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novembro 29, 2009

Cimeira Ibero-Americana

Estava a ver na televisão que, segundo o protocolo oficial, a figura mais importante da cimeira Ibero-americana é o rei de Espanha.

É curioso que numa cimeira em que o tema da legitimidade democrática deste ou daquele vêm sempre ao de cima desde há anos (Cuba, Venezuela, agora Honduras, em tempos Chile...), a figura mais importante seja precisamente um chefe de estado não eleito.

Publicado por [Saboteur] às 07:36 PM | Comentários (15)

novembro 27, 2009

Os anormais do paneleiros

"A Aurora do Lima publicou no passado dia 18/11/2009 um texto de opinião da autoria do Sr. Luís Palma intitulado “Casamento entre homossexuais”. Neste texto, o autor procura argumentar contra os projectos já anunciados na Assembleia da República para aprovar em Portugal uma lei que permita o acesso de casais de pessoas do mesmo sexo ao casamento civil. Lamentavelmente, o Sr. Luís Palma não conseguiu fazê-lo sem incorrer em afirmações cheias de preconceito, revelando um grande desconhecimento dos factos que se propôs comentar e, como não podia deixar de ser, acabou por incorrer diversas vezes em afirmações insultuosas.

Na impossibilidade de abordar nesta resposta tudo o que merecia ser dito, vou restringir-me a quatro comentários.

O Sr. Luís Palma começa logo por considerar a homossexualidade “uma anomalia”. Podíamos pensar assim – bom, há liberdade de expressão, está no seu direito. Pois é, mas não está no seu direito. O Grande Dicionário da Língua Portuguesa define anomalia como: “Desvio insólito de um tipo normal, monstruosidade. (...) Excepção às regras, aberração”. Ao Sr. Luís Palma nunca passaria pela cabeça escrever num artigo de jornal que a cor negra da pele é “uma anomalia”. Porque sabe, como sabemos todos, que a afirmação pública da discriminação com base na “raça” é claramente proibida pela Constituição da República e desaconselhada pelos mais elementares respeito e civilidade. Chama-se racismo. Mas não se coibiu de considerar os homossexuais como anormais, monstruosidades e aberrações. Só o fez, e foi publicado, porque em Portugal ainda se acha “normal” insultar uma pessoa pela sua orientação sexual, apesar do mais elementar respeito e civilidade aconselharem o contrário e, veja-se bem, a própria Constituição da República o proibir no n.º 2 do artigo 13.º (princípio da igualdade)[1].

Depois entra na questão do casamento entre casais de pessoas do mesmo sexo. E agarra-se ao que está escrito no Código Civil como se este fizesse fé de alguma lei intemporal. Está enganado. O Código foi escrito por mãos humanas e regula realidades que são mais ou menos permanentes, mas nunca imutáveis. É por isso que se fazem alterações, para adequar o texto legal à evolução da sociedade. E, se é verdade que o casamento civil em Portugal é hoje um contrato entre um homem e uma mulher, também é verdade que sempre houve casais de pessoas do mesmo sexo a viver em Portugal. E por que razão não podiam essas pessoas casar-se? Porque a discriminação vivida na sociedade, o ódio e o desprezo a que os e as homossexuais sempre se viram votado/as o impediam, de tal forma que a homofobia foi naturalmente vertida em lei. O Sr. Luís Palma, lamentavelmente, acha que a discriminação deve continuar na lei. E até se permite brincar, como se estivesse à mesa do café, com a violência legal que a discriminação constitui: “Nada impede a um gay ou a uma lésbica de se casarem, só que o terão de fazer com outra pessoa de sexo diferente. A lei é igual para todos!”. Não ocorreu ao Sr. Luís Palma que é exactamente por essa razão que a lei não é igual para todos. É que a um gay ou uma lésbica nunca passaria pela cabeça casar-se com uma pessoa de outro sexo, a menos que estivessem dispostos a viver na mentira. Imagine o Sr. Luís Palma se lhe dissessem que, querendo casar, só podia fazê-lo com um homem?

Mas o que lhe faz verdadeiramente confusão é a palavra “casamento”. Até pode haver um instituto semelhante, mas quer que lhe dêem outro nome. Penso que não percebeu que, mais uma vez, está a dizer que uma união entre dois homens ou duas mulheres não pode ter a mesma dignidade que um casamento entre pessoas de sexo diferente. No fundo está, mais uma vez, a dizer a esses homens e mulheres que a relação que querem ver reconhecida é “anormal”, de segunda categoria, indigna e aberrante aos olhos da sociedade. Porque é esse o valor simbólico do casamento: conferir uma dignidade especial a uma relação junto da família, dos amigos, dos colegas de trabalho, da sociedade.

Em seguida passa à questão da adopção. Infelizmente, a confusão continua e, o que é pior, continuam os insultos. O Sr. Luís Palma acha que “uma criança que já tem a infelicidade de não poder, em harmonia, viver em família com os seus progenitores, não pode ser arrastada para uma adopção que não comporte um homem e uma mulher que possam colmatar a impossibilidade de viver com o seu pai e a sua mãe biológicos, havendo tantos casais “normais” em fila de espera para adoptar essa mesma criança.”. Para já, deixemos em paz os casais ditos “normais” e a infelicidade das crianças. Concentremo-nos antes no facto de, em 2009 (e desde há muitos anos), pessoas solteiras poderem adoptar crianças e, veja-se bem, não apenas pessoas heterossexuais mas também homossexuais! O Sr. Luís Palma ignorava este facto. Como deve ignorar o facto de haver hoje em todo o mundo muitos milhões (sim milhões!) de crianças a viverem com casais de pessoas do mesmo sexo ou em famílias monoparentais. Como também deve ignorar o facto de nenhum estudo sério apontar diferenças no desenvolvimento das crianças que cresçam em famílias de progenitores do mesmo sexo em relação aos que crescem em famílias monoparentais ou nas “normais”, como diz. Temo que o que verdadeiramente preocupe o Sr. Luís Palma não seja o bem-estar das crianças mas o facto de os casais portugueses de gays e lésbicas terem o direito a decidir em pé de igualdade com qualquer casal heterossexual se, podendo, querem adoptar uma criança. E é só isso que deve ser avaliado: se o casal tem condições para adoptar, em perfeita igualdade com um casal de pessoas de sexo diferente.

Finalmente, põe no mesmo saco da “anormalidade” o casamento homossexual, a pedofilia, o incesto e os casamentos poligâmicos e poliândricos, acrescentando que não se pode permitir “que se faça tábua rasa de valores em que assentam a nossa honra, a nossa dignidade, a nossa cultura ou a nossa identidade”. Eu não sei em que valores o Sr. Luís Palma assenta a sua honra e a sua dignidade mas, pela amostra do texto publicado, não são com certeza os valores básicos da igualdade, da liberdade e do respeito. Seja como for, acredito que não me levará a mal se me despedir dizendo que, não esperando nenhum pedido de desculpas, lhe perdoo os insultos que me dirigiu a mim, a muitos outros seus concidadãos e a todas as pessoas que em Portugal lutam pelo fim das discriminações e pela igualdade com base na orientação sexual.

Termino com votos de que a aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo seja o primeiro passo de muitos para que haja um combate decidido à homofobia em Portugal, na lei e na sociedade. E por mais igualdade. É tempo de o insulto parar.

