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junho 29, 2010

Já que é para levar, levem tudo!

Telefónica - À espera da decisão final da PT

Publicado por [Saboteur] às 09:54 PM | Comentários (7)

junho 28, 2010

O PCP e as Presidenciais (ou o post para chegar ao 1 milhão de visitas)

“Que fique claro, não é uma candidatura de faz de conta, não é uma candidatura para apoiar seja quem for, a não ser apoiar estes objectivos da defesa da democracia, do regime democrático, dos valores de Abril, da justiça social”

Jerónimo Sousa, Junho de 2010

"A tarefa central, decisiva e prioritária das forças democráticas e de todos os antifascistas é derrotar o candidato da reacção general Soares Carneiro, impedindo que a mais alta magistratura do Portugal Democrático possa a vir ser ocupada por uma figura inteiramente apegada às ideias, aos valore e ao métodos do passado, visceralmente hostil ao 25 de Abril, aos trabalhadores e à democracia"

Declaração do candidato do PCP à PR, Carlos Brito, Novembro de 1980

Publicado por [Saboteur] às 10:26 PM | Comentários (24)

Oups!


Judith Butler "I must distance myself from racist complicity"

Publicado por [Shift] às 05:47 PM | Comentários (2)

junho 27, 2010

caso de estado

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Nos comentários a este post, o Saboteur defende que a prisão e tortura de dois jovens da Amadora poderão constituir um reflexo de “problemas profundos e complexos, ligados à falta de formação, falta de cultura, falta de qualidade das chefias e até falta de respeito pelo próprio trabalhador-polícia, obrigado a fazer dezenas de horas semanais num trabalho ultra-desgastante e stressante... é claro que não ficam bons da cabeça”. Não existe qualquer dúvida que os polícias, tal como grande parte dos trabalhadores, ganham mal e trabalham demasiadas horas. A repressão policial, contudo, não poderá ser reduzida a um fenómeno causado pela ausência de um investimento quantitativo e qualitativo nas forças de ordem. Numa das obras mais inspiradoras sobre o «ser-se polícia» e o «ser-se ladrão», a série de televisão The Wire, constatamos como a tortura de suspeitos constitui uma prática institucional que se desenvolve no interior dos locais de trabalho, constituindo mais uma fase do processo de investigação do que um devaneio de um ou dois bófias. Não se trata assim de um problema derivado da falta de formação ou de cultura, mas sim da expressão de uma formação ou cultura profissional (que, obviamente, varia de esquadra para esquadra).

Considerando todas as especificidades deste caso, nomeadamente os seus contornos político-repressivos, não deixa de ser verdade que, mais uma vez, as vítimas deste modo de fazer as coisas são negros descendentes de imigrantes. O que faz com que não constitua um caso de polícia, mas sim um caso de aparelho de estado. A condição de não cidadania a que estão votados os imigrantes e os que deles descendem – quer em termos formais (negação do direito de voto, a título de exemplo), quer em termos informais (precariedade a todos os níveis, do trabalho à habitação) – torna a sua existência mais frágil. Um factor que, obviamente, será aproveitado pelas demais autoridades, seja a da polícia, seja a do patrão. Os eventos desta sexta-feira à tarde apenas vêm confirmar esta tendência.

Finalmente, é importante referir a importância dos meios de comunicação social na legitimação deste tipo de acontecimentos. Algo que se encontra longe de constituir um fenómeno recente. Em 1982, a CGTP convocou aquela que seria a primeira greve geral da história do regime democrático português. De acordo com Diego Palacios Cezerales, uma dramatização marcou então a cobertura mediática de tal ousadia: diversos meios de comunicação públicos, inclusive a RTP, vincularam a iniciativa a supostos planos insurreccionais, chegando mesmo a relacioná-la com a acção das FP-25 Abril. Durante a greve, convocada para o dia 12 de Fevereiro, ocorreram confrontos em Lisboa entre manifestantes e polícia. Meses depois, o governo civil do Porto resolveu ceder à UGT o espaço tradicionalmente ocupado pela CGTP nos festejos do dia 1 de Maio. Perante a eventualidade de conflitos entre membros das duas centrais sindicais, a PSP enviou quatro companhias da Força de Intervenção. Às 11 da noite do dia 30, já após o concerto organizado pela UGT ter acabado, uma carrinha da PSP é apedrejada. A polícia tenta desmobilizar tanto o grupo agressor, como todas as pessoas que se encontravam no local, lançando gás lacrimogéneo, disparando tiros para o ar, carregando sobre a multidão; esta, por sua vez, respondeu com pedras, não se retirando do local. Dos confrontos, resultaram duas mortes: uma pessoa atingida com uma bala nas costas, a outra – de acordo com as conclusões do inquérito da procuradoria-geral da república – foi executada com um tiro, contra a parede.

Não obstante a distância de acontecimentos, ambos os casos traduzem a existência de uma relação associativa entre intoxicação mediática e actuação policial. Na altura, o alvo era a CGTP. Hoje as shotguns apontam para quem ousa denunciar a militarização dos bairros ditos problemáticos.

Publicado por [Dallas] às 06:40 PM | Comentários (16)

junho 26, 2010

Aprovação e confiança recorde de Lula impulsionam Dilma

Tal como há quem acha que Alegre é igual a Cavaco, haverá quem ache que Dilma é igual a Serra? (com o devido pedido de desculpas a Dilma pela comparação)... Os camaradas do PC do B, não..

Publicado por [Saboteur] às 11:38 AM | Comentários (12)

junho 25, 2010

Até os operários...

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Publicado por [Renegade] às 02:47 PM | Comentários (5)

O Presidente de todos os ressentidos

Por Ricardo Araújo Pereira

Para Eduardo Lourenço, a obra de Saramago é um diálogo extraordinário com a Bíblia. Harold Bloom dizia que Saramago era o mais talentoso romancista vivo. E Cavaco Silva afirmou uma vez que os livros de Saramago lhe desagradavam porque tinham demasiadas vírgulas. Enfim, cada crítico literário com a sua mania. A mim, que não percebo nada de literatura, pareceu-me que as explicações com que o Presidente da República justificou a sua ausência do funeral de Saramago tinham demasiadas reticências.

Bem sei que Cavaco decretou que a polémica em torno do facto de não ter comparecido no enterro de Saramago era estéril. Mas, por azar, as polémicas estéreis são as que mais me costumam interessar. Para polémicas fecundas sempre revelei menos capacidades.

Primeiro, e na qualidade de cidadão especialista em evasivas, devo lembrar que as melhores desculpas são singulares. Ora, Cavaco apresentou três. Por um lado, disse que não conhecia Saramago. Por outro, disse que não era amigo dele. Finalmente, alegou que prometera aos netos mostrar-lhes as belezas dos Açores durante quatro dias. Só faltou dizer que não iria ao funeral de Saramago por desconfiar que Saramago também não irá ao dele. São demasiadas desculpas e, como é próprio das desculpas múltiplas, são pobres. A circunstância de não ter uma relação próxima com os homenageados nunca impediu o Presidente da República de estar presente em cerimónias de Estado. Por exemplo, Cavaco comparece sempre nas cerimónias comemorativas do 25 de Abril, embora mal conheça a data e não seja propriamente amigo dela. Talvez seja melhor retificar a regulamentação do luto nacional. O País fará luto por ocasião da morte de uma personalidade de excecional relevância, a menos que o Presidente da República se encontre a contemplar as Furnas.

