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outubro 26, 2009

Não é chinesa, mas parece que gostava de ser

A revista do Expresso, na sua rubrica semanal "o que vê nesta imagem?" deu a oportunidade a Rita Rato - um caso sério de aposta do PCP nos mais novos: com 26 anos foi a nº3 por Lisboa à AR - de comentar um desenho de Obama vestido à Mao.

A resposta da deputada comunista convoca o post da Joystick aqui em baixo sobre o filme que viu no DOC.

Reparem que não foi pedido à Rita Rato que comentasse o "modelo Chinês" ou os "direitos humanos" na China, pergunta que a obrigaria aos malabarismos do costume ("Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa" disse numa entrevista), para evitar qualquer crítica e uma repreensão dos camaradas da Secção Internacional do Partido, com quem ninguém quer ter chatices.... Pediram-lhe apenas que comentasse uma foto

«Confrontado com a mais profunda crise desde a Grande Depressão, o 44º Presidente dos EUA vê-se obrigado a aprofundar as relações diplomáticas com a mais pujante economia mundial e o principal credor norte-americano. A China, no momento em que comemora os 60 anos da sua revolução, é cada vez mais um país incontornável, mesmo para quem quer reforçar e impor o seu papel hegemónico no xadrez internacional»

Publicado por [Saboteur] às outubro 26, 2009 12:33 AM

Comentários

A rita é bonita, tu és feioso, saboteur.

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 01:25 AM

Terá sido por isso, por ser bonita, que ela foi para deputada? A posição do PCP sobre a china é uma miséria

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 01:53 AM

Ela disse alguma mentira? Apenas constata um facto que pode ser assumido por qualquer um, seja contra ou a favor do que se passa na China. O que este post revela é que o que importa é atacar o PCP. Neste aspecto, não há diferenças entre os media dominantes, os blogues de direita e os blogues esquerdistas ou social-democratas. O malhanço no PCP, mesmo que desprovido de argumentos, une-vos. E ainda bem.

Publicado por [pedro bala] às outubro 26, 2009 09:32 AM

Na China há uma NEP gigante, há uma série de concessões aos exploradores, há uma luta de classes aguda, tensa, violenta, dramática, cujo desfecho poderá (poderá, repete-se) ser favorável à restauração. Há, portanto, um processo, com linhas tendenciais de desenvolvimento e forças que as contrariam - aliás como é próprio da história.
Para a indigência filistina reinante neste blog o que existe na China é apenas um estado de coisas fixo, cristalizado e imutável, decidido pelos maus e pelos revisionistas. Desconhecem, desculpem lá, a dinâmica histórica. Têm dela uma perspectiva liberal, pobre. Usam à maneira liberal, a-histórica, conceitos como democracia e liberdade, usam-nos como coisas caídas do céu aos trambolhões. Caem no triste espectáculo teórico de considerar por igual NEP's, ex-bloco socialista e países capitalistas. No fundo, é tudo o mesmo, não é assim?
Diz bem, o Pedro Bala. Vocês fazem parte daquele palco luminoso, galante e bem comportado que sempre que o tema de conversa é o PCP - ri... de nervoso miudinho.

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 10:21 AM

Viva a China! Viva o movimento sindical chinês! Viva a censura! Viva a pena de morte! Viva a mais pujante economia mundial! E a segunda também!
Que floresçam mil Ritas. E Ratos.
(...ai que nervos...)

Publicado por [J] às outubro 26, 2009 10:32 AM

«Confrontado com a mais profunda crise desde a Grande Depressão, o 44º Presidente dos EUA vê-se obrigado a aprofundar as relações diplomáticas com a mais pujante economia mundial e o principal credor norte-americano. A China, no momento em que comemora os 60 anos da sua revolução, é cada vez mais um país incontornável, mesmo para quem quer reforçar e impor o seu papel hegemónico no xadrez internacional»

Esta afirmação podia ser dita por qualquer um, insisto. Não há qualquer nível de valoração. Desafio quem quer que seja a desmentir o que disse a Rita Rato.