Renegade


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[1] Diz o artigo no seu n.º 1: “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.”. E acrescenta no n.º 2: “Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.”. "

[NEM SE DIGNARAM RESPONDER AO E-MAIL QUE LHES ENVIEI COM ESTE TEXTO, DEPOIS DE LÁ TER IDO PESSOALMENTE]

Publicado por [Renegade] às 02:12 PM | Comentários (16)

Porno pública

Para os mais incautos aqui segue uma grande novidade: a loucura obscena e sectária de José Manuel Fernandes à frente do Público, afinal não era da responsabilidade do mesmo Atente-se à chamada de capa daquele diário, agora dirigido por Bárbara Reis, na sua edição de hoje: "Michael Moore morde a mão que lhe dá de comer" "Capitalismo uma história de amor".

Publicado por [Paradise Café] às 10:08 AM | Comentários (2)

"Um trabalho a tempo inteiro"

Jean Barroca é Presidente da DAE do Técnico. Ganhou uma eleições em que era lista única e que foram convocadas, no mínimo, de forma muito discreta.

O Jornal do Fundão convoca um post no Spectrum e Jean responde:

"- És acusado em alguns blogues de teres promovido uma chapelada nestas eleições. Como é que reages a essa acusação?

- Não reajo nem tenho que reagir a uma acusação que foi feita num blogue anónimo. A única coisa a que tenho de reagir é a uma carta aberta de alguns alunos sobre o processo eleitoral. Há coisas que eu não controlo e que eles criticam sobre como é que se poderia ou não ter noção que a campanha se ia realizar. Quando o Bloco de Esquerda quiser voltar a ganhar a Associação do Técnico vai ter de se organizar de forma diferente àquela que tem hoje."

Não precisamos que ele reaja às nossas acusações, até porque o assunto já está enterrado. O Jean fez um truque e nós assinalamo-lo e dissemos “pensas que enganas quem com esse truque de escola secundária?”. Ponto final.

A história do BE é que não se entende. A insinuar que o blog tem alguma coisa a ver com o BE? Não percebo como é que o Spectrum ganhou essa fama… O único editor que é militante do BE sou eu e, mesmo eu, sou um simples militante de base, sem nenhuma importância, que até sou convocado para as reuniões em primeira-mão através de comentários pouco simpáticos.

Publicado por [Saboteur] às 12:37 AM | Comentários (5)

novembro 25, 2009

Orçamento Participativo em Lisboa

Orçamento Participativo.jpg

A experiência de Orçamento Participativo feita em Lisboa, o ano passado, foi um primeiro passo muito importante mas logo na altura foi dito e reconhecido, pela própria Câmara, que era um processo que carecia de ser aprofundado e melhorado, nomeadamente no que diz respeito ao aprofundamento da dinâmica de debate das propostas.

Quanto a mim era necessário criar mais espaços de debate, promover reuniões, envolver em diálogo a Administração com os munícipes, de forma a encontrar as melhores soluções técnicas para atingir os anseios destes e – muito importante – divulgar mais todo o processo, promovendo uma cultura cívica e política de participação e democracia directa.

Parece-me que infelizmente nada se evoluiu desde o ano passado para agora… Também parece que não se regrediu muito (exceptuando que desta vez não há mupis a informar do processo), o que já não é mau…

De qualquer maneira, como a melhor forma defender o processo é participando, aqui fica o link para que possam fazer o vosso registo e propostas e mais tarde, noutra fase, votar.

Eu não vou apresentar propostas porque outr@s ompanhei@s já apresentaram coisas que me interessam: alargamento de passeios (retirando lugares de estacionamento ou estreitando o espaço de circulação dos carros), retirada de obstáculos da via pública (caixas de electricidade, canteiros em cimento postos pelas Juntas, publicidade e postes vários), etc. Irei somente participar na votação.

Publicado por [Saboteur] às 07:55 PM | Comentários (5)

Inquérito sobre a identidade nacional.


Hoje o público notícia
o debate que o Sr Ministro Eric Besson (Ministère de l’Immigration, de l’intégration, de l’identité nationale et du développement solidaire) lançou em França sobre a identidade nacional e a definição do que é ser francês, sobre o qual já tinha falado aqui.
Um site sobre o assunto foi mesmo criado pelo Ministério para albergar tudo o que lhe diz respeito. Arquivos, opiniões de rua, de parlamento, de embaixadores estrangeiros, contribuições, biblioteca e videoteca escolhidas a dedo, etc, etc, podem ser consultados... aqui fica o link, no entanto, é necessário assinalar que a nossa simples visita, ainda que crítica, é tida como uma prova de legitimação da opinião pública ao debate, é assim nos dito logo na primeira página: “Ce site connaît un immense sucès! Cela nous réjouit... »
O que não é assim tão claro e fácil é de chegar a este link que mais não é que um inquérito enviado a todas os comissariados de polícia como sendo uma base de debate. Não esqueçamos que são os comissários as pequenas mãos do sistema no que diz respeito a recusar ou a aceitar os “titres de séjour”, processo acompanhado por uma pesada administração e desprezo por aqueles que necessitam desses títulos.
Este inquérito é um instrumento importantíssimo para aqueles que estudam ou têm interesse na construção das nações, nacionalismos, identidades nacionais, etc, etc... e ainda para aqueles que estudam metodologicamente as questões das entrevistas e como a formulação destas pode influenciar as suas respostas. Este inquérito, tem o mérito de fazer um inventário de como a identidade nacional é fabricada institucionalmente.
Uma das questões mais inteligentes do inquérito é a seguinte: Pourquoi l’identité nationale génère-t-elle un malaise chez certains intellectuels, sociologues ou historiens ?
Infelizmente eles sabem qual é a resposta... a identidade nacional, é um conceito que se tornou a panaceia para todos os males nas ciências sociais, mas o verdadeiro grande problema é que a perspectiva constructivista da identidade forjada pelos cientistas sociais foi completamente ultrapassada pela perspectiva essencialista institucional (cito Rogers Brubaker – Au-delà de l’identité, 2001). É esta segunda que vingou nas nossas maneira de pensar e agir.

Publicado por [Shift] às 03:21 PM | Comentários (2)

Dias de Olhos Embaciados - 25/11

Há quem diga que chovia e quem assegure que o sol não se suportava. A festa acabava em tons imprecisos, mas acabava. Recolheram-se as enxadas da “cumperativa” e as “fábricas de automóveis para os burgueses que passaram a produzir frigoríficos para o povo” fecharam. Talvez por isso não seja assim tão estranho que ninguém se recorde das cores daquele dia cinzento

Publicado por [Paradise Café] às 02:57 PM | Comentários (3)