No entanto, também o facto de estar de férias não tem impedido o Presidente de intervir em matérias de Estado. Ainda fresca na nossa memória está a importante comunicação ao País sobre o estatuto político-administrativo dos Açores, por causa do qual Cavaco Silva interrompeu o merecido descanso, há cerca de um ano e meio. Creio que, se o estatuto político-administrativo dos Açores tivesse falecido, Cavaco teria pedido desculpa aos netos e ter-se-ia dirigido ao Alto de São João para lhe prestar a última homenagem. Tendo morrido só um homem, não houve necessidade de perturbar o turismo. Na verdade, foi apenas isso que aconteceu. Não morreu um santo nem um demónio. Morreu um homem. Logo por coincidência, dos três é o meu preferido.

Publicado por [Saboteur] às 02:41 PM | Comentários (3)

junho 24, 2010

Uma campanha alegre em perspectiva

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:08 PM | Comentários (5)

junho 23, 2010

PID(UE)?

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O Conselho da União Europeia aprovou um plano para colocar “radicais” suspeitos sob vigilância. Trata-se de um “instrumento estandardizado, multidimensional e semi-estruturado de recolha de dados e informações sobre o processo de radicalização na União Europeia (UE)". Embora não tenha um cariz vinculativo, esta lei não deixa de constituir uma base para a edificação de novas práticas de controlo social e vigilância. A população a ser objecto do olhar policial não é criminosa, mas sim avaliada como podendo vir a ser. Como tal, todas as pessoas e/ou grupos tidas como "radicais" - ou seja, com "mensagens radicais" - são suspeitas: "extrema direita/esquerda, islamistas, nacionalistas, anti-globalização”. As suas actividades serão então escrutinadas com base na resposta a 70 questões, que cobrem ideologia, canais de disseminação, factores que influenciem o comportamento e o impacto das mensagens radicais. De acordo com a “abordagem semi-estruturada de compilação de dados”, cada corpo policial pode acrescentar as suas próprias categorias ou definições. Estas questões serão, por sua vez, baseadas na recolha secreta de dados pessoais.

Ver notícias aqui, aqui e aqui.

Publicado por [Dallas] às 08:00 PM | Comentários (5)

Anarqueirada!?

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Publicado por [Bounty Bob] às 04:54 PM | Comentários (11)

junho 21, 2010

Novas agressões da PSP aos habitantes dos bairros periféricos de Lisboa. (Via 5dias.net)

Novas agressões da PSP aos habitantes dos bairros periféricos de Lisboa.
Porque será que o abuso da força e do poder na Cova da Moura, na Buraca ou na Arrentela causa sempre menos indignação do que a exercida no Bairro Alto, nas Docas de Alcântara ou na 24 de Julho?
Onde querem chegar com mais este obsceno convite à violência?
Hezbollah e LBC agredidos pela PSP

“Às 4:55 horas da madrugada de domingo 14 de Junho, no Parque Central da Amadora, um grupo de jovens, entre os quais Jakilson Pereira, 26 anos, licenciado em Educação Social, desempregado e candidato a bolsa de investigação, dirigiam-se para a Mina, Amadora.

Jakilson, que também é rapper e é mais conhecido como Hezbollah, agachou-se para apertar os atacadores dos ténis. De repente sentiu um automóvel aproximar-se dele. Levantou a cabeça e viu um homem com uma arma apontada na sua direcção que gritou “Caralho!” Assustado, Hezbollah correu na direcção do seu amigo Flávio Almada, 27 anos, estudante finalista do curso de Tradução da Universidade Lusófona, também rapper e mais conhecido como LBC, mediador sociocultural na Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Reboleira e formador musical de jovens inseridos no Projecto Escolhas do Moinho da Juventude e da Comissão de Moradores da Cova da Moura. LBC disse ao agressor: “Ele está desarmado!”, referindo-se ao seu amigo Hezbollah. Nesse momento, o homem disparou um tiro na direcção de Hezbollah. O homem estava fardado, era da PSP e tinha sido transportado para o local por um automóvel da PSP.

Hezbollah continuou a fugir e foi esconder-se por trás de um automóvel junto à Estação dos Correios, observando a progressão do agente da PSP que o procura de arma na mão. O agente detecta-o e corre na sua direcção. Sai outro agente do automóvel e ambos cercam Hezbollah. Agarrando-o sob ameaça da arma, começaram a pontapeá-lo. Chega um automóvel Volkswagen Golf preto, com dois polícias à paisana. Enquanto um dos agentes fardados algema Hezbollah, obrigando-o a deitar-se de barriga no chão, o outro polícia fardado volta a dar-lhe pontapés. Um dos agentes à paisana exclama: “Deixa o rapaz!”

Entretanto LBC tinha-se aproximado para tentar socorrer o amigo. Os polícias fardados agarram-no, deitam-no ao chão e algemam-no, pontapeiam-no e depois metem-lhe um pé sobre a cabeça e tiram-lhe a carteira e o telemóvel.

Levam-nos – cada um dos detidos no seu automóvel – para a Esquadra da Mina, na Avenida Movimento das Forças Armadas 14. Aí aparece o agente Monteiro e pergunta a Hezbollah, agarrado pelos braços por dois outros agentes para o manterem sentado numa cadeira: “Estás preparado?” e começa a dar-lhe socos e joelhadas na barriga. Hezbollah vomitou em consequência dos dois primeiros socos. LBC também é sovado. Um dos agentes comenta a certa altura: “Aqui estão os dois gajos. Qual de vocês é que tem um caso com a polícia?” Hezzbollah foi absolvido há cerca de um mês da acusação de ter partido dois dedos a um polícia, quando na realidade o que aconteceu foi que, ao voltar para casa à noite, foi cercado por vários polícias, que o deixaram inanimado, sem sapatos e sem casaco, num terreno vago, depois de barbaramente espancado, a ponto de lhe partirem a cana do nariz.

Metem-nos de novo no automóvel e levam-nos para a Esquadra do Casal da Boba, na Amadora. Depois de os encostarem a uma parede, o agente Nunes dessa esquadra dá um forte pontapé no estômago de Hezbollah, enquanto outros agentes o seguram e batem para o impedir de se encolher a proteger-se da agressão. Um dos polícias comenta: “Qualquer dia vão encontrar o teu corpo morto na mata de Monsanto”. Tiram fotografias aos dois detidos. LBC é colocado ao lado de Hezbollah e um dos polícias acusa LBC de ter em seu poder um telemóvel roubado. Ele nega e é-lhe devolvido o telemóvel, que lhe tinha sido confiscado e levado para outra sala, depois de verem as mensagens e chamadas.

Foram levados de novo para a Esquadra da Mina. Lá chegados, os detidos repararam na presença do rapaz e da rapariga com quem Hezbollah e LBC tinham trocado palavras que provocaram uma cena de socos entre Hezbollah e o rapaz, na Estação da Amadora.

Repete-se a cena de Hezbollah, ainda algemado, ser agarrado pelos ombros e braços e agredidos a soco no estômago pelo agente Monteiro. LBC interpela-os dizendo “Porque é que estão a fazer isso?” e foi imediatamente agredido a pontapé pelos dois agentes que o enquadravam.