Publicado por [pedro bala] às outubro 26, 2009 11:49 AM

A Rita é bonita (como diz o primeiro anónimo), sim senhor, mas a crítica é precisamente à Direcção do PCP (como diz pedro bala) e não propriamente à Rita, uma vez que, como sabemos, ainda mais nos tempos que correm, uma jovem deputada recém-eleita não vai deixar de pedir à Soeiro que lhe dêem alguma orientação para o comentário do Expresso.

O problema não é o de ela não ter dito nenhuma mentira. O problema é velho demais para o estarmos aqui a esmiuçar, pois não tem nenhuma novidade: A Direcção do PCP, e em particular esta que tem feito o seu caminho nos últimos 8 anos (veja-se a re-interpretação e a mudança de enfoque que tem sido dada às conclusões do 13º Congresso do PCP), esforça-se por não ter qualquer leitura crítica dos regimes que se dizem (e que se diziam) do socialismo. Pelo contrário, vai valorizando, o que ainda é menos aceitável.

O Obama vestido à Mao e a China é "um país incontornável"? "a mais pujante economia mundial"? Esta glorificação do crescimento económico, sem ter a mínima preocupação em olhar para os direitos dos povos e dos trabalhadores, sem olhar para as questões ambientais não é mais do que uma importante contribuição para o combate ideológico, mas para ajudar o outro lado da barricada, contra os comunistas.

Publicado por [Saboteur] às outubro 26, 2009 12:21 PM

será que ela anda de bicicleta?

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 12:31 PM

Eu confesso que também me escapa o grande problema....

Publicado por [rita maria] às outubro 26, 2009 01:00 PM

Apoiar o capitalismo chinês contra o capitalismo norte-americano, eis a que se reduz a miséria do estalinismo. Se não percebes a dimensão do problema Pedro, recomendo-te os clássicos. Lenine já servia. O Imperialismo para começar. O Estado e a revolução para aprofundar.
Não se trata de escolher o melhor dos dois imperialismos, mas de combater qualquer imperialismo. A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores, lembram-se?
AS reflexões acerca de uma «NEP gigantesca» são tão delirantes que se torna impossível comentá-las. Havia nos anos 70 um partido cujos textos se pareciam com este. O PCP (ML). Era sustentado pela CIA.

Publicado por [Rick Dangerous] às outubro 26, 2009 02:51 PM

muito se esforçam estes amigos da esquerda moderna, bem pensante e bem falante, com muitas opiniões próprias e originais apenas deles - sim porque esta malta pensa pela sua cabeça, não são nenhuns carneiros como o resto do povo - para atacar a nova deputada do PCP... essa "menina bonita mas pouco inteligente" que não respondeu como eles queriam às perguntas do Correio da Manhã - pasquim recentemente elevado à categoria de jornal de culto por um surpreendente conjunto de malta -....
...
queridos ex-camaradas, calma e boa educação (tal como a cautela e os caldos de galinha) não fazem mal a ninguém....
...
Mas pronto, ainda bem que o saboteur existe e tem tempo para, com as suas contribuições, defender o movimento comunista, lutar pela libertação dos povos, e fundamentalmente lembrar o PCP da linha justa, tão justa que só mesmo os militantes do PCP (tristes carneiros dominados por uma feroz e dogmática direcção)não são capazes de ver....

um grande abraço e um grande bem haja

Publicado por [MR] às outubro 26, 2009 02:57 PM

Eu acho que a única razão que o Spectrum faz posts a comentar o PCP é porque isso dá uma dinâmica do caraças aos comentários e às visitas :P

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 03:10 PM

pois eu acho que é por causa das ciclovias.

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 04:00 PM

Atenção pessoal, a CIA entrou neste blog (vejam 4 comentários acima).

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 04:41 PM

Diz-nos então uma coisa, Rick Dangerous.
Há o imperialismo americano, europeu, japonês, havia o soviético, há o chinês. Isto tudo forma o grande campo do capitalismo. Certo?

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 04:52 PM

ora aqui está a teoria pequeno-burguesa habitual.

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 05:05 PM

Cá por mim ainda continuo à espera que se cumpram as profecias...já devíamos estar todos pelo menos no PS, não?