Farsa oculta


As guerras entre facções da camada dirigente revelam, mais do que qualquer investigação judicial ou jornalística, os segredos que comandam o Estado e a economia em Portugal. A sabedoria popular já disse a esse respeito algumas coisas dignas de relembrar. Assim é que Sócrates se tem visto examinado à lupa como raras vezes se tem visto um primeiro-ministro ser examinado à lupa. A nós, que vivemos do lado de cá da cortina de ferro e tudo desconhecemos acerca do que se passa nos bastidores do poder (imaginamos a substância mas ignoramos os pormenores, quando o diabo está, precisamente, nos pormenores), dá alguma jeito que colunistas de direita venham revelar tão abertamente a microfísica do poder.
No espaço de dois dias, respectivamente a 12 e a 14 de Novembro, Pedro Lomba e Pacheco Pereira escreveram no Público duas crónicas preciosas para compreender a dinâmica da economia política que governa Portugal.
Na Cronologia de um golpe, Pedro Lomba faz aquilo que qualquer jornalista de qualidade mínima deveria fazer. Uma cronologia que explica o andamento das coisas e destaca o peso de cada uma, desde a nomeação de Armando Vara para a administração da CGD, passando pela sua chegada ao BCP, até chegar a uma conversa telefónica que já fez correr muita tinta:"Estamos perto do fim desta operação bem montada. Sócrates ganhou de novo as eleições. Mas este encadeamento todo precisava de confirmação. Incrivelmente, nas escutas a Armando Vara no caso “Face Oculta” eis que surge a arma do “crime” libertando fumo: «O primeiro-ministro e o ‘vice’ do BCP falaram sobre as dívidas do empresário Joaquim Oliveira, da Global Notícias, bem como sobre a necessidade de encontrar uma solução para o ‘amigo Joaquim’. Uma das soluções abordadas foi a eventual entrada da Ongoing, do empresário Nuno Vasconcellos, no capital do grupo. Para as autoridades, estas conversas poderiam configurar o crime de tráfico de influências.»
Escutas nulas, disse o Supremo. Os factos, meus amigos, é que não são. A 15 de Janeiro de 2008, Armando Vara é eleito vice-presidente do BCP."

Na sua crónica de Sábado intitulada Um problema de confiança, Pacheco Pereira resume os dados do problema apontando a abrupta ascensão de Sócrates como um calvário repleto de casos por explicar: "A partir daí não há pedra em que não se dê um pontapé, casinhas, processos na área do ambiente quando ele foi secretário de Estado ou ministro, Freeport, negócios ligados ao controlo da comunicação social, Face Oculta, em que Sócrates não apareça. Pode-se dizer que isso é perseguição, como há quem no PS diga. Mas não é, o problema é que Sócrates aparece sempre lá, perto ou longe, com mais ou menos responsabilidades, e aparece porque está lá. Ele, a família, os seus amigos do PS, as pessoas que escolheu, as áreas onde governou e governa. E, quando ele aparece, nada nunca se esclarece cabalmente. Nem na justiça (e isso é uma arma de dois bicos, porque também o prejudica), nem na parte da política que exige transparência. Por isso, a minha desconfiança original não tem conhecido a não ser um crescendo, porque encontra um padrão e não "«casos»."
Que estes mesmos cronistas - pelo menos Pacheco Pereira - assobiem para o lado quando este fado lhes bate à porta em nada desvaloriza a utilidade destes seus escritos. Eles revelam quase tudo acerca da mecânica da governação e do terreno pantanoso estabelecido entre o que é público e o que é privado. Igualmente, o facto de a solução que apresentam ser sempre a mesma - mais privatizações, mais iniciativa privada, menos estado, mais mercado, no jornal da SONAE não há ponta sem nó - ser apenas a continuação desta história por outros meios, não nos impede de reflectir acerca das condições em que decorre o combate político partidário. Não há quem ali entre de forma inocente nem quem saia de mãos absolutamente limpas. É preciso, no mínimo, fechar os olhos e fazer de conta que não se está a ver. Bem sabemos que nada disso assusta os Armandos Varas e os Antónios Pretos deste mundo. Também não são eles que me preocupam, mas antes os que continuam a acreditar que é possível mudar este estado de coisas a golpes de ética republicana. Como dizia o outro, cuidado com as companhias Carlos Jorge.

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:22 AM | Comentários (7)

O comando Jaime Neves


Para comemorar o dia que deu origem ao regime em que vivemos, os jovens do 31 da Armada, com o humor que se sabe, não encontraram melhor do que um texto de Jaime Nogueira Pinto, esse fascista nojento que possui uma companhia de mercenários em Moçambique, acerca de Jaime Neves. No estilo que lhe é característico, este Ian Smith de opereta não hesitou em efabular. Ao que parece, Jaime Neves estava pronto para tudo muito antes do 25 de Novembro e, não fossem os temores dos seus superiores hierárquicos "teria sem dúvida removido as barricadas comunistas" logo no 28 de Setembro. Felizmente, estes tigres de papel apenas revelam a sua coragem e brio militar quando sentem as costas quentes, ou imagina-se que nem 25 de Abril teria havido. Uma vez que chapéus há muitos e a história daquele dia continua a ser contada apenas pelos vencedores, retirei do baú uma outra opinião sobre este indivíduo, que Cavaco achou por bem promover recentemente a General. É uma carta-aberta da 5ª Divisão do EMGFA ao General Costa Gomes, à época Presidente da República. Data de 27 de Outubro de 1975 e está disponível num livro do Coronel Varela Gomes, intitulado «A contra-revolução de fachada socialista».
“Merece atenção muito especial a forma como foi montado e se desenrolou o golpe do dia 27 de Agosto; na medida em que o seu conhecimento pormenorizado aclara de vez os intuitos obscuros que determinaram a extinção da 5ª Divisão.
O oficial designado para chefiar a operação foi o Major de Infantaria graduado em Coronel, Jaime Neves. Não foi por acaso – V. Exª o sabe pois sancionou a respectiva nomeação – que a missão de destruir um dos sólidos pilares da Revolução Portuguesa coube a este herói de massacres, bebedeiras e prostitutas, cujo perfil de colonialista cruel, de militarista sem princípios nem cultura, pesa sobre o povo português como um pesadelo e uma ameaça permanente à sua liberdade. Naturalmente, anticomunista patológico, pronto a todas as investidas criminosas desde que açulado para a caçada ao «vermelho».
Da sua noção de democracia conhece V.Exª o suficiente, pois esteve perto da assembleia de Tancos, no princípio de Setembro, na qual o graduado Jaime Neves entrou armado e assim ostensivamente se manteve, enquanto à porta, ao alcance de voz, os seus guarda-costas guarneciam bazucas e metralhadoras pesadas apontadas para o interior.
A força que levou a cabo a «gloriosa» missão de assaltar e saquear a 5ª Divisão foi organizada pelo actual comandante do Batalhão de Comandos. Todavia, em virtude de os militares aquartelados na Amadora suspeitarem desde sempre do fascista camuflado que lhes está imposto como comandante, foi julgado mais conveniente aguardar efectivos prestes a regressar de Angola. Tendo aterrado no Aeroporto da Portela às duas da madrugada do próprio dia 27 de Agosto foram esses soldados-comandos imediatamente transportados para a sede do batalhão na Amadora, onde Jaime Neves em pessoa os submeteu ao tratamento psicológico preconizado nos manuais da guerra colonial. Incluíu aliciamento pelo suborno (promessa de mais cinco dias de licença além dos que tinham direito); incitamento à violência e ao saque; apelo à irracionalidade e ao ódio: «Vocês vão daqui a pouco realizar uma missão igual às que faziam em Luanda; em lugar de irem caçar os comunistas do MPLA, vamos hoje caçar os comunistas da 5ª Divisão.»”