O agente diz-lhe que vai ter de limpar o vomitado com a boca. Hezbollah recusa-se e o agente Monteiro e o agente Ferreira – que tinha tirado o crachá – Insistem: “Vais limpar, vais limpar” e, segurando-o, lançaram-no por cima do vómito e arrastaram-no para trás e para a frente, como se fosse uma esfregona, até o vómito ensopar por completo as calças, o casaco. Num canto ainda ficou um resto de vómito. O agente Monteiro pega no boné de Hezbollah e lança-o sobre esse canto e, colocando-lhe o pé em cima, esfrega-o sobre o vomitado. O agente Monteiro deixou de lhe dar socos mas passou a dar-lhe pontapés, chamando-lhe “porco”.

Os detidos ficaram ali até às onze horas e tal da manhã, altura em que lhes passaram um papel para comparecerem no Tribunal de Alfragide às 10h do dia 14 de Junho e os deixaram sair da esquadra, depois de, pela primeira vez, os desalgemarem. O documento refere-os como arguidos e acusa-os de “agressão à integridade física”, sem referir a quem.

LBC e Hezbollah passaram todo o dia de domingo nas suas respectivas casas (Reboleira e Amadora respectivamente).

Na 2ª feira apresentaram-se ao tribunal, onde encontraram os agentes Monteiro e o outro torturador, o agente Ferreira, ambos à civil. Também estavam presentes o rapaz e a rapariga com quem Hezbollah tinha trocado palavras e socos na Estação da Amadora. Os polícias deram-lhes dois chocolates Twitters. Perante isto, LBC e Hezbollah disseram no seu depoimento que um amigo deles que estava presente naquele episódio e tentara acalmar os ânimos devia ser chamado para o seu testemunho ser confrontado com o deles. A funcionária do tribunal perguntou a Hezbollah se queria um advogado oficioso e ele recusou,. A funcionária tomou nota de toda a ocorrência, e deu a ler o depoimento aos detidos, que assinaram.

O caso vai ser investigado. A funcionária recomendou a Hezbollah que não lavasse as roupas sujas com vómito.

Neste momento Hezbollah e LBC não têm advogado que os defenda e sabem que, se nada for feito para dar publicidade a esta situação, continuarão a ser alvo da brutalidade policial. Foi o que aconteceu com Tony da Bela Vista, Teti, torturado até morrer de hemorragia interna, Angoi, morto com dois tiros nas costas, PTB abatido dentro do carro, Snake, assassinado com um tiro nas costas quando conduzia o seu automóvel, Corvo, abatido com um tiro na cabeça, Kuku, morto aos 14 anos com um tiro a 12 cm da cabeça, Célé, morto com 62 balas, etc”.

Ana Barradas, dirigente da Política Operária.

Publicado por [Party Program] às 03:34 AM | Comentários (33)

A crise toca a todos

O ex-conselheiro de Estado Dias Loureiro e ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva, não tem bens em seu nome que possam ser penhorados no âmbito da investigação no caso BPN.

Publicado por [Saboteur] às 12:27 AM | Comentários (2)

Ainda bem que não foi

Cavaco Silva, ao recusar-se a comparecer ao funeral de José Saramago, demonstrou sem sombra de dúvidas que não é "o Presidente de todos os portugueses", mas sim, apenas, o presidente do portugal mais reaccionário, mesquinho e beato.

Cavaco é o presidente dos Dias Loureiros, dos Sousas Laras e de todas as velhas que gostam de se passear nas suas vidas privadas com um batalhão de guarda-costas, quando os maridos desempenham cargos públicos (como é o caso da Maria Cavaca)...

Desta forma, ao procurar desprestigiar Saramago ao não conceder a honra da sua presença (é assim que ele pensa. Não é por acaso que nos relembrou da "dignidade do Chefe de Estado"), penso que acabou por fazer um favor à memória de Saramago e à sua família.

Publicado por [Saboteur] às 12:01 AM | Comentários (4)

junho 20, 2010

Mais papista que o papa

O diário do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, publicou hoje um artigo onde define o escritor José Saramago como “populista e extremista” de ideologia anti-religiosa e marxista.


“Foi um homem e um intelectual de nenhuma admissão metafísica, ancorado até ao final numa confiança arbitrária no materialismo histórico, aliás marxismo”
“Relativamente à religião, atada como esteve sempre a sua mente por uma destabilizadora intenção de tornar banal o sagrado e por um materialismo libertário que quanto mais avançava nos anos mais se radicalizava, Saramago não se deixou nunca abandonar por uma incómoda simplicidade teológica”, escreve Toscani.

Publicado por [Striker] às 03:42 PM | Comentários (4)

junho 19, 2010

Sem nada para fazer...

...Fui procurar "Saramago" no "Pesquisar neste Blog", funcionalidade que descobri há pouco tempo pela mão do Rick Dangerous.

Encontrei dezenas de posts, quase todos a denunciar a boçalidade com que certas pessoas se atiraram ao homem.

Em pleno luto nacional, em que todos prestam sentidas homenagens e se prostram perante a extraordinária biografia de Saramago, acho muito divertido recordar um João Pereira Coutinho, que se indigna por o Nobel não ter sido dado à Agustina Bessa-Luis em vez de ter ido para um "pró-Cuba"; ou recordar um certo pretendente ao trono, que não leu o livro (Caim), mas sabe que ele é uma merda ("não leu, mas cheirou-o" disse Saramago); ou um ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Durão Barroso, que meteu o país na guerra contra as armas de destruição maciça do Iraque, que ficou famoso por tentar meter uma cunha para a filha entrar em medicina, e que se queixou de Saramago "não defender portugal no estrangeiro"...

Publicado por [Saboteur] às 04:36 PM | Comentários (2)

Coisas que nunca me ouvirão dizer #1

"O Saramago é um escritor difícil"

Publicado por [Renegade] às 01:05 PM | Comentários (1)

