientelismo: dá-se dinheiro aos amigos do partido para fazerem coisas de que ninguém quer saber! Uma vergonha.

Publicado por [Paulo] às julho 5, 2010 10:24 PM

Caros bloggers do Spectrum,

Peço desculpa por usar esta via para outro assunto que não comentar este post, mas precisava de saber se estão disponíveis para participar num inquérito à blogosfera política que estou a realizar. Da minha amostra, só faltam vocês! Deixo o meu mail para qualquer contacto. Obrigada.

Publicado por [Elsa Costa e Silva] às julho 6, 2010 12:52 PM

Nós queremos saber Paulo. Não perdemos um espectáculo do Bando, cujos membros não são nossos amigos nem do nosso partido. It's only rock 'n roll, but i like it.

Publicado por [Rick Dangerous] às julho 6, 2010 04:51 PM

Este vosso comunicado não faz muito sentido, reparem bem, se têm um impacto positivo na economia, têm necessariamente que ter resultados positivos (isto é depois de pagarem as vossas dívidas tem de sobrar alguma coisa). Todos sabemos que não é assim. - mas este até um assunto menor, bem sei que necessitam destas verbas e até concordo que não faz sentido serem retiradas verbas depois destas já terem sido incluídas nos orçamentos. Cancelar agora é uma trapalhada.

Eu pretendo que todas as pessoas tenha acesso à cultura, desejo do fundo do coração que novos movimentos, estéticas, etc apareçam e floresçam em Portugal e no mundo. Mas isso não se faz por decreto, isso faz-se com verdadeiro génio, faz-se com paixão e faz-se com saber. Nenhuma dessas coisas é obtida por decreto e o melhor que podemos fazer para este fim é educar as pessoas por forma a puderem apreciar todos os produtos culturais. Os subsídios dão corpo exactamente ao contrário dado que são discriminatórios, são atribuídos de forma discricionária e apenas beneficiam uma ínfima parte dos portugueses. Notem que mesmo os "beneficiados" com os subsídios acabam por perder com isto dado que ficam presos às migalhas que lhes vão caindo no colo em vez de conquistarem o mundo.

Publicado por [Albino] às julho 6, 2010 09:15 PM

Então se gostam paguem o bilhete por inteiro, não obriguem os outros a pagar um espectáculo de que não gostam o suficiente para ir ver.

Publicado por [Paulo] às julho 7, 2010 10:32 AM

Então se gostam paguem o bilhete por inteiro, não obriguem os outros a pagar um espectáculo de que não gostam o suficiente para ir ver.

Publicado por [Paulo] às julho 7, 2010 10:32 AM

paulinho por uma vez estou de acordo contigo.
a esquerda da "moela de faisão recheada" é afinal como a direita, o centrão ou outra merda qualquer, quer é mamar. viva o venha-a-nós!

Publicado por [Anónimo] às julho 7, 2010 03:14 PM

Nem mais!

Publicado por [Z80H] às julho 8, 2010 12:29 AM

THX that's a great anwesr!

Publicado por [Mahaley] às julho 7, 2011 01:20 AM

t7Mhc6 tqsdghoahkjr

Publicado por [icqcpa] às julho 7, 2011 09:54 AM

Begun, the great inetnret education has.

Publicado por [Lillah] às julho 9, 2011 02:33 AM

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