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:09 AM | Comentários (6)

novembro 24, 2009

"A religiosa portuguesa"

« Je vois bien que je vous aime, comme une folle. Cependant je ne me plains point de toute la violence des mouvements de mon cœur, je m’accoutume à ses persécutions, et je ne pourrais vivre sans un plaisir, que je découvre, et dont je jouis en vos aimant au milieu de mille douleurs». (Extracto das « Cartas portuguesas » - I Carta – romance epistolar de Guilleragues, do Século XVII, que era suposto ter sido escrito por uma religiosa portuguesa a um Oficial naval francês).
A beleza do sentimento de amor provém do facto que ele é uma fonte de sofrimento. A isto chamo a concepção do amor malsofrido. Esta forma de amar é sem dúvida a forma mais profunda, mais empolgante e mesma a mais bela... e portanto a mais real – amar sem ser amado.
Pessimista, determinista, romantica melodramatica, o que quiserem... Ao contrário dos sentimentos que este pequeno extracto faz alusão, podendo desencadear em nós as imagens do que o amor encarna de mais carnal e sensual, a mediocridade do filme “A religiosa portuguesa” de Eugène Green apenas pode fazer com que vomitemos na nossa própria taça de sopa os ingredientes espírituais com as quais ela foi feita (as minhas sinceras desculpas aos assistentes de produção do filme).
É uma pena pois até tinha apreciado muito “Le Pont des Arts”.
O que poderia ter sido um louvor à cidade lisboeta é no filme um panfleto de propaganda turística redutor e démodé em torno dos três F’s (Eugène pecou! Sim, reparámos: esse plano fixo fatal onde duas bandeiras de futebol balançam ao sabor do vento. Quase que não preciso de referir o fado para atrair as almas menos avisadas sobre a beleza dos olhos de Camané... e ainda esse diálogo enfadonho de natureza bem cristã entre a verdadeira e a falsa religiosa.
O que poderia ter sido um louvor ao amor é no filme o balizamento estéril desse mesmo sentimento nas gavetas mais normativas do modelo de casal a dois, homem – mulher. Ou mais simples, de tudo aquilo que nos foi metido na cabeça de maneira bem conseguida desde a nossa tenra idade. Assim, trememos facilmente com a noção de infidelidade e desejamos a espera do herói que chegará um dia de nevoeiro das margens do rio Tejo.
O que poderia ser um louvor à procura da espiritualidade é no filme um caminho em direcção da cristandade do que ela tem de mais cretino – a instituição de valores e os valores instituídos. A beleza das coisas e a procura da existência pacifica não se encontra na “unidade do mundo” como diz Green... a caridade que oferecemos ao nosso próximo apenas atrasa a consciência sobre o estado das coisas.
O que poderia ter sido um louvor ao cinema português, se existe um, é no filme uma farsa tragico-dramática sobre o elitismo do cinema. Esta farsa poderia ter sido burlesca mas ela é apenas mal representada. O roquefort caíu infelizmente na água pois tanto as elites cinéfilas como os profanos sentiram-se ofendidos. Os primeiros porque existe um desprezo pela cultura, os últimos porque fizeram deles idiotas.
O realizador não tarda a dizer que ao contrário da religiosa do século XVII, que ficou fechada num circulo de desespero afectivo, a protagonista principal do filme encontra os seus repères na busca do amor pleno! É aqui, que o senhor, Eugène, está enganado... o sofrimento é o inicio do prazer e vice-versa.
Posto isto, vale a pena ver Lisboa no fundo de um ecrã parisiense.... ah a saudade!

Publicado por [Shift] às 12:47 AM | Comentários (8)

Debates pouco católicos

capitalismo.jpg

A Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica realizou esta noite um «Visionamento Privado do filme CAPITALISM: A LOVE STORY de Michael Moore.»

«Visionamento Privado». É mesmo esse o nome da iniciativa que vem no mail que me enviaram. Com «Privado» em letra maiúscula e tudo, para sabermos todos que isto de ver filmes do Michael Moore, pode ser, mas isto ainda não é o da joana...

Segundo o convite, após o «Visionamento Privado», irá haver/houve um debate com «dois grandes especialistas na matéria». Volto a citar. Nem sequer o negrito é meu: o convite fala mesmo em «dois grandes especialistas» e em «debate».

Os «especialistas» são o Prof. João César das Neves, Economista e Professor Catedrático da FCEE-Católica e o Dr. Nicolau Santos, Economista e Director-Adjunto do Jornal Expresso...

Um verdadeiro debate de ideias com 2 pessoas que pensam da mesma maneira e que apenas vão competir para ver quem é que bate mais no Michael Moore.


Publicado por [Saboteur] às 12:30 AM | Comentários (4)

novembro 23, 2009

48 k

Uma leitora identificada chamou-me à atenção para este site que tem os jogos do ZX Spectrum

A desilusão foi maior do que a que tive quando revi os Jovens Heróis de Shaolin. Como é que eu fui perder tanto tempo com aqueles jogos?

Publicado por [Saboteur] às 10:00 AM | Comentários (4)

O Faustin vai actuar no Maria Matos

Parece que fizeram as pazes...

Publicado por [Saboteur] às 09:12 AM | Comentários (3)

novembro 22, 2009

Francisco Louça - Biografia

A recém editada biografia de Francisco Louça é de uma parcialidade aterradora. Note-se que aqui não se pretende tanto criticar o biografado mas antes o biógrafo, António Simões do Paço. Louça é apresentado sem qualquer distância crítica ou objectividade, no entanto, sendo esta uma biografia autorizada é óbvio que o dirigente bloquista não sai ileso da história.
As divergências internas, por exemplo, quer na construção, quer na consolidação do Bloco de Esquerda, simplesmente não existem para Simões do Paço que pinta toda a história de um cor de rosa plástico enganador.
Além de não adiantar absolutamente nada de novo sobre a figura, o seu percurso e os seus partidos tem pérolas como esta, oferecida aos leitores logo na página 20: "(...) Francisco Louçã estreou-se mesmo a dar serventia de pedreiro (fosse o Bloco de Esquerda um partido estalinista à moda antiga e este episódio seria certamente empolado para arranjar-lhe um passado proletário)". Pasme-se! Onde terá o homem sido trolha? O autor elucida: foi numa jornada de trabalho voluntária com um padre e um amigo a ajudar a construir uma capela!
De uma só penada crítica o PCP, o seu secretário-geral e mostra a superioridade moral de um partido que não engana os seus fiéis. O exemplo parece-me elucidativo do tom que percorre todo o livro.

Publicado por [Paradise Café] às 12:44 AM | Comentários (17)

novembro 21, 2009

Ouvido numa rádio francesa – a difícil conjugação de“tiersmondisation”

-Os “bleus” acabaram por ganhar… mas é uma vitória amarga?
-Como toda a gente imaginei dois cenários possíveis: preparei-me para cantar vitória ou chorar em caso de derrota. Rezei para ser poupado da sessão de penalties fortemente desaconselhada na minha idade. E aqui estou eu envergonhado por esta vitória deplorável (...). Houve uma mão visível, voluntária e reconhecida. Felizmente nenhum jogador francês defendeu como Maradona a “Mão de Deus”. A França não se “terceiromundisou” em favor desta mão. Estamos face a um caso de consciência.