junho 18, 2010

José Saramago

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“Que atire a primeira pedra quem não tenha manchas de imigração
na sua árvore genealógica... assim como na fábula do lobo mau que
acusava o inocente cordeiro de escurecer a água do riacho de onde
ambos bebiam. Se tu não emigraste emigrou o teu pai, e se o teu
pai não necessitou de mudar de sítio foi porque o teu avô antes não
teve outro remédio se não ir, carregando a casa às costas, em busca
da comida que a sua própria terra lhe negava. Muitos portugueses (e
quantos espanhóis) morreram afogados no rio Bidasoa quando, pela
noite escura, tentavam alcançar a nado a outra margem, onde se dizia
começar o paraíso de França. Centenas de milhares de portugueses
(e quantos espanhóis) tiveram que se introduzir na culta e civilizada
Europa, para lá dos Pirenéus, em condições de trabalho infames e
salários indignos. Os que conseguiram suportar a violência de sempre
e as novas privações, os sobreviventes, desorientados no meio de uma
sociedade que os desprezava e humilhava, perdidos em idiomas que
não podiam entender, foram pouco a pouco construindo, com uma
renúncia e um sacrifício quase heróico, moeda a moeda, cêntimo a
cêntimo, a fortuna dos seus descendentes. Alguns desses homens,
algumas dessas mulheres, não perderam, e não quiseram perder, a
memória do tempo em que padeceram de todos os vexames do trabalho
mal remunerado e de todas as amarguras do isolamento social. Que
honestos agradecimentos lhe sejam dados por conservar o respeito
que deviam ao seu passado. Muitos outros, a maioria, cortaram as
pontes que os uniam àquelas horas sombrias, envergonharam-se de
terem sido ignorantes, pobres, e por vezes miseráveis, comportaram-se
como se a vida decente só tivesse verdadeiramente começado quando,
por fim e num felicíssimo dia, puderam comprar o seu próprio
automóvel. Esses serão os que estarão dispostos a tratar com idêntica
crueldade e idêntico desprezo os imigrantes que atravessam esse outro
Bidasoa, mais largo e mais fundo que é o Estreito de Gibraltar, onde os
afogados abundam e servem de pasto aos peixes, se as marés e o vento
não preferirem empurrá-los para a praia até que a guarda-civil apareça
e os leve. Aos sobreviventes dos novos naufrágios, aos que puseram
os pés em terra e não foram expulsos, espera-os o eterno calvário da
exploração, da intolerância, do racismo, do ódio à pele, da suspeita, do
envelhecimento moral. Aquele que antes foi explorado e que perdeu
a memória de o ter sido acabará explorando outro. Aquele que antes
foi explorado e finge ter-se esquecido refinará a sua própria capacidade
de desprezar. Aquele a quem ontem humilharam humilhará hoje com
mais rancor. E ei-los aqui, todos juntos, atirando pedras a quem chega
a esta margem do Bidasoa como se eles nunca tivessem emigrado, ou
os seus pais ou os seus avós, como se nunca tivessem sofrido de fome
e de desespero, angústia e de medo. Na verdade, há maneiras de ser
felizes que são simplesmente odiosas.”


José Saramago, prólogo do livro Moros en la Costa de Juan José Téllez

Publicado por [Chuckie Egg] às 01:54 PM | Comentários (13)

É já amanhã a marcha contra a homofobia

Publicado por [Paradise Café] às 09:41 AM | Comentários (26)

junho 17, 2010

Para desanuviar, dois posts para rir à fartazana

imagem_triste_e_chocante.jpg


Muhahahahaha 1

Muhahahahaha 2

P.S. -Eu também escrevi "imagem chocante" no google mas a mim saiu-me esta como primeira opção, espero que a malta das discussões sérias não me caia em cima.

P.P.S (ou será P.S.2 como a consola de jogos?) - Fui obrigado a reeditar o post porque me enganei no acento do título.

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:12 PM | Comentários (4)

Há que admitir que aquilo tem as suas vantagens...

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:58 AM | Comentários (10)

junho 15, 2010

HOJE 12h30 Concentração em Solidariedade com os detidos na Manifestação do 25 de Abril de 2007

Contra a farsa que o estado e a polícia nos quer vender.
Concentração em frente ao Campus de Justiça de Lisboa Av. D. João II (Parque das Nações/Gare do Oriente)

em frente ao Campus de Justiça de Lisboa
Av. D. João II (Parque das Nações/Gare do Oriente)

Publicado por [Paradise Café] às 09:06 AM | Comentários (3)

junho 14, 2010

Hmmm...


Dentro do cumprimento formal dos princípios básicos do centralismo democrático cabem muitos e variados métodos de trabalho de direcção e de intervenção dos organismos e dos militantes na vida partidária.
A correlação do centralismo e da democracia pode apresentar diferenças profundas no quadro do cumprimento formal dos princípios clássicos fundamentais. Pode haver um forte centralismo nas decisões, sem participação efectiva das organizações e dos militantes que não seja pela aprovação das propostas vindas do centro; ou pode haver uma intervenção efectiva das organizações e militantes.
Pode haver um processo sistemático de apuramento das decisões por maioria e minoria, reflectindo entretanto graves conflitos internos; ou pode haver um apuramento assente no debate aprofundado de opiniões convergentes que não chega a exigir qualquer votação.
Pode haver uma prática democrática, em que os militantes expressam livremente a sua opinião; ou pode haver a partir do centro um clima de pressão e mesmo de coacção que limita ou impede a vida democrática interna.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:45 PM | Comentários (10)

junho 13, 2010

Alegações finais

aak.jpg

Um dos agentes, perante algumas fotos que estão anexadas enquanto provas no processo (fotos onde se vêem polícias de bastão na mão e pessoas sentadas no chão a serem obviamente espancadas por estes), afirma que não sabe o que fazem esses polícias com o bastão na mão e que “devem estar a intervir”. Um outro polícia declara que havia espaço e saídas para todos os que quisessem deixar aquela zona sem entrar em contacto com os agentes. Será importante então sublinhar que a rua do Carmo tem cerca de 200m de comprimento, com prédios em toda a sua extensão, com uma única saída a meio (elevador), sendo esta estreita, com escadas e em obras naquela altura (com taipais) e, também, que estavam dois conjuntos de polícias a carregar em ambos os sentidos. Mesmo para quem quisesse sair “ordeiramente”, como seria isso possível?

Retirado do Indymedia

Publicado por [Dallas] às 03:06 PM | Comentários (5)

Porque temos tendência a esquecer rapido demais?:

Israeli Attack on the Mavi Marmara, May 31st 2010 // 15 min. from Cultures of Resistance on Vimeo.

Publicado por [Shift] às 08:22 AM | Comentários (4)

junho 12, 2010

Presidenciais e Congresso

Viveu-se na Comissão Política, reunida quase em pleno num dos andares superiores da Soeiro Pereira Gomes, mais uma dramática noite eleitoral. À medida que se acentuava a tendência para Soares se manter à frente de Zenha os rostos iam-se fechando e já ninguém conseguia disfarçar a preocupação com que se procurava uma saída. Quando não restavam mais dúvidas, ouviu-se uma voz, não tanto de conformação, mas com certo acinte, exclamar: «Agora temos que votar em Mário Soares!». Era o que já estava nas cabeças da maioria. O rugido revanchista da direita, a agressividade e alguns episódios violentos que marcaram os últimos dias de campanha de Freitas do Amaral fizeram toda a diferença com a candidatura de Mário Soares.

O camarada Álvaro Cunhal estava enfiado, e mais enfiado ficou quando alguém lembrou: e a decisão do Congresso?!... Durante a madrugada ficou mais ou menos assente que o Partido teria de apelar ao voto em Mário Soares, mesmo que fosse necessário fazer um novo Congresso.

Carlos Brito in "Álvaro Cunhal - 7 fôlegos do combatente"

Publicado por [Saboteur] às 12:49 PM | Comentários (1)

junho 10, 2010

Histórias mirabolantes

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O documentário "Era Uma Vez um Arrastão" (em baixo), realizado por Diana Andringa – e que devia ser de visionamento obrigatório em qualquer escola de jornalismo –, explica como foi possível montar um embuste mediático com efeitos poderosíssimos. Ao ponto de, passados cinco anos, ainda muitos acreditarem na história do arrastão que viram na tv. "Os jornalistas erraram e não pediram desculpa", lembrou Joaquim Fidalgo num debate sobre o caso, um ano depois.

Nos últimos tempos assistimos ao regresso em força da liberdade criativa dos responsáveis da PSP lisboeta para criar histórias mirabolantes que justifiquem atropelos aos direitos dos cidadãos. E é o Diário de Notícias que tem oferecido as suas páginas aos delírios policiais que fazem do extremismo ou terrorismo de esquerda o novo inimigo a temer. A falta de terroristas reais é um pormenor que não incomoda os autores da tese, até porque se resolve facilmente com a criminalização do protesto social, habilmente preparada junto da opinião pública pelos jornalistas mais à mão.