Publicado por [renegade] às outubro 26, 2009 05:10 PM

Estamos por todo o lado, embora que tenham migrado para o PS eu só conheça o caso de dois ortodoxos dos piores. Mas isso nao tem qualquer ligaçao, até porque a Rita Rato, sobre quem era o post, nunca se meteu nisso, nao deu facadas nas costas de ninguém e pensava aliás, dentro do conflicto, com a sua própria cabecinha. Logo, nao só nao era sacana como estava longe de ser parva.

Evidentemente que podemos todos crucificá-la por se ter espalhado ao comprido numa entrevista - como mais nao fez que tentar fugir a perguntas, nao vamos ficar a saber dessa forma o que pensa ela sobre os Gulags e os direitos humanos na China (embora fiquemos infelizmente a saber o que pensa sobre o internacionalismo).

Quanto à imagem, o comentário do Rick Dangerous lembra-me uma professora de História que tive, do PC, que me ensinou como eram avaliados os testes em Portugal: havia uma pergunta de desenvolvimento e, no âmbito dessa, uma direcçao de desenvolvimento correcta, todas as outras tinham no máximo uns pontinhos para compensar o esforço, por mais legítimas que fossem.

A dela é mázinha porque cheira a louros que o sistema chinês está longe de merecer, ainda mais de um partido anti-capitalista. Mas havia 223 outras, todas elas legítimas, para comentar essa imagem idiota. Se ela nao usou a que vocês queriam, isso ainda nao faz da dela o escândalo que querem fazer.

Na realidade objectiva da situaçao concreta, como dizia o meu controleiro, uma Rita Rato chegar a algum lado no PC é bom sinal e acho pateta cortar-lhe já o pio em ataque concertado, que a cada duas linhas menoriza a rapariga porque é gira, oh, esse crime máximo das mulheres na política, cemitério de toda a credibilidade.

Publicado por [rita maria] às outubro 26, 2009 05:39 PM

Sabouter,

consulto este blog todos os dias, embora raramente comente... mas nota que esta este post é mesmo muito fraquinho!

1º colocas o comentário da moça...

2º depois dos comentários dizes "O problema não é o de ela não ter dito nenhuma mentira."

... desta vez, puseste-te a jeito...

Publicado por [nuno] às outubro 26, 2009 05:41 PM

Nuno o teu reparo não me fez mudar de ideias.

Primeiro, dizer que não conhecia declarações anteriores da camarada. Vi a revista do Expresso e só quando fui procurar uma foto dela no google para fazer um post é que vi que ela já tinha dado mais entrevistas. E só mais tarde é que percebi que a blogosfera já andava a comentar a entrevista dela.

Depois, como disse, o problema não é o ela não ter dito nenhuma mentira. Aceito que a china seja uma economia pujante e que o país seja incontornável. So what? Acho é que é significativo que a jovem deputada aproveite um comentário a uma foto para dizer isso. É assim que está a JCP e é assim que se sobe no PCP actual.

Se alguém te mostrasse uma fotografia da bandeira dos EUA e te pedisse para comentares para o Expresso e tu dissesses nos mesmos termos orgulhosos que era a economia mais poderosa do mundo, eu diria que eras um tolo. Se te mostrassem uma fotografia da reforma agrária e tu dissesses que foi nesse tempo que a economia portuguesa esteve mais vulnerável, com taxas de crescimento negativas, enquanto em 71 e 72, chegámos a ultrapassar um crescimento de 10%, eu diria que eras um fascista.

Publicado por [Saboteur] às outubro 26, 2009 09:03 PM

de falta de coerência não se pode acusar o spectrum. lá fora contra a china imperialista, na óptica dos trabalhadores, contra o pcp. cá dentro a favor de antónio costa, conhecido e abnegado revolucionário, contra a exploração assalariada, contra o pcp.