Publicado por [Shift] às 05:00 PM | Comentários (3)

novembro 20, 2009

Poesia de rua #57

nenhumtrabalho.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:35 AM | Comentários (5)

Publicado por [Saboteur] às 02:05 AM | Comentários (2)

novembro 19, 2009

Dicionário das Utopias

Porque o “fim da história está longe de ser programado” faz todo o sentido dar atenção ao novo Dicionário das Utopias. Segundo os autores, Michèle Riot-Sarcey, ThomasBouchet e Antoine Picon, o livro das Edições texto & grafia sai em busca da historicidade das utopias e de um retorno à compreensão, geralmente perdida, de um passado esquecido. Utopia esta, compreendida pelos investigadores como uma espécie de remeniscência de uma necessidade insatisfeita que reaparece como necessidade de reabilitar a crítica de um presente conflitual

Um trabalho à primeira vista sério, recusando a simplificação, aparentemente norteado pela abordagem histórica.

Publicado por [Paradise Café] às 06:25 PM | Comentários (4)

Nakba a cores!

Le marché de Jaffa, Gustav Bauernfeind, 1877

Há uns tempos a Câmara Municipal de Paris decidiu celebrar os 100 anos de Tel-Aviv -1909 – 2009 – apresentada como uma cidade nascida da areia e do mar, representando a modernidade de Israel e isenta da imagem de espoliações que foram feitas aos palestinianos em 1948... Ao invés, Tel-Aviv vive à sombra dos escombros e imagem do que Jaffa simbolizava outrora para os Palestinianos. Jaffa era antes de 48 o grande centro cultural palestiniano, como demonstram ainda cartazes da época da vinda da cantora Um Koultoum (a grande “diva” do mundo árabe) a esta cidade.
“Os caminhos do meu programa de visita conduziram-me a Jaffa. Outrora considerada como o grande porto da Palestina, esta cidade e Haifa foram as portas da imigração sionista em massa nos anos 40. Unida desde então à municipalidade de Tel-Aviv, Jaffa foi o alvo de um grande projecto imobiliário que transforma ainda hoje esta cidade num exemplo de como a deslocação forçada da população palestiniana (agora com cidadania israelita, mas sem com isso terem os mesmos direitos) é um acto não terminado. Se as demolições das casas palestinianas são cometidas em nome da segurança pública, a especulação imobiliária e a recusa de autorização de construir aos palestinianos não deixam sombra de dúvida no que diz respeito às politicas públicas israelitas visando exclusivamente esta população”. Estas foram a recordações que guardei de Jaffa, estas e as cores das laranjas da ainda hoje conhecida marca de laranjas de Jaffa. Uma amiga palestiniana nascida num campo de refugiados no Líbano (Chatila), emigrada em França, contara-me um dia que ao fazer compras num mercado francês quase comprou sem saber laranjas de Jaffa. Quando se apercebeu da coisa, decidiu fazer boycot pois estas laranjas, agora israelitas, pertenceram um dia ao pai (explorador de cerca de três hectares de laranjeiras). Quando telefonou ao pai, em Beirute, contando o episódio do mercado, este mesmo homem respondeu: “foste estúpida, as laranjas de Jaffa são as melhores do mundo”.
A história contada e recontada da “terra sem povo, para um povo sem terra” vingou. O trabalho de branqueamento do que foi a Palestina é ainda hoje o pão de cada dia do governo israelita. Destrói-se sem pudor as ruínas de aldeias inteiras (únicas provas de uma existência... além das oliveiras centenárias, tidas como árvores selvagens na terminologia israelita), inventa-se poeticamente a história de um país começado do zero, manipula-se a memória individual daqueles que chegaram em 1948 e cala-se a memória colectiva dos palestinianos.
Zochrot é uma das associação israelo-palestiniana que tem ido contra esta corrente. Têm desmultiplicado esforços para elucidar a verdadeira história da criação do Estado de Israel, construído mapas que mostram a situação geográfica das aldeias palestinianas destruídas em 48, criado instrumentos pedagógicos sobre a Nakba.

Toda esta “introdução” para vos introduzir um documento de arquivo que acabo de descobrir. Um pequeno vídeo a cores do início dos anos 50, feito por um tal Fred Monoson, judeu americano, que mostra as consequências da agressiva ocupação israelita da cidade de Led:

http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-3806739,00.html

Não me deixei desconcentrar pelo artigo em hebraico onde se encontra este vídeo inserido, no entanto, fiquei estremunhada pelo facto do filme ser a cores. É verdade que as inovações técnicas no cinema começaram a dar os seus frutos coloridos nos anos 20 e 30. É verdade também que nos encontramos logo a seguir à II Guerra Mundial, um dos primeiros grandes momentos mundiais a ter algumas imagens coloridas, contudo, ver a Nakba a cores é algo inédito, não só porque não convém mostrar “uma terra com povo, para um povo sem terra” como pelo facto de mostrar que este momento é bem recente (+-60 anos), tendo em conta a nossa automática associação entre imagem a cores e modernidade.

Publicado por [Shift] às 01:56 PM | Comentários (0)

novembro 18, 2009

A festa de babete


"A tarefa era dura: tinha de juntar toda a informação possível sobre os locais que constavam do roteiro gastronómico do caso «Face Oculta». Durante largos meses, os homens fartaram-se de almoçar uns com os outros por esse país fora. Mas eu só tinha uma semana. Meia-dúzia de dias a comer e beber nalguns dos melhores restaurantes do país... Era um trabalho sujo, mas alguém tinha de o fazer. [...]
O polvo mostra-se generoso em quantidade e qualidade, acompanhado no interior do tacho onde se banha num molho escuro e espesso por batatas, grelos, tomate e camarões. Outra das referências da casa é o leitão, assado com o cuidado e a sapiência destacados por vários críticos gastronómicos. Mas o leitão está esgotado... Ou não. Na mesa ao lado, dois cavalheiros que chegaram mais tarde acabam por se deliciar com uma travessa de nacos do pequeno reco. Terão encomendado com antecedência. [...]
O ritual é sempre o mesmo: entramos e desfilamos perante uma banca de peixe e mariscos para escolher a refeição - entrada e prato principal. É uma visão impressionante, mesmo para quem não tenha a paixão pelo peixe fresco, este baixo-relevo formado por exemplares notáveis de robalo, dourada, sargo, pargo, linguado, pregado, corvina, cherne, salmonete. Todos alinhados numa frescura que nos leva a pensar que a qualquer momento nos vão saltar para o colo...
Ali ao lado, camarões-tigre, carabineiros e amêijoas oferecem-se à gula para entrada. Irresistível. Junte-se a tudo isto a qualidade irrepreensível dos acompanhamentos (umas batatinhas assadas no forno que são um mimo e uma salada mista de pimentos, tomate, cebola e batata) e tudo se conjuga para uma refeição inesquecível, numa sala apesar de tudo capaz de conter as muitas conversas, mas com um serviço de rapidez oscilante - como o peixe tem de passar pela grelha, os primeiros a chegar e a pedir são servidos depressa, mas os retardatários farão bem em ocupar o tempo com algumas entradas e um copo de vinho.
A este nível, numa garrafeira repleta de opções a várias dezenas de euros (e estamos a falar de vinhos brancos...), é impossível não notar uma inflação despropositada dos preços. Como exemplo, uma garrafa pequena de Planalto paga-se a 9,50 euros, quando o mesmo vinho, no supermercado, custa menos de um terço disso - no Continente on-line paga-se a 2,84 euros.
(Bom, chefe, tenho de confessar: almocei acompanhado. Num sítio daqueles não se come sozinho. A cerimónia de apreciar um robalo de dois quilos não é coisa para se fazer a solo e os peixes da "lota" são, por norma, muito grandes. Na nossa mesa apareceram dois salmonetes, excelentes, e um linguado, ligeiramente seco. A aclamada mestria dos homens da grelha do Mercado do Peixe teve aqui um momento infeliz...)
No final, a acompanhar o café, pudemos apreciar um pastel de nata acabado de fazer e que é uma maravilha! Manuel José Godinho almoçou aqui quatro vezes com alguns dos envolvidos no caso «Face Oculta». Não sabemos se usaram os babetes que alguns dos convivas envergam para não salpicarem as gravatas e camisas de seda, mas temos quase a certeza de que o restaurante foi do agrado do empresário de Ovar.
(E até digo mais: quem não acredita que os criminosos voltam sempre ao local do crime é porque nunca provou estes pastéis de nata...)"