Foi assim que a violenta carga policial após a manif de 25 de abril de 2007 na Rua do Carmo se transformou, no jornal dirigido por João Marcelino, numa resposta à "acção directa com tácticas hostis pouco vistas em território nacional". E que a brutal agressão policial na madrugada de 30 de junho a cinco jovens no Bairro Alto foi divulgada como "uma emboscada de grupos radicais à polícia" e até catalogada de "guerrilha urbana" pelo presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo.

Os casos pontuais de sindicalistas processados por se manifestarem contra o governo ou de activistas políticos julgados por fazerem propaganda do seu partido ajudam a preparar o terreno e a alimentar a vontade destes "responsáveis pela segurança interna" em avançar na criminalização do protesto social. Num ano em que as vítimas da austeridade vão sofrer os efeitos das políticas combinadas entre Sócrates e Passos Coelho, o autoritarismo social está aí. À espreita de novos arrastões.

(texto completo e documentário)

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:40 PM | Comentários (12)

My style is the bom diddi bom di deng di deng digidigi

Publicado por [Chuckie Egg] às 03:49 PM | Comentários (2)

Hoje sinto-me raçudo!

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Não há nada como acordar neste dia tão especial e ter notícias tão boas! O orgulho que tenho com a Pátria Lusa está sempre a insuflar. Vejam lá bem, quem o viu, pequenito e traquinas e agora, assim, feito homem, com as quinas ao peito, no museu das estrelas.

Publicado por [Paradise Café] às 11:15 AM | Comentários (2)

junho 09, 2010

Racismo e Preconceito

Hoje de manhã a notícia de abertura do noticiário da TSF era que tinha havido um assalto à mão armada, na África do Sul, no hotel onde estavam jornalistas que cobrem o mundial e em particular a selecção portuguesa.

A notícia foi dada em com tonalidades de Artur Albarrã: O Drama. o Horror, O Medo... Aproveitando talvez a proximidade da marcha fascista de 10 de Junho, o jornalista convocou todos os clichés do discurso da extrema-direita sobre a criminalidade na África do Sul, dos negros contra os portugueses... ou, pior ainda, contra a própria Selecção Nacional (!), uma vez que, segundo vinca o jornalista, o Hotel localiza-se "a 15 quilómetros do hotel onde se encontra a selecção nacional e a sete ou oito quilómetros do local de treinos"

Quanto ao conteúdo do acontecimento, propriamente dito, pouco sumo tem: «Quando acordei, vi dois negros. Um deles apontou-me a arma à cabeça e encosta-me para trás, para a cama. Mandam-me estar calado e o outro começa a levantar as malas do equipamento», contou o repórter fotográfico António Simões.

O assalto terá demorado cerca de 2 minutos. Numa outra habitação, onde se encontrava um jornalista do jornal Expresso, os assaltantes roubaram uma mochila enquanto ele dormia... E o "Hotel", já agora, é afinal uma casa de campo que se encontra fora do perímetro do hotel.. Nada que não aconteça todos os anos no Verão, no mais pacato dos países da Europa, que é Portugal.

De qualquer forma, durante o dia, a TSF não largou o osso e continua a fazer peças sobre peças sobre o tema.

No site, poderão ir ler pelo menos 6 noticias sobre o assunto:

«Reforço policial no treino da selecção portuguesa»
«Comité organizador desvaloriza assaltos a jornalistas»
«Director nacional da PSP diz que não está previsto reforço policial para África do Sul»
«Embaixada de Portugal vai prestar apoio às vítimas de assalto»
«Jornalista alvo de assalto conta momentos de terror»
«Detido suspeito de assalto a hotel onde estavam jornalistas portugueses»

Afinal, apanharam o gajo que roubou as máquinas fotográficas aos turistas? A vida não está fácil para ninguém...

Publicado por [Saboteur] às 04:49 PM | Comentários (13)

Sobre o sectarismo da extrema-esquerda, a inconsequência dos anarquistas que fazem o jogo da direita e tudo mais...

... tenho uma palavra muito séria a dizer a esse respeito e inclusivamente...

com a devida vénia ao Ventura

Publicado por [Paradise Café] às 04:02 PM | Comentários (2)

E... Viva... os Sindicatos...

"O sindicato de trabalhadores portuários sueco decidiu bloquear a partir de dia 15 de Junho os navios israelitas em resposta ao bloqueio a Gaza. Segundo o presidente do sindicato, Sr. B Borg, não se sabe ao certo quantos navios serão afectados, mas irão sobretudo ser afectados os navios de frutas oriundas de Israel e os produtos industriais exportados da Suécia. O Sr. Borg acabou por dizer em frente das televisões que esta questão iria ser colocada igualmente à União Internacional dos Trabalhadores Portuários em vista de um bloqueio Internacional."

Para os leitores suecos:

http://www.dn.se/nyheter/varlden/fackforbund-i-blockad-mot-israel-1.1115879

Publicado por [Shift] às 01:58 PM | Comentários (1)

junho 08, 2010

"Comissários malfeitores"

Carvalho da Silva teve hoje de manhã uma reacção de luxo às novas propostas da Comissão Europeia de Durão Barroso, para combater a crise.

«Não há uma governação a sério na Europa». Há uma comissão de malfeitores que se esforça por esconder as verdadeiras causas da crise e tentam impor sacrifícios aos trabalhadores a todo o custo.

Publicado por [Saboteur] às 11:00 AM | Comentários (8)

A crise nunca deixou de ser total

Concerto de Crise Total, Sábado, 12 de Junho de 2010 às 20:00, na Aldeia Galega, em Sintra.

???Crise, qual crise???

Publicado por [Paradise Café] às 10:31 AM | Comentários (1)

junho 07, 2010

O Spectrum à escuta

Se clicarem lá em baixo, no "continue a ler o Spectrum à escuta", terão acesso a todo o artigo de Domingos Lopes, hoje no Público.

Aqui fica o meu destaque:

«A alternativa era manter tudo como estava; substituir os inimigos do socialismo pelos inimigos internos e nesta batalha chamar os quadros mobilizáveis para a vitória da "pureza" do PCP. No melhor estilo dos anos 40 ou de alguns aspectos da revolução cultural chinesa, Cunhal e os camaradas mais sectários uniram-se num projecto de derrota dos renovadores e venceram. Para os apresentadores, esta vitória pode (sublinharam o pode) ter correspondido à sobrevivência do PCP.
Porém, impõe-se esta pergunta: o que trouxe esta vitória? Internamente, a maior debandada de quadros experimentados do partido, com uma experiência extraordinária à frente de organizações. Muitos deles foram os quadros da transição do PCP de 1974 para os novos dias da revolução de Abril. Para o exterior, uma reanimação das hostes mais confundidas tanto com os acontecimentos mundiais, como com os internos.»

(...)