Publicado por [Anónimo] às outubro 26, 2009 09:10 PM

Eu cá para mim tenho como verdade que a China joga um papel no xadrez internacional, para usar as palavras exactas da Rita Rato. Vou mais longe: o papel que desempenha nesse xadrez é exactamente o das peças pretas. Não joga outro jogo, nem joga noutro tabuleiro. Joga o mesmo xadrez do império, com a diferença de começar com duas rainhas: as condições da sua força de trabalho (o dobro da soma das forças de trabalho dos EUA, UE e Japão) diminuem o valor do trabalho em todo o mundo. Com o dinheiro da exploração da sua força de trabalho, a China compra títulos do tesouro da potência dita hegemónica, suporta a sua política e, enquanto credor, não se importa com a hegemonia simbólica no capitalismo mundial. Lá incontornável é ela...

Publicado por [joystick] às outubro 26, 2009 09:44 PM

Para começar, estou-me a cagar para o que a gaja do pc disse. Escrevo porque a postura de muita gente do âmbito "antagonista" (para facilitar a identificação) em relação à china não leva em conta vários factos fundamentais. Comparar simplesmente a china com os países ocidentais, sem considerar todo o seu passado e o que era há apenas algumas décadas atrás, não me parece sério. Na china muita gente viu nas fábricas da nike e dos ipods (onde se ganha muito mal e não há direitos laborais) uma forma de libertação. De libertação de uma vida desesperante e sem horizontes no campo, igual à das 30000 gerações anteriores. Foram as fábricas de shenzhen e outras cidades do género que criaram a hipótese de milhões de pessoas (acho que são cerca de trezentos milhões, mais ou menos a população dos eua) de abandonar a vida no campo e enviar os seus filhos para a universidade. Foi este movimento, e não o trabalho da onu ou das ong's, que fará com que se atinjam as metas de combate à pobreza que se traçaram na onu para 2015.
A china é obviamente uma ditadura onde não há grande respeito pelos direitos humanos, onde há corrupção e miséria, onde os direitos políticos são poucos ou nenhuns. Mas também é dos sítios onde as pessoas mais estão optimistas no mundo. A diferença entre o nível de vida da geração que agora tem 25-30 anos e a dos seus pais e avós é algo de inimaginável na europa.
Penso que analizar criticamente a china é fundamental, podem crer que vai jogar um papel determinante no xadrez internacional. Mas para o fazer tem que se ter e conta os vários lados da questão.
São só uns palpites para o debate...

Publicado por [Chinês] às outubro 27, 2009 11:34 AM

Rita, ninguém aqui está a perseguir a Rita ou muito menos a classificá-la como «aquela miúda gira». O que ela disse tem um significado e um peso. É, no mínimo, revelador de alguma coisa. Acho que saboteur e joystick já disseram o que é fundamental. Dizer que a China é uma grande potência com um grande crescimento económico é uma opção de classe muito evidente. É verdade, mas não é toda a verdade e falta-lhe aquela parte de verdade que costuma interessar aos comunistas - então e quem é que trabalhou para que tudo isso fosse possível?
Quanto ao comentário do «Chinês», tudo pode ser muito certo, mas continua de pé outra questão fundamental - o desenvolvimento do capitalismo na china enfraquece ou fortalece o capitalismo à escala global? E quando todas essas pessoas, maravilhadas com o crescimento e libertadas por ele, fazem greves e lutam contra a repressão? Isso faz tanto parte da dinâmica de que falas como o acesso ao poder de compra ou à ascensão social.

Publicado por [Rick Dangerous] às outubro 27, 2009 02:44 PM

Li com satisfação a tua resposta Saboteur, mas ainda assim, não me parece que a moça tivesse usado "termos orgulhosos": parece-me que se limitou a fazer um comentário bem neutral (não sei mesmo se esse não é um dos grandes problemas actuais do partido).

Mas fiquemos por aqui, que já é alarido a mais por tão pouco.

Continuação de bom trabalho!

Publicado por [Nuno] às outubro 27, 2009 05:30 PM

Me perecan geniales los cambios Daz, si alguien mas quiere aportar algo no duden en hacerlo, hay que darles su chicoteada en el poto pelado a los de COMTECO.

Publicado por [Batuhan] às fevereiro 27, 2012 04:27 AM

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