Luís Francisco, O homem que gostava de peixe

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:40 PM | Comentários (6)

Com tranquilidade


O Sporting está interessado neste jogador, cujos primeiros passos para o futebol foram dados num clube chamado (i shit you not) «Tiradentes»...

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:33 PM | Comentários (3)

novembro 17, 2009

Mais contras que prós

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Cheguei ontem a casa tarde e só pude ver o final daquele programa asqueroso apresentado por uma não menos asquerosa jornalista. Sobre o assunto em discussão, queria deixar duas notas.
1.ª O casamento é uma coisa que me diz muito pouco. Vejo-o, enquanto instituto integrado na mui nobre instituição família, mais como uma forma de manutenção e preservação de um dado património dentro da esfera particular de um grupo do que qualquer outra coisa. Não acho que o casamento - na verdade, um contrato bilateral com efeitos pessoais e patrimoniais para ambas as partes - tenha muito que ver com afectos ou sentimentos.
2.ª Não obstante, ao ouvir aquela gente ressabiada e bulorenta, que está sempre contra tudo o que esteja relacionado com mais liberdade individual, com mais liberdade de decisão sobre a vida de cada um, sinto-me compelido a intervir nesta luta, obviamente ao lado dos que defendem o alargamento do casamento a pessoas do mesmo sexo. Nem que seja só pelo valor simbólico que tal alteração legislativa sempre comportará.

P.S. Admiro e respeito o civismo das pessoas que foram ao programa defender a não realização do referendo. Confesso que seria incapaz de me manter sereno ao ouvir as baboseiras moralistas e conservadoras dos que lá foram, defendendo o referendo, demonstrar a sua homofobia e tacanhez. Não demoraria muito a partir para o insulto ou para qualquer acto menos dignificante. E o pior de tudo é que acho que o faria com gosto.

ADENDA: Queria apenas acrescentar que é, para mim, clara a inconstitucionalidade da discriminação do conceito de casamento do Código Civil. É também este um motivo óbvio para defender a alteração da lei no sentido da consagração do direito de pessoas do mesmo sexo se casarem.

Publicado por [Bounty Bob] às 11:54 AM | Comentários (8)

Pub.

HOJE
pelas 18h30, no Teatro Maria Matos, António Guerreiro e o Nuno Nabais discutem Biopolítica, uma organização daquele teatro e da Unipop.

Este é o texto dos organizadores:
“Nos últimos anos, a biopolítica de Michel Foucault tornou-se um sugestivo lugar de debate. O recurso ao conceito parece anunciar que a discussão da política terá que decorrer num plano que extravasa largamente o domínio do institucional, alastrando-se a todas as esferas da vida, no momento em que emergem novas técnicas de governo da população. Entretanto, e a partir da obra de autores como Giorgio Agamben, Roberto Esposito ou Antonio Negri, a noção de biopolítica tem sido objecto de interpretações diversas, por vezes até contraditórias, nuns casos apresentando o conceito como “grito de alerta” contra o actual estado das coisas, noutros interpretando-o como gesto de abertura de novos campos de poder político”

Publicado por [Paradise Café] às 11:48 AM | Comentários (3)

novembro 16, 2009

RAP recebe prémio da ILGA

Ouvi na SIC o Ricardo Araújo Pereira a dizer que não fazia ideia porque é que tinha recebido o prémio arco-iris que distingue aqueles que contribuiram para a luta contra a discriminação das pessoas com base na sua orientação sexual.

Eu também não.

Publicado por [Saboteur] às 02:15 AM | Comentários (12)

novembro 15, 2009

Crítica do Nacionalismo Económico

A nacionalidade do operário não é francesa, nem inglesa, nem alemã; é o trabalho, a escravidão livre, a traficancia de si mesmo. O governo do operário não é francês, nem inglês, nem alemão; é o capital. (...) O solo que pertence ao operário não é o solo francês «, nem o alemão, nem o inglês; é um solo que fiza alguns pés abaixo do chão.

No plano interno, a pátria do industrial é o dinheiro. Portanto, o filisteu alemão quer que as leis da concorrência, do valor de troca, da traficância, percam a sua validade quando chegam aos portões do país!

Saiu para as livrarias um pequeno livro de Karl Marx com dois pequenos textos: "Crítica de Liest" e "Discurso sobre a questão do comércio livre". Prefaciados por José Neves, os textos debruçam-se sobre a crítica ao proteccionismo e ao comércio livre, propondo o internacionalismo operário como resposta a estas duas soluções económicas.
Trata-se de textos de uma actualidade surpreendente que nos fazem pensar quão pobres, vazios e anti-marxistas são os agentes contemporâneos da luta que, paradoxalmente, tentam disputar o "marxismo" como se as suas propostas de gestão do actual alguma inspiração tivessem no pensamento político-económico de Karl Marx.

Publicado por [Paradise Café] às 01:31 PM | Comentários (12)

novembro 14, 2009

Le Monde diplomatique - Edição Portuguesa

Até 31 de Dezembro, ao assinar ou renovar a sua assinatura do Le Monde diplomatique por 1 ano (40 euros ou 30 para estudante), recebe gratuitamente mais três meses de assinatura.

Os três meses podem ser acrescentados à sua assinatura ou ser oferecidos como presentel a outra pessoa.

Lembrei-me de fazer esta publicidade porque acabo de ler o interessantíssimo artigo de José Castro Caldas, no número deste mês, sobre a atribuição do Nobel da Economia a Elinor Ostrom.


«O trabalho da vida de Elinor Ostrom põe em causa a ideia de inevitabilidade de existência de apenas duas alternativas: controlo dos "comuns" pelo Estado ou privatização. Ela defende, com base em abundante investigação empírica, que as comunidades podem ser capazes, não só de evitar a tragédia, como de gerir recursos em comum de forma mais sustentável que o Estado ou os proprietários privados.»

Publicado por [Saboteur] às 05:10 PM | Comentários (1)

Blackpot

"Pode-se vomitar tudo menos o medo e a solidão. Esta frase idiota fora-lhe dita, uma vez, por um médico que morrera atropelado por um camião. Continou a olhar para o espelho e tentou sorrir da ideia. Mas não sorriu".

Pela mão da Assírio & Alvim, encontra-se agora nas livrarias Blackpot, um policial inédito do americanizado pseudónimo de Dinis Machado. Para quem não conhece ou tem preconceitos sobre este género literário, sugere-se a leitura deste, como dos outros três livros que recentemente a editora deu à estampa. É bom, supreendente, simples e muito, muito inteligente.

Publicado por [Paradise Café] às 12:29 PM | Comentários (3)

Conferência Sindical Internacional

Aqui está o link para o blog da iniciativa que houve em torno da importância da Confederação Sindical Internacional e da pertinência da CGTP-IN aderir a esta estrutura.