«Esta reactivação, porém, não trouxe nada de novo em termos de afirmação teórica e prática do PCP. O PCP passou a ser o que o Jerónimo discursa, que, em geral, é a repetição, sem dúvida corajosa, do afrontamento da política desastrosa do PS, PSD e CDS, mas, do ponto de vista de alternativa, não traz um único elemento novo, nem propostas para sair da crise.
Esta reactivação interna não impediu a ultrapassagem do PCP pelo BE, coisa inimaginável há poucos anos; a perda de influência no poder autárquico e uma crescente tensão no movimento sindical.
É assim que está o PCP hoje: a proclamar que está melhor que nunca e a realidade é o que se vê.
Não é fácil ser comunista hoje. Mas talvez nunca o tenha sido, mesmo quando o caminho parecia ser o do céu. Daí que tenha as mais sérias reservas sobre o oitavo fôlego.»

O oitavo fôlego de Álvaro Cunhal
Por Domingos Lopes

É assim que está o PCP hoje: a proclamar que está melhor que nunca e a realidade é o que se vê.


No lançamento do livro de Carlos Brito Álvaro Cunhal, Sete fôlegos de um combatente, quer Manuel Alegre, quer António Borges Coelho, apresentadores do livro, levantaram a questão de um eventual oitavo fôlego que não estava mencionado na obra. Para os apresentadores, Carlos Brito não regista que o regresso de Cunhal à direcção do PCP para derrotar o Novo Impulso e salvar o partido dos projectos renovadores constituiria o tal eventual oitavo fôlego.

Esta tese tem como sustentação a divisão e o enfraquecimento verificados, entretanto, um pouco por toda a Europa nos diversos partidos comunistas, sobretudo em consequência da implosão da URSS. Se vencessem os apelidados de renovadores, ir-se-ia abrir no PCP uma nova fase cujo desenvolvimento era totalmente desconhecido e, tendo em conta o panorama internacional, provavelmente o PCP iria também ele caminhar para uma desagregação similar à verificada no Ocidente.

Em abstracto, esta possibilidade acarretaria a inércia, o que não defenderam os apresentadores, que apenas chamaram a atenção para o desafio e a realidade.

Pode uma organização política sobreviver ao longo de décadas e décadas sem renovar o seu pensamento e a sua acção? O que aconteceu no mundo do socialismo está à vista de todos. A falência dos partidos comunistas que dirigiam os países chamados socialistas foi por petrificação e não por renovação.

Os desafios que se colocavam aos partidos comunistas na oposição aos respetivos governos no Ocidente eram bem diferentes do que os dos que estavam no poder, mas o que se passava nos países socialistas influenciava bastante as grandes massas populares dos países mais desenvolvidos da Europa Ocidental, designadamente no que se referia ao exercício das liberdades e dos direitos dos cidadãos e a competição em termos de acesso a certos bens de consumo.

A morte de uma organização revolucionária pode ocorrer por motivos absolutamente contraditórios: dogmatização ou descaracterização dos seus ideais. O diabo que escolha.

É mais fácil manter os chamados princípios do que pegar nos princípios e encontrar a arte e a ciência de os colocar ao serviço da causa através dos tempos.

O facto de ser difícil não significa que não tivesse de se travar o desafio de ir ao encontro do futuro. Foi o que sucedeu com o PCP com o Novo Impulso. Havia para uns largos milhares de quadros da direcção do PCP a necessidade vital de encontrar respostas para os problemas resultantes da derrota da URSS e para o enfraquecimento progressivo, no plano interno, do partido.

Não bastava, como fazem os beatos, ficar a rezar dias e noites o terço e avé-marias (leia-se a fazer confissões de fé no marxismo-leninismo) para encontrar caminhos que levassem ao reforço do PCP, mantendo no horizonte o ideal socialista.

Esse desafio significava a coragem de abrir discussões, práticas e estilos que à partida podiam ser o caminho, mas podiam levar ao fracasso.

A alternativa era manter tudo como estava; substituir os inimigos do socialismo pelos inimigos internos e nesta batalha chamar os quadros mobilizáveis para a vitória da "pureza" do PCP. No melhor estilo dos anos 40 ou de alguns aspectos da revolução cultural chinesa, Cunhal e os camaradas mais sectários uniram-se num projecto de derrota dos renovadores e venceram. Para os apresentadores, esta vitória pode (sublinharam o pode) ter correspondido à sobrevivência do PCP.

Porém, impõe-se esta pergunta: o que trouxe esta vitória? Internamente, a maior debandada de quadros experimentados do partido, com uma experiência extraordinária à frente de organizações. Muitos deles foram os quadros da transição do PCP de 1974 para os novos dias da revolução de Abril. Para o exterior, uma reanimação das hostes mais confundidas tanto com os acontecimentos mundiais, como com os internos.

Em todas as organizações, classes e estruturas, há elementos mais e menos lúcidos. Jerónimo de Sousa e a nova direcção conseguiram mobilizar estes sectores do partido que não compreendiam o Novo Impulso ou que encontravam dificuldades de dar o seu contributo na nova situação e que precisavam de exorcizar a orientação que vinha ganhando corpo desde o Congresso do Porto de 1986.

Esta reactivação, porém, não trouxe nada de novo em termos de afirmação teórica e prática do PCP. O PCP passou a ser o que o Jerónimo discursa, que, em geral, é a repetição, sem dúvida corajosa, do afrontamento da política desastrosa do PS, PSD e CDS, mas, do ponto de vista de alternativa, não traz um único elemento novo, nem propostas para sair da crise.

Esta reactivação interna não impediu a ultrapassagem do PCP pelo BE, coisa inimaginável há poucos anos; a perda de influência no poder autárquico e uma crescente tensão no movimento sindical.

É assim que está o PCP hoje: a proclamar que está melhor que nunca e a realidade é o que se vê.
Não é fácil ser comunista hoje. Mas talvez nunca o tenha sido, mesmo quando o caminho parecia ser o do céu. Daí que tenha as mais sérias reservas sobre o oitavo fôlego.

O oitavo fôlego pode vir a ser o último deste partido. É que a direcção de um partido que se diz satisfeita com este fechamento e com esta debandada de tantos comunistas, se calhar mantém a respiração, mas não o fôlego.

Publicado por [Saboteur] às 07:44 PM | Comentários (24)

Buala

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"Um dos erros mais graves, senão mesmo o mais grave, cometido pelas potências colonais em África, terá sido ignorar ou subestimar a força cultural dos povos africanos. Esta atitude é particularmente evidente no que se refere ao domínio cultural português, que não se contentou em negar absolutamente a existência aos valores culturais do Africano e a sua condição de ser social, como ainda teimou em proibir-lhe qualquer espécie de actividade política. O povo de Portugal, que não gozou as riquezas usurpadas aos povos africanos pelo colonialismo português, mas que assimilou, na sua maioria, a mentalidade imperialista das classes dirigentes do seu país, paga hoje muito caro, em três guerra coloniais, o erro de subestimar a nossa realidade cultural."

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Buala.org é o sítio da associação cultural Buala.

Trata-se do primeiro portal multidisciplinar de reflexão, crítica e documentação das culturas africanas contemporâneas em língua portuguesa, com produção de textos e traduções em francês e inglês.

Buala significa casa, aldeia, a comunidade onde se dá o encontro. A geografia do projecto responde ao desenho da proveniência das contribuições, certamente mais nómada que estanque. A língua portuguesa, celebrada na diversidade de Portugal, Brasil e Áfricas, dialoga com o mundo.

Buala.org pretende inscrever a complexidade do vasto campo cultural africano em acelerada mutação económica, política, social e cultural. Entendemos a cultura enquanto sistemas, comunidades, acontecimento, sensibilidades e fricções. Políticas e práticas culturais, e o que fica entre ambas. Problematizar questões ideológicas e históricas, entrelaçando tempos e legados. No fundo desejamos criar novos olhares, despretensiosos e descolonizados, a partir de vários pontos de enunciação da África contemporânea.

Buala.org concentra e disponibiliza materiais, imagens, projectos, intenções, afectos e memórias. É uma plataforma construída para as pessoas. Uma rede de trabalho para profissionais da cultura e do pensamento. Artistas, agentes culturais, investigadores, jornalistas, curiosos, viajantes e autores, todos se podem encontrar e habitar este Buala.

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:47 AM | Comentários (4)

junho 06, 2010

Mandela, Soares, Savimbi e Cândida

Estava há pouco a almoçar e em imagem e som de fundo corria um programa da multi-premiada jornalista Cândida Pinto sobre Nelson Mandela. Ao que pude perceber, focando-se em Mandela, Cândida Pinto quis ouvir portugueses que com ele tivessem tido algum tipo de contacto, pelas funções que exerceram ou por terem conhecido pessoalmente a figura.

E quem foram os figurões? Nada menos que Durão Barroso, Ramalho Eanes, Cavaco Silva, Mário Soares e, calcule-se, Carlos Queirós! Também lá andava o Jorge Sampaio, já não sei porquê. Tudo gente com reconhecida militância variada a favor da causa anti-apartheid, denunciantes intrépidos do regime, apontados a dedo nos fóruns internacionais pela sua verve anti-racista e pelas campanhas de solidariedade que patrocinaram para os pretos sul-africanos e os povos da áfrica austral a quem o regime dos brancos sul-africanos apertava o garrote com a ajuda dos americanos.

Percebe-se a dificuldade de Cândida Pinto em arranjar portugueses que, antes e depois da entrega do poder na África do Sul, tivessem feito alguma coisa e pudessem testemunhar sobre a libertação de Mandela e o fim do regime. É um problema nosso, somos assim muito virados para o umbigo, um povo que não liga a esse tipo de preocupações.

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A coisa atingiu as raias do insulto quando ouvimos Mário Soares a dizer qualquer coisa sobre o carácter criminoso do apartheid e sobre a coragem de Nelson Mandela, a propósito de uma viagem realizada à A-S para "visitar o filho João Soares em convalescença na Cidade do Cabo após um acidente em Angola". Fui só eu a lembrar-me de um certo avião caído/abatido na Jamba?...

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Fantástico Mário Soares, um dos homens da Unita em Portugal, um dos responsáveis pelo prolongamento da guerra em Angola para além do prazo de validade, um dos apoiantes de sempre de Jonas Savimbi, esse grande ponta de lança dos sul-africanos em Angola, mercenário a soldo do apartheid e do pentágono. Calcula-se que Cândida Pinto precise de gerir bem este tipo de silêncios e de dar púlpito sem contraditório a gente deste calibre para continuar a ser uma das mais premiadas jornalistas de investigação em Portugal. Outros não tiveram tanta sorte.

Publicado por [Renegade] às 03:36 PM | Comentários (10)

junho 05, 2010

O blog que nasceu para falar de sindicatos


Não sei onde foi parar entretanto o professor stoleroff, depois de ter desafiado o camarada dallas a apresentar os seus pontos de vista sobre os sindicatos. Mas ocorreu-me entretanto que o spectrum fez 5 anos em outubro e, que diabo, alguma coisa se teria escrito sobre o assunto - entre uma e outra viagem feita à custa dos contribuintes - pelo que resolvi fazer um exercício bem simples.
Ali na barra lateral, onde se podem fazer buscas a partir de palavras, um pouco ao jeito do google, escrevi «sindicatos». E não é que saíram mesmo bué de posts onde o tema é abordado? Convido os mais recentes leitores do spectrum - isto é, aqueles que recentemente vieram encher as caixas de comentários com referências reles e insinuações rasteiras, mas também os que nos vieram confrontar com os seus pontos de vista sobre o tema - a repetir o exercício.
Eu já nem me lembrava, mas parece que a 14 de Março de 2007 andei a ler atentamente um contrato colectivo de trabalho proposto pelo SINTAVV à associação patronal do sector e partilhei com os leitores as minhas impressões, próprias de quem integra «grupelhos anarcas provocadores».
E pouco depois, na sequência da greve geral de 30 de Maio de 2007, escrevi três posts sobre o tema. Aqui ficam então, para os interessados. Um pouco menos interessantes do que as minhas viagens à Índia ou o percurso profissional da camarada Joystick, parecem estar um pouco mais relacionados com os grandes problemas do nosso tempo.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:45 PM | Comentários (19)

Ainda sobre a grande manif

No meu tempo, Carlos Gonçalves não era tão sectário e caceteiro... Parece que a metamorfose compensou. Descobri que hoje em dia ele é da Comissão Política do CC.

«Note-se a tentativa - derrotada - de repetir «incidentes» como o de V. Moreira, no 1.º de Maio de 2009, com a (contra) manifestação sectária do BE, a provocação dum grupelho de «anarcas», ou os «empurrões com a polícia», encenados para uma câmara de televisão, cuidadosamente colocada numa rua afastada do percurso da manifestação.»

Publicado por [Saboteur] às 04:01 PM | Comentários (12)

junho 04, 2010

O spectrum à escuta


"O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois factos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. Nunca os que trabalham trabalharam tanto e nunca lhes foi tão difícil identificarem-se como trabalhadores. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia. A crise atinge todos porque todos são trabalhadores."
Boaventura de Sousa Santos, Cidadãos europeus, Uni-vos!

Publicado por [Rick Dangerous] às 08:01 PM | Comentários (2)

Beber o mar em Gaza - «Gazastrophe»


"Captámos estas imagens de Gaza, Palestina, esse país que se assemelha cada vez mais a uma metáfora. Reentrámos em Gaza no dia a seguir à última guerra e descobrimos, com os nossos amigos, delegados palestinianos dos direitos humanos, a dimensão da «gaza-strofe». Os relatos de dezenas de testemunhos da guerra israelita contra Gaza fizeram-nos entrar no pesadelo palestianiano. Apesar de tudo isso, os nossos amigos Gazaoui ofereceram-nos poemas, cantos, e até anedotas..." Gaza-strophe

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:46 PM | Comentários (0)

junho 03, 2010

Entrevista a Ana Cunhal

Para os camaradas não irem a correr comprar essa revista reaccionária e racista que é a SÁBADO, fica aqui o link para até dia 10 de Junho fazerem o download da do artigo sobre o Álvaro Cunhal e a entrevista à filha delel, em pdf.

DOWNLOAD AQUI

Entretanto, a Shyznogud fez uma coisa ainda mais catita e que dura mais do que os 7 dias:

ana cunhal

Publicado por [Saboteur] às 02:20 PM | Comentários (5)

Ainda sobre a grande manif

Henrique Sousa foi membro do Secretariado do CC. Nem imagino as horas que não terá passado a debater as "opiniões muito complicadas" deste e daquele militante (mesmo que ele fosse de outros organismos executivos) e como proteger o Partido dessas opiniões...

É portanto a pessoa certa para nos chamar a atenção para o facto do Avante! ter ignorado o discurso de Carvalho da Silva, num post do seu blog.