A adesão da CGTP à CSI não seria certamente a panaceia para os problemas dos trabalhadores, mas a recusa da maioria da sua Direcção em dar este passo ilustra bem como vai o nosso sindicalismo e como vamos ainda ficar quando Carvalho da Silva sair e Arménio Carlos assumir os comandos da Central.

Publicado por [Saboteur] às 11:54 AM | Comentários (9)

novembro 13, 2009

Eles andam aí... os espíritos parisienses !

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Publicado por [Shift] às 07:00 PM | Comentários (1)

de eléctrico em barcelona 1908

Parece que este filme foi muito falado há uns meses mas só agora tive uma amiga lá da terra e empurrar-me para a maravilha. Pode dizer-se tanto, e tenho a certeza que algum estudioso do cinema já disse tudo o que havia para dizer, mas não posso deixar de convidar quem vai vendo este blog a repousar o olhar no filme à mesma velocidade do eléctrico. E, se tiverdes vagar, a vê-lo uma e outra vez.
Este filme lembra outro travelling famoso, aquele em que Nanni Moretti visita o descampado onde pasolini foi assassinado (em Caro Diário).Mas desta vez é tudo ao contrário: há gente nas ruas, o cenário é a cidade e não uma zona inóspita suburbana, há alegria e vontade de vida em cada passante e não o sonambulismo melancólico dos fantasmas que moretti vai cruzando, o eléctrico parece não ter destino fixado ao contrário da vespa de Moretti, em viagem de peregrinação. Além de observarmos passivamente, sentimos que centenas de olhos nos observam.

Alguma analogia se pode fazer entre este filme e os quadros dos realistas flamengos, nem que seja por atrair o olhar para o detalhe. Mas em movimento! Toda a gente vê os chapéus a saltar das cabeças, mas será que todos vêem a pantomima revisteira do moço a mostrar o traseiro à câmara? Também não é difícil reparar que a civilização do automóvel ainda não tinha canibalizado a cidade e que as bicicletas borboleteavam por ali. Mas será que todos reparam na desigualdade de género entre os proprietários/utilizadores dos veículos? Ficamos maravilhados com o vestuário daquela gente, as plumas nas cabeças das mulheres, os chapéus, mas será que, ao fazê-lo, nos questionamos sobre o significado cultural de só as crianças terem, e nem sempre, as cabeças descobertas (aqui estou a pensar nas coisas absurdas que se dizem hoje em dia a propósito de véus islâmicos)? E não haverá uma interpelação algo violenta ao nosso enfado pequeno-burguês no êxtase das caras anónimas reveladas neste travelling? Se alguém se der ao trabalho de ver o filme, e já entrando no ritmo lento destes curtos sete minutos, gostava que esse alguém aqui dissesse qualquer coisa sobre o que deles colheu para si e eu direi qualquer coisa quando de lá voltar.

Publicado por [Renegade] às 11:48 AM | Comentários (5)

novembro 11, 2009

O número 1


«Há notícias na vida que pela sua dureza nos chocam, a morte de Robert Enke é, sem dúvida, uma delas. Nunca ninguém está preparado para enfrentar o desaparecimento físico de alguém com quem conviveu e de quem guarda boas memórias. Mas quando a tragédia atinge alguém com a idade de Robert Enke, a frustração é ainda maior»

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:06 AM | Comentários (22)

novembro 10, 2009

Budapeste II

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Publicado por [Saboteur] às 07:07 PM | Comentários (0)

novembro 09, 2009

20 dias

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O Centro de Cultura Libertária, espaço anarquista existente há 35 anos, está a ser ameaçado de despejo por parte do proprietário.
O CCL é um ateneu cultural anarquista fundado em 1974 por velhos militantes libertários que resistiram à ditadura, ocupando desde então o espaço arrendado no número 121 da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. Tem sido um espaço fundamental para o anarquismo em Portugal acolhendo sucessivas gerações de anarquistas e libertários. O Centro possui uma biblioteca e um arquivo únicos em Portugal, com material anarquista editado ao longo dos últimos cem anos, assim como uma distribuidora de cultura libertária. Durante a sua existência, o Centro acolheu várias actividades, tais como debates, passagens de vídeo ou diversos ateliers. Diferentes publicações aqui se editaram, como a Voz Anarquista nos anos 70, a Antítese nos anos 80, o Boletim de Informações Anarquista nos anos 90 e o Húmus, mais recentemente.
Em Janeiro de 2009, foi instaurada por parte do proprietário do edifício uma acção de despejo contra o Centro. Esta acção foi contestada por vias legais, o que deu lugar a um julgamento que decorreu entre Setembro e Outubro. No dia 2 de Novembro, foi emitida a sentença que resultou na resolução do contrato de arrendamento, tendo sido dados 20 dias ao Centro para abandonar as suas instalações.
O Centro vai recorrer desta decisão. Nesta nova fase é preciso suportar custos que dizem respeito ao recurso e aos honorários do advogado. Até à data ainda não sabemos exactamente a quantia necessária mas, pelo que averiguámos, será necessário reunir umas largas centenas de euros.
O contexto que deu origem a este caso não diz respeito apenas ao Centro de Cultura Libertária, mas a todos aqueles que se vêm a braços com a falta de escrúpulos dos senhorios e restantes especuladores imobiliários. É importante relembrar que, ainda que este processo tenha sido iniciado sob alegações do ruído excessivo produzido pelos frequentadores do Centro, estão em causa outros interesses, nomeadamente o do senhorio em rentabilizar o espaço, alugando-o por um preço bastante mais elevado do que o praticado agora.
O desaparecimento deste Centro significaria a perda de um importante espaço de reflexão, debate, luta e resistência.
À semelhança dos/as companheiros/as que lutaram para que este espaço existisse, resistiremos uma vez mais, e NÃO perderemos o CCL nem às mãos dos tribunais, nem da especulação imobiliária nem por nada.
Continuaremos a lutar para que este espaço continue!
Toda a solidariedade e apoio que possam dar força à resistência do CCL é da máxima importância e urgência.
Saúde e Anarquia!!!
Centro de Cultura Libertária
07.11.09

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:03 AM | Comentários (18)

novembro 07, 2009

Budapeste

Publicado por [Saboteur] às 01:21 AM | Comentários (1)

novembro 06, 2009

Os comunistas

Publicado por [Paradise Café] às 02:43 PM | Comentários (1)

Appel

fotus 024.jpg
Proposta VI
Por um lado, queremos viver o comunismo; por outro, gostaríamos de espalhar a anarquia
.

Publicado por [Bounty Bob] às 12:20 PM | Comentários (10)

Fuck Berlin, fight now!

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:14 AM | Comentários (5)

novembro 05, 2009

Comentário ao comentário

Usando da forma mais escandalosa o poder que me é conferirdo, uso este espaço para fazer um comentário ao comentário do Luís ao texto do Saboteur já aqui em baixo sobre o Saldanha Sanches. Isto porque não consigo "postar" comentários e achei o deste "comentante" particularmente interessante. Então, Aqui vai:

Caro Luís:

"Não se pode criticar só a banca, meu caro Saboteur... Deixem lá alguém criticar o Saramago". Tirando o seu problema de construção frásica no que respeita à concordância, tem de convir que comparar a banca ao Saramago é que é de categoria, não é? Não é só uma afirmação demogógica e despolitizada, é ridícula.
Sobre o anonimato: permita a quem lhe apetecer não mostrar o ego. E já agora, não se pareça demasiado com o Saramago nos tempos do caso "República" com esse tipo de censuras.
Passe bem.

Publicado por [Paradise Café] às 04:22 PM | Comentários (11)

Curioso

que as mesmas pessoas que dizem que o casamento de pessoas do mesmo sexo é uma perda de tempo já que “há coisas mais importantes para tratar no país”, sejam as mesmas que pretendem agora “perder tempo” a referendar este assunto. E a nação à espera hem?

Publicado por [Paradise Café] às 03:42 PM | Comentários (12)

Feel it, funk it

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:22 AM | Comentários (0)

novembro 04, 2009

O Papel

Publicado por [Saboteur] às 10:23 PM | Comentários (1)

novembro 03, 2009

As entranhas de Saldanha Sanches

Saldanha Sanches (SS), como escrevi aqui, em cavaqueira com Paulo Rangel sobre as declarações de Saramago sobre a bíblia, largou a atoarda de que Saramago teria ido viver para as Canárias porque as ilhas eram um paraíso fiscal.

Parece que não foi só o Spectrum a dar-lhe nas orelhas e ele, ressabiado, decidiu voltar ao assunto no Expresso desta semana, mas num estilo definitivamente ainda mais parecido com alguns comentadores deste blog do que na primeira intervenção que ele fez.

Não é a primeira vez que SS utiliza o seu espaço de opinião no suplemento de Economia para dar largas às suas vingançazinhas, mas desta forma creio que é inédito.

SS faz uma piadinha de que intitula “Jangada dos Tolos” em que imagina uma conversa entre um “Autor Laureado” e um “Consultor Fiscal” e em que o primeiro se queixa ao segundo de que agora está consagrado e que os impostos lhe levam o dinheiro todo, etc. O “Consultor Fiscal” sugere-lhe então as Canárias, porque tem um regime que não pode ser de facto considerado um “paraíso fiscal”, mas que tem um sistema fiscal muito vantajoso.

Para este vómito funcionar melhor, SS esquece-se muito convenientemente que Saramago só foi reconhecido a nível internacional já depois de estar a viver em Lanzerote e de quais foram as circunstâncias e a polémica que deu origem à sua saída do pais, com a sua mulher, por sinal, uma cidadã espanhola. Ao mesmo tempo vai fazendo umas piadinhas rascas sobre como o “Autor Laureado” se preocupa com os explorados, mas quer é sacar o seu, etc… Há MRPPs que realmente parece que só ficaram com o pior da herança do partido

Publicado por [Saboteur] às 11:57 AM | Comentários (9)

Unipop - A Crise da representação

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"De forma a dar conta da distância entre uma elite de representantes e o conjunto dos representados, é amiúde referido que vivemos em plena crise da representação. Assim, os debates em torno da abstenção ou dos votos em branco, ou a referência ao enfraquecimento dos poderes dos Estados nacionais no quadro da globalização, alimentam a ideia de uma crescente crise da representação. Paralelamente, a problemática da representação convoca um debate cujo alcance supera a actualidade político-institucional. No quadro da política, mas não só aqui, o ideal de representação parece pressupor a possibilidade de uma relação incorruptível entre quem representa e aquilo que é representado. De tal modo assim seria que, na relação estabelecida entre governante e governado, o sujeito primeiro reflectiria transparentemente o objecto representado. Contudo, se não estivermos seguros desta transparência, o debate da representação deverá começar por perguntar se a representação é sempre um lugar de crise e, por outro lado, questionar se é possível pensar em política e em democracia além da representação."

A partir das 18:30 no bar do teatro Maria Matos

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:45 AM | Comentários (19)

Até outro dia parceiro


Publicado por [Rick Dangerous] às 03:38 AM | Comentários (3)

novembro 02, 2009

----------- Gaza Freedom March --------------

Aqui, em Janeiro 2009, relatei o que foi o meu dia-a-dia acompanhada de pessoas oriundas do Médio-Oriente . Estávamos em época de ataque Israelita a Gaza. Brevemente, será o primeiro aniversário deste triste episódio... No que diz respeito à Palestina, seria importante assinalar muitos tristes episódios, mas algo está para acontecer: “uma marcha internacional para a liberdade de Gaza”, precisamente a um ano deste ataque (as inscrições estão abertas).
Um amigo cineasta aqui da malta conseguiu entrar em Gaza a 20 de Janeiro de 2009 e captar algumas imagens do quotidiano dos palestinianos. Estas imagens constituem uma das únicas provas das consequências imediatas dos bombardeamentos que visaram toda a população de Gaza, já por si encarcerada numa grande prisão (sem contar com as imagens de Al-Jazira). Samir contou-nos que apenas conseguiu entrar em Gaza pela fronteira do Egipto porque colou-se a uma equipa de médicos franceses em missão, mostrando a sua carte vital (cartão de saúde francês) e dizendo que era cirurgião. Aqui (em baixo) fica um extrato deste filme (tradução em francês) que faz apelo à participação na Marcha.


Publicado por [Shift] às 01:30 PM | Comentários (3)

António Sérgio

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:49 AM | Comentários (2)

A relação com as pessoas é boa


A esquadra da PSP da Quinta do Cabrinha, Lisboa, foi anteontem à noite atacada com três engenhos explosivos (contendo ácido muriático e conhecidos como ‘bombas MacGyver’) no espaço de apenas quatro horas.
O primeiro ataque ocorreu pelas 18h40. A bomba foi arremessada na Rua da Fábrica da Pólvora, nas traseiras da esquadra. O barulho do rebentamento foi forte, bem como a nuvem amarelada e com um cheiro intenso. A PJ foi chamada ao local para recolher vestígios. Pelas 20h00, ainda com inspectores da Judiciária no local, novo rebentamento. A ‘bomba MacGyver’ terá, desta feita, sido atirada do lote 5 da Rua da Quinta do Cabrinha. A PSP efectuou buscas no prédio mas não identificou ninguém.
Às 22h30, o terceiro e último ataque. Não houve feridos nem danos materiais mas, por precaução, os agentes da esquadra só saíram ontem envergando coletes antibala. O bairro, recorde-se, é onde foram realojados os moradores do Casal Ventoso.
A PSP de Lisboa assegura que não tem conflitos com os moradores. "Está inserida num bairro problemático mas a relação com as pessoas é boa", assegura.

Correio da Manhã

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:58 AM | Comentários (20)

novembro 01, 2009

Calou-se a voz do lobo

Morreu o António Sérgio. Agora vai ser mais difícil ouvir rádio. Porquê? O próprio explicava há dois anos atrás: «Uma das funções da rádio é espalhar magia: nós não temos cara, temos vozes, e isso ajuda a incendiar o imaginário dos ouvintes. E esta rádio de hoje, coitada, não incendeia absolutamente nada. Põe o ouvinte a um canto e diz-lhe: ouve isto, que não te maça, não te assusta, não te provoca, não te faz comprar discos».

Publicado por [Manic Miner] às 01:29 PM | Comentários (6)

Um conselho de "classe" para os perdedores... Qualquer referência à águia de destruição maciça é pura coincidência

Paulo Bento: “Pressão elevada têm as famílias no desemprego”

Publicado por [Paradise Café] às 10:40 AM | Comentários (5)