Publicado por [Saboteur] às 12:32 PM | Comentários (2)

Morreu o Almirante Vermelho

Lembro-me do pai de um colega meu de faculdade, cuja casa eu frequentava para fazer noitadas de estudo, dizer meio no gozo, meio a sério, que "ainda hoje tenho pesadelos com o Rosa Coutinho". Acredito...

Publicado por [Saboteur] às 01:23 AM | Comentários (2)

junho 02, 2010

Hoje - 18h - Embaixada de Israel -Contra os crimes de Israel

via indymedia

Nova Concentração contra os crimes de Israel

Várias organizações convocam concentração em frente à Embaixada sionista
(R. António Enes 16, transversal à Av. 5 de Outubro – Metro Saldanha)

Basta de crimes!
Fim ao bloqueio a Gaza!
Fim à ocupação israelita!
Palestina independente!

Face ao vergonhoso ataque de Israel contra barcos que transportavam ajuda humanitária para Gaza e dada a urgente necessidade de promover acções que expressem a sua mais firme e ampla denúncia e condenação, um conjunto de organizações tomou a iniciativa de convocar uma concentração para Quarta-feira, dia 2 de Junho, pelas 18h00, frente à Embaixada de Israel (R. António Enes 16, transversal à Av. 5 de Outubro – Metro Saldanha), para a qual convidam todas as organizações e cidadãos e cidadãs solidários com a luta do povo palestiniano.

Da mesma forma, estas organizações tomaram a iniciativa de vos enviar uma proposta de tomada de posição conjunta a que apelam à vossa adesão. Posição conjunta que tencionam entregar à Embaixada de Israel, na próxima Quarta-feira.

Texto para subscrição por organizações:

Condenação do desumano ataque de Israel contra a «Frota da Liberdade»

O desumano ataque militar israelita contra os barcos de uma iniciativa de ajuda humanitária à população palestiniana na Faixa de Gaza – que levava bens de primeira necessidade e outros materiais para a resposta às prementes carências daquela população - que matou e feriu dezenas de pessoas, é mais um crime cometido pelo Estado de Israel que exige a mais clara e firme condenação.

O brutal ataque das forças israelitas, perpetrado em águas internacionais, contra a «Frota da Liberdade» - organizada pela Free Gaza, que transportava 750 pessoas e toneladas de mantimentos para a Faixa de Gaza - só pode merecer a condenação do Governo português.

Este hediondo crime traz para a ordem do dia o cruel e ilegal bloqueio imposto por Israel à população da Faixa de Gaza desde 2007, que criminosamente coloca todo um povo sob cerco e aprisionado. Um milhão e meio de crianças, mulheres e homens sobrevivem num território exíguo e privado das mais elementares condições de vida. Recorde-se a brutal agressão militar perpetrada entre Dezembro de 2008 e Janeiro de 2009, que provocou a morte e ferimentos em milhares e milhares de palestinianos, na sua maioria crianças e jovens e destruiu infra-estruturas básicas, constituiu mais um rude golpe para o povo de Gaza, que continua impune.

Na raiz de todos estes graves problemas que a população de Gaza enfrenta está a ocupação israelita dos territórios palestinianos. Uma ocupação condenada em sucessivas resoluções das Nações Unidas, mas que, com o apoio ou a conivência dos Estados Unidos da América e da União Europeia, não só não cessa como se agrava, com os assassinatos, as prisões e a expansão dos colonatos.

Face a mais esta violência israelita, urge reafirmar as exigências fundamentais tendentes à resolução deste conflito e o inalienável direito do povo palestiniano a um Estado independente, soberano e viável:

· condenar este acto criminoso de pirataria e violência e exigir a punição, à luz do direito internacional, dos responsáveis pelo ataque à "Frota da Liberdade";

· exigir a imediata libertação de todos os activistas sequestrados por Israel e a atracagem da «Frota da Liberdade» na Faixa de Gaza;

· o imediato levantamento do bloqueio à Faixa Gaza;

· o desmantelamento dos colonatos;

· a remoção do muro de separação;

· o fim da ocupação israelita;

· a resolução do problema dos refugiados no quadro do respeito do direito de regresso;

· e o estabelecimento de um Estado da Palestina, dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém Leste como capital.

A entregar na Embaixada de Israel, Quarta-feira, dia 2 de Junho, às 18h00.

Publicado por [Paradise Café] às 09:47 AM | Comentários (12)

junho 01, 2010

Resposta a Allan Stoleroff

Diz Allan Stoleroff: Alguem descobriu este blog e informou-me deste comentário sobre mim. Pois. Você, o (ou a) radical da luta de classes afinal confia tanto na imprensa "burguesa" que acredita que o jornalista citou-me correctamente ou representou correctamente as minhas análises da manifestação! Pois! O facto é que fui solicitado pelo Público para deixar um jornalista acompanhar-me durante a manifestação para ouvir os meus comentários. Mas evidentemente não tive qualquer controlo sobre a sua reportagem. Todavia acho que o seu comentário é justo. Também não apreciei muito o sociólogo retratado pelo jornalista. E então? Você quer saber o que disse e pensei realmente sobre a manifestação? Provavelmente não gostaria. E o quê que você pensou da manifestação e das possibilidades de o povo efectivamente inverter a situação? Gostaria de ouvir a sua sapiência. Pronto...

Respondo eu: Provavelmente até gostaria. A minha participação nas manifestações da CGTP não parte de uma postura acrítica em relação a uma organização que há muito deixou de constituir a voz de grande parte dos trabalhadores. Tampouco me agrada episódios fulcrais da sua história, nomeadamente as campanhas contra a comissão inter-empresas, compostas por empresas ocupadas e auto-geridas.
Propostas para inverter esta situação. Não sou especialmente sapiente, mas porque não criar - mesmo no seio da CGTP - um sindicato de desempregados e de precários? Porquê insistir num modelo de organização assente na profissão, quando são cada vez menos aqueles têm profissão (um precário vai tendo profissões)? Porque não introduzir outras formas de vivência democrática, que não passassem pela simples reprodução de hierarquias e burocracias?
Constituiria este conjunto de medidas uma espécie de receita final? Um programa político dito e feito? Tenho dúvidas (aliás, tenho dúvidas em relação a todos os programas políticos ditos e feitos). Inverteria a situação de marasmo a que chegámos? Talvez...

Publicado por [Dallas] às 04:08 PM | Comentários (39)

All out of bubblegum


Publicado por [Rick Dangerous] às 03:20 AM | Comentários (6)

PSP uber alles!

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Segundo Valentina Marcelino, «jornalista» do Diário de Notícias, os jovens que podem ver nestas fotografias fazem parte de um complot organizado por grupos radicais anarquistas. Daí, as nódoas negras. Provocadas, como não poderia deixar de ser, pela heróica resistência da PSP. Parece, no entanto, que não é bem assim. Um dos jovens, na verdade, é foto-jornalista e, heresia das heresias, resolveu tentar fotografar um agente da PSP com um pé em cima da cabeça de uma rapariga. Por isso, foi espancado e detido. Outras pessoas que assistiam à cena foram igualmente detidas e mais tarde espancadas na esquadra. Em declarações à TVI-24, quando questionado se pertencia a este tipo de grupos, o jovem respondeu que não tem qualquer passado político, «Mas se calhar daqui para a frente até vou fazer parte desses grupos», brincou.

Publicado por [Dallas] às 12:04 AM | Comentários